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Elizeth Cardoso

26/04/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Clementina de Jesus e Clara Nunes, há 35 anos

Clara-Nunes-Clementina-de-Jesus

Foto histórica (infelizmente sem crédito ou data disponíveis): Clara e Clementina entre a dupla Nana Caymmi e Elizeth Cardoso e ele, Chacrinha

Por Daniel Setti

Elas tinham vozes diametralmente opostas. Clementina de Jesus (1901-1987), com seu potente e grave gogó de trovão, parecia uma prima perdida de Nina Simone que nascera por acaso em Valença, no estado do Rio de Janeiro; não menos inconfundível, o timbre da mineira de Caetanópolis Clara Nunes (1942-1983) emanava uma doçura mais, digamos, comercial.

Mesmo assim, as duas divas combinavam quase à perfeição. Tanto é que colaboraram em mais de uma ocasião. A primeira de destaque foi em gravação da deliciosa “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”, composição-tributo de autoria do lendário sambista Antônio Candeia (1935-1978) interpretada por ambas no disco Forças da Natureza, lançado por Clara em 1977.

Embora seja coroada pelo despretensioso e irresistível refrão “não vadeia (sic) Clementina”, a letra da música se envereda curiosamente pela ecologia, em versos como “cadê o cantar dos passarinhos?/ar puro não encontro mais não”.

Dois anos depois, seria a vez de Clementina convidar a amiga para participar de seu álbum de duetos intitulado simplesmente Clementina na faixa “Embala Eu”, de Albaleria. Entre os outros ilustres que dividiram o microfone com ela na ocasião estiveram João Bosco e Martinho da Vila.

Abaixo, clipe (tipicamente vagabundo, como a maioria do período) produzido pela Globo em 1977 para “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”. Não percam o detalhe nonsense aos 35 segundos, quando aparece um suposto figurante consertando o motor de um Fusca.

(Mais sobre música neste link)

01/11/2011

às 10:00 \ Música no Blog

Os 100 anos do nascimento de Nelson Cavaquinho e um encontro de gigantes com Elizeth Cardoso

Nelson-Cavaquinho-centenário-samba-Elizeth-Cardoso

O saudoso Nelson Cavaquinho: aqui, em excelente companhia

Por Daniel Setti

No último sábado, 29 de outubro, completou-se um século do nascimento de um dos maiores compositores da história do samba: o carioca Nelson Cavaquinho (1911-1986).

As peculiaridades sobre o sambista, cujo nome de batismo era Nelson Antônio da Silva, começam pelo apelido que, de certa forma, não o representava. O cavaco foi, de fato, seu primeiro instrumento, mas na verdade era o violão seu maior companheiro de palco, tal qual demonstram imagens preciosas como esta abaixo, de 1973, dos arquivos da TV Record.

Outra marca registrada de Cavaquinho era a tristeza de suas composições, tanto pelas melodias melancólicas quanto pelas letras desoladoras (e belíssimas).

Grande clássico de seu repertório composto com Guilherme de Brito e Alcides Caminha, “A Flor e Espinho”, da década de 1950, que ele canta no vídeo após “Minha Festa”, traz o célebre verso “tire o seu sorriso do Caminho, que eu quero passar com a minha dor”.

Para dar uma forcinha, Nelson conta com ninguém menos que Elizeth Cardoso (1920-1990), uma das grandes cantoras da história da música brasileira que. Ativa desde o final dos anos 1930 e espécie de madrinha da bossa nova – gravou o álbum Canção do Amor Demais, em 1958, só com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes – ela já era uma verdadeira instituição nacional à ocasião do grande encontro.

(Mais sobre música neste link)

 

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