Blogs e Colunistas

cracolândia

17/11/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Lula é o novo Perón

José Dirceu, o "Chefão mensaleiro": "por enquanto ele pegou cana em regime seimiaberto;  poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa" (Foto: Tiago Queiroz / AE)

José Dirceu, o “Chefão mensaleiro”: “por enquanto ele pegou cana em regime semiaberto; poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa” (Foto: Tiago Queiroz / AE)

Por Neil praga de mãe pega Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

LULA É O NOVO PERÓN

Neil Ferreira

O assassinato do lindo menino Joaquim e o suspeito é o padrasto. A destruição e a imundície deixadas na reitoria da USP – uma cracolândia, como bem enxergou este DC — depois que os vândalos do PT, do PSOL e do PSTU, supostos estudantes, foram de lá despejados.

O pau que tá quebrando no STF, com algumas excelências, as de sempre, querendo livrar a cara do mais importante chefão mensaleiro. Por enquanto ele pegou cana em regime semiaberto; poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa, como o Lalau.

Me dá ganas de sair gritando “Me mandem de volta pra UTI do Einstein”, onde passei uma temporada. Viver esse presente é morrer; puro teatro do absurdo. Vivemos a tragédia, a farsa vem daqui a pouco.

“A História acontece primeiro como tragédia e depois se repete como farsa” (Karl Marx, “18 Brumário de Luis Bonaparte”). “Quem não conhece a História está condenado a repeti-la”, mais simples de entender, assim até eu compreendi.

Marx disse “Tragédia” e “Farsa”, referindo-se ao teatro. Tudo indica que para ele, o proletariado, escolhido pela História como ele determinou, para ser agente e ator do papel de vanguarda da revolução nos palcos revolucionários, estaria por dentro da mensagem que autores e atores queriam passar.

Tataravós dos Black Blocs, sangue nuzóio, pexera na boca, trezoitão na mão, sairiam de uma peça do Brecht de então, que não sei como teriam dinheiro pra pagar os ingressos com seus salários de quase escravos, mais caros do que os da Copa do Mundo Padrão Fifa se naquela época houvesse, e como vanguarda da revolução, quebrariam vitrinas dos bancos pra quebrar o capitalismo.

Besteria do Marx. O Demiurgo dos Palanques virou Presidente sem nunca ter lido um único livro na vida e nem uma só vírgula do Marx.

Demiurgo, segundo o Aurélio, meu google de estimação, é papa fina: “Segundo Platão, é o Deus que cria o Universo, organizando a matéria preexistente”; “Criatura intermediária entre a natureza divina e a humana”. Escrevo agarrado ao Aurélio para flutuar e não afundar no oceano das palavras.

São apenas 23 letras na nossa inculta e bela. Com elas você escreve Os Dez Mandamentos, Lusíadas, toda obra de Marx, a pregação da violência escrita por Marighela, a ignorância do Demiurgo dos Palanques que só as usa pra dizer palavrões, os embargos infringentes escritos pra melar o julgamento mais importante da nossa História.

Memória: Tarso Genro falou Tarso Genro avisou: “Lula é o novo Perón”; e é. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

19/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

PACTO PARA RESSUSCITAR UMA CIDADE: o maior projeto de recuperação urbana do Brasil vai criar 17 novos bairros em São Paulo e transformar regiões degradadas em áreas residenciais

CRACOLÂNDIA HOJE -- região degradada (Foto: Rodrigo Boerin / Fotoarena / Folhapress)

CRACOLÂNDIA HOJE -- região degradada (Foto: Rodrigo Boerin / Fotoarena / Folhapress)

Reportagem de Otávio Cabral publicada em edição impressa de VEJA

PACTO PARA RESSUSCITAR UMA CIDADE

O maior projeto de recuperação urbana do Brasil vai criar dezessete novos bairros em São Paulo e transformar regiões degradadas da cidade em áreas residenciais até 2018

Até o início da década de 70, praticamente metade do produto interno bruto da cidade de São Paulo vinha da indústria. Grandes galpões ocupavam bairros como Brás, Barra Funda, Mooca e Belenzinho e eram exemplos da pujança fabril paulistana. Nas décadas seguintes, o crescimento da população, a dificuldade de escoamento da produção em uma capital com o trânsito caótico e os incentivos fiscais de outras regiões tiraram essas fábricas de São Paulo.

A metrópole encontrou outra vocação – hoje, o setor de serviços responde por 65% do PIB. Os galpões foram abandonados. Casarões que simbolizavam o status dos barões da indústria se transformaram em cortiços. As áreas anteriormente prósperas se tornaram um retrato da degradação urbana.

Nas últimas três décadas, iniciativas isoladas tentaram sem sucesso recuperar a região central da cidade. Na semana passada, buscando reverter de vez a situação, o governo do estado deixou de lado as disputas políticas e fechou uma parceria com a União, a prefeitura e a iniciativa privada para lançar o maior programa de recuperação urbana do Brasil.

O Casa Paulista prevê a construção de 20000 moradias nos próximos quatro anos, ao custo de 4,6 bilhões de reais. É a primeira parceria público-privada do país para habitação.

“O objetivo não é apenas construir moradias populares nos moldes do antigo BNH ou do Minha Casa, Minha Vida, mas ressuscitar uma região essencial da cidade que está abandonada”, afirma o governador de São Paulo, Geraldo Alck­min.

Para isso, o projeto inclui a restauração de construções históricas e a substituição de velhos galpões por prédios – 20% dos quais, pelo menos, serão destinados a comércio e serviços, de modo a aumentar a possibilidade de as pessoas trabalharem e fazerem compras perto de casa. Entre os prédios, serão construídos bulevares e áreas para esporte interligados por ciclovias.

MESMA REGIÃO, NO PROJETO -- Novos prédios, alamedas, parques e ciclovias (Imagem: Prefeitura de São Paulo)

MESMA REGIÃO, NO PROJETO -- Novos prédios, alamedas, parques e ciclovias (Imagem: Prefeitura de São Paulo)

No início do ano passado, o governo estadual lançou um edital convocando empresas interessadas em propor modelos de habitação para a região central de São Paulo. O concurso foi vencido pelo Instituto de Urbanismo e de Estudos para a Metrópole (Urbem) – uma organização que atua na recuperação urbanística.

O Urbem contratou 73 pessoas, entre arquitetos, economistas, sociólogos e advogados, para fazer um diagnóstico dos problemas do centro e apontar soluções. Ao custo de 30 milhões de reais, produziu doze volumes, de 300 páginas cada um, com detalhes da situação fundiária, jurídica e arquitetônica da região.

O projeto prevê a construção de dezessete bairros em forma de círculo, com raio de 600 metros, tendo sempre uma estação de trem ou de metrô como centro.

“Percebemos que havia uma falha dupla. O mercado vê a habitação apenas como uma oportunidade de negócios, e cria guetos de bem-estar. E o governo não estabelece regras para permitir uma ocupação condizente com as mudanças da cidade”, avalia Philip Yang, fundador do Urbem. “Mostramos que é possível ter lucro com habitação popular, mas deixando um legado para a cidade e para a vida da população.”

Na campanha para prefeito, Yang levou o projeto aos candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). Logo após ser eleito, Haddad se reuniu com Yang e Alckmin para se comprometer a apoiar a iniciativa. Quanto mais complexo o projeto, mais ele depende de parcerias como essa para sair do papel.

No caso do Casa Paulista, a responsabilidade pela habitação é do estado, mas o trânsito, a legislação e boa parte dos terrenos são do município. Sem a união dos três níveis de poder – o principal financiador é federal, a Caixa Econômica Federal -, as questões burocráticas têm grande chance de levar a melhor.

A ideia é destinar 12000 das 20000 moradias a famílias com renda de até cinco salários mínimos paulistas – 3700 reais. “Esse projeto, além de ter uma função social, é uma iniciativa para estimular o desenvolvimento econômico de uma região essencial da cidade”, avalia Fernando de Mello Franco, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano.

O edital para a contratação das construtoras que tocarão o projeto será divulgado em maio. O objetivo é que os contratos sejam assinados até outubro, e as primeiras unidades, entregues em janeiro de 2015. Até 2018, toda a reurbanização deverá estar concluí­da.

Muitos ainda se lembram da “São Paulo Tower”, cujo projeto delirante o empresário Mário Garnero divulgou em 1999, e que deveria ficar pronto em 2005.

Era para ser o maior edifício do mundo – e, claro, nunca saiu do papel.

Por essas e outras, os paulistanos desconfiam da viabilidade de projetos ambiciosos para a cidade. Desta vez, porém, a racionalidade do projeto, a inédita união de forças e a supressão, ainda que momentânea, das rivalidades políticas em prol de uma boa ideia são motivo de esperança.

08/06/2012

às 18:03 \ Política & Cia

Cuidado, bandidos: lá de cima, mesmo à noite e de longe, a polícia vê — e grava — tudo

ULTRAPOTENTE ATÉ NO ESCURO Em meio à escuridão, a câmera capta de longe a movimentação de um bando de marginais, logo presos (Foto: Oscar Cabral)

ULTRAPOTENTE ATÉ NO ESCURO -- Em meio à escuridão, a câmera capta de longe a movimentação de um bando de marginais, logo presos (Foto: Oscar Cabral)

(Reportagem de Leslie Leitão publicada na edição impressa de VEJA)

 

BANDIDOS: O BIG BROTHER ESTÁ NO AR

Nos bastidores das grandes operações policiais no Rio, um helicóptero com uma câmera ultrapotente a bordo é peça-chave para flagrar a bandidagem em ação – até no escuro

A recente caçada a um dos bandidos mais poderosos na hierarquia do crime carioca, Márcio José Sabino Pereira – conhecido como “Matemático” pelo pendor financeiro -, durou quatro minutos e foi certeira. Já passava de 11 da noite quando os capangas do traficante perceberam o cerco ao Logan prata conduzido pelo chefe e iniciaram o tiroteio, de dentro e de fora do carro, em vão.

O marginal acabaria cravejado por duas balas vindas do alto, morrendo na hora. A peça-chave da operação pairava sobre os céus da Zona Oeste do Rio de Janeiro, acoplada a um helicóptero modelo Esquilo e apelidado de Águia 2: na parte de baixo, fica a câmera de 45 quilos e apenas 40 centímetros de largura que permitiu, a 3 000 pés de altitude (cerca de 1 quilômetro), enxergar com boa nitidez, apesar do breu, toda a movimentação de Matemático e seu bando. Até a placa do carro se podia discernir.

Equipamento usado em guerras pelo Exército dos EUA e na Colômbia contra os narcoterroristas

Na verdade, a operação começara seis meses antes. Dispondo desse equipamento, a polícia mapeou horários, hábitos e lugares frequentados e vigiados pela quadrilha, até partir para o ataque, naquele 11 de maio. Nos bastidores de todas as últimas operações de relevo da polícia do Rio, tal câmera estava em ação, discretamente, sendo muitas vezes decisiva para desmantelar o QG dos criminosos quando eles menos se davam conta, no meio da madrugada.

Amplamente usada em guerras pelo Exército americano, na Colômbia dos narcoterroristas das Farc e agora adotada no Rio com o aval do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, essa tecnologia permite a visualização de objetos e corpos no escuro de tão longe que não se ouve um único ruído do helicóptero até que ele se aproxime.

Para se ter uma ideia do que isso significa, no escuro, a 32 quilômetros de distância, o operador da câmera pode distinguir passageiros no convés de um navio. A 3 quilômetros, a imagem do rosto produzida pelo equipamento torna a identificação da pessoa perfeitamente possível.

As cenas são flagradas pelos sensores da câmera, que captam os raios infravermelhos emitidos pelo calor de corpos e objetos e os transformam em imagens tridimensionais. As gradações de cinza em que aparecem as figuras variam conforme a temperatura dos corpos – quanto mais alta, maior a definição. Gente, arma de fogo e motor de carro, por exemplo, sobressaem.

DIRETO AO ALVO O equipamento aparece acoplado à parte inferior do helicóptero (Foto:  Oscar Cabral)

DIRETO AO ALVO --O equipamento que vê tudo à noite, inclusive de longas distâncias, aparece acoplado à parte inferior do helicóptero (note a parte clara, com o que parecem ser quatro "olhos" escuros" (Foto: Oscar Cabral)

“Voar alto é questão de sobrevivência”

O sistema, conhecido como Forward Looking Infrared (Flir) ou nos corredores da polícia apenas como “termal”, é parecido com o de câmeras do gênero empregadas por outras polícias no Brasil, mas um ponto fundamental o diferencia: na escuridão total, o alcance da Star Safire III, a câmera usada no Rio, é três vezes superior ao das demais e trinta vezes mais potente do que o olho humano.

“Em uma cidade onde helicóptero da polícia já foi até abatido pela bandidagem, voar alto é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência”, diz o piloto Adonis Lopes de Oliveira, 49 anos, chefe do Serviço Aeropolicial (Saer) que coordena a equipe treinada para comandar o equipamento. “Lá de cima, é como se a cidade fosse um grande tabuleiro de videogame, em que se pode visualizar e acertar o alvo com mais inteligência e menos risco de erro”, conta.

Com as imagens obtidas pela câmera, o coordernador das operações policiais orienta a tropa em terra. O mesmo conjunto de imagens é transmitido por radiofrequência em tempo real a cinco bases da polícia. É um Big Brother da lei. Três antenas, além da do próprio helicóptero, dão cobertura a toda a cidade.

A polícia já tem 1.200 horas de gravação — já resgatou refém, recuperou armas…

Já são mais de 1 200 horas de gravação, um acervo que inclui de tudo um pouco sobre o submundo do crime carioca – da Cracolândia na Zona Norte à ação dos criminosos nas vielas e becos das favelas. Foi de uma dessas ilhas de transmissão que o secretário de Segurança José Mariano Beltrame assistiu ao passo a passo da ocupação policial na Rocinha, em uma madrugada de novembro passado.

Quatro dias antes, o Águia 2 cruzara os céus da favela rastreando esconderijos de armas em meio ao matagal. Essas foram recuperadas. Foi também graças à câmera que a polícia chegou a um cativeiro. Voando incólume já tarde da noite, o helicóptero acompanhou do alto um parente do sequestrado que levava o dinheiro ao bandido e ficou à espreita, sem emitir ruído, até o marginal aparecer. A partir dali, ele seria seguido, capturado e sua vítima, logo liberada.

Na visita de Barack Obama à cidade, em março de 2011, seus seguranças fizeram um sobrevoo preventivo, mapeando obstáculos e riscos ao longo do trajeto a ser percorrido pelo presidente americano.

Na Rio+20, a megaconferência ambiental que se inicia no próximo dia 13, o Águia 2 terá papel semelhante. Evidentemente, nenhum equipamento, por mais engenhoso que seja, conseguirá dar cabo sozinho das mazelas da segurança pública – inclusive no campo tecnológico, em que resta ainda muito que avançar no Rio -, mas já é uma grande ajuda.

17/05/2012

às 17:18 \ Política & Cia

A infelicidade dos sem-teto afeta também estrangeiros em São Paulo. Conheça a história de três deles

Conheça a história de três estrangeiros que vieram viver no Brasil e acabaram nas ruas

Conheça a história de três estrangeiros que vieram viver no Brasil e acabaram nas ruas de sua maior e mais rica cidade, São Paulo: o canadense White, o italiano Carbone e o japonês Ishimaru (Fotos: Fernando Moraes)

 

(Reportagem de Claudia Jordão publicado na revista VEJA São Paulo, que circula apenas na capital e nas cidades num raio de 100 quilômetros a seu redor)

ESTRANGEIROS SEM TETO

 

Mais de 500 pessoas de outros países perambulam pelas ruas de São Paulo ou dependem de uma vaga nos albergues da capital

Existem 14.478 pessoas na cidade de São Paulo vivendo na rua ou em albergues, o que significa um aumento de 6% sobre a população de indivíduos nessa condição registrada há dois anos. Os dados fazem parte de um novo censo produzido pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura.

O trabalho, que acaba de ser divulgado, tem como objetivo dimensionar o tamanho do problema e, com isso, orientar as ações do poder público. Para dar conta da demanda crescente, há hoje uma oferta de sessenta abrigos na capital, com 10.115 vagas. O número de casas cresceu 40% desde 2009. No bairro da Barra Funda fica a maior delas, com capacidade para aproximadamente 1.000 hóspedes. Nesses locais, os moradores recebem de duas a cinco refeições diárias. Manter a infraestrutura custa 6 milhões de reais por mês aos cofres do município.

Desde 2000, a Prefeitura acompanha por meio de pesquisas a evolução do quadro dos sem-teto. Nesse mais recente estudo, divulgou-se pela primeira vez o total de estrangeiros. O resultado apontou 513 pessoas, a maior parte delas de países da América Latina, como Bolívia, Peru e Colômbia. Mas há as que vêm de outras regiões, como América do Norte, Europa e Ásia.

Em comum, suas histórias carregam o sabor amargo de um sonho frustrado. Como vieram parar aqui e acabaram dormindo embaixo de uma marquise ou em albergues? “Eles desembarcaram em busca de uma oportunidade e falharam na tentativa de alcançá-la”, afirma Alda Marco Antonio, vice-prefeita e secretária de Assistência Social.

 

TORRE DE BABEL

O raio X dos forasteiros que vieram para São Paulo e não têm moradia

 

estrangeiros sem teto quantos-sao

-

estrangeiros sem teto onde-vivem

-

estrangeiros sem teto onde-se-hospedam

 

De onde vêm

Os estrangeiros sem-teto, incluindo moradores de rua e usuários de albergues da Prefeitura, vêm principalmente da Bolívia (83), do Haiti (67), do Peru (38) e da Colômbia (34), segundo o documento “Censo e caracterização socioeconômica da população em situação de rua na municipalidade de São Paulo” (2011).

Leia o depoimento de três desses personagens surpreendentes: um italiano de Nápoles, um canadense de Toronto e um japonês da província de Yamaguchi.

 

Daniele Carbone, 37 anos, italiano

O italiano de 37 anos veio para o Brasil para se recuperar do vício, mas perdeu tudo ao conhecer a Cracolândia

"Desembarquei em São Paulo e fui para o hotel Marabá, na República. Estava disposto a levar a sério o tratamento para curar o vício da cocaína. Dias depois da chegada, porém, conheci a Cracolândia. Perdi tudo e acabei na sarjeta"

"Desembarquei em São Paulo e fui para um hotel na região da Praça da República. Estava disposto a levar a sério o tratamento para curar o vício da cocaína. Dias depois da chegada, porém, conheci a Cracolândia. Perdi tudo e acabei na sarjeta" (Foto: Fernando Moraes)

“Há um ano e meio, quando vim da Itália, eu era um homem em busca da sobrevivência. Pouco antes da viagem, havia passado quatro meses numa clínica de reabilitação no meu país. Saí de lá e voltei a injetar cocaína e heroína na veia. Para tentar me salvar, resolvi mudar de ares. Desembarquei em Cumbica e me hospedei no hotel Marabá, na região da Praça da República. Na bagagem, trouxe um remédio para aliviar as crises de abstinência. Mas a disposição de levar o tratamento a sério acabou quando conheci a Cracolândia.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/03/2012

às 16:30 \ Política & Cia

Veja por que o crack é uma imensa tragédia brasileira

Movimentação policial na rua Helvetia

MARCHA DOS ZUMBIS -- Viciados que ocupavam a cracolândia vagam pelas ruas do centro de São Paulo depois de ser dispersadas pela polícia (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . .

É pior do que parece

Durou quase vinte anos. No início dos anos 90, traficantes e usuários de crack de São Paulo começaram a se concentrar nas áreas do centro da cidade para, em grupos cada vez mais numerosos, proteger-se da polícia e ter acesso mais fácil à droga.

Com o passar do tempo, foram ocupando as calçadas e as ruas, de maneira que, em algumas, os carros já não podiam circular: desviavam sua rota daquilo que ficou conhecido como Cracolândia, o território particular, escuro e indevassável do crack. No começo do ano, a Polícia Militar do Estado deflagrou uma operação para dispersar os viciados à força.

A investida foi classificada de “precipitada” (os serviços de abrigo e tratamento para dependentes não estariam prontos para receber os usuários), “desastrosa” (ela teria simplesmente espalhado pela cidade os dependentes que antes se agrupavam em uma única região) e “errática” (alguns dias depois, os viciados já haviam voltado à Cracolândia sem que a polícia os molestasse).

Se teve erros, o trabalho registrou ao menos dois acertos: o primeiro foi quebrar o domínio territorial dos traficantes, sem o que nenhum combate a drogas é bem-sucedido. O segundo foi que, ao produzir cenas estarrecedoras – como a de centenas de homens, mulheres e crianças vagando sem rumo pela cidade, olhos esgazeados e roupas em farrapos, depois de ser desalojados das ruas que ocupavam -, despertou a atenção do país para um problema que está longe de se limitar à capital paulista.

Um levantamento realizado no ano passado pela Confederação Nacional dos Municípios em 4 430 das 5 565 cidades brasileiras revelou que o crack é consumido em 91% delas.

O mal já se infiltrou até no interior da Amazônia

Cortadores de cana do interior de São Paulo adotaram a droga como “energético”.

No Vale do Jequitinhonha e no norte de Minas Gerais, ela avança em ritmo de epidemia. Em Brasilândia de Minas, por exemplo, com 14 000 habitantes, a prefeitura já mapeou oito minicracolândias.

Em Teresina, a capital do Piauí, 8 000 viciados perambulam pelas ruas.

Numa aldeia indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul, 10% das 2 000 famílias têm ao menos um viciado em casa.

A disseminação do crack não poupou nem a remota Amazônia, onde 86% dos municípios registram o consumo da droga.

Tamanha capacidade de penetração deve-se ao baixo preço do crack (5 reais a pedra) e à forma com que ele atua no organismo. Fumada, a pedra desprende um vapor com alta concentração de cloridrato de cocaína, o princípio ativo da droga. Essa substância libera no cérebro a dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer.

Com o crack, a descarga de dopamina no cérebro é duas vezes mais potente do que a causada pela cocaína aspirada. “Ele provoca tamanho caos na química cerebral que, depois de algumas semanas, o usuário está viciado. Ele busca a sensação que experimentou na primeira vez em que utilizou a droga e que nunca mais se repete”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Quase todos os dependentes acabam desenvolvendo transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, e têm os sistemas respiratório e cardiovascular comprometidos. Em cinco anos, um terço deles morre. (Veja infográfico do crack no Brasil em tamanho ampliado.)

cracolandia-infogafico

As cracolândias do Brasil

A praga surgiu nas Bahamas, nos anos 80, e logo se espalhou

O crack surgiu na década de 80, nas Bahamas, um dos principais entrepostos do tráfico de cocaína na rota rumo à América do Norte. Logo se espalhou pela periferia de cidades como Los Angeles, San Diego e Houston.

Ao contrário do Brasil, onde os viciados sempre acendem seu cachimbo diante de policiais passivos, nos Estados Unidos as ruas nunca foram território livre para o consumo de drogas. Assim, para fumar, os usuários abrigavam-se em casas abandonadas.

Transformadas em antros do vício, elas ficaram conhecidas como crack houses. Em 1988, 2,5 milhões de americanos já tinham consumido crack – e algumas das inevitáveis consequências disso apareciam na forma de estatísticas criminais. Um levantamento mostrou que, na cidade de Nova York, um terço dos homicídios cometidos naquele ano tinha relação com a droga.

Os Estados Unidos conseguiram debelar a epidemia de duas formas.

A primeira consistiu em desmontar o esquema dos traficantes por meio do desmantelamento das crack houses. Agentes da polícia se infiltravam nesses locais, colhiam imagens de traficantes para ser usadas como provas nos inquéritos e terminavam invadindo os imóveis, que, em seguida, eram desapropriados pelo poder público.

crackhouse-color2

Batida policial em crack house em Flint, Michigan, nos Estados Unidos: traficantes são presos e usuários internados

Os EUA conseguiram reduzir drasticamente o consumo

A segunda estratégia, surgida em 1989 na Flórida e copiada por todos os Estados americanos, foi a criação das drug courts, tribunais especializados em delitos relacionados ao uso de drogas.

Por esse sistema, viciados flagrados com pequena quantidade de entorpecentes (até 28 gramas, no caso de crack ou cocaína) e que não tenham cometido crimes graves, como homicídio, podem escolher entre ser julgados da forma convencional ou ingressar num programa de tratamento oferecido pelo governo.

Quem completa um ano de abstinência (de álcool, inclusive) tem a ficha criminal cancelada.

Hoje, nove em cada dez americanos que optam pelo tratamento não cometem novos crimes ao longo do ano seguinte e 70% abandonam a criminalidade de vez. “O programa não só ajudou a recuperar os viciados como significou um duro golpe para os traficantes, que viram a demanda por sua mercadoria diminuir”, diz David Kahn, ex-promotor de Justiça da Flórida.

O tratamento médico inclui desde diversos tipos de terapia, como a cognitivo-comportamental e a de grupo, até internação.

Os Estados Unidos não varreram o crack do seu território, mas conseguiram diminuir drasticamente o seu consumo. No ano passado, 83 000 americanos passaram a usar a droga. Em 2002, tinham sido 337 000. No Brasil, a luta mal começou.

(Reportagem de Giuliana Bergamo e Kalleo Coura publicada na edição impressa de VEJA)

24/02/2012

às 17:56 \ Política & Cia

Enquete: você é a favor ou contra a internação – mesmo contra a vontade – de usuários de crack, inclusive adultos?

Jovem de 16 anos acende cachimbo de crack, na rua dos Gusmões, região da nova cracolândia, no centro de São Paulo (Apu Gomes/Folhapress)

Jovem de 16 anos acende cachimbo de crack, na rua dos Gusmões, região da nova Cracolândia, no centro de São Paulo (Apu Gomes/Folhapress)

A Operação Centro Legal, na região da Nova Luz, que levou policiais civis e militares, agentes de saúde e assistentes sociais do governo de São Paulo para a Cracolândia, no início deste ano, trouxe à baila uma realidade horrenda, que é a de bandos de dependentes químicos, usuários de drogas – principalmente o crack –, sujos, maltrapilhos e descarnados, estampando sua miséria nos noticiários.

E com isso, políticas públicas de recuperação de usuários de drogas têm sido debatidas nas várias esferas da sociedade, levantando uma grande questão: a internação compulsória, contra a vontade do usuário de crack, deve ser implantada?

A internação para desintoxicação e recuperação, que deve sempre ser autorizada por médico, requer a vontade expressa do usuário ou ordem judicial (confira o texto da lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001). No Rio de Janeiro a internação compulsória é aplicada em menores de 18 anos, com a justificativa de que crianças e adolescentes não têm condições de escolher, por sua vontade, o que é melhor para si. Mas em São Paulo, isso não ocorre.

Daí que nesses quase dois meses de ação do governo na Cracolândia, de 18.646 abordagens policiais ou de saúde realizadas, apenas 137 pessoas foram encaminhadas para internação. Os outros foram orientados, encaminhados para atendimento de saúde e a maioria ainda está perambulando pela cidade, em busca de droga e refúgio.

Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 90% dos brasileiros são a favor de internar dependentes adultos de crack à revelia.

E você, amigo do blog, é a favor ou contra a internação compulsória de usuários de crack, inclusive adultos?

Responda à enquete, comente, dê sua opinião.

09/02/2012

às 15:10 \ Política & Cia

Petistas criticaram duramente a “Operação Cracolândia” do governo de SP — e agora, por ironia, o Insituto Lula vai se instalar ali e se beneficiar da ação da polícia. Que 82% da população aprovou

Lula na sede de seu Instituto com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Não há dúvidas, amigos, de que chega perto de ser um golpe baixo do Instituto Lula a iniciativa de lançar um “Memorial da Democracia”, quando é público e notório que a Fundação Mario Covas, destinada a preservar a memória e os feitos do falecido deputado, prefeito, senador e governador de São Paulo (1995-2001), há anos tem projeto, amplamente divulgado, de um Museu da Democracia.

“Foi uma coisa baixa, rasteira”, disse a Monica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo, o presidente da Fundação Mario Covas, jornalista Osvaldo Martins.

Tudo bem que se cultue a democracia, mesmo quando os lulo-petistas hajam passado longos anos qualificando o pior regime que existe, excetuado todos os demais – na histórica tirada de Winston Churchill –, depreciativamente, como “burguesa”, enquanto flertavam como as “democracias populares” que levaram por longas décadas a desgraça à Europa Oriental e outras partes do mundo.

A questão que se coloca, além da apropriação da ideia gerada pela Fundação Mario Covas, é que o museu se destina a incensar Lula como o Grande Democrata. Um “Memorial da Democracia” para guardar o acervo de Lula como político e presidente.

A ironia da história é o fato de o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), haver doado ao Instituto Lula, para o tal Memorial, dois terrenos na tenebrosa Cracolândia – o mesmo  superdeteriorado entorno da bela Estação da Luz, objeto de recente ação policial para tornar minimamente decente a vida dos moradores dessa parte da região central, cercados e infernizados por traficantes e viciados.

Viciados deixam o centro da Cracolândia diante da presença da Polícia Militar de São Paulo (Foto: VEJA)

Os petistas, desde gente do Palácio do Planalto, criticaram a medida, que, no entanto, conforme levantamentos de opinião pública, tiveram o apoio de 82% da população.

Se a ação da Polícia Militar e de outros organismos do governo tucano de São Paulo conseguirem, por milagre, reerguer e recuperar a Cracolândia, como promete o governador Geraldo Alckmin, o Instituto Lula será um dos grandes beneficiários.

 

31/01/2012

às 18:53 \ Política & Cia

Post do leitor: “Em Pinheirinho, agiram os gigolôs da verdade encomendada”

Integrante da Polícia Militar de SP lança granada de gás contra manifestantes em Pinheirinho, no município de São José dos Campos (Foto: veja.com.br)

Amigos, um colaborador frequente — e indignado — do blog, o leitor Mauro Pereira da Silva, representante comercial em Itapeva (SP), há muito tempo não escrevia um Post do Leitor. Já era hora. Vamos lá:

Embora previsíveis, a reação do governo federal e a cobertura da imprensa, principalmente a televisiva, à ação da Polícia Militar paulista no cumprimento da reintegração de posse — determinada pela Justiça — no Bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, foram no mínimo deploráveis.

Numa ponta, canalhas travestidos de políticos esgueiravam-se como hienas pelos arredores daquele cenário de guerra sangrenta que se prenunciava à espera das sobras para saciar seu voraz apetite eleitoral. Noutra, escroques da notícia fantasiados de jornalistas procuravam transformar em ação do governo de São Paulo o que foi, na verdade, uma determinação da Justiça paulista.

O governo federal e a mídia “companheira”

No meio, cerca de cinco mil pessoas a serem manobradas, vítimas de uma política habitacional fracassada cantada em verso e prosa nas propagandas oficiais mas muito distante de ao menos amenizar o escandaloso déficit habitacional que mantém milhões de brasileiros sobrevivendo em condições precárias debaixo, às vezes literalmente, de casebres, barracos e choupanas, tornando cada vez mais inatingível o sonho da casa própria.

Arrogantes, tanto o governo federal como a “mídia companheira” adotaram a mesma postura cínica das desocupações da Reitoria da USP e da Cracolândia, convictos que desta vez a sorte lhes sorriria e, acuada por aquele torvelinho de emoções, a PM não suportaria a pressão e transgridiria os limites da violência. O cenário era perfeito e o cheiro de sangue pairava no ar.

Manifestação de moradores de Pinheirinho antes da intervenção da PM (Foto: veja.abril.com.br)

Queriam um cadáver

Mais de sete mil pessoas se defrontrando numa guerra fraticida em que somente eles tinham a ganhar. Tudo conspirava para que finalmente conseguissem o mártir que a competência da PM paulista lhes havia negado nas outras duas oportunidades. O PT teria um fato político a ser explorado. Os socialistas de ocasião, um cadáver a ser comemorado em praça pública.Surpreendidos pelo desenlace diferente do esperado, não hesitaram em colocar em prática o plano B que consistia em desqualificar a capacidade gestora do governador Geraldo Alckmin e demonizar o trabalho da Polícia Militar.

Porém, mais uma vez esqueceram de combinar previamente com os policiais militares e a desocupação, considerando-se a estreita proximidade com o trágico que a assombrou o tempo todo, foi consumada sem que a ação se transformasse em um banho de sangue.

A primeira providência foi dar voz a funcionários de alta patente: “Nosso governo agiria de outra forma”, declarou o ministro Gilberto Carvalho, não esclarecendo se o seu governo desrespeitaria uma ordem do TJ do Estado de São Paulo ou se faria o que faz de melhor. Criaria falsas esperanças mentindo para os moradores do Bairro Pinheirinho como mentiu e criou falsas esperanças para os flagelados das enchentes do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.

Em seguida, colocou a poderosa máquina da contrainformação a serviço da causa divulgando que o Instituto Médico-Legal de São José dos Campos estava abarrotado de cadáveres chacinados pela polícia do governador. Era a EBC ecoando o brado retumbante de um governo obrado e redundante, especialista em manipular a vida de gente, mas completamente despreparado para tornar menos sofrida a vida da gente.

Depois de nove anos testemunhando o flagelo ético imposto pelo lulalato à política brasileira, pensei que já tinha visto tudo de pior que um partido político pode oferecer — afinal, foram tantos os escândalos protagonizados pelos petistas, destacando-se entre eles os do mensalão, dos vampiros, do dólar na cueca, dos aloprados, da erenice, do caseiro, que cheguei até mesmo a imaginar ter se esgotado a capacidade de patifarias dos asseclas de Lula.

Parcialidade vergonhosa

Ledo engano. Eles sempre se renovam e ressurgem, cada vez mais cafajestes.

Por sua vez, a atuação da imprensa, mais notadamente os telejornais, que se sobressaem tanto pela agilidade da notícia quanto pela abrangência nacional, foi de uma parcialidade vergonhosa. Talvez desconcertados com a tragédia que não aconteceu, a partir de um determinado momento seus repórteres perderam qualquer pudor profissional e transformaram a cobertura, que deveria ser jornalística e, por causa disso, isenta, na mais degradante caça às bruxas. A voz embargada pela comoção malandra servia de contraponto às entrevistas dramáticas e direcionadas.

Respeitando as exceções que mínguam a olhos vistos, tivemos a oportunidade de ver rastejar pelo solo minado do Bairro Pinheirinho a nova face do jornalismo brasileiro representado por uma imprensa prostrada, que fez da submissão o sinônimo de sua liberdade e da afinidade com os cofres públicos o símbolo de sua independência.

É profundamente lamentável ver certas Redações, veneradas num passado ainda recente, serem rebaixadas à condição de guetos ideológicos e antro privilegiado da prostituição profissional.

Nesse ambiente putrefato, fartam-se os gigolôs da verdade encomendada.

12/11/2011

às 22:05 \ Disseram

Andrea Matarazzo: “O ministro Haddad não sabe o que se passou na USP nem na cracolândia.”

“O ministro Haddad não sabe o que se passou na USP nem na cracolândia. Na USP, trata-se de baderneiros mimados e na cracolândia é um problema de saúde pública.”

Andrea Matarazzo, secretário de Estado da Cultura de São Paulo.

08/11/2011

às 13:53 \ Política & Cia

Crack está presente em mais de 90% do país e já supera o álcool em cidades pequenas; verba de saúde para essa tragédia é irrisória

cracolândia-crack

A mais famosa "Cracolândia", no centro de São Paulo: metrópoles não são território exclusivo do crack há muito tempo (Foto: Nelson Antoine - Fotoarena)

Amigos do blog, quantas vezes vocês têm visto as mais altas autoridades da República abordar o problema, gravíssimo, como vocês verão abaixo, da disseminação do consumo do crack por todo o país?

Quais importantes discursos ou projetos no Congresso Nacional têm vindo à tona sobre a questão?

O que se prometeu (nada) na última campanha eleitoral para enfrentar esse mal terrível?

Enquanto vamos de queda de ministro em queda de ministro, enquanto a oposição se comporta como barata tonta, enquanto os diversos setores da sociedade não elegem o problema como prioridade a ser enfrentada e enquanto o uso do crack continua, burramente, a ser visto sobretudo como uma questão de polícia, e não de marginalização e de saúde, essa tragédia brasileira vai de mal a pior.

Leia no site de VEJA.

E também confira abaixo.

Da Agência Brasil

Pesquisa mostra que consumo de crack começa a substituir o de bebidas alcoólicas

Daniella Jinkings – Repórter da Agência Brasil

Brasília – A facilidade de acesso e o baixo custo do crack estão fazendo com que a droga se alastre pelo país. Uma pesquisa divulgada hoje (7) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que o crack está substituindo o álcool nos municípios de pequeno porte e áreas rurais. Nos grandes centros, uma pedra de crack custa menos de R$ 5.

Quase todo o país afetado

Dentre os 4,4 mil municípios pesquisados, 89,4% indicaram que enfrentam problemas com a circulação de drogas em seu território e 93,9% com o consumo. O uso de crack é algo comum em 90,7% dos municípios. “Verificamos que o uso de crack se alastrou por todas as camadas da sociedade, a droga que, em princípio, era consumida por pessoas de baixa renda, disseminou-se por todas as classes sociais”, aponta a pesquisa.

Investimento irrisório para um problema de saúde pública

Cracolândia-batida-policial

Batida policial na Cracolândia do centro de São Paulo: só tratar o problema como de segurança pública não resolve (Foto: Valéria Gonçalves - AE)

O custo efetivo das ações de combate ao crack e outras drogas nos municípios chega a mais de R$ 2,5 milhões. De acordo com o CNM, faltam profissionais capacitados e verbas destinadas para a manutenção das equipes e dos centros de atenção que deveriam estar disponíveis aos usuários.

O relatório mostra que 63,7% dos municípios enfrentam problemas na área da saúde devido à circulação da droga. A fragilidade da rede de atenção básica aos usuários, a falta de leitos para a internação, o espaço físico inadequado, a carência na disponibilidade de remédios e a ausência de profissionais especializados na área da dependência química são os principais entraves apontados pelos gestores municipais.

A questão da segurança pública

Em relação à segurança pública, os principais problemas estão relacionados ao aumento de furtos, roubos, violência, assassinatos e vandalismo. Existem ainda apontamentos em relação à falta de policiamento nas áreas que apresentam maior vulnerabilidade.

Outra questão revelada pela pesquisa é a fragilidade da rede de Proteção Social Especial e do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) que tem como objetivo trabalhar as demandas dos usuários de drogas. Estes serviços são deficitários em 44,6% dos municípios.

Controle fronteiriço deficitário

De acordo com a pesquisa, um dos grandes problemas é a falta de controle das fronteiras do país. “O efetivo policial é pequeno, mal remunerado e pouco treinado para enfrentar a dinâmica do tráfico de drogas.”

Outro fator relevante, segundo o CNM, é o papel que as indústrias produtoras de insumos utilizados para o preparo do crack desempenham. “A grande questão é a fiscalização da venda desses produtos, que atualmente é feita de maneira insuficiente.”

A primeira pesquisa da CNM, divulgada em dezembro do ano passado, mostrou que 98% dos municípios pesquisados confirmaram a presença do crack em sua região. Em abril, a confederação lançou o portal Observatório do Crack para acompanhar a situação dos municípios, com informações sobre o consumo, os investimentos e os resultados das ações de combate à droga.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados