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Argélia

30/06/2014

às 19:56 \ Tema Livre

COPA 2014: Vitória difícil da Alemanha mostra que não há favoritos óbvios

Schuerrle comemora o primeiro e decisivo gol da Alemanha no começo da prorrogação (Foto: Edgard Garrido/Reuters)

Schuerrle comemora o primeiro e decisivo gol da Alemanha no começo da prorrogação (Foto: Edgard Garrido/Reuters)

O forte, bem montado e muito motivado time da modesta Argélia deu um trabalho insano à Alemanha antes de finalmente render-se por 2 a 1 na prorrogação, na partida de hoje, pelas oitavas de final da Copa de 2014, em Porto Alegre.

A colossal diferença de posse de bola imposta pelos alemães, superior a 65% do tempo de jogo, não se refletiu em domínio. Durante a maior parte do tempo, o jogo andou lá e cá, embora os alemães, nos 90 minutos, mais descontos e mais a prorrogação, tenham chutado 28 vezes ao gol, com várias grandes defesas do goleiro M’Bolhi, contra 10 finalizações dos argelinos.

Fechada na defesa e contra-atacando com velocidade, a Argélia do técnico bósnio Vahid Halilhodzic criou várias chances de gol, obrigando o goleiro Neuer a se desdobrar e os defensores alemães, à frente Boateng jogando como zagueiro, a salvar a situação várias vezes, já que seu companheiro de zaga, o gigante Mertezacker, de 1,99 metro, não esteve tão bem como em partidas anteriores.

A Alemanha também se ressentiu da má atuação do fraco lateral direito Mustafi, substituído por Khedira ao contundir-se, indo o capitão Lahm do meio de campo para sua posição. O meia Özil, craque reconhecido e principal encarregado de armar os ataques do time, esteve em péssima jornada, errando passes, perdendo bolas infantis e falhando em lances cruciais, embora tenha acabado por matar a Argélia com o segundo gol alemão, a segundos do final da prorrogação, em finalização de jogada que ele mesmo iniciara e que fora rebatida pela defesa.

Thomas Müller atuou bem, mas viu-se perseguido pelo azar, perdendo gols em penca. O meia Schweinstager, como sempre, mostrou sua qualidade técnica e sua capacidade de sacrifício, só deixando o campo, exaurido e com cãimbras, no segundo tempo da prorrogação — e contrariado.

Considerado por muitos o time mais forte da Copa, a grande dificuldade da Alemanha — que já tropeçara na fase de grupos ao empatar por 2 a 2 com a agora eliminada Gana — para sobrepujar a Argélia indica que, neste Mundial, não há mesmo favoritos óbvios. É só lembrar o que houve com a escorraçada Espanha, com a Itália, que não chegou às quartas de final, com a péssima campanha da Inglaterra, com o Brasil, que vem enfrentando dificuldades de se acertar, e com a Argentina, que até agora obteve 100% de aproveitamente mas não convenceu.

Quanto à França, passou com certa facilidade hoje pela Nigéria, e sua hora da verdade chegará nesta sexta-feira, no Maracanã, quando terá diante de si, nas quartas de final, a Alemanha.

Alguém aí arrisca o vencedor?

01/04/2014

às 17:45 \ Política & Cia

ÁUDIO HISTÓRICO E MUITO RARO: Deposto pelo golpe de 31 de março, Miguel Arraes diz, pelo rádio, que não renuncia ao governo de Pernambuco. Depois, vai preso por militares

Num fusca, levado por oficiais do então IV Exército, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, é preso no dia 1º de abril de 1964. Ele se recusou a renunciar (Foto: Jornal do Commercio)

Num fusca, levado por oficiais do então IV Exército, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, é preso na noite de 1º de abril de 1964. Ele se recusou a renunciar (Foto: Jornal do Commercio)

No dia 1º de abril de 1964, uma quarta-feira, do lado de fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, no Recife, havia bloqueio de veículos militares e canhões apontados para o prédio. Oficiais do então IV Exército, dentro do palácio, exigiam que o governador Miguel Arraes – considerado “subversivo” pelos militares que haviam deflagrado, na época, o golpe de Estado que derrubaria o presidente João Goulart — renunciasse ao cargo.

Arraes, eleito por expressiva maioria nas eleições de 1962, e governador do Estado havia pouco mais de um ano, recusou-se, para “não trair a vontade” dos que o haviam eleito. Foi preso e levado para uma unidade militar. Depois, transferiram-no para a Fortaleza de Santa Cruz, no Rio, até seu exílio interno na ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceria 11 meses, até ser libertado por um habeas-corpus impetrado em seu favor no Supremo Tribunal Federal e pedir asilo político ao governo da Argélia, onde viveria até a anistia de 1979.

Morto em 2005 aos 88 anos, depois de governar Pernambuco por mais duas vezes, seu neto Eduardo Campos é hoje candidato a presidente da República.

Clicando abaixo, você ouvirá um áudio raríssimo — o discurso em que Arraes havia conseguido anunciar, pelo rádio, que não aceitaria o ato de força dos militares e não renunciaria.

16/01/2012

às 17:37 \ Vasto Mundo

Nada justifica o horror do linchamento de Kadafi, que deveria ser entregue a julgamento. Barbárie dá ideia do que pode ser a “nova” Líbia

Frame grab of former Libyan leader Muammar Gaddafi, covered in blood, being pushed to the ground by NTC fighters in Sirte

O ex-ditador Kadafi, já muito machucado pela turba: horrendos atos de barbárie que nada, nada justifica (Foto: tv líbia via Reuters TV)

Publicado originalmente em 28 de outubro de 2011

Amigos do blog, sei que entro tarde no assunto – o ditador Muamar Kadafi morreu linchado na quinta-feira, 20.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Mas preciso escrever o que se segue.

Fui dos que comemorei, um tanto precocemente, a queda de seu regime. Veja este post de 24 de agosto deste ano, que republiquei recentemente, em que celebrei, já no título: “Kadafi na Líbia: o fim de um déspota, assassino e ladrão é motivo para comemorar”.

Cenas pavorosas gravadas por celulares

Mas nada – nada – justifica a sucessão de horrendos atos de barbárie que levaram a seu massacre físico, em cenas pavorosas gravadas precariamente por telefones celulares.

“O que fizeram com Kadafi nos torna mais desumanos”, resumiu esse santo homem que é o Prêmio Nobel da Paz e arcebispo anglicano emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, herói na resistência pacífica mas implacável ao regime racista do apartheid na África do Sul, em magnífica entrevista que concedeu ao site de VEJA ao lado de Mary Robbins, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária da ONU para Refugiados. “Espero que um dia possamos nos redimir.”

O arcebispo Tutu (à esquerda, Mary Robbins): "Espero que um dia possamos nos redimir" (Foto: Marcos Michael)

De fato.

Dificilmente se conhecerá em detalhes o que ocorreu com o ex-ditador, mas vou tentar um rápido resumo do que se sabe. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

16/10/2010

às 15:18 \ Política & Cia

Como o “Sucatão” tem ajudado o ministro Miguel Jorge

O ministro Miguel Jorge

O ministro Miguel Jorge

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deve estar batendo algum recorde. Em quatro anos de peregrinação “vendendo” o Brasil mundo afora, sua agenda registra viagens a 70 países e “mais de 30″ presidentes da República nos quase quatro anos em que está na pasta.

O mais curioso é que, segundo o ministro, as viagens passaram a ter mais resultados depois que, a seu pedido, em meados de 2007 o presidente Lula o autorizou a viajar, com equipe e delegações de empresários, no “Sucatão”. Sim, o velho Boeing 707-300C — ou KC-137, na linguagem militar — que serviu como avião presidencial de 1987 ao início de 2005, quando o governo recebeu o Airbus ACJ “Santos Dumont”, que todos conhecem como Aerolula.

Por problemas de obsolescência — excesso de ruído e de poluição –, o Sucatão, fabricado em 1958, deixou de ser utilizado já no governo FHC para viagens a países desenvolvidos.

ANTIGO, MAS IMPONENTE — Para o ministro, porém, foi uma mão na roda. Até então, em missões comerciais ao exterior, “viajávamos cada um de um jeito — empresários e pessoal de governo –, o que dificultava muito os deslocamentos, especialmente na África e na América Latina”, diz Miguel Jorge, pela falta de conexões aéreas entre os países.

O ministro e no máximo mais 10, 11 funcionários graduados ou seguiam em vôos comerciais ou em jatinhos Legacy da Força Aérea Brasileira (FAB). Os empresários que o acompanhavam iam como podiam.

O Sucatão propiciou, além da vantagem de seguirem todos no mesmo e espaçoso avião, a de causar mais impacto em vários países. A partir daí, por exemplo, é que o ministro passou a ser recebido não só por seus pares nos governos, mas também por presidentes. “Embora antigo, o 707 impressiona”, diz Miguel, “pois é grande e leva as cores do Brasil, com as inscrições e insígnias da FAB. Parece que a percepção é a de que a representação passa a ser mais importante”.

Nos encontros do ministro com presidentes, a duração recorde, até agora, deu-se com o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika: precisamente 3 horas e 7 minutos.

O Boeing 707-300C, apelidado de "Sucatão"

O Boeing 707-300C, apelidado de "Sucatão"

 

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