20/04/2012
às 17:15 \ Vasto MundoO assalto de Cristina Kirchner à empresa YPF: 14 informações e considerações relevantes

À sombra de Evita: a presidente Cristina Kirchner, no ato de anunciar o assalto à petroleira privada YPF (Foto: elmundo.com.co)
Primeira: Quando governador da província de Santa Cruz, o futuro presidente Nestor Kirchner (no poder de 2003 a 2007, falecido em outubro de 2010) apoiou energicamente a privatização da YPF, em 1999, e elogiou até em comícios o então presidente Carlos Menem (1989-1999).
Segunda: Estando já na Casa Rosada a presidente Cristina Kirchner, em 2008, a Repsol, em combinação com o governo, foi quem emprestou dinheiro ao grupo empresarial Eskenazi, do empresário Sebastián Eskenazi, amigo pessoal do casal presidencial, para dar a entrada na compra de um quarto (precisamente, 25,4%) das ações da YPF. Um agrado aos Kirchner por meio de amigos.
Os Kirchner começaram a falar, então, que havia sido dado um passo para a “argentinização” da ex-estatal.
Terceira: A moleza do negócio foi tanta – e a Repsol teve que engolir – a ponto de o contrato prever que Eskenazi pagaria a dívida com a multinacional espanhola não em dinheiro vivo, mas com os dividendos anuais que receberia por sua participação na YPF. Ou seja, os amigos de Kirchner receberam um quarto do colosso petroleiro praticamente de graça.

Por toda parte na Argentina, cartazes de partidários à tomada da YPF: "CFK" são as iniciais da presidente, cujo nome é Cristina Fernández de Kirchner (Foto: juventudrebelde.com)
Quarta: A estatização da YPF virá acompanhada, já informou o governo, de uma drástica redução dos dividendos para os acionistas privados – o que significará que o Grupo Eskenazi deixará de ter essa fonte de renda para continuar pagando o que deve à YPF. Há quem preveja que, se isso se der, a YPF terá 76% das ações sob controle do Estado argentino.
Quinta: Carente de recursos para manter os programas sociais do governo, a administração Cristina Kirchner já estatizou os fundos de pensão privados, adquirindo fôlego temporário para o saco sem fundo dos gastos. A nacionalização da YPF, não por coincidência, se segue à descoberta de novas e imortantes jazidas pela então empresa privada – sobretudo o de Vaca Muerta, na província de Neuquén) – e parece evidente que a presidente utilizará boa parte dos rendimentos da petroleira em gastos sociais, sobretudo nos programas de transferência de renda.
Sexta: Contraditoriamente, porém, a exploração de Vaca Muerta, segundo especialistas em petróleo, poderá requerer investimentos colossais – algo como 5 bilhões de dólares anuais –, dinheiro que ninguém sabe de onde vai sair. Ainda mais que a Argentina gastará, este ano, 12 bilhões de dólares apenas na importação de combustíveis e no pagamento dos juros de sua dívida.
Sétima: O Congresso concedeu este ano ao Banco Central carta branca para movimentar as reservas argentinas em moeda forte (44,5 bilhões de dólares), mas se trata de um colchão financeiro indispensável em tempos de crise generalizada que vivemos – além de serem reservas frágeis e modestas para o porte da economia do país. (O Brasil detinha, há dois meses, 354 bilhões de dólares em reservas).
Oitava: A porretada sofrida pela Repsol deixa com a pulga atrás da orelha outras 400 empresas espanholas que atuam na Argentina, e que investiram 22,1 bilhões de euros (mais de 55 bilhões de reais) no país. A Espanha é o maior investidor estrangeiro na Argentina.
Nona: O segundo maior, os Estados Unidos, mantém meio milhar de empresas atuando na Argentina, com um investimento próximo a 28 billhões de dólares.
Décima: Os países da União Europeia, no conjunto, mantém um gigantesco investimento de 49,5 bilhões de euros (123 bilhões de reais) na economia argentina.
Décima-primeira: Os Estados Unidos, no mês passado, retiraram a Argentina do chamado Sistema Geral de Preferências, destinado, via a isenção de determinadas taxas, a facilitar o acesso de países em desenvolvimento ao mercado americano. E por quê? Segundo o governo Obama, Buenos Aires “não agiu de boa-fé” ao não respeitar decisões judiciais que o obrigaram a pagar 320 milhões de dólares a duas empresas americanas que tiveram contratos rompidos.
A decisão norte-americana faz parte de uma campanha mais ampla de pressão para que a Argentina pague dívidas adquiridas com inversores depois do colapso de sua dívida pública, há dez anos – e faz parte dessa campanha o recente voto dos Estados Unidos contra novos empréstimos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento ao governo de Cristina Kirchner.
Décima-segunda: A Espanha será o 40º país a abrir um contencioso econômico com a Argentina.
Décima-terceira: Como se costuma dizer, os capitais não vão a – ou fogem de – países que maltratam os inversores. Não é por acaso que o sóbrio Financial Times britânico – bíblia diária do capitalismo que nenhum executivo de empresa importante no mundo deixa de ler –, saindo de seu tom usual, escreveu que a Argentina é governada por uma “lunática populista”.
Aguardemos os próximos capítulos do episódio Repsol. Que poderá prosseguir.
Décima-quarta: Quem leu ou ouviu direito o discurso da presidente quando anunciou o assalto à Repsol certamente terá prestado atenção numa passagem em que ela diz: “As telefônicas, – uma delas é espanhola e nos submeteu recentemente a um apagão –, e espero que o ministro[das Comunicações] atue prontamente em relação a isso…”.
Tags: Carlos Menem, Cristina Kirchner, Evita Peron, Néstor Kirchner, Repsol, YPF





























Conselheira da Casa Branca sabia de abusos do Fisco
Sony divulga vídeo do PS4 para desviar atenções do Xbox
OGX lidera perdas entre companhias abertas, mostra consultoria
MP denuncia seis policiais por chacina no Rio
Britto: compra de passagens pelo STF não é censurável
















