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agronegócio

05/04/2013

às 16:00 \ Política & Cia

Vejam só: a cadeia produtiva da cerveja emprega 2 milhões de brasileiros

Queda na tarifa de energia elétrica aumenta consumo de cerveja, aponta relatório (Foto: Thinkstock images)

Queda na tarifa de energia elétrica aumenta consumo de cerveja, aponta relatório (Foto: Thinkstock images)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas banca

O PIB DA CERVEJA

Um levantamento da Fundação Getulio Vargas sobre o impacto da cadeia produtiva da cerveja na economia do Brasil mostrou que, do agronegócio ao pequeno varejo, o setor emprega 2 milhões de pessoas, paga 20 bilhões de reais em salários e adiciona à economia 55,6 bilhões de reais, o equivalente a 1,72% do PIB.

O estudo foi entregue por Victorio de Marchi, presidente da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

Segundo ele, com a redução do preço da energia elétrica, o consumo tende a crescer ainda mais neste ano.

18/03/2013

às 20:14 \ Política & Cia

Esse Partido Socialista adora um capitalista…

Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

O bilionário José Batista Jr., um dos donos do conglomerado JBS-Friboi (cuja ação empresarial lhe valeu reportagem de capa na revista "Exame"l), será candidato a governador de Goiás pelo PSB de Eduardo Campos. Outros grandes empresários flertam com o partido ou já estão nele (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

Parecia piada, em 2010, quando o Partido Socialista Brasileiro registrou como seu candidato a governador de São Paulo o que na França se chamaria “patrão dos patrões” do capitalismo: Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o organismo empresarial mais poderoso do país.

Parecia piada, mas não foi: Skaf fez sua campanha, ficou em quarto lugar e obteve 1,038 milhão de votos (4,56% do total), num pleito vencido no primeiro turno pelo governador Geraldo Alckmin, com 50,63% dos votos (11,5 milhões).

Ainda não se sabe se Skaf voltará a tentar o Palácio dos Bandeirantes no ano que vem, mas, de todo modo, os socialistas de Eduardo Campos estão de namoro firme com capitalistas poderosos: o bilionário José Batista Júnior, um dos donos do grupo JBS-Friboi — a maior empresa em processamento de proteína animal do planeta –, será o candidato do PSB a governador de Goiás; no Mato Grosso do Sul, os socialistas devem apoiar a candidatura do senador Waldemir Moka, do PMDB, grande porta-voz do agronegócio no Congresso; e, no Mato Grosso, estão atraindo para a legenda o senador Blairo Maggi, do PR, ex-governador do Estado e maior produtor de soja do mundo.

No caso de Maggi, não surpreende: este megaempresário se elegeu originalmente pelo PPS, sucessor do Partido Comunista Brasileiro.

15/03/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Um Partido Socialista que gosta de industriais e grandes fazendeiros

Depois da Fiesp, Partido Socialista de Eduardo Campos busca conquistar agronegócios (Foto: AE)

Depois da Fiesp, Partido Socialista de Eduardo Campos busca conquistar agronegócios (Foto: AE)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição da VEJA que está nas bancas

AGRONEGÓCIO SOCIALISTA

Provável candidato do PSB à Presidência da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem sido procurado por lideranças do agronegócio descontentes com o governo federal.

Na semana passada, ele jantou com o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), um dos líderes ruralistas no Congresso.

Nos próximos dias, participará de um encontro com dirigentes de empresas agrícolas organizado por José Batista Júnior, dono do frigorífico Friboi e candidato do PSB ao governo de Goiás.

O Partido Socialista, que já teve o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em seus quadros [e que foi candidato a governador de São Paulo em 2010], agora atrai os grandes fazendeiros.

06/08/2012

às 17:53 \ Política & Cia

Sardenberg: sobre o imbrólio das teles e outros temas — inclusive a reforma da Previdência que Dilma vai precisar negociar

Quanta má vontade!, dizem os atores

Quanta má vontade!, dizem os atores

Publicado hoje em O Estado de S.Paulo

 

PANO RÁPIDO

Quer dizer que em menos de uma semana, Oi, Claro e TIM prepararam planos de investimentos de R$ 20 bilhões, para imediata execução? E que, em dois ou três dias, os técnicos da Anatel aprovaram tudo depois de uma análise detalhada e criteriosa?

Um espetáculo de eficiência, não é mesmo? Reparem: não são planos simples. Envolvem desde a instalação de centenas de antenas até a colocação de um cabo submarino Rio-Miami (projeto da Claro). E, claro, melhorias no call center.

Tudo resolvido, a Anatel liberou a venda de novas linhas de celulares, que havia proibido para punir as empresas por falhas no atendimento. Em tempo para que as companhias fizessem suas promoções de Dia dos Pais.

A Anatel canta vitória. Deu uma lição nas teles e garantiu, daqui em diante, bom atendimento ao consumidor. As companhias também cantam vitória. Afinal, foram capazes de entregar os planos em poucos dias.

O governo da presidente Dilma também celebra. Dar um pau nas teles rende talvez mais ibope do que atacar os bancos.

Pano rápido. Fecham-se as cortinas e termina o teatro.

Alguém poderia perguntar: bom, se era assim, por que não fizeram antes? Por que a Anatel deixou a situação piorar para só depois cobrar os investimentos?

E os atores responderiam: quanta má vontade!

Mas se os espectadores querem uma dica do que se passa de verdade nos bastidores, aí vai: o grande problema para a ampliação do número de antenas – as legislações absurdas e contraditórias que regulam a construção de torres – continua sem solução. Parece que o governo está estudando meios de simplificar a coisa, talvez com um projeto de lei ou uma medida provisória.

Antena celulares (Foto: sxc.hu)

"O grande problema para a ampliação do número de antenas – as legislações absurdas e contraditórias que regulam a construção de torres – continua sem solução" (Foto: sxc.hu)

Demora um pouco mais porque, como qualquer um sabe, isso é muito mais difícil do que preparar, analisar, aprovar e executar planos de R$ 20 bilhões.

 

Puro conhecimento

Foi em Cuiabá, no 6º. Congresso Brasileiro de Soja: cientistas apresentaram nada menos que 423 trabalhos. E notem que o Brasil já alcançou a maior produção mundial (80 milhões de toneladas) e a maior produtividade, 2,9 toneladas por hectare, igual à dos Estados Unidos, que era muito superior 20 anos atrás.

Esse êxito dependeu, digamos, 10% da natureza e 90% da ciência e tecnologia. Pode-se dizer, sem medo de errar, que a soja brasileira é inventada. E brota em solo corrigido. Ou se quiserem, em terras igualmente inventadas.

A cultura da soja traz consigo a indústria química, de máquinas, tratores e equipamentos eletrônicos, já que não se planta nem se colhe nada sem tecnologia e sem GPS, por exemplo.

"O Brasil já alcançou a maior produção mundial (80 milhões de toneladas) e a maior produtividade" (Foto: Antônio Milena)

"O êxito da soja brasileira é 10% natureza e 90% ciência e tecnologia" (Foto: Antônio Milena)

A soja traz a indústria de alimentos. Sem contar o óleo, é a principal ração de frangos e suínos, setores nos quais o Brasil também se torna grande produtor global. Acrescente aí o biodiesel e as técnicas de integração lavoura, floresta e pecuária – e estamos no campo da sustentabilidade.

E ainda dizem que o Brasil não pode ser apenas um produtor e exportador de alimentos. Precisa de produtos com mais valor agregado, mais tecnologia e tal. Só que, para esse pessoal, parece que tecnologia e valor agregado se obtém com uma “boa entrada” nos gabinetes de Brasília. (Este texto é baseado em coluna de José Roberto Mendonça de Barros, que sacou a importância do agronegócio quando nem o pop sertanejo estava na moda).

 

Agenda perdida

Lembram-se da agenda perdida? Assim foi chamada uma pauta de reformas microeconômicas, com duplo objetivo: conter e dar mais eficiência ao gasto público e melhorar o ambiente de negócio para o empreendimento privado.

No primeiro governo Lula, se fez muita coisa nessa direção. Depois, a agenda foi perdida de novo.

Não é que a presidente Dilma está retomando alguns pontos importantes? É o que revela reportagem de Claudia Safatle, Edna Simão e João Villaverde no Valor Econômico de sexta passada.

Há duas reformas essenciais: da Previdência, para introduzir a idade mínima de aposentadoria, que FHC tentou e não conseguiu, e reduzir benefícios de pensão por morte; e a trabalhista, esta baseada em uma tese tão repetida pelo professor José Pastore (o negociado entre empresas e trabalhadores se sobrepõe ao legislado).

Reforma da Previdência saindo do papel? Isso deve ser bom (Foto: Folha Imagem)

Reforma da Previdência saindo do papel? Isso deve ser bom (Foto: Folha Imagem)

A primeira reforma ataca o déficit das contas públicas. A segunda deve reduzir de maneira dramática o custo trabalhista. As duas têm de ser negociadas no Congresso.

Depois vem o programa para reduzir custos de investimentos, incluindo os burocráticos. Há várias reduções de impostos em estudos, especialmente para a energia elétrica. E mais desoneração da folha de pagamentos, ou seja, a eliminação da contribuição patronal sobre os salários.

E mais o programa de privatização, digo, concessão de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias – o que depende apenas do governo federal e deve ser o primeiro a sair do forno.

A ver. A agenda é boa. O país não merecia que continuasse perdida. A questão é a capacidade do governo de implementá-la.

Há obstáculos na burocracia e na política. Nesta, por exemplo, inclui-se a ampla demanda do funcionalismo público por reajustes salariais. Como combinar isso com as propostas de redução de impostos? Carga tributária menor depende de gasto público menor – o que parece ser muito difícil para este governo.

Este é o maior problema.

04/06/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Maílson da Nóbrega: A doença holandesa e a punição do sucesso

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A produção e o boom de exportação de gás da Holanda gerou desindustrialização (Foto: Gate LNG / Divulgação)

(Publicado em VEJA de 30 de maio de 2012)

 

A DOENÇA HOLANDESA E A PUNIÇÃO DO SUCESSO

 

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Maílson da Nóbrega

“O desequilíbrio provocado pelo êxito do agronegócio e da mineração pode ser revertido por ganhos de competitividade dos outros segmentos. O Brasil galgaria, assim, um patamar mais alto de crescimento”

Tem-se afirmado que o Brasil pegou a doença holandesa, ou seja, o efeito de descobertas ou aumento de preços de recursos naturais, que valorizam a taxa de câmbio e por isso acarretam desindustrialização. A ideia foi criada pela revista The Economist em 1977, inspirada no surgimento das reservas de gás da Holanda. Pesquisas acadêmicas comprovaram que ocorre a valorização cambial, mas não ficou claro se tal doença causa desindustrialização ou redução do crescimento econômico.

Na Holanda, o boom da exportação de gás valorizou a taxa de câmbio. Ao mesmo tempo, a indústria têxtil e de vestuário praticamente desapareceu e a produção de veículos e navios diminuiu. Foi daí que veio a tese da doença holandesa. Mas, segundo José Alexandre Scheinkman, “o desempenho da indústria holandesa nas décadas de 70 e 80 não foi muito diferente daquele da Alemanha ou da França, parceiros comerciais que compartilhavam muitas das outras características da Holanda, mas que não se beneficiaram de descobertas de recursos naturais”.

No Brasil, diz-se que a valorização cambial decorrente da expansão das exportações de commodities evidenciaria a tese da doença holandesa e da desindustrialização. Nada disso tem comprovação. Em sua tese de doutoramento em economia pela USP (2009), Cristiano Ricardo Siqueira de Souza mostrou que a indústria cresceu 38,8% entre 1999 e 2008, apesar da valorização cambial. Na maior parte do período, o emprego industrial cresceu mais do que o de serviços. “A observação de diversas variáveis ligadas ao crescimento de produção, emprego, produtividade e salário não mostrou evidências claras de possíveis sintomas da doença holandesa no Brasil.”

Os ganhos no comércio exterior foram, de fato, uma das principais fontes de valorização cambial. Tais ganhos vieram da maior demanda da China e de outros mercados emergentes por commodities e da grande competitividade do Brasil, derivada dos avanços em tecnologia tropical e de extração e transporte de minérios, da estabilidade macroeconômica e da melhoria de gestão.

Hoje, produzir e exportar carne, frango, soja, celulose e outras commodities é atividade complexa, com elevado poder de irradiação para o restante da economia. Movimenta-se extensa cadeia de bens e serviços: máquinas e equipamentos, crédito, melhoramento genético, fertilizantes, rações, medicamentos, armazenagem, ferrovias, portos, rodovias e assim por diante.

Soja(Foto: Antônio Milena)

produzir e exportar carne, frango, soja, celulose e outras commodities é atividade complexa (Foto: Antônio Milena)

Estudo recente do FMI indicou que booms de exportação que valorizam a taxa de câmbio não são necessariamente negativos. A valorização é uma consequência não intencional dos ganhos de comércio e da abundância de recursos externos, mas não se pode duvidar de seus resultados positivos. “O melhor seria aproveitar as vantagens do boom e simultaneamente lidar com suas indesejáveis consequências.” Não há evidências, diz o FMI, de que a doença holandesa prejudique o crescimento. O estudo, que faz uma ampla resenha da literatura sobre o assunto, pode ser acessado na internet (http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2010/wp10271.pdf).

O aumento das exportações de commodities reflete o sucesso do agronegócio e da mineração. A decorrente valorização cambial agrava a perda de competitividade da indústria, mas não é a causa principal dessa perda. Outros fatores relevantes são o péssimo sistema tributário, a deteriorada infraestrutura, o aumento dos custos trabalhistas da mão de obra e sua baixa qualificação, e os juros altos. Tudo isso neutraliza ou reduz os ganhos de competitividade derivados de avanços tecnológicos e de gestão nas empresas.

Seria necessário, assim, adotar medidas para aumentar a produtividade da economia, particularmente na indústria. A lista de reformas com tal objetivo é conhecida. O desequilíbrio provocado pelo êxito do agronegócio e da mineração seria revertido por ganhos de competitividade dos outros segmentos. O país galgaria um patamar mais alto de crescimento. A proposta dos que afirmam que pegamos a doença holandesa é tributar as exportações de commodities. O efeito da valorização cambial seria compensado pela punição do sucesso. O equilíbrio seria restabelecido pela redução do patamar. Pode?

 

15/11/2011

às 19:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: De como o poder público e sua incompetência arrasam a nossa produtividade

Colheita de soja © Jefferson Bernardes 08APR10

Plantação de soja em Mato Grosso: até no agronegócio o Brasil já deixou de ter vantagem competitiva (Foto: Jefferson Bernardes/Preview.com)

Reproduzo abaixo artigo de J. R. Guzzo, publicado na coluna Vida Real da revista EXAME de 2 de novembro de 2011, com o título original de A fonte do nosso atraso.

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A fonte do nosso atraso

Com o poder público produzindo controles insanos 24 horas por dia, e mantendo a infraestrutura pouco além da Idade da Pedra, não há como o Brasil ser mais competitivo e sair de onde está.

J. R. Guzzo

J. R. Guzzo

O Brasil acostumou, nos últimos anos, a ouvir, falar e discutir a palavra “competição”, ou sua forma mais alongada, “competitividade”. Não só o Brasil.

Na maioria dos países com ambições de crescer, ou de defender sua posição econômica atual, medidas para melhorar a infraestrutura, simplificar o sistema legal e apoiar a atividade produtiva, com o objetivo de enfrentar a competição internacional, passaram a ser um objetivo estratégico de governos, partidos políticos, empresas e até de sindicatos.

Uns fazem tal trabalho com mais competência. Outros com menos. Alguns não fazem nada – ou fazem tão pouco, tão devagar e tão mal que acaba dando na mesma. Para todos, porém, vale a mesma lei: os resultados de cada um, medidos em termos de desempenho econômico, estão diretamente ligados à sua capacidade de competir.

Quem faz o que deve ser feito vai adiante. Quem não faz fica parado – ou vai para trás.

O Brasil, para surpresa de ninguém, está nessa segunda turma. No período de 20 anos terminado em 2008, a produtividade da economia brasileira variou em torno de 0%; não é preciso dizer muito mais para constatar o estrago que essa estagnação está trazendo para a competitividade do Brasil, sobretudo quando se considera que outros países experimentaram, no mesmo espaço de tempo, avanços na casa dos 40% ou dos 50%. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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