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Cruyff

09/08/2013

às 15:30 \ Tema Livre

FUTEBOL: Joel Santana ganha dinheiro na TV com seu inglês absurdo — e chama atenção para o fato de que o idioma é séria barreira para técnicos brasileiros comandarem os melhores times do mundo

Joel Santana, Felipão, Wanderley Luxemburgo e Pep Guardiola (Fotos:  Gazeta Esportiva :: Yasuyoshi Chiba / AFP :: AFP :: Jasper Julien / Getty Images)

Joel Santana, Felipão, Wanderley Luxemburgo e Pep Guardiola: idiomas estrangeiros têm sido um problema para os treinadores brasileiros. Já Guardiola espantou no Bayern de Munique falando alemão logo em sua primeira entrevista coletiva (Fotos: Gazeta Esportiva :: Yasuyoshi Chiba / AFP :: AFP :: Jasper Julien / Getty Images)

Amigas e amigos do blog, o recente contrato de publicidade para vender um xampu assinado pelo técnico Joel Santana para aproveitar a febre na web atingida pelo seu inglês macarrônico, perto do incompreensível, do qual lançou mão no período em que treinou a seleção de futebol da África do Sul chama a atenção para uma questão:

Por que o Brasil, o maior fornecedor de jogadores de futebol — e de grandes craques – para todos os rincões do planeta, desde países como Inglaterra, Itália e Espanha até o mundo árabe, a China e mesmo o Vietnã, não tem seus técnicos à frente de nenhum dos melhores times do mundo?

Certamente há quem diga que os treinadores brasileiros estariam “atrasados” ou “defasados” em relação aos mais badalados colegas europeus, como Pep Guardiola, José Mourinho ou Carlo Ancelotti.

Isso é bastante discutível. Há técnicos francamente medíocres atuando nas ligas mais ricas e mais competitivas, que são as europeias. A coisa não é por aí.

O que existe é um preconceito contra os treinadores brasileiros, que começa por uma questão muito simples: a dificuldade da esmagadora maioria deles no trato com idiomas estrangeiros. Há exceções, claro, e Carlos Alberto Parreira, poliglota, é uma delas. Mas Felipão teve sérios problemas no Chelsea inglês que começaram com a dificuldade de comunicação — e, além do conhecimento do futebol, o que seria mais importante para um treinador do que seu poder de comunicação?

Ora, dirão, existem os tradutores. Alguns chegaram a ter sucesso, depois, como técnicos, como José Mourinho, hoje no Chelsea, que começou sendo tradutor do holandês Louis Van Gaal no F. C. Barcelona. Zico treinou clubes japoneses e a seleção do Japão assim. Vários outros colegas brasileiros trabalham dessa forma em países árabes e em outras partes.

Mas repito: não é o ideal, de forma alguma, porque o poder de comunicação direta com os jogadores é algo insubstituível. Já imaginaram Joel Santana, com o inglês do vídeo abaixo, dando instruções ao time do Manchester United ou do Liverpool, por exemplo?

O preconceito contra treinadores brasileiros, no Primeiro Mundo, surge nesse momento. Foi o que ocorreu com Vanderlei Luxemburgo durante sua breve passagem de 11 meses pelo Real Madrid dos “galácticos”, na temporada 2004-2005. “Luxa” logo de cara enfileirou sete vitórias consecutivas para o melhor time do século XX, segundo a FIFA, mas seu portunhol pavoroso era objeto de tanto escárnio — eu estava na Espanha e vi — que acabou afetando sua autoridade diante dos jogadores.

Jamais compreendi como alguém, como Luxemburgo, contratado a peso de ouro e ganhando uma fábula, não passou imediatamente a dispor de um professor ou professora particular de espanhol para praticar diariamente, nas horas vagas, até firmar-se.

Exatamente o oposto disso fez o celebrado Guardiola, que, após deixar o F. C. Barcelona e a melhor campanha da história do clube, com 13 títulos conquistados em 5 anos, passou um período sabático em Nova York e, ao assumir o comando do Bayern de Munique, em junho, espantou os jornalistas e torcedores concedendo sua primeira entrevista coletiva… em alemão. Em silêncio, em Nova York, ele aplicou-se no estudo do idioma — e, naturalmente, o efeito junto ao público não poderia deixar de ser espetacular.

Vejam Guardiola falando em alemão, num trecho da entrevista:

Os treinadores europeus sempre dão um jeito de adaptar-se ao ambiente em que irão trabalhar. O italiano Fabio Capello é poliglota. O grande Johann Cruyff, holandês, um dos maiores craques de todos os tempos, é fluente também em inglês e aprendeu espanhol quando atuou pelo F. C. Barcelona, entre 1973 e 1978, e não teve problemas em seus anos de treinador (1988-1996) do que se chamou então o Dream Team do Barça, quando plantou as raízes do grande futebol que o time joga hoje. Algo semelhante se deu com o excelente meio-campo alemão Bernd Schuster, que atuou pelo F. C. Barcelona, o Real Madrid e o Atlético de Madrid, e hoje treina o Málaga.

A desconfiança em relação a treinadores monoglotas atingiu, em passado recente, profissionais de países como Portugal e Espanha. A situação mudou completamente. Não apenas com o português Mourinho, que se defende em inglês, espanhol e italiano, ou o espanhol Guardiola, que a essas três línguas acrescentou o alemão. Hoje, vê-se o português André Villas-Boas, treinador do Tottenham, com fluência absoluta no idioma de seus comandados, como tinha, quando no Reino Unido, o espanhol Rafa Benítez, atualmente dirigindo o Napoli, da Itália.

Os melhores técnicos brasileiros têm perfeitas condições de treinar grandes clubes fora do país, inclusive nas melhores ligas do mundo — a inglesa, a espanhola, a italiana e a alemã.

O caminho para isso seria muito facilitado se, além dos conhecimentos sobre futebol, fizessem um esforço — a meu ver, uma exigência profissional mínima — para não falar (nem sempre bem) apenas o português.

09/07/2013

às 14:30 \ Tema Livre

POST COM 6 VÍDEOS: Neymar será o 34º jogador brasileiro da história do Barça; vejam a lista completa de seus antecessores e saibam os que foram elevados ao status de “lendas” pelo clube

Neymar-Barça

Neymar se apresenta à torcida do Barça no Camp Nou no dia 3 de junho: para continuar a tradição (Foto: Reuters)

Texto adaptado de materia publicada pela revista Fut! Lance em abril de 2009

Por Daniel Setti

Ah, os brasileiros… ainda que nos bastidores do FC Barcelona sempre haja quem torça o nariz quando a contratação de um dos nossos é anunciada – os precedentes irreverentes de Romário ou a fúria baladeira de Ronaldinho ainda fazem o Camp Nou tremer – o clube, e sobretudo sua torcida, têm uma relação de amor com os boleiros tupiniquins.

Desde que o pioneiro Fausto dos Santos aportou em solo español há 82 anos, oriundo do Vasco da Gama – sofreria preconceito por ser negro -, foram 33 os brasileiros azul-grená. A lista abaixo traz todos eles, incluindo o atletas como Henrique, atualmente no Palmeiras, que foi contratado em 2008 mas, emprestado, nunca atuou pelo clube; também marcam presença nomes que defenderam predominantemente a segunda equipe, o Barça B (exemplo: Tiago Calvo).

Em negrito estão os seis que o próprio site do clube considera como “lendas”. Abaixo de cada um, vídeo com lance inesquecível. Nomes de peso, como Roberto Dinamite e Giovanni, não entram neste seleto hall porque ficaram abaixo da expectativa, apesar de sua importância como jogadores (o hoje presidente vascaíno só durou três meses e o ex-santista até deu trabalho, mas nunca como na Vila Belmiro).

1-Fausto dos Santos (1931-1932):

2-Jaguaré Bezerra (1931-1932)

3-Lucídio Batista da Silva (1947-1949)

4-Evaristo de Macedo (1957-1962): é o goleador brasileiro definitivo entre os que jogaram no Barça. Marcou 178 gols em 226 partidas, uma média de 0,8 por partida. Títulos importantes: duas ligas e uma Copa da Espanha. Os culés relembram com carinho especial, embora mais tarde defendesse o Real Madrid. (Crédito vídeo do gol de peixinho do atacante que eliminou o Real da Copa da Europa em 1960: TVE)

5-Walter Machado da Silva (1966-1967)

6-Mário “Marinho” Perez (1974-1976)

7-William Silvio “Bio” Modesto (1978-1979)

8-Roberto “Dinamite” Oliveira (1980)

9-Cleo Inaio Hickmann (1982)

10-Aloisio Pires Alves (1988-1990)

11-Romário de Souza Farias (1993-1995): inesquecível, apesar de ter ficado pouco e ganhado apenas uma Liga. O clube viveu o auge do Baixinho (período que coincidiu com a Copa que ganhou sozinho para o Brasil) e suas polêmicas brigas com Johan Cruyff, o único técnico que ganharia seu respeito. Prevaleceu o holandês, mas ele mesmo nunca esqueceria que o centroavante marcou 53 vezes nas 82 em que esteve em campo. (Crédito vídeo, com os três gols que marcou em goleada por 5×0 ante o Real Madrid: Sports.co.ru)

12-Giovanni Silva (1996-1999)

13-Ronaldo Luis Nazário de Lima (1996-1997): ele só se transformou no fenômeno por completo jogando pelo Barça, passagem que lhe rendeu a Bola de Ouro da revista France Football em 1997. Ganhou três troféus (uma Copa do Rei, uma Recopa e uma Supercopa da Espanha) e marcou incríveis 48 gols em 51 jogos. Para muitos, foi ainda melhor que Romário, e só não se fala dele com mais carinho porque acabou jogando no Real. “Colocando os dois cara a cara, fico com aquele Ronaldo incomparável, que lamentavelmente durou pouco”, diz o jornalista Jorge Esteve e Ruiz. (Crédito vídeo, com gol de placa contra o Compostela: Canal Sur)

14-D’Marcellus Machado (1996-1997)

15-Sonny Anderson da Silva (1997-1999)

16-Rivaldo Vitor Barbosa (1997-2002): é possível que o gol de bicicleta de fora da área que fez contra o Valência em 2001, classificando o Barça à Copa dos Campeões no finalzinho, já valesse sua importância. Mas o meia-atacante Rivaldo também fez nada menos que 136 gols em 253 partidas e colecionou cinco títulos (entre eles duas Ligas e uma Supercopa da Europa), sendo justamente eleito o melhor do mundo em 1999. (Crédito vídeo, com o famoso gol de bicicleta: Canal Plus)

17-Thiago Motta (2000-2007)

18-Marcelo da Silva (2001)

19-Luciano “Triguinho” da Silva (2001)

20-Fabio Rochembak (2001-2003)

21-Geovanni Deiberson (2001-2002)

22-Ronaldo “Ronaldinho” de Assis Moreira (2003-2008): a ressaca do furacão “Ronnie” só está passando agora, mas ele já é considerado um dos maiores de todos os tempos. Foram cinco anos, sendo os três primeiros deles de pura magia, 110 gols em 250 partidas e oito canecos. Entre eles, duas Ligas e a Copa dos Campeões de 2005-2006 (Crédito vídeo, com a torcida do arquirrival Real Madrid aplaudindo golaço do craque: Canal +)

23-Tiago Calvano (2003-2005)

24-Juliano Belletti (2004-2007)

25-Silvio “Sylvinho” Mendes (desde 2004)

26-Anderson Luís “Deco” de Souza (2004-2008): o Barça de Ronaldinho teve como coadjuvantes maestros como Deco, meia estilo “motorzinho” de um time que encantou o mundo. Antes de ver seu rendimento cair, jogou muita bola e guardou 28 vezes em 188 jogos. (Crédito vídeo, com gol de voleio contra o Espanyol: Ch 3)

27-José Edilson Gomes (2004-2008)

28-Thiago Alcántara (2005-2013)

29-Rafael Alcântara (desde 2006)

30-Daniel Alves (desde 2008)

31-Henrique Adriano (2008 – foi emprestado e nunca atuou pelo clube)

32-Maxwell Andrade (2009-2011)

33-Adriano Claro (Desde 2010)

28/01/2012

às 18:32 \ Tema Livre

Jornalistas dos EUA considerarem Pelé o 4º melhor de todos os tempos é insulto a quem entende de futebol — e aos torcedores brasileiros

O Rei Pelé em jogada clássica -- a bicicleta -- que ele cansou de repetir ao longo da carreira e com a qual marcou cinco gols (Foto: Alberto Ferreira / Jornal do Brasil)

A garotada já entende e pratica, mas está uma vez mais provado que americano — incluído jornalistas — não entende bulhufas de futebol: absolutamente ridícula a pesquisa entre profissionais de imprensa publicada pela revista Sports Illustrated que considera o inigualável Pelé o quarto melhor jogador de todos os tempos. Sim, o quarto.

O Rei, nesse levantamento realizado entre dez jornalistas cabeças-de-bagre, ficou atrás de Messi, do também argentino Maradona e do genial holandês Johann Cruyff. Para quem sabe o que foi Pelé, é uma palhaçada. Para quem conhece um pouco de futebol — e para os torcedores brasileiros –, um insulto.

Sugere-se que a assessoria do Rei envie urgentemente para os dez o DVD Pelé Eterno. Está mais do que claro que as mágicas e milagres ali mostrados esses jornalistas nunca viram.

A mesma providência deveria ser adotada em relação ao jornalista Bobby Gosh, autor da recente reportagem da revista Time trazendo Messi — realmente um craque extraordinário — na capa –, e que igualmente já desconsidera Pelé.

O Rei (abraçado e levantado por Jairzinho, na Copa de 1970) e sua marca registrada: o soco no ar (Foto: veja.abril.com.br)

Quem quiser tirar o reino de Pelé precisa, entre outras proezas, fazer o seguinte:

* Disputar mais do as quatro Copas do Mundo de que Pelé participou e vencer mais do que as três que ele conquistou.

* Marcar mais de 1.282 gols na carreira, algo que nenhum jogador de futebol fez em qualquer tempo. Como comparação, basta dizer que Maradona, muitas vezes apontado, especialmente pelos argentinos, como melhor que o Rei, marcou 356.

* Marcar por sua seleção mais do que os recordistas 95 feitos por Pelé pela seleção brasileira. (Messi, até agora, fez 19 pelo time da Argentina).

* Ser bicampeão mundial de futebol por sua seleção com menos de 22 anos. Messi, 24 anos, ainda não foi nenhuma vez. O grande Cruyff nunca chegou lá. Maradona ganhou sua única Copa (a de 1986) aos 26 anos.

* Marcar mais do que os 8 gols em uma só partida que estufaram as redes do Botafogo de Ribeirão Preto nos famosos 11 a 0 aplicados pelo Santos no time do interior no Campeonato Paulista de 1964.

Preparando-se para marcar, de pênalti, o milésimo no goleiro Andrada, do Vasco, no Maracanã, em novembro de 1969 (Foto: abril.com.br)

* Ser 11 vezes artilheiro de um campeonato regional duríssimo, como era o Paulista entre 1957 e 1973

* Marcar mais de 58 gols em 37 jogos durante um campeonato, como fez Pelé no disputadíssimo Paulista de 1958.

* Conquistar, no total, mais do que 60 títulos, entre os quais as três Copas do Mundo mencionadas, mais dois mundiais interclubes, duas Libertadores da América, cinco Taças Brasil e dez campeonatos locais, como foi o caso de Pelé com o Paulista.

* Marcar num só ano mais do que os 127 gols registrados por Pelé em 1957. Só como comparação, no melhor ano de sua carreira, 2000, Romário fez 73 gols. Ronaldo Fenômeno, no auge, balançou redes 63 vezes em 1997.

Relembrem (ou vejam) algumas máginas do Rei retiradas do DVD Pelé Eterno:

Agora, um especial de 7 minutos resumindo a carreira de Pelé pelo site Gazeta Esportiva:

http://www.youtube.com/watch?v=iHvzKW6z0Mc&feature=fvwrel

24/09/2011

às 11:01 \ Tema Livre

Futebol-arte: designer bósnio transforma imagens de grandes craques em belos – e modernos – painéis

Há quem leve extremamente a sério a expressão “futebol-arte”. Para o jovem artista gráfico bósnio Zoran Lucić, por exemplo, os grandes craques são, além do que já representam para milhões de admiradores, perfeitos modelos para lindos trabalhos visuais.

Feitas para serem impressas, a princípio, como vistosos pôsteres, as 53 ilustrações da coleção “Sucker for Soccer” (veja uma seleção deles abaixo), em que Lucić homenageia os maiores gênios da bola têm um quê da pop art de Andy Warhol, ao incrementarem fotografias com cores e texturas. Possuem, também, algo de vintage, ou seja, que se inspira em estéticas de décadas passadas, o que lhes confere, paradoxalmente, um caráter bastante moderno.

Em seu site, o artista exibe também outras quatro coleções, como “To Be or Not to Bop”, em que se inspira em míticos músicos de jazz, e “Mickey Mouse Burned”, baseado em ícones da cultura pop (cineastas, músicos, etc).

 

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