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Beatles

13/04/2013

às 14:01 \ Música no Blog

John Lennon vivo? E o mundo, teria mudado? Filme televisivo inglês imagina como seria a vida do astro caso houvesse deixado os Beatles em 1962

 

John-Lennon

John Lennon: Imaginando (Foto: Tom Hanley)

 Por Daniel Setti

Seguindo à risca os ensinamentos da letra de “Imagine”, de John Lennon, o escritor inglês de ficção científica Ian MacLeod soltou a imaginação e, em seu conto Snodgrass, recriou a vida do roqueiro no caso de que ele houvesse deixado os Beatles em 1962, pouco antes do salto do grupo à fama.

Tal curioso devaneio, que pressupõe mudanças fundamentais não só no destino do próprio John, como também na cultura pop dos últimos 50 anos, foi adaptado para um filme televisivo e ganhará as telas no próximo dia 25 no canal pago britânico Sky Arts.

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Montagem do cartaz de "Snodgrass" "imagina"John Lennon aos 50 anos (Foto: divulgação)

O roteiro é de David Quantick e a direção de David Blair, ambos profissionais premiados com troféus BAFTA – espécie de Oscar do Reino Unido – por trabalhos realizados para a televisão daquele país como The Thick of It e The Streets, respectivamente.

“Apenas más lembranças”

“John Lennon, aos 50 anos, senta em uma lúgubre cozinha, fumando um cigarro, desempregado e chapado”, diz a sinopse de Snodgrass, ambientado no ano de 1991. O trailer ainda não está disponível na internet.

“Este é o John Lennon que deixou os Beatles em 1962, antes dos hits, antes de que eles mudassem a música para sempre. Enquanto seus colegas de banda seguiram em frente e obtiveram fama e fortuna razoáveis, a carreira de John foi ladeira abaixo, até que um dia ele acorda, tem 50 anos e vive na pindaíba em Birmingham. Não há carreira solo, nada de Yoko Ono ou lenda do rock – apenas um homem com muitas más lembranças”, lê-se em outro trecho da apresentação.

Ao brincar de reescrever a história, Snodgrass deve dar o que falar. Pensar no que seria dos Beatles sem a genialidade, a acidez e o carisma de John é um exercício maluco e exaustivo, mas que abre um leque de possibilidades que tende ao infinito.

E imaginar o saudoso astro vivo pelo menos por uma década a mais – afinal, o mentecapto Mark Chapman, que na vida real assassinou o músico em 1980, nunca ouviria falar do seu “ídolo” no cenário concebido por MacLeod – é, antes de tudo, desconcertante.

Lennon pela terceira vez

Ian Hart-John Lennon-The Hours

Ian Hart (à esquerda) como John Lennon em "The Hours and Times" (1991)...

Para viver Lennon em Snodgrass, foi recrutado mais uma vez o ator Ian Hart, também nascido em Liverpool.

Aos 48 anos, Hart pode ser considerado um verdadeiro expert no Beatle, pois já o interpretou, em sua fase jovem, em duas outras películas: The Hours and Times (1991) e Os Cinco Rapazes de Liverpool (1994, título original Backbeat).

Ian-Hart-John-Lennon-Backbeat

...e novamente em sua pele em "Os Cinco Rapazes de Liverpool" (1994)

Não foram divulgados muitos outros detalhes sobre o filme. Sabe-se pelo conto, porém, que estes outros Beatles duraram muito mais, tiveram seus dias de glória, mas passaram longe de ser um fenômeno estrondoso.

Sabe-se, ainda, que este John de 50 anos está em busca de emprego, lamenta por sua banda “não ter sido maior que os Hollies” e recebe, em dado momento, a visita de um antigo amigo dos tempos de aspiração ao estrelato: um certo Paul McCartney.

 

23/03/2013

às 18:30 \ Disseram

A falta que John Lennon faz

“Depois de 33 anos, nosso filho, Sean, e eu ainda sentimos a falta dele”

Yoko Ono, viúva do ex-Beatle John Lennon, morto em 1980

16/03/2013

às 10:00 \ Música no Blog

BEATLES: “Please Please Me”, álbum inaugural da banda lançado há 50 anos, revolucionou a música pop, mesmo trazendo seis “covers”. Comparem as originais em VÍDEOS com as versões dos “Fab Four”

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A capa de "Please Please Me", cujo lançamento completa 50 anos no dia 22: oito pérolas de Lennon e McCartney e seis releituras muito bem selecionadas

Por Daniel Setti

Entre as grandes revoluções pop causadas por Please Please Me, primeiro álbum dos Beatles cujo lançamento no Reino Unido completa 50 anos no próximo dia 22, está a consolidação de um novo formato: o da banda autossuficiente quanto às composições.

Até então, nenhuma gravadora ou produtor confiava tanto em seus jovens artistas a ponto de permitir que a maior parte do material gravado por eles fosse de sua autoria.

Linha de montagem

As grandes empresas discográficas funcionavam, portanto, como verdadeiras linhas de montagem, nas quais era imprescindível a presença de compositores experientes, não necessariamente artistas de palco. Aos astros propriamente ditos era designado apenas o papel de interpretar as canções.

Mas o talento criativo de Lennon e McCartney abundava de tal maneira que acabou por convencer os envolvidos na concepção da bolacha, como o produtor George Martin. Em parte, devido à boa resposta obtida pelos singles “Love Me Do” e “Please Please Me”, editados previamente ao LP.

As seis covers

Ainda assim, o disco de estreia dos Fab Four não ignorava o costume então vigente de incluir versões de outros compositores em seu repertório. Seis das 14 faixas não foram escritas pelos rapazes e já haviam sido lançadas comercialmente na voz de outros intérpretes.

Música no Blog separou todas as versões originais destas canções, comparando cada uma à versão dos Beatles. É muita música boa junta, já que, além das releituras serem excelentes, asfaixas escolhidas – em sua maioria gravada anteriormente por craques do rhythm and blues e dos girls groups – mostram que o quarteto tinha, antes de tudo, muito bom gosto. Escutem, curtam e digam quais acham as melhores:

Arthur Alexander (1962) – “Anna (Go To Him)”

De autoria do próprio Alexander (1940-19939).

Versão dos Beatles:

The Cookies – “Chains” (1962)

Da célebre dupla de compositores Gerry Goffin e Carole King, à época casados.

Versão dos Beatles:

The Shirelles – “Boys” (1960)

Composta por Luther Dixon (1938-2009) e Wes Farrell (1939-1996).

Versão dos Beatles

The Shirelles – “Baby It’s You” (1961)

Do grande compositor Burt Bacharach em colaboração com Mack David (1912-1993) e Luther Dixon (creditado como Barney Williams)

Versão dos Beatles

Lenny Welch – “A Taste of Honey” (1962)

De Bobby Scott (1937-1990) e Ric Marlow

Versão dos Beatles

Top Notes – “Shake It Up Baby” (depois renomeada “Twist & Shout”, 1961)

Escrita por Phil Medley (1916-1997) e Bert Russell (1929-1967)

Isley Brothers – “Twist & Shout” (versão que inspirou a dos Beatles, 1962)

Versão dos Beatles

 

10/02/2013

às 19:00 \ Tema Livre

FOTOS: De Amy Winehouse a Churchill, dos Beatles às beldades de Hollywood – o fabuloso acervo de Terry O’Neill, o fotógrafo que clica celebridades há mais de meio século

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A musa francesa Brigitte Bardot fotografada por Terry O'Neill na Espanha, em 1971: câmera onipresente (Fotos: Terry O'Neill)

Em suas mais de cinco décadas de atividade como fotógrafo, o londrino Terry O’Neill, 74, se transformou em sinônimo de imagens marcantes e reveladoras quando o assunto é gente famosa.

Pensem em alguma celebridade que haja estado em considerável evidência na segunda metade do século XX. É bem provável que ela tenha sido “vítima” da onipresente câmera de O’Neill. Tanto faz se a personalidade em questão pertença ao mundo da política ou da música pop, dos esportes ou da moda.

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O fotógrafo Terry O'Neill (Foto: BBC)

De tanto transitar entre as estrelas, acabou vivendo como celebridade “oficial” entre 1983 e 1987, quando esteve casado com a atriz Faye Dunaway, com quem teve um filho.

Detentor de dezenas de condecorações relevantes, como a medalha centenária da Royal Photograph Society inglesa, recebida no ano passado, o próprio fotógrafo também presta atenção a outros talentos de seu ofício em um prêmio que leva o seu nome.

Abaixo, uma seleção de alguns pesos-pesados da fama retratados por Terry O’Neill. Para outros retratos, acessem o seu site oficial.

Winston-Churchill-Terry-O'Neill

O ex-primeiro-ministro Winston Churchill (1874-1965), um dos estadistas gigantes do século XX, à saída de um hospital em Londres, 1962

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Paul Newman (1925-2008) e Lee Marvin (1924-1987) na foto que seria usada para o cartaz de divulgação do filme "Meu Nome é Jim Kane", 1972

Nelson-Mandela-Terry-O'Neill

Nelson Mandela,o presidente-herói da África do Sul (1994-1999), no dia de seu aniversário de 90 anos em Londres, a 18 de julho de 2008

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Naomi Campbell em Londres, 1993

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A cantora Marianne-Faithfull, na flor da idade, também em Londres, 1963

Margareth-Tatcher-Terry-O'Neill

A "Dama de Ferro", Margaret Thatcher, em Downing Street, residência oficial dos primeiros-ministros britânicos desde o século XVIII, 1989

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David Bowie e Elizabeth Taylor (1932-2011) trocam figurinhas em Los Angeles, 1975

Keith-Terry-O'Neill

Keith Richards enfrenta mais uma ressaca em Londres, 1963

Terry-O'Neill-Goldie

Goldie Hawn em momento preguiçoso em Londres, 1970

Terry-O'Neill-Sinatra

Frank Sinatra caminha com sua "gangue" do hotel Fontainebleau, em Miami, rumo ao set de filmagens de "A Mulher de Pedra", 1968

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Faye Dunaway, em Los Angeles, 1977; antes, portanto, de se tornar mulher do fotógrafo

Terry-O'Neill-Elton

Elton John leva o público ao delírio no estádio do time de beisebol do Los Angeles Dodgers, 1975

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O alemão Franz Beckenbauer e o inglês Bobby Moore (1941-1993), dois dos maiores jogadores da história do futebol, juntos em Londres, por volta de 1970

Terry-O'Neill-Beatles

Nos fundos dos estúdios Abbey Road, em Londres, os Beatles começam sua escalada rumo ao topo do mundo, 1963

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A eterna musa Ava Gardner (1922-1990) no Arizona, 1973

Terry-O'Neill-Sharon

A bela atriz americana Sharon Tate, brutalmente assassinada pela seita de desvairados de Charles Manson em 1969, aos 26 anos; amigo dela, Terry conta que por pouco não estava presente em sua casa na noite do crime

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Audrey Hepburn (1929-1993) se refresca em Saint-Tropez, 1967

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Close de Al Pacino em Londres, 1995

Terry-O'Neill-Amy

Amy Winehouse (1983-2011) em Londres, 2008

12/01/2013

às 14:00 \ Música no Blog

Beatles: documentário de Scorsese é o épico necessário sobre George Harrison

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Cartaz do filme e capa do DVD

Publicado originalmente em 2 de novembro de 2011.

Por Daniel Setti

Living in the Material World, documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison (1943-2001) – que já começa a estar disponível no Brasil em DVD e, extra-oficialmente, na internet – é, além de um evidente deleite para os fãs do quiet beatle, um épico audiovisual necessário, em se tratando da importância dos Beatles e das quatro pessoas que o integraram. E que vale a pena ser assistido no cinema. Torçamos para que os distribuidores brasileiros não deixem passar esta oportunidade.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Assisti ao filme de três horas e meia em sessão ocorrida segunda-feira na edição barcelonesa do In-Edit, festival inteiramente de dedicado a documentários musicais que já foi organizado também em países como Brasil, Argentina e Chile. Diante de uma telona e na companhia de uma sala organizadamente lotada, a experiência vale ainda mais.

Documento definitivo

Se a história dos Beatles já fora muito bem contada em Anthology (1995) e John Lennon é foco de diversas produções do gênero – só para citar duas, as ótimas Imagine (1988) e The U.S. vs John Lennon (2006) –, faltava que alguém se debruçasse sobre as trajetórias individuais dos outros rapazes de Liverpool. Os próximos devem ser, obviamente, Paul e Ringo. (Uma pena saber que, ao prevalecer a lógica comercial mórbida do mercado, eles só ganharão os seus relatos documentais definitivos quando não estiverem mais aqui.).

Living in the Material World exerce o devido papel de documento essencial. em primeiro lugar, por abraçar toda a preciosa obra de George, desde quando estreou como compositor em disco com “Don’t Bother Me”, incluída timidamente em With the Beatles (1963) – e desafiando a tirania da dupla Lennon-McCArtney -, às últimas canções que criou antes de morrer (material transformado no ótimo disco póstumo Brainwashed, de 2002).

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O casal Nancy Shevell e Paul McCartney, Yoko Ono, Olivia Harrison, viúva de George, Barbara Bach e o marido, Ringo Starr, na estreia do documentário, dia 2 de outubro em Londres (Foto: Dave Hogan - Getty Images)

Entre os dois momentos, esmiúçam-se, com áudio, vídeo e fotografias, as joias eternas que escreveu para os Beatles e sua carreira solo, que começou oficialmente com o sublime álbum All Things Must Pass (1970). Espécie de fio condutor da trilha  sonora do documentário, o repertório da bolacha tripla mostrou o quanto Harrison vinha acumulando criatividade durante os últimos anos do grupo, sem que pudesse ver suas músicas publicadas.

Retrato íntimo

Outro mérito de Scorsese foi trazer à tona muito mais da vida pessoal do reservado rockstar do que qualquer fã está acostumado, sem que tal iniciativa descambe para a fofoca ou o sensacionalismo tardio. A história do astro, afinal de contas, ajuda a entender sua obra.

Entre os entrevistados estão seus irmãos Harry e Peter, a primeira mulher, Pattie, e a segunda, Olivia, com quem esteve casado entre 1978 e sua morte, 23 anos depois. Ambas tratam de assuntos espinhosos: Pattie, de como trocou George por um de seus melhores amigos, Eric Clapton (outro participante, e que também aborda o tema), e Olivia, ainda que com extrema delicadeza, sugerindo as dificuldades do guitarrista em manter-lhe a fidelidade.

Completa o lado mais íntimo do documentário a presença do filho do casal e único filho de George, Dhani (atualmente com 33 anos), confidenciando as aparições do pai em seus sonhos e narrando, em off, as cartas que o então jovem roqueiro escrevia aos seus pais durante as intermináveis e exaustivas turnês dos Beatles.

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George à época de "All Things Must Pass"

Interesses ecléticos, amizades idem

 

A respeitosa investigação da vida privada de Harrison arquitetada por Scorsese também passa pela compreensão da ampla gama dos interesses do músico.

Em 1966, quando a beatlemania ainda ensurdecia os estádios do mundo, George já mirava a imersão espiritual por meio da cultura e religião indiana, algo que influiria decisivamente não apenas em sua música, mas que também levaria até o fim de sua vida; na década de 1970, enquanto outros superastros abraçavam a megalomania, ele inaugurava a era dos concertos beneficentes a vítimas da guerra Índia-Paquistão (1971) que levou à independência da miserável Bangladesh, ou pagava do seu próprio bolso as revolucionários filmes do coletivo humorístico britânico Monty Python. Nas horas vagas, ainda se dedicava a hobbys como acompanhar de perto o automobilismo esportivo.

Ao atuar em áreas tão diferentes áreas, Harrison colecionou um clube de amigos que eram, ao mesmo tempo, seus ídolos e admiradores. Um grupo cujo ecletismo é louvado por um de seus integrantes, o cultuado diretor Terry Gilliam (um dos fundadores do Monty Phyton). Não à toa, entre os entrevistados estão também o ex-campeão de Fórmula 1 Jackie Stewart, a atriz/cantora Jane Birkin, a fotógrafa Astrid Kirchherr e o excêntrico produtor musical Phil Spector.

Além deles, músicos como Ravi Shankar – também seu guru espiritual –, Tom Petty e, claro, Paul McCartney e Ringo Starr (contribuindo com um lindo e emocionado depoimento final), comparecem, intercalados com antigas respostas dadas por Lennon e pelo próprio George. Em alguns casos, relatando exatamente as mesmas histórias e com as mesmas palavras de Anthology. Único pecado do filme, aliás, juntamente com o reaproveitamento de entrevistas do épico sobre os Beatles. Fora isso, são 208 minutos a serem saboreados até a última nota musical.

(Mais sobre música neste link)

01/12/2012

às 12:03 \ Música no Blog

Rolling Stones abriram primeiro show da turnê de 50 anos com “I Wanna Be Your Man”, de Lennon e McCartney. Vejam a primeira aparição da banda na TV tocando a canção

Mick Jagger à frente dos Stones na O2 Arena, em Londres, no domingo passado (Foto: rollingstones.com)

Mick Jagger à frente dos Stones na O2 Arena, em Londres, no domingo passado (Foto: rollingstones.com)

Por Daniel Setti

“I Wanna Be Your Man”, canção de John Lennon e Paul McCartney, foi a primeira das 23 músicas tocadas pelos Rolling Stones no primeiro show da bombástica turnê que celebra os 50 anos da banda. O concerto ocorreu no domingo (25 de novembro), seguido por outro na quinta-feira (29) na O2 Arena, em Londres, no qual a música foi a segunda do set list.

Lançado originalmente como compacto dos Stones no começo de novembro 1963, ainda no mesmo mês a faixa marcaria presença, cantada por Ringo Starr, no segundo álbum dos Beatles, With the Beatles. O fato de ter sido oferecida por John e Paul a Mick Jagger e companhia, aliás, joga a favor dos que defendem a teoria de que as bandas eram mais amigas do que rivais.

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Os Rolling Stones em 1964: a partir da direita, Brian Jones, Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Bill Wyman (Foto: Virgin Media)

Para celebrar a surpreendente removida no baú promovida pela banda de rock mais longeva do mundo, Música no Blog recupera vídeo raro com a primeira apresentação televisiva de “I Wanna Be Your Man” com os Rolling Stones, ocorrida no programa britânico Arthur Haynes Show em 7 de fevereiro de 1964.

O registro é imperdível não só por se tratar de apenas a oitava aparição da banda na televisão – a primeira ocorrera em julho do ano anterior -, mas também por mostrar o quinteto tinindo na formação que o consagrou, incluindo o multi-instrumentista Brian Jones (morto em 1969) e o baixista Bill Wyman (que saiu em 1992).

Com todo o devido crédito à enérgica versão dos Beatles, a leitura dos Stones é de tirar o fôlego, especialmente pelo baixo fluído de Wyman (que participou dos shows desta semana) em alto volume e Jones abusando das técnicas aprendidas com os bluesmen americanos. Sem contar, evidentemente, com a presença já magnética de Jagger ao microfone e a segurança de Keith Richards na guitarra base e de Charlie Watts na bateria.

(Mais sobre música neste link)

04/11/2012

às 17:19 \ Disseram

Paul McCartney: “A Yoko Ono não foi responsável pelo fim dos Beatles. Não podemos culpá-la de nada.”

“A Yoko Ono não foi responsável pelo fim dos Beatles. Não podemos culpá-la de nada.”

Paul McCartney, em entrevista ao jornal britânico The Observer, desmentindo um velho boato

06/10/2012

às 12:00 \ Tema Livre

BEATLES — 50 anos de “Love Me Do”, o primeiro compacto deles: celebrem meio século de magia beatlemaníaca em 5 canções de outros artistas com letras sobre os “Fab Four”

The Beatles em 1962: Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison (Foto: Apple Corps)

The Beatles em 1962: Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison (Foto: Apple Corps)

Por Daniel Setti

O Fim do Mundo se aproxima, de acordo com o calendário maia. Mas, para a comunidade internacional de milhões de beatlemaníacos, é possível que uma data deste último trimestre de 2012 tenha sido até mais importante: falamos precisamente de ontem, sexta-feira, 5 de outubro, o 50º aniversário do lançamento do primeiro compacto dos Beatles, editado no Reino Unido pelo selo Parlophone, ligado à EMI.

Trazendo 2 minutos e 22 segundos de pura magia no lado A com “Love Me Do” e 2 minutos e seis segundos de encantamento juvenil no lado B com “P.S. I Love You”, duas autênticas amostras da denominação de origem Lennon-McCartney – embora mais McCartney do que Lennon –, o début de sete polegadas mudou para sempre o mundo.

Uma rara cópia da prensagem original do compacto contendo "Love Me Do" e "P.S. I Love You" (Foto: Beatles 64/Collector's Frenzy)

Uma rara cópia da prensagem original do compacto contendo "Love Me Do" e "P.S. I Love You" (Foto: Beatles 64/Collector's Frenzy)

Desde então, além de toda a revolução musical promovida pelos Fab Four, fenômenos típicos do século 20, como a transformação de personalidades pop em semideuses e em artigos altamente vendáveis, também ganhariam novas proporções. Algo que se nota não apenas na infinidade de conteúdo e produtos já produzidos a respeito dos quatro roqueiros de Liverpool, mas também nas letras de algumas boas canções sobre eles.

Música no Blog separou cinco destas composições que trazem um ou dois integrantes dos Beatles como personagens. A seleção com canções sobre a banda como um todo, também bastante promissora, fica para um outro post.

-Milton Nascimento x John Lennon e Paul McCartney – “Para Lennon & McCartney” (1970)

Mesmo sem referência direta (o refrão diz “Mas agora sou cowboy/
Sou do ouro / eu sou vocês”), trata-se de um “pedaço” de homenagem à genial dupla.

-Shelley Plimpton (Trilha do espetáculo Hair, 1968) x George Harrison– “Frank Mills”

Aqui a menção vai para o Quiet Beatle, George Harrison: “Ele foi visto pela última vez com seu amigo / Um baterista, parecido com o George Harrison dos Beatles”. Tema extraído do mítico espetáculo Hair, cuja estreia na Broadway ocorreu em 1968.

-Caetano Veloso x John Lennon e Ringo Starr – “Cambalache” (1969)

Adaptando em grande estilo um velho tango de Enrique Santos Discépolo (1901-1951), Caetano incluiu referências a dois beatles nos lugares que, na composição original, eram dedicados ao compositor Igor Stravinsky e ao astrônomo Luigi Carnera. O resultado ficou assim: “Misturem-se Ringo Starr,Van Don Bosco e La Mignón, Don Chicho e Napoleón, John Lennon e San Martín”. Escutem-a aqui.

-Devendra Banhart  x Paul McCartney e Ringo Starr – “The Beatles” (2005)

O neohippie meio venezuelano meio americano Devendra se espanta já na primeira estrofe: “Paul McCartney e Ringo Star são os únicos Beatles no mundo!”.

-Odair José x John Lennon – “Eu queria ser John Lennon”

“Eu queria ser John Lennon um minuto só / Pra ficar no toca-discos e você me ouvir”. Eis a sabedoria popular devidamente beatlemaníaca do veteraníssimo Odair.

(Mais sobre Beatles e outras listas musicais neste link)

 

16/09/2012

às 17:30 \ Livros & Filmes

Mulheres de ditadores: os monstros da sedução

Fidel Castro, o terror das mulheres, conduzia de maneira desenfreada a revolução e os amores (Foto: Hulton Archive / Getty Images)

Fidel Castro conduzia de maneira desenfreada a revolução e os amores (Foto: Hulton Archive / Getty Images)

Artigo de Gilles Lapouge publicado na revista Lola, da Editora Abril

 

OS MONSTROS DA SEDUÇÃO

Mulheres de Ditadores

Mulheres de Ditadores

No livro Mulheres de Ditadores, a belga Diane Ducret mostra que, por trás de um tirano, existe sempre um bando de moças embevecidas. Hitler arquivava as cartas de admiradoras, Mussolini recebia bombons, Fidel Castro colecionava conquistas de sua revolução sensual. E há os que arregimentavam suas companhias com políticas de Estado

Adolf Hitler recebeu mais cartas do que os Beatles e Mick Jagger juntos. Não as lia, mas lhes dava valor. O Führer estava convencido, como muitos outros ditadores, de que seu poder repousava em sua sedução, e as mulheres eram um bom indicativo.

Ele mandava classificar essa frenética correspondência no Arquivo A, sob a desprezível etiqueta “Rabiscadas por mulheres”, que ficava sob o controle de altos dignatários do Reich, como Rudolf Hess. As cartas são um delírio. “Meu Führer querido, penso em você todos os dias, todas as horas, todos os minutos”, diz uma delas.

Uma senhora chamada Von Heyden anuncia o envio de um pote de mel. Em 23 de abril de 1935, Friedel S. diz: “Uma mulher de Saxe gostaria muito de ter um filho seu”. A baronesa Elsa Hagen exagera: “Eu não escrevo ao Senhor chanceler de um grande Reich, e sim ao homem que eu amo e que seguiria até o fim de sua vida”. Infelizmente, para essa baronesa, havia muita concorrência.

Outra mulher, no fim dos anos 1930, escreve: “A eterna fêmea o atraiu. Então, exulte, ó, meu coração, e se deixe abraçar pelas estrelas”.

Na Itália, Benito Mussolini era adorado. Chegavam-lhe de 30 mil a 40 mil cartas por mês. Em 13 de janeiro de 1940, R. Severina, “jovem fascista”, um pouco tímida sem dúvida, envia ao Duce uma caixa de bombons. Uma fascista mais decidida, M. Ilenia, comunica: “Eu não tive nem coragem nem tempo para me jogar sob as rodas de seu carro, nesta manhã, na Piazza Venezia”. Não conhecemos a resposta de Mussolini. Talvez ele a tenha aconselhado a “pensar mais um pouco” antes de fazer uma nova tentativa.

Esse mergulho nas estranhas correspondências dos tiranos forma a abertura grotesca e assustadora de dois volumes escritos pela historiadora belga Diane Ducret, sob o título Mulheres de Ditadores. A obra acompanha os amores de 14 deles e, ao mesmo tempo, as provas heroicas, patéticas, ternas ou atrozes suportadas pelas mulheres que amaram até o grotesco ou até o sublime esses “senhores do mundo”.

O primeiro volume é consagrado às mulheres de Vladimir Lênin (Rússia), Joseph Stálin (Rússia), António Salazar (Portugal), Jean-Bédel Bokassa (República Centro-Africana), Mao Tsé-tung (China), Nicolae Ceausescu (Romênia), Slobodan Milosevic( ex-Iugoslávia), Mussolini e Hitler. O segundo, que acaba de ser publicado, examina tiranos mais recentes: Fidel Castro, Saddam Hussein, Khomeini, Kim Jong-il e Bin Laden.

Poderíamos temer uma monotonia. Afinal, os heróis do livro são sempre os mesmos: de um lado, um “supermacho” cuja inteligência, o acaso ou a crueldade levaram ao topo do mundo, ao alcance dos deuses; e, de outro, mulheres esgotadas jogadas às feras. Na realidade, nenhuma história repete a outra: que semelhança pode haver entre um aiatolá Khomeini, que gostava de uma mulher apenas, Khadije (“comparável à flor da amendoeira”), devota e respeitosamente até sua morte, e um Fidel Castro, que devora com avidez as mulheres?

Hitler manteve-se fiel a Eva Braun, embora só tenha casado com ela (literalmente) no último momento, pouco antes da morte (Foto: Hulton Archive / Getty Images)

Hitler manteve-se fiel a Eva Braun, embora só tenha casado com ela (literalmente) no último momento, pouco antes da morte (Foto: Hulton Archive / Getty Images)

Em relação a elas, as mesmas incertezas: nenhuma relação entre, de um lado, a terrível Mirjana Markovic, que impõe a seu marido, o frágil e tímido chefe dos sérvios, Slobodan Milosevic, todas as infâmias que ele comete na Bósnia, na Sérvia ou no Kosovo; e, por outro lado, Najwa, a esposa de Bin Laden, o terrorista do 11 de setembro, que canta assim seu amor louco: “Eu amava tudo nele, desde sua aparência até a suavidade de suas maneiras e sua força de caráter”. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

01/09/2012

às 10:02 \ Música no Blog

A surpreendente arte de recriar capas de discos com… meias

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A capa original de "Help", disco de 1965 dos Beatles...

Beatles-Help-meia

...e sua versão feita com meias

Por Daniel Setti

É mais uma destas iniciativas ao mesmo tempo criativas, niilistas e divertidíssimas que só a internet possibilita: o sujeito expressa a sua paixão pelas capas de discos de rock de diferentes estilos e épocas reproduzindo-as com… meias. Incluindo algumas surradas e sujas!

"Blonde on Blonde" (1966), de Bob Dylan...

"Blonde on Blonde" (1966), de Bob Dylan...

"Blonde on Blonde" (1966), de Bob Dylan...

...e sua versão feita com meia

A mítica capa criada por Andy Warhol para o Velvet Underground em 1967...

A mítica capa criada por Andy Warhol para o Velvet Underground em 1967...

...também ganhou sua "releitura"

...também ganhou sua "releitura"

Na verdade, não se sabe ao certo se “sujeito”, “sujeita” ou “sujeitos” seria a melhor forma de classificar, er, o sujeito da frase, já que estamos falando de um Tumblr (esta modalidade de miniblog em alta no mundo virtual) cuja autoria é desconhecida.

"Who's Next" (1971), do The Who...

"Who's Next" (1971), do The Who, entre as homenageadas

"Who's Next" (1971), do The Who... meia

"The Dark Side of the Moon" (1973), do Pink Floyd, também não escapou

"The Dark Side of the Moon" (1973), do Pink Floyd, também não escapou

O nome, Sock Covers (“Capas de Meias”) faz um trocadilho com “Rock Covers” (“Capas de Rock”).

Metallica-Black-meia

"Metallica", conhecido também como "Black Album" (1991), do Metallica

No que diz respeito a apresentações, o(s) misterioso(s) autor(es) apenas limita(m)-se a escrever que “gastar alguns momentos por dia fazendo algo um pouco criativo pode ser muito bom para você”.

Love-Symbol-prince-meia

O célebre símbolo adotado brevemente por Prince, que fez com que este disco de 1992 fosse chamado de "The Love Symbol Album"...

 

...serviu de molde perfeito para mais uma meia

...serviu de molde perfeito para mais uma meia

"Voodoo Lounge" (1994), dos Rolling Stones meia

"Voodoo Lounge" (1994), dos Rolling Stones

Mesmo assim, a justificativa por querer trazer à tona o velho encanto das capas de álbuns não poderia ser mais direta (e louvável): “cada vez mais, as artes dos discos têm sido relegadas a uma pequena miniatura em um computador; estou dando apoio a alguns lindos exemplos de artes de discos”.

"Is This It" (2001), dos Strokes

"Is This It" (2001), dos Strokes

Pearl-Jam-meia

Álbum homônimo do Pearl Jam lançado em 2006

Confiram estes e outros trabalhos feitos com meias no The Sock Covers.

(Mais sobre o mundo maravilhoso das capas de discos neste link)

 

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