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Câmara Municipal de São Paulo

23/05/2012

às 20:34 \ Política & Cia

Estadão: Lula está “mais velho, mais sofrido — e nem por isso mais sábio”. E é “prisioneiro do ressentimento”

Na Câmara Municipal de São Paulo, onde fez novas declarações associando o mensalão a uma "tentativa de golpe", Lula exibe a Medalha Anchieta e o vereador José Américo (PT) o título de Cidadão Paulistano, ao lado da senadora Marta Suplicy (PT) (Foto: oglobo.globo.com)

Amigos, escreverei mais sobre o ressentimento de Lula ao longo desta semana, como fiz ontem. Por hoje, convido-os a ler o editorial do Estadão, em sua sempre rica, variada e inteligente seção de Opinião.

Mais velho, mais sofrido – e nem por isso mais sábio -, o ex-presidente Lula levou para a Câmara Municipal de São Paulo, onde receberia na segunda-feira o título de Cidadão Paulistano, as suas obsessões e os seus fantasmas: as elites e o mensalão.

Ao elogiar no seu discurso a gestão da prefeita Marta Suplicy, ele se pôs a desancar a “parte da elite” de cujo preconceito ela teria sido vítima “porque ousou governar para os pobres”. Marta fez os CEUs (centros educacionais unificados), exemplificou, para acolher crianças de favelas, algo inaceitável para aqueles que não querem que os outros sejam “pelo menos iguais” a eles.

O ressentimento de que Lula é prisioneiro o impede de aceitar que, numa megalópole como esta, há de tudo para todos os gostos e desgostos – e não apenas no topo da pirâmide social. Os que nele se situam, uma população que o tempo e as oportunidades de ascensão de há muito tornaram heterogênea, não detêm o monopólio do preconceito de classe.

Durante anos, até eleitores mais pobres, portadores, quem sabe, do proverbial complexo de vira-lata, refugaram a ideia de votar em um candidato presidencial que, vindo de onde veio e com pouco estudo, teria as mesmas limitações que viam em si para governar o Brasil.

Lula tampouco admite, ao menos em público, que dificilmente teria chegado lá se o destino não o tivesse levado a viver na mais aberta sociedade do País – que também abriga, repita-se, cabeças egoístas e retrógradas, mas onde o talento, o trabalho e a perseverança são os mecanismos por excelência de equalização social.

Em 1952, quando a sua mãe o trouxe com alguns de seus irmãos para cá, estava em pleno andamento, aliás, a substituição das tradicionais elites políticas paulistas por nomes que expressavam as mutações por que vinha passando desde a 2.ª Guerra Mundial o perfil demográfico da capital.

Pelo voto popular, chegaram ao poder descendentes de imigrantes e outros tantos cujas famílias, vindas de baixo, prosperaram com a industrialização, educaram os filhos e os integraram, à americana, na renovada estrutura política. O curso natural das coisas, pode-se dizer, consumou a metamorfose na pessoa do carismático torneiro mecânico pau-de-arara ungido presidente da República.

No Planalto, é bom que não se esqueça, ele vergastava as elites nos palanques e se acertava na política com o que elas têm de pior. Lula se amancebou com expoentes do coronelato do atraso, do patrimonialismo e da iniquidade – o mesmo estamento oligárquico que contribuiu para confinar à miséria incontáveis milhões de nordestinos.

Elas não lhe faltaram no transe do mensalão – “um momento”, repetiu pela enésima vez o mais novo cidadão paulistano, “em que tentaram dar um golpe neste país”.

Na sua versão da história, as elites, a oposição e a mídia só desistiram de destituí-lo de medo de “enfrentarem o povo nas ruas”.

Falso.

Lula ainda não havia completado o trajeto da contrição – “eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas” – à ameaça de apelar ao povo, quando a oposição preferiu não pedir o seu impeachment para não traumatizar o País pela segunda vez em 13 anos.

Pelo menos um dos homens do presidente, ministro de Estado, procurou os líderes oposicionistas para dissuadi-los da iniciativa.

O estopim foi o depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em agosto de 2005. Ele revelou ter recebido em conta que precisou abrir no paraíso fiscal das Bahamas, a conselho de Marcos Valério, o publicitário que viria a ser o pivô do mensalão, a soma de R$ 10 milhões pelos serviços prestados três anos antes à campanha presidencial do petista e ao partido.

Afinal, parcela da bolada já estava no exterior e outra sairia do caixa 2 da agremiação – os famosos “recursos não contabilizados” que Lula admitiria existir na reunião ministerial que convocou para o dia seguinte da oitiva de Duda.

Tecnicamente, o PT poderia ter o seu registro cassado, e o presidente poderia ser afastado, se as elites quisessem levar a ferro e fogo o combate político.

Se conspiração houve, em suma, foi para “deixar pra lá”.

 

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23/06/2011

às 13:39 \ Política & Cia

Câmara de SP quer aumentar em 250% os salários dos secretários municipais. E eu sou a favor

Os vereadores de São Paulo já começam a levar bordoadas por quererem aumentar os salários dos secretários municipais.

Estamos numa época de patrulhamento e caça às bruxas, e tudo o que os políticos fazem, sobretudo se envolver salários, parece suspeito ou irregular, ainda mais quando o percentual de aumento em questão é cavalar – 250% –, e, por si só, parece escandaloso para um país em que profissionais como os bombeiros do Rio acabam de receber aumento pouco superior a 5%.

Fala-se em impacto nas contas públicas, compara-se o percentual com outros, de categorias de servidores etc.

Mas, esperem um pouco. É uma piada um secretário municipal da maior e mais importante cidade do país ganhar ridículos 5.504,35 reais por mês.

O novo salário não é nenhuma barbaridade

Tudo bem que mais de 5 mil reais é um bom salário para a média dos brasileiros. Mas um secretário municipal, dependendo da pasta, maneja funcionários e recursos equivalentes a um Ministério. Colabora na administração de uma cidade gigantesca, de mais de 11 milhões de habitantes, e extremamente problemática.

Não é nenhuma barbaridade, pois, que passem desses 5,5 mil reais para 19.294,10 – que é o valor máximo alcançado atualmente pelos secretários que, para não correrem rumo à iniciativa privada, acumulam os salários com o velho artifício do benefício enviezado: a participação em até três conselhos de órgãos municipais, pelos quais recebem os chamados jetons.

Transparência e hipocrisia

O projeto de aumento, apresentado pela Mesa Diretora da Câmara Municipal paulistana, tem a qualidade de ser transparente e acabar com esse recurso meio por baixo do pano, já que pura e simplesmente proíbe a participação dos secretários nesses conselhos. Além disso, segundo lembra o vereador José Police Neto (sem partido), presidente da Casa, os novos vencimentos só entram em vigor no ano que vem.

A iniciativa da Mesa Diretora também pretende subir o salário do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de 12.384 para 24.117 reais, dentro do teto previsto pela Constituição.

Goste-se ou não do prefeito, ele pilota São Paulo. Vocês conhecem algum presidente de grande empresa que receba 12 mil reais por mês?

Não sejamos hipócritas. Político, sem nunca deixar de ser fiscalizado e cobrado, precisa ganhar bem – e não mais ter direito a todos os demais benefícios que inventam em nome de salários supostamente insuficientes. (Mas isto já é uma outra história).

Sou, portanto, inteiramente favorável aos 250% de aumento.

 

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