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açúcar

12/06/2012

às 18:10 \ Política & Cia

O naufrágio do etanol de cana é a maior vergonha do Brasil na Rio + 20, que começa amanhã

A Rio+20 acontecerá em junho na capital carioca(Foto: Valter Campanato / ABr)

A Rio+20 acontecerá a partir de amanhã, no Rio: bom momento para criar o movimento “Veta Gasolina, Presidente Dilma”? (Foto: Valter Campanato / ABr)

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 será realizada a partir de amanhã, dia 13, até o dia 22 de junho, no Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).

A propósito, publico artigo de Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento e estratégia na Faculdade de Economia e Administração da USP (Campus Ribeirão Preto), consultor e autor de livros sobre a indústria sucro-alcooleira.

O NAUFRÁGIO DO ETANOL DE CANA É A MAIOR VERGONHA DO BRASIL NA RIO+20

Um dos nossos negócios mais promissores, o sucro-energético, vem naufragando nos últimos anos, numa tragédia amplamente anunciada, com visíveis prejuízos à sociedade brasileira. Aqui não trarei os números existentes para todas estas colocações, mas os fatos que levaram ao naufrágio.

A cana foi reconhecida por cientistas como uma das plantas mais aptas para transformar a energia do sol em energia renovável. De seu processamento gera-se o açúcar, o etanol, a eletricidade, o plástico, além de muitos outros produtos. Via engenharia genética de levedura, gera-se o diesel, o querosene e a gasolina, tudo renovável para a demandante sociedade mundial. Este setor energético traz poder e conforto ao Brasil, milhões de empregos, grandes exportações e reduz importações, num claro beneficio à sociedade.

Grandes investimentos foram feitos por empresas de Petróleo, tradings americanas, europeias e asiáticas, cooperativas de produtores agrícolas franceses, grupos nacionais, entre outros que acreditaram na cana e no etanol. Apesar de fundamentos fortemente favoráveis, hoje estes ativos não apresentam rentabilidade, o setor não cresce mais e investidores estão arrumando as malas, o que gera um prejuízo, também de imagem e credibilidade.

A falta de rentabilidade é consequência de preços não remuneradores e custos de produção elevados, advindas de três conjuntos de fatores. Os primeiros dois, ineficiências do setor produtivo e fatores de mercado (principalmente os preços internacionais do açúcar) têm um terço de responsabilidade e serão tema de outro artigo. O terceiro, com dois terços de responsabilidade, é a equivocada política do governo brasileiro, principalmente o federal.

Usina de etanol: uma única empresa de São Paulo tem 40 delas para vender, sinal de um setor sem rumo (Foto: Lia Lubambo / Exame.com)

Usina de etanol: uma única empresa de São Paulo tem 40 delas para vender, sinal de um setor sem rumo (Foto: Lia Lubambo / Exame.com)

Erros do governo — e o que poderia fazer imediatamente

Exigências e ineficiências do governo geraram sensíveis aumentos de custos, o etanol de cana recebe quase o mesmo elevado tributo que a poluente gasolina e a energia elétrica limpa e renovável advinda da cana tem a mesma falta de reconhecimento. Com isto, o governo não privilegia fontes renováveis e limpas.

O governo controla o preço da gasolina e coloca um teto no preço do etanol. É um claro processo de dumping feito pela Petrobras, obrigada a importar gasolina e vender no mercado interno a um preço menor que o pago, com prejuízo à empresa, à seus acionistas e ao setor de cana, onde também é acionista.

Duas rápidas ações do governo, que vêm sendo solicitadas há anos, trariam efeito imediato: um ligeiro aumento no preço da gasolina e uma redução tributária do etanol e da eletricidade da cana.

E nos tornamos compradores de álcool dos EUA!

Ao mesmo tempo, nos EUA, o programa de combustíveis renováveis usando o etanol de milho, visivelmente menos competitivo que o etanol de cana, cumpriu o seu papel. Lá existe uma política pública clara, estratégica e bem desenhada.

Ganhou a sociedade americana, que com o etanol de milho, gerou trabalho e produção, interiorizou desenvolvimento, criou empregos e tributos, produziu internamente combustível renovável, reduziu sua dependência de importação de petróleo, reduziu emissões de carbono e por fim, ganhou um produto exportável.

Por mais incrível que possa parecer, os EUA encontraram no Brasil, o seu antigo parceiro das lutas em favor do fortalecimento do etanol como commodity mundial, um grande comprador do seu etanol.

Etanol-milho-estados-unidos (Foto: Getty Images)

"Nos EUA, o programa de combustíveis renováveis usando o etanol de milho, visivelmente menos competitivo que o etanol de cana, cumpriu o seu papel" (Foto: Getty Images)

A expansão da cana poderia ser feita com desmatamento zero

É interessante observar que o etanol de cana é um combustível limpo e renovável, de emissão praticamente zero, quando considerada toda sua cadeia produtiva. Seus competidores são altamente poluentes.

Pesquisa divulgada na revista Nature comprovou que a cana esfria a temperatura nas regiões onde está sendo produzida. É uma planta que, com inovação, pode produzir três vezes mais na mesma área. Sua grande expansão no Brasil envolveria desmatamento zero.

Porém, apesar de todos os benefícios ambientais, sociais e econômicos que sua produção e uso trás, a cana não desperta os interesses destes mobilizados brasileiros e estrangeiros das ONGs, cartunistas e artistas que aderiram à competentemente orquestrada campanha “Veta Tudo Dilma”, feita para o Código Florestal. Fica aqui lançada a sugestão para que esta gente possa, com a mesma força e mobilização, criar o movimento “Veta Gasolina, Presidente Dilma”. Seria um importante e coerente apoio.

Lula alardeou os benefícios do etanol de cana e a “autossuficiência” em petróleo: hoje, importamos petróleo, gasolina e etanol norte-americano

Há muito tempo, e mais fortemente desde a crise do final de 2008, em discursos, entrevistas e textos clamamos por uma política pública, por uma estratégia de médio e longo prazo que privilegie no Brasil as fontes renováveis de energia. Faltou sensibilidade econômica, ambiental e social no governo.

Nosso comunicativo ex-presidente fez o elogiável trabalho de alardear ao mundo os benefícios ambientais, econômicos e sociais do etanol de cana, prometendo que seriamos grandes produtores e exportadores, e também a imagem de sua mão suja de petróleo no dia do anúncio da “autossuficiência” do Brasil circulou por todos os lugares.

Pouco tempo após, somos importadores de petróleo, de gasolina, de etanol norte-americano, o etanol de cana perdeu participação no mercado interno e perdemos espaço no mercado mundial de açúcar.

Políticas públicas coerentes, se vierem, virão tarde: o estrago já foi feito

Prejuízo geral para nossa sociedade, mais um caso evidente de discurso desalinhado com a prática. Muitos tem memória curta, alguns não.

Políticas públicas coerentes precisam vir e se sabe quais são as necessárias. Mas já virão tarde.

O estrago já foi feito, o prejuízo à sociedade e aos empresários do setor é quantificável e aumenta ano a ano.

É difícil recuperar rápido este apagão de quatro anos, muitos postos de trabalho já foram perdidos, impostos deixaram de ser coletados, exportações minguaram, importações já foram consumidas e a luta contra a inflação perdeu um aliado.

Fica registrado no currículo de quem esteve à frente neste período da gestão, o naufrágio do etanol de cana, a maior vergonha do Brasil na Rio+ 20.

24/01/2012

às 15:50 \ Política & Cia

O Brasil IMPORTANDO álcool. Me expliquem, que eu quero entender!

cana-de-acucar

Indústria canavieira no Brasil: falta o quê?

Décadas de investimentos e esforços da iniciativa privada, décadas de subsídios e facilidades de sucessivos governos – e o Brasil, pioneiro no uso do álcool como combustível de veículos em grande escala, está importando álcool!

O país não apenas não está aproveitando a queda das barreira dos Estados Unidos ao álcool brasileiro para exportar e trazer divisas como está GASTANDO para comprar álcool lá fora!

Os produtores preferem produzir açúcar, por causa dos preços?

Falta incluir o etanol como parte da política energética do país, e retirá-lo da política agrícola?

Falta “vontade política”?

Falta vergonha na cara?

Falta alguma outra coisa?

Me expliquem, que eu quero entender.

 

15/11/2011

às 19:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: De como o poder público e sua incompetência arrasam a nossa produtividade

Colheita de soja © Jefferson Bernardes 08APR10

Plantação de soja em Mato Grosso: até no agronegócio o Brasil já deixou de ter vantagem competitiva (Foto: Jefferson Bernardes/Preview.com)

Reproduzo abaixo artigo de J. R. Guzzo, publicado na coluna Vida Real da revista EXAME de 2 de novembro de 2011, com o título original de A fonte do nosso atraso.

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A fonte do nosso atraso

Com o poder público produzindo controles insanos 24 horas por dia, e mantendo a infraestrutura pouco além da Idade da Pedra, não há como o Brasil ser mais competitivo e sair de onde está.

J. R. Guzzo

J. R. Guzzo

O Brasil acostumou, nos últimos anos, a ouvir, falar e discutir a palavra “competição”, ou sua forma mais alongada, “competitividade”. Não só o Brasil.

Na maioria dos países com ambições de crescer, ou de defender sua posição econômica atual, medidas para melhorar a infraestrutura, simplificar o sistema legal e apoiar a atividade produtiva, com o objetivo de enfrentar a competição internacional, passaram a ser um objetivo estratégico de governos, partidos políticos, empresas e até de sindicatos.

Uns fazem tal trabalho com mais competência. Outros com menos. Alguns não fazem nada – ou fazem tão pouco, tão devagar e tão mal que acaba dando na mesma. Para todos, porém, vale a mesma lei: os resultados de cada um, medidos em termos de desempenho econômico, estão diretamente ligados à sua capacidade de competir.

Quem faz o que deve ser feito vai adiante. Quem não faz fica parado – ou vai para trás.

O Brasil, para surpresa de ninguém, está nessa segunda turma. No período de 20 anos terminado em 2008, a produtividade da economia brasileira variou em torno de 0%; não é preciso dizer muito mais para constatar o estrago que essa estagnação está trazendo para a competitividade do Brasil, sobretudo quando se considera que outros países experimentaram, no mesmo espaço de tempo, avanços na casa dos 40% ou dos 50%. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/10/2011

às 13:00 \ Vasto Mundo

Venezuela: vejam como a estatização de Hugo Chávez é um desastre monumental

Venezuelan President Hugo Chavez plays with a model of a new car during a cabinet meeting at Miraflores Palace in Caracas

Hugo Chávez: dinheiro público em empresas semi-paralisadas ou que só dão prejuízo como forma de se fortalecer no poder (Foto: Palácio de Miraflores/Reuters)

(Publicado originalmente a 16 de setembro de 2011)

Amigos, aqui está uma leitura ilustrativa para quem ainda imagina que o delírio da “revolução bolivariana” do “comandante Hugo Chávez” na Venezuela é outra coisa senão um monumental desastre — não apenas no campo das liberdades públicas, cada vez mais esmagadas pelo autoritarismo do coronel, no poder há doze anos, mas também num terreno que é uma espécie de menina dos olhos do regime: a estatização de empresas.

A reportagem “Venezuela — Empurra mas não vai”, é de auditoria do jornalista Duda Teixeira e está na edição de VEJA atualmente em bancas.

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Estudo venezuelano avalia estatais de Chávez e confirma que o tal socialismo do século XXI é tão desastroso quanto o do século XX

Os automóveis que saem da fábrica Venirauto, na cidade de Maracay, são considerados carros para a vida toda. “Depois de adquirir um, ninguém vai querer comprá-lo de você”, dizem os venezuelanos. A montadora foi criada em 2006, numa parceria do governo venezuelano com uma empresa iraniana.

Tudo o que se produziu até agora — 2 017 veículos — equivale a 7% da meta anual estipulada no início. Dessas unidades, poucas estão nas ruas. A maioria dos carros foi aposentada após o primeiro problema mecânico. Não há peças de reposição à venda.

O que acontece dentro dos galpões da Venirauto é um mistério, pois a empresa não abre as portas para jornalistas ou gente de fora do governo.

Um estudo recente, contudo, faz um diagnóstico preciso e revela o que ocorreu com essa e outras quinze estatais que surgiram do nada ou das ruínas de empresas privadas expropriadas ao longo dos doze anos do governo de Hugo Chávez. Todas padecem das mesmas enfermidades: queda na produção, redução do número de empregados e déficit operacional (leia abaixo “Modelo de fracasso”).

A Venezuelan works in a Venirauto car manufacturing plant, a joint venture between the Venezuelan government and Iran's major auto maker Khodro, in Maracay

Venirauto, montadora estatal, em parceria -- imaginem vocês -- com o Irã: sem surpresas, produz hoje produz 7% da meta (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

A pesquisa, denominada “Gestão em vermelho”, foi coordenada pelo economista Richard Obuchi, da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas. “A proliferação de estatais serve para o estado aumentar seu controle em todas as atividades, em uma pretensiosa tentativa de planificar tudo”, diz ele. “Com essa estratégia, o socialismo do século XXI, uma invenção de Chávez, repete os métodos desastrosos do socialismo do século XX.”

401 empresas sofreram intervenção estatal só no último semestre

Apesar dos resultados pífios, Chávez decidiu, neste ano, acelerar a estatização da economia, possivelmente porque quer garantir o máximo de controle do poder econômico do país antes das eleições presidenciais, no ano que vem. Muitos venezuelanos temem que, por estar com a popularidade em queda e fragilizado por um câncer, Chávez esteja se preparando para um golpe caso perca a votação. No último semestre, 401 empresas sofreram intervenção estatal, termo que engloba expropriações, invasões de terra e confiscos de bens patrimoniais. O número é 41% superior ao do ano passado inteiro, quando foram registradas 284 intervenções.

Inflação e 23 bilhões de dólares em expropriações

A queda na produção das empresas estatizadas provoca prejuízos e alimenta a inflação, que neste ano deve chegar aos 30%. Entre 2007 e 2009, o governo venezuelano gastou 23 bilhões de dólares em expropriações de grandes empresas, mais do que os investimentos necessários para garantir a produção da estatal de petróleo PDVSA – também estagnada.

As empresas estatizadas tornaram-se improdutivas, têm prejuízos constantes e só não fecham as portas porque são subsidiadas com o dinheiro dos impostos e do petróleo. Isso explica por que, apesar de ser dono de um número crescente de empresas, o Estado venezuelano não conseguiu aumentar sua participação no PIB.

O estatismo também se provou prejudicial aos trabalhadores. Na Azucarera Cumanacoa, estatizada em 2005, um terço das vagas desapareceu. Na Rualca, produtora de rodas de alumínio, os empregados não recebem salário. Operários foram pedir esmola no semáforo da esquina. Cientes do perigo que corriam, trabalhadores da Polar, a maior empresa de alimentos do país, e da Pepsi-Cola entraram na Justiça para defender os patrões contra a expropriação.

“No início, os trabalhadores aprovavam as estatizações”, diz o cientista político Ismael Pérez Vigil, presidente executivo da Conindustria. “Agora, resistem. Sabem que podem ter o salário reduzido ou perder o emprego.” Pobre povo venezuelano. Virou cobaia de laboratório de experiências que já fracassaram há décadas em outras partes do mundo.

Modelo de fracasso

O estudo “Gestão em vermelho”, coordenado pelo economista venezuelano Richard Obuchi, analisou dezesseis empresas estatizadas ou criadas por Hugo Chávez. Em todas o desempenho piorou ou as metas não foram cumpridas. A seguir, seis exemplos

AZUCARERA CUMANACOA (em Cumanacoa)

Expropriada em 2005, mudou de nome para Azucarero Sucre e passou a receber consultoria cubana

Resultado – A produção caiu 18% desde então. Cada quilo de açúcar é vendido com um prejuízo de 66%

CRISTAL (em Turén)

A fábrica da Cargill foi expropriada em 2009 porque não produzia o tipo de arroz determinado pelo governo

Resultado – Toda a produção continua sendo do mesmo tipo de arroz

FRUTÍCOLA CARIPE (em Caripe)

Expropriada em 2007, a processadora de suco de laranja passou a se chamar Cítricos Roberto Bastardo

Resultado – A produção atual representa apenas 13% da registrada nos anos 90

RUALCA (em Valencia)

Exportava rodas de alumínio e foi estatizada em 2008

Resultado – O nome foi mudado para Rialca, e só. A fábrica está parada e os funcionários, sem salário

VENEPAL (em Morón)

Expropriada em 2005, a indústria de papel foi incorporada à estatal Invepal

Resultado – Produz apenas 2% de sua capacidade

VENIRAUTO (em Maracay)

Criada em 2006 em sociedade com uma empresa iraniana, a montadora pretendia fabricar 26 000 carros por ano

Resultado – Em quatro anos, só vendeu 2 017 unidades, a maioria para funcionários públicos chavistas

Prejuízo garantido

Economista e professor da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas, Richard Obuchi coordenou o estudo “Gestão em vermelho”, em parceria com as pesquisadoras Anabella Abadi e Bárbara Lira, que analisou o desempenho das estatais venezuelanas. Obuchi conversou por telefone com o editor Diogo Schelp.

Qual foi o resultado das estatizações?

Todas as empresas tomadas pelo governo enfrentam problemas financeiros. Têm dificuldade em pagar aluguel, honrar salários ou comprar insumos para a produção. Precisam da ajuda do Executivo, que desvia recursos para atender à demanda de todas elas.

Por que as estatais não conseguem pagar suas despesas?

Entre outras razões, porque vendem produtos a preços muito baixos. Um exemplo é o Azucarero Sucre. Em 2008, o custo para produzir 1 quilo de açúcar era de 4,8 bolívares fortes [a atual moeda do país, resultado do corte de três zeros da moeda anterior, o bolívar, em 2008, devido à inflação], mas a estatal o comercializava a 1,6 bolívar forte. A diferença era subsidiada pelo governo. Se isso ocorre com uma empresa privada, ela fecha. Uma companhia pública não pode fazer isso.

Como o governo justifica as estatizações?

Em 2002 e 2003, quando a Venezuela passou por greves e percalços econômicos, o argumento era dar estabilidade aos trabalhadores. Entre 2005 e 2007, época em que tivemos escassez de produtos, a justificativa era assegurar a igualdade de renda. Neste ano, estamos passando por uma crise dos empreendimentos imobiliários, que estão parados.

O argumento então passou a ser garantir moradia a todos. Mas também há justificativas sem nenhuma lógica. Ao expropriar uma unidade da Cargill, o governo afirmou que a empresa não estava de acordo com a legislação, pois só produzia arroz parboilizado. Era preciso fabricar o arroz normal. O interessante é que, dois anos depois, 100% do arroz produzido naquela unidade continua a ser o parboilizado.

Há relação entre as estatizações e a queda no PIB da Venezuela nos últimos dois anos?

As expropriações não apenas sucatearam empresas eficientes como criaram um clima de incerteza. A ameaça de que qualquer empresa pode ser estatizada causou desconfiança em investidores internos e externos, o que afetou o crescimento.

 

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