Blogs e Colunistas

Elis Regina

23/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

PAULO CESAR DE ARAÚJO, autor da biografia proibida de Roberto Carlos: “Pá de cal em 1968″

SÃO CENSORES, SIM -- A passeata contra a guitarra elétrica (Foto: Wilman / UH / Folhapress)

SÃO CENSORES, SIM — A passeata contra a guitarra elétrica (Foto: Wilman / UH / Folhapress)

Reportagem de Paulo Cesar de Araújo, publicada em edição impressa de VEJA

PÁ DE CAL EM 1968 

O autor da biografa proibida de Roberto Carlos faz um balanço da atividade dos artistas da MPB que se mobilizaram pela censura e conclui: é o fim de um mito

A mobilização de um grupo de artistas contra biografas não autorizadas é o episódio mais constrangedor da MPB desde a chamada “passeata contra as guitarras elétricas”, em 1967. Naquele ano, na tarde de 17 de julho, astros e estrelas de nossa música saíram pelas ruas de São Paulo com palavras de ordem contra um dos símbolos do “imperialismo ianque”.

Do ato participaram nomes como Gilberto Gil, Edu Lobo, Elis Regina, Geraldo Vandré, Jair Rodrigues e Zé Kéti, além de integrantes dos conjuntos Zimbo Trio e MPB4. de bandeirinha do Brasil na mão, os artistas entoavam o Hino da Frente Única, tema do programa que apresentavam na TV Record:

“moçada querida / cantar é a pedida / cantando a canção da pátria querida / cantando o que é nosso / com o coração”.

Na época, Roberto e Erasmo Carlos, ídolos da Jovem Guarda, estavam do outro lado do ringue e procuraram manter distância dos manifestantes. “Fiquei escondido dentro de casa, debaixo da cama, porque se eu aparecesse ali eles poderiam até me linchar”, brincou Erasmo, ao recordar o episódio.

Embora fosse do grupo da MPB, Caetano Veloso não participou da passeata, guiado pela lucidez da cantora Nara Leão. “Hoje, é muito óbvio, mas na hora não tanto assim, e Nara me ajudou a compreender o absurdo daquela posição.” Segundo Caetano, que acompanhou a passeata da janela de um hotel, Chico Buarque ameaçou desfilar, mas desistiu: “Chico chegou a caminhar um pouquinho na rua. Ele deu uma idazinha rápida e saiu”.

A unidade que faltou no episódio da passeata seria conseguida mais de quatro décadas depois, na defesa de uma ideia ainda mais reacionária: a necessidade de autorização prévia e de pagamento de royalties (ou dízimos) para escrever biografas no Brasil.

“A liberdade de expressão, sob qualquer circunstância, precisa ser preservada. Ponto. No entanto…” essas frases de Djavan, o primeiro artista do Procure Saber a se manifestar sobre o tema, no início de outubro, deram a senha do que seria a atuação de todos no episódio.

O que se viu a partir daí foi uma série de justificativas frágeis, inconsistentes, algumas contraditórias, seguidas de recuos ou mudanças de tom que culminaram na saída de Roberto Carlos do grupo e em pedidos de desculpa de Chico Buarque e de perdão de Caetano Veloso.

A tese do Procure Saber foi a mesma usada por Roberto Carlos contra mim em 2007: meu livro era não autorizado e o artista não estava recebendo nenhum dividendo pela vendagem de Roberto Carlos em Detalhes.

Que um ídolo como Roberto pensasse assim já seria um absurdo. Que essa ideia fosse também abraçada por artistas de vanguarda deixou a todos perplexos. “Apenas se Chico vier a público afirmar que apoia essa causa é que isto será fato. Por enquanto, só é possível crer que estão usando o nome dele em vão”, disse, incrédulo, o jornalista Luiz Fernando Vianna.

Roberto Carlos, em um vídeo do Procure Saber: episódio constrangedor da MPB (Foto: Reprodução / Procure Saber)

Roberto Carlos, em um vídeo do Procure Saber: episódio constrangedor da MPB (Foto: Reprodução / Procure Saber)

 

O próximo a se manifestar não foi Chico, e sim Caetano Veloso, contra a pecha de censores atirada sobre eles. “Censor, eu? Nem morta!”, afirmou, embora confirmasse que se alinhava aos colegas “que submetem a liberação das obras biográficas à autorização dos biografados”.

Em seguida, Gil argumentou que, no confronto entre o interesse público e o privado, o último é que deve prevalecer — a mesma opinião, aliás, expressa na sentença do juiz Maurício Chaves de Souza Lima em liminar que proibiu minha biografa de Roberto, em 2007.

Quando Chico Buarque finalmente se manifestou, o que se viu foi mais constrangimento. Ele considerou justo as herdeiras de Garrincha receberem dinheiro pela biografa não autorizada do jogador.

“Se defende que as filhas do Garrincha recebam pelo trabalho árduo do biógrafo, já pensou em remunerá-las por ter citado o Mané junto com Pelé, Didi, Pagão e Canhoteiro? O Futebol, sua música, não tem também ‘fins comerciais’?” — perguntou o jornalista Mário Magalhães, biógrafo de Marighella, referindo-se à canção de Chico que cita todos esses jogadores.

Sem argumentos consistentes, a proposta do Procure Saber começava a fazer água. Os artistas decidiram mudar o tom, parecendo agora mais flexíveis. Isso se explicitou no dia 29 de outubro, com a divulgação de um vídeo em que afirmam querer afastar toda e qualquer hipótese de censura prévia. “Não somos censores”, diz, ali, Roberto Carlos — afirmação, porém, que se choca com o fato de sua biografa não autorizada continuar banida.

As estrelas do Procure Saber e diversos líderes políticos do Brasil fazem parte da mítica geração de 1968. Na introdução de 1968 — O Ano que Não Terminou, Zuenir Ventura diz que, embora aquela geração não tivesse conseguido realizar seu sonho de revolução total, havia deixado um importante legado: “arriscando a vida pela política, ela não sabia, porém, que estava sendo salva historicamente pela ética. O conteúdo moral é a melhor herança que a geração de 68 poderia deixar para um país cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética”.

Bem, o livro de Zuenir foi publicado em 1988, quando o presidente era Sarney e a oposição do PT e do recém-fundado PSDB tinha a ética como uma de suas principais bandeiras. Hoje, após tantas e tenebrosas transações, esse legado da ética na política já não cola tanto na geração de 68.

A aura de resistentes e transgressores, porém, ainda pairava em torno de figuras da cultura como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Depois do episódio das biografas, essa imagem também ficou arranhada.

Nesse sentido, podemos dizer que o ano de 1968 finalmente terminou — em 2013. E, até aqui, de forma melancólica.

27/04/2013

às 13:02 \ Disseram

Pedro Mariano: “Minha profissão não é ser filho da Elis Regina”

“Minha profissão não é ser filho da Elis Regina”

Pedro Mariano, músico, que se incomoda quando o parentesco é usado como aposto

08/04/2012

às 14:04 \ Tema Livre

Comovente depoimento de Milton Nascimento: “Elis Regina foi o amor da minha vida”

"Eu tinha um amor dentro de mim por aquela baixinha" (Foto: Cláudio Edinger)

"Eu tinha um amor dentro de mim por aquela baixinha" (Foto: Claudio Edinger)

ELIS, AMOR DA MINHA VIDA

A partir do momento em que a conheci, todas as minhas músicas foram feitas para ela. Nunca foi diferente. Nossa relação é uma coisa que me arrebata até hoje

(Depoimento de Milton Nascimento à revista Lola, da Editora Abril, edição de março)

Minha relação de amizade com Elis foi uma das coisas mais fortes que já aconteceram na minha vida. E eu me lembro até hoje de cada detalhe e também de tudo que a gente viveu juntos. Tudo começou por volta de 1963, quando Wagner Tiso e eu estávamos no Rio de Janeiro para gravar um disco a convite do compositor Pacífico Mascarenhas.

Depois de uma viagem de carro que durou quase o dia inteiro entre Belo Horizonte e o Rio, fomos direto para o estúdio Musidisc.

Quando a gente chegou lá, uma cantora chamada Luiza estava gravando a última faixa de seu primeiro disco. Naquele dia, o famoso maestro Moacir Santos estava fazendo os arranjos e precisava de um coro, então, o Pacífico colocou a gente para gravar ali mesmo, na hora.

Depois da gravação, teve uma festa na casa da Luiza.

“Para mim ela já era a rainha”

Eu conhecia Elis pelo nome, porque seus primeiros discos já eram conhecidos desde a época em que eu tinha um programa de rádio em Três Pontas (MG). E Elis também estava na casa da Luiza, onde havia vários músicos conhecidos da bossa nova. Então resolvi falar com ela, fiz uma brincadeira e cantei um rock que ela tinha gravado. Ela respondeu:

- Cala a boca! Esquece isso! – foi a primeira coisa que ela me disse na vida. Fiquei fascinado por ela. E nós ficamos andando pelas ruas de Ipanema até de manhã.

Em 1965, fui classificado com uma música de Baden Powell para o 2o Festival Nacional da Música Popular, e Elis estava escalada para fazer o show do último dia – pois havia levado o primeiro lugar na edição anterior com Arrastão.

E, no fim de um ensaio, eu a encontrei num corredor quando ela estava chegando. Eu, muito tímido, abaixei a cabeça, porque para mim ela já era a rainha. Ela passou, bateu o tamanco no chão e disparou:

- Escuta aqui! Mineiro não tem educação não? As pessoas educadas costuman cumprimentar as outras. Quando é de manhã, falam “bom dia”, quando é de tarde, falam “boa tarde”, quando é de noite, falam “boa noite”.

Eu parei, pedi desculpas e disse que eu não queria incomodar, porque eu estava vendo o tanto de gente que queria falar com ela. Conversamos mais um pouco e ela me convidou para ir à sua casa. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

29/03/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Chico Anysio e Elis Regina

Chico-Anysio-Elis-Regina

Elis e Chico: rindo de grandes clássicos da MPB

Por Daniel Setti

No post anterior relembramos os talentos musicais de Chico Anysio, aplicados tanto na hora de satirizar (à frente da banda Baiano e os Novos Caetanos) quanto ao compor para artistas que nada tinham de humoristas (Maysa, Dalva de Oliveira e outras).

Eclético como poucos, Chico também sabia misturar os dois universos, ou seja, debochar à vontade de uma canção “séria”. Ótimo exemplos de mais esta habilidade, eram os duetos entre o artista cearense falecido na última sexta-feira e Elis Regina (1945-1982).

Estes encontros de gigantes, registrados em diferentes edições dos programas que a cantora apresentou na Globo no início da década de 1970, foram breves, mas históricos e divertidos. No primeiro disponível em vídeo, de 1971, a dupla divide o microfone no clássico afrossamba “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, com Chico fazendo uma espécie de vocal barítono:

Já o segundo, do ano seguinte, mostra Elis lutando para se ater fielmente à letra de “Fotografia”, de Tom Jobim, enquanto Chico é puro escracho, “respondendo” aos versos. Quando ela canta o trecho “o sol caiu no mar / e aquela luz lá em baixo se acendeu”, por exemplo, ele retruca: “é luz? Pensei que fosse um vaga-lume sem calça”.

Este vídeo vale também por captar a maior voz da MPB em seu auge. Depois de interpretar “Me Deixa em Paz”, de Ivan Lins e Renato Monteiro, e da versão esculhambada de “Fotografia”, a pequena diva convida seu espetacular grupo de apoio, capitaneado por seu futuro marido, o pianista César Camargo Mariano e com a presença de dois autênticos monstros, o baixista Luizão Maia (1949-2005) e o baterista Paulinho Braga, para entoar “A Fia de Chico Brito”. Composição de Dolores Duran e dele, Chico Anysio.

(Mais sobre música neste link)

27/03/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Chico Anysio deixa saboroso legado musical

Chico-Anysio-Baiano-Novos-Caetanos

Chico, com o não menos saudoso Arnaud Rodrigues, na capa do primeiro álbum de Baiano e os Novos Caetanos

Por Daniel Setti

Como só os grandes humoristas sabem ser, Chico Anysio, que morreu na última sexta-feira aos 80 anos, era de uma polivalência assustadora. De ator capaz de dar verossimilhança cômica a 1001 tipos a escritor, não faltavam dotes no currículo do cearense morto na sexta-feira passada aos 80 anos.

Compositor prolífico – e de música “séria”

Evidentemente, a música era também um dos tópicos desta lista interminável de talentos. Um dois mais importantes, aliás. Só entre as catalogadas pelo bom site Discos do Brasil, há 25 canções de autoria ou coautoria de Chico Anysio, sendo nenhuma delas humorística.

E,como fazia um de seus célebres personagens, Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, ele parecia viajar no tempo, criando letras para divas de diferentes eras da música brasileira, de Dalva de Oliveira (1917-1972) e Dolores Duran (1930-1959) a ElisRegina(1945-1982).

Entre elas, escreveu com Hianto de Almeida “Qualquer Madrugada”, para a mítica Maysa (1936-1977), que a gravou em 1960:

Baiano e os Novos Caetanos: paródia genial e drible na censura

Chico Anysio não seria Chico Anysio, porém, se sua habilidade musical também não fosse usada em favor do humor. E esta combinação sem dúvida atingiu seu auge com o grupo Baiano e os Novos Caetanos, criado com Arnaud Rodrigues (1942-2010), mais conhecido como “Paulinho”, e Renato Piau.

Se tivesse parado no título – o melhor nome-paródia de banda da história – já estava bom. Mas havia ainda a cabeleira de “Baiano”, o músico-hippie criado por Chico (um mix capilar do Caetano fase Londres e Moraes Moreira), e as canções dos dois discos que o trio lançou, em 1974 e 1975.

O clássico definitivo do trio é o samba-rock “Vô Batê Pa Tu”, que abre o primeiro álbum. Pelo título e por versos como “O caso é esse/ Dizem que falam que não sei o que/ Tá pá pintá ou tá pá acontecer/ É papo de altas Transações”, poderia até parecer algo sem o menor sentido.

Porém, se contextualizado com o que vem depois (“Deduração um cara louco/ Que dançou com tudo/ Entregação com dedo de veludo/ Com quem não tenho grandes ligações”) ficava claro o contexto político da música, escrita em plena ditadura militar. Genialidade ímpar para driblar a censura.

(Texto originalmente publicado no blog Lá Vem o Mala da Lista. Para ler mais sobre a relação entre Chico Anysio e a música, clique aqui)

 

04/03/2012

às 8:05 \ Livros & Filmes

Livro: “A Bossa do Lobo”, história do cafajeste romântico que fez muito pela bossa nova

uRonaldo Bôscoli, músico e

Ronaldo Bôscoli: talento para a música e para falar mal dos outros (Foto: D. Gusttinni)

(Resenha de Sérgio Martins publicada na edição impressa de VEJA

A biografia do jornalista, compositor e produtor musical Ronaldo Bôscoli, um mestre da maledicência, é o instantâneo de um período espontâneo e criativo da cultura carioca

 

Na mesa do restaurante Castelo da Lagoa, um dos redutos da boemia carioca da década de 70, o jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli pratica sua especialidade: a maledicência. Basta o sujeito deixar o grupo para o “véio”, como era conhecido, homenageá-lo com uma série de apelidos e observações pouco lisonjeiras.

Com receio de se tornar mais uma vítima das brincadeiras do amigo, Maurício Sherman, diretor da Rede Globo, resolve esticar a noitada. Mas às 5 da manhã, caindo de sono, levanta-se da mesa e dispara: “Seja o que Deus quiser”. Essa anedota, contada com sabor e mais detalhe em A Bossa do Lobo (Leya; 544 páginas; 44,90 reais), do pesquisador Denilson Monteiro, é uma boa introdução à personalidade de Bôscoli.

Seu charme, sua inteligência e sua cultura permitiram que ele estivesse à frente de movimentos como a bossa nova, reconfigurasse a carreira de artistas como Elis Regina e Roberto Carlos e atraísse o primeiro escalão do mundo artístico. Por outro lado, perdeu amigos e destruiu relacionamentos amorosos e profissionais por causa de uma língua indomável e de uma necessidade incontida de aprontar com tudo e todos.

Amores sem final feliz: Mila Moreira, Nara Leão, Maysa e Elis Regina

Amores sem final feliz: Mila Moreira, Nara Leão, Maysa e Elis Regina

“Não sei como ele se daria no mundo em que estamos vivendo. Provavelmente estaria atolado em processos”, comenta Monteiro. O biógrafo observa que uma das diversões favoritas de Bôscoli (e da cantora Maysa, com quem teve um caso) hoje seria abreviada pela tecnologia: fica mais complicado passar trotes telefônicos quando todo mundo tem identificador de chamada.

Imersão na noite e na vida artística começava pela família

Nascido em 1928, Bôscoli é personagem de um período de riqueza cultural do Rio de Janeiro – as décadas de 50 e 60, quando surgiu a bossa nova e havia uma profusão de casas noturnas nas quais cantores e músicos aperfeiçoavam suas apresentações. Nesse Rio cordial, a imersão na noite e na vida artística começava pela família.

Bôscoli era sobrinho-bisneto da maestrina Chiquinha Gonzaga, primo do ator Jardel Filho e cunhado do poeta e diplomata Vinicius de Moraes. Sua primeira experiência profissional não foi na música, mas no jornalismo esportivo. As redações de jornal, nesse tempo, eram menos profissionalizadas e mais boêmias.

Resguardavam aquela visão romântica do jornalismo como profissão meio transgressiva, fixada em filmes como A Primeira Página, de Billy Wilder. O jornalista era uma criatura da noite, sempre em busca de outro drinque e de uma informação (ou fofoca) exclusiva. O cumprimento do horário era um mero detalhe. Bôscoli, por exemplo, cansou de pendurar o paletó na cadeira para disfarçar seus canos na redação.

Do jornalismo para compositor e produtor musical

Para driblar um segurança da revista Manchete Esportiva, de Adolpho Bloch, ele andava de costas até o elevador – caso fosse pego, bastava voltar a andar para a frente e dizer que estava chegando. Nos textos, inventava frases que seus amigos nunca disseram (num anúncio de um empreendimento imobiliário, mandou ver: “Como diria Tom Jobim, Ipanema é Ipanema”. Jobim, claro, nunca disse essa bobagem). E carregou esse romantismo irresponsável do jornalismo para sua carreira de compositor e produtor musical.

Em uma festa, em 1957, Bôscoli cantava Sente, parceria sua com o violonista Chico Feitosa, quando foi abordado por Roberto Menescal. Nasciam uma grande amizade e uma parceria fundamental da bossa nova. No fim dos anos 60, Bôscoli e o amigo Luiz Carlos Miele ajudaram Roberto Carlos na transição de cantor de iê-iê-iê a intérprete romântico.

E, mesmo trabalhando cotidianamente com o cantor, Bôscoli não soube conter sua compulsão à fofoca: foi o informante de uma matéria da revista masculina Status sobre as conquistas amorosas de Roberto.

Casou-se com Elis — e depois o pai da cantora ameaçou lhe dar um tiro

A lista de conquistas do próprio Bôscoli inclui a modelo e atriz Mila Moreira e as cantoras Nara Leão, Maysa e Elis Regina. Mas esses romances raramente tinham final feliz. Bôscoli foi o primeiro homem na vida de Nara, que nunca mais quis vê-lo depois de descobrir o caso dele com Maysa.

Elis foi a única que Bôscoli levou para o altar – e já na noite do casamento ele a traiu com uma convidada da festa. As brigas entre os dois eram barulhentas, escandalosas e frequentes. Numa delas, o pai da cantora ameaçou dar um tiro no jornalista.

Ronaldo Bôscoli morreu em 1994, vencido por um câncer de próstata que talvez fosse evitado caso ele tivesse superado seu terror por médicos. Sua morte pode ter sido um dos últimos estertores de uma certa malandragem da Zona Sul.

Um cafajeste rematado como ele certamente teria problemas nestes tempos menos espontâneos: Bôscoli, afinal, não conheceu a vigilância da correção política. Mas nem por isso se pode supor que estaria totalmente deslocado no mundo contemporâneo.

Pelo menos um amigo acredita que ele aproveitaria bem o potencial da internet para a malícia. “As frases, sacadas e apelidos desse gênio da maledicência eram tão engraçados que às vezes divertiam as próprias vítimas. Imagino o `véio`  com um Twitter bem afiado. Seria um massacre digital”, diz o jornalista e produtor musical Nelson Motta.

09/11/2011

às 10:16 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Elis Regina e Rita Lee cantando e dançando coreografia juntas

Rita-Lee-Elis-Regina

Rita e Elis: ex-rivais caíram na dança

Por Daniel Setti

Na década de 1960, quando a patrulha estético-ideológica da esquerda mais radical polarizava a MPB, elas não se bicavam.

Ou melhor, era a gaúcha Elis Regina (1945-1982), brilhante representante da música mais supostamente “brasileira”, quem não gostava muito da paulistana Rita Lee. Afinal, para alguns, tudo naquela ruiva – da ascendência paterna à paixão pelo rock psicodélico que tocava com os Mutantes – parecia americanizado demais.

O gelo entre as duas grandes cantoras só quebraria em 1976, quando Rita entrou em cana, grávida, por porte de maconha, e a ex-desafeto foi a única a visitá-la na cadeia, em companhia do filho João Marcelo. A amizade “pegou”, como demonstraria o convite de Elis à colega para participar de um especial seu na TV Bandeirantes, três anos mais tarde.

A bem da verdade, a música “Doce de Pimenta”, uma espécie de paródia disco que Rita e Roberto Carvalho compuseram –  com nome que homenageava a “Pimentinha” Elis -, não figura entre as melhores no repertório de nenhuma das duas artistas. “Alô Alô Marciano”, criação do casal que Elis gravaria em 1980 no álbum “Saudades do Brasil”, pode ser considerada melhor.

O que não tira o status de clássico do registro em vídeo. Que atinge o seu auge a partir do tempo 2’10’’, quando a dupla improvisa uma curiosa coreografia e depois simula um diálogo de comadres sobre tinturas de cabelo e outras amenidades.

(Mais sobre música neste link)

06/10/2011

às 19:50 \ Política & Cia

Perguntar não ofende

Delúbio autografa os CDs e os livreto distribuídos no "ato de desagravo": e os direitos autorais? (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Será que o Delúbio Soares está pagando direitos autorais para utilizar o clássico Águas de Março, de Tom Jobim, na interpretação do grande compositor e de Elis Regina (que você pode rever no vídeo abaixo), num CD que está distribuindo?

Como já contei em outro post, o homem apontado pela procuradoria-geral da República como tesoureiro do mensalão ora em julgamento pelo Supremo Tribunal foi objeto de ato de desagrado, vejam vocês, patrocinado pela CUT e em plena sede da Prefeitura de Guarulhos (SP), governada pelo PT.

Ele aproveitou o evento, conforme está narrado pela reportagem da Folha.com mencionada no post, para distribuir um CD interativo e um livreto de 80 páginas com a cópia de sua defesa e citações de Ruy Barbosa.

O CD tem tiragem de 10 mil exemplares e reúne artigos, fotos e links para videoclipes de suas músicas preferidas, uma eclética seleção que inclui o magnífico Águas de Março com Tom e Elis e composições como É o Amor, de Zezé di Camargo e Luciano.

O livrinho sai com tiragem de 20 mil exemplares, bancados por “companheiros petistas” não identificados e com os logotipos de dois escritórios de advocacia.

Veja e ouça a maravilha interpretada por Tom e Elis. Será que Delúbio pagou ou vai pagar direitos autorais sobre a obra?

27/03/2011

às 11:01 \ Música no Blog

Música no Blog: “Curumim”, com César Camargo Mariano

Pianista e arranjador de mão cheia, César Camargo Mariano começou a tocar piano – presente que ganhou do pai, professor de música – aos 13 anos. Ainda na adolescência, passou a se apresentar em programas na rádio Globo do Rio e ficou conhecido como o “menino-prodígio” que tocava jazz.

Mariano produziu e dirigiu vários programas de TV, escreveu trilhas sonoras para filmes, peças de teatro e novelas e participou da gravação de discos de diversos artistas como Nana Caymmi, Gal Costa, Maria Betânia, Simone, Rita Lee, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, João Bosco, Leila Pinheiro, Beth Carvalho e Ivan Lins.

Nos anos 70 iniciou uma bem-sucedida parceria com Elis Regina, com quem se casou logo depois e teve dois filhos, Pedro Mariano e Maria Rita.

Em 2007, Camargo Mariano participou do IV Buenos Aires Jazz Festival, na Argentina, com a música ”Curumim”, de sua autoria.

Confira:

httpv://www.youtube.com/watch?v=hSLUtzYGokU

15/03/2011

às 8:51 \ Música no Blog

Música no Blog: A inesquecível “Águas de Março”, com Tom e Elis

Genial, genial, genial, para começar bem o dia. Tom Jobim, um dos maiores músicos do Brasil em todos os tempos, se não o maior, com uma composição maravilhosa — letra e música — e a voz soberba de Elis Regina.

O CD com os dois é uma obra-prima.

Esta interpretação de “Águas de Março” foi ao ar no “Fantástico”, da Rede Globo, em 1974.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados