Blogs e Colunistas

21/09/2012

às 18:00 \ Política & Cia

Morre, aos 84 anos, Dona Maria Rosa Leite Monteiro, mãe de Honestino Guimarães — um dos “desaparecidos” da ditadura que foi meu amigo de juventude

Dona Maria Rosa, e sua incansável luta pelo filho, Honestino (Foto: Raimundo Pacco / D.A Press)

Dona Maria Rosa, e sua incansável luta pelo filho, Honestino (Foto: Raimundo Pacco / D.A Press)

Amigas e amigos do blog, convivi e fui amigo de Honestino Guimarães na Universidade de Brasília. Franzino, cabelos claros, olhos verdes, estudava Geologia, era um doce de pessoa e, a certa altura, foi eleito presidente da então formalmente ilegal Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (Febu).

Considerado perigosíssimo pela ditadura militar, Honestino, um idealista generoso, depois de preso e barbaramente torturado, desapareceu — ou seja, foi assassinado — em 1973.

Sua mãe, que nunca desistiu de lutar para preservar sua memória e sofreu a amargura de perder outro filho num acidente de trânsito, finalmente descansou dias atrás, em Brasílial. Publico o post em homenagema meu amigo de juventude.

Texto de Sérgio Maggio e Frederico Bottrel, publicado ontem, dia 20, na editoria Cidade do jornal Correio Braziliense

MORRE AOS 84 ANOS DONA MARIA ROSA LEITE MONTEIRO, MÃE DE HONESTINO GUIMARÃES

Dona Maria Rosa Leite Monteiro, mãe do estudante Honestino Guimarães, desaparecido nos anos 1970, faleceu na madrugada desta quinta-feira (20/9), aos 84 anos.

Uma das primeiras vozes a denunciar os desaparecimentos e torturas durante a Ditadura Militar no Brasil, Dona Rosa vinha recentemente enfrentando problemas de saúde relacionados à perda de memória. Sofreu uma queda no último final de semana, no apartamento em que morava, em Águas Claras [bairro de Brasília]. Foi internada com fratura no fêmur e não resistiu às complicações decorrentes de uma cirurgia, no Hospital Alvorada, em Taguatinga.

Desde o desaparecimento de Honestino, que era líder estudantil na Universidade de Brasília (UnB), Maria Rosa se empenhou em luta fenomenal para encontrá-lo. Relatou a saga no livro Honestino, o bom da amizade é a não cobrança, importante registro sobre o período.

Foi dos primeiros documentos a revelar a dor do desaparacimento de procurados da ditadura a partir do âmbito familiar. Honestino Guimarães, desaparecido em 10/10/1973 aos 26 anos, foi sequestrado, torturado e morto. O corpo de Dona Rosa será velado a partir de 9h desta sexta-feira (21/9), na capela 6 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Confira algumas páginas do Correio Braziliense protagonizadas por Dona Rosa.

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

13 Comentários

  1. Romulo Ribeiro

    -

    25/09/2012 às 22:07

    A ÚLTIMA VEZ QUE FOI VISTO COM VIDA HONESTINO ESTAVA JOGANDO BOLA NO ATERRO DO FLAMENGO. ELE FEZ PARTE DE UMA ÉPOCA EM QUE SE DAVA A VIDA POR UM IDEAL. HOJE NINGUÉM TEM IDEAL PRA NADA. NEM OS PETISTAS QUE ESTÃO NO PODER.

  2. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    24/09/2012 às 22:20

    Amigo Setti:
    Nada a comentar – o torturador acostuma com seu ofício e o pior passa a gostar.
    Meu abraço e solidariedade.
    A tombaram na luta e aos que tombaram pelo tempo contra a Ditadura Civil Militar de 1964 – PRESENTE!
    A todos vivos que sobreviveram e ainda lutam pela liberdade e justiça – Não Esmoreçam! a Verdade virá!
    Pedro Luiz

    Pois é, Pedro, e precisei cortar comentários pavorosos de alguns leitores — aos quais respondi sem citar o que eles haviam escrito — que ofendiam de maneira vil um rapaz decente e idealista, a quem conheci pessoalmente, e que foi torturado barbaramente e assassinado por agentes covardes da ditadura.

    Abraço

  3. Paulo Cesar Ferreira

    -

    24/09/2012 às 12:25

    O que tenho a lhe dizer, depois de ofender um brasileiro digno que conheci pessoalmente, cujo idealismo testemunhei e que foi torturado e morto pela ditadura, e diante das ofensas que você faz a mim, é puro e simples: vá para o diabo que o carregue!

    Suma daqui!

  4. JOSÉ CARLOS WERNECK

    -

    24/09/2012 às 12:09

    Setti,
    Também conheci Honestino.Considerá-lo perigosíssimo,realmente é uma coisa completamente idiota.
    Inteligente,era um sujeito pacato,ainda que fosse firme em suas idéias.
    Realmente os detentores do poder à epoca não tiveram a mínima inteligência e habilidade em lidar com pessoas como Honestino.
    Uma pena,porque muitas vidas teriam sido poupadas e hoje não teríamos tanta carência de verdadeiras lideranças e tantos picaretas,aproveitadores e ladrões,mandando no Brasil.
    Muito bonita a sua lembrança,
    grande abraço,
    Werneck

  5. Paulo Cesar Ferreira

    -

    23/09/2012 às 11:15

    Pergunto: Será que, como todo “Idiota Útil”, foi justiçado por companheiros em um tribunal revolucionário?

    Chamar um rapaz decente, íntegro e inteligentíssimo como Honestino de “idiota útil” só mostra como você não sabe nada do ser humano. Não, ele não foi “justiçado” por ninguém, não — foi barbaramente torturado e morto pela ditadura militar, conforme está mais do que provado.

    Informe-se melhor sobre seu próprio país e sua triste história.

  6. Vera Scheidemann

    -

    22/09/2012 às 7:24

    Como deve ter sofrido essa mulher ! Deus permita
    que já tenha podido reencontrar seu amado filho.
    Vera

  7. Reynaldo-BH

    -

    21/09/2012 às 20:15

    Que vá em paz, sra. Maria Rosa.
    E encontre na paz do Universo uma senhora de nome Maria de Lourdes. E tenham boas conversas. Dividam as dores e orgulhos.
    Cá por aqui, continuamos a sobreviver.
    E exemplos nunca são esquecidos!

  8. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    21/09/2012 às 19:51

    AGORA!
    Direto na internet – http://youtube.com/eteccepam

    Amigos
    Mais um lançamento do nosso querido livro 68 a geração que queria mudar o mundo relatos
    Na USP ETEC/Cepam, dia 21 de setembro.
    Nossa luta continua e acontece a cada instante no dia-a-dia.

    O ano de 1968 foi tão intenso que, mesmo passados mais de 40 anos,
    ainda existem histórias que merecem ser compartilhadas.
    Algumas delas estão reunidas no livro 68 – A geração que queria mudar o mundo – Relatos
    Organizada por Eliete Ferrer, a obra traz relatos de 100 ex-militantes políticos.
    Eliete Ferrer
    Coordenadora Editorial, Organizadora do livro: 68 a geração que queria mudar o mundo
    O livro é composto de histórias reais ocorridas desde 1964 até a abertura política –
    nas reuniões, na militância, nas manifestações, nas discussões, na prisão,
    nas ações armadas ou não, nos treinamentos, na clandestinidade, no Brasil ou no exterior, no exílio.
    O caráter humano é priorizado nos 170 relatos dos quais os autores participaram ou presenciaram.
    A publicação faz parte do projeto Marcas da Memória, da Comissão Federal de Anistia.

    68 a geração que queria mudar o mundo relatos

  9. Razumikhin

    -

    21/09/2012 às 19:40

    Quando o estrategista erra, o soldado morre.
    Foi isso que aconteceu.

  10. Davi

    -

    21/09/2012 às 18:42

    Ficaram mais de 300 picaretas no lugar da Democracia pela qual tombou o jovem idealista.
    Mais Honestinos vivos!
    Os picaretas atrás das grades!
    E que apareça a verdade a respeito do que fizeram com os Honestinos naqueles anos soturnos.

  11. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    21/09/2012 às 18:27

    Setti:
    Outra entrevista de sugestão de POST.
    Abraços
    Pedro Luiz
    Hildegard Angel fala sobre a Comissão da Verdade

    Por Webster Franklin
    Da Carta Maior

    “Sou esperançosa, vejo boas intenções, mas eu estou cansada”, diz Hildegard Angel

    Em entrevista, Hildegard Angel, filha de Zuzu e irmã de Stuart, conta um pouco de sua luta para preservar e honrar a memória de sua família. Além disso, fala sobre a Lei da Anistia, a Comissão da Verdade, o papel das novas gerações na política e a imprensa brasileira. “Vivemos numa liberdade de imprensa muito relativa, mas não devido ao governo, e sim devido aos interesses capitalistas dos empresários da opinião deste país”.

    Fernando Rinaldi – Especial para Carta Maior

    “Quem é essa mulher?” é o verso ecoante da música de Chico Buarque feita em homenagem à estilista Zuzu Angel, que morreu num mal explicado acidente de carro depois de ela ter enfrentado com unhas, dentes e desfiles de moda de protesto o regime militar, almejando saber a todo custo alguma informação sobre o paradeiro de seu filho, o ativista político Stuart Angel Jones, torturado e assassinado à época dos “anos de chumbo” brasileiros. A música se tornou símbolo da luta das mães que nunca souberam o que realmente aconteceu com seus filhos nem puderam enterrá-los dignamente. É o símbolo também de uma época de muito sofrimento cuja memória Hildegard, filha de Zuzu e irmã de Stuart, faz questão de manter viva para que essa história não volte a se repetir. Ela, que começou a sua carreira como atriz nos anos 1970, posteriormente se tornou jornalista e conquistou o posto de uma das maiores colunistas sociais do país. Hoje ela se dedica a um blog, cujos temas predominantes são moda e comportamento, e pretende inaugurar em breve um museu com vários documentos de sua família, guardados ao longo de anos.

    Também fundadora do Instituto Zuzu Angel, Hildegard nunca foi militante como seu irmão. “As pessoas tiravam casquinha do heroísmo alheio. Eu sempre tive pudor disso”, explica quando questionada se nunca pensou em juntar-se ao movimento de oposição ao governo. “O que eu sempre fiz foi honrar a memória dos meus”, complementa, emocionando-se ao relembrar a história de combate de sua família.

    Hilde, como é chamada pelos mais próximos, tira de sua trajetória posicionamentos precisos sobre a Lei da anistia, a Comissão da Verdade, o papel das novas gerações na política e a imprensa brasileira, fazendo jus à frase com que se descreve em seu Twitter: “Vocês me conhecem. Sou aquela que pode não ter a melhor opinião, pode não ter a sua opinião, mas tem opinião!”. A partir de suas falas, que desvelam alguns episódios importantes desse período ainda nebuloso da história do nosso país, é possível conhecer um pouco mais quem é essa mulher chamada Hildegard Angel.

    Antes de se dedicar ao jornalismo, a senhora teve uma carreira como atriz. Numa outra entrevista, a senhora declarou que queria ser a Joana D’Arc dos palcos, enquanto que o seu irmão queria ser a Joana D’Arc da vida real. Como foi esse seu início profissional? Ser a Joana D’Arc dos palcos também implicava alguns riscos, alguma exposição?

    E ele foi, né? Ele foi a Joana D’Arc da vida real (risos).

    Mas acabou que nos anos 1970, com o teatro engajado, houve uma exposição, sim. Eu, por exemplo, fiz algum teatro engajado, com o Grupo Oficina. O último espetáculo deles, em 1973, chamado Gracias, Señor, dirigido pelo Zé Celso Marinez Corrêa, foi uma peça engajada importante da qual eu participei. Ela era assistida toda noite pelo DOPS. Era um espetáculo longo, muito improvisado também. Havia riscos naquela época, que era época da censura, né? Houve também um risco também para as pessoas de teatro que tinham uma militância. Eu não fui uma militante, né? Eu fiz a militância por acaso em alguns espetáculos como esse.

    A senhora nunca pensou em se juntar ao movimento de oposição ao governo?

    Eu não tinha a estrutura ideológica do meu irmão. Eu sempre respeitei muito o embasamento ideológico e intelectual do meu irmão. Seria muito fácil para mim e até muito honroso pegar, empunhar e desfraldar a bandeira da esquerda brasileira. E seria também muito proveitoso para mim naquela época se eu tivesse tomado essa iniciativa. Mas eu sempre encarei de uma maneira muito séria e com muita responsabilidade e respeito a luta do meu irmão. Eu ficava muito envergonhada de ver pessoas vestirem de uma maneira até festiva o uniforme, a roupa, as vestimentas da militância sem terem conteúdo ideológico, apenas pelas vantagens que poderiam advir dessa proximidade com os nossos heróis. As pessoas tiravam casquinha do heroísmo alheio. Eu sempre tive pudor disso. Eu sempre respeitei muito a luta legítima de quem fez por onde. Eu sempre considerei um atrevimento ver jornalistas, artistas, pessoas de comunicação sem conteúdo ideológico, mas com bom jogo de cintura, se aproveitarem do sangue, da luta, da ideologia, do conteúdo, da ingenuidade, da boa fé dos nossos jovens para tirar partido disso, para construir suas carreiras na base do oportunismo. Eu sempre tive esse pudor. Nunca quis.

    O que eu sempre fiz foi honrar a memória dos meus. Foi, em todos os momentos da minha vida, jamais negar-lhes todas as homenagens, desde o primeiro momento. Meu irmão e minha mãe são e foram as personalidades daquele momento político brasileiro mais homenageadas até hoje. Até durante a ditadura foram inauguradas ruas, praças escolas, exposições com os nomes deles. As pessoas ficavam até boquiabertas de isso acontecer porque ninguém tinha peito de fazer isso. E com meu olhar até singelo, meu jeito ingênuo – podem considerar até sonso –, eu fazia isso. Talvez as pessoas achassem que eu fosse amorfa porque eu não oferecia perigo. E eu fazia isso. Eu mantive a memória dos meus viva, respeitada, homenageada, e essa foi a minha maneira de prestar a minha homenagem, de fazer o meu bom combate e de manter essa luta e essa memória vivas para que esses fatos não se repetissem.

    E a senhora fundou também o Instituto Zuzu Angel, uma forma de preservar a história da sua mãe…

    Foi a primeira ONG de moda no país, ou seja, uma sociedade civil sem fins lucrativos, lembrando a memória de Zuzu, lembrando a sua luta e a luta do Stuart. Eu lembro que naqueles anos em que todos rasgavam documentos, jogavam fora qualquer coisa que os comprometesse, eu guardei tudo, tudo o que se possa imaginar: na minha casa, nas minhas costas, nas minhas malas, nos meus baús, nas minhas gavetas. Nunca tive medo. E hoje nós temos um conteúdo sensacional de documentos. Hoje nós estamos tentando levantar um museu aqui no Rio de Janeiro com a Secretaria de Estado. Se Deus quiser nós conseguiremos. Porque, você sabe, essas coisas de governo a gente nunca sabe, né? Várias promessas, vários governos sucessivamente… Nunca sabemos se será levado adiante. Uma hora dizem uma coisa, noutra hora outra. Eu quero ver pronto! Já estou cansada de promessas!

    Mas eu tive a coragem de manter esse acervo sob as minhas asas numa época em que as pessoas tinham medo. Eu nunca me vangloriei da luta do meu irmão, da minha mãe e da minha cunhada porque é essa luta pertenceu a eles.

    Que imagem a senhora acredita que o Brasil tenha da luta deles?

    Acho que o Brasil tem a imagem de que os nossos jovens lutaram e de que os nossos políticos da época se omitiram. Os políticos da época, que podiam estar lá fora falando sobre isso, se omitiram.

    Não me esqueço quando minha mãe, que era uma juscelinista de boa cepa, convicta, encontrou-se com o Juscelino numa festa onde estava toda a high society do Rio de Janeiro e lhe disse: “Você poderia ter denunciado as mortes, mas você se calou. Você teria recursos para falar na imprensa internacional das torturas. Eu não lhe perdoo, Juscelino Kubitschek!” E enfiou o dedo no nariz dele. Na ocasião, disseram: “Zuzu, você está louca! Fica calma!”.

    Ela estava dizendo a verdade. No ano de 1976, foi aquela lavada geral, aquela limpeza diária: mataram a Zuzu, mataram o Juscelino, mataram o Getúlio, mataram o Jango. Porque ninguém me tira da cabeça que as mortes de Getúlio, Jango e Juscelino também fizeram parte dessa ação articulada. No Brasil, iniciava-se o processo de abertura e eles teriam que limpar a área para que tudo começasse zero-quilômetro, para que não ficasse resíduo, qualquer voz que pudesse se levantar para incomodá-los.

    Mas, quando foi dada a voz às famílias desses antigos políticos para falar a respeito na época da Comissão dos Desaparecidos, elas não quiseram investigar. Elas negaram que os seus familiares tivessem sido mortos, talvez por receio, porque não acreditassem ou porque não tivessem a ideia de que eles estavam roubando a memória de seus familiares quando lhes sonegavam o direito do reconhecimento de um assassinato político.

    A senhora apoiou a Dilma nas eleições presidenciais de 2010. Agora, no seu governo, finalmente foi instalada a Comissão da Verdade. O que a senhora espera dessa Comissão?

    O assassinato da Zuzu foi reconhecido vinte e dois anos depois. Não foi no governo da Dilma, eu tenho que reconhecer. Foi no governo Fernando Henrique, quando o seu ministro, José Gregório, criou a Comissão dos Desparecidos Políticos. Foi feito um processo bem longo, em que houve recurso. O assassinato da mamãe foi reconhecido em segunda instância porque surgiram testemunhas oculares. Então não foi a presidenta Dilma. Mas eu acho que tudo anda muito vagarosamente.

    Eu acho que a anistia foi a anistia que foi possível na época. Eu apoiei e o Brasil inteiro apoiou a anistia porque foi a anistia possível. Eu apoiei aquela abertura porque foi a abertura possível; aquele momento porque foi o momento possível, porque foi o momento em que não houve confronto, não houve novas vítimas, não houve sangue, não houve dor. Eu apoiei, sim, aquele momento porque foi um momento sem mortes. É muito importante que o Brasil lembre que nós tivemos uma passagem para a democracia sem mortes. Para quem já sofreu tantas mortes, como eu já havia sofrido, não queria mais em nome da política que houvesse mortes. Os nossos jovens, que já estavam velhos, retornaram ao Brasil, de todos os países, sequiosos para isso, sedentos para isso. E nós aqui esperançosos para isso. Então eu achava importante que a nossa passagem tivesse sido sem mortes.

    E a senhora espera que seja feita a justiça com a Comissão da Verdade?

    Eu espero que seja feita, mas eu acho tudo muito lento e eu fico muito cansada. Eu espero que sim. Sou esperançosa, vejo boas intenções, mas eu estou cansada. Você veja, esse livro (Memórias de uma guerra suja) em que é apontado o possível assassino da minha mãe… Por que eles não elucidam logo esse assassinato, quem foi o assassino? Que ela foi assassinada todos já sabemos. Por que eles não identificam logo, não abrem logo esse processo? Você vê que as famílias têm que ficar o tempo todo sofrendo esse martírio. Eu fico cansada.

    Como a senhora acha que as novas gerações lidam com a política?

    Se não forem as novas gerações, o que será de nós? As velhas gerações estão muito mais preocupadas com elas mesmas do que com o nosso passado. Graças a Deus temos as novas gerações.

    A senhora acredita que o Brasil lide bem com o seu passado?

    Eu acho que o Brasil lida bem com o passado na medida em que as novas gerações estão preocupadas com esse passado. Com a idade, as pessoas vão se acomodando, as pessoas vão perdendo seus postos de poder, a sua voz, a sua influência. E as pessoas também vão se revelando, né?

    Pessoas que antes pareciam engajadas, preocupadas em esclarecer fatos, hoje se situam praticamente à direita e estão mais preocupadas em satisfazer seus patrões da mídia de direita do que esclarecer pontos importantes do nosso passado de esquerda.

    Os filmes que falam sobre essa época da ditadura, como o filme do Sérgio Rezende que foi feito sobre a sua mãe, podem ajudar a resgatar esse passado?

    A cultura está fazendo essa revolução. A cultura está fazendo essa denúncia. A cultura está prestando um grande serviço a essa luta brasileira, a esse resgate. Acho que há movimentos importantes também. O “Tortura Nunca Mais” de hoje é um movimento muito importante.

    Hoje se discute e se faz com bastante frequência política na internet, em blogs e em redes sociais. O que a senhora pensa a esse respeito?

    Redes sociais são importantes, mas eu vejo que há uma certa casta superior do jornalismo que se identifica como jornalismo de primeira linha, de primeiro grupo. É um jornalismo totalmente comprometido com seus patrões, que não está muito preocupado com nada, não…

    A senhora acha que nós vivemos numa liberdade de expressão plena hoje?

    Vivemos numa liberdade de imprensa muito relativa, mas não devido ao governo, e sim devido aos interesses capitalistas dos empresários da opinião deste país, que está restrito a uma única opinião, refletindo os interesses de um pequeno grupo de empresários poderosos…

  12. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    21/09/2012 às 18:24

    Amigo Ricardo Setti:
    Ao Honestino Guimarães e a todos combatentes contra a Ditadura Civil Militar mortos pelo bom combate e mortos pela tempo – PRESENTE!
    A todos ainda vivos que nunca desistiram que a Nação dê os nomes dos agentes de estado responsáveis,seus financiadores,seus mandantes e finalmente levá-los a Justiça por Crimes Contra a Humanidade – Que SEJAM MAIS PRESENTES AINDA!
    A mãe de Honestino sua luta não será parada – descansa com DEUS e o reencontro feliz com o nosso Amado e Admirado Honestino Guimarães.
    Pedro Luiz

  13. Osvaldo Aires Bade - Comentários Bem Roubados na "Socialização"

    -

    21/09/2012 às 18:22

    Setti, meus sentimentos sei como é duro perder amigos de batalha – sou um guerreiro também.
    AMIGOS PATRIOTAS, POR FAVOR, ASSINEM E DIVULGUEM!
    TEMOS QUE ACABAR COM ISSO!!!
    VAMOS APOIAR O SUPREMO-STF!!!
    Uma manifestação fresquinha! Cidadãos! Ajudem a divulgar! Nossa meta é 20 milhões de assinaturas.
    Abraço a todos e parabéns!
    BRASIL FORA DO CRIME!!!
    http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=mensalao

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados