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baderneiros

05/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Baderneiros contra a modernização dos portos e da cidade do Rio fazem “manifestação” e aproveitam para insultar o jornalista Merval Pereira

Merval Pereira: cercado e xingado por manifestantes no Rio (Foto: adpf.org.br)

MEU MOMENTO YOANI

Do blog do jornalista Merval Pereira

Na sexta-feira à noite, na inauguração do novo museu MAR na Praça Mauá, passei por rápidos instantes a mesma situação que enfrentou a blogueira Yoani Sánchez quando esteve no país recentemente.

Havia diversas manifestações nos arredores do museu, onde participavam da inauguração a presidente Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. O barulho era insuportável dentro do museu, que, com seu lindo teto ondulado, criou um inesperado efeito acústico no interior do prédio.

Uma era contra o fechamento dos teatros do Rio depois da tragédia de Santa Maria. Muitos teatros, que funcionavam sem as medidas de segurança necessárias, continuam fechados e os artistas estavam ali protestando.

Mas protestavam contra o quê? Deveriam mesmo protestar contra o fato de terem passado todo esse tempo trabalhando e recebendo pessoas em lugares sem condições de segurança adequada. Deveriam protestar contra a Prefeitura, mas pelo que ela não fez, e não pelo que está fazendo, embora tardiamente.

Havia um pequeno grupo reclamando casas prometidas e não entregues. E havia um terceiro grupo, mais barulhento e agressivo, que protestava contra a revitalização da zona portuária do Rio e também contra a Medida Provisória dos Portos, que em boa hora a presidente Dilma enviou ao Congresso.

Baderneiros do PT, do PC do B, da “Juventude Socialista” e do PDT

Aparentemente não havia no grupo nenhum estivador ou operário, eram todos jovens estudantes com máscaras e cartazes que alertavam: “Gestão mata” e “Choque mata” em referência ao Choque de Ordem da Prefeitura.

O que esses jovens do PT, do PCdoB, da Juventude Socialista, do PDT, sei lá de onde, queriam dizer é que a revitalização do centro do Rio é uma modernidade que rejeitam. E o que dizer da nova legislação sobre os portos do país?

O que está por trás dos protestos, no entanto, é uma nada estranhável, embora exótica, aliança entre órgãos sindicais e empresários que operam os portos sem competição, beneficiando-se de uma reserva de mercado tão ultrapassada quanto prejudicial à economia brasileira.

Os jovens radicais estavam ali protestando contra a modernização da cidade e a possibilidade de os novos administradores de portos disputarem cargas com os terminais já existentes e contratarem mão de obra pelo regime da CLT, à qual estão subordinados todos os trabalhadores brasileiros.

A aliança dos sindicatos dos concessionários dos portos, que não querem competição de jeito nenhum

Sindicatos liderados pelo Paulinho da Força Sindical, deputado federal pelo PDT, querem impedir a modernização dos portos, obrigando os novos terminais a contratarem os estivadores pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). E têm o apoio de concessionários dos portos, que querem tudo menos competição para melhorar a produtividade.

No entanto, dar competitividade ao setor portuário é fundamental para a retomada do crescimento, reduzindo o chamado custo Brasil. E lá estavam os jovens esquerdistas não apenas protestando, como seria normal em uma democracia, mas agredindo verbal e quase fisicamente as pessoas que passavam por uma espécie de corredor polonês que a polícia deixou que fizessem.

Agressões verbais chegaram perto da agressão física

As pessoas que saiam da festa de inauguração forçosamente tinham que passar pelos manifestantes para pegar seus carros, e houve momentos em que as agressões verbais chegaram às raias da agressão física.

Uma senhora que ia à nossa frente foi chamada de “fascista” por um manifestante, que gritou tão perto do seu rosto que quase houve contato físico.

Passei pelo grupo com minha mulher sob os gritos dos manifestantes, e um deles me reconheceu.

Gritou alto: “Aí Merval fdp”.

A tensão que está no ar nesses dias em que, como previu Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar”

Foi o que bastou para que outros cercassem o carro em que estávamos, impedindo que saísse. Chutaram-no, socaram os vidros, puseram-se na frente com faixas e cartazes impedindo a visão do motorista.

Só desistiram da agressão quando um grupo de PMs chegou para abrir caminho e permitir que o carro andasse.

Foram instantes de tensão que permitiram sentir a violência que está no ar nesses dias em que, como previu o Ministro Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar”.

É claro que o que aconteceu com a blogueira cubana Yoani Sanchez nem se compara, mas o ocorrido na noite de sexta-feira mostra bem o clima belicoso que os manifestantes extremistas estão impondo a seus atos supostamente de protesto.

E é impressionante que jovens ditos revolucionários se empenhem em defender um sistema arcaico que só interessa às corporações sindicais que já estão instaladas nos portos e a empresários que se beneficiam de privilégios que emperram a economia brasileira.

A presidente Dilma está certa ao não aceitar as pressões políticas para mudar a medida provisória dos portos, essencial para a revitalização da economia.

26/02/2013

às 18:30 \ Política & Cia

NOVA ENQUETE já no ar: o que vocês acham da punição imposta pela Conmebol ao Corinthians pela morte do jovem na Bolívia?

 

A torcida do Corinthians no estádio de Oruro: tragédia na Bolívia (Foto:  Pedro Laguna / ESPN)

A torcida do Corinthians que foi acompanhar o time contra o San José, em Oruro: tragédia na Bolívia (Foto: Pedro Laguna / ESPN)

Amigas e amigos do blog, a morte pavorosa, horrenda, que teve o jovem boliviano Kevín, de 14 anos, com um projétil incendiário entrando-lhe pelo crânio por um dos olhos na partida entre o Corinthians e o San José, de Oruro, na Bolívia, reabre um debate importante: até que ponto deve ir a responsabilidade dos clubes pelos atos de seus torcedores?

Como publiquei em post, felizmente, a legislação e os regulamentos dos campeonatos de futebol conseguiram criar a figura da punição do clube por ações violentas de suas torcidas — mantendo as punições, muitas vezes severas, no âmbito esportivo, independentemente de processos individuais pela Justiça comum que, nos países sérios, resultam em cadeia.

No plano esportivo, Corinthians foi punido pela Conmebol com a obrigação de jogar sem torcida nos jogos em que manda na Libertadores pelos próximos 60 dias, até que os fatos sejam esclarecidos. O clube tem mais de 82 mil ingressos vendidos para os próximos 3 jogos que acontecerão no Pacaembu, em São Paulo: amanhã, dia 27 (contra o Millonarios, da Colômbia), 13 de março ( contra o Tijuana, do México) e 10 de abril (o mesmo San José, da Bolívia).

Agora, quero saber a opinião de vocês sobre se, a punição imposta pela Conmebol ao Corinthians pela morte do jovem na Bolívia — jogar sem torcida por 60 dias, até que se esclareçam os fatos — é insuficiente, adequada ou exagerada.

Então, peço que respondam à enquete já no ar no local de costume, nesta home page, à direita e mais abaixo deste post.

Estou aguardando seus votos e seus comentários

26/02/2013

às 11:00 \ Vasto Mundo

Entrevista com Yoani Sánchez: ‘Tentam me calar porque divulgo a Cuba real’ — em que, para sobreviver, as pessoas precisam roubar do Estado para vender no mercado negro

Yoani Sánchez, sobre o Brasil: “Solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar” (Foto: AE)

Yoani Sánchez, sobre o Brasil: “Solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar” (Foto: AE)

A blogueira cubana Yoani Sánchez descreve um sistema de saúde à beira do colapso e uma economia na qual, para sobreviver, é preciso roubar do Estado
Branca Nunes e Duda Teixeira

“Solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar”. Apesar das manifestações hostis de um grupo de simpatizantes da ditadura dos irmãos Castro que enfrentou na passagem pelo Brasil, a frase resume a lembrança que Yoani Sánchez levará do país.

O recado aos baderneiros ligados a partidos de esquerda é igualmente conciso: ela sugere que morem em Cuba para conhecer a “realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade e impossibilidade de se manifestar na rua”.

Com os intermináveis cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, saboreando uma pastilha para aliviar a rouquidão e com a expressão serena de quem efetivamente acredita no que diz, a jornalista cubana relatou nesta sexta-feira à reportagem de VEJA um pouco do cotidiano dos moradores da ilha no Caribe. Leia trechos da entrevista.

Como a senhora viu as manifestações hostis dos últimos dias?

Por um lado me sinto feliz por estar num país onde existe liberdade democrática e pluralidade.

O problema é quando essas manifestações impedem e boicotam algo tão pacífico quanto a apresentação de um documentário ou uma sessão de autógrafos. Acho contraditório usar um espaço democrático para impedir que alguém se expresse livremente.

A senhora ficou amedrontada?

Não, porque conheço esses métodos do meu país: a coação e a difamação. Infelizmente, nos últimos anos vivi situações semelhantes em Havana e outras cidades.

Eles conhecem a realidade cubana?

Lamentavelmente, a maioria não conhece meu país, minha história ou meus textos. Eles acreditam numa Cuba estereotipada, uma ilha de esperança, com liberdade para todos. Cuba não vive um comunismo, mas um capitalismo de estado.

Recomendaria que cada um deles morasse um tempo em Cuba para viver na pele a realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade, impossibilidade de se manifestar na rua.

Depois desse tempo, duvido que continuem a defender o governo cubano. Tentam me calar porque divulgo uma Cuba menos parecida com o discurso político e mais parecida com a rua. Uma Cuba real.

Que Cuba é essa?

Uma Cuba linda, mas difícil. É importante diferenciar Cuba de um partido, de uma ideologia, de um homem. Ela é muito mais do que isso.

É um país onde as pessoas precisam esconder suas opiniões com medo de represálias, onde muitos jovens querem emigrar por falta de expectativa, onde o estado tenta controlar todos os detalhes da vida.

Onde colocar um prato de comida em cima da mesa significa submergir-se diariamente à ilegalidade para conseguir dinheiro.

Muitas pessoas de vários países costumam elogiar o sistema de saúde e o sistema educacional de Cuba. Esses elogios são pertinentes?

Nos anos 70 e 80, Cuba viveu o florescimento de toda a estrutura de saúde e educação. Foram construídas escolas e postos de saúde em toda parte graças aos subsídios soviéticos.

Quando a União Soviética caiu, Cuba teve que voltar à realidade econômica. Os professores imigraram por causa dos baixos salários, a qualidade diminuiu e a doutrina aumentou. Exatamente como na área da saúde.

Hoje, quando um cubano vai a um hospital, leva um presente para o médico. É um acordo informal para que o atendam bem e rápido. Levam também desinfetante, agulha, algodão, linha para as suturas.

O governo usa a existência de um sistema gratuito de saúde e educação para emudecer os críticos, silenciar a população.

Não passo todos os dias doente ou aprendendo, quero ler outros jornais, viajar livremente, eleger meu presidente, poder me manifestar, protestar.

Como funciona o sistema de aposentadoria em Cuba?

Esse é um dos setores mais pobres.

Um aposentado ganha cerca de 15 dólares conversíveis por mês.

Como a maioria dos cubanos não vive do salário, mas do que pode roubar do Estado dentro do local de trabalho [para vender no mercado negro], quando se aposenta ele perde essa fonte de renda.

Em Havana é possível ver muitos velhos vendendo cigarros nas ruas.

Que tipo de racionamento existe em Cuba e como ele funciona?

Cada cubano tem direito a uma cota mensal de alimento com preços subvencionados pelo estado.

Estudos dizem é possível se alimentar razoavelmente bem por duas semanas com essa cota. Nela existe arroz, açúcar – que por sinal é brasileiro –, um pouco de café, azeite e, às vezes, frango.

Para sobreviver a outra metade do mês os cubanos precisam ter os pesos conversíveis. O salário médio na ilha é de 20 dólares. Um litro de leite custa 1,80 dólares.

Por isso, as pessoas apelam para a ilegalidade: roubam do estado e vendem no mercado negro, prostituem-se, exercem atividades ilegais, como dirigir taxis ou vender produtos para os turistas. Graças a isso e às remessas enviadas pelos cubanos exilados é possível sobreviver. Uma revolução que rechaçou esses exilados agora depende deles.

A senhora disse que os gritos de ordem dos manifestantes brasileiros já não se escutam mais em Cuba. Qual lhe surpreendeu mais?

“Cuba sim, ianques não”, por exemplo. É uma expressão fora de moda. Em Cuba não usamos mais a palavra ianque para os americanos. Ela é usada apenas nos slogans políticos.

Falamos yuma, que não pejorativo. Ao contrário, mostra um certo encanto em relação a eles.

A propaganda oficial, de ataques aos Estados Unidos e ao imperialismo, criou um sentimento contrário ao esperado.

A maioria dos jovens hoje é fascinada pelos americanos.

Até acho ruim esse enaltecimento por outro país, mas é uma realidade.

O que os cubanos nascidos depois da revolução acham de figuras como Fidel Castro e Fulgêncio Batista [o ditador derrubado pela revolução castrista em 1959]?

Nasci em 1975, quando tudo já estava burocraticamente organizado. Na escola, apresentavam Fidel como o pai da pátria. Era ele quem decidia quantas casas seriam construídas, o que iríamos vestir.

Na juventude, Fidel passou a ser uma figura distante.

Diferentemente dos nossos pais, que viveram uma fascinação pela figura de Fidel, minha geração é mais crítica. O Fulgêncio Batista era o ditador anterior. A revolução tirou um ditador do poder e se converteu em uma ditadura.

As gerações mais antigas continuam fiéis à revolução?

Existem os que creem realmente na revolução, sem máscaras nem oportunismo, um pequeno grupo.

Os que já não creem, mas não querem aceitar que se equivocaram, porque entregaram a ela seus melhores anos, e aqueles que deixaram de acreditar no sistema e se transformaram em pessoas críticas.

Em 2007, o governo brasileiro deportou os boxeadores cubanos Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que tentavam o exílio na Alemanha. Qual sua opinião sobre isso?

O governo brasileiro teve um triste papel neste caso, de cumplicidade. Quando os atletas retornaram, o governo cubano fez um linchamento público na imprensa oficial, com vários insultos.

Fidel Castro falou na televisão que um deles foi visto com uma prostituta na praia. Os filhos e a mulher desse homem foram expostos a isso.

Foi um episódio bastante lamentável.

Por que a ditadura cubana ainda tolera suas críticas?

Penso que a visibilidade que alcancei me protege. Sou vigiada constantemente, meu telefone é grampeado e existe uma série de mecanismos e estratégias para matar a minha imagem. Se não podem matar a pessoa, matam sua imagem.

A senhora é frequentemente acusada de receber dinheiro de governos contrários a Cuba para manter seu blog. Qual a origem desses rumores?

Faz parte da estratégia de difamação: não discutir as ideias, mas a pessoa.

Para ter um blog é preciso muito pouco dinheiro. O meu está num software livre, o WordPress, e fica hospedado num servidor da Alemanha que custa 36 euros por ano.

Em 2006, um amigo alemão pagou vários anos a esse servidor.

Quanto à conexão, aprendi alguns truques. Por exemplo, vou a um hotel e compro um cartão de conexão que custa 6 dólares a hora. Como preparo quatro ou cinco textos em casa, programo para que sejam publicados em dias diferentes.

Com esse método, consigo me conectar mais de cinco vezes com um único cartão. No twitter, publico via mensagem de texto.

Que lembranças levará do Brasil?

Muita solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar. O pão de queijo também me encantou. Vou levar uma mala cheia deles para Cuba.

22/02/2013

às 17:02 \ Tema Livre

Como corintiano, e diante da morte horrível do jovem torcedor boliviano na partida contra o San José, opino: o Corinthians deveria ser excluído da Libertadores

A torcida do Corinthians no estádio de Oruro: tragédia na Bolívia (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians)

A torcida corintiano no estádio de Oruro: a tragédia na Bolívia deveria ser um marco exemplar para terminar com o conluio entre clubes e torcidas organizadas e para golpear de morte essas entidades de baderneiros de todas as cores (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians)

Amigas e amigos do blog, leiam esse trecho de reportagem de hoje do site de VEJA:

“O Corinthians deixou claro mais uma vez que não acredita ter qualquer responsabilidade no episódio da morte do garoto Kevin Beltrán Espada, atingido por um sinalizador [disparado por alguém em meio à torcida do clube] durante o empate com o San José, na quarta-feira, em Oruro, na Bolívia. [Doze torcedores estão detidos enquanto as autoridades da Bolívia investigam o crime.]

“Na manhã desta sexta, o clube anunciou que vai recorrer da decisão da Conmebol de barrar a torcida corintiana dos jogos da Copa Libertadores enquanto a tragédia não for esclarecida.

“Em nota divulgada por seu site oficial, o Corinthians diz que ‘lançará mão de todos os recursos legais para reformar a decisão imposta pela Conmebol’. A direção afirma que ‘a punição imposta é injusta, na medida em que prejudica diretamente o direito de inocentes”, citando os torcedores que compraram mais de 80.000 ingressos de forma antecipada para os jogos do time no Pacaembu.

“O clube está tão confiante na chance de escapar sem punições do caso que já avisou aos torcedores que têm os bilhetes para as três partidas que evitem pedir o dinheiro de volta por enquanto. ‘A diretoria acredita na reforma da pena e pede que todos esperem até a próxima quarta’, diz a nota.

Amigos, essa questão da responsabilidade dos clubes de futebol pelo comportamento violento (ou racista) de sua torcida é uma bola dividida. Tecnicamente, como é possível que a diretoria de um clube possa responder por dezenas de milhares de pessoas com a adrenalina a mil num campo de futebol? Como ligar a diretoria de um clube, ou a própria instituição, a dezenas de milhares de torcedores que sequer são sócios?

Do ponto de vista estrito do ordenamento jurídico geral do país, ou dos países, talvez isso seja impossível. Quase certamente é. Felizmente, porém, a legislação e os regulamentos dos campeonatos de futebol conseguiram criar a figura da punição do clube por ações violentas de suas torcidas — mantendo as punições, muitas vezes severas, no âmbito esportivo.

Felizmente, mesmo. No caso do jogo do Corinthians contra o San José de Oruro, acima de picuinhas e interpretações, está em jogo algo sagrado: a vida humana.

A morte pavorosa, horrenda, que teve o jovem Kevín, de 14 anos, com um projétil incendiário entrando-lhe pelo crânio por um dos olhos, mais do que justifica a punição imposta ao Timão — mesmo que os fatos tenham ocorrido em estádio alheio.

Se a Conmebol não fosse uma entidade decrépita, com a credibilidade correspondente, punição exemplar mesmo seria excluir o Corinthians da Copa Libertadores, uma vez identificados como integrantes da torcida corintiana os culpados e seus cúmplices.

O clube pode não ter culpa ao estrito pé da letra, a punição pode ser tecnicamente injusta, mas a manutenção do respeito à vida e à incolumidade física dos torcedores é um valor que, em países civilizados, TEM QUE ESTAR ACIMA DISSO TUDO.

Além disso, uma punição drástica como essa poderia significar dois passos importantes para deter a barbárie nos estádios de futebol:

1. Golpearia duramente o conluio frequentemente existente entre diretorias de clubes, ou parcelas de poder dentro dos clubes, e as torcidas organizadas, utilizadas politicamente por dirigentes.

2. Colaboraria nos esforços que há anos, no Brasil, as autoridades policiais e o Ministério Público vêm realizando para banir a baderna violenta nos estádios, de forma a recuperá-los para a frequência do comum das pessoas.

Como corintiano, é isso o que acho: o Corinthians, como forma servir de exemplo para que fatos horrendos como a morte do jovem boliviano não mais ocorram, deveria ser banido da Libertadores.

E que as autoridades bolivianas descubra mquem disparou o sinalizador e quem mais colaborou para o crime, de forma a que sejam punidos com uma pesada pena de cadeia. Se, eventualmente, chegarem à conclusão de que o criminoso, ou os criminosos, não estão entre os doze presos, mas voltaram ao Brasil, que colaborem com a polícia brasileira para que possam ser apanhados aqui e pagar pelo horror cometido.

Escrevo tudo isso, indignado, mas — como quase sempre acontece — confesso: no final, isso ainda vai acabar não dando em nada.

20/02/2013

às 15:21 \ Política & Cia

Visita de Yoani: deputados como esses envergonham o país e não merecem estar na Câmara

Os deputados Amauri Teixeira, Francisco Escorcio e Perpétua Almeida: baderneiros antidemocráticos que não merecem os votos que tiveram

Os deputados Amauri Teixeira, Francisco Escorcio e Perpétua Almeida: baderneiros antidemocráticos que não merecem os votos que tiveram

Amigas e amigos do blog que são democratas e amam a liberdade de expressão, anotem aí no seu caderninho os nomes de alguns deputados energúmenos e fascistoides — além de extraordinariamente sem-educação — que ajudaram hoje a tumultuar trabalhos na Câmara dos Deputados em protesto pela visita pela blogueira cubana dissidente Yoani Sánchez:

Amauri Teixeira (PT-BA)

Francisco Escórcio (PMDB-MA)

e

Perpétua Almeida (PCdoB-BA).

São baderneiros antidemocráticos que não merecem os votos que tiveram.

Numa Casa em que um princípio básico é a convivência de contrários, eles — mas não apenas eles, infelizmente — são uma excrescência.

De forma elegante diante de protestos de parlamentares e penetras defensores da ditadura cubana, a blogueira havia dito, pouco antes, depois de observar os trabalhos da Câmara, algo em que os deputados fascistoides deveriam refletir:

– O parlamento do meu país tem uma triste história: nunca disse “não” a uma lei. Nunca viu um debate como hoje, aqui, com diferenças e contraposições. No meu parlamento isso é impossível.

LEIA MAIS SOBRE O CASO NO SITE DE VEJA

25/01/2013

às 20:00 \ Política & Cia

VÍDEO PARA REFRESCAR A MEMÓRIA: Como Dirceu incitou os grevistas baderneiros que agrediram o governador Mário Covas — já doente do câncer que o mataria

Post publicado originalmente a 11 de outubro de 2012

Amigas e amigos, é útil e instrutivo recordar certos comportamentos passados do réu condenado José Dirceu, agora tão cândida e santamente comprometido com a democracia, não é mesmo?

Em junho de 2000, professores baderneiros da rede estadual, em greve, obedeceram a ordem hoje já histórica de Dirceu — “Eles [os tucanos que governam São Paulo] têm que apanhar na rua e nas urnas” — e agrediram fisicamente o governador Mário Covas, num ato de infame selvageria contra não apenas um governante eleito e reeleito pelo povo, mas um democrata exemplar, além do mais já debilitado pelo câncer que o levaria à morte em março do ano seguinte.

13/06/2012

às 16:25 \ Política & Cia

Dircurso de Dirceu à “Juventude Socialista” lembra tom de fala baderneira que resultou em agressão a Mário Covas. Reveja o vídeo

José Dirceu, principal réu do mensalão, no congresso da tal "Juventude Socialista": lembrando tempos de baderna contra Covas

“Travar essa batalha nas ruas”, “mostrar a nossa força”, “guerreiro do povo brasileiro”.

Expressões como essa pontuaram a fala do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu a uma certa União da Juventude Socialista, ligada aos comunistas do PC do B, em pregação para supostamente não ser condenado como cabeça do mensalão pela “mídia monopolista” (como se não fosse o Supremo quem efetivamente irá julgar a ele e a 38 outros mensaleiros).

Meu amigo e irmão Augusto Nunes fez um ótimo post a respeito, cuja leitura recomendo.

O “chefe de quadrilha”, segundo a Procuradoria Geral da República, está fazendo lembrar, com essa fala, o discurso incendiário que proferiu em célebre assembleia de professores paulistas em greve, no ano 2000, em que, referindo-se ao PSDB — que pelo voto popular governa São Paulo desde janeiro de 1995 –, conclamou:

– Vamos derrotar eles nas urnas também, porque eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas.

Dias depois, em 1º de junho do mesmo ano, como se existissem coincidência, baderneiros covardes cercaram e agrediram fisicamente o governador Mário Covas, que, no entanto, não fugiu, arrostou os manifestantes e, como vocês poderão ver no vídeo abaixo, mostrou os ferimentos que havia recebido.

Já enfraquecido pelo câncer devastador que o acometeu — tanto é que morreu nove meses depois, em março de 2001 —, Covas machucou a cabeça e os lábios.

Covas, pois, foi atingido. Mas “ele” não apanharam nas urnas, não. Venceram as eleições de 2002, 2006 e 2010, por mais que o PT não engula.

Reveja o vídeo dos baderneiros agredindo o homem público decente que foi Mário Covas:

 

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