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ciganos

12/04/2012

às 12:02 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Django Reinhardt e Stéphane Grappelli, os primeiros mitos do jazz europeu

Django-Reinhardt-Stéphane-Grappelli

Reinhardt e Grappelli: parceria histórica

 

Por Daniel Setti

Um era cigano, belga e mestre em violão acústico, instrumento até então raramente usado no jazz; o outro, um francês bem nascido perito em violino, elemento que tampouco figurava como solista em arranjos do gênero.

Mesmo assim – ou justamente por serem tão diferentes entre si e dos demais músicos -, estes dois virtuoses, respectivamente Django Reinhardt (1910-1953) e Stéphane Grappelli (1908-1997), criaram juntos uma nova abordagem ao jazz, lírica e melódica, com uma forte marca europeia.

Todo o “estrago” causado pela dupla, que arrebanhou como admiradores gigantes do jazz americano como Duke Ellington e Louis Armstrong, pode ser contemplado nos álbuns do Quintette du Hot Club de Paris, o grupo que lideraram e do qual ainda participaram, entre outros músicos, o irmão de Django, Joseph (também guitarrista).

A incrível química entre os músicos do Quintette inspiraria outros criadores, como Woody Allen, que não só inclui a interpretação deles para “Lieberstraum Nº3”, de Franz Liszt em seu filme Lowdown and Sweet (no Brasil, Poucas e Boas), de 1999, como baseou o roteiro na obsessão do guitarrista fictício Emmet Ray (vivido por Sean Penn) por Django. “Eu toco melhor do que qualquer outro guitarrista… exceto aquele cigano”, diz o personagem, que sempre desmaia quando vê de perto o rival.

A banda esteve ativa entre 1934 e 1939 e, após um longo intervalo forçado pela Segunda Guerra Mundial (Grappelli permaneceu em Londres, para onde a trupe havia se mudado, e Reinhardt preferiu retornar a Paris), entre 1946 e 1948.

Abaixo, em vídeo de 1938, o Quintette du Hot Club de Paris interpreta “J’attendrai”, versão francesa de canção italiana composta por Dino Olivieri e Dino Rastelli. Reparem bem, a partir dos 38 segundos, quando Django Reinhardt começa a solar. Ele não usa os dedos mínimo e anular, cujos movimentos perdeu em um incêndio. Diga-se de passagem, atribui-se a isso justamente o desenvolvimento de sua técnica peculiar.

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06/11/2011

às 10:07 \ Música no Blog

Filha de Ravi Shankar, a bela Anoushka Shankar funde com sucesso música indiana e flamenco

Anoushka-Shankar-flamenco

Anoushka: cítara a serviço do flamenco

Por Daniel Setti

Quando ouvimos falar da “filha de Ravi Shankar”, lembramos imediatamente de Norah Jones, uma das estrelas norte-americanas de maior sucesso mundial na década passada. Mas, muito antes dela aparecer no cenário com o EP First Sessions (2001), sua meia-irmã mais nova, a inglesa Anoushka, já aprontava das suas nos cenários.

Curiosamente, as mães das duas belas moças foram namoradas “extra-oficiais” de Ravi Shankar, que até o ano do nascimento da segunda estava casado com a mesma mulher desde a década de 1940.

Hoje com 30 anos, Anoushka atua como tocadora de cítara, tal qual o pai, desde os 13. Aos 17 lançava o primeiro álbum, homônimo. E com seu recém-lançado sexto trabalho, Traveller, vem atraído especial atenção por promover a fusão entre a música indiana e o flamenco.

Algo que, se observado sob uma perspectiva histórica milenar, faz um certo sentido, se considerarmos que o flamenco é uma música essencialmente cigana, e as origens dos povos ciganos remontam à Índia.

Abaixo, Anoushka e uma compententíssima banda, que inclui o pianista Pedro Ricardo Miño, tocam “Buleria con Ricardo”, em festival ocorrido na cidade catalã de Girona, em julho.

(Mais sobre música neste link)

21/09/2010

às 19:05 \ Vasto Mundo

Alemanha continua a se redimir de seu negro passado nazista ao condenar deportações de ciganos da França

Alguns leitores não concordaram com o texto crítico que postei no blog a respeito da política do presidente Nicolas Sarkozy de expulsar da França cidadãos ciganos búlgaros e romenos responsabilizados por comportamento inconveniente.

Argumentei então que se trata de cidadãos da União Européia, com direito a livre circulação entre seus 27 países, inclusive a França. Alguns leitores insistiram em que deve prevalecer a intenção de Sarkozy de manter a ordem na França, diante de distúrbios que vêm ocorrendo em alguns acampamentos ciganos.

A esses leitores, respondo com pronunciamento feito pelo porta-voz do governo conservador alemão, Steffen Seibert:

– O direito de livre circulação na União Européia é incondicional e nenhuma discriminação é permitia contra minorias étnicas.

Não podia ser mais claro. A Alemanha continua a se redimir de seu negro passado nazista.

15/09/2010

às 21:06 \ Vasto Mundo

Origem de Sarkozy torna particularmente odiosa sua postura contra imigrantes e ciganos

Protesto em Barcelona

Manifestantes protestam diante do consulado francês em Barcelona contra a repressão aos imigrantes (AFP)

O bate-boca entre o presidente francês Nikolas Sarkozy e a comissária europeia para a Justiça, a luxemburguesa Viviane Reding, só ressalta o fato de que é odiosa e discriminatória a política de Paris de, a pretexto de combater a criminalidade, deportar ciganos vivendo em acampamentos precários, bem como de cassar a cidadania de franceses naturalizados e expulsá-los do país em caso de cometerem determinados crimes.

Os ciganos búlgaros e romenos que estão sendo expulsos são cidadãos europeus em sua plenitude, e, têm, sim, o direito de viver em qualquer dos 27 países da União Européia.

Além disso, a política de Sarkozy é particularmente odiosa por circunstâncias de sua biografia pessoal: ele próprio é filho de um imigrante húngaro, Pál Sarkozy, que conseguiu deixar seu país quatro anos após a invasão soviética, em 1954. E sua mãe, Andrée Jeanne “Dadu” Mallah, tem ascendência judaica.

Os ciganos, como os judeus, foram vítimas da política de extermínio em massa praticada pelo regime nazista da Alemanha, um pouco antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

 

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