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Carlos Lupi

10/03/2014

às 13:30 \ Política & Cia

Pressão do PMDB sobre Dilma contamina outros partidos da chamada “base aliada”

Ciro Nogueira, do PP: portas abertas (Foto: Sergio Lima / Folhapress)

Ciro Nogueira, presidente do PP: deixando uma porta aberta com Aécio Neves (Foto: Sergio Lima / Folhapress)

 

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

CHANTAGEM CONTAGIOSA

O estilo peemedebista de pressão contamina outros partidos da base.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, desembarca nesta semana no Recife para uma reunião com Eduardo Campos.

É um alerta ao Planalto de que ele poderá abandonar o barco se a investigação de corrupção no Ministério do Trabalho prosseguir.

E Ciro Nogueira, presidente do PP, terá um encontro com Aécio Neves em Brasília, para deixar aberta uma porta de saída caso não receba tudo o que cobiça na reforma ministerial.

01/11/2013

às 20:59 \ Política & Cia

Para 2014, a “nova política” está fazendo igualzinho à velha política. Confiram

EU PROMETO -- Oficialmente, a campanha não começou, mas os pré-candidatos à Presidência -- como Dilma, que visa sua reeleição -- já dão demonstrações de que os velhos hábitos ainda pautarão as próximas eleições (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

EU PROMETO — Oficialmente, a campanha não começou, mas os pré-candidatos à Presidência — como Dilma, que visa sua reeleição — já dão demonstrações de que os velhos hábitos ainda pautarão as próximas eleições (Foto: Roberto Stuckert Filho / PR)

Reportagem de Daniel Pereira, publicada em edição impressa de VEJA

A POLÍTICA MENOR

A velha política e a política velha vão continuar permeando a disputa em 2014, apesar das palavras de ordem em sentido contrário

Desde junho, quando milhões de brasileiros foram às ruas para protestar contra a corrupção e a péssima qualidade dos serviços prestados à população, governantes e parlamentares passaram a entoar a mesma cantilena em defesa de uma “nova política”.

Da direita à esquerda, incluindo os partidos cuja única ideologia é beneficiar-se de recursos públicos, todos prometem fazer mais, fazer diferente e fazer de forma republicana. Até agora, nenhum político foi capaz de explicar como a eficiência e a moralidade serão, enfim, apresentadas à nação. Não importa, não faz diferença.

O acirramento da corrida presidencial já deixou claro que o discurso renovador não passa de balela e mero marketing eleitoral. No mundo real, é a “velha política” ­ movida a engodos oficiais, acordos de conveniência e troca de favores – que vai continuar a ditar as regras do jogo.

No último dia 16, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, entregou à população, na Bahia, casas sem água nem luz. Já o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, favorito no PSB para concorrer ao Planalto, inaugurou uma escola que funcionava havia meses.

Atos assim, pensados para servir mais de palanque e menos de prestação de contas, são uma tradição nacional. Era uma marca do ex-presidente Lula, de quem Dilma e Campos foram ministros, percorrer o país para assinar ordens de serviço e inaugurar trechos de obras consideradas prioritárias, mas jamais concluídas, como a transposição do Rio São Francisco.

Mas é outro hábito da velha política – compartilhado por todos os presidentes eleitos após a redemocratização – que chama atenção nessa suposta nova fase. Apesar das promessas de moralização, os principais concorrentes à Presidência disputam a peso de ouro o apoio de ícones da barganha, acusados de corrupção e figuras notórias por atentar contra o Código Penal. Tudo sem constrangimento.

Porta-bandeira da nova política, a ex-ministra Marina Silva, que fechou uma aliança com Eduardo Campos para 2014, é crítica feroz do fisiologismo e, dias atrás, acusou a base governista de chantagear a presidente Dilma. O PMDB é o principal expoente do tal fisiologismo e da tal base. Seria natural, portanto, que Campos não o cortejasse. Seria, mas ocorre exatamente o contrário.

Eduardo Campos inaugura escola que funciona há meses, em prol das eleições (Foto: Mauro Filho / Folhapress)

Eduardo Campos inaugura escola que funciona há meses, em prol das eleições (Foto: Mauro Filho / Folhapress)

O governador sabe que o PMDB dificilmente deixará de apoiar a presidente, mas quer contar com a ajuda de velhas raposas do partido nos Estados. A lista de caciques cobiçados por Campos inclui o senador Jader Barbalho, o ex-governador Iris Rezende e o ex-deputado Geddel Vieira Lima.

Barbalho já renunciou uma vez ao mandato de senador, para fugir da cassação, depois de ser acusado de surrupiar verbas públicas. Pelo mesmo motivo, passou alguns dias na prisão. Geddel é conhecido pelo apetite voraz. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/05/2013

às 17:46 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: A herança podre de Maduro num país em que se mata três vezes mais do que no Brasil e 25 vezes mais do que no Chile

Rabecão recolhe cadáver no bairro de Altagracia, em Caracas: a Venezuela chavista tem os maiores índices de criminalidade da América do Sul (Foto: ultimasnoticias.com.ve)

A herança podre de Maduro

Por Nelson Motta

Publicado no jornal O Globo

Não há herança mais maldita do que governar o país mais violento da América do Sul.

Para enfrentar a criminalidade que mata por ano 75 pessoas por grupo de 100 mil (no Brasil selvagem morrem 26 e no Chile, três), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou os donos das três redes de televisão e denunciou a origem do mal:

“Por que as novelas têm de divulgar a deslealdade, a traição, o narcotráfico, a violência, a cultura das armas, a vingança?”

Os roteiristas venezuelanos estão em pânico. Como fazer uma novela sem traição, vingança, deslealdade, assassinatos, cobiça, ódio, inveja, e todas as coisas que Maduro diz que levam ao crime e à violência? Chávez já havia proibido videogames violentos há cinco anos, quando o país era bem menos violento.

Maduro assegura que a pobreza não é a única causa da delinquência, “porque a Venezuela tem os índices mais altos do mundo em superação da pobreza” (para matar Lula de inveja). Mas as mortes cresceram 15% de um ano para cá.

“Às vezes o que a escola faz em seis horas, um programa televisivo destrói em uma. Não vamos permitir programas que divulguem a prostituição, as drogas, a violência.” E bradou retumbante: “Vamos interromper o festim da morte.”

Maduro: tem crime? Então vamos censurar a TV (Foto: guardian.co.uk)

Algum passarinho precisa avisá-lo de que há muito mais consumo de programas com esses venenosos “antivalores do capitalismo” em países como o Japão e a Inglaterra do que na Venezuela, mas nenhum festim da morte: as vítimas de homicídios são de 0,4 (menos de meio japa) e 1,7 inglês por grupo de 100 mil. Como o marido traído, Maduro quer tirar a televisão da sala.

Como Chávez, o mexicano, o arguto lider chavista disse que como já sabe que quase 90% dos crimes ocorrem em 80 municípios, basta deslocar 3 mil soldados do Exército para as regiões violentas. E pronto.

O secretario Beltrame poderia informá-lo que quando uma UPP toma uma comunidade a bandidagem não vai vender artesanato, se muda para áreas menos policiadas.

Ver o ex-motorista de metrô Nicolás Maduro dirigindo a Venezuela é como imaginar o Brasil com Carlos Lupi na Presidência da Republica. Só que Lupi é mais esperto.

03/04/2013

às 20:00 \ Política & Cia

A volta dos “faxinados” por Dilma mostra que o Palácio do Planalto é, hoje, o principal gabinete reeleitoral da presidente Dilma

A presidenta Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges, no Palácio do Planalto (Foto: Antônio Cruz / ABr)

A presidente Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges: usa-se a Esplanada dos Ministério como moeda de troca no mercado eleitoral (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Editorial da edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, publicado na sempre interessante seção “Opinião”

 VOLTA DOS ‘FAXINADOS’

Na segunda-feira, o presidente do chamado Partido da República (PR), senador Alfredo Nascimento, levou o correligionário César Borges, um dos vice-presidentes do Banco do Brasil e ex-governador da Bahia, ao principal gabinete do comitê reeleitoral da presidente Dilma Rousseff, conhecido como Palácio do Planal­to.

Não se quer dizer com isso que a sede do governo do País nada mais seja hoje em dia do que a sede da campanha de Dilma. Mas nada do que ali se faça importa tanto quanto as ações destinadas a manter a presi­dente no posto até 1º de janeiro de 2019. É o que explica a reaparição no coração do poder do chefe do PR, o mesmo que Dilma, na sua decantada fase ética, expurgou da administra­ção federal.

Apadrinhado também ele pelo ainda presidente Lula, Nascimento foi reconduzido ao apetitoso Minis­tério dos Transportes, com seus R$ 10 bilhões de recursos, que ocupara de 2007 a 2010. Durou até julho de 2011, quando sucumbiu, com outros 27 integrantes da pasta, a denúncias incontestáveis de corrupção no se­tor, a começar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O PR foi o primeiro partido a ser “faxinado” por Dilma, mas o seu titular não mereceu a mesma pri­mazia – antes dele, caíra em desgra­ça o todo-poderoso ministro da Ca­sa Civil, Antonio Palocci. Para o lu­gar de Nascimento, a presidente pro­moveu o secretário executivo do Mi­nistério, Paulo Sérgio Passos. E ali provavelmente permaneceria não fosse o fato de Dilma se dispor a “fa­zer o diabo” pela reeleição.

Passos agradava a Dilma, mas não ao PR, a que é filiado. Os republica­nos o consideravam “escolha pes­soal” da presidente, não uma de­monstração de que o partido, apesar de tudo, continuava representado no primeiro escalão.

Depois de dois meses de resistência, ela capitulou diante de Nascimento. Para garantir o minuto e 10 segundos do PR, duas vezes por dia, no horário eleitoral e para impedir que esse tempo possa beneficiar o governador de Pernam­buco, Eduardo Campos, do PSB, se sair candidato, ou, não seria de excluir, o senador tucano Aécio Neves, a presidente entregou a Nascimento a cabeça de Passos.

Dilma bateu o pé, no entanto, em relação ao sucessor. Apesar dos pro­testos de boa parte da bancada fede­ral da agremiação (34 deputados e 4 senadores), que reivindicava o cargo para um dos seus, fechou questão em torno do nome de César Borges, a ser empossado hoje.

O engenheiro que ascendeu na política baiana se integrando ao feudo de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) contou agora com o apoio do governador petista do Estado, Jaques Wagner. Bor­ges tem biografia para ser um bom ministro, ainda mais tendo recebido carta branca da presidente para me­xer no Dnit. Mas isso não altera o essencial: o uso da Esplanada dos Ministérios como moeda de troca no mercado eleitoral.

Antes de Nascimento, com efeito, Dilma reabilitou o cacique pedetista Carlos Lupi, atingido por uma vassourada quando titular do Trabalho. Há pouco, o posto foi entregue ao seu liderado Manoel Dias, secretário geral do PDT.

Para afagar o PMDB em dois Estados cruciais, nomeou o ex-governador fluminense Wellington Moreira Franco para a Secretaria da Aviação Civil e o presidente do partido em Minas, deputado Anto­nio Andrade, para a Agricultura.

E uma nova pasta, a da Micro e Peque­na Empresa, acaba de ser criada para atrair o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab aos palanques dilmistas de 2014. O titular do 39º Ministé­rio será o vice-governador paulista Afif Domingos, correligionário de Kassab no PSD.

Lula disse certa vez que, se gover­nasse o Brasil, Cristo “teria de se aliar a Judas”. A esta altura, ninguém dirá que Dilma faltou à aula naquele dia. Já não se trata de suas alianças com partidos e personagens promís­cuos. Quanto a isso, ressalte-se ape­nas que não é a tal da governabilida­de que move a presidente, mas a ân­sia de seguir no Planalto.

O que mos­tra a que extremos Dilma leva à prática, sem disfarçar, as lições de seu mentor é a prontidão para premiar por nenhum outro motivo a não ser aquele políticos como Alfredo Nas­cimento e Carlos Lupi, acusados de participação em “malfeitos” e por is­so removidos de sua equipe.

02/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Aluga-se um partido: O PDT

Ex-ministro Carlos Luppi: PDT em leilão (Foto: Alan Marques / Folhapress)

Ex-ministro Carlos Luppi: PDT em leilão (Foto: Alan Marques / Folhapress)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

ALUGA-SE UM PARTIDO

Assim que foi reeleito presidente do PDT, há duas semanas, Carlos Lupi reuniu a nova direção do partido em Brasília.

Sem rodeios, mostrou quais são seus objetivos no cargo:

“Não temos por que fechar com a reeleição da Dilma agora. Somos a noiva do processo. Sem a gente, o Eduardo Campos é nanico. Com nosso apoio, passa a ser competitivo. Também temos a opção de ficar com o Aécio”.

Lupi, que deixou o cargo no fim de 2011 no meio da faxina ética de Dilma, voltou a controlar o Ministério do Trabalho.

Pelo jeito, achou a oferta do governo pequena.

27/09/2012

às 13:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: Segundo Dora Kramer, é indevida a comparação que alguns fazem entre a condenação de João Paulo Cunha pelo Supremo, agora, e a absolvição de Collor em 1994

Condenação de João Paulo Cunha e absolvição de Fernando Collor: não é o STF que está inventado, os crimes é que são diferentes

Condenação de João Paulo Cunha e absolvição de Fernando Collor: não é o STF que está inventado, os crimes é que são diferentes

Artigo publicado ontem na seção de política, do Estadão

 

COMPARAÇÃO INDEVIDA

A determinada altura da sessão desta segunda-feira o revisor Ricardo Lewandowski justificou assim o voto pela condenação de três réus por formação de quadrilha: “Era um mecanismo permanentemente em funcionamento. Isso caracteriza a quadrilha, e esses crimes eram praticados à medida da necessidade demonstrada pelos parlamentares que se deixaram corromper”.

Portanto, se alguém se deixou corromper, houve também o agente corruptor e um motivo para corrupção.

A forma da prova, entretanto, continua em debate. A manifestação majoritária dos ministros em relação ao crime de corrupção passiva em “fatia” anterior do julgamento do mensalão provoca revolta aqui e ali.

Advogados de defesa, políticos e agora até um grupo de intelectuais, artistas e acadêmicos alegam que o Supremo Tribunal Federal está inovando. Invocam o julgamento que absolveu Fernando Collor em 1994, reivindicando tratamento semelhante.

O próprio Lewandowski qualificou de “heterodoxo” o entendimento preponderante no tribunal e justificou a absolvição de João Paulo Cunha do crime de corrupção passiva dizendo que havia se baseado na jurisprudência da ação penal 307, a do caso Collor.

Na essência da lei o STF não está criando nada. A condenação de Cunha decorreu do artigo 317 do Código Penal, cuja definição do ilícito é a mesma: “Solicitar ou receber, para si ou outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, mas em razão dela, vantagem indevida ou aceitar promessa de tal vantagem”.

O único dos atuais ministros a participar do julgamento de Collor, Celso de Mello, na época apontou a exigência de “precisa identificação de um ato de ofício” na esfera das atribuições do presidente, para que se caracterizasse a corrupção.

Justamente o que a Procuradoria-Geral da República não conseguiu demonstrar na ocasião: a denúncia não descreveu uma parte do crime, não apontou que interesses as pessoas que deram dinheiro ao operador de Collor, Paulo César Farias, teriam nos atos do presidente.

E, naquele voto em 1994, Celso de Mello falou também sobre a necessidade de haver “uma relação entre a conduta do agente que solicita, recebe ou aceita a promessa de vantagem indevida e a prática, que pode até não ocorrer, de um ato determinado de ofício”.

E o que demonstra a denúncia ora em exame?

Exatamente a existência de uma relação de trocas indevidas entre parlamentares, partidos e um governo mediante práticas ilegais.

Ou seja, o Supremo não inventa. Os casos é que são diferentes.

(…)

29/04/2012

às 19:31 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: “Se até Collor ressuscitou, por que Demóstenes Lázaro não ressuscitaria?”

NA VIDA TUDO PASSA -- Collor, que já chamou o então presidente Sarney de "ladrão", hoje é seu risonho colega de Senado -- e estão ambos na base de apoio ao governo Dilma (Foto: Agência Senado)

Tradição dos domingos, reproduzo notas da excelente coluna do jornalista Carlos Brickmann publicada em cinco jornais.  

. . . . . . . . . . . . . .

MAS A FESTA CONTINUA

 

Fernando Collor perdeu a Presidência da República após uma série de escândalos, mas vai bem, obrigado: é senador, fez as pazes com velhos inimigos como os ex-presidentes José Sarney e Lula, reatou antiga amizade, que por um período andou esquecida, com o senador Renan Calheiros.

[Não se esqueçam que, durante a campanha presidencial de 1989, Collor chamou publicamente Sarney de "ladrão" e se elegeu em boa parte pelas promessas de combater a corrupção que enxergava no governo do então presidente.]

E hoje é um dos que mandam na CPI sobre o Escândalo Cachoeira. “Buscarei, com a cooperação dos meus pares, que a agenda desta CPI não seja pautada pelos meios de comunicação e alguns de seus rabiscadores”. Ele sabe que caiu por ser vigiado pela imprensa.

O dono da Delta, Fernando Cavendish, deixou oficialmente o comando da empresa.

Pois é. E deve estar tristíssimo porque sua empreiteira andou perdendo algumas obras aqui e ali. Fome não vai passar: já tem ofertas de R$ 1 bilhão para vender a empresa à qual dedicou seu trabalho, sua vida e seus múltiplos talentos.

O senador goiano Demóstenes Torres, ex-DEM, politicamente ferido pelas denúncias, luta para salvar o mandato. Quer entrar no PMDB, partido grande, com a maior bancada do Senado, para que caciques como Sarney, Renan e Jucá o ajudem a continuar na Casa.

Pode dar certo: ninguém irá barrá-lo por motivos éticos; o PMDB, com bancada aumentada, vê sua cotação subir; e Demóstenes passa a integrar a base do Governo, aliado aos petistas que hoje gostariam muito de vê-lo com uma maçã na boca. Tratamento do PT a aliado é outra coisa.

Impossível? Claro que não. Aliás, o nome completo do senador é Demóstenes Lázaro Xavier Torres.

Se Collor ressuscitou, por que Lázaro não ressuscitaria?

 

Quem te viu, quem te vê

Carlos Lupi: As tetas governamentais ainda não secaram para ele (Foto: André Dusek / AE)

Carlos Lupi, num momento inesquecível de vassalagem: as tetas governamentais ainda não secaram para ele (Foto: André Dusek / AE)

Não pense que o senador Demóstenes Torres, feroz defensor da moralidade dos outros, é pior dos que tantos de seus colegas.

Lembra do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT fluminense, que caiu por denúncias de irregularidades?

Não se preocupe com ele: continua recebendo algum dos cofres públicos, que ninguém vive de brisa.

Não é nenhuma esmolinha: R$ 6 mil no Conselho de Administração do BNDES, segundo informa o respeitado Transparência Brasil.

13/12/2011

às 17:05 \ Política & Cia

Crises ministeriais agora estão melhorando: 8º ministro em xeque, Negromonte não diz que só sai “a bala”: “Não fico de joelhos para ninguém por causa do cargo”

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Negromonte: "Eu não tenho apego e não fico de joelhos para ninguém por causa de cargo" (Foto: Renato Araujo/ABr)

Um deles, Orlando Silva, do PC do B, chegou a dizer que era “indestrutível” antes de se esborrachar no chão devido aos graves sinais de roubalheira detectados em seu Ministério, o do Esporte.

Outro ministro, Carlos Lupi, o infeliz ex-ocupante do Trabalho (PDT), desesperado para permanecer no cargo, oscilou entre sua declaração de que “amava” a presidente Dilma e a fanfarronada de que só deixaria o cargo “a bala”.

Tal qual Silva, e os quatro outros ministros detonados por suspeita de corrupção, Lupi se estatelou no solo.

Agora, o tom dos ministros sob suspeição está mudando. Mário Negromonte (PP), ministro das Cidades, cuja pasta está envolvida em uma série de suspeitas (leia aqui) deixou de lado tanto a arrogância como a humilhação e declarou:

– Eu não tenho apego e não fico de joelhos para ninguém por causa de cargo.

12/12/2011

às 16:16 \ Política & Cia

FHC tem razão: com herança podre, Dilma não vai chegar a lugar nenhum

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FHC: herança podre e base aliada muito grande atrapalham administração de Dilma (Paula Sholl/Agência PSDB)

Tem absoluta razão o ex-presidente Fernando Henrique em sua cobrança para que a presidente Dilma se livre do “peso morto” que significam o “entulho” que Lula lhe deixou como herança – querendo com isso referir-se a ministros envoltos em sérias denúncias de corrupção. (Leia no site de VEJA).

O ex-presidente também acha que Dilma não necessita de base tão ampla no Congresso como a de que dispõe e que, contraditoriamente, lhe tolhe os movimentos.

Concordo, obviamente, com FHC, tanto é que em recente post questionei como é possível que um partido com pouco mais de 1% dos votos na última eleição para a Câmara dos Deputados, como o PC do B, precisa ter nacos gordos do governo como o Ministério do Esporte e o controle da estratégica, vital Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

A presidente carrega um duro fardo. Lula, antes que tudo, lhe legou uma administração pública inadministrável, se me permitem o trocadilho, com 39 ministérios. Já tive ocasião de comentar antes que, numa grande empresa, numa gigantesca multinacional que fature centenas de bilhões de dólares e tenha um PIB maior do que de muitos países, o CEO que tivesse 39 diretores se reportando diretamente a ele ou levaria a empresa à falência ou ficaria louco.

Graças a Deus, parece que Dilma, na reforma ministerial que possivelmente fará em janeiro, pretende enxugar o tamanho desse governo.

Lula lhe deixou outro legado pesado, que foram ministros que só permaneceram no cargo porque ele quis, e Dilma não teve como recusar, como o ex-ministro do Esporte Orlando Silva (do inevitável PC do B) e o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi. Há outros, mas paro por aqui.

Já é tempo, depois de um ano de governo, com as crises pavorosas que precisou administrar, que a presidente, sem deixar de visitar Lula por causa de sua doença, sem hostilizar seu mentor, nem nada parecido, assuma um governo seu, dela, próprio. E aproveite para, no processo de enxugamento do Ministério, decepar outras cabeças do que herdou do antecessor.

Ao fazer seu comentário, o ex-presidente FHC cumpre seu dever para com o país e, apesar de crítico, se mostra um opositor leal a Dilma, dando uma contribuição para melhorar seu governo.

Ele tem razão: com herança podre, Dilma não chegará a lugar nenhum.

10/12/2011

às 17:31 \ Disseram

Manoel Dias: “Não achei que ele fosse sair porque foi tudo uma sacanagem”.

“Não achei que ele fosse sair porque foi tudo uma sacanagem”.

Manoel Dias, secretário-geral do PDT, comentando a queda de Carlos Lupi.

 

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