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Congresso

14/11/2014

às 18:00 \ Disseram

Sabor de fim de festa

“Infelizmente este governo já começa com sabor de final de festa. No Congresso a percepção que se tem é que quem ganhou fomos nós.”

Aécio Neves, senador (PSDB-MG), em entrevista à rádio Jovem Pan

13/11/2014

às 19:30 \ Política & Cia

CESAR MAIA: Como criar um ministério “sombra”, da oposição, que fiscalize (bem) o governo

(Ilustração: culturamix.com)

Nas sombras: Aécio Neves propõe um “ministério” que investigue a atuação do governo (Ilustração: culturamix.com)

PARA UM “SHADOW CABINET” — MINISTÉRIO NA SOMBRA — DAR CERTO NO BRASIL!

Artigo publicado no ex-blog de Cesar Maia

1. O Senador Aécio Neves anunciou que criará um “ministério” para acompanhar as ações do governo.  A referência é a experiência britânica de muitos anos, com a designação pelo líder da oposição, de deputados responsáveis pelo acompanhamento das funções de governo. A essa prática eles chamaram de “Shadow Cabinet”, ou gabinete na sombra, ou ministério paralelo.

No Reino Unido, o voto distrital uninominal em distritos pequenos, de uns 40 mil eleitores, facilita muito, pois não gera concorrência por espaços e visibilidade, na medida em que é um voto de proximidade pessoal.

2. Não será a primeira vez que isso será tentado no Brasil. E todas às vezes fracassaram. A última tentativa ou anúncio foi do atual governador Geraldo Alckmin após a eleição presidencial de 2006. 

3. Se o procedimento a ser adotado for o mesmo das vezes anteriores, outra vez fracassará. A razão é simples: o sistema eleitoral brasileiro. Explica-se. O sistema brasileiro de voto proporcional aberto, onde o eleitor vota nos candidatos e a bancada do partido é derivada dos votos dos deputados, acrescidos de eventuais votos de legenda, gera uma alta taxa de risco de o deputado não ser reeleito. A renovação atinge quase a metade deles.

(Foto: BBC)

Inspiração: no Parlamento britânico, o “shadow cabinet” funciona (Foto: BBC)

4. Reduzem essa taxa de risco aqueles que têm muitos recursos à disposição, que têm acesso à máquina do governo, que têm opinião pública, que representam corporações civis, militares ou religiosas, que têm curral eleitoral e –especialmente- os que têm visibilidade nacional, em seus estados, suas regiões e municípios. Ou, claro, frações de cada uma dessas hipóteses agregadas.

5. A visibilidade legitima o mandato, gera memória num país em que 3 meses depois da eleição pelo menos 50% dos eleitores já não se lembram em que deputados votaram e aproxima o deputado do eleitor mesmo que virtualmente.

6. Escolher alguém para ser ministro na sombra de um candidato a presidente derrotado na última eleição, mas com votação proporcional significativa, como foram os 3 últimos –Alckmin, Serra e Aécio- é dar a cada ministro na sombra uma enorme visibilidade. É natural que, como no Reino Unido, um assunto levantado ou polêmico de uma pasta, a imprensa procure a opinião do ministro na sombra, dando a este uma visibilidade diferenciada.

7. Por isso, a resistência à escolha de alguém que não seja ele mesmo é enorme. E muito maior quando se escolhe para um ministério cujo tema seja a prioridade de um deputado, outra pessoa, seja parlamentar, seja especialista. Isso mostrará desprestígio e, por isso, desgaste. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Segundo mandato de Dilma: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

MAIS QUATRO ANOS — Dilma venceu a disputa mais acirrada desde a redemocratização: vantagem de 3,5 milhões de votos entre 143 milhões de eleitores (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

MAIS QUATRO ANOS — Dilma venceu a disputa mais acirrada desde a redemocratização: vantagem de 3,5 milhões de votos entre 143 milhões de eleitores (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NO SEGUNDO MANDATO

A reeleição de Dilma Rousseff dará ao PT dezesseis anos ininterruptos no Palácio do Planalto. Especialistas apontam os riscos dessa situação, inédita na história da democracia brasileira, e sugerem formas de se proteger de seus efeitos deletérios

Reportagem de Mariana BarrosMarcelo Sakate publicada em edição impressa de VEJA

Com a reeleição da presidente Dilma Rousseff no domingo passado, seu partido, o PT, conseguiu um feito inédito na democracia brasileira: a chancela eleitoral para permanecer no poder por dezesseis anos ininterruptos. Bom para o PT, arriscado para o Brasil.

Sem alternância, fundamental para manter forte a democracia e irrigadas as instituições, a sociedade terá de redobrar a fiscalização para que o partido no poder não caia na tentação totalitária de submeter os interesses do país aos seus. Especialistas e juristas ouvidos por VEJA apontam as áreas e as instituições mais vulneráveis a desmandos partidários nos próximos quatro anos.

Entre os mais ameaçados, estão o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Itamaraty e a imprensa livre.

PRISÃO ASSISTENCIAL

O PERIGO: de o PT perpetuar o formato sem porta de saída do programa que se tornou um mecanismo para manter dependentes do governo federal – e atrelados a ele – 50 milhões de brasileiros pobres. Nos quinze estados em que Dilma venceu no segundo turno, os beneficiários do Bolsa Família representam, em média, 43% das famílias. Nos lugares onde a presidente perdeu, a média é de 21%.

COMO REAGIR: defender a apresentação no Congresso de um projeto de lei na mesma linha do que foi proposto por Marina Silva na campanha, que estimule a participação dos adultos beneficiários do Bolsa Família em programas de qualificação, como os de ensino técnico. A medida permitiria a eles entrar no mercado de trabalho com chances de obter melhores vagas de emprego e, ao mesmo tempo, se libertar do garrote do governo. A mudança ainda impulsionaria a produtividade.

CERCO À IMPRENSA

O PERIGO: de a presidente reeleita, pressionada pelo PT, defender a aprovação do projeto que o partido do governo chama de “controle social da mídia” – na verdade, uma tentativa de censurar os meios de comunicação pelo controle do seu conteúdo.

COMO REAGIR: a saída é cobrar do Congresso que barre qualquer tentativa que fira a liberdade de imprensa. O mesmo vale para a opinião pública, cuja pressão fez o governo recuar da implementação de boa parte do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, inclusive a diretriz 22, que, na prática, instituía a censura.

CONSELHOS POPULARES

O PERIGO: de o governo insistir no decreto 8243/14, que entrega a “conselhos populares” a prerrogativa de tomar decisões da alçada do Executivo e do Congresso – um modelo que atropela a democracia representativa e se assemelha ao de países como a Venezuela, o Equador e a Bolívia, com os resultados conhecidos.

COMO REAGIR: a Câmara derrubou o decreto 8243/14 na semana passada, mas ainda falta passar pelo Senado. Se o governo insistir na medida, será necessário recorrer ao Supremo para barrá-la. Mas, mesmo que o decreto caia desta vez, nada impede que nos próximos quatro anos o governo apresente outra medida de igual inspiração, como já fez anteriormente. Congresso e sociedade devem permanecer atentos para evitar qualquer ameaça ao equilíbrio dos poderes. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

06/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Aldo Rebelo deve sair do Ministério do Esporte em janeiro. O motivo: a bancada minúscula que o PCdoB elegeu ao Congresso

(Foto: Antonio Cruz/ABr)

Prioridades: Aldo Rebelo preferiu o comando da Copa e da Olimpíada a um novo mandato como deputado federal (Foto: Antonio Cruz/ABr)

FORA DA OLIMPÍADA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), tem seis mandatos de deputado federal no currículo, mas resolveu não disputar a reeleição neste ano. Ele preferiu permanecer no comando da pasta durante a Copa do Mundo. Se quisesse se candidatar, deveria ter deixado o cargo em abril.

Rebelo fez isso também de olho nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Mas nem tudo saiu como planejado. Os comunistas só elegeram dez deputados, uma bancada muito pequena. O próprio Aldo já avisou a amigos que ele deve sair do ministério em janeiro. Dilma quer ministros que lhe garantam votos no Congresso.

05/11/2014

às 0:00 \ Disseram

Não apenas no Congresso

“Eu sugiro que a presidente Dilma a partir de agora, quando olhar para o Congresso, não contabilize apenas as cadeiras que ocupamos aqui. Que passe a enxergar aqui os 51 milhões de brasileiros que não aguentam mais tanta maracutaia e descaso com a máquina pública.”

Aécio Neves, candidato derrotado à Presidência da República, em seu retorno ao Senado nesta terça-feira

01/11/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ELIO GASPARI: A maneira petista de conciliar é… um plebiscito?

(Foto: Ricardo Matsukawa)

Elio Gaspari: a proposta de uma reforma política não é algo que se resolve com um plebiscito (Foto: Ricardo Matsukawa)

A MANEIRA PETISTA DE CONCILIAR

Artigo publicado no jornal O Globo

Sempre que o PT não tem o que dizer a respeito de seja lá o que for, responde que o problema só será resolvido com uma reforma política. Foi assim em 2005, quando estourou o mensalão, e, em junho de 2013, quando o partido se assustou com o povo na rua.

Naquela ocasião, propuseram uma Constituinte exclusiva e um plebiscito. A ideia foi detonada numa simples conversa do vice-presidente Michel Temer com a doutora e não se falou mais no assunto.

O programa petista avisou que a ideia continuava no forno, e, no primeiro debate, Aécio Neves perguntou à doutora até que ponto a proposta ecoava as práticas bolivarianas.

Dilma respondeu comparando os plebiscitos que se realizam durante eleições estaduais americanas com as modalidades chavistas. Se, nessa altura da vida, a doutora não percebeu a diferença entre os dois regimes, paciência.

No discurso em que agradeceu sua reeleição, ela anunciou que pretende fazer reformas e “a primeira, a mais importante deve ser a reforma política”, uma “responsabilidade constitucional do Congresso” que “deve mobilizar a sociedade num plebiscito por meio da consulta popular”.

Desconte-se o fato de que ela estava exausta e um microfone enguiçado levou-a a se tornar a primeira governante a impacientar-se (duas vezes) com uma plateia que festejava sua vitória. Mesmo assim, o que ela disse não faz sentido.

Uma reforma política, ou qualquer outra, não é uma “responsabilidade” do Congresso. É uma atribuição. Ele pode fazê-la, ou não. É sempre bom lembrar que o atual mandato do Congresso é tão legítimo quanto o dela.

Se a doutora tem um projeto de reforma política, a primeira coisa que deve fazer é apresentá-lo. A primeira vez que o PT falou nisso oferecia um sistema de voto por lista. Nele o cidadão perde o direito de escolher o candidato em quem decide votar. (No atual, pode-se votar num candidato e acabar elegendo outro, mas é indiscutível que o eleitor escolheu em quem votou.)

Na versão original as listas seriam feitas pelas caciquias partidárias. O PT também quer o financiamento público das campanhas. (Tiririca se candidata e você paga.) Na abertura de sua fala, Dilma saudou os presidentes do PR (o partido de Tiririca), do PCdoB e do PROS.

Se o Supremo Tribunal Federal não tivesse derrubado a cláusula de desempenho, alguns deles não existiriam e, com isso, perderiam o acesso às arcas do Fundo Partidário.

A proposta de se fazer uma reforma com plebiscito obrigaria à construção de uma cédula com perguntas complexas. (Com ou sem cláusula de desempenho? Sistema proporcional? Distrital simples? Misto? Com lista fechada ou aberta? Quantos distritos por estado? Financiamento público? Quanto custará?) Isso não é coisa que se resolve por plebiscito.

É atribuição do Parlamento. Fora disso, a doutora quer conciliar atropelando o Legislativo. Há 50 anos, chamava-se “reformas de base”.

Coube a Renan Calheiros, presidente do Senado, colocar o debate nos trilhos. Deve-se discutir e aprovar o assunto no Congresso, seguindo seus ritos. Depois, se assim quiserem, o resultado pode ser submetido a um referendo, no qual a população vota “sim” ou “não”.

Fez-se assim com o artigo da lei do desarmamento, que proibia a venda de armas no Brasil, e o povo mandou-o ao lixo.

26/10/2014

às 22:06 \ Política & Cia

Dilma é reeleita por margem estreita: o desafio, agora, é enfrentar um segundo mandato muito mais complicado do que o primeiro

(Foto: Felipe Dana/AP)

Reeleita: Dilma Rousseff (PT) governará o Brasil pelos próximos quatro anos, mas não será um segundo mandato sem dificuldades (Foto: Felipe Dana/AP)

Vitória da presidente faz do PT única sigla a vencer 4 eleições diretas seguidas para o Planalto. Mas segundo mandato promete ser mais árduo que o primeiro

De VEJA.com

Depois de uma campanha extraordinariamente acirrada, uma vitória por margem estreita. É assim que a mineira Dilma Vana Rousseff, de 66 anos, chega a seu segundo mandato como presidente da República.

A reeleição foi constatada às 20h31, quando, com mais de 98% das urnas apuradas, a petista alcançou 51,45% dos votos, não podendo mais ser superada por Aécio Neves (PSDB), que marcava 48,55%. A diferença de apenas três pontos porcentuais é a menor desde que o PT chegou ao poder, em 2002. Em 2010, a própria Dilma obteve 56% dos votos válidos, contra 44% do tucano José Serra.

A vitória apertada prenuncia um segundo mandato muito mais difícil para a petista. Na última semana da corrida eleitoral, o escândalo do Petrolão atingiu em cheio a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme VEJA revelou, o doleiro Alberto Youssef, por um acordo de delação premiada, afirmou à Polícia Federal que tanto ela como Lula sabiam dos esquema de desvios na Petrobras, investigados no âmbito da Operação Lava Jato.

A corrida eleitoral acabou, e Dilma tem agora de lidar com os desdobramentos do caso. Ao mesmo tempo, terá de enfrentar uma oposição revigorada e o cenário desolador de baixo crescimento econômico com inflação em alta. A combinação de um escândalo de proporções inéditas, cujos ingredientes vêm todos de investigações oficiais, adversários fortalecidos e economia em crise pode envolver Dilma numa tempestade perfeita.

Mas, antes mesmo de estrear o novo mandato, a presidente tem de decidir se vai ignorar o ponto de vista de quase metade do eleitorado ou adequar suas políticas para levá-lo em conta. A estreita diferença entre os candidatos é reflexo de uma corrida eleitoral cercada de reviravoltas, pontuada por uma tragédia e que entrará para a história pela agressividade de que o partido da presidente fez uso para não deixar o poder. Como prenunciou Dilma em março de 2013, o PT “fez o diabo” nesta campanha.

No primeiro turno, a máquina de propaganda petista voltou sua artilharia contra Marina Silva, que se tornou cabeça de chapa do PSB após a morte de Eduardo Campos e em pouco tempo ascendeu nas pesquisas. Desidratada, Marina não chegou ao segundo turno. Foi, então, a vez de Aécio Neves tornar-se alvo do PT.

Com eficiência incomparável, a máquina petista construiu a narrativa segundo a qual o tucano desrespeita as mulheres e foi agressivo com a chefe da nação. A partir dali, o PT aumentou a quantidade de golpes abaixo da linha da cintura. Eleita, Dilma leva a sigla a um marco histórico: o Partido dos Trabalhadores se torna a única sigla a vencer quatro eleições diretas seguidas para o Palácio do Planalto.

Duas agendas - Quando da primeira eleição de Dilma, uma reportagem do site de VEJA apontava: “Quem marcou o número 13 na eleição de hoje para presidente da República votou numa caixa preta”. A presidente recém-eleita era uma incógnita. Questionava-se se o “poste de Lula” sairia da sombra de seu mentor.

Agora já se sabe que ela tinha ideias próprias a implementar. Dilma deixou sua marca criando a chamada ‘Nova Matriz Econômica’, um conjunto mal-ajambrado de práticas intervencionistas adotado em substituição às políticas de estabilidade implementadas no Plano Real e das quais nem mesmo Lula se distanciou.

Como resultado, ela colheu inflação acima da meta e estagnação econômica. Isso lhe custou a aprovação da classe média — inclusive da chamada “nova classe média”, que começou sua ascensão nos últimos doze anos. É preciso esperar o término da apuração, mas no primeiro turno a petista saiu vitoriosa em apenas um dos vinte municípios de maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país: Santo André, no ABC paulista, um cinturão do PT no Estado de São Paulo. Aécio Neves venceu nos outros dezenove.

Há um caminho para que Dilma Rousseff faça um segundo mandato à altura do Brasil. Para isso, ela deve interpretar o resultado da eleição não como uma senha para que radicalize suas escolhas, mas como prova de que duas agendas precisam ser tocadas em paralelo no Brasil de hoje: a das políticas de assistência social e a da modernização da economia.

A primeira é a agenda clássica do petismo, aquela que lhe garante o núcleo duro de seu eleitorado – e que apesar de eventuais distorções, tem ajudado de fato a parcela mais pobre da população brasileira. Implementar a segunda agenda vai requerer da presidente uma dose considerável de humildade.

Ela terá de reconhecer que, ao lado das denúncias de corrupção que assolam o seu partido, as travas que ela impôs ao desenvolvimento foram um fator crucial de rejeição a sua candidatura. E, em seguida, empreender uma guinada radical – ou seja, um retorno à racionalidade econômica que abandonou em seus primeiros quatro anos de governo.

Atoleiro econômico – As sinalizações dadas durante a campanha não foram auspiciosas. Na TV, a presidente não hesitou em atribuir todos os seus fracassos na economia à crise internacional (argumento recentemente desconstruído por um grupo de mais de 200 economistas que se reuniram para explicar que o mundo está em recuperação — ainda que lenta — e que as razões da estagnação no Brasil são essencialmente domésticas) e em recorrer a ideias canhestras como a de que quem discorda do PT quer “entregar o país a banqueiros”.

Ponha-se esse tipo de tolice na conta do marketing eleitoral. Ainda assim, é possível colher outros sinais ruins. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, de saída da pasta, afirma à exaustão que não houve erro na condução macroeconômica e que o mesmo caminho será mantido nos próximos quatro anos.  O mais cotado para sucedê-lo é Aloizio Mercadante, atual ministro da Casa Civil e colega de Dilma de seus tempos de Unicamp.

Mercadante não mostra constrangimento ao afirmar que dobrará a aposta no modelo vigente. Disse em entrevista recente ao jornal Valor Econômico que o próximo governo “não fará uma política ortodoxa”. Seguindo a mesma cartilha de sua chefe, o ministro reafirma que a inflação não está alta, as contas públicas estão sob controle e os juros são os menores da história.

“Não há a menor expectativa de que Dilma mude a política econômica. O que se espera é que o governo deixe de colocar em prática medidas pontuais que travaram o mercado. Mas o caminho econômico é o que já se viu. Não deve haver novidades”, afirma o ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral.

Caso se aferre de fato a essas ideias, Dilma pode confirmar a tradição segundo a qual os segundos mandatos são sempre mais árduos que os primeiros. A conjuntura não lhe traz facilidades. É notório que ela terá de lidar como problemas como a inevitável alta das tarifas de energia e do preço da gasolina, represadas pelo governo. A inflação dos preços controlados vai voltar com força em 2015 e deve superar a alta dos preços livres, o que não ocorria desde 2009.

Oposição revigorada – Aos percalços da economia vão se somar dificuldades no Congresso. Embora os partidos que apoiam formalmente sua reeleição componham a maioria das duas Casas – 296 deputados e 53 senadores —, a oposição renasce fortalecida: um PSDB revitalizado somará forças com um PSB ressurgido das cinzas de Eduardo Campos, que terá sete cadeiras no Senado e 34 na Câmara.

A principal trincheira da oposição será o Senado, onde o governo não terá ascendência sobre um terço da Casa e as bancadas de oposição terão a presença de nomes de peso, como os ex-governadores tucanos José Serra (SP), Antonio Anastasia (MG) e Tasso Jereissati (CE), o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o próprio adversário de Dilma na reta final da eleição, Aécio Neves (PSDB).

Na Câmara, PT e PMDB continuam com as maiores bancadas, mas encolheram em relação à eleição de 2010. Uma novidade saída das urnas foi a pulverização de deputados eleitos por siglas que formarão um “centrão” – como PSD, Pros, PR, PTB, PSC, por exemplo –, que podem votar conforme os interesses do Palácio do Planalto, mas cujo alinhamento não é automático e deverá passar pela barganha de cargos na máquina.

Outra constatação: nas duas Casas, o governo Dilma se tornará ainda mais dependente do PMDB, que terá, por exemplo, dezoito senadores, e manterá a presidência tanto do Senado quanto da Câmara. Neste último caso, a provável vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para comandar a Casa deverá ser outra dor de cabeça para Dilma: no primeiro mandato, ele foi um dos articuladores das rebeliões na base governista.

Cunha deve substituir outro deputado descontente com o PT, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que atribui ao apoio de Lula a subida nas pesquisas de seu adversário na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, do PSD.

Dilma Rousseff triunfou nas urnas, com aval de 53 milhões de brasileiros. É do interesse de todos que seu novo governo, em vez de soçobrar numa crise institucional e insuflar a divisão entre “ricos e pobres”, faça o país avançar. Espera-se que ela saiba — e possa — exercer um segundo mandato à altura do Brasil.

22/10/2014

às 20:38 \ Política & Cia

Vocês acham que os parlamentares custam muito ao governo? Pois saibam que APENAS O AUXÍLIO-MORADIA do Judiciário equivale ao salário de todos os deputados e senadores JUNTOS

(Foto: Tribunal de Justiça do Paraná)

Os benefícios do Judiciário: apenas o auxílio moradia dos juízes tem o mesmo valor de salário de todos os parlamentares juntos (Foto: Tribunal de Justiça do Paraná)

AUXÍLIO-MORADIA DE JÚIZES CUSTARÁ O EQUIVALENTE AO SALÁRIO DE TODO O CONGRESSO

Só o auxílio-moradia dos magistrados pelo país afora custará algo em torno de R$ 1 bilhão por ano

Por Rogério Galindo, para o jornal Gazeta do Povo, de Curitiba

Você acha que os salários dos deputados federais e dos senadores são altos, que eles custam demais para o país? Ok. Pode ser mesmo. Todas as estatísticas mostram que o parlamentar brasileiro (contando custos com assessoria, gabinete, custeio etc.) é um dos mais caros do mundo.

Segundo o site Congresso em Foco, contando apenas o salário e os penduricalhos dos parlamentares, o gasto anual do Brasil com os seus congressistas é de R$ 1,1 bilhão. Muita coisa, claro. Mas é o preço.

Agora, veja só. O Judiciário, que costuma passar muito mais abaixo do radar, até por não ter eleições diretas para se decidir quem ocupará os cargos, custa muito, muito mais caro. A conta que faz perceber isso é a seguinte: os cálculos do governo são de que só o auxílio-moradia dos magistrados pelo país afora custará algo parecido: R$ 1 bilhão por ano.

Ou seja: nossos juízes estão prestes a consumir os salários de 594 parlamentares (caros) em apenas um benefício extra, que agora está sendo estendido até mesmo para os aposentados.

13/10/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ÁLVARO DIAS: ‘Não basta trocar o presidente. É preciso mudar a relação promíscua com o Congresso’

(Foto: Agência Senado)

Rumo ao quarto mandato no Senado, Dias considera fundamental “derrubar esse balcão de negócios” nas relaçõeos do governo com o Congresso, “com o fim do toma-lá-dá-cá, da cooptação (de parlamentares) a qualquer preço” pelo governo (Foto: Agência Senado)

Para o senador proporcionalmente mais votado do país, Aécio é favorito. E terá, se eleito, a missão de adotar uma relação republicana com o Congresso

Por Gabriel Castro, para VEJA.com

Nenhum senador eleito no último domingo teve um porcentual de votos tão grande quanto Álvaro Dias (PSDB-PR). O tucano teve 77% dos votos válidos em seu Estado, com uma vantagem de inacreditáveis 65 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Gomyde (PCdoB).

Em entrevista ao site de VEJA, o parlamentar atribui o resultado à postura clara de oposicionista que teve durante os últimos oito anos. E diz que, em um eventual governo de Aécio Neves, vai se dedicar à aprovação das reformas política, tributária e federativa.

A que o senhor credita esse porcentual tão elevado de votos? 

Eu creio que seja resposta ao comportamento adotado nesses anos. Especialmente um reconhecimento ao esforço de se interpretar com certa eficiência esse sentimento de indignação nacional. Parece a mim que é uma aprovação à postura adotada nesses anos.

Isso prova que fazer uma oposição incisiva dá votos em vez de tirá-los, como temem alguns parlamentares, ou o senhor é uma exceção? 

Não se deve subestimar a inteligência das pessoas. Eu imagino que o comportamento dos eleitores reflete um amadurecimento político, uma conscientização. Para ele, no caso da eleição do Paraná, foi mais importante o que se fez antes da eleição do que o que se discutiu durante a campanha eleitoral. Mais do que as promessas, vale a ação concreta desenvolvida antes dela.

O senhor chega ao quarto mandato, o terceiro consecutivo. Teme sofrer um desgaste como o do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que ficou 24 anos no cargo e foi derrotado nessas eleições?

É evidente que se isso ocorrer eu não disputo a eleição. Eu consultei o Paraná sobre se deveria ou não disputar a eleição, por meio de pesquisas de opinião pública. E elas mostravam um índice semelhante ao que eu tive nas urnas, contra qualquer adversário.

Durante a última legislatura, a oposição chegou a ser a mais reduzida da história. Com o novo Congresso eleito, haverá mais equilíbrio? 

Ainda não dá para fazer essa avaliação. Realmente nesses anos tivemos a menor oposição da nossa história, numericamente. Uma oposição insignificante: de 81 senadores, 15 votando com a oposição, e nem todos fazendo de fato oposição.

Agora, não sei. Se ocorrer a vitória do Aécio, esperamos uma relação republicana do Executivo com o Legislativo, com a derrubada desse balcão de negócios, com o fim do toma-lá-dá-cá, da cooptação a qualquer preço. Imagino que seja possível, sim, governar sem o balcão de negócios. E aí nós teremos um Congresso mais independente, mais autônomo.

O senhor está preparado para ser da base aliada em um eventual governo do PSDB?

Certamente eu teria que mudar o modelo de atuação. Posso ser um colaborador solidário do governo, especialmente trabalhando a favor das reformas. Acho que o país depende de reformas com urgência.  Nós estamos atrasados, o país está amarrado a estruturas retrógradas, superadas, vendidas, que impedem seu crescimento acelerado.

O Brasil não vai alcançar os índices de crescimento econômico compatíveis com suas grandezas sem essas reformas. Eu quero atuar no campo da construção. Pressionar a favor das reformas. É evidente que nesse sistema presidencialista, quase imperial, que temos, o papel do presidente da República é essencial para que as reformas ocorram. Quero fazer a reforma politica, que é a matriz das demais, e a do sistema federativo.

O sistema está esgarçado, com um desequilíbrio gritante, promovendo injustiças flagrantes em prejuízo especialmente dos municípios na distribuição dos recursos. A crise pode se aprofundar sem a reforma do sistema federativo. Ela é essencial, tem que ser um compromisso do nosso presidente. E na esteira dela vem a reforma tributária.

Durante muito tempo, Aécio Neves foi criticado por fazer uma oposição tímida. A ida dele ao segundo turno foi acaso ou é fruto de uma mudança de discurso? 

Ele amoldou o discurso, por isso cresceu. Sempre entendi que quem conseguisse interpretar com maior eficiência esse sentimento nacional de indignação ganharia a eleição. E se ninguém interpretasse com eficiência ganharia a presidente Dilma.

Num primeiro momento a Marina Silva surgiu como intérprete desse sentimento e cresceu. Mas ela não conseguiu dar consistência a esse movimento e houve uma reversão que abriu espaço para o retorno do Aécio. E o Aécio aprimorou seu discurso, o tornou mais veemente. Passou a interpretar com maior eficiência esse sentimento, que é um sentimento de reação ao sistema vigente. Especialmente nos dois últimos debates, ele assumiu com muita veemência esse papel de intérprete do sentimento de indignação nacional.

Por isso eu acho que esse movimento dificilmente será revertido. É um movimento crescente e o Aécio conseguirá, a meu ver, sustentá-lo, e por isso ganhará as eleições. Se nós formos analisar pela lógica, a vitória dele é visível. A perspectiva de vitória é real porque quem votou na Marina votou também com o propósito da mudança. Então, a migração desses votos da Marina será majoritariamente favorável ao Aécio. A análise mais coerente é de que o favorito é ele.

Se vencer, ele conseguirá construir uma base de apoio sólida? 

Nenhum presidente dos últimos tempos, pelo menos desde que eu estou na atividade, teve dificuldade com maioria no Congresso. Nem o presidente Sarney, num momento de grande impopularidade. Não basta substituir um presidente por outro, é preciso substituir esse sistema promíscuo.

A história mostra que as civilizações entram em declínio em razão da promiscuidade e da corrupção. O Brasil entrou num período de declínio exatamente em razão da promiscuidade e da corrupção. A substituição desse sistema é uma exigência nacional e o Aécio ganha a eleição exatamente porque está incorporando essa esperança de mudança do sistema.

O que eu imagino é que ele vai assumir esse papel, de não rimar governabilidade com promiscuidade, estabelecer uma relação republicana com o Congresso. Adotando medidas populares e propondo reformas de profundidade ele ganha o apoio popular. E presidente que tem o apoio popular tem o Congresso ao seu lado. Congresso não rema contra a correnteza. Prestigiar politicamente os parlamentares, mas não aceitar a hipótese da barganha, da picaretagem política explicita que ocorreu nos últimos anos.

Eu acho, sim, que é possível ele conquistar uma maioria no Congresso Nacional com atitudes. Com presença política e com providências marcantes que conquistem o apoio popular.

29/09/2014

às 18:43 \ Política & Cia

Tiririca faz campanha debochando do Congresso ao qual pertence. Em país sério, poderia estar até na cadeia. Aqui, o MP eleitoral, a Comissão de Ética e o corregedor da Câmara não tomaram conhecimento de nada

Reprodução TV

Tiririca imita Roberto Carlos em sua propaganda no horário eleitoral. O bife no prato é uma referência à publicidade que o músico fez para a marca de carnes Friboi (Foto: Reprodução TV)

Num país mais sério do que o nosso, em que houvesse respeito aos cidadãos e às instituições criadas pela Constituição, alguém que fizesse uma campanha pela reeleição no horário eleitoral do nível de deboche pelo Congresso a que pertence, como faz o deputado Tiririca (PR-SP), poderia até estar preso.

No mínimo, mereceria ter sua campanha examinada pela Comissão de Ética da Câmara dos Deputados ou, pelo menos, que o corregedor da Câmara, deputado Átila Lins (PSD-AM), no momento envolvido em sua própria reeleição. Sem contar alguma iniciativa — pelo menos chamar para uma conversa! — do Ministério Público eleitoral, a quem também cabe zelar pela lisura e pela decência das campanhas.

Tiririca, que é cearense mas se elegeu por São Paulo em 2010 com 1,2 milhão de votos, já usou e abusou do deboche em sua campanha anterior, quando envergou o lema “Vote em Tiririca, pior do que está não fica”.

As coisas agora estão muito piores, e não vou reproduzir nada aqui, nem exibir videos dos candidatos, para não contribuir para a desmoralização de um Legislativo já com a reputação tão abalada. Independentemente de quem ocupa os postos de senador e deputado no momento, é um dever cívico procurar melhorar a representação parlamentar e lutar para que o Congresso, que representa o povo em uma democracia, seja respeitado.

Tiririca ainda faz paródias, imitando Pelé ou o cantor Roberto Carlos e sugerindo que eles votarão nele. No caso de Roberto, vestiu trajes semelhantes e uma peruca para entoar a canção O Portão — cuja estrofe inicial ele mudou para “eu votei/de novo eu vou votar/Tiririca/Brasília é o seu lugar”.

A paródia da canção lhe valeu processo da gravadora EMI na Justiça Eleitoral. Roberto e Erasmo Carlos, autores, também ameaçaram levá-lo à Justiça.

O pior de tudo é que Tiririca não precisava apelar dessa forma para ganhar votos. Poderia, por exemplo, jactar-se de algo que realmente é mérito seu: em quatro anos de mandato, jamais faltou a uma única sessão da Câmara.

 

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