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22/12/2010

às 12:00 \ Política & Cia

Incitatus, o cavalo-senador do imperador Calígula, tinha ficha limpa e não fraudou o Orçamento

Amigos do blog, é imperdível este texto da coluna de hoje, quarta, 22, do jornalista Carlos Brickmann, sob o título de “E eles, cavalões, comendo”.

Desfrutem:

“O imperador romano Calígula [12 d.C.-41 d.C] nomeou seu cavalo favorito, Incitatus, para o Senado — naquele tempo, o Congresso só tinha uma Casa.

Há quem diga que Calígula nomeou Incitatus para demonstrar seu desprezo pelos senadores da época, um bando de gente sem espinha que só queria os favores do trono; há quem diga que, sem prejuízo de sua opinião sobre os parlamentares, Calígula nomeou Incitatus porque estava doido (o que também era verdade).

Incitatus tinha 18 assessores, dispunha de fortuna pessoal (colares de pedras preciosas), usava mantas nas cores reservadas ao imperador. Custava caro, Incitatus; mas até que seu mandato saiu barato, porque besteiras pelo menos não fazia.

Bons tempos, bons tempos. Incitatus se contentava com feno e alfafa, não dava muita importância às honras com que o cumulavam (uma estátua de mármore em tamanho natural, por exemplo, com base em marfim), e ao que se saiba jamais pleiteou cargos na administração nem fraudou o Orçamento.

Jamais recebeu sequer os salários referentes ao cargo; ignorava solenemente os múltiplos auxílios, ajudas, verbas, passagens. Nepotismo, nem pensar. Sua ficha era limpa, cândida — como cândida deveria ser a túnica de um candidato sem mancha.

Que os leitores perdoem este colunista pelas divagações históricas de fim de ano, que obviamente nada têm a ver com o presente. E pelas lembranças poéticas. O título deste artigo foi inspirado no “Rondó dos Cavalinhos”, do grande Manuel Bandeira: “Os cavalinhos correndo/ e nós, cavalões, comendo”.

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12 Comentários

  1. Adahir Gonçalves Barbosa

    -

    04/06/2012 às 16:36

    Sempre atual este artigo. Hoje, dia 04/06/2012, o brilhante comentarista Wálter Maierovitch comentou o mandato de Incitatus. A votação no senado romano da época também seria secreta e ninguém teria se atrevido a tentar defenestrar o cavalo senador, mesmo os que condenavam a audácia (ou loucura)do imperador Calígula…
    Em que mais poderíamos comparar esse fato histórico com a atualidade?

  2. alberto santo andre

    -

    22/12/2010 às 21:34

    E NO REINADO DE CALIGULA, TINHAMOS UM EQUINO NO SENADO ,HOJE TEMOS UMA LEGIAO DE ASNIDIOS NA POPULACAO E NOS TRES PODERES DA REPUBLICA , E TODOS COM FICHAS , ASSIM COMO ROUPAS DE MOTEL QUE NAO PODEM SER EXPOSTAS TAL A IMUNDICE..

  3. carlos nascimento

    -

    22/12/2010 às 17:24

    O sarcasmo do Brickmann é famoso, suas tiradas são geniais, sempre que êle aparece no vídeo eu fico morrendo de pena dos politicos (rs rs rs).
    Eu acredito que para os padrões atuais da Casa do Espanto o “equino romano” seria nomeado imediatamente Presidente da Casa, diante das calças arriadas e da vassalagem que atualmente impera por lá, quem tem rapunzel, duque, sirnei, e outros espécimes nobres, “Incitatus” seria um incremento biográfico consideravel.

  4. Isabel

    -

    22/12/2010 às 16:51

    “que obviamente nada têm a ver com o presente.” Caro setti, vc adora nos cutucar com vara curta.
    Sou defensora dos animais. Os cavalos carregaram a humanidade nas costas, desde que ela, a humanidade, existe.
    Nosso senado precisaria ser um Haras para abrigar tão Nobre Animal.
    Nossa fauna – do planalto/palácio(s)/senado/câmara(s)/assembléias & Cia -, é a peçonhenta/pestilenta/de rapina: não suporto ver nem em foto: tenho fobia.
    Sua coluna é uma das poucas páginas da imprensa brasileira que eu ainda leio. Gosto de sua ‘moderação’ que me ‘centraliza’… kkkkkk
    Já me prometi (estou quase conseguindo) várias vezes que não faço mais comentários políticos sobre nada, nem com ninguém.
    Me dá medo qdo vejo professores e jovens universitários completamente alienados. Qdo a cegueira coletiva chega onde não deveria, tudo está perdido.
    Quero me limpar. Ser só do bem (sempre tento).
    Felizes anos vindouros, para você & família, e para todos nós! Amém!

    Obrigado, e… amém!

  5. SergioD

    -

    22/12/2010 às 16:45

    Ricardo, ótimos o texto do Carlo Brickmann e o comentário do leitor Antonio Skoldharougs. Dentre os famosos Doze Césares, Calígula era o que certamente tinha mais parafusos frouxos.
    Parabéns aos dois.

  6. Paulo Bento Bandarra

    -

    22/12/2010 às 16:26

    Tenho dúvidas se Calígula (o sandalinha) tenha de fato “nomeado” para um cargo eletivo o cavalo que estimava, ou o colocou como candidato como crítica ao senado, e este foi eleito pelo povo que o admirava. Não é de duvidar pois tivemos vários exemplos na nossa história recente com o Cacareco, macaco Tião, Tiriricas ou Ervas Daninhas por este povo irreverente. Hoje em dia, em que o povo espera soluções advindas por apedeutas e analfabetos, não deveria ser muito diferente entre o povo romano mas simples daquela época!
    .
    A sua visão não era simpática também aos cristão:
    Suetônio foi um oficial judicial e analista de Adriano em torno de 120 d.C., quem escreveu A Vida de Cláudio, 25.4,:
    .
    “Como os judeus estavam fazendo perturbação constante a instigação de Crestus, ele os expeliu de Roma.”
    .

    Outra referência do cristianismo por Suetônio está na Vida dos Césares,26.2,:
    “O castigo de Nero foi infligido aos cristãos, uma classe de homens dada a uma nova e perigosa superstição.”
    .
    Gaius Caesar Germanicus, conhecido por Calígula morreu em 24 de Janeiro de AD 41, foi o terceiro Imperador romano. Muito antes de Suetônio nascer (69 – 132).

  7. José Américo C Medeiros

    -

    22/12/2010 às 16:10

    Incitatus para Presidente em 2014!

  8. Diocleciano

    -

    22/12/2010 às 15:20

    Eu votei na Dilma, mas lamento essas alianças que o PT vem fazendo.
    Acho que o PMDB deveria ser enfrentado. Ao invés de se aliar aos canalhas e corruptos desse partido ( Lobão, Sarney, Renan, Pedro Novais…) o governo deveria optar por se aliar com gente mais ética, entre os quais Pedro Simon, Jarbas Vasconcellos, Roberto Requião…Mas infelizmente esse pessoal é excessão, porque quem manda mesmo no PMDB é a banda podre. E como esse partido é fundamental para a governabilidade devido a seu peso lá no Congresso, o governo tem então que atender às exigências daqueles que detêm o controle do partido: que é justamente a banda podre.
    Enfrentar essa banda podre tornaria difícil a governabilidade, mas assim deveria ser porque o país não pode ficar refém dessa gente.
    Mas ,infelizmente, sei também que se essa banda podre do PMDB e de outros partidos fosse rechaçada pelo governo Dilma, por exemplo, eles ( a banda podre) iriam se juntar à oposição e a setores da imprensa (Veja, Estadão…) na crítica ao governo. Aí seria quase impossível à futura presidenta governar.

  9. Ruy de Godoy

    -

    22/12/2010 às 14:28

    O que dizer com isto? Que honestidade não é tudo?

  10. costamcs

    -

    22/12/2010 às 13:49

    Ótima postagem, está de parabéns o Carlos Brickmann pela lembrança histórica, apesar de “nada ter a ver com o presente”, rsrs!

  11. Antonio Skoldharougs

    -

    22/12/2010 às 13:05

    Caro Ricardo Setti,

    O engraçado que o nome ‘Calligula” significava, ‘botas pequenas’, Calli= botas militares, e o seu diminutivo é Calligula,no ‘romano’ antigo, O nome foi dado por um jovem soldado que montava, guarda ao vir o pé de Gaius, que media 34, sussurrou entre os demais guardas, chamando o imperador de Calligula, tarde demais, o imperador Gaius Julius Caesar Germanico, ouvira eles falarem, voltou procurou entre a tropa de guarda, quem dissera aquilo, com medo de morrer os demais denunciaram o autor da observação, então Gaius manda um dos seus alfarricoques* descer do cavalo e ceder o lugar ao observador de sua anatomia, o pobre todo tremulo, então Julius Gaius disse, -”muito bem meu caro goste da alcunha”, agora será um homem de minha confiança, pois um homem que critica o pé de um imperador, um senhor da morte e da vida, sem medo de morrer, é um bravo” . desde então o critico passou a ser o melhor amigo de Calligula, terminaram por morreram juntos, quando Calligula foi assassinado aos 29 anos, por um dos guardas pessoal do palácio.

    (Alfarricoque, é um pseudo soldado, eram muito usados, para criar uma barreira natural e proteger o imperador romano de ataques de flechas inimigas, ou para dar uma idéia de volume ao exercito, para parecer um grande exercito e afugentar o inimigo, alfarricoque era uma espécie de soldado figurante em batalhas).

    Li essa curiosidade, em uma dessas revistinhas de bordo.

  12. Tarik

    -

    22/12/2010 às 12:17

    Incitatus poderia ser escalado para o Ministério do Turismo, em lugar do deputado Pedro Novais.
    Afinal, restituição de despesas festivas em Motel, é algo para lá de inacreditável.
    Imaginem as festas dignas da decadência do império romano que os comensais não terão direito com a presença de mais um títere de Sarney no Ministério do Turismo!
    Ah, se Lina Vieira estivesse comandando a Receita Federal, o futuro ministro já estaria recebendo de Papai Noel uma intimação para justificar tal disponibilidade econômica de renda.

 

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