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Aurora Dourada

02/05/2012

às 15:22 \ Vasto Mundo

Grécia: antes insignificante, partido nazista deve chegar ao Parlamento. Seu líder já disse que Hitler deveria ter ganho a II Guerra

Os nazistas gregos ostentando suas bandeiras: símbolo copiado da suástica e ataques a imigrantes nas ruas (Foto: libcom.org)

Não apenas a França tem eleições neste domingo, 6, em que se decidirá, em segundo turno, quem será o presidente da República pelos próximos 5 anos.

Também a Grécia realiza eleições gerais para a escolha de um governo que substitua o do respeitado técnico Lucas Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que aceitou em novembro passado formar um gabinete de transição para enfrentar a pavorosa crise financeira, econômica e social por que passa o país.

Como tem ocorrido em países da Europa em crise, a descrença e a desesperança, que alimentam o rancor, provocaram, entre outras consequências, o fortalecimento de agremiações de extrema direita, inclusive um partido – denominado Aurora Dourada –, de corte francamente nazista, a ponto de seu símbolo, ostentado em cartazes e bandeiras, ser inspirado na cruz suástica.

“Os imigrantes são parasitas e criminosos, vamos expulsá-los”

Os nazistas gregos, até então um grupelho insignificante, deverão chegar ao Parlamento. Eles são menos significativos pelos números que, segundo as pesquisas de opinião, poderão atingir nas eleições – 5% dos votos, ou um máximo de 15 deputados entre os 300 que compõem o Parlamento grego – e mais pela simbologia de adquirirem representação parlamentar.

Sem contar, é claro, a guarida que suas ideias e práticas encontram em parcelas da sociedade. Tal como os squadristi fascistas de Mussolini na Itália, eles “patrulham” as ruas das grandes cidades, agredindo militantes de esquerda, imigrantes e homossexuais, não raro sob aplausos de populares.

A ênfase dos nazistas dirige-se aos imigrantes – algo entre 6% e 7% da população de 10,5 milhões de habitantes, a maioria proveniente da Europa Oriental, especialmente da Albânia. “Os imigrantes são parasitas e criminosos”, disse recentemente Ilyas Panayotaros, porta-voz do partido. “Se chegarmos ao governo, vamos deportá-los e fecharemos nossas fronteiras com minas e cercas eletrificadas”, delira.

Nikolaos Michaloliakos: partidário da "ditadura dos coronéis" o ex-militar expulso do Exército é o líder do partido

Seu líder, um produto da Guerra Fria que já foi financiado pela CIA

O líder desses alucinados é Nikolaos Michaloliakos, ex-integrante de comandos especiais gregos que foi expulso do Exército, cumpriu duas penas de prisão por violência, uma delas por posse de explosivos e armas de grosso calibre, e já chegou a declarar publicamente que teria “sido melhor” que a Alemanha de Hitler houvesse vencido a II Guerra Mundial.

Michaloliakos, um apreciador da feroz “ditadura dos coronéis” que oprimiu a Grécia entre 1967 e 1974, nunca deixa dúvidas sobre de que lado está: muitos de seus partidários barra pesada se alistaram como voluntários na guerra da Bósnia (1992-1995) para ajudar os sérvios bósnios, com apoio do então governo comunista ditadorial da Sérvia, em sua “limpeza étnica” contra os bósnios muçulmanos.

Segundo pesquisa realizsada por jornalistas gregos, eles teriam participado do tristemente famoso massacre de Srebenica, em julho de 1995, em que 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos nessa cidade por tropas de sérvios bósnios comandadas pelo general Ratko Mladic, hoje sendo julgado como criminoso de guerra pelo Tribunal de Haia.

Michaloliakos é produto da Guerra Fria e, mais especificamente, da CIA americana, pois integrava os grupos da extrema direita financiados pela agência para espionar e sabotar grupos de esquerda e pró-soviéticos.

 

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