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01/09/2014

às 17:05 \ Política & Cia

Aqui, o PT não entra de jeito nenhum: GOIÁS, domínio do PSDB e do DEM

Ronaldo Caiado, deputado pelo DEM: o líder ruralista é o favorito para capturar a vaga do Senado no Estado (Foto: Beto Oliveira/Agência Câmara)

Ronaldo Caiado, deputado pelo DEM: o líder ruralista é o favorito para capturar a vaga do Senado por Goiás — onde o PT não tem vez (Foto: Beto Oliveira/Agência Câmara)

O Estado é o único a ter seus três senadores e o governador de partidos de oposição ao governo lulopetista. Nestas eleições, isso não deve mudar

Por Gabriel Castro, de Brasília, para VEJA.com

Nos últimos catorze anos, as eleições têm mostrado um contínuo crescimento nacional do PT, que passou de uma agremiação de força média, sem capilaridade, para um dos partidos mais poderosos do Brasil, com presença nas capitais e nos grotões. Há um lugar, entretanto, que parece ter ficado imune a essa onda: Goiás.

O Estado é a única das 27 unidades da federação onde o governador e todos os três senadores fazem oposição ao PT. O governador é Marconi Perillo (PSDB). Dois senadores são tucanos; o outro é do DEM. O cenário não deve mudar: nas eleições deste ano, Perillo caminha para a reeleição, enquanto Ronaldo Caiado (DEM) é o favorito para vencer a disputa por uma cadeira no Senado.

Na Câmara dos Deputados, apenas um dos 17 parlamentares é petista. O candidato do PT ao governo do Estado, Antonio Gomide, aparece em quarto lugar nas pesquisas, com 5% das intenções de voto. Marina Sant’anna, a petista que disputa o Senado, tem números um pouco melhores, mas a vantagem de Caiado é confortável.

O que explicaria a falta de sucesso do PT no Estado? O professor de Ciência Política Itami Campos, da Universidade Federal de Goiás, diz que o perfil socioeconômico da população explica os insucessos petistas. “O agronegócio é muito forte, e o que predomina entre os eleitores é uma mentalidade mais tradicional”, diz ele.

Hoje, 70% da população do Estado é urbana, mas as pequenas cidades são ampla maioria. Cerca de 80% dos municípios goianos têm menos de 20.000 habitantes.

Outra razão: tradicionalmente, a política goiana tem uma participação intensa de grandes fazendeiros e empresários, o que minou desde o início a possibilidade de ascensão do PT, historicamente ligado ao sindicalismo e ao funcionalismo público.

Em Goiás, o PT ainda possui o perfil eleitoral que tinha antes da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência: o típico eleitor petista é de classe média, concentrado nas grandes cidades. Não por acaso, o partido governa os dois principais municípios do Estado: Goiânia e Anápolis. O presidente do PT goiano, Ceser Donisete, usa esses dados para afirmar que o petismo tem sua força em Goiás.

Ainda assim, o saldo das eleições municipais não é bom: o partido tem menos prefeituras do que siglas médias, como DEM, PP e PSD. E comanda apenas um terço do número de cidades administradas por PMDB e PSDB.

Donisete diz que o cenário não é permanente. ”É conjuntura, mesmo. Depende do nome que é apresentado. Agora quem lidera as pesquisas para governador é o Marconi Perillo, mas dentro da aliança dele tem pelo menos cinco partidos que apoiam Dilma”, afirma. Esse dado, entretanto, só reforça as diferenças entre o cenário local e o federal.

O predomínio de políticos de centro ou de direita também causou em Goiás uma polarização curiosa: PSDB e DEM estão em lados opostos. O partido de Ronaldo Caiado, aliado ao PMDB, enfrenta os tucanos nas urnas.

Caiado diz que o perfil do eleitor goiano é naturalmente avesso às ideias petistas: ”Aqui existe uma tendência mais liberal, de que o Estado deve ter funções específicas, sem muita interferência na iniciativa privada. A maioria do Estado acredita capacidade do cidadão”, afirma.

Ele havia firmado uma parceria com o então candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, até que, por exigência de Marina Silva, o acordo foi desfeito. O democrata aliou-se, então, ao PMDB do ex-governador Iris Rezende mas, em nível nacional, estará ao lado de Aécio Neves (PSDB) se ele for eleito presidente.

O PMDB local, que já foi anti-PT, chegou a se aliar aos petistas e agora se separou novamente. Rezende, o candidato da sigla ao governo, luta para reverter a vantagem de Perillo, mas a tendência é que o tucano conquiste o quarto mandato.

(CLIQUEM AQUI PARA LER ENTREVISTA DO DEPUTADO RONALDO CAIADO)

04/06/2014

às 20:43 \ Política & Cia

Dilma tenta recuperar credibilidade do governo junto ao empresariado. Mas usa dados que… vou lhes contar

(Foto e ilustração: Agência Brasil :: Global Times)

Dados do FMI mostram que, entre 2011 e 2014, o Brasil amarga um péssimo 14º lugar em matéria de crescimento entre as 20 maiores economias do mundo. Bem diferente do que a presidente Dilma apregoa a empresários (Foto: ABr :: Ilustração: Global Times)

A presidente Dilma Rousseff anda muito preocupada com sua imagem diante das forças produtivas, do pessoal que faz o país andar — os empresários e os comandantes de grandes companhias — e, por isso, tem intensificado suas conversas no setor.

Nesses contatos, ela expõe teses e esgrime números.

Foi nesse contexto que ela afirmou, recentemente, que “nós [o Brasil] não somos um ‘paisinho’, somos um paisão” — o que não significa, a rigor, nada, pois ser grande, terminar em “ão” não chega a ser virtude se não estiver associado a determinadas virtudes. Os grandões bobos que, no basquetebol, só são escalados pelos técnicos para atrapalhar o adversário dificilmente configura excelência esportiva, por exemplo.

Infelizmente, para a presidente, os encontros com empresários têm se realizado à sombra de números ruins, como, por exemplo, o recém-divulgado crescimento miserável de apenas 0,2% medido pelo IBGE no primeiro trimestre do ano, o que levou o próprio governo — que sempre apregoa o que não vai conseguir alcançar — a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer abaixo de 2% este ano.

O problema, porém, não são os números reais, mas os números fictícios que — digamos que por distração — a presidente apresenta.

É espantoso que quem ocupa o principal gabinete no Planalto cometa o erro em que a presidente incorreu em um desses encontros.

Respondendo a um questionamento do empresário João Dória Jr. — o mesmo que organizou o Fórum de Comandatuba, na Bahia, em que os empresários aplaudiram de pé o candidato tucano Aécio Neves — sobre a crise de credibilidade que o país enfrentaria no exterior, Dilma afastou-se de comparações do Brasil com outros países da América do Sul (estamos em último lugar entre 12 países em matéria de crescimento) e rebateu que comparações, se feitas, devem ser com os países do G 20, as 20 maiores economias do planeta.

E assegurou:

– Nós fomos o quarto maior crescimento do G-20, onde estão todas as maiores economias do mundo.

a charge  pibinho e dilminha

Ignora-se totalmente a que período e a que números a presidente se refere, pois dados oficiais do Fundo Monetário Internacional revelam que, entre 2011 e 2014, a variação média de crescimento do PIB entre os 19 países membros do G-20 e mais a União Europeia coloca o Brasil não em quarto, mas em DÉCIMO-QUARTO lugar!

Com magérrimos 2% no período, todo ele transcorrido no governo Dilma, a verdade dura é que estamos atrás da campeoníssima China (8%), e de Indonésia (6%), Arábia Saudita (5,6%), Índia (5,3%), Turquia (4,3%), Argentina (3,8%), Coreia do Sul (3,1%), México (3,0%), Austrália (2,8%), África do Sul (2.6%), Rússia (2,6%), Estados Unidos (2,3%) e Canadá (2,1%).

O país governado pela gerentona está à frente apenas dos países europeus em crise grave e do Japão, virtualmente estagnado há duas décadas, a saber: Alemanha, Reino Unido, Japão, França, União Europeia (como um todo) e Itália.

Quando se fala em crise de credibilidade em relação ao país, e a presidente deste país de certa forma “chuta” números… A presidente parece se esquecer de que empresários e executivos são pessoas muito bem informadas sobre essas questões.

15/04/2014

às 12:33 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES BATE DURO:”Está na hora de a presidente Dilma devolver limpo o macacão da Petrobras”

 

Aécio afirmou também que Dilma precisa pedir desculpas aos brasileiros pelos desmandos Petrobras (Foto: Evaristo Sá / AFP)

Aécio afirmou também que Dilma precisa pedir desculpas aos brasileiros pelos desmandos Petrobras (Foto: Evaristo Sá / AFP)

O presidenciável tucano disse que o PT sujou a imagem da empresa

Por Daniel Aidar, do Rio de Janeiro para o site de VEJA

O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, cobrou nesta segunda-feira que a presidente Dilma Roussef “devolva limpo” o macacão da Petrobras.

O tucano responsabilizou o aparelhamento do governo petista pelos episódios de má gestão da estatal. “Vi uma declaração dada pela senhora presidente da República em Pernambuco, acusando a oposição de ferir a imagem da Petrobras. Quem está sujando a imagem da Petrobras é o aparelhamento que o PT estabeleceu na empresa”, disse, momentos antes de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

afirmou.

O senador respondeu à tentativa da presidente de menosprezar as suspeitas de irregularidades na estatal, e de tratar como “pontuais” os problemas das gestões durante os governos do PT.

“Se ela considera que um diretor da empresa reconhecido como muito poderoso esteja hoje preso e com relações com doleiros para arrecadar recursos com fornecedores, vamos continuar defendendo a Petrobras. Isso não é pouco. A Petrobras é um patrimônio dos brasileiros”, disse Aécio.

Ele é o segundo pré-candidato à Presidência recebido na Firjan por empresários. O primeiro foi o ex-governador Eduardo Campos (PSB).

O tucano disse que pretende receber contribuições e apresentar diagnósticos sobre a economia e questões sociais.

Ele defendeu iniciar uma guerra ao “custo Brasil”, que encarece o custo de vida no país e afasta investimentos.

Possível apoio do PPMDB

Aécio tem, ainda esta noite, um compromisso com líderes peemedebistas no Estado.

Um jantar organizado pelo presidente regional do partido, Jorge Picciani, deve anunciar o apoio do PMDB fluminense à candidatura tucana.

O movimento – uma reação à decisão do PT de manter a candidatura do senador petista Lindbergh Farias ao Guanabara – enfraqueceu a candidatura de Luiz Fernando Pezão, atual governador, depois da renúncia de Sérgio Cabral.

LEIAM TAMBÉM:

J. R. Guzzo e o caso Pasadena, da Petrobras: “A presidente Dilma cometeu um desatino que ficará registrado na história nacional da incompetência”.

Planalto não quer parlamentares do “volta, Lula” na CPI da Petrobras

31/03/2014

às 16:00 \ Política & Cia

Aécio: Dilma superou ‘todas as expectativas’ de desperdício de dinheiro público

 

Aécio: "Caso Petrobras é exemplo de má gestão" (Foto: Evaristo Sá / AFP)

Aécio: “Caso Petrobras é exemplo de má gestão” (Foto: Evaristo Sá / AFP)

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, disse nesta segunda-feira em São Paulo que a presidente Dilma Rousseff “superou todas as expectativas” de desperdício de dinheiro publico.

O tucano participa de debate com empresários acompanhado do governador paulista, Geraldo Alckmin, e do mineiro Antônio Anastasia, ambos do PSDB.

“Daqui a pouco vamos ter o confronto do Brasil virtual da propaganda do governo com o Brasil real”, disse o senador. “E um país que parou de crescer, assustado com a absoluta incapacidade de gestão em todas as áreas. A Petrobras é o caso mais emblemático mas, mas se espalhou por todo o governo”.

Aécio acrescentou: “As pessoas erram, o que me incomoda é não admitir o erro, achar que tudo é normal e que tudo vai bem”, afirmou.

Leia também: Mercado antecipa seu julgamento sobre Dilma. E a sentença é dura

25/11/2013

às 8:13 \ Disseram

Dilma Rousseff: “O futuro será nosso se percebermos que não há oposição entre governo e empresários”

“O futuro será nosso se percebermos que não há oposição entre governo e empresários”

Dilma Rousseff, durante a abertura do 14º Congresso da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, realizado em Campinas

07/12/2012

às 15:00 \ Política & Cia

Governo leva susto com baixo crescimento, e pode “soltar” o dólar

Amigas e amigos do blog, duas preocupantes notas do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros.

A decepção do PIB e a ação do governo 

Para quem acompanha o mundo real da economia e não apenas o mundo das estatísticas, não foi de todo surpresa do PIB de apenas 0,6% no terceiro trimestre em comparação com o período maio-junho.

No entanto, para o governo parece ter sido, tal o susto e o estupor que tomou conta de Brasília. De todas as decepções oficiais, a maior foi em relação aos investimentos: 2% menos entre julho e setembro, o quinto semestre consecutivo de queda, mais de 5% menos em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas estava escrito nas estrelas esse desempenho : as inversões oficiais estão empacadas por inapetência; e as privadas, por falta de confiança, em parte pelos temores do intervencionismo oficial, tema comentado mais de uma vez nesta coluna. Haja vista a confusão do setor elétrico.

Quem conversa com empresários sob a garantia de sigilo, não ouve palavras de entusiasmo. Há até boas expectativas, mas o lema é “esperar para ver”.

É isso que explica o que está deixando perplexa a presidente Dilma : o porquê, apesar de todos os incentivos, a economia brasileira continua quase de ré.

E ainda tem o dólar

O mercado começa a apostar que o governo vai “soltar” um pouco mais a moeda norte-americana — ou seja, deixar o real se desvalorizar, para ajudar a empurrar a economia.

Os empresários do setor industrial voltaram a falar abertamente na necessidade de um câmbio de 2,40 reais por dólar.

O problema é saber como isso vai bater na inflação. A redução da conta de luz daria uma folga para alguns reajustes, mas a prioridade é acertar a conta da Petrobras com a gasolina e o diesel.

De tantos artificialismos aplicados na economia nos últimos tempos, o governo está ficando na situação de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

15/09/2012

às 8:12 \ Política & Cia

MENSALÃO / EXCLUSIVO — Marcos Valério, em VEJA, envolve Lula diretamente no escândalo

O CHEFE -- Segredos guardados por Marcos Valério colocam Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil (2003-2011), no centro do esquema corrupto do mensalão (Foto: Leandro Martins / Futura Press)

Do site de VEJA

Dos 37 réus do mensalão, o empresário Marcos Valério é o único que não tem um átimo de dúvida sobre o seu futuro.

Na semana passada, o publicitário foi condenado por lavagem de dinheiro, crime que acarreta pena mínima de três anos de prisão.

Valério pode receber pena de 100 anos de cadeia

Computadas punições pelos crimes de corrupção ativa e peculato, já decididas, mais evasão de divisas e formação de quadrilha, ainda por julgar, a sentença de Marcos Valério pode passar de 100 anos de reclusão.

Com todas as atenuantes da lei penal brasileira, não é totalmente improvável que ele termine seus dias na cadeia.

A CAPA -- A capa de VEJA que está indo hoje para bancas e assinantes: Lula não apenas sabia de tudo, mas até recebia empresários para combinar doações clandestinas

Apontado como responsável pela engenharia financeira que possibilitou ao PT montar o maior esquema de corrupção da história, Valério enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confidenciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com o partido.

Até agora, silêncio em troca de garantias

Para proteger os figurões, conta que assumiu a responsabilidade por crimes que não praticou sozinho e manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o “predileto” do poder. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema teve suas entranhas expostas pela Procuradoria-Geral da República, de penas mais brandas.

Valério guarda segredos tão estarrecedores sobre o mensalão que ele não consegue mais guardar só para si – mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos a quem ajudou, tenha um crescente temor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel.

Feita com base em revelações de parentes, amigos e associados, a reportagem de capa de VEJA desta semana reabre de forma incontornável a questão da participação do ex-presidente Lula no mensalão.

“Lula era o chefe”, vem repetindo Valério com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo STF.

Assinada pelo editor Rodrigo Rangel, da sucursal de Brasília, a reportagem tem cinco capítulos – e o primeiro deles pode ser lido abaixo:

“O caixa do PT foi de 350 milhões de reais”

NO INFERNO - O empresário Marcos Valério, na porta da escola do filho, em Belo Horizonte, na última quarta-feira: revelações sobre o escândalo (Foto: Cristiano Mariz)

A acusação do Ministério Público Federal sustenta que o mensalão foi abastecido com 55 milhões de reais tomados por empréstimo por Marcos Valério junto aos bancos Rural e BMG, que se somaram a 74 milhões desviados da Visanet, fundo abastecido com dinheiro público e controlado pelo Banco do Brasil.

Segundo Marcos Valério, esse valor é subestimado. Ele conta que o caixa real do mensalão era o triplo do descoberto pela polícia e denunciado pelo MP. Valério diz que pelas arcas do esquema passaram pelo menos 350 milhões de reais. “Da SMP&B vão achar só os 55 milhões, mas o caixa era muito maior. O caixa do PT foi de 350 milhões de reais, com dinheiro de outras empresas que nada tinham a ver com a SMP&B nem com a DNA”, afirma o empresário.

Lula se envolveu pessoalmente na coleta de dinheiro clandestino e se reunia com empresários

Esse caixa paralelo, conta ele, era abastecido com dinheiro oriundo de operações tão heterodoxas quanto os empréstimos fictícios tomados por suas empresas para pagar políticos aliados do PT. Havia doações diretas diante da perspectiva de obter facilidades no governo. “Muitas empresas davam via empréstimos, outras não.” O fiador dessas operações, garante Valério, era o próprio presidente da República.

Lula teria se empenhado pessoalmente na coleta de dinheiro para a engrenagem clandestina, cujos contribuintes tinham algum interesse no governo federal. Tudo corria por fora, sem registros formais, sem deixar nenhum rastro.

Muitos empresários, relata Marcos Valério, se reuniam com o presidente, combinavam a contribuição e em seguida despejavam dinheiro no cofre secreto petista.

O controle dessa contabilidade cabia ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que é réu no processo do mensalão e começa a ser julgado nos próximos dias pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Delúbio definia que políticos deveriam receber os pagamentos, com o aval de Dirceu

O papel de Delúbio era, além de ajudar na administração da captação, definir o nome dos políticos que deveriam receber os pagamentos determinados pela cúpula do PT, com o aval do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado no processo como o chefe da quadrilha do mensalão: “Dirceu era o braço direito do Lula, um braço que comandava”.

Valério diz que, graças a sua proximidade com a cúpula petista no auge do esquema, em 2003 e 2004, teve acesso à contabilidade real. Ele conta que a entrada e a saída de recursos foram registradas minuciosamente em um livro guardado a sete chaves por Delúbio. Pelo seu relato, o restante do dinheiro desse fundão teve destino semelhante ao dos 55 milhões de reais obtidos por meio dos empréstimos fraudulentos tomados pela DNA e pela SMP&B.

Foram usados para remunerar correligionários e aliados. Os valores calculados por Valério delineiam um caixa clandestino sem paralelo na política. Ele fala em valores dez vezes maiores que a arrecadação declarada da campanha de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

 

ALGUMAS FRASES FATAIS DE VALÉRIO QUE VOCÊ PODERÁ LER EM “VEJA”:

“Dirceu era o braço direito do Lula, um braço que comandava”.

“Do Zé [Dirceu] ao Lula era só descer a escada [do 4º para o 3º andar do Palácio do Planalto]. Isso se faz sem marcar. Ele dizia vamos lá embaixo, vamos!”.

“O Delúbio [Soares, tesoureiro do PT e do dinheiro clandestino] dormia no [Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República]. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com Lula à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar [alguém no Alvorada], você encontra, e sem registro.”

“Você acha que chegou lá o Marcos Valério com duas agências quebradas e pediu: ‘Me empresta aí 30 milhões de reais pra eu dar pro PT’? O que um dono de banco ia responder?”

O Zé Augusto [José Augusto Dumont, então presidente do Banco Rural], que não era bobo, falou assim: ‘Pra você eu não empresto’. Eu respondi: ‘Vai lá e conversa com o Delúbio’ ”. (…)  “Se você é um banqueiro, você nega um pedido do presidente da República?”

“Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”.

[Integrantesda cúpula do PT e do governo Lula] Prometeram não exatamente absolver, mas diziam: ‘Vamos segurar, vamos isso, vamos aquilo’… Amenizar”.

17/08/2012

às 15:27 \ Política & Cia

Dilma dá uma guinada radical em relação à orientação de Lula e quer um choque de capitalismo

O ESTADO E O CAPITAL Dilma Rousseff comanda no Palácio do Planalto reunião com 28 dos grandes empresários brasileiros, em encontro que serviu de base para o plano do governo (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

O ESTADO E O CAPITAL -- Dilma Rousseff comanda no Palácio do Planalto reunião com 28 dos grandes empresários brasileiros, em encontro que serviu de base para o plano do governo (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

Reportagem de Otávio Cabral, com colaboração de Carolina Rangel, publicada na edição de VEJA que está nas bancas 

 

 CHOQUE DE CAPITALISMO

A presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote para “desatar o nó Brasil”: a privatização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Ela ouviu quem conhece melhor os problemas, empresários e investidores

 

Na última quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou um conjunto de decisões de governo que, aplicadas à realidade, terão o efeito de um choque de capitalismo no Brasil. Numa escala inédita, o governo vai transferir para a iniciativa privada a construção e a administração de pelo menos cinco portos, 50 mil quilômetros de rodovias, 12 000 quilômetros de ferrovias e cinco aeroportos, incluindo os das principais capitais. É um grande passo na direção certa.

Para montar o “pacote de indução do crescimento”, nome-código do conjunto de seis planos no Palácio do Planalto, o governo fez o que deveria: reuniu alguns dos principais conhecedores dos problemas – pesos-pesados do empresariado brasileiro – e fez a pergunta certa: o que o Estado brasileiro pode fazer para deixar de atrapalhar o desenvolvimento do país e passar a ajudá-lo a crescer? Com as respostas em mãos, Dilma convocou uma tropa de elite do governo para trabalhar nas soluções.

Antes, reunião com 28 dos maiores empresários do Brasil

Além do portentoso pacote de privatizações, o trabalho resultou numa série de medidas destinadas a reduzir o preço da energia elétrica e desonerar a folha de pagamento das empresas privadas. O plano será anunciado em etapas, estando a última prevista para daqui a quatro semanas.

O pacote começou a nascer em 22 de março deste ano, quando a presidente Dilma Rousseff se reuniu por três horas no Palácio do Planalto com 28 dos maiores empresários do Brasil. No início do encontro, perguntou aos convidados quais eram os problemas que dificultavam os seus negócios. De todos, ouviu reclamações que convergiam para uma mesma direção: falhas na logística e na infraestrutura, carga tributária pesada e as consequências da desvalorização do dólar diante do real.

Para a presidente, ficou consolidada a certeza de que era necessária e urgente uma ação do governo para “desatar o nó Brasil”, como ela passou a dizer. Desde então, a preparação de um pacote de crescimento se tornou a prioridade de sua agenda. Não houve uma semana em que o assunto não tenha sido tema de ao menos duas reuniões. Na semana passada, por exemplo, foram cinco encontros, que duraram mais de dez horas.

Em linhas gerais, o plano de privatizações prevê a mesma fórmula para todos os setores envolvidos: as empresas que vencerem os leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos terão de se comprometer com a execução de obras de qualidade e com uma administração eficiente. O governo espera atrair até 60 bilhões de reais em investimentos.

O BNDES participará do financiamento dos empreendimentos, mas não como protagonista. Para viabilizar esse modelo, o governo levou em conta a economia feita com a diminuição da dívida interna, decorrente da redução da taxa de juros. Essa “folga de caixa” é o que, segundo o governo, possibilitará que ele abra mão de ser remunerado pelas privatizações.

Como parte do contrato com as empresas vencedoras nas licitações, uma parcela do dinheiro que elas arrecadarem terá de ir para obras de melhorias nos setores administrados. Esse modelo de privatização não fará com que o estado encha seus cofres, mas permitirá que ele deixe de administrar projetos deficitários – e passe a se dedicar ao seu papel, de induzir o crescimento.

Com essas medidas, Dilma dá uma guinada radical no rumo seguido por seu antecessor e padrinho político. O governo Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o tamanho do Estado e o salário do funcionalismo. Dilma segue no sentido oposto – como também mostrou sua atuação diante da greve dos servidores públicos federais.

A autonomia da presidente em relação ao governo anterior ficou clara já na fase de preparação do pacote. De suas conversas sobre o tema, ficaram de fora os petistas mais radicais. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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