17/09/2011
às 16:00 \ Tema LivreMano Menezes: “Não basta contar com jogadores de alto nível se eles têm uma postura individualista”

Mano Menezes: "Só a partir da Olimpíada de 2012 o time que vai disputar o Mundial no Brasil começará a ser realmente definido" (Foto: Cláudio Gatti)
Em entrevista concedida às jornalistas Leslie Leitão e Sandra Brasil, publicada originalmente na edição 2.234 de VEJA, em 14 de setembro de 2011, Mano Menezes fala de diferentes assuntos relacionados à seleção brasileira, que comanda desde o ano passado.
O técnico gaúcho, que até o momento possui pior desempenho que seus quatro antecessores (leia mais aqui) é honesto ao admitir o momento difícil do elenco verde e amarelo a menos de 1.000 dias do início do torneio. Mano aponta a falta de tempo como um dos principais adversários para devolver a equipe ao primeiro escalão do futebol mundial. Mesmo assim, garante que a corrida contra o tempo resultará em um time à altura do que o torcedor espera.
Saindo um pouco dos temas mais previsíveis, o técnico que trouxe Grêmio e Corinthians da Segundona – mas que ainda não venceu nenhuma seleção grande à frente da Canarinho – explica sua predileção pela seleção alemã, para ele melhor até que a espanhola campeã do mundo. Debate, ainda, as dificuldades de manter jovens e velhos talentos-celebridades na linha, citando Neymar e Ronaldo, e comenta a volta de Ronaldinho ao time nacional.
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Mano Menezes: ”Sou movido a pressão”
O técnico da seleção brasileira diz que não pode nem entrar em táxi que já vira alvo de cobranças. Reconhece que há muito que avançar, mas confia: “Temos tempo”
Em meio a críticas e rumores de que seu cargo estaria por um fio, Mano Menezes, de 49 anos, dezenove como treinador de futebol, diz que não perde um minuto de sono com isso. No comando da seleção brasileira há pouco mais de um ano, depois de uma bem-sucedida passagem pelo Corinthians, ele se destaca no cenário esportivo pela racionalidade e franqueza: “Há ainda muito trabalho pela frente para alçar o futebol brasileiro de novo ao topo”.
Desde a infância, que passou na cidade gaúcha de Venâncio Aires, Mano adorava futebol, mas acabou técnico por falta de jeito em campo. Hoje, assiste diariamente, sozinho e com um bloco na mão, a pelo menos quatro jogos diferentes.
Vaidoso, Mano, que nasceu Luiz Antônio Venker Menezes e usa o apelido que ganhou da irmã mais velha, recebeu VEJA trajando um dos seus ternos Armani bem assentados sobre seu corpo 6 quilos mais magro – resultado de dieta e exercícios nos últimos meses.
Com tantos talentos em campo, por que a seleção brasileira joga hoje um futebol tão pouco empolgante e eficaz?
Não basta contar com jogadores de alto nível se eles têm uma postura individualista. Tratados hoje como celebridades, sempre sob os holofotes, muitos acabam mais preocupados com o próprio desempenho do que com o do time. No futebol, tudo conspira para o individualismo.
A seleção brasileira não foge à regra. Minha maior dificuldade é justamente fazer com que os jogadores entendam que são parte de uma equipe, que cada um é apenas uma peça. O que torna essa tarefa mais complexa é o momento que vive a seleção. Estou à frente de uma renovação radical. Eu mesmo ainda estou iniciando um trabalho. Preciso de tempo.
Só a partir da Olimpíada de Londres, em 2012, o time que vai disputar o Mundial no Brasil começará a ser realmente definido. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
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