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Congresso

11/12/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Congresso faz devolução simbólica do mandato presidencial a Jango nesta quarta

João Goulart, presidente ainda sob o regime parlamentarista que se encerraria em 1963, com o então primeiro-ministro Tancredo Neves (Foto: frame do documentário "Jango em 3 Atos", produzido pela TV Senado)

João Goulart, presidente ainda sob o regime parlamentarista que se encerraria em 1963, com o então primeiro-ministro Tancredo Neves. O general que bate continência não foi identificado (Foto: frame do documentário “Jango em 3 Atos”, produzido pela TV Senado)

Da Agência Senado

A presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, além de ministros de Estado e dos tribunais superiores estão entre os convidados para a sessão solene do Congresso Nacional em que o mandato presidencial de João Goulart será simbolicamente devolvido.

A sessão está marcada para esta quarta-feira (11), às 12h30. Também deve participar da homenagem o filho de João Goulart, João Vicente Goulart.

João Goulart vai receber de volta o mandato de presidente da República, porque senadores e deputados aprovaram, no fim de novembro, um projeto (PRN 4/2013) que tornou nula a sessão de 2 de abril de 1964, quando o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, presidindo a Mesa Congresso Nacional, declarou vaga a Presidência da República.

O senador informou que João Goulart havia deixado o país sem permissão do Congresso.

[Observação do blog: a Agência Senado comete, aqui, um monumental erro de informação. O senador Moura Andrade NÃO disse que Goulart "havia deixado o país sem permissão do Congresso". Os leitores do blog que não tiverem lido post em que mostro o áudio da seção do Congresso de 2 de abril de 1964 poderão verificar o que o então presidente do Senado e do Congresso realmente declarou neste link./

Ao apresentar o projeto que tornou nula a sessão de 2 de abril de 1964, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Simon (PMDB-RS) argumentaram que Jango não estava no exterior naquela data, mas em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, onde foi se encontrar com forças contrárias ao golpe militar.

Os dois senadores afirmaram também que ao devolver o mandato de presidente da República a João Goulart, o Congresso Nacional corrige, “ainda que tardiamente, uma vergonha histórica para o Poder Legislativo brasileiro”.

Com a deposição de João Goulart, a Presidência da República passou a ser ocupada, provisoriamente, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. No dia 11 de abril, o Congresso Nacional ratificou a indicação do chefe do Estado-Maior do Exército, Humberto de Alencar Castello Branco, como novo presidente do Brasil.

Um dia antes, a junta militar responsável pelo golpe divulgou o Ato do Comando Revolucionário, que trazia uma lista de pessoas acusadas de serem comunistas e que por isso teriam os direitos políticos suspensos.

Na relação estavam João Goulart, o ex-presidente Jânio Quadros, os ex-governadores de Pernambuco, Miguel Arraes e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976, na cidade de Corrientes, na Argentina.

Oficialmente, a causa da morte foi um ataque cardíaco, mas há uma investigação em curso para apurar se o ex-presidente da República foi assassinado.

Para que se procedesse essa apuração, os restos mortais do ex-presidente João Goulart foram exumados em São Borja no dia 13 de novembro e enviados a Brasília no dia seguinte para exames no Instituto Nacional de Criminalística (INC).

Na Base Aérea de Brasília, o corpo foi recebido com honras de chefe de Estado, em cerimônia que contou com a participação de Dilma Rousseff; dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor de Melo e José Sarney; do presidente do Senado, Renan Calheiros, e de vários outros senadores, além de deputados e ministros.

A urna foi recebida com uma salva de tiros e a execução do Hino Nacional. De lá, foi conduzida, numa van sob escolta, ao INC.

Na tarde do dia 6 de dezembro, os restos mortais do ex-presidente foram finalmente devolvidos ao jazigo da família em São Borja, em cerimônia que contou com a presença de familiares de Jango, da população e da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

25/06/2013

às 19:00 \ Política & Cia

PROTESTOS: Ministro Gilmar Mendes bate duro e diz que o país foi dormir como a Alemanha e acordou como a Venezuela

Gilmar Mendes: "Não é razoável ficar flertando com uma doutrina constitucional bolivariana. Nós temos outras inspirações" (Foto: STF)

Por Laryssa Borges, do site de VEJA em Brasília

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente nesta terça-feira o anúncio – seguido agora de um recuo – da presidente Dilma Rousseff que propôs ao Congresso fazer um plebiscito para discutir a possibilidade de convocação de uma assembleia constituinte exclusiva para votar a reforma política.

Do ponto de vista da estabilidade das instituições brasileiras, avaliou o magistrado, o Brasil é respeitado internacionalmente, mas quando propõe medidas extremas como as anunciadas ontem no Palácio do Planalto, o país se afasta de nações respeitadas como a Alemanha e se aproxima dos regimes da Venezuela ou da Bolívia, segundo o ministro.

“O Brasil dormiu como se fosse Alemanha, Itália, Espanha, Portugal em termos de estabilidade institucional e amanheceu parecido com a Bolívia ou a Venezuela. Isso não é razoável. Não é razoável ficar flertando com uma doutrina constitucional bolivariana. Nós temos outras inspirações.”

Desde que a presidente Dilma Rousseff anunciou, na tarde dessa segunda-feira, a possibilidade de se realizar um plebiscito, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entraram em campo e dispararam telefonemas para os principais deputados e senadores para convencê-los de que a iniciativa era completamente inconstitucional.

Pelo menos quatro magistrados procuraram líderes do governo e da oposição para alertar sobre os riscos da proposta da presidente Dilma.

Falar espanhol

Ao comentar a iniciativa do Palácio do Planalto, o ministro Gilmar Mendes informou que, juridicamente, não é possível convocar uma constituinte para funcionar paralelamente à Constituição de 1988. Ao comparar a proposta do governo com regimes semiditatoriais como o da Venezuela, Mendes ironizou:

– Felizmente não pediram que na assembleia constituinte se falasse espanhol.

Na avaliação do magistrado, boa parte das propostas de reforma política pode ser feita por leis ordinárias, sem a necessidade de se adotar estratagemas contentáveis para emplacar, por via pouco democrática, propostas de interesse do governo federal.

“Por exemplo, a questão das coligações para eleições proporcionais. Por que há tantos partidos no Congresso? Porque hoje tem-se esse modelo das coligações. Já há algum tempo se discute a supressão das coligações”, relembrou.

Em outros temas, como na adoção do voto distrital, diz o ministro, bastaria apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) e aprovar o texto regularmente no Congresso. Mendes relembrou que temas espinhosos, como a reforma da Previdência, foram votados pelos parlamentares “sem a necessidade de se chamar um novo processo constituinte”.

Para o ministro, a adoção de estratégias contentáveis como a da presidente Dilma Rousseff é resultado da falta de diálogo entre o Executivo e os parlamentares. “No Congresso, está havendo um estranhamento devido à ausência do governo federal na articulação desses temas, o que tem feito com que as questões não se resolvam”, disse.

24/06/2013

às 21:59 \ Política & Cia

VÍDEOS — FHC conversa com Ricardo Setti e Augusto Nunes (partes 2 e 3, final): “O Congresso passou a ser apenas um homologador do Poder Executivo”

O Congresso deixou de cumprir as suas atribuições e se submeteu ao Poder Executivo, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na segunda das três partes da entrevista concedida aos jornalistas Augusto Nunes e Ricardo Setti, do site de VEJA.

Para o ex-presidente, os governos de Lula e Dilma Rousseff deveriam ter mais cuidado com os gastos públicos. Ele afirma que a corrupção atingiu níveis alarmantes. Para a campanha presidencial de 2014, FHC recomenda ao senador Aécio Neves, presidenciável do PSDB, falar com sinceridade, ouvir mais e ter um discurso anti-triunfalista.

Na terceira e última parte, o ex-presidente comenta, entre outros temas, a política externa de isolamento do Brasil e a importância do voto distrital. “No sistema político atual o eleitor não é o cidadão, mas [quem ajuda a eleger os parlamentares são] a igreja, a empresa, a prefeitura”, observa. “Como está muito distante do político, a população precisa desse intermediário. Quando o parlamentar chega ao poder ele atende quem o elegeu [e não a população]“.

Parte 2

 

Parte 3

 

LEIAM TAMBÉM:

VÍDEO: FHC conversa com Ricardo Setti e Augusto Nunes sobre a revolta da rua. PARTE 1: “O discurso oficial não condiz com a vida cotidiana”

07/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

A cerveja nos estádios está liberada na Copa das Confederações e na Copa de 2014 — e já pensa em suspender a proibição de vez

Projeto para liberação definitiva de bebida alcoólica em estádios poderá ser enviado ao Congresso (Foto: Getty Images)

Projeto para liberação definitiva de bebida alcoólica em estádios poderá ser enviado ao Congresso (Foto: Getty Images)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

A CERVEJA E A BOLA

Proibida há cinco anos, a venda de bebidas alcoólicas nos estádios foi liberada temporariamente durante a Copa das Confederações, em junho próximo, e a Copa do Mundo de 2014.

Um grupo de governadores, encabeçado pelo mineiro Antonio Anastasia (PSDB), tentará, entre os dois eventos, tornar a liberação definitiva para que a cerveja possa ser vendida também nos campeonatos nacionais.

Para isso, eles farão levantamentos dos índices de violência nos jogos com e sem bebida.

Se a diferença não for significativa, enviarão um projeto sobre o tema ao Congresso.

08/04/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Maílson da Nóbrega: Desperta, Congresso

De dentro do Congresso, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães tiveram papel fundamental para a democracia (Foto: Luiz Antonio / Ag. O Globo)

De dentro do Congresso, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães tiveram papel fundamental para a democracia (Foto: Luiz Antonio / Agência O Globo)

Artigo publicação em edição impressa de VEJA

DESPERTA, CONGRESSO

O Congresso teve participação decisiva nos acontecimentos que possibilitaram o fim do regime militar. Líderes como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Mario Covas foram figuras-chave na restauração da democracia. Ações de mesmo relevo não ocorreram, porém, no âmbito das finanças públicas. E ainda agora o Congresso continua renunciando às suas prerrogativas em tributação, despesa pública e endividamento federal.

O moderno Parlamento nasceu de decisões sobre finanças públicas. No livro sobre a emergência dos Estados europeus (Birth of the Leviathan), Thomas Ertman, da Universidade Harvard, mostra como as assembleias contribuíram para limitar e depois abolir o absolutismo. Tudo começou entre os séculos XII e XIII com uma mudança fundamental: o declínio das formas de serviço militar gratuito. Tropas assalariadas se tornaram a base da organização para a guerra.

A conquista e a ocupação de territórios eram consideradas, então (e ainda o seriam até a derrota de Hitler, em 1945), essenciais para a prosperidade. Para mobilizarem exércitos cada vez mais numerosos, incluindo a contratação de mercenários, e assim financiarem seus projetos de expansão e defesa, os reis precisavam de recursos. Uma saída rápida era permitir a indivíduos arrecadar tributos em troca do recolhimento antecipado. Outra era vender cargos na administração pública.

Com o tempo, ficou difícil cobrar tributos sem o apoio da nobreza, do clero e dos comerciantes. Assembleias representativas foram criadas para legitimar a atividade de arrecadar. Entre idas e vindas, elas assumiram o controle do poder dos reis, que delas dependiam para custear as guerras. O custo do conflito com a França levou os barões feudais ingleses a impor ao rei João sem Terra a Carta Magna (1215), que atribuiu a uma assembleia (o futuro Parlamento) o poder definitivo de tributar (salvo irrelevantes exceções). Nascia a série de avanços institucionais que legariam à Inglaterra a Revolução Industrial e a democracia.

Esse processo levou à assunção dos parlamentos ao poder supremo. Os reis se tornaram figuras simbólicas ou desapareceram. Dois destaques foram a Revolução Gloriosa inglesa (1688) e a Revolução Francesa (1789). O Parlamento inglês e a Assembleia Nacional francesa adquiriram o poder exclusivo de tributar, autorizar a despesa pública e aprovar o endividamento do governo. Estudos mostram que a democracia surgiu mais rapidamente nos países que faziam guerras frequentes.

Os países ibéricos foram retardatários nesses movimentos, que lá aconteceriam apenas nos séculos XIX e XX. Com parlamentos fracos, a democracia tardou. O Congresso brasileiro é herdeiro dessa tradição. Aqui, o agente reformador foi o Executivo. O Legislativo teve participação secundária ou nula na modernização das finanças públicas, principalmente nas ações que desaguaram na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) 2000.

Novos avanços e a preservação das conquistas dependem, por isso, do compromisso do governo com sadios princípios fiscais. Nos últimos dois anos, o que se tem visto é o desmonte das instituições fiscais, sob a complacência do Congresso.

O Executivo expande a seu bel-prazer a dívida federal para suprir de recursos bancos federais. Usa contabilidade criativa para fazer crer que cumpriu metas fiscais. Anuncia, sem consulta ao Congresso, que transferirá recursos do Tesouro para empresas de energia elétrica e ferrovias. Está em curso a criação de um novo banco, disfarçado de fundo, pelo qual o Tesouro aportará recursos à vontade a bancos privados para que financiem a infraestrutura. É alarmante.

O Congresso precisa, pois, assumir suas relevantes prerrogativas. Cumpre-lhe liderar, pela primeira vez, um processo de construção institucional para coibir práticas do Executivo que geram desperdícios e má alocação dos recursos da sociedade.

A Câmara e o Senado dispõem de pessoal altamente qualificado para auxiliar na tarefa. O Congresso poderia começar questionando subsídios concedidos sem prévia autorização legislativa. Outra ideia é debruçar-se sobre o já existente projeto de nova lei orçamentária, que teria importância semelhante à da LRF. Os ganhos seriam enormes. Isso vai acontecer?

01/04/2013

às 16:38 \ Política & Cia

Pior ainda do que o caso do pastor — uma ameça ao Estado laico

As armas da República: Estado laico há mais de 123 anos

Amigas e amigos do blog, é importantíssimo o tema de que trata o “Estadão” no editorial abaixo — que remete o jornal fundado em 1875 a suas melhores e mais gloriosas tradições republicanas.

Editorial da edição de domingo do jornal O Estado de S. Paulo

Com o noticiário do Congresso concentrado no escândalo Feliciano – a entrega da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara ao deputado evangélico Marco Feliciano, do Partido Social Cristão (PSC), que deu motivos para ser considerado racista e homofóbico, e que insiste em permanecer no cargo, apesar dos incessantes protestos de que é alvo – a imprensa deu escasso destaque a uma aberração ainda maior.

Na mesma quarta-feira em que o mau pastor mandou prender um manifestante, retirar os demais do plenário da comissão para, enfim, justificar a truculência com a alegação de que “democracia é isso”, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou uma proposta que agride um dos princípios basilares da República brasileira: o caráter laico do Estado.

De autoria do tucano João Campos, de Goiás, membro da suprapartidária bancada evangélica, o projeto estende às organizações religiosas a prerrogativa de contestar a constitucionalidade das leis no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela Constituição, podem propor ações dessa natureza o presidente da República, as Mesas do Senado, Câmara e Assembleias Legislativas, governadores, o procurador-geral da República, a OAB, partidos com representação no Congresso, confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional.

O leque de agentes públicos e privados aptos a entrar no STF com as chamadas Ações Diretas de Constitucionalidade (Adin) é, portanto, suficientemente amplo para representar legitimamente as múltiplas correntes da população insatisfeitas com essa ou aquela norma legal – preservada a separação entre Estado e igreja. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/03/2013

às 15:39 \ Política & Cia

E não é que de vez em quando vem notícia boa do Congresso? Veja só: o presidente da Câmara, de quem não se esperava nada, pressiona para que o sujeito horroroso que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos renuncie

Feliciano: currículo negro para um cargo sensível (Foto: globo.com)

Amigas e amigos do blog, como costumo dizer, aqui e ali, de vez em quando vem notícia boa do Congresso.

E essa pode ser muito boa: o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), está pressionando fortemente para que renuncie o deputado-pastor de currículo tenebroso — no qual se incluem ofensas aos povos da África e posturas similares, que ele vem tentando canhestramente explicar – escolhido para a presidência de uma das comissões mais sensíveis do Congresso, a de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

A escolha foi propiciada por uma manobra de que o PT é responsável, porque teve como objetivo propiciar ao partido o controle de outras comissões com mais poder sobre verbas públicas.

O presidente da Câmara dos Deputados é um velho integrante do “baixo clero” interesseiro da Casa, cuja ascenção ao cargo provocou enorme decepção e uma torrente de críticas.

Parace, porém, que o deputado Henrique Alves, que já adotou algumas medidas de austeridade na Câmara antes de pressionar o pastor-deputado Marco Feliciano (PSC-SP), está querendo melhorar seu prontuário político.

Se continuar nessa linha, não é bom apenas para sua carreira: é bom para o Legislativo e bom para o país.

Claro que ainda falta muito para que a Câmara dos Deputados recupere sua credibilidade — a começar pela renúncia do deputado-pastor, que resiste e não quer sair –, mas passos assim são saudáveis e devem ser aplaudidos.

Mais informações sobre este assunto e outros temas quentes no Radar On-Line.

20/02/2013

às 16:00 \ Política & Cia

“The Economist” chama Renan Calheiros de zumbi. Será? Vocês o chamariam como?

Renan: um "morto-vivo" que, na verdade, é vivíssimo (Foto: Agência Senado)

Os jornalistas da inteligentíssima e bem informada revista semanal britânica The Economist conhecem muito bem a America Latina e, naturalmente, o Brasil.

Assim, estranhei o fato de um de seus textos da edição deste último sábado, 16, ter classificado como “zumbi” o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

“Zumbi”, segundo o Dicionário Houaiss,  é um…

“Substantivo masculino ( 1680) B

1 alma que vagueia a horas mortas; cazumbi

2 p.ext. fantasma de animal morto

3 p.metf. indivíduo que só está ativo ou só sai à noite”

O vulgo também costuma chamar de zumbi, por causa do cinema, a figura dos mortos-vivos.

Como, assim, cara-pálida? Renan, “MORTO-vivo”? “Alma que vagueia” onde?

Pois Renan, pelo contrário, está vivo, vivíssimo! (Leia post a respeito).

É presidente do Senado — e ali está tudo dominado — e do Congresso, o Poder Legislativo brasileiro.

Vai dar um jeito de reeleger em 2014, embora a Constituição proíba — mas uma interpretação malandra do texto constitucional passou a considerar que, quando muda a legislatura, com a eleição de novos deputados e senadores, fica tudo zerado e a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado não podem ser consideradas reeleições, mesmo que recaia sobre os ocupantes já sentados na respectiva cadeira.

Vai poder disputar quedas de braço com o Planalto em questões que interessam à presidente Dilma, e dar um jeito de, com isso, obter vantagens.

Vai fazer e acontecer dentro do próprio Senado, como ocorreu anteriormente, recheando cargos técnicos com cupinchas sem capacitação.

Vai lançar mão da TV Senado para se promover, como já lançou quando ocupou a presidência anteriormente, em 2007, período no qual os profissionais da emissora precisavam até viajar Brasil afora para registrar todos os passos de Sua Excelência.

Vai implantar o regime de “se está comigo, tudo, se está contra mim, nada”, como já ocorreu com a demissão de duas estagiárias que o criticaram em redes sociais.

Morto-vivo, hein? Tá bom…

 

18/02/2013

às 14:46 \ Política & Cia

Noblat: “Renan não tem o direito de ser cínico” diante de mais de 1,5 milhão de pessoas que já querem seu impeachment

"O controle que Renan exerce sobre o Senado é acachapante", escreve Noblat. Na foto, no dia 1º passado, o senador é festejado após sua eleição para presidir a Casa pelos senadores Eduardo Braga (PMDB-AM), Jader Barbalho (PMDB-PA), Gim Argello (PTB-DF) e Clésio Andrade (PMDB-MG) (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Cínico

Por Ricardo Noblat

Há limite para tudo – até mesmo para os direitos fundamentais das pessoas.

Por exemplo: você é livre para dizer o que quiser. Mas você não pode sair por aí dizendo o que quiser. A lei considera crime dizer determinadas coisas.

Ela também deveria punir quem abusa do cinismo – e por abusar, ofende a sociedade.

Foi o caso recente de Renan Calheiros (PMDB-AL), eleito presidente do Senado no início do mês. Abusou de ser cínico.

Um manifesto que pede o impeachment de Renan é o sucesso do momento nas paradas das redes sociais. Atraiu até agora mais de um milhão e meio de assinaturas. No dia em que for encaminhado ao Senado, seu destino será a lata do lixo.

Milhares de assinaturas obrigam o Congresso a examinar propostas de leis ordinárias, mas o afastamento de um dos seus dirigentes… Esqueça. Não me pergunte por que é assim. Simplesmente é.

O Congresso, que em 2007 absolveu Renan contra todas as evidências de que prevaricara, jamais o condenará. A cara do Congresso é igual ao focinho de Renan.

Expressiva fatia dos votos que elegeu Renan presidente do Senado pela segunda vez tem a ver com a tranquilidade que ele inspira aos seus pares. Quem esteve com a cabeça a prêmio tudo fará para que seus camaradas sejam poupados de experiência tão angustiante.

Renan governará o Senado por dois anos. E talvez por mais dois. Enquanto ali estiver, respirem em paz os senadores que temem ser alvo de uma ação moralizadora de origem interna ou externa.

O controle que Renan exerce sobre o Senado é acachapante.

O corregedor do Senado, encarregado de zelar pelo bom comportamento dos senadores, será uma figura da inteira confiança de Renan.

A presidência do Conselho de Ética caberá a outro homem de confiança de Renan. Ou do PT, o que não fará diferença.

Só terá assento ali quem representar a sólida garantia de que defenderá Renan acima de qualquer coisa, bem como todos os que desfrutem da condição de aliados fiéis dele.

No passado, acusado de quebra de decoro, Renan foi condenado pelo Conselho de Ética e absolvido pelo plenário. A história não se repetirá.

Portanto, tudo bem até aqui e a perder de vista – para Renan, os seus e aqueles que não se importam com essa coisa comezinha chamada ética.

Tudo bem, nada! Mas o que fazer se o Congresso (Câmara dos Deputados e Senado) está todo dominado?

Nem mesmo isso, contudo, assegura a Renan o direito de ser cínico. Excessivamente cínico. Abusivamente cínico. Descaradamente cínico. Insolentemente cínico.

Prefiro “insolentemente” cínico. Lembra-me um professor do curso ginasial que bradava com os alunos: “Não sejam insolentes”. Pois Renan foi ao comentar o pedido de impeachment dele.

(Clique aqui para continuar lento.)

07/02/2013

às 18:20 \ Política & Cia

Post do Leitor: Mantega viaja para trazer investimentos estrangeiros, ou só para acumular milhas?

Guido Mantega: milhas? (Foto: Wilson Dias / ABr)

Guido Mantega: investimentos para o Brasil ou... milhas? (Foto: Wilson Dias / ABr)

Amigas e amigos do blog, esse comentário do assíduo leitor Moacir mereceu se tornar um Post do Leitor. Vejam lá:

Prezado Setti,

Eu acho que está acontecendo o impossível: a ficha parece ter caído na massa encefálica sem sinapses dos donos da economia.

Lembra que eu mencionei aqui,faz alguns dias que estavam organizando um ROAD SHOW?

 

Pois é. Hoje, no Globo, li mais detalhes.

Mantega acaba de arrumar as malas para decolar, não para Caracas, Buenos Aires, La Paz, Quito e Teerã, esses lugares todos onde a economia está bombando devido a políticas libertárias, mas para Nova York, Londres, Tóquio e Cingapura onde vai tentar VENDER aos imperialistas malignos e mercenários – que coisa, sô! –, ou seja, a grupos internacionais CAPITALISTAS, um bilionário pacote de projetos de Dilma A Dura.

Entre energia, aeroportos, portos, ferrovias e rodovias, o pacotinho totaliza 370,2 bilhões de reais. Se Dilma não tiver finalmente descoberto que o Brasil mora no Vasto Mundo e se não estiver tentando falar inglês em vez de dilmês com os tão necessários (e indomináveis e animalescos) investidores então, diz O Globo: “O ministro viajará apenas para acumular milhas”

Os únicos problemas são: o conteúdo do tal PACOTE, a sintaxe utilizada na sua elaboração, e essas coisinhas que ficam acontecendo o tempo todo por aqui:

* o Executivo dando pitaco nas elétricas;

* a Petrobras perdendo 40% do seu valor de mercado em três anos;

A Petrobrás perdeu 40% do seu valor de mercado em 3 anos(Foto: Germano Luders)

A Petrobrás perdeu 40% do seu valor de mercado em 3 anos(Foto: Germano Luders)

* a inflação subindo;

* 3 mil vetos presidenciais paralisados no Congresso;

* o Legislativo peitando o Supremo;

* João Paulo dizendo que o Mensalão é Mentirão, sob os aplausos do embaixadorda Venezuela;

* o presidente do Senado denunciado,;

* Lula sob investigação do Ministério Público em Minas Gerais….

O que o investidor estrangeiro quer, nos países onde for colocar seu rico dinheirinho, é segurança, paz social, respeito às leis, independência de poderes, democracia, zero corrupção e burocracia.

Como o capital é dele, investidor, e não della, Dilma, precisa dar lucro.

Senão ele investe no México, no Chile, na Colômbia, ora, bolas.

Investidor não é masoquista.

 

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