Blogs e Colunistas

Eike Batista

08/06/2013

às 15:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: Lula tem vidão de rico, e continua denunciando “as elites”, às quais hoje ele gostosamente pertence

Lula saiu do povo e não voltou mais. Anda com bilionários, exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo ( Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

UMA DOCE VIDA DE RICO -- Lula saiu do povo e não voltou mais. Anda com bilionários, exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo ( Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

O ENIGMA DAS ELITE

A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil – uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país. É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo.

O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil. Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido. Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam. Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso. Aí fica difícil.

Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições?

Não pode ser. Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela. É gente que não acaba mais. Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos. Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT.

As elites seriam os ricos, talvez? De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora. Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula. Ninguém foi expropriado sequer em 1 centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em consequência de qualquer ato direto do governo.

Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem “chamados a Brasília” ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa. No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos.

De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou. Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido. Pelos seus cálculos, surgem dezenove novos milionários por dia no Brasil, o que dá quase um por hora, ou cerca de 7 000 por ano; em 2011, o último período medido, o Brasil foi o país que teve o maior crescimento de HNWIs – no dialeto dos pesquisadores, “High Net Worth Individuais”, ou “milionários”.

O resultado é que há hoje no Brasil 170 000 HNWIs – os 156 000 que havia no levantamento de 2011 mais os 14 000 que vieram se somar a eles, dentro da tal conta dos dezenove milionários a mais por dia.

Não dá para entender bem essa história. O número de milionários brasileiros, após dez anos de governo popular, não deveria estar diminuindo, em vez de aumentar? Deveria, mas não foi o que aconteceu. A sempre citada frota de helicópteros de São Paulo, com 420 aparelhos, é a segunda maior do mundo; no Brasil já são quase 2000, alugados por até 3 000 reais a hora.

Os 800 000 brasileiros, ou pouco mais, que estiveram em Nova York no ano passado foram os turistas estrangeiros que mais gastaram ali: quase 2 bilhões de dólares. Na soma total de visitantes, só ficaram abaixo de canadenses e ingleses – e seu número, hoje, é dez vezes maior do que era dez anos atrás, início da era Lula.

O eixo formado pela Avenida Europa, em São Paulo, é um feirão de carros Maserati, Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Rolls-Royce, Bentley, e por aí afora. Então não podem ser os ricos os cidadãos que formam a elite brasileira – se fossem, estariam sendo combatidos dia e noite, em vez de viverem nesse clima de refrigério, luz e paz.

Um outro complicador são as ligações de Lula com a nossa vasta armada de HNWIs, como diriam os rapazes da Merrill Lynch. É um mistério. Como ele consegue, ao mesmo tempo, ser o generalíssimo da guerra contra as elites e ter tantos amigos do peito entre os mais óbvios arquiduques dessa mesmíssima elite? Ou será que bilionários e outros potentados deixam de ser da elite e recebem automaticamente uma carteirinha de “homem do povo” quando viram amigos do ex-presidente?

Para ficar num exemplo bem fácil de entender, veja-se o caso do ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, uma das estrelas do círculo de amizades políticas de Lula. O homem é o maior produtor individual de soja do mundo, e a extensão das suas terras o qualifica como o suprassumo do “latifundiário” brasileiro. É detentor, também, do título de “Motosserra de Ouro”, dado anos atrás pelo Greenpeace – grupo extremista e frequentemente estúpido, mas que ainda faz a cabeça de muita gente boa pelo mundo afora.

É claro que não há nada de errado com Blairo: junto com seu pai, André, fundador da empresa hoje chamada Amaggi, é um dos heróis do progresso do Brasil Central e da transformação do país em potência agrícola mundial. Mas, se Blairo Maggi não é elite em estado puro, o que seria? Um pilar das massas trabalhadoras do Brasil? Lula anda de mãos dadas com Marcelo Odebrecht, presidente de uma das maiores empreiteiras de obras do Brasil e do vasto complexo industrial que crescerem torno dela.

Ainda há pouco foi fotografado em companhia do inevitável Eike Batista, cuja fortuna acaba de desabar para meros 10 bilhões de dólares, numa visita a um desses seus empreendimentos que nunca decolam; foi seu advogado, logo em seguida, para conseguir-lhe um ajutório do governo. É um fato inseparável de sua biografia, desde o ano passado, o beija-mão que fez a Paulo Maluf, hoje um aliado político com direito a pedir cargos no governo – assim como Maggi, que ainda recentemente foi cotado para ser nada menos, que o ministro da Agricultura de Dilma.

Dize-me com quem andas e eu te direi quem andas e te direi quem és, ensina o provérbio. Talvez não dê, só por aí, para saber quem é realmente Lula. Mas, com certeza, está bem claro com quem ele anda.

As classes que Lula e o PT descrevem a “elite brasileira” não são suas amigas só de conversa – estão sempre prontas para abrir o bolso e encher de dinheiro a companheirada. Nas últimas eleições presidenciais, presentearam a candidata oficial Dilma Rousseff quase 160 milhões de reais – mais do que deram a todos os outros candidatos somados. Há de tudo nesses amigos dos amigos: empreiteiros de obras, é claro, banqueiros de primeira, frigoríficos empenhados até a alma no BNDES, siderúrgicas, fábricas de tecidos, indústrias metalúrgicas, mineradoras. É o que a imprensa gosta de chamar de “pesos-pesados do PIB”.

Ninguém, nessa turma, faz mais bonito que as empreiteiras, que dependem do Tesouro Nacional como nós dependemos do ar. Foram as maiores doadoras privadas às eleições municipais do ano passado: torraram ali quase 200 milhões de reais, e o PT foi o partido que mais recebeu. Ficou com cerca de 30% da bolada distribuída pelas quatro maiores empreiteiras do país, e junto com seu grande sócio da “base aliada”, o PMDB, raspou metade do dinheiro colocado nesse tacho.

Todo mundo sabe quem são: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. Mas esses nomes não resolvem o enigma que continua a ocultar a identidade dos membros da elite. Com certeza, nenhum dos quatro citados acima pertence a ela, já que dão tanto dinheiro assim ao ex-presidente, seu partido e seus candidatos. Devem ser, ao contrário, a vanguarda classes populares.

Restariam como membros da elite, enfim “inconformados” com o fato de que “um operário chegou à Presidência” ou que a “classe melhorou de vida. Mais uma vez, não dá para levar a sério. Por que raios essa gente toda está inconformada, se não perdeu nada com isso? Qual diferença prática lhes fez a eleição de presidente de origem operária, ou por que sofreriam vendo um trabalhador viajar de avião?

Num país com 190 milhões de habitantes, é óbvio há muita gente que detesta o ex-presidente, ou simplesmente não gosta dele. E daí? Que lei os obriga a gostar? Acontece com qualquer grande nome da política, em qualquer lugar do mundo. Ainda outro dia, milhares de pessoas foram às ruas de de Londres para festejar alegremente a morte da ex-líder britânica Margaret Thatcher – que já não estava mais no governo havia 23 anos. É a vida.

Por que Lula e seus crentes não se conformam com isso e param de encher a paciência dos de outros com sua choradeira sem fim? O resumo dessa ópera é uma palavra só: hipocrisia. Lula bate tanto assim na “elite” para esconder o fato de que ele é hoje, na vida real, o rei da elite brasileira. O ex-presidente diz o tempo todo que saiu do povo. De fato, saiu – mas depois que saiu não voltou nunca mais. Falemos sério: ninguém consegue viver todos os dias como rico, viajar como rico, tratar-se em hospital de rico, ganhar como rico (200 000 reais por palestra, e já houve pagamentos maiores), comer e beber como rico, hospedar-se em hotel de rico e, com tudo isso, querer que os outros acreditem que não é rico.

Onde está o operário nisso tudo? (Foto: Valter Campanato / ABr)

Onde está o operário nisso tudo? (Foto: Valter Campanato / ABr)

Lula exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo. Quando tem problemas de saúde, interna-se no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, um dos mais caros do mundo. Sempre chega ali de helicóptero. Vive cercado por um regimento de seguranças que só o típico magnata brasileiro costuma ter.

O ex-presidente sempre comenta que só falam dessas coisas porque “não admitem” que um “operário” possa desfrutar delas. Mas onde está o operário nisso tudo? É como se o banqueiro Amador Aguiar, que foi operário numa gráfica do interior de São Paulo e ali perdeu, exatamente como Lula, um dos dedos num acidente com a máquina que operava, continuasse dizendo, sentado na cadeira de presidente do Bradesco, que era um trabalhador manual.

Lula não trabalha, não no sentido que a palavra “trabalho” tem para o brasileiro comum, desde os 29 anos de idade, quando virou dirigente sindical e ganhou o direito legal de não comparecer mais ao serviço. Está a caminho de completar iria 68 e, depois que passou a fazer política em tempo integral, nunca mais tomou um ônibus, fez uma fila ou ficou sem dinheiro no fim do mês. Melhor para ele, é claro. Mas a vida que leva é um igualzinha à de qualquer cidadão da elite. O centro da questão está aí, e só aí. Todo o resto é puro conto do vigário.

09/04/2013

às 14:40 \ Política & Cia

A ruína do porto de Eike Batista

As obras de reparação do Porto de Açu já estão sendo feitas, mas ainda não há solução para evitar o fundo do poço nas finanças de Eike Batista (Foto: MMX / Divulgação)

As obras de reparação do Porto de Açu já estão sendo feitas, mas ainda não há solução para evitar o fundo do poço nas finanças de Eike Batista (Foto: MMX)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

A RUÍNA DO PORTO DE EIKE

Eike Batista fez uma peregrinação por Brasília e São Paulo na semana passada em busca de saídas para o Porto do Açu, em Campos, no Rio de Janeiro.

No Palácio do Planalto, pediu ajuda para viabilizar o negócio. Sugeriu que o BNDES o auxiliasse financeiramente ou que a Petrobras se comprometesse a usar o terminal. Ouviu um duplo não.

Em São Paulo, tentou sem sucesso aportes dos principais bancos. Os problemas do porto de Eike não são apenas econômicos.

O estaqueamento do estaleiro, que não teve estudo do solo, começou a ruir. Obras de emergência estão sendo feitas para evitar que o porto afunde.

Mas para as finanças de Eike ainda não há solução para evitar o fundo do poço.

07/04/2013

às 17:30 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: No Brasil, basta chamarem alguém de “importante” — que ele será. Tenha méritos e virtudes, ou não

Eike Batista, o empresário "importante" (Foto: Fábio Pozzebom / ABr)

Eike Batista, o empresário "importante": está sempre no "vai" -- "vai fazer", "vai investgir", "vai negociar": não se fala, depois, nos resultados (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)

Artigo publicado na edição impressa de VEJA

OS IMPORTANTES

O cidadão brasileiro Eike Batista, controlador de um conjunto de empresas com sede no Rio de Janeiro, faz parte de um certo tipo de gente que acaba classificada como “importante”. Eis aí uma palavra de significado duvidoso. Pode ser uma descrição positiva para algo ou para alguém. Pode ser também, e aí a coisa já complica, uma boia de salvação para valorizar pessoas, obras ou acontecimentos quando não existe, no mundo dos fatos reais, um mínimo de fundamento capaz de justificar essa valorização.

Não importa se uma pessoa tem ou não tem virtudes. Não importa, na verdade, o que tenha feito ou deixado de fazer. Basta conseguir que a chamem de “importante” – vai passar a vida inteira sendo elogiada, sem que ninguém nunca saiba exatamente por quê, e sem que precise mostrar serviço.

É um fenômeno muito comum na cultura. Há o “escritor importante” – mas ninguém se lembra de um único livro realmente bom que tenha escrito. Há, na mesma linha, o músico, o pintor, o diretor de cinema, o filósofo, o crítico que ganham a comenda de “importante” – e até mesmo, nos casos de bobagem em estado terminal, os que são considerados os “mais importantes de sua geração”.

Não é difícil, nisso tudo, separar o artigo legítimo do cavalo paraguaio. Nunca passa pela cabeça de ninguém, digamos, dizer que Camões é um “escritor importante” – ele é, apenas, Camões. Não precisa ser chamado de “importante”; tem a fama porque tem a obra. Já no caso das eminências com méritos desconhecidos, é o contrário: não têm a obra, só têm a fama.

A causa disso está nos jornalistas, uma espécie que, pelas condições naturais do seu habitat, desenvolve um forte instinto de manada; se um deles, ou um grupo, começa a falar de um assunto, a maioria sai correndo atrás para falar da mesma coisa, o tempo todo. É o que aconteceu com Eike Batista.

Alguns anos atrás, ele começou a aparecer na mídia; logo ganhou dos jornalistas o certificado de “empresário importante”, e desde então é raro que se passem três dias seguidos sem que o seu nome seja citado em algum lugar. Ajudaram-no, sem dúvida, o fato de ter aparecido nessas listas de homens “mais ricos do mundo”, cuja veracidade é algo que jamais foi possível provar de maneira satisfatória, e sua disciplina em manter-se à disposição da imprensa 24 horas por dia. Mas onde estão, precisamente, seus feitos concretos como empresário?

Eike, no noticiário, está num eterno “vai” – vai fazer, investir, negociar, estudar, comprar, vender, associar-se. Não se fala, depois, no resultado dessas intenções. Nem mesmo a mera reforma do histórico Hotel Glória, no Rio de Janeiro – que deveria ser coisa modestíssima para a imensidão de sua fortuna –, parece dar sinais de vida. Eike comprou o hotel cinco anos atrás. Nesse tempo todo, além da tela de malha sintética que cobre a sua fachada, tudo o que os cariocas puderam ver da reforma é que ela não vai ficar pronta para a Copa de 2014, como prometido, e que o BNDES já deu 200 milhões de reais para financiar a obra.

Um dos seus poços de petróleo em alto-mar, que deveria produzir “20000” barris por dia, viu-se discretamente reavaliado, depois, para 10000, em seguida para 5000; não se fala mais do assunto. Na verdade, o que mais se noticia hoje são as perdas de Eike: é o mesmo efeito manada, agora na contramão.

Problema dele? Não; infelizmente é problema nosso. Em sua última edição, VEJA mostrou, com fatos e fotos, Eike, o ex-presidente Lula e o lobista Amaury Pires Neto numa visita feita em janeiro ao Porto do Açu, no estado do Rio, uma das mais louvadas realizações do empresário importante – e que, como tantas outras, não decolam. (Esse Pires é homem de procedência garantida: demitido em 2011 do Fundo da Marinha Mercante, no meio da frenética roubalheira flagrada então no Ministério dos Transportes, tem linha direta com o deputado Valdemar Costa Neto, condenado a sete anos e dez meses de cadeia no mensalão.)

Lula fazendo lobby para Eike é preocupante - nós pagamos a conta (Foto: Ricardo Stuckert)

"Lula fazendo lobby para Eike é preocupante - nós pagamos a conta" (Foto: Ricardo Stuckert)

Lula, aí, estava na mesma atividade de Pires – fazendo lobby em favor de Eike. O objetivo era obter do governo a transferência para o Açu de um investimento estrangeiro de 500 milhões de reais. Lula foi à luta: pediu à presidente Dilma Rousseff que recebesse Eike, botou dois ministros a trabalhar para o empresário e envolveu até o Itamaraty nesse rolo.

Isso não deu em nada, até agora, por falhas operacionais da trama. Mas provou que, além daqueles duzentinhos do BNDES, há uma proximidade perigosa entre Eike Batista e o Tesouro Nacional – perigosa não para ele, claro, mas para quem paga as contas do Brasil para Todos.

29/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Vejam como Lula fez papel de lobista em prol dos interesses de Eike Batista

PARECIA PROMISSO -- Eike, Lula e o lobista Pires Neto deixam o Açu no jato do empresário: ali, eles selaram o plano para tomar das mãos dos capixabas o estaleiro Jurong (Foto: FOTOS CARLOS GREVI/AGêNCIA URURAU/AGIENCIA O GLOBO)

PARECIA PROMISSOR -- Eike, Lula e o lobista Pires Neto deixam o Açu no jato do empresário: ali, eles selaram o plano para tomar das mãos dos capixabas o estaleiro Jurong (Foto: Carlos Grevi /Ag. Ururau/Ag. O Globo)

Reportagem de Malu Gaspar e Daniel Pereira, publicada em edição impressa de VEJA

QUASE DEU CERTO

Com a ajuda do “homem do partido” no grupo EBX, o ex-presidente Lula recrutou ministros para salvar os negócios de Eike Batista. Só faltou combinar com o adversário

A foto acima, tirada em 24 de janeiro, mostra o ato final de um encontro de negócios para lá de promissor. Depois de passarem a manhã inspecionando as obras do Porto do Açu, empreendimento de Eike Batista no litoral norte fluminense, o ex-presidente Lula e o bilionário engataram um papo animado, do qual também participou o diretor de relações institucionais do grupo EBX, Amaury Pires Neto.

A bordo de um ônibus, Lula fez um entusiasmado discurso sobre o que viu. A seu lado, o diretor Pires Neto saboreava um momento de glória. Contratado por Eike em setembro de 2012, ele havia sido defenestrado um ano antes do Fundo de Marinha Mercante, aonde chegou pelas mãos do deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto, do PR, em meio a um escândalo que atingiu o Ministério dos Transportes.

Detalhe de Lula, Eike e o lobista, no aeroporto (Foto: Carlos Grevi / Ag. Ururau / Ag. O Globo)

Detalhe de Lula, Eike e o lobista, no aeroporto (Foto: Carlos Grevi / Agência Ururau / Agência O Globo)

Mesmo assim, apregoava ser um homem “do partido” — nesse caso, o PT, e não o PR. Foi Pires Neto quem cunhou, no império X de Eike, o hábito de se referir a Lula pelo codinome “instituto” — pelo fato de serem frequentes os encontros da turma no Instituto Lula, em São Paulo.

O “instituto” deu o tom de otimismo à conversa, e saíram todos dali certos de que o Açu teria novo inquilino: o estaleiro que a Jurong Shipyard, uma das grandes companhias de construção naval do mundo, controlada pelo governo de Singapura, está erguendo no Espírito Santo.

A transferência do investimento de 500 milhões de reais para o Açu era parte de um plano arquitetado semanas antes por Eike, Lula e o governador Sérgio Cabral (PMDB), amigo de ambos, num almoço na sede do grupo X, no centro do Rio.

À mesa, em vez do habitual tom confiante e da pose de empresário de sucesso, Eike clamou por socorro. Sem a ajuda do governo, dizia, teria de abandonar investimentos e enfrentar a quebra de algumas empresas. Ele se queixou ainda de a Petrobras ter cancelado, em novembro, a contratação de cinco sondas da OSX e de um parceiro grego.

E expôs seu plano, enfatizando que seria providencial a associação com a Jurong. Resolveria o impasse criado pela debandada de clientes do Açu e ainda passaria adiante o estaleiro da OSX, que está longe de ficar pronto e já custou bem mais do que o previsto. A Petrobras, por sua vez, poderia compensá-lo contratando duas sondas que a petroleira OGX já encomendou no exterior, mas que ficarão ociosas, dada a pouca quantidade de óleo nos reservatórios.

Com a ligeireza de quem acha muito natural que o Estado sirva aos interesses do PT e aos seus próprios, Lula desencadeou uma operação de governo para ajudar o amigo. Usando chapéu de ex-presidente, comportou-se como lobista — algo que já vinha fazendo em viagens
pelo mundo a soldo de empreiteiras, como revelou a Folha de S.Paulo na semana passada.

Só faltou combinar com os capixabas, que não gostaram nada da ideia de ficar a ver navios.  » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/02/2013

às 16:30 \ Política & Cia

Os brasileiros que já administram três dos maiores ícones americanos: a cerveja Budweiser, o Burger King e, agora, o ketchup Heinz

(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

 Reportagem de Marcelo Sakate, com colaboração de Ana Luiza Daltro, publicado em edição impressa de VEJA

 O COMBO BRASIL

Depois de assumir a Budweiser e o Burger King, o trio da Ambev acerta a compra de mais um ícone americano: o ketchup Heinz

“Eu não conheci até hoje um grupo para administrar empresas tão capaz como o formado, nos últimos anos, por Jorge Paulo Lemann no Brasil. Ele tem sido incrível.”

Assim o megainvestidor Warren Buffett, ícone do capitalismo americano e o quarto homem mais rico do mundo, explicou uma das razões pelas quais decidiu entrar no maior negócio da história no setor de alimentos, anunciado na última quinta-feira: a compra do grupo americano Heinz, sinônimo de ketchup no mundo, em parceria com o fundo 3G, dos brasileiros Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, por 28 bilhões de dólares.

Os três vão assumir o comando dos negócios de uma empresa de 144 anos cujos produtos fazem parte da dieta diária dos americanos e cujas vendas têm se expandido para novos mercados, entre eles o Brasil.

O AMERICANO -- Buffett, o investidor mais bem-sucedido dos EUA, entrou na sociedade a convite do amigo Lemann  (Foto: Ben Baker / Redux)

O AMERICANO -- Buffett, o investidor mais bem-sucedido dos EUA, entrou na sociedade a convite do amigo Lemann (Foto: Ben Baker / Redux)

O negócio reafirma a agressividade dos brasileiros em aquisições gigantescas e a sua predileção por empresas de ponta em setores tradicionais, em especial na área de consumo. O alvo são companhias que detenham marcas líderes, com bom potencial de aumento de rentabilidade e valorização depois de passarem por um choque de eficiência administrativa.

Essa é uma obsessão e a marca registrada de Lemann, Telles e Sicupira, responsáveis pela criação da Ambev, em 1999. Anos mais tarde, a fusão com a belga Interbrew e a compra da Anheuser-Busch, dona da Budweiser, deram origem à maior empresa de cerveja do mundo.

A administração dos negócios segue uma cartilha rígida, com foco na eficiência, no controle de custos, na ampliação da produtividade e no estímulo à promoção rápida de seus executivos, baseada em parâmetros numéricos de resultados alcançados.

O BRASILEIRO -- Jorge Paulo Lemann, o investidor mais bem-sucedido do Brasil: eficiência reconhecida nos EUA (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

O BRASILEIRO -- Jorge Paulo Lemann, o investidor mais bem-sucedido do Brasil: eficiência reconhecida nos EUA (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

Esse modelo de gestão, que encantou o tarimbado Buffett, será aplicado agora na centenária Heinz. Um blogueiro do jornal americano The Wall Street Journal indagou se “a Heinz receberá o tratamento brasileiro” e disse que a Ambev é reconhecida pela “eficiência e competitividade implacáveis”.

O tratamento brasileiro foi aplicado na dona da Budweiser, a cerveja mais popular dos EUA. Lemann, Telles e Sicupira não só idealizaram a compra, em 2008, como puseram seus homens de confiança à frente da nova empresa, a AB InBev – o brasileiro Carlos Brito foi nomeado CEO. Dois anos mais tarde, o trio comprou a segunda maior rede americana de hambúrguer, o Burger King, por meio do fundo 3G. Bernardo Hees, brasileiro, tornou-se o principal executivo.

Nos dois casos, os resultados não tardaram a melhorar e conquistaram o reconhecimento dos analistas americanos e internacionais.

As empreitadas bem-sucedidas fizeram também prosperar, logicamente, a fortuna dos brasileiros. A participação acionária de Lemann em diversas empresas vale hoje estimados 20 bilhões de dólares (quase o dobro da estrela cadente Eike Batista), tornando-o o 36º homem mais rico do mundo e o primeiro no Brasil.

PLANO DE VOO -- A ampliação do aeroporto de Miami, uma obra de 1 bilhão de dólares, acaba de ser concluída pela Odebrecht. "A estratégia é aliar eficiência e respeito ao modo local de fazer negócios", diz Gilberto Neves, presidente da empresa nos EUA

PLANO DE VOO -- A ampliação do aeroporto de Miami, uma obra de 1 bilhão de dólares, acaba de ser concluída pela Odebrecht. "A estratégia é aliar eficiência e respeito ao modo local de fazer negócios", diz Gilberto Neves, presidente da empresa nos EUA (Foto: Gilberto Tadday)

O sucesso do grupo remonta aos anos 70, quando Lemann criou o Banco Garantia. Ao lado de Telles e de Sicupira, a primeira aquisição de relevo foi a Lojas Americanas, no início da década de 80. A rede varejista se transformou no gigante B2W, dono de outras empresas, como Submarino e Shoptime. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

17/02/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: sobre como nós, consumidores, vamos pagar a conta de luz do bilionário Eike Batista

Não fica bem, numa época de eventos importantes, faltar luz no Brasil (Foto: Getty)

Não fica bem, numa época de eventos importantes, faltar luz no Brasil (Foto: Getty)

Por Carlos Brickmann

TIRA, PÕE, DEIXA ENGANAR

A conta de luz baixou? Baixou, mas vai subir: para evitar apagões no ano da Copa (e das eleições presidenciais), o Operador Nacional do Sistema, que comanda a produção e distribuição de eletricidade em todo o país, anunciou oficialmente que o governo decidiu não mais desligar as usinas térmicas, que queimam gás, carvão e óleo.

O objetivo é economizar água e manter cheios os lagos das hidrelétricas: não fica bem, numa época de eventos importantes, faltar luz no Brasil. Só que a energia térmica é poluente e mais cara.

A conta de luz vai subir.

E a conta mais baixa? Ok, antes de subir, a conta vai dar uma descidinha. Mas o abatimento vai cair na conta do Tesouro – ou seja, vai sair dos impostos que pagamos.

Funciona mais ou menos assim: imaginemos que o empresário Eike Batista, por exemplo, tenha uma conta de luz bem alta.

Sua residência é grande, com ar condicionado central, salas com iluminação especial (onde, lembremos, expõe aquela joia mecânica que é o Mercedes McLaren, um dos poucos que existem no Brasil), adega climatizada, piscina com temperatura controlada, essas coisas.

Ele vai economizar na conta de luz, no curto período de baixa.

E quem paga por ele? Você, caro leitor; ou a moça da favela que lava roupa para fora e que paga impostos ao comprar pão, margarina e sabão. Os impostos de quem compra remédios, ou um par de sandálias de dedo, vão para o Tesouro, e de lá saem para ajudar os milionários a economizar em suas contas de luz.

Ah, não esqueçamos: o gás que move usinas térmicas é importado.

Coisa fina!

09/02/2013

às 18:00 \ Tema Livre

“MULHERES RICAS”: Narcisa, “ai que loucura!”, fala como é ser socialite e “a estrela maior do universo”. E de sua futura viagem num disco voador

"Eu sou a estrela maior do universo" (Foto: Marcelo Faustini)

Narcisa: para ser socialite, "você tem que acordar tarde" (Foto: Marcelo Faustini)

Entrevista concedida a Nathan Fernandes, publicada na edição de Playboy que está nas bancas

 

A mais divertida participante do reality show Mulheres Ricas conta como é dura a vida de milionária, explica seus bordões, dá a receita para ser uma socialite de sucesso e acha que é a estrela maior do universo

 

1. Você voltou à segunda temporada do Mulheres Ricas como a estrela maior do reality show. Alguma das suas colegas compete com você em carisma e popularidade?

Me convidaram para voltar e, para mim, é superdivertido porque faço o meu roteiro e eles vêm atrás filmando. Mas eu sou a estrela maior do universo, e não do programa. As minhas colegas são ótimas. Elas ainda chegam lá.

2. Você é ex-mulher do Boninho, diretor do BBB. Foi por vingança que você resolveu entrar em um reality show concorrente?

Não. Fiz porque insistiram tanto que eu acabei entrando. A princípio, eu não queria. Não achei que seria esse sucesso todo, achei que não ia bombar. Mas, na verdade, é como se fosse sua vida normal, você só não pode falar certas coisas, e eles ficam te provocando, eles querem que você fale mal da outra, mas eu não falo mal de ninguém, nem ao vivo.

Andréa Nóbrega, Aeileen Kunkel, Cozete Gomes, Narcisa Tamborindeguy e Mariana Mesquita - as estrelas da nova edição de Mulheres Ricas (Foto: Divulgação / Band)

Andréa Nóbrega, Aeileen Kunkel, Cozete Gomes, Narcisa Tamborindeguy e Mariana Mesquita - as estrelas da nova edição de Mulheres Ricas. Na foto, falta uma integrante: a advogada Regina Manssur (Foto: Band)

3. Qual é a verdadeira origem da expressão “Ai, que loucura!”?

Eu estava fazendo um episódio do Você Decide, dirigido pelo Fábio Barreto, na Rede Globo. Interpretava uma colecionadora de arte, e um serial killer, que eu não lembro quem era, vinha me matar. Quando ele pegou no meu pescoço, gritei: “Ai, que loucura!” bem na hora da morte. Daí tudo virou um “Ai, que loucura!” Da personagem passou pra vida real.

4. De onde vem todo o seu dinheiro hoje em dia?

Vem das minhas rendas, aplicações. Eu também sou DJ em festas, coloco músicas… Eu toco Supretramp, Madonna, Lady Gaga, Amy Winehouse, Black Eyed Peas, Gilberto Gil, Zeca Pagodinho… É bem variada minha lista. Além disso, tem os anúncios que eu faço, meus dois livros. Fora a boneca que fala “Ai, que loucura!” e a linha de perfumes que eu vou lançar neste ano.

5. Você estudou para ser advogada e jornalista. Se eu quiser ser socialite, o que preciso fazer?

Você tem de acordar tarde! Eu costumo acordar sempre ao meio-dia. Mesmo que eu não durma tarde, eu gosto de acordar nesse horário. Eu amo dormir, é bom para sonhar, se energizar. Mas tem de ser chique e elegante também. Tem de saber o que é bom. O que importa é a qualidade, e não a quantidade. Tem de ser seletiva… e acordar tarde [risos].

6. Mulheres ricas também sofrem?

Sofrem muito. Sempre têm dor no pé, dor na coluna… Afinal, todo mundo sofre: rico, pobre, milionário, bilionário, multimilionário. O sofrimento é para todo mundo. Quem vive sofre. Quando você sofre, acaba aprendendo alguma coisa e melhora. Mas se não aprender nada também fo… ooorget about it! Ai, que esquecimento! [Risos.]

7. Como você explica o fascínio dos populares por você?

O povo gosta de mim porque sou uma pessoa educada, simpática, transparente, iluminada, whatever… Também sou muito simples, humilde, espontânea, e sou boa de garfo também. Não sou fresca! Mas acho que os gays gostam mais de mim. Eles me amam, adoram ouvir meus bordões. Ai, que gay! Eu e os gays temos a mesma conexão de alegria e liberdade. Eles me amam porque dentro dos gays tem sempre uma Narcisa para desabrochar!

8. Seu sorriso é enigmático e peculiar, há quem diga que são essas as características do sorriso da Mona Lisa. Por acaso já lhe disseram que você se parece com ela?

Ainda não. Você foi o primeiro, e eu adorei. [Risos.] Poxa, isso não é pouco, não! Eu seria a musa do Leonardo da Vinci se fosse da época dele.

"Ai, que Guilherme! Ai, que amor! Ai, que delícia!" (Foto: Alex Palarea e Roberto Filho / Ag News)

Sobre o namorado, o jornalista e escritor Guilherme Fiuza: "Ai, que Guilherme! Ai, que amor! Ai, que delícia!" (Foto: Alex Palarea e Roberto Filho / Ag News)

9. Mas você já é musa do seu namorado, Guilherme Fiuza, que escreveu o livro Meu Nome Não é Johnny, não é?

Sim, eu amo ele. Ai, que Guilherme! Ai, que amor! Ai, que delícia! [Risos.] Ele é o amor da minha vida, é o meu Shakespeare apaixonado.

10. Você já escreveu dois livros. Se ganhasse uma adaptação para o cinema, quem você escolheria para interpretar seu papel?

Deixa eu ver… Hummm… Lady Gaga! Acho que ela daria uma boa Narcisa porque é meio irreverente, desajeitada, desligada, troca o sapato. Às vezes eu sou assim. Quem mais? Peraí… Gisele Bündchen? Acho que essa não dá! [Risos.] Tem uma ótima que é da MTV, também, a Dani Calabresa. Amei a imitação dela. O Ceará, do Pânico, me imita também. Adoro ele. Os dois são bons. Adoro!

11. É verdade que você foi convidada para fazer uma viagem de disco voador no Mato Grosso?

Sim, uma amiga minha me convidou há algum tempo. Ela falou que até achou um negócio de ouro nesse lugar. Deixa eu ligar para ela para perguntar como era o nome disso [pega o celular, tenta ligar algumas vezes, mas não obtém sucesso...] Como é o nome? Ah, é uma pepita de ouro! Vou combinar essa viagem com ela, que mora no Canadá. Mas não é por causa disso que eu quero ir. Quero ir por causa dos mistérios deste mundo louco.

12. Hoje você não bebe mais nada alcoólico porque diz que já bebeu o Rio Amazonas inteiro. Não teria espaço para mais um Rio São Francisco aí?

Às vezes, sim, mas eu gosto de ficar careta. Eu gosto, mas evito. Bebo uma vez por mês, socialmente, para brindar. Um brinde ao sucesso!

13. Você é considerada uma mulher glamourosa e cheia de classe. Como consegue manter a pose gritando em megafone para os hóspedes do Copacabana Palace e jogando ovos pela janela?

Ah, essa história dos ovos já faz muitos anos. Nunca mais joguei, era brincadeira. Adoram me associar a “Ai, que bobagem!” Mas é verdade, às vezes eu pego o megafone para gritar para o meu cirurgião plástico na piscina do Copa. Eu amo meu cirurgião plástico. Já fiquei cantando com o Ron Wood [guitarrista dos Rolling Stones]: “I can’t get no satisfaction”. Ele de uma janela e eu de outra. Até o Mick Jagger deu tchau. Para o Bono Vox, eu gritei muito também, e minha empregada ficava falando: “Não tem biscoito Bono, não”. E eu explicava que [esse Bono] não era o biscoito [risos].

14. Narcisa, você é gostosa?

Sim, eu sou. Sou cheirosa, linda e gostosa. Quando eu me olho no espelho, eu me amo, me admiro.

15. Qual foi o lugar mais chique em que você já fez amor?

No Hotel Emiliano. Sexo para mim é um oceano de força, de amor, que liga todas as pessoas, todos os continentes, todas as cidades do mundo. Sexo é tudo! Agora, detalhes sobre sexo, se você quiser saber, pergunte para a sexóloga Marta Suplicy, que entende.

 

16. No seu livro Ai, que Loucura!, você diz que “sexo limpa a alma e lubrifica o corpo”. Você é adepta de gel, óleo massageador e outros brinquedos sexuais?

Ah, eu gosto dos meus óleos. Mas não preciso de brinquedinhos, não, porque já tenho o meu Shakespeare apaixonado.

17. Se ganhasse um vibrador do seu namorado, você diria “Ai, que absurdo!”, “Ai, que delícia!” ou Eike Batista?

Diria “Ai, que delícia!” Porque tem mais a ver com sexo. Eike Batista é para quando você quer multiplicar os milhões. O Eike é um homem adjetivo; você fala o nome dele e não precisa falar mais nada. Ele também está ajudando o Rio de Janeiro, é um empresário maravilhoso. A gente tem muita sorte de ele ser carioca [Eike, na verdade, nasceu em Governador Valadares, MG]. Eu o conheço, ele sabe do bordão e adora. Amaria se ele criasse um “Ai, que Narcisa!”

18. Você costuma se definir como The Face of Rio. Acha que vai continuar sendo a cara do Rio mesmo depois dessa série de reformas pelas quais a cidade está passando para as Olimpíadas de 2016?

Quem nasceu The Face of Rio não perde a majestade.

"Nem normal nem anormal. Sou simplesmente Narcisa" (Foto: Divulgação / Band)

"Nem normal nem anormal. Sou simplesmente Narcisa" (Foto: Divulgação / Band)

19. Algumas pessoas dizem que você é louca. É verdade?

Não, sou supercareta. Eu tenho meus valores, meus princípios, minha ética e, sempre que eu saio deles, acabo me ferindo.

20. Então você diria que é uma pessoa normal?

Ah, sei lá… O que é ser normal? Nem normal nem anormal. Sou simplesmente Narcisa.

 

LEIAM TAMBÉM:

Mulheres ricas não estão gostando do programa “Mulheres Ricas”

J.R. Guzzo: “Reality show sobre ‘ricas’ é só cômico”

23/09/2012

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Sorria, aqui é tudo alegria — e quem ganha 291 reais por mês virou classe média

No Brasil, só é pobre quem quer. E sem classe, os inclassificáveis (Foto: Marcelo Correa / EXAME.com)

No Brasil imaginário do lulo-petismo, só é pobre quem quer (Foto: Marcelo Correa / exame.com)

SORRIA, AQUI É TUDO ALEGRIA

Se o caro leitor não puder almoçar seu arroz com feijão, salada, bife e sobremesa, resolva o problema com uma folha de alface, duas ervilhas e um grão de milho. Pode não ser satisfatório, mas o caro leitor não deixou de almoçar.

Se o caro leitor ganha muito pouco e está abaixo da linha da pobreza, resolva o problema com as estatísticas do governo federal: de acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidente Dilma Rousseff, quem ganha gais de 291 reais por mês integra a classe média.

Assim foi possível fazer com que 35 milhões de brasileiros se alçassem à classe média nos dez anos de governo petista.

É simples assim: uma pessoa não precisa ganhar mais de dez reais por dia para entrar na classe média. Um casal que ganhe, em conjunto, 582 reais por mês será também de classe média.

Pronto: no Brasil, só é pobre quem quer.

Mas há limites para ser de classe média. Quem ganhar a partir de 1.019,10 reais por mês será de classe alta. A história de achar que classe alta é coisa para Eike Batista está errada: neste país em que se plantando tudo dá (especialmente notícias), até professor, mesmo ganhando o que ganha, pertence à classe alta.

O pessoal que tem recursos para comprar deputado mensaleiro, dar carona de jatinho a quem toma decisões sobre concorrências, fotografar a esposa usando sapatos de sola vermelha, esse nem chega a ter classificação.

Político corrupto, dos que trocam apoios por Ministérios, está tão alto que a verdade se restabelece sozinha: este não tem classe, nem categoria.

A classe média (de verdade) paga a conta.

17/08/2012

às 15:27 \ Política & Cia

Dilma dá uma guinada radical em relação à orientação de Lula e quer um choque de capitalismo

O ESTADO E O CAPITAL Dilma Rousseff comanda no Palácio do Planalto reunião com 28 dos grandes empresários brasileiros, em encontro que serviu de base para o plano do governo (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

O ESTADO E O CAPITAL -- Dilma Rousseff comanda no Palácio do Planalto reunião com 28 dos grandes empresários brasileiros, em encontro que serviu de base para o plano do governo (Foto: Sérgio Lima / Folhapress)

Reportagem de Otávio Cabral, com colaboração de Carolina Rangel, publicada na edição de VEJA que está nas bancas 

 

 CHOQUE DE CAPITALISMO

A presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote para “desatar o nó Brasil”: a privatização de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Ela ouviu quem conhece melhor os problemas, empresários e investidores

 

Na última quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou um conjunto de decisões de governo que, aplicadas à realidade, terão o efeito de um choque de capitalismo no Brasil. Numa escala inédita, o governo vai transferir para a iniciativa privada a construção e a administração de pelo menos cinco portos, 50 mil quilômetros de rodovias, 12 000 quilômetros de ferrovias e cinco aeroportos, incluindo os das principais capitais. É um grande passo na direção certa.

Para montar o “pacote de indução do crescimento”, nome-código do conjunto de seis planos no Palácio do Planalto, o governo fez o que deveria: reuniu alguns dos principais conhecedores dos problemas – pesos-pesados do empresariado brasileiro – e fez a pergunta certa: o que o Estado brasileiro pode fazer para deixar de atrapalhar o desenvolvimento do país e passar a ajudá-lo a crescer? Com as respostas em mãos, Dilma convocou uma tropa de elite do governo para trabalhar nas soluções.

Antes, reunião com 28 dos maiores empresários do Brasil

Além do portentoso pacote de privatizações, o trabalho resultou numa série de medidas destinadas a reduzir o preço da energia elétrica e desonerar a folha de pagamento das empresas privadas. O plano será anunciado em etapas, estando a última prevista para daqui a quatro semanas.

O pacote começou a nascer em 22 de março deste ano, quando a presidente Dilma Rousseff se reuniu por três horas no Palácio do Planalto com 28 dos maiores empresários do Brasil. No início do encontro, perguntou aos convidados quais eram os problemas que dificultavam os seus negócios. De todos, ouviu reclamações que convergiam para uma mesma direção: falhas na logística e na infraestrutura, carga tributária pesada e as consequências da desvalorização do dólar diante do real.

Para a presidente, ficou consolidada a certeza de que era necessária e urgente uma ação do governo para “desatar o nó Brasil”, como ela passou a dizer. Desde então, a preparação de um pacote de crescimento se tornou a prioridade de sua agenda. Não houve uma semana em que o assunto não tenha sido tema de ao menos duas reuniões. Na semana passada, por exemplo, foram cinco encontros, que duraram mais de dez horas.

Em linhas gerais, o plano de privatizações prevê a mesma fórmula para todos os setores envolvidos: as empresas que vencerem os leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos terão de se comprometer com a execução de obras de qualidade e com uma administração eficiente. O governo espera atrair até 60 bilhões de reais em investimentos.

O BNDES participará do financiamento dos empreendimentos, mas não como protagonista. Para viabilizar esse modelo, o governo levou em conta a economia feita com a diminuição da dívida interna, decorrente da redução da taxa de juros. Essa “folga de caixa” é o que, segundo o governo, possibilitará que ele abra mão de ser remunerado pelas privatizações.

Como parte do contrato com as empresas vencedoras nas licitações, uma parcela do dinheiro que elas arrecadarem terá de ir para obras de melhorias nos setores administrados. Esse modelo de privatização não fará com que o estado encha seus cofres, mas permitirá que ele deixe de administrar projetos deficitários – e passe a se dedicar ao seu papel, de induzir o crescimento.

Com essas medidas, Dilma dá uma guinada radical no rumo seguido por seu antecessor e padrinho político. O governo Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o tamanho do Estado e o salário do funcionalismo. Dilma segue no sentido oposto – como também mostrou sua atuação diante da greve dos servidores públicos federais.

A autonomia da presidente em relação ao governo anterior ficou clara já na fase de preparação do pacote. De suas conversas sobre o tema, ficaram de fora os petistas mais radicais. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

23/07/2012

às 8:19 \ Disseram

“Nós estamos virando uma colônia europeia africana do século passado.”

“Nós estamos virando uma colônia europeia africana do século passado.”

Eliezer Batista, ex-ministro, ex-presidente da Vale e pai do empresário Eike Batista, criticando a exportação de insumos básicos em detrimento dos produtos que agregam valor

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados