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bater em mulher

01/03/2012

às 19:15 \ Política & Cia

O comunista Netinho, em entrevista, adota posições que antes o lulo-petismo demonizava como “neoliberais” — e passa por uma saia justa

Netinho durante a campanha eleitoral de 2010: abraçando ideias que criticava, e enfrentando uma saia justa (Foto: VEJA)

Aos poucos eles vão chegando lá.

Passaram anos maldizendo os governos Itamar Franco-FHC para, depois, abraçarem sua política econômica, ampliarem como invenção sua a rede de proteção social de FHC — rebatizada de Bolsa Família — e, finalmente, adotar linhas de ação que demonizavam, como a concessão de serviços à iniciativa privada.

Refiro-me ao pessoal do lulo-petismo, claro.

Hoje, quinta-feira, dia 1º de março, foi a vez de Netinho de Paula, pagodeiro, apresentador de TV, vereador pelo PC do B, candidato do lulalato ao Senado em 2010, derrotado mas com votação significativa — mais de 8 milhões de votos — e pré-candidato a prefeito de São Paulo.

Em entrevista à Rádio CBN, Netinho disse ser favorável a iniciativas que até há pouco sua turma classificava, com desprezo, de “neoliberais”, como a concessão de serviços de saúde a organizações sociais (entidades não públicas sem objetivo de lucro), o ultrapolêmico pedágio urbano — ferozmente criticado pela esquerda quando aplicado em outros países — e a concessão de rodovias à iniciativa privada.

Ótimo. Que um comunista do B tenha chegado a essas posturas mostra progresso.

A saia justa ficou por conta de pergunta feita na lata pelo jornalista Juca Kfouri:

– Netinho, diga lá: comunista pode bater em mulher?

Referia-se ao episódio policial ocorrido em 2005, quando, em briga com a então esposa, a decoradora Sandra Mendes de Figueiredo Crunfl, Netinho agrediu-a fisicamente, indo o caso parar na Justiça Criminal.

(Leia a respeito deste e de outro caso na coluna de Augusto Nunes).

Netinho, depois de hesitar e de lamentar o fato de Juca ter feito a pergunta, afirmou que se arrepende do que ocorreu, que já havia pedido desculpas em público e até para o público e que, “graças ao PC do B”, aprendeu a respeitar e a defender os direitos das mulheres.

 

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