01/12/2011
às 14:27 \ Política & CiaCom mais esta sobre Lupi — ocupou irregularmente dois cargos em tempo integral, um no Rio e outro em Brasília, durante 5 anos –, o que é que ele espera para sair?

Quando é que o ministro do Trabalho vai dizer "amém" às pressões para que deixe o cargo (Foto: Agência Estado)
Meu Deus do céu, o que mais falta para que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tome uma atitude digna e pegue o boné?
Depois dessa revelação da Folha de S. Paulo segundo a qual o homem, além de tudo o mais que já está se levantando sobre sua atuação no Ministério, ainda acumulou irregularmente cargos vedados pela Constituição – embolsando, tranquilamente, os salários – durante cinco longos anos, entre 2000 e 2005, o que mais é preciso aparecer para que Lupi se recolha e detenha seus patéticos, desesperados, grotescos esforços para agarrar-se ao cargo?
Escrevi várias vezes e repito: Lupi merece, como todo cidadão protegido pela Constituição, a presunção da inocência. Não é culpado de nada até que se prove, na Justiça, seus “malfeitos”, como diria a presidente Dilma.
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), também tem todo o direito de achar que o ministro “é um homem honesto”. (Leia no site de VEJA).
Mas tudo tem um limite que se chama dignidade e autorrespeito. Afastar-se até sumirem as suspeitas que pendem sobre sua cabeça é uma atitude não apenas recomendável, mas obrigatória.
Condição divina de onipresença?
Sobretudo com essa novidade que lhe desaba sobre a cabeça.
A menos que lhe tenha sido atribuído a condição divina da onipresença, Lupi atropelou a Constituição e as leis, ao ser, simultaneamente, assessor legislativo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (é funcinário de carreira da Prefeitura, cedido com ônus – ou seja, mediante pagamento dos cofres municipais – aos vereadores) e funcionário da Câmara dos Deputados.
Em ambas as funções, ele deveria estar presente diariamente no posto, com carga horária semanal de 40 horas.
O ministro devia ser dotado, além da onipresença, de uma energia extraordinária para conseguir trabalhar, simultaneamente, no Rio e em Brasília, com uma exaustiva carga horária, portanto, de 80 horas semanais.
E mesmo se fosse, admitamos, por hipótese, um funcionário excepcional, Lupi não deixou lembranças em seu ex-empregador no Rio, o ex-vereador Sami Jorge, responsável por sua requisição à Prefeitura do Rio. Embora assegurando que Lupi “dava expediente todos os dias”, o ex-vereador disse não se lembrar do que o ministro fazia em seu gabinete.
O ministro se dispõe a devolver o dinheiro. O que é isso, se não uma admissão de culpa?
Tags: acúmulo de cargos, Brasília, Câmara dos Deputados, Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Lupi, demissão, ministro do Trabalho, Rio

























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