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Congresso

29/09/2014

às 18:43 \ Política & Cia

Tiririca faz campanha debochando do Congresso ao qual pertence. Em país sério, poderia estar até na cadeia. Aqui, o MP eleitoral, a Comissão de Ética e o corregedor da Câmara não tomaram conhecimento de nada

Reprodução TV

Tiririca imita Roberto Carlos em sua propaganda no horário eleitoral. O bife no prato é uma referência à publicidade que o músico fez para a marca de carnes Friboi (Foto: Reprodução TV)

Num país mais sério do que o nosso, em que houvesse respeito aos cidadãos e às instituições criadas pela Constituição, alguém que fizesse uma campanha pela reeleição no horário eleitoral do nível de deboche pelo Congresso a que pertence, como faz o deputado Tiririca (PR-SP), poderia até estar preso.

No mínimo, mereceria ter sua campanha examinada pela Comissão de Ética da Câmara dos Deputados ou, pelo menos, que o corregedor da Câmara, deputado Átila Lins (PSD-AM), no momento envolvido em sua própria reeleição. Sem contar alguma iniciativa — pelo menos chamar para uma conversa! — do Ministério Público eleitoral, a quem também cabe zelar pela lisura e pela decência das campanhas.

Tiririca, que é cearense mas se elegeu por São Paulo em 2010 com 1,2 milhão de votos, já usou e abusou do deboche em sua campanha anterior, quando envergou o lema “Vote em Tiririca, pior do que está não fica”.

As coisas agora estão muito piores, e não vou reproduzir nada aqui, nem exibir videos dos candidatos, para não contribuir para a desmoralização de um Legislativo já com a reputação tão abalada. Independentemente de quem ocupa os postos de senador e deputado no momento, é um dever cívico procurar melhorar a representação parlamentar e lutar para que o Congresso, que representa o povo em uma democracia, seja respeitado.

Tiririca ainda faz paródias, imitando Pelé ou o cantor Roberto Carlos e sugerindo que eles votarão nele. No caso de Roberto, vestiu trajes semelhantes e uma peruca para entoar a canção O Portão — cuja estrofe inicial ele mudou para “eu votei/de novo eu vou votar/Tiririca/Brasília é o seu lugar”.

A paródia da canção lhe valeu processo da gravadora EMI na Justiça Eleitoral. Roberto e Erasmo Carlos, autores, também ameaçaram levá-lo à Justiça.

O pior de tudo é que Tiririca não precisava apelar dessa forma para ganhar votos. Poderia, por exemplo, jactar-se de algo que realmente é mérito seu: em quatro anos de mandato, jamais faltou a uma única sessão da Câmara.

01/09/2014

às 18:15 \ Política & Cia

AMEAÇA DE TSUNAMI NO CONGRESSO: ex-diretor da Petrobras pode revelar à polícia dinheiro sujo que repassou a 49 parlamentares — de 6 partidos diferentes

(Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, tem uma lista de parlamentares a quem pode ter subornado, e usa o documento como instrumento de chantagem em período eleitoral (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

A LISTA DOS CORRUPTOS

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Pode ser pura chantagem. Mas pode não ser.

O fato é que amigos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso sob acusação de participar do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, fizeram uma lista de 49 parlamentares de seis partidos a quem ele teria distribuído propina.

Se for verdade, o Congresso pode estar na iminência de um tsunami. Paulo Roberto sempre acreditou que seus contatos no mundo político moveriam as engrenagens necessárias para tirá-lo da prisão. Como isso não aconteceu, ele vive ameaçando revelar seus segredos à polícia — para desespero de muita gente que disputa a reeleição.

25/08/2014

às 18:04 \ Política & Cia

Boa notícia para os brasileiros de bem, que têm esperanças num Congresso decente: o senador Pedro Simon, referência moral no Senado, volta atrás e decide candidatar-se à reeleição

Simon: aos 84 anos, uma das derradeiras consciências morais do Congresso decide não desistir (Foto: Agência Senado)

Simon: aos 84 anos, uma das derradeiras consciências morais do Congresso decide não desistir (Foto: Agência Senado)

É uma grande notícia para os brasileiros que, como eu, ainda acreditam na possibilidade de o Congresso recuperar sua péssima imagem perante o público, voltar a ter respeitabilidade e independência em relação ao governo e cumprir seus deveres – sobretudo os de ser o grande agente fiscalizador do Executivo e a caixa de ressonância dos anseios da sociedade: o senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou atrás em sua decisão de deixar a vida pública e voltará a concorrer às eleições.

Não está em questão, para mim, se Simon, 84 anos, é do PMDB ou não, se concordo ou não com suas posturas e pontos de vista: o que sei é que o velho senador é uma das derradeiras consciências morais do Congresso, é um homem de bem, decente e corajoso, que diz o que pensa e que não tem medo de meter o dedo nas feridas que infernizam a vida pública brasileira.

Um Dom Quixote, muitas vezes solitário e isolado — é parte daquela parcela ínfima do PMDB que não se alinha automaticamente com o Palácio do Planalto e que vota de acordo com sua consciência –, Simon  faria uma enorme falta se estivesse fora da eleição.

Lamentei sua decisão de deixar a vida pública, agora felizmente revertida, como lamentei  profundamente a morte, em 2008, de outra referência de dignidade e honra no Congresso, o senador Jefferson Peres (PDT-AM), a despeito de discordar de algumas de suas opiniões e de não ver com bons olhos o partido para o qual ele se transferiu, após deixar o PSDB pelo qual foi eleito.

O entusiasmo pela decisão do senador, para mim, é multiplicado pelo fato de ele concorrer para a vaga com uma das estrelas do lulopetismo, o ex-governador Olívio Dutra, que espero ardentemente seja derrotado por Simon.

Leiam agora mais informações a respeito da decisão do senador:

Do site de VEJA

Senador gaúcho cedeu aos apelos das lideranças do PMDB no Estado após a escolha de Beto Albuquerque (PSB) para ser o vice de Marina Silva

O senador Pedro Simon (PMDB) desistiu da aposentadoria e vai concorrer à reeleição. Mesmo tendo dito que, aos 84 anos, por recomendação médica, não participaria diretamente de mais uma campanha política, Simon rendeu-se aos apelos das lideranças gaúchas do partido na noite do domingo, e vai tentar conquistar seu quinto mandato no Senado.

Leia também: PT quer esmagar o PMDB, diz Pedro Simon

A decisão é consequência da morte do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, que contava com apoio do PMDB gaúcho. O deputado federal Beto Albuquerque (PSB), que concorria ao Senado pela aliança regional, tornou-se candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva. A vaga ficou aberta para o PMDB e Simon virou nome preferencial.

Leia também: Quão sustentável é Marina Silva?

A presença de Simon pode manter a unidade da coligação, formada pelo PMDB, PSB, PSD, PPS, PHS, PTdoB, PSL e PSDC em torno do apoio a Marina Silva para a Presidência. A coligação tem como candidato ao governo do Estado o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori (PMDB). Os principais concorrentes de Simon na disputa pela vaga do Senado são o ex-governador Olívio Dutra (PT) e o jornalista Lasier Martins (PDT).

(Com Estadão Conteúdo)

10/08/2014

às 19:45 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: O horário eleitoral obrigatório “de graça”… é caro

(Foto: Reprodução/oaltoacre.com)

O horário eleitoral gratuito custa caro (Foto: Reprodução/oaltoacre.com)

Notas de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

carlos_brickmannO candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, estima os gastos de campanha em pouco mais de R$ 30 milhões. Nada anormal: seus principais adversários não devem anunciar um número muito diferente. Deste total, R$ 25 milhões vão para produzir o programa do horário eleitoral gratuito.

Gratuito, cara-pálida? Não é gratuito para ninguém: o candidato gasta a maior parte de sua verba de campanha para produzir a chatice; se as tevês e rádios têm bom desconto de impostos calculando o preço pela tabela cheia (que só existe para isso: os demais anunciantes têm grandes descontos), também perdem audiência com o programa insuportável; ouvintes e telespectadores, se ganham tempo para ir ao banheiro sem perder nada importante, são obrigados a tolerar o atraso da programação normal por causa do besteirol dos candidatos-promessinhas.

É um jogo de perde-perde, em que a conta cai nas costas de quem trabalha e gostaria de relaxar um pouco antes de dormir. E que conta! O Tesouro paga a TV e o rádio na forma de perdão de impostos, e o dinheiro que deixa de entrar será compensado, caro leitor, pelo que sai de seu bolso.

O que é gasto pelos candidatos é doado por empresas privadas (que ou vão caprichar nos preços ou buscar mais benefícios, que a-l-g-u-é-m terá de pagar) ou entidades oficiais – o maior doador, até agora, é um grupo privado em que um terço do capital pertence ao BNDES, o banco de desenvolvimento ligado ao governo.

Mais chapa branca, impossível. Nada é de graça. O caro leitor e eleitor paga até o crachá de otário.

Pode ir pagando

Que ninguém se atreva a dizer que os homens públicos não pensam no cidadão. O Congresso parou de trabalhar antes da Copa, e já decidiu que em agosto não dá: fazer campanha eleitoral, para que o eleitor tenha a possibilidade de escolher os melhores candidatos, é tarefa exaustiva. Juntar a isso o trabalho normal de Suas Excelências é demais. Trabalho, só em setembro – e este colunista duvida, já que estaremos às vésperas das eleições. E só: em outubro há a eleição e o segundo turno.

Trabalho, se trabalho houver, só em novembro, antes das festas. Mas eles se lembram do povo: vão receber o salário direitinho, integral, com todos os penduricalhos e verbas, pois não esquecem que há quem pague a conta.

Corrigindo

A nota acima é injusta: o Congresso não deixou totalmente de trabalhar, não. Aproveitou um raro dia em que havia gente em Brasília e votou um dispositivo que permite criar mais 200 municípios. Todos com prefeito, vice, Paço Municipal, secretários, assessores, Câmaras com no mínimo 21 vereadores, com secretárias, assessores, prédio, serviços terceirizados de limpeza e segurança, despesas de representação, carros, motoristas.

Situação e oposição votaram a favor de mais essa gastança. Deve haver benefícios: um dia alguém nos diz quais são. E nem é preciso calcular o custo de toda essa estrutura: o caro leitor vai pagá-la.

05/08/2014

às 0:00 \ Disseram

Quem tem de se preocupar com fraudes na CPI da Petrobras é o Congresso, segundo Dilma

“Essa é uma questão que deve ser respondida pelo Congresso.”

Dilma Rousseff, sobre a revelação de que alguns interrogados pela CPI da Petrobras tiveram acesso às perguntas antes e receberam treinamento para respondê-las, feita pela reportagem de VEJA

03/08/2014

às 19:15 \ Política & Cia

J. R. GUZZO: Só existe uma verdade — a do PT

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Reeleição de DIlma: “Se ela perder, é ‘golpe’”, diz J. R. Guzzo (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

UMA VERDADE SÓ

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

A campanha eleitoral para a Presidência da República e os governos estaduais está prometendo colocar o Brasil diante de uma pregação totalitária para ninguém botar defeito.

Tudo isso? É sempre confortável, claro, imaginar que essas coisas não acontecem mais hoje em dia, não num país que caminha para a sétima eleição presidencial seguida com voto livre, secreto e universal, sob a proteção de todas as leis e defesas de um Estado de direito. Virar a mesa, a esta altura do jogo, com certeza não é fácil.

Mas, como se vê, não é impossível criar um clima de hostilidade disfarçada, ou nem tão disfarçada assim, às regras segundo as quais candidatos de oposição têm o direito de disputar a Presidência, e o vencedor deve ser aquele que teve a maioria absoluta dos votos.

É o que já se pode ver, neste momento, pelos atos praticados na campanha do governo e seu partido para reeleger a presidente Dilma Rousseff – ou, se não é isso, estão fazendo o possível para parecer que é. Sua atitude diante da eleição de outubro, pelo que dizem e fazem em público, é sustentar que os eleitores brasileiros só podem tomar uma decisão nas urnas: reeleger a presidente Dilma. Qualquer outro resultado, segundo o que têm pregado até agora, seria “um golpe de Estado da direita”.

Não é uma suposição ou um exagero; são fatos que se repetem na frente de todo mundo, com frequência cada vez maior.

A mensagem que o governo está enviando ao público em geral, quando se raspa o verniz do palavrório, é a seguinte: a alternância de poder não pode ser aceita pelo povo brasileiro, pois é um mal em si.

Servirá apenas para colocar no governo a elite branca, principalmente a “do Sul”, que vai “se aproveitar” de métodos falsamente democráticos, como são essas “eleições formais”, para tirar do poder as forças comandadas pelo PT – as únicas, sempre na visão oficial, que têm o direito político e moral de governar o Brasil, pois quem discorda delas quer agir contra a pátria, o interesse nacional e os “benefícios sociais” que o povo ganhou nos últimos doze anos com Dilma e seu antecessor, o ex-presidente Lula.

Em português claro: é indispensável, para salvar a “verdadeira democracia”, agir contra a democracia defeituosa que “está aí”. A regra eleitoral, em suma, só vale se a presidente for reeleita. Se ela perder, é “golpe”. Fim de conversa.

A ferramenta mais utilizada no momento para levar adiante esse evangelho é alegar que o governo está sitiado por uma poderosíssima ofensiva conservadora, que lançaria mão de armas e recursos desproporcionais, desleais e ilícitos para “derrubar” a presente administração do PT e sua “base aliada”.

Como assim? Disputar uma eleição, dentro das regras estabelecidas em lei, seria “derrubar” alguém? Também não dá para entender como pode se colocar no papel de vítima um governo cuja candidata tem à sua disposição todo um arsenal termonuclear de vantagens materiais para ganhar a eleição.

Dilma conta com um tempo de propaganda obrigatória na televisão que é o dobro do que têm, somadas, as candidaturas de seus dois concorrentes mais próximos. Esse patrimônio, como é público, foi comprado dos partidos de aluguel que andam por aí, tentando escapar da polícia e do Código Penal, em troca de cargos rentáveis no governo, desses que decidem licitações de obras e outras maravilhas – algo que só pode ser dado por quem está no poder.

A campanha da presidente estimou que vai gastar 300 milhões de reais até outubro – cerca de 50% a mais do que o valor de 2010, e um total maior que o de qualquer adversário. O governo se vale, também, do Tesouro Nacional; só nos meses de maio e junho gastou cerca de 800 milhões de reais em propaganda pró-Dilma. É dinheiro público direto na veia – de novo, coisa que só pode fazer quem manda no caixa.

O governo tem a seu favor 70% dos votos no Congresso, uma força decisiva para protegê-lo de acusações de corrupção; com isso, 300 pedidos de investigação sobre irregularidades estão bloqueados no momento. As empreiteiras de obras jogam pesado a favor do governo – entre outros ajutórios, pressionam parlamentares que lhes devem favores a segurar a apuração dos recentes escândalos em torno da Petrobras. Mais que tudo, vende-se abertamente mercadoria falsa.

Qualquer crítica em relação ao governo é tida como “preconceito”. Quedas nas pesquisas são atribuídas ao “ódio” de quem discorda. A presidente chama de “urubus” os que apontam algum problema em seu governo.

O que Lula, Dilma e o PT estão dizendo é algo bem claro: “Só existe uma verdade aqui – a nossa”.

31/07/2014

às 19:57 \ Política & Cia

O ministro “Gilbertinho” vai tentar salvar o decreto bolivariano de Dilma que cria os “conselhos populares”. Só que — felizmente! — vai perder a parada.

(Foto: Antonio Cruz/ABr)

O ministro Gilberto Carvalho, o “Gilbertinho”: um último esforço para salvar os sovietes lulopetistas (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Meu colega, amigo e brilhante jornalista Lauro Jardim está informando, em seu Radar on-line, que “horas antes de a Câmara derrubar o decreto de Dilma Rousseff que dá voz a Conselhos Populares (leia mais aqui), na próxima terça-feira, Gilberto Carvalho fará o último esforço para tentar evitar a anulação da canetada de sua chefe”.

Só que, felizmente, o Congresso resolveu cumprir seu papel e vai DERRUBAR a tentativa de criar os sovietes lulopetistas, conforme o Lauro relata e vocês não devem deixar de ler.

Ou seja, o secretário-geral da Presidência, cuja principal função não é secretariar Presidência nenhuma, mas manter “diálogo” com os chamados “movimentos populares”, vai dar com os burros n’água.

Para alegria dos democratas “deztepaiz”.

Leiam a nota aqui.

26/06/2014

às 14:00 \ Política & Cia

OPERAÇÃO LAVA JATO: É bom ter amigos poderosos… Que o diga o deputado Luiz Argôlo

(Ilustração: Rob)

(Ilustração: Rob)

A MÃO AMIGA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Nos diálogos interceptados pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef aparece combinando com o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) a entrega de alguma coisa na sede do governo da Bahia.

Documentos?

Não se sabe.

Dinheiro?

É difícil acreditar em tamanha ousadia, embora se tratasse de algo “entre 30 e 40″.

Por causa de conversas assim, cheias de códigos e referências claras a cifras, Argôlo foi ameaçado de expulsão do partido e pode ter o mandato cassado. Mas ele tem amigos…

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), resolveu ajudar o deputado em apuros.

Em troca de apoio, articulou para evitar a expulsão do parlamentar e vai mobilizar todo o aparato oficial para que ele permaneça mais quatro anos no Congresso.

16/06/2014

às 18:17 \ Política & Cia

FHC: “Lula veste carapuça e rebaixa o nível da campanha”

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM Bruno Covas)

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM/Bruno Covas)

FHC: ‘LULA VESTE CARAPUÇA E REBAIXA NÍVEL DA CAMPANHA’

Petista disse que tucano comprou votos no Congresso para aprovar a reeleição presidencial. “Ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça”, diz FHC

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reagiu nesta segunda-feira à declaração de seu sucessor, o ex-presidente Lula (PT), que o acusou de ter comprado votos, em 1996, para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no ano seguinte.

Sem nenhuma menção ao maior escândalo de corrupção da história do país, que marcou seu governo e terminou com seus aliados presos, o mensalão, Lula disse que FHC “estabeleceu a promiscuidade entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional, quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição, em 1996″.

Em nota, FHC rebateu: “Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos”, afirmou o tucano. “A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça.”

Leia mais: Em SP, PT defende Dilma e esquece candidatura de Padilha
Tsunami varrerá PT do governo, diz Aécio Neves

Neste domingo, Lula aproveitou a convenção estadual do PT para homologar a candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo de São Paulo para conclamar militantes a fazer uma campanha contra o “ódio da oposição e das elites” ao partido, à presidente Dilma Rousseff e ao prefeito paulistano Fernando Haddad – uma reação aos índices em declive de aprovação de Dilma e ao desgaste do PT.

Lula também disse que a oposição tentou tirá-lo da Presidência por meio de golpe, em 2005, auge do mensalão.

O ex-presidente FHC virou alvo de Lula porque participou no sábado da Convenção Nacional do PSDB que escolheu Aécio Neves como candidato à sucessão de Dilma.

FHC discursou contra “ladrões” e “farsantes”: “As urnas clamam, querem mudança. Elas cansaram de empulhação, corrupção, mentira e distanciamento entre o governo e o povo”.

Na ocasião, Aécio disparou:

– Um tsunami vai varrer do governo aqueles que não têm se mostrado dignos de atender às demandas da sociedade.

Os petistas reagiram dizendo que “no Brasil não tem tsunami” e que a onda gigante deveria servir para “trazer água de volta ao Sistema Cantareira” – em referência aos problemas de abastecimento no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Leia a íntegra da nota de FHC:

Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos.

Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça.

A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça. 

Não é verdade que a oposição pretendesse derrubar o presidente Lula em 2005.

Na ocasião, pedimos justiça para quem havia usado recursos públicos e privados na compra de apoios no Congresso, o que foi feito pelo Supremo Tribunal Federal. 

Apelo às lideranças responsáveis, do governo e da oposição, para que a campanha eleitoral se concentre na discussão dos problemas do povo e nos rumos do Brasil.

08/06/2014

às 16:40 \ Tema Livre

Dragon V2: a tecnologia que pode finalmente livrar a NASA do programa espacial russo

Revelada ao público na quinta-feira, a Dragon V2 é uma das concorrentes ao uso pela Nasa (Foto: SpaceX)

Revelada ao público recentemente, a Dragon V2 é uma das concorrentes entre empresas privadas a ser adotada pela NASA para transporte espacial (Foto: SpaceX)

Por Tamara Fisch

A NASA, agência espacial dos Estados Unidos, está em busca de uma nave fornecida por uma empresa privada americana para substituir a Soyuz, de fabricação russa, que está em uso atualmente para o transporte de astronautas e carga para a Estação Espacial Internacional e vice-versa.

A Dragon V2, uma nave da empresa privada americana SpaceX, revelada ao público na quinta-feira (29), pode ser o caminho para longe da Rússia.

Desde 2011, quando a NASA aposentou seu último ônibus espacial, os astronautas americanos dependem do equipamento russo para entrar e sair da atmosfera terrestre. O custo disso é de 71 milhões de dólares por astronauta.

Os Estados Unidos afirmaram querer que uma companhia nacional privada assuma a responsabilidade por esse transporte até 2017. Para isso, o governo tem distribuído incentivos, mas o avanço do processo está lento, pois o Congresso não concedeu à NASA a quantia solicitada para completar o empreendimento.

A gigante de aeronáutica Boeing, associada de longa data da agência espacial americana, também está na disputa pela tarefa. Para concorrer, as fabricantes devem criar uma nave com capacidade para pelo menos quatro pessoas e com alguns elementos de segurança pré-determinados.

Especialistas dizem que é de suma importância que esse processo seja concluído logo para que os Estados Unidos possam se afastar da Rússia, dada a crescente tensão política entre os dois países, agravada mais recentemente pela anexação da península da Crimeia ao território russo.

O histórico da SpaceX com a NASA é motivo de otimismo para a Dragon V2. A empresa já realizou com pleno êxito quatro missões de carga à Estação Espacial Internacional, durante as quais entregou suprimentos e trouxe volta experimentos e equipamentos antigos.

Abaixo, uma animação mostra como a Dragon V2 efetua o transporte de até sete astronautas para a Estação Espacial Internacional e de volta para a Terra.

 

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