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Cesare Battisti

22/02/2014

às 22:16 \ Política & Cia

Artigo de NEIL FERREIRA: “Aê, seo dotô, vai um cafezinho aê?”

"Nós vamos pagar 27 mil garrafas térmicas, que mandaram licitar"

“Nós vamos pagar 27 mil garrafas térmicas, que mandaram licitar”

Por Neil aqui vai Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

Antes Scriptum:

“Você carrega 16 toneladas E o que você ganha?

Outro dia mais velho E mais profundo em dívida

São Pedro, não me chame Porque eu não posso ir

Eu devo minha alma à loja da empresa”. (Sixteen Tons)

 

AE SEO DOTÔ VAI UM CAFEZINHO AE?

Neil Ferreira

Nós vamos pagar 27 mil garrafas térmicas, que mandaram licitar. Bom, deve ter sido o Planalto; é lá em cima que vai tanta gente de fino trato pra, digamos, visitar e quem sabe negociar na Casa Civil, como nos bons tempos do Dirceu.

Também pode ser em Brasília, onde tudo que envolve verbas oficiais e dinheiro vivo, acontece pra frente, pra trás, de ladinho e por cima. Parece inocente noitada debaixo do edredom do BBB14.

Falei “nós pagamos” porque somos nós mesmos, o governo não tem dinheiro; pega do BNDES, que pega da gente; pega dos impostos que nos arrancam a pele. 27 mil garrafas térmicas são uma quantidade talvez maior do que o estoque da Twenty Five of March St, na temporada do Natal.

Sonhei um pesadelo sem mundos nem fundos: as garrafas térmicas tinham tudo pra eu pensar em superfaturamento. Claro que você sabe que é maldade minha, até eu sei que não é superfaturamento; isso não existe, sabe-se.

A turma lá de cima é tudo menos superfaturadora, veja os estádios da Copa do Mundo, que ao trocarem o nome para “arenas” saíram mais em conta.

O Itaquerão, por exemplo, orçado no começo em absurdos 300 milhões, está em somente Um Bilhão e Duzentos Milhões e como não está pronto pode ficar mais barato ainda, talvez em apenas Um Bilhão e Quinhentos Milhões, dinheiro privado garfado pelo BNDES e renúncia fiscal da Prefeitura e do Estado de São Paulo.

As garrafas térmicas vêm, eu imagino, acompanhadas de centenas de colherinhas, toneladas de açúcar, adoçantes e máquinas de lavar louça. Máquinas de fazer cafezinho com a cara do George Clooney.

Eu, grisalho, já me apelidaram de Clooney; e foi aqui mesmo nesta coluna (admito que eu mesmo me apelidei). Veja minha foto ali no canto, à esquerda.

Cursos de aperfeiçoamento em Roma para a diretoria, nos mesmos modestos hotéis em que se hospedaram Miss Piggy e sua caravana, tão simplesinha quanto o Papa Chico de Deus, quando vieram assistir à sua entronização.

Doceiras para os salgadinhos acompanhantes do cafezinho, “nível” coffee breaks de meia hora do STF, que duram uma hora e meia. Aventais, faxineiras e vassouras, tudo gente miudinha de Sumpólo.

Vêm anexados Diretor Presidente, Vice Presidente e Diretor de Marketing do Setor de Compras e Comunicações de Cafezinho, Xícaras e Quejandos, com justos supersalários. Que mente injusta me faz ter esse tipo de pesadelo.

Diretor de Marketing era o cargo do mensaleiro Pizzolato, o da gravatinha borboleta, julgado, condenado e sentenciado pelo STF, pelo desvio 70 milhões de reais do Visanet.

Recebeu, dentro de um saco de supermercado, dinheiro vivo pelos relevantes serviços prestados à nobre causa proletária, suficiente pra comprar à vista um apartamento de luxo na Zona Sul do Rio de Janeiro, para ser aparelho de sua família.

Falsificou documentos do irmão falecido, fugiu para a Itália e foi preso em Maranello.

Não se sabe quem é mais cara de pau: ou o fugitivo ou o Banco do Brasil, onde trabalhava(?). Durante a fuga, recebeu religiosamente o salário de 25 mil reais mensais, mais as mordomias do cargo, que não são poucas. Brasil sil sil !

Ae seu dotô vai um cafezinho ae? Depois do cafezinho, ou mesmo durante, vem a bonança, sabe-se. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/02/2014

às 19:32 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Raios que nos partam

Raios, mesmo proibidos por decreto presidencial, não provocam gargalhadas (Foto: Demétrio Aguiar / Cemig)

Raios, mesmo proibidos por decreto presidencial, não provocam gargalhadas (Foto: Demétrio Aguiar / Cemig)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

RAIOS QUE NOS PARTAM

O apagão de Fernando Henrique, em 1999, segundo a explicação oficial, foi causado por um raio que atingiu o sistema elétrico em Bauru, SP. Era um dia ensolarado, seco, sem chuvas, nem uma garoinha sequer. Mas foi o raio, e pronto.

A presidente Dilma, que se considera especialista em eletricidade, disse em 2012 que raios não afetam nem produção nem distribuição de energia. “No dia em que falarem para vocês que foi raio, gargalhem”.

E não é que o Operador Nacional do Sistema, Hermes Chipp, disse que o apagão da terça-feira pode ter sido causado por um raio?

Nem deu tempo de gargalhar: Dilma arranjou espaço na sua irritação geral para ficar irritada com Chipp, e mandou seu ministro Thomas Traumann dizer que se o problema foi causado por raio é preciso apurar se os operadores estão fazendo a manutenção adequada da rede de para-raios.

Aguarde: um eletricista daqueles que sobem no poste vai levar a culpa.

Há detalhes interessantes nessa história. Na véspera do apagão, o ministro das Minas e Energia, Édison Lobão, disse que o aumento no consumo da energia não criaria problemas no abastecimento.

Lobão é especialista em eletricidade: em sua casa, aperta um botão e a luz se acende; aperta outro, a luz se apaga.

Já de coincidências, não entende muito: nunca entendeu, por exemplo, porque o espelho de sua casa quebra assustado, por coincidência, tão logo ele se olha para fazer a barba. E, veja só, o apagão aconteceu exatamente um minuto depois que se registrou o pico de consumo de energia.

Pura coincidência, claro.

 

“Planejaumento”

O Governo Federal sabe que o preço influencia, e muito, o consumo – tanto que, para ampliar a produção de automóveis, baixou impostos, reduzindo o preço e levando mais gente a comprar seu carro.

Mas, na área de energia, acha que preço não funciona: baixou na marra a conta de luz e estimulou o aumento do consumo, sem elevar no mesmo ritmo a produção de eletricidade.

Deu azar: o consumo, já em alta, foi impulsionado por um calor sem precedentes, e há a estiagem que esvaziou as represas. A solução foi imitar mais uma vez os defeitos de Fernando Henrique e culpar o raio que ninguém viu (e que Dilma já proibiu).

 

Pizzolato, 1, 2, 3

Fuga de Pizzolato, além de mostrar fragilidade no sistema de obtenção de documentos no Brasil, pode ser a grande oportunidade da Itália se vingar por Battisti (Charge: Paixão)

Fuga de Pizzolato, além de mostrar fragilidade no sistema de obtenção de documentos no Brasil, pode ser a grande oportunidade da Itália se vingar por Battisti (Charge: Paixão)

Henrique Pizzolato, importante petista condenado no processo do Mensalão, foi preso na Itália, com passaporte falso, em nome de seu falecido irmão. Extradição ou não, não é a questão: ele será julgado lá pelo passaporte falso.

1 – Pizzolato votou duas vezes nas últimas eleições: uma como Henrique, outra como Celso, o falecido irmão. Se é fácil assim, quantos terão feito o mesmo?

2 – Pizzolato disse que queria ser julgado por tribunais democráticos como os italianos. Pois não é que agora está tendo sua oportunidade?

3 – O Governo italiano tem uma chance de ouro de vingar-se das sucessivas afrontas cometidas por Brasília no caso Césare Battisti: um tapa com luvas de pelica. Retribuir as afrontas com uma gentileza, enviando Pizzolato de volta ao Brasil. Dizem que ele está furioso por ter sido abandonado e tem coisas a contar.

08/02/2014

às 19:17 \ Política & Cia

Neil Ferreira: “Mais um heroico mensaleiro tomba no campo de batalha”

" O fugido guerrilheiro das forças populares da República Democrática Popular Sindical Mensaleira, cumpanhero Pizzolato, tombou no exílio forçado na Itália" (Charge: Alpino)

” O fugido guerrilheiro das forças populares da República Democrática Popular Sindical Mensaleira, cumpanhero Pizzolato, tombou no exílio forçado na Itália” (Charge: Alpino)

Por Neil suando em bicas Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

MAIS UM HEROICO MENSALEIRO TOMBA NO CAMPO DE BATALHA

Neil Ferreira

Neil Ferreira

Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança com situações e personagens da vida real talvez não seja mera coincidência; podem estar relacionados de alguma maneira com a vida real. Não garanto; nada é o que parece.

Não acredite em tudo que lê, principalmente no que escrevo. Só num pouquinho peço que acredite, mas não exagere; deixe o exagero por minha conta, nisso sou PhD Maxima Cum Laude.

O fato de ficção que mais me impressionou nesta semana, e a todos que têm vergonha na cara como milhões de pessoas que existem como nunca antes “neçepaíz”, na eleição de 2010 somamos mais de 44 milhões, é que o fugido guerrilheiro das forças populares da República Democrática Popular Sindical Mensaleira Cubana, cumpanhero Pizzolato, tombou no exílio forçado, dourado, na Itália.

Ele vivia no auge da sua luta a favor da emergência econômica dos emergentes cumpanheros, principalmente da emergência econômica dele mesmo, flanando em Roma, quando deixava Maranello para respirar os ares romanos.

Das escadarias da Piazza d´Espagna, emendando o passeio pela Via Del Corso, com um pit stop naquele café que é tido como o mais antigo de Roma, aberto por um grego há mais ou menos uns 200 anos, para olhar, com uma xícara de algum café raro na mão, no outro lado da rua, a fila de cumpanheras dus cumpanheros, pra entrar na loja Prada e comprar bolsas de mais de 10 mil euros pra cima.

Depois, um almoço ligeiro na Piazza Navona, tida como a mais bela do mundo, em frente da riquíssima Embaixada do Brasil, desprezada pela Miss Piggy quando foi assistira à posse do Papa Chico de Deus.

Pra esconder-se, a Toscana nem pensar; só o Claudio Carsughi, que mora lá e trabalha na Jovem Pan. Cidadezinhas de nada, cheias de estátuas de homens pelados e igrejas cheias de túmulos de papas e um certo desconhecido Nicolò Machevelli.

Tem aquela casinha (térrea?) que abriga quase 300 retratos da Madona Co´l Bambino, imagine só que chatice, parede por parede cheias da mesma coisa. Teria dito em Roma: “– Conte comigo fora desa”.

Tome nota do sobradinho modesto, dizem que de janelas sempre fechadas, em que se refugiava em Maranello, pra tramar alguma maneira de fazer o dinheiro render de forma chinesa: capitalista-socialista.

Sabe-se que o socialismo é a forma mais rápida de um socialista virar capitalista; Lulão, Lulinha, Dirceu, Delúbio, são catedráticos na matéria.

Mas tem a farmácia secular em que Hannibal Cannibal Lecter adquiria a fragrância com que perfumava suas cartas para a Clarice, do FBI. Pizzolato não tinha tempo para essas besteiras porque a luta proletária é ação em tempo integral.

 "Atrasei barbaridade o envio deste texto para redação porque o Apagão de energia que castigou 11 Estados e 6 milhões de pessoas e rondou a minha casa, sei também do que se trata: culpa do FHC" (Foto: InfoExame)


“Atrasei barbaridade o envio deste texto para redação porque o Apagão de energia que castigou 11 Estados e 6 milhões de pessoas e rondou a minha casa, sei também do que se trata: culpa do FHC” (Foto: InfoExame)

A emergência dele (de emergente), que teve o heroísmo testemunhado e alardeado pelo portador de munição para a vitória da Revolução Democrática Popular Sindicalista Cubana, foi ter recebido um saco de supermercado cheio de dinheiro confiscado das forças direitistas decadentes, imediatamente transferido para suas burras pessoais e culminou na compra de um apartamento de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, para servir de aparelho de sua (dele) propriedade.

O fato é ficção porque se for extraditado pela direita decadente que domina a Itália, será solto pelas autoridades sindicalistas, pouco a pouco sendo investidas de poder cada dia mais poderoso, mas ainda não totalmente Populares Democráticas Sindicalistas Cubanas, mas você vai ver só daqui a pouco.

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05/01/2014

às 17:56 \ Política & Cia

MENSALÃO: Chega de LUTO diante da decisão do Supremo. Vamos trocá-lo pela LUTA para tirar o lulopetismo do poder, com o VOTO . Eis 20 RAZÕES para votar contra o PT em 2014

O voto em outubro de 2014 é a grande arma para mudar o atual estado de coisas (Foto: Agência Senado)

Publicado originalmente em 23 de setembro de 2013

campeões de audiência 02CHEGA DE LUTO. A decepção pela decisão do Supremo de aceitar os embargos infringentes e, com eles, esticar o julgamento da quadrilha de mensaleiros até Deus sabe onde — com o risco de crimes graves serem prescritos, e quadrilheiros saírem livres, leves e soltos — foi um golpe duro na confiança na Justiça.

Escrevi dias atrás que jogava a toalha, e, quanto ao Supremo, joguei mesmo. Se vier cadeia para aqueles que tentaram um golpe de Estado branco contra a democracia, me considerarei no lucro. Mas, infelizmente — admito –, não deposito esperanças no tribunal.

Isso não me impedirá de continuar a escrever apontando as mazelas do lulopetismo que nos governa há já quase onze anos. Muito menos de apontar, sempre, a necessidade de não jogar a toalha quanto às ELEIÇÕES — não apenas para a Presidência, mas para o Congresso, algo para que grande parte dos brasileiros não dá a devida atenção na hora de votar.

Insistirei, sempre, na necessidade de tirar essa gente do poder pelo instrumento democrático do voto.

E começo hoje, dia em que dou um basta ao luto e proponho, em seu lugar, a LUTA política, por apontar PELO MENOS 20 RAZÕES PARA VOTAR CONTRA O PT NO ANO QUE VEM — o que significa votar contra o projeto hegemônico de Lula.

 O projeto hegemônico de Lula é também…

1. O projeto de tomar conta do Congresso, comprando-o com dinheiro sujo, e subordiná-lo ao Executivo,

2. O projeto daquele que o Ministério Público denunciou como sendo “chefe da quadrilha do mensalão” — e que como tal foi aceito pelo Supremo Tribunal –, o ex-ministro José Dirceu, o velho projeto totalitário de “bater neles nas urnas e nas ruas”,

Dirceu com Lula nos tempos em que comandava a Casa Civil e Lula era presidente: projeto hegemônico e de manter o poder a qualquer custo (Foto: veja.abril.com.br)

3. O projeto de quem cooptou a maior parte dos partidos políticos representados no Congresso num processo obsceno de fornecimento de cargos, verbas parlamentares, vantagens e facilidades várias, tudo o que antes o lulopetismo criticava como sendo a “velha política” brasileira — que agora ele próprio pratica de forma descarada, em aliança espúria com gente como Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor e semelhantes, com o objetivo de manter-se no poder até onde a vista alcança.

4. O projeto de um “núcleo duro” estalinista que nunca escondeu seu desprezo pela “democracia burguesa” — e que continua não escondendo.

5. O projeto de Rui Falcão, aquele que, embora nascido e cevado nela, denuncia “a elite” e ofendeu o Supremo Tribunal Federal ao incluí-lo entre a oposição “conservadora, suja e reacionária”.

6. O projeto de Franklin Martins — que voltou a frequentar o Planalto — e sua turma, que a cada momento ressurge dentro do PT querendo um certo “controle social” da imprensa, sinônimo de calar a boca da imprensa independente.

7. O projeto dos que somente aplaudiram o Supremo Tribunal Federal APÓS a admissibilidade dos embargos infringentes — ANTES, denunciavam as condenações impostas pela corte aos quadrilheiros ladravazes como sendo um “golpe” da oposição e da imprensa e uma condenação arbitrária e “sem provas” – , não aceitando as regras mais elementares da democracia e do Estado de Direito,

8. O projeto de quem enfraqueceu o Supremo com designações de integrantes sem currículo para estar na Corte, e depois procurou aparelhá-lo, no transcurso do julgamento do mensalão, com certos ministros escolhidos a dedo para absolver Dirceu et caterva.

Lula na foto histórica de sua peregrinação até a mansão de Maluf em São Paulo para selar o apoio a Fernando Haddad (centro) como candidato a prefeito: qualquer aliança para manter o poder (Foto: Folhapress)

9. O projeto daqueles que, propositalmente, martelam nos ouvidos da opinião pública que quem se opõe aos desígnios e propósitos do lulopetismo “é contra o Brasil”, dividindo os brasileiros entre “nós” e “eles” — exatamente como fazia a ditadura militar com o odioso “ame-o ou deixe-o”.

10. O projeto de quem esvaziou, desmoralizou e politizou as agências reguladoras — criadas durante o período FHC para serem entes do Estado, e não de governos, com composição, padrão e ação técnicos –, distribuindo-as como moeda de troca entre partidos, recheando-as de militantes ideológicos e de gente despreparada.

11. O projeto de quem, com propósitos políticos e de atender a uma “elite” clientelista, inchou com milhares de militantes partidários os quadros da administração pública.

12. O projeto de quem distribuiu cargos gordos e de alto salário em conselhos de estatais e de fundos de pensão de funcionários de estatais a sindicalistas “companheiros” — não pela competência, em quase todos os casos perto de nula, mas pela afinidade ideológica,

13. O projeto de quem prestou durante o lulalato, e em menor grau continua prestando no governo Dilma, seguidas homenagens a regimes párias como o de Cuba e o do Irã, estendeu o tapete vermelho para demagogos autoritários como o falecido Hugo Chávez e passou a mão na cabeça de governantes que pisoteiam interesses brasileiros, como Evo Morales, da Bolívia.

Evo Morales (capacete branco) com militares em instalações da Petrobras ocupada pelo Exército boliviano: governo lulopetista passou a mão na cabeça de quem pisoteou interesses brasileiros (Foto: typepad.com)

14. O projeto de quem tratou os narcoterroristas das chamadas “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, as Farc, como grupo político legítimo no cenário colombiano, e não como os bandidos, sequestradores e assassinos que são, mostrando por eles mais consideração do que com os governos democráticos, mas “de direita”, de Bogotá.

15. O projeto de quem envergonhou o Brasil se abstendo de condenar, na ONU, regimes que massacram os direitos humanos, concedendo prioridade em desferir caneladas em aliados ocidentais, a começar pelos Estados Unidos,

16. O projeto de quem, seguindo a cartilha de uma república de bananas, abriu com generosidade os braços ao terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, concedendo-lhe o status de refugiado político e insultando uma democracia exemplar como a Itália, tradicional amigo do Brasil e terra onde 35 milhões de brasileiros têm raízes.

17. O projeto daqueles que, na oposição, durante 22 anos sistematicamente se opuseram, por razões ideológicas, a medidas que beneficiavam o Brasil, de tal forma que nada que a atual oposição faça possa nem de longe lembrar o comportamento deletério e derrotista manifestado por Lula e o lulopetismo ao longo dos governos de quatro presidentes civis.

18. O projeto de quem, por razões ideológicas, está atado a um Mercosul inútil, cada vez mais bolivariano, que não consegue negociar acordos de livre comércio com ninguém importante e no qual, dando um passa-moleque no tradicional aliado que é o Paraguai, o Brasil contribuiu para abrigar a ditadura venezuelana, violando a “cláusula democrática” que só admite regimes livres no grupo.

Enquanto ficamos para trás no comércio internacional, países latino-americanos pequenos como a Costa Rica e o Panamá assinam acordos de livre comércio com todas as grandes potências econômicas, e o Peru, o Chile e a Colômbia unem-se ao México — que já tem acordo semelhante com os Estados Unidos e o Canadá — na Aliança do Pacífico.

19. O projeto de quem brinca com a inflação e procura ocultá-la debaixo do tapete, de olho nas eleições do ano que vem, garroteando e dando prejuízos à Petrobras, interferindo nas empresas de energia elétrica e criando uma insegurança jurídica que afasta investidores estrangeiros dos leilões de concessão.

20. O projeto de quem está jogando pela janela as chances de o Brasil dar um salto espetacular de progresso, com um governo medíocre, que promove um crescimento econômico ridículo, desequilibra as contas públicas, gasta cada vez mais com a própria manutenção e empurra com a barriga, por falta de liderança política, reformas essenciais, como a tributária.

Por hoje está bom, não? Estão aí vinte boas razões para votar CONTRA o lulopetismo no ano que vem.

Se fossem só essas vinte… Continuaremos com o assunto.

19.

03/01/2014

às 18:15 \ Política & Cia

MENSALÃO: Fuga do ladrão Pizzolato é um tapa na cara dos brasileiros decentes — e coisa de país mequetrefe

O delegado Marcelo Nogueira, da Polícia Federal, observado por colegas, recebe telefonema do advogado Marthius Lobato sobre a fuga de Henrique Pizzolato (Foto: Cecília Ritto)

O delegado Marcelo Nogueira, da Polícia Federal, observado por colegas, recebe telefonema do advogado Marthius Lobato sobre a fuga para a Itália do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (Foto: Cecília Ritto)

Post publicado originalmente a 16 de novembro de 2013, às 21h31

Foi a crônica de uma fuga anunciada.

campeões de audiência 02Amigas e amigos do blog, é nisso que dá a legislação frouxa e as autoridades “compreensivas” que temos “neztepaiz”: o ladravaz condenado Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil durante o lulalato e personagem de proa do processo do mensalão, se manda para a Itália, lançando mão da dupla nacionalidade de que dispõe, para escapar da merecida cadeia a que foi condenado no Brasil.

Pergunto: adianta condenar, oito anos depois de denunciada a bandalheira, após ingente trabalho do Supremo Tribunal Federal consubstanciado em 50 mil páginas de processo, se não há a menor preocupação de manter vigilância sobre os condenados depois que se tornou claríssimo que haveria condenação?

Pergunto de novo: adianta confiar na palavra de réu condenado, que prometia se apresentar?

Pergunto ainda uma vez: se ele escapuliu de Ponta Porã (MS) para Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde seguiu para a Europa, como fica a vigilância de nossas fronteiras?

Pizzolato era o único dos réus com dupla nacionalidade.

Pizzolato já havia estado na Itália semanas atrás — provavelmente providenciando moradia e tomando outras medidas para instalar-se no país.

Passou a perna nas autoridades todas, fez a Polícia Federal de tonta, desmoralizou o Supremo, deu um tapa na cara dos brasileiros de bem.

Neste caso, como em tantos outros, agimos como o que somos: um país mequetrefe, de terceira categoria, que não leva nada a sério, que não se dá o respeito, cujas autoridades, por negligência, debocham do povo brasileiro — um país que agora é humilhado internacionalmente por um criminoso de colarinho branco se dizendo perseguido político em plena vigência de um regime democrático.

E — ironia das ironias — o condenado foragido alega buscar uma suposta “justiça” na Itália, a mesma Itália onde o lulalato alegava que o terrorista e assassino Cesare Battisti seria “perseguido” caso fosse, como deveria, extraditado do Brasil para lá pagar por seus crimes.

Agora, toca “eztepaiz” a lançar mão de toda uma série de providências jurídicas e diplomáticas intermináveis, de resultado incerto — uma vez que, sendo formalmente cidadão italiano, mesmo que ele desconheça por completo o idioma, é bem possível que a Itália não extradite Pizzolato para o Brasil –, para que o criminoso cumpra, aqui, sua pena.

Para ver a trabalheira que dará tentar trazer o ladrão de volta, e constatar o cinismo de quem, ainda por cima, critica a Justiça — e, naturalmente, a imprensa — do país, leiam a reportagem do site de VEJA intitulada Pizzolato foge para a Itália e debocha das autoridades brasileiras.

08/10/2013

às 21:04 \ Política & Cia

Tarso Genro acha que o PMDB participará de “qualquer governo” eleito em 2014

O governador gaúcho Tarso Genro, ex-presidente do PT, durante o programa da TV Cultura (Foto: Jair Magri)

O governador gaúcho Tarso Genro, ex-presidente do PT, durante o programa da TV Cultura (Foto: Jair Magri)

Entrevistado pelo apresentador Augusto Nunes e com uma bancada de que participaram outros cinco jornalistas, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, fez uma previsão ao participar, até o início da madrugada de hoje, do programa Roda-Viva, da TV Cultura:

– O PMDB participará de qualquer governo que seja eleito em 2014.

Sem abordar os aspectos fisiológicos pelos quais o PMDB é notório, o governador lembrou que partido se caracteriza por constituir um conjunto de lideranças regionais, cujo tamanho e capilaridade por todo o país o tornam fator de “governabilidade”. Tarso, ex-presidente do PT, também disse que, devido a sua heterogeneidade, é previsível que parte dos quadros do PMDB não se alinhem ao novo governo, seja ele qual for.

O governador foi perguntado sobre um grande número de temas ao longo da hora e meia do programa. Entre outros pontos, defendeu a concessão de asilo político ao terrorista italiano Cesare Battisti pelo governo no final do mandato de Lula, em dezembro de 2010, quando ele próprio era ministro da Justiça e voltou a dizer que o PT precisa viver um processo de “refundação”, tal como pregou logo após a eclosão da crise do mensalão, em 2005. Esse processo implicaria em uma maior aproximação e integração do PT com outras correntes de esquerda, representadas ou não em partidos.

Sobre o mensalão, Tarso considerou que o julgamento dos mensaleiros foi sobretudo “político”, mas não atribuiu conotação negativa a essa qualificação. Utilizando linguagem bem diferente de muitos de seus colegas de partido que vêm investindo contra o Supremo e os ministros, classificou de “normal” que o Supremo leve em consideração fatores não exclusivamente jurídicos em decisões de larga repercussão, afirmando que é ali, na corte, que “a política e a Constituição se encontram” — e que sempre foi assim.

28/08/2013

às 20:20 \ Política & Cia

CASO ROGER PINTO MOLINA: Um dos piores momentos da diplomacia brasileira

Roger Pinto Molina, ex-senador boliviano, refugiado no Brasil, terá o mesmo tratamento que Battisti? (Foto: Reprodução / Facebook)

Roger Pinto Molina, ex-senador boliviano, asilado no Brasil: terá eleo mesmo tratamento que o terrorista Battisti? (Foto: Reprodução / Facebook)

Editorial publicado no jornal O Globo, publicado em sua seção “Opinião”

UM DOS PIORES MOMENTOS DA DIPLOMACIA BRASILEIRA

Embora haja ainda muito a esclarecer sobre a história da retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina do confinamento de 455 dias na embaixada em La Paz, pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia, o caso parece ser mais uma demonstração de como o profissionalismo outrora reconhecido do Itamaraty foi corroído por interesses partidários e simpatias lulopetistas pelo nacional-populismo bolivariano-chavista hegemômico na Bolívia.

A defenestração do chanceler Antonio Patriota é apenas parte do enredo.

Dizendo-se surpreendido pelo desfecho da operação executada pelo encarregado de negócios da embaixada, Eduardo Saboia — filho do embaixador aposentado Gilberto Vergne Saboia, conhecido pela atuação na defesa dos direitos humanos —, não havia mesmo como o chanceler continuar no cargo.

Sem ter conseguido se impor minimamente no ministério de Dilma, Patriota já não contava com a simpatia da centralizadora presidente, segundo se dizia há tempos.

Nas entrevistas seguras que concedeu depois de cruzar a fronteira em veículos diplomáticos, sob a segurança de fuzileiros navais brasileiros, o diplomata foi claro: já comunicara ao ministério que poderia tomar uma decisão de emergência por razões humanitárias, devido ao estado de saúde de Molina, obrigado a ficar num cubículo, com pouco contato com o mundo exterior.

Situação diferente de Julian Assange (Wikileaks), também forçado de forma abusiva pelo governo inglês a acampar na embaixada equatoriana em Londres, mas onde concede entrevistas e recebe visitas.

A atual política externa brasileira assumiu o papel indecoroso de carcereiro

Até que desmentidos comprovados convençam do contrário, o governo Dilma, com o Itamaraty de agente, aceitou passivamente que o governo boliviano de Evo Morales não concedesse o salvo-conduto ao senador de oposição, para vencê-lo por fadiga psicológica.

A atual política externa brasileira assumiu o papel indecoroso de carcereiro, contra os princípios da diplomacia do velho Itamaraty. Foi traída uma política de Estado de sempre colocar o Brasil ao lado de boas causas do ponto de vista ético.

Mas a flexibilidade da espinha dorsal desta política externa de ocasião não parece ter limites.

A Bolívia já expropriou refinaria da Petrobras sem um resmungo de Brasília, que também aceitou fazer parte de uma operação sibilina com a Argentina e Uruguai para trocar o velho aliado Paraguai pela Venezuela chavista no Mercosul.

O novo ministro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, logo será testado, diante do provável pedido de extradição que a Bolívia encaminhará.

O senador é acusado na Justiça de corrupção, mas a independência do Judiciário boliviano tem o valor de uma folha de coca ao sopé dos Andes.

Valerá para Pinto Molina o que valeu para o esquerdista italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por homicídio, mas acolhido pelo PT, ou não?

25/08/2013

às 19:27 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Presidenta, explique para nós essa história dos médicos cubanos. Queremos respostas excelentas

Por que os médicos cubanos não podem a trazer a família para o Brasil? (Foto: Gramna.cu)

Pugilistas cubanos que queriam asilo foram entregues à ditadura dos Castro. Já o terrorista Battisti foi abrigado no Brasil. E se algum médico cubano não quiser voltar, quiser permanecer no país? (Foto: Gramna.cu)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas hoje por diversos jornais

PRESIDENTA, EXPLIQUE PARA NÓS

Há pouco mais de um mês, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o governo tinha desistido da importação de médicos cubanos. De repente, não mais que de repente, arranjou quatro mil para pronta entrega.

Será Padilha tão bom assim de negociação? Ou antes estaria, perdoe-nos a ousadia, mentindo?

Cuba, comunista há mais de 50 anos, tem no planejamento centralizado a base de sua estrutura governamental.

Como é que, de repente, aparecem quatro mil médicos disponíveis? Estará Cuba, em nome da solidariedade ao Governo brasileiro tão amigo, disposta a sacrificar o atendimento médico à sua população?

O PT condena a gestão da Saúde por organizações sociais, a seu ver uma inaceitável terceirização. Saúde não deve dar lucro. Pagar um Governo estrangeiro para que envie profissionais de sua escolha e os remunere com parte do que recebe não é terceirização? O que sobra para o Governo cubano não é lucro?

Grandes empresas do país já foram enquadradas na Lei do Trabalho Escravo porque terceirizaram parte de sua produção para outras, que pagavam abaixo do mínimo, obrigavam seus empregados a morar onde mandavam e aproveitavam-se de sua situação para explorá-los – ou aceitavam ou eram enviados de volta a seus países.

Em que diferem os médicos cubanos, obrigados a morar onde Havana mandar, impedidos de optar por outra vida e ganhando aquilo que lhes for determinado pelo governo cubano, dos imigrantes escravizados?

São dúvidas razoáveis. E a presidenta com certeza dará respostas excelentas.

Lula-lá

Do presidente Lula, em 19 de abril de 2006, ao inaugurar o setor de emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre (fonte, Agência Brasil):

– Eu acho que não está longe da gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país.

Seriam os médicos cubanos o toque que faltava para atingir a perfeição?

Se eram, por que o governo demorou tanto para trazê-los?

Pensando no futuro

Tanta gente chegando ao Brasil, em tão pouco tempo, faz surgir outra dúvida: imaginemos que alguns dos cubanos resolvam mudar de vida e pedir asilo político ao Brasil.

Os pugilistas cubanos que se atreveram a isso foram presos e enviados de volta a Cuba num avião venezuelano.

Já Césare Battistir ecebeu asilo político.

Qual dos exemplos será seguido se algum médico não quiser voltar?

Dúvida final

Por que os médicos cubanos não podem a trazer a família para o Brasil?

06/08/2013

às 13:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: A presença do novo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal dá medo. Lendo este artigo, vocês entenderão por quê

BARROSO TOMA POSSE -- Ele mete medo pelo que pensa sobre o Brasil, e sua presença no STF só anima ainda mais o esforço que se vem fazendo para a criação de um país sem castigo. O "garantismo" só funciona para o crime (Foto: Carlos Humberto / STF)

BARROSO TOMA POSSE -- "Ele mete medo pelo que pensa sobre o Brasil, e sua presença no STF só anima ainda mais o esforço que se vem fazendo para a criação de um país sem castigo. O 'garantismo' só funciona para o crime" (Foto: Carlos Humberto / STF)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

A NEGAÇÃO DA JUSTIÇA

A entrada do advogado Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal, na vaga mais recente aberta na corte máxima da Justiça brasileira, é uma decisão que dá medo.

Não há nada de errado quanto ao homem em si. Tanto quanto se saiba, trata-se de um bom cidadão, bom advogado e boa pessoa. Tem experiência e nunca foi reprovado, muito menos por duas vezes seguidas, num concurso público.

O problema do ministro Barroso não está em quem ele é. Está no que ele pensa. Seu modo de olhar para a vida, para a Justiça e para a relação entre uma e outra é profundamente perturbador num Brasil onde o crime violento se torna a cada dia uma atividade mais segura para quem o pratica.

A presença de Barroso no STF ajuda, e com o tempo talvez garanta, que o tribunal onde se molda o figurino usado todos os dias nas decisões tomadas pela Justiça se enterre ainda mais no esforço geral que vem sendo feito, há anos, para criar um país sem castigo.

Como assim?

A corte de Justiça mais alta da República, onde onze doutores e seus 3.000 auxiliares se orgulham de fazer respeitar cada átomo das leis brasileiras, seria um polo do mal?

Não foram condenados ali ainda há pouco, no mensalão, malfeitores poderosos?

Acontece que as decisões do nosso tribunal supremo, dia após dia, depravam o direito essencial do cidadão de ser protegido contra o crime.

O assassino “Taradão” está solto devido à pureza jurídica do STF

Vamos aos fatos. Encontra-se em liberdade no Pará o indivíduo que se faz conhecer pelo apelido de “Taradão” – um certo Regivaldo Galva – condenado em júri popular como mandante do assassinato da missionária Dorothy Mae Stang, americana que se naturalizou brasileira, em fevereiro de 2005.

A irmã Dorothy era uma senhora de 73 anos; seus matadores acharam necessário meter-lhe seis balas para resolver o problema. Oito anos já se passaram desde que o crime foi cometido; “Taradão” continua livre, porque a pureza jurídica do STF, por decisão do Ministro Marco Aurélio Mello, achou que durante esse tempo todo ele não teve seus direitos de defesa plenamente respeitados.

Acusado de ser seu parceiro no crime, o fazendeiro Vitalmiro Moura, vulgo “Bida”, já passou por três júris e foi condenado em dois; todos foram anulados, e o homem caminha agora para seu quarto julgamento. “Bida”, segundo o STF, não teve “tempo adequado” para preparar a sua defesa – isso num crime praticado em 2005.

O estuprador sexual e ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, está solto e foragido porque o ministro Gilmar Mendes entendeu que ele não representava mais perigo algum

Não se trata de aberrações que só acontecem de vez em quando. É a regra. Mais exemplos? Perfeitamente. O médico paulista Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão pela Justiça criminal de São Paulo em novembro de 2010 sob acusação de ter praticado 52 estupros e atentados violentos ao pudor contra suas próprias clientes, foi solto por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Sua excelência julgou que o estuprador serial deveria recorrer em liberdade da sentença, pois não representava mais perigo nenhum; como tivera seu registro cassado e não podia mais exercer a medicina, não teria oportunidade de continuar estuprando, já que não iria mais dispor de um consultório para estuprar clientes.

Pouco depois, no começo de 2011, Abdelmassih fugiu e até hoje não foi encontrado.

Condenado por quatro homicídios na Itália, que tem uma Justiça 500 vezes melhor do que a brasileira, Cesare Batista foi colocado na rua por decisão de suas excelências

O cidadão italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro homicídios que cometeu na Itália, e apresentado no Brasil como “refugiado político de esquerda”, foi outro dos grandes agraciados recentes do STF.

Battisti fora condenado, em processo perfeitamente legal, pela Justiça italiana – que deve ser, por baixo, umas 500 vezes melhor que a brasileira. Teve todos os seus direitos estritamente respeitados, e a mais plena liberdade de defesa.

Naturalmente, ao descobrir que estava preso no Brasil (por entrada ilegal no país), a Itália pediu sua extradição, e em 2009 o caso foi para o STF. Houve, é lógico, grande irritação do então presidente Lula e de seu ministro da Justiça, Tarso Genro – que considerou o pedido um “desaforo ao Brasil e à democracia”.

O STF, no fim, entregou a decisão final a Lula, sabendo perfeitamente o que ia acontecer, e de fato aconteceu: no seu último dia na Presidência, Lula decidiu que Battisti iria ficar por aqui.

Seguiu-se a habitual simulação de altas considerações jurídicas por parte dos ministros (o seu acórdão era um insulto ao bom-senso: tinha quase 700 páginas) e finalmente, em junho de 2011, suas excelências colocaram Battisti na rua, onde permanece livre até hoje.

O prodígio mais recente do Supremo: deixar livre os implicados na morte do calouro de Medicina Edison Tsung Chi Hsueh

O prodígio mais recente da Suprema Corte brasileira aconteceu agora, no início deste último mês de junho, quando se deu como “extinto” qualquer tipo de processo penal pelo assassinato do estudante Edison Tsung Chi Hsueh, morto por afogamento durante um trote na Faculdade de Medicina da USP, a mais celebrada do Brasil.

O crime foi cometido, acredite-se ou não, em 1999, e estava sem punição até agora, catorze anos depois; daqui para diante, ficará impune para sempre.

Em 2006, após sete anos de enganação judicial, um outro excelso tribunal, o STJ, trancou a ação penal contra os réus denunciados pelo homicídio, impedindo que fossem a julgamento pelo júri – os hoje médicos Guilherme Novita Garcia, Frederico Carlos Jaña Neto, Luís Eduardo Passarelli Tirico e Ari de Azevedo Marques Neto.

O relator do processo, ministro Paulo Gallotti, concluiu que tudo foi “uma brincadeira de muito mau gosto”.

Agora, finalmente, o STF decidiu que a regra é clara: para que a lei seja respeitada em toda a sua majestade, o assassínio de Tsung jamais deverá ser julgado. Uma salva de palmas para os doutores Novita Garcia, Jana Neto, Tirico e Azevedo Marques, que hoje oferecem seus serviços nos Facebooks da vida, e estão completamente livres para clinicar.

“Eu quero dizer que este tribunal está simplesmente impedindo o esclarecimento de um crime bárbaro”, protestou o próprio presidente do STF, Joaquim Barbosa.

Está, sim – e daí? Vive salvando o couro de todo mundo, de “Taradão” aos ilustres médicos paulistas. Continuará a salvar: histórias como as contadas acima fazem parte de uma lista sem fim.

Por que ter medo do novo ministro? É que o doutor Barroso acha que isso tudo descrito acima ainda é pouco

E o novo ministro, Roberto Barroso – por que ter medo do homem, se ele não participou de nenhuma dessas decisões? Porque o doutor Barroso acha que isso tudo ainda é pouco. Na sua opinião, o problema da Justiça brasileira é que as leis são rigorosas demais e as punições para os criminosos, nos raros casos em que alguém é punido, são realmente um exagero.

As sentenças do mensalão, por exemplo, foram uma decisão “fora da curva” – segundo ele, o STF “endureceu sua jurisprudência”, ou seja, deixou de lado, por um instante, sua tradição de amolecer diante do crime.

"Taradão", assassino de Dorothy Stang; Roger Abdelmassih, estuprador em série e Cesare Battisti, assassino condenado: livres, leves e soltos

"Taradão", assassino de Dorothy Stang; Roger Abdelmassih, estuprador em série e Cesare Battisti, assassino condenado: livres, leves e soltos

As outras convicções do novo ministro, é claro, vão na mesma linha. Ao defender Cesare Battisti – sim, foi ele o advogado do quádruplo assassino no processo de extradição -, afirmou que suas condenações pela Justiça da Itália não poderiam ser levadas em consideração.

Barroso chegou a dizer que a democracia italiana, nos anos 70, era “muito mais truculenta do que a ditadura brasileira” – ou que no combate ao terrorismo de esquerda na Itália “morreu mais gente” que no Brasil do AI-5.

É uma falsificação grosseira dos fatos – na Itália, durante a época do terrorismo, morreram 2 000 pessoas, mas quase todas foram assassinadas pelos próprios terroristas, e não pela “repressão”.

As duras prisões preventivas na Itália, de até oito anos, eram rigorosamente previstas em lei, e não inventadas pelo governo. Enquanto isso, no Brasil, a Justiça estava proibida de apreciar qualquer ato cometido por autoridades militares. Será que agora, como ministro do STF, Barroso continua pensando que o AI-5 respeitava mais o direito de defesa do que a legislação da Itália?

O novo ministro também reclama contra o número alto demais de pessoas pobres nas prisões. Não teria ocorrido ao doutor Barroso que há muito mais pobres do que ricos nas prisões porque há muito mais pobres do que ricos no Brasil? O novo ministro acha que só deveriam ir para a cadeia autores de assassinatos ou estupros; todos os demais ficariam em “prisão domiciliar”.

É contra, naturalmente, a redução da maioridade penal, hoje de 18 anos. Nada disso, claro, está só na cabeça do doutor Barroso. Ao contrário, é o pensamento que predomina entre seus colegas do STF, a Ordem dos Advogados do Brasil e a maioria dos desembargadores, juízes e promotores brasileiros – somados ao Congresso, onde se fabricam todos os truques legais desenhados para proteger os criminosos, ao aumentar ao máximo seus direitos de defesa, as atenuantes para seus crimes e os benefícios para os que acabam condenados.

A aberração que se chama de “garantismo” é uma doutrina que se propõe a garantir à defesa virtualmente qualquer desculpa legal que invente para salvar o réu

A consequência prática desse modo de ver a vida é a seguinte: no Brasil é permitido matar à vontade, pois para que a lei penal seja perfeitamente cumprida, como exigem os magistrados, será indispensável deixar sem punição quem matou.

Está na moda, hoje em dia, chamar essa aberração de “garantismo” – doutrina que se propõe a garantir à defesa virtualmente qualquer desculpa legal que invente para salvar o réu. Na verdade, é apenas outra palavra para dizer “impunidade”.

Soma-se a isso o entendimento, cada vez mais aceito em nosso mundo jurídico e político, de que a ideia da responsabilidade individual, em pleno vigor em qualquer país civilizado, se tornou obsoleta no Brasil.

Aqui, segundo nossos magistrados e legisladores, o indivíduo não deve ser considerado responsável por seus atos.

No Brasil, quem mata, rouba ou sequestro nunca é considerado o verdadeiro culpado

Quando mata, rouba ou sequestra, a culpa não é realmente dele. É da pobreza em que nasceu, da família que não o apoiou, da publicidade que estimula o consumo de coisas que não pode comprar, dos traumas que sofreu, das boas escolas que não teve, dos empregos mal pagos, das vítimas que possuem dinheiro ou objetos desejados por ele, do alto preço dos jeans, tênis e iPhones – enfim, de tudo e de todos, menos dele.

E os milhões de brasileiros que têm origens e condições de vida exatamente iguais, mas jamais cometem crime algum – seriam anormais? Não há resposta para observações como essa.

O resultado está à nossa volta, todos os dias. Vivemos num país que tem 50.000 homicídios por ano – o equivalente, no mesmo período, ao número de mortos na guerra civil na Síria, a mais selvagem em curso no mundo de hoje. Para cada 100 crimes cometidos em São Paulo e investigados pela polícia no primeiro quadrimestre deste ano, apenas três prisões foram feitas.

No primeiro trimestre de 2013, houve 101 latrocínios só em São Paulo – mais de um por dia. Ainda em São Paulo, e só ali. 50.000 criminosos liberados para comemorar o Natal ou festejar o Dia das Mães não voltaram à prisão nos últimos dez anos. Em três dias, no Brasil de hoje, mata-se uma quantidade de pessoas igual à que os agentes do governo são acusados de ter matado nos 21 anos de regime militar.

Temos uma “Comissão Nacional da Verdade” para investigar 300 mortes de “militantes de esquerda” ocorridas quarenta anos atrás (outros 120 cidadãos foram assassinados pelos grupos de “luta armada”), mas não se investigam, não para valer, os 100 homicídios cometidos nas últimas 24 horas. A selvageria dos assaltantes vai de recorde em recorde; deram, agora, para incendiar vítimas que têm pouco dinheiro no bolso ou para assassinar bebês de 2 anos de idade, como aconteceu em junho num assalto em Contagem, ao lado de Belo Horizonte.

Todos os estudos internacionais demonstram uma espetacular redução do crime na maior parte do mundo; determinados delitos, como assalto à mão armada, furto de carros e roubo a bancos, estão simplesmente em via de extinção em muitos países. O Brasil vai na direção exatamente oposta.

Estimular essa barbaridade toda com leis que multiplicam ao infinito os direitos de assassinos e dificultam ao extremo sua punição, como fazem os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, é agredir a democracia e a Constituição brasileira, que garantem a todos, e acima de tudo, o direito à vida. É negar a liberdade, ao fazer com que o cidadão corra o risco de morrer todas as vezes que sai de casa, ou mesmo quando não sai.

O doutor Barroso, seus colegas e quem mais pensa e age como eles imaginam que seu “garantismo” ajuda a evitar a condenação de inocentes. Só conseguem criar, na vida real, a garantia para os culpados.

É ou não para ter medo?

23/05/2013

às 18:38 \ Política & Cia

Posição em favor do terrorista Battisti é, a meu ver, mancha no currículo do novo ministro do Supremo

O advogado Luís Roberto Barroso. Escolha foi elogiada pelos ministros do STF (Foto: Folhapress)

O advogado Luís Roberto Barroso. Escolha foi elogiada pelos ministros do STF. Não tenho ideia de como ele se comportará no caso do mensalão, mas lamento que haja contribuído para que o terrorista Battisti ficasse no Brasil (Foto: Folhapress)

O site de VEJA publicou as primeiras repercussões sobre o nome que a presidente Dilma vai indicar ao Senado para integrar o Supremo Tribunal Federal. Vejam em seguida as informações, e depois minha opinião:

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) elogiaram a escolha do advogado Luís Roberto Barroso para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em novembro. A escolha de Barroso foi anunciada nesta quinta-feira pela Presidência.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, afirmou, durante um intervalo de uma sessão, que considera Barroso uma escolha “excelente”. “Não só pelas qualidades técnicas, como pessoa, mas também pelo fato de que somos colegas da Universidade do Rio de Janeiro”, disse o presidente à Agência Brasil.

Já o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o advogado “será recebido de braços abertos como um grande estudioso do direito, um profissional digno de elogios”.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também elogiou a escolha de Barroso. “É um jurista consagrado e que certamente trará ao Supremo uma preciosa e valiosa contribuição”. Gurgel disse que o advogado poderá participar do julgamento dos recursos do processo do mensalão caso se considere preparado.

“Na verdade o julgamento dos embargos é um novo julgamento. A princípio não há dificuldade”, disse Gurgel. O novo ministro deverá ser sabatinado pelo Senado antes de ser empossado no STF.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Meu colega e amigo Reinaldo Azevedo lembrou, hoje, que, como advogado, Barroso atuou em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos.

Ele acha isso ruim.

Como, aqui em VEJA, vivemos em uma democracia, minha opinião é oposta à dele: que bom que é termos no Supremo um ministro aberto para essas questões contemporâneas.

Do que não gosto nem um pouco é o fato, também ressaltado pelo Reinaldo, de o ministro ter atuado em favor do terrorista italiano Cesare Battisti junto ao Supremo. Assassino confesso, procurado por seus crimes pela Justiça de um país democrático e amigo do Brasil como é o caso da Itália, até hoje não me conformo com sua acolhida no Florão da América, como se esse criminoso estivesse sofrendo, na Itália, perseguição política de parte de  um regime autoritário.

Essa decisão cobriu o país de vergonha, nos transformou em uma República de bananas e ter no Supremo alguém que não apenas considera correto o resultado final como também lutou por ele, a meu ver, não engrandece o tribunal.

Especula-se sobre como Barroso atuará no julgamento do mensalão — até o procurador-geral da República, naturalmente instigado por jornalistas, acabou colocando sua colher no assunto.

Não tenho a mais remota ideia. Para mim, o que pesa, no nome de Barroso, é sua postura em favor de Battisti. Para mim, uma mancha no currículo.

(CONFIRAM O SITE PESSOAL DO FUTURO MINISTRO)

 

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