12/05/2012
às 17:42 \ Política & CiaMailson da Nóbrega: baixar os juros no grito é perigoso. O que precisamos é continuar com as medidas estruturais
(Artigo publicado na versão impressa de VEJA)
O ASSUSTADOR ATAQUE AOS BANCOS
O atual governo tem demonstrado inédita inquietude em relação aos juros. Em vez de prosseguir o trabalho paciente e tecnicamente fundamentado de seus antecessores, que permitiu diminuir de forma sustentada as taxas de juros, agiu politicamente. Determinou que os bancos públicos reduzissem as taxas de juros para induzir as instituições financeiras privadas a fazer o mesmo.
Experiências semelhantes provocaram perdas e necessidade de injeção de recursos do Tesouro naqueles bancos. Em lugar de recorrer a medidas estruturais, a presidente Dilma decidiu atacar os bancos privados: “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo”.
Acontece que solidez e lucratividade não têm necessariamente relação com juros altos. A solidez foi construída ao longo de anos, fruto do trabalho dos bancos e do governo, particularmente do Banco Central. A solidez explica por que os bancos brasileiros resistiram bem aos efeitos da atual crise financeira mundial. A solidez é para ser comemorada, não para outros motivos. Quanto à lucratividade, estudos mostram que os bancos não têm retorno diferente do das grandes empresas brasileiras.
Medidas para reduzir as elevadas taxas de juros do Brasil devem integrar permanentemente a agenda do governo. Isso têm acontecido nos últimos dezoito anos, pelo menos. Ainda figuramos entre os campeões dos juros altos, mas a situação tem melhorado. A taxa de juros básica do Banco Central (Selic) – que influencia as demais – já foi de mais de 40% ao ano e hoje caminha para as proximidades dos 8% ao ano. O spread bancário também diminuiu. Foi o efeito de um esforço de reformas para atacar as razões estruturais da excepcionalidade.
A vitória contra a inflação descontrolada (Plano Real) e a estabilidade macroeconômica foram seguidas de outros avanços: a alienação fiduciária, a nova Lei de Falências, o crédito consignado, o acompanhamento sistemático das condições de crédito pelo Banco Central e, mais recentemente, a Lei do Cadastro Positivo.
Tudo isso reforçou a segurança na concessão de empréstimos e melhorou o ambiente informacional. Os bancos adquiriram meios para bem avaliar riscos, premiar os bons pagadores com menores taxas de juros e expandir o acesso ao crédito. O potencial de crescimento se ampliou. O bem-estar aumentou.
É preciso avançar com medidas estruturais de mesmo quilate. Por exemplo, duas causas explicam as altas taxas de juros: a tributação das transações financeiras e o volume de recursos que os bancos são obrigados a recolher ao Banco Central, ambos sem paralelo no mundo. Resquícios de insegurança jurídica típica do Brasil reclamam novas reformas.
Além de ter taxas de juros das mais altas do mundo, o Brasil ostenta um dos maiores níveis de emprego informal do planeta. São duas excepcionalidades derivadas de problemas estruturais acumulados, de difícil solução em prazo curto. Não se vê, todavia, alguém culpando os empregadores pela informalidade no mercado de trabalho. Não há como promover no grito a formalização, nem dessa forma baixar a taxa de juros. Felizmente, tal como aconteceu nos juros, a informalidade tem diminuído sob a influência da estabilidade macroeconômica, do crescimento da economia, da melhor fiscalização e de avanços institucionais.
A presidente mira e acena um alvo fácil. Atacar sintomas que a população confunde com causas faz subir a popularidade. A maioria pensa como Dilma. A desinformação é enorme. A educação financeira é deficiente no Brasil. Os bancos nunca foram benquistos. O tema tende a ser influenciado pela emoção.
No Plano Cruzado (1986), faltou carne no mercado. Era um sintoma decorrente do insustentável congelamento dos preços.
Vender gado para abate era o caminho certo para o prejuízo. Os pecuaristas se protegeram. O custo de reter o seu rebanho era preferível à falência.
O governo empreendeu então uma espetaculosa caça ao boi no pasto, com helicópteros e policiais federais.
A medida não salvou o Plano Cruzado. Espera-se que, caso fracasse sua cruzada contra os bancos, Dilma não se aventure a procurar juros baixos no pasto.
Tags: Banco Central, Dilma Rousseff, educação financeira, empréstimos, estabilidade macroeconômica, juros, Lei de Falências, Lei do Cadastro Positivo, Plano Cruzado, Plano Real, Selic, spread bancário





























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13 Comentários
Ailton
-04/06/2012 às 21:21
Ricardo Setti, a cronologia do epísodio abaixo relatado por mim, pode não estar exatamente encaixada na ordem dos factos, más, todo o relato copiado e dvulgado em meu texto, são veridicos, as ofensas do Ricúpero contra o FHC são verdaeiras e emergiram da verborrágia do ministro Rubens Ricúpero.
“O QUE É BOM AGENTE FATURA, O QUE É RUIM AGENTE ESCONDE” Disse o Ricúpero em outro trecho do diálogo com o Monnfort.
Ailton
-21/05/2012 às 21:43
Acabei de asssitir o Rubens Ricúpero a dar entrevista na Globo(hoje 21/05/2012), ele estava a falar da nossa atual economia, falou da crise dos EUA e da decadencia da Europa, Rubens Ricúpero disse que o Brasil vai ressentir e muito a crise economica que atualmente afeta o país do norte das americas e o continente europeu.
Só tenho mesmo que rir dessa gente, uns grandes patetas e incompetentes em suas pastas, que agora se sentem competantes para falar da atual situação economica na era Lula/Dilma.
Ora!Ora!Ora!
Rubens Ricúpero é aquele ministro do FHC, que cochichava com o jornalista global Carlos Monnfort, e buxixo sem querer, vazou para as antenas parabólicas da Globo.
TRECHO DO DIALÓGO:
Ricúpero dizia ao Monnfort:
-”Se eu quiser, acabo com o Lula agora mesmo,
Monfort se interessa e pergunta;
-”como, voce tem alguma coisa grave cotra ele, contra o Lula?”
Ricúpero;
-”Não, e como carater não é bem o meu forte, eu invento, nisso eu sou bom, eu não tenho nenhum carater, portanto posso inventar o que eu quiser, eu invento e a Globo põe no ar, a agente acaba com o Lula em apenas dois minutos”.
Ricúero: “Se eu quiser acabo com o Lula, eu detruo a campanha do Lula em dois minutos”,
Monnfort se interessa e pergunta: “Voce tem alguma coisa substancial contra o LULA, alguma coisa que condene a reputaçã odo Lula?
Ricúpero responde: “Não, mas carater não é bem o meu forte, se for preciso eu invento e destruo o Lula em dois minutos, invento e depois voces “jogam” no ar e acabamos com ele em dois tempos”
Como? pergunta o Moinnfort;
Agente joga uns comentários atoa e na mesma hora o Lula está fora da briga.
Monnfort;
E o FHC sabe disso?
Ricúpero sobre o FHC;
“Aquele é um idiota, come na minha mão, sem mim ele nãoseria nada, só ganhou em 1998 graças a mim, eu carrego ele em minhas costas. é um pobre coitado, um zé ninguém sem mim”.
Então alguem avisa que a conversa vazou para as antenas, e Ricúpero chama reporteres de incompetentes, de idiotas, Globo sai do ar, e só volta dez minutos depois no ‘BOM DIA BRASIL’
Nunca mais vi o Carlos Monnfort, sumiu das telinhas.
Chiii, Ailton, você precisa se informar melhor. Ricúpero foi ministro da Fazenda do PRESIDENTE ITAMAR FRANCO, e não de FHC. Foi o SUCESSOR de FHC como ministro da Fazenda do presidente Itamar, e ficou no posto de março a setembro de 1994.
FHC, como você sabe, só tomou posse em janeiro de 1995.
Nunca, jamais, em tempo algum foi divulgada essa frase ofensiva a FHC que você menciona. Até por educação, que Ricúpero é um homem polido, ele não diria isso.
E o Carlos Monforte — é esta a grafia certa — não sumiu das telinhas, não. Está todo santo dia no Jornal das 10, da GloboNews, como sempre esteve. É âncora do telejornal em Brasília, faz entrevistas e comentários, além de participar, eventualmente, de outros programas da emissora.
Esse seu ódio a FHC acaba lhe fazendo mal — além de distorcer a realidade que você enxerga.
Ailton
-17/05/2012 às 7:36
Mari labbate 44
Que o Brasil vai acaber amanhã, isso minha cara, eu escuto dizer desde que o PT assumiu esse país, e desde 2003.
Você me faz lembrar uma show do Raul Seixas, que um dia, lá pelos anos oitenta, fui assistir, Raul, entre uma música e uns copos de whisky, ao parar para descansar, ele disse, “-muitos dizem que ‘agente’ acabou, que ‘agente’ já era mas, agente está so começando!” (falava do arautos do rock and-roll) isso já dura 40 anos, e o rock minha cara Laboba, ainda continua firme e forte hoje.
Voce me parece um desse arautos, que desde 2002 dizem que o Brasil ia acabar, e no entanto ele só fez crescer, saimos da decepcionante 19{ economia para a 6ª, (a frente do Reino Unido formado por 15 países), nossas exportações batem a casa dos U$300bi na era Dilma, Lula tem media anuais de U$180bi nos seus oito anos de governo. com os dois vivemos o pleno emprego (disse a Globo), temos a segundo classe média das america, jpa somos 63%(126 milhões)da população(disse a Folha de SP e sua Datafolha).
Toda essa crise que o Brasi latravessa desde 2008, minha cara Labatte, não chega nem a 1% daquela dos anos tenebrosos em que o melhor sociológo e o pior governante que esse país já viu, deixou cair sobre as nossas cabeças na decada de noventa.
Ali, industria se retiraram aos rodos do nosso país, empresários faliram as dezenas de milhares, trabalhadores fora demitidos em massa, que ficou no empreguinho, foi obrigado a receber R$120,0(U$70,00) ao mês.
O Brasi lera constantemente humnilhado, até o Mr. Bill Clinton deu uma internacional repreensão no nosso melhor sociólogo e pior presidente da história do Brasil.
Hélio
-14/05/2012 às 18:52
Ismael 11:35
“Qualquer economista indentificado com o governo FHC será defenestrado pelos comentaristas petistas de plantão”
Em primeiro lugar, é errado generalizar todos os comentaristas como “petistas”. Em segundo lugar o economista citado e criticado aqui neste post foi do governo Sarney, e não FHC. Em terceiro lugar, o principal motivo das críticas ao Maílson, em especial as minhas críticas, são o fato de que se vc comparar as previsões dele com os acontecimentos posteriores, verá que a quantidade de erros que ele comete é imensa, comparado com outros economistas. Quer um exemplo? As previsões dele logo após a baixa da taxa Selic em 0,5 em agosto. Quer outro exemplo? Logo após a crise de 2008, quando ficou claro que um dos fatores que ajudaram o Brasil a sair mais rápido da crise, foi o fato de termos 2 bancos estatais fortes. O que o “gênio”Maílson escreveu? Que era hora de privatizer a Caixa e o Banco do Brasil! Acho que temos bons economistas, de ambas as tendências políticas, mas infelizmente os que ganham mais espaço na mídia são justamente aqueles que mais falam bobagem, como o Maílson, a Mírian Leitão, o Sardenberg, etc.Enquanto isso, economistas do quilate de um Bresser Pereira, Yoshiaki Nakano e um Delfim Netto, tem um espaço reduzido. Por falar em Delfim, apesar de seu passado como ministro durante o período militar, é inegável seu conhecimento, e quanto a Bresser Pereira, ontem a entrevista dele ao Kennedy Alencar, foi simplesmente sensacional, esplicações importantes com linguagem simples, e uma visão econômica impressionante. O PSDB sofre uma grande perda com a saída dele. Abs!
Ismael
-14/05/2012 às 11:35
Qualquer economista identificado com o governo de FHC será defenestrado pela bateria de ocmentaristas petistas de plantão. Curioso é lembrar que Mercadante e Maria da Conceição Tavares foram os “gênios” que asseguraram para Lula que o Plano Real seria um fracasso.
E falando de inflaão, Paul Krugmann está propondo-a como uma solução para a crise da Europo, pois assim os salários relativos, principalmente pagos ao setor público seria reduzidos, bem como parcelas da dívida pública. Agora, quando alguém propõe a redução de despesas do Estado, é criminalizado pela esquerda e taxado de neo liberal. Porém, o que é mais honesto; reduzri as despesas do Estado mediante cortes ou empobrecer toda a sociedade com a escalada inflacionária?
Bem, bater nos juros sem atacar despesas públicas é produzir inflação.
Franco
-14/05/2012 às 8:45
Costumo ler e aprender bastante com a coluna do Maílson da Nóbrega em Veja. Gosto da linguagem simples e direta que ele usa para traduzir o “economês”. Aprecio os posts sobre economia que têm sido publicados no blog.
Mari Labbate *44 Milhões*
-13/05/2012 às 7:52
AVISO AO PT = PARTIDO-DO-GRITO: a sorte acabou! É puro desespero, Maílson da Nóbrega. Realmente a prudência é uma grande virtude, totalmente ignorada por esses aloprados, que objetivando apenas o Poder, ATROPELAM A NAÇÃO!
Tuco
-13/05/2012 às 4:33
.
Ai, ai, ai…
Esse senhor e sua “old school” tenta
ter seus segundinhos de fama e nos
traz dados incorretos (pra não dizer
mentirosos). Curial seria apontar as
“grandes empresas brasileiras” que têm
lucratividade como os bancos!
A tal solidez é comemorada, sim, pelos
banqueiros! Esse Mailson!
Enfim, a Veja perdeu espaço valiosíssimo
deixando-se ocupar por tais ilações. E
esta Nobre Coluna, também.
Só faltou a esse patético economista dar
loas aos 27,5% tungados dos brasileiros
pagadores de imposto… Isso ele adora!
.
Hélio
-12/05/2012 às 22:54
Quando o BC baixou a Selic em 0,5 ponto percentual em agosto, houve uma grita geral dos “analistas” econômicos, e passado um mês a medida tomada pelo BC se mostrou correta, derrubando por terra todas as previsõs “infáliveis” do mercado, inclusive do Maílson.Aliás, deve-se citar o comportamento, ao meu ver, antético do Mailson, que em um artigo simplesmente insinuou que o presidente do BC, Alexandre Tombini, não tinha competência e envergadura para ocupar o cargo. Será que o Mailson tinha estes requisitos, quando era Ministro da Fazenda? Para finalizar, assim como o Ailton, em 2008 eu acompanhei atentamente a cobertura da crise, e era simplesmente gritante a diferença entre as análises dos economistas estrangeiros e os nacionais, mesmo analisando os mesmos dados disponíveis. Eu lembro de todo dia no Bom Dia Brasil a Mirian Leitão praticamente garantir que no dia seguinte o Brasil ia acabar rsrsrsr. Como se sabe hoje, o Brasil não acabou , foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair, confirmando as previsões de economistas de peso, como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ambos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia. Depois de ler este artigo do Mailson, tenho ainda mais convicção que a Dilma está no caminho certo. Abs!
Ailton
-12/05/2012 às 21:21
Prefiro ouvir os economista do exterior, afinal, em 2008 eles disseram que o Brasil e países dos BRICS seriam os únicoS a sair ilesos da crise nascida nos EUA e ramificada para Europa. todos os jornais mundiais afirmavam que Brasil sairiam íleso dessa crise e que cresceria entre 4% a 11% aa. TODOS ACERTARAM.
Es Afirmações veiram no mesmo período em que a grande imprensa brasileira, acessorada por nossos economistas mambembes, diziam que Brasil ia afundar, ia quebrar com a crise dos norte-americanos, TODOS ERRARAM.
Ailton
-12/05/2012 às 21:11
Porque sempre trazer a baila, figuras deletericas que um dia fracassaram nas SUAS PASTAS? e por incrivel que pareca, essas pastas era da economia do meu Brasil??
Será que há credibilidade nesses incompetentes mordidos com o sucesso do governo que ejetou o páis para a sexta economia doi mundo? lembro que na era em que esse famigerados economistas exerciam seus cargos, o meu Brasil viva quebrado. falido, cheio de planos mirabolante e mambembes, eram planos Collor, planos Bresser, plano Bresser I e II, Plano Verão I e II que de em nada serviram, só afundaram o meu Brasil, e ainda deixaram uma fenomenal crise interna atrelada a uma gigantesca divida externa.
É, realmenbte esses economistas bizonhos não são os mais recomendados a falar da atual situação economica do Brasil, eles foram grandes fiasco do nosso crescimento em suas epocas..
Ora, não são eles os mais aconselhados a falar de economia, afinal, são uns fracassados, historicamente fracassados.
Luanna
-12/05/2012 às 19:16
Só não acertou quando estava lá, quando tinha obrigação de acertar.
Luanna
-12/05/2012 às 18:29
Maílsom é aquele que levou o Brasil a 80% de inflação quando foi ministro? Ah, tá, ele tem muita moral pra falar isso. rsrs…
Puxa vida, Luanna, que visão peculiar você tem do mundo, não? Você acha que um mero ministro da Fazenda “leva” um país a uma inflação x ou y?
O desastroso governo Sarney, a quem o pobre Mailson na época tentou dar algum rumo, não tem nada a ver com isso, não é?
Lamento decepcioná-la, mas devo informar a você que o ex-ministro é consultor respeitadíssimo e tem há anos seguidos acertado suas previsões e diagnósticos.