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Ben Affleck

22/09/2013

às 10:03 \ Disseram

Ben Affleck: “Já sou um garoto crescido. Sou durão”

“Já sou um garoto crescido. Sou durão”

Ben Affleck, ator e diretor de cinema (ganhou o Oscar por Argo) no programa Late Night with Jimmy Fallon, da NBC, ao comentar que não se importou com as críticas recebidas por ter sido convidado a viver Batman no próximo filme do super-herói

12/05/2013

às 16:00 \ Livros & Filmes

DICA DE FILME: Você já viu “Argo”? Se não, vá assistir — e diga se mereceu o Oscar de o melhor de 2012

ESPIÕES TAMBÉM SUAM FRIO -- Affleck, como o agente da CIA Tony Mendez, destoa da multidão em um bazar da Teerã recriada em Istambul e Los Angeles

ESPIÕES TAMBÉM SUAM FRIO -- Affleck, como o agente da CIA Tony Mendez, destoa da multidão em um bazar da Teerã recriada em Istambul e Los Angeles

Crítica de Isabela Boscov, publicada em edição impressa de VEJA

MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO

Em Argo, seu terceiro e ótimo filme na direção, Ben Affleck trata de um episódio que só não é inacreditável porque aconteceu de fato

Em meados da década passada, Ben Affleck se rendeu às evidências. Percebeu que ficaria eternizado como o ator de queixo duro de Armageddon e Pearl Harbor, e como a figura de troça dos tabloides que circulava por Los Angeles apalpando o derrière da namorada Jennifer Lopez, se não tomasse uma atitude para, como disse ele à revista Time, “alinhar a pessoa que sou com o trabalho que faço”.

O realinhamento foi iniciado em 2007, com Medo da Verdade, prosseguiu de forma muito bem-sucedida em 2010, com Atração Perigosa, e culmina agora com Argo (Estados Unidos, 2012): depois de ganhar um Oscar de roteiro com o amigo Matt Damon em 1998 por Gênio Indomável, e de então descer a paroxismos de ridículo pessoal e profissional, Affleck se casou com outra Jennifer, muito mais discreta e respeitável – a atriz Jennifer Garner -, teve com ela três filhos e reconstruiu em boa medida sua carreira de ator.

E, este o detalhe mais interessante, tornou-se um diretor cada vez mais hábil, e mais respeitado. Com Argo, ganhou o Oscar de melhor filme de 2012. Amparado pelo prestígio e por bilheterias sólidas, é objeto de tanta fé na Warner que tem sido o primeiro a receber os melhores roteiros que o estúdio tem sob sua consideração.

 

UMA OPERAÇÃO DO ARCO-DA-VELHA para retirar do Irã seis americanos que fugiram da embaixada enquanto a multidão a invadia, em 4 de novembro de 1979

UMA OPERAÇÃO DO ARCO-DA-VELHA para retirar do Irã seis americanos que fugiram da embaixada enquanto a multidão a invadia, em 4 de novembro de 1979 (Foto: Corbis / Latinstock)

Como o do próprio Argo, que o roteirista Chris Terrio escreveu a partir de arquivos tornados públicos em 1997 e com base em uma série de conversas com um ex-agente da CIA que esteve no centro de um episódio inacreditável – no sentido básico da palavra.

Em novembro de 1979, quando militantes revolucionários invadiram a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, após semanas de cerco em protesto ao abrigo que o país dera ao xá deposto Reza Pahlevi, 52 funcionários foram feitos reféns durante 444 dias, numa das mais graves crises diplomáticas da história americana (e numa das mais sensacionais recriações de um episódio verídico no cinema).

Outros seis funcionários, porém, conseguiram escapar sem que ninguém desse por isso, e foram bater à casa do embaixador canadense. Cada dia a mais que permaneciam ali, no entanto, agravava o risco de que fossem todos descobertos e postos diante de um pelotão de fuzilamento.

Entra em cena Antonio, ou Tony, Mendez, desde a década de 60 ligado à CIA e especialista em exfiltrations – a arte de suprimir espiões, colaboradores e dissidentes de áreas fechadas. Nos seus anos de atividade até então, Mendez retirara um sem-número de indivíduos de trás da Cortina de Ferro. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/03/2012

às 18:03 \ Livros & Filmes

DVD: “A Grande Virada” — um filme muito instrutivo sobre a crise de 2008 batendo nos engravatados

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"A GRANDE VIRADA" -- Executivos acostumados a um vidão que, de repente, veem a vida desabar, como Phil (Chris Cooper), em primeiro plano (Foto: Divulgação)

DVD

A Grande Virada

 

A Grande Virada (The Company Men, Estados Unidos, 2010. Califórnia)

Como já se publicou na seção “VEJA recomenda”, os filmes sobre os efeitos da depressão econômica “são tão numerosos que já começam a formar um subgênero”.

Poucos, contudo, são tão convincentes quanto este trabalho de John Wells, veterano produtor de séries como a esplêndida The West Wing — sobre os bastidores do poder na Casa Branca –, mas iniciante como diretor de longa-metragens.

A crise bate duro em um grande grupo industrial (o que faz o filme diferente de outras obras do gênero, que vêm invariavelmente tendo instituições financeiras como cenário). É necessário acalmar os acionistas e deter a queda no preço das ações a qualquer custo. Assim, além de fechar unidades inteiras de produção, a empresa fictícia GTX começa a cortar gente, inclusive ocupantes de cargos gordos, acostumados a um vidão que, de repente, veem a vida desabar.

Um de seus fundadores, Gene (Tommy Lee Jones), começa a achar que a coisa está indo longe demais quando gente próxima a ele, como Phil (o sempre ótimo Chris Cooper), um dos cabeças do estaleiro do grupo, com 30 anos de empresa, recebe o bilhete azul da responsável pelo RH (Maria Bello, em grande forma aos 45 anos) justamente no momento em que a filha planeja um período de estudos na Itália.

Outro que dança é o jovem, ambicioso e promissor executivo Bobby (Ben Affleck). Os demitidos recebem alguns meses adicionais de salário e seguro-saúde e são treinados para recolocação num deprimente escritório em que compartem “baias” com outros deserdados da crise. Bobby frequenta o lugar, mas procura fingir que nada está acontecendo e continua levando a vida, até que é interrompido num jogo de golfe por um funcionário do clube: ele está fora porque não paga as mensalidades.

O filme seria muito melhor se o diretor John Wells não resvalasse para o inevitável final hollywoodiano de uma promessa de virada (daí o título, cretino como sempre, em português) na vida de vários demitidos, excetuado um, que fica no caminho porque se suicida.

Maria Bello e Tommy Lee Jones numa cena do filme (Foto: Divulgação)

A Grande Virada, no entanto, vale por retratar parte de um drama de proporções colossais nos Estados Unidos. Mais ainda, talvez, por mostrar, mesmo que não fosse a intenção do diretor, como o americano médio se acostumou a viver, não raro nababescamente, muito acima de suas possibilidades — e fora da realidade.

Vejam só, amigos do blog: em meio à derrocada do grupo empresarial, a mulher de Gene resolve passar um fim de semana de lazer e compras na Flórida e pergunta ao marido, como se estivesse no mundo da lua, se pode utilizar um dos jatos executivos da diretoria.

Bob, ganhando 120 mil dólares por ano (21,5 mil reais por mês), mora numa esplêndida e superequipada casa de mais de 1 milhão de dólares nos arredores de Boston, esquia no inverno, viaja para o Caribe no verão e circula num espetacular Porsche novinho em folha — como tudo o mais que possui, inclusive o Volvo da mulher, financiado por bancos e que, com a crise, evaporam.

Muito instrutivo.

 

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