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26/01/2012

às 17:19 \ Política & Cia

Entidade que financiava o terrorismo do Hamas era dirigida por brasileiro, hoje na cadeia

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O brasileiro Shukri Abu Baker deixa o tribunal em Dallas, no Texas, em outubro de 2007. Ele cumpre pena nos EUA por financiar entidade terrorista; seu irmão Jamal, também brasileiro, foi dirigente do Hamas no Sudão e no Iêmen, e hoje está na convulsionada Síria (Foto: Jéssica Rinaldi / Reuters)

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A conexão brasileira do Hamas

Documentos da maior entidade de financiamento do grupo terrorista, fechada em 2001, revelam que seu ex-chefe é brasileiro e que seus agentes atuaram no país

Por mais que as autoridades brasileiras neguem, seguem aparecendo provas de que organizações terroristas de orientação islâmica estendem seus tentáculos no país. Em abril de 2010, uma reportagem de VEJA revelou as conexões de cinco grupos extremistas no Brasil.

Agora, a análise de processos judiciais e de relatórios do Departamento de Justiça, do Exército e do Congresso americanos expõe laços de extremistas que vivem aqui com a Fundação Holy Land (Terra Santa, em inglês), uma entidade que durante treze anos financiou e aparelhou o Hamas, o grupo radical palestino que desde 2007 controla a Faixa de Gaza e cujo objetivo declarado é destruir o estado de Israel.

A Holy Land tinha sede em Dallas, no Texas, e era registrada como instituição filantrópica. Descobriu-se que havia enviado pelo menos 12,4 milhões de dólares ao Hamas e que ajudava o grupo a recrutar terroristas nos Estados Unidos e na América do Sul.

Em 2001, entrou para a lista de organizações consideradas terroristas pela ONU e, em 2008, seus diretores foram condenados na Justiça americana por 108 crimes, entre os quais financiamento de ações terroristas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A maior pena, de 65 anos de prisão, foi para Shukri Abu Baker, fundador, presidente e diretor executivo da Holy Land, que hoje cumpre a duríssima pena numa cadeia do Texas.

Curiosamente, passou despercebido o fato de que Baker é brasileiro. Mais do que isso: durante muitos anos ele manteve operações no Brasil, e alguns de seus comparsas ainda estão por aqui.

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O manual: A Holy Land era uma entidade filantrópica de fachada, cujo verdadeiro objetivo era arrecadar fundos para o Hamas e montar células do grupo terrorista nos Estados Unidos e na América do Sul. A polícia americana encontrou entre os documentos da Holy Land um “Manual de Implementação do Plano para o Ano (1991-1992)”. Entre as metas estavam: “63 — Multiplicar o número de Ikhwans (milícias a favor da Jihad) no Brasil. (...) 161 — Completar a identificação do nível (de comprometimento) dos irmãos brasileiros e das Guianas. (...) 166 — Assegurar um computador e um gravador de fita para o Brasil. (...) 168 — Abrir Usras (grupos de doutrinação islâmica) no Brasil”

Shukri Abu Baker nasceu em Catanduva, no interior de São Paulo, em 3 de fevereiro de 1959. Sua mãe, Zaira Guerzoni, é filha de italianos e seu pai, Ahmad Abu Baker, um imigrante palestino.

Em 1965, Shukri, seus pais e seus dois irmãos mudaram-se para a Cisjordânia.

Ele terminou os estudos no Kuwait, mudou-se para a Inglaterra, onde fez faculdade, e em 1980 se estabeleceu nos Estados Unidos. Em 1988, com Mohammed El-Mezain e Ghassan Elashi, fundou a Holy Land. Enquanto isso, seu irmão Jamal Abu Baker, também brasileiro, adotava o nome de Jamal Issa e subia as escadas de poder do Hamas — primeiro na filial do Sudão e, depois, na do Iêmen.

Jamal, atualmente radicado na Síria, foi um dos líderes do Hamas a receber os 1 027 presos que Israel libertou em troca do soldado Gilad Shalit, em outubro passado.

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O indiciamento: Documento de 2004 do processo contra os diretores da Holy Land afirma: "Em ou por volta de 1988, a Fundação Holy Land para Assistência e Desenvolvimento ('HLF') foi criada, entre outros, pelos acusados Shukri Abu Baker, Mohammed El-Mezain e Ghassan Elashi, para dar apoio financeiro e material ao Hamas". Em outro trecho, o documento descreve uma reunião do grupo: "Os presentes discutiram a necessidade de esconder seus verdadeiros motivos e objetivos doando quantidades pequenas a outras obras de caridade não palestinas. O acusado Shukri Abu Baker expressou o consenso ao dizer: 'Podemos dar 100 000 aos islamitas e 5000 aos outros'".

Na transcrição de uma ligação telefônica feita no dia 30 de janeiro de 2000, Jamal e Shukri Baker discutem as vantagens de usar um programa de computador para fazer chamadas internacionais para o Brasil.

Os contatos com o país natal que realmente interessavam aos irmãos terroristas não eram os familiares. Eles tinham “negócios” por aqui. Prova disso é que a Holy Land pagou viagens de representantes do Hamas ao Brasil, a fim de arrecadar fundos.

El-Mezain esteve no país por três semanas em 1993, para conseguir dinheiro e “avaliar como andavam as atividades da Holy Land”, diz um documento da fundação. Entre os planos de ação para o ano de 1992 estava “aumentar o número de Ikhwans (milícias jihadistas) no Brasil”.

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El-Din posa como papagaio de pirata com Lula, em foto postada pelo xeque no Facebook

Segundo o depoimento do ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA) Roger Noriega ao Congresso dos EUA em julho passado, as operações da Holy Land na Tríplice Fronteira — região entre Brasil, Argentina e Paraguai — eram comandadas pelo xeque Khaled Rezk El Sayed Taky El-Din.

De fato, o clérigo islâmico aparece nas agendas telefônicas da Holy Land como um contato “importante” na América do Sul. Noriega também confirmou informações de que, em 1995, El-Din hospedou em Foz do Iguaçu Khalid Sheikh Mohammed, terrorista da Al Qaeda que organizou os atentados de 11 de setembro de 2001.

O xeque estava à frente da mesquita de Guarulhos havia onze anos, mas pediu demissão em junho passado. Hoje, é diretor para assuntos islâmicos da Federação das Associações Muçulmanas no Brasil (Fambras).

Procurado por VEJA, El-Din negou envolvimento com a Holy Land e com Shukri Baker. Outro contato da Holy Land no Brasil, de acordo com uma investigação encomendada pelo Departamento de Justiça americano em 2005, era Ayman Hachem Ghotme, considerado o principal arrecadador de fundos para o Hamas na Tríplice Fronteira.

O libanês chegou a ser preso em 1998 pela Polícia Nacional do Paraguai, suspeito de envolvimento com o grupo terrorista Hezbollah. Depois do fechamento da Holy Land, Ghotme teria passado a comandar uma célula do Hamas especializada em contrabando e tráfico de drogas em Foz do Iguaçu, onde reside até hoje. Na semana passada, a reportagem de VEJA foi informada por seus parentes na cidade de que Ghotme está no Líbano.

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O xeque: Entre os documentos da Holy Land há uma agenda em árabe intitulada “Importantes números de fax e telefone (seção Palestina/Fora da América)”. O 12º nome da lista é o de Khaled Taky El-Din, que então vivia no Araguai.

Documentos secretos divulgados pelo WikiLeaks revelam que os Estados Unidos não têm conseguido sensibilizar o governo brasileiro para prestar atenção nas conexões do terror estabelecidas no país.

Entre novembro de 2002 e fevereiro de 2010, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília produziu 279 telegramas que tocam nessa questão. Em duas dezenas deles, informa-se que os americanos pediram ao governo brasileiro a investigação de dezesseis pessoas e organizações ligadas ao terrorismo internacional.

As autoridades daqui se limitaram a pesquisar no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). No âmbito policial, a julgar pelo relato dos telegramas, nenhuma medida foi tomada. O governo brasileiro também hesita em estabelecer uma lei antiterror, alegando que ela atrairia terroristas, o que em raciocínio inverso equivale a dizer que ladrões só roubam porque existem leis de crimes contra o patrimônio.

“Não se percebe a relevância de uma lei antiterror porque até agora fomos poupados de ataques”, diz Rubens Ricupero, ex-embaixador nos Estados Unidos. Enquanto isso, extremistas estão livres para conspirar no Brasil.

(Reportagem de Julia Carvalho publicada na edição de VEJA de 21 de dezembro de 2011)

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5 Comentários

  1. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    30/01/2012 às 23:27

    Amigo Setti:
    Não me referi aos seu POST e sim aos comentarios abaixo.
    Quando o Libano estava sendo destruido e massacrado pelo Governo de Israel(não confundo Estado e Povo com seu governo).A população libanesa de origem brasileira numa memoravel e heroica ação do Estado Brasileiro por intermédio do Itamaraty e a FAB foram salvos, apesar da total falta de respeito a população civil pelo Exercito de Israel.Comboios de brasileiros conduzidos por membros do Itamaraty correram riscos de vida e que felizmente chegaram sãos e pelos aviões da FAB e seus heroicos pilotos,durante semanas mantiveram uma PONTA AÈREA INTERNACIONAL de SALVAMENTOS DE VIDAS – os meninos e hoje senhores ainda vivos do Senta a Pua, a cada missão gritavam Senta A Pua, Brasil! era uma missão que ao cumprirem na Italia ajudavam a destruição do NAZIFASCISMO e a missão dos pílotos da FAB no Libano era de salvar vidas de um mesmo sistema de destruuição de vidas humanas.
    Qual foi minha surpresa – essa operação era criticada,atacada dentro do Brasil pelos mais importantes órgãos da imprensa brasileira.
    Na carta dos leitores da Folha de S,Paulo,a maior triste das surpresas,tragiga surpresa e arrazadorra surpresa – UM JUDEU diz mais ou mesmo assim -”Venhma para o Brasil com o espirito de paz,da mesma maneira que nós JUDEUS viemos para cá,integrando nessa terra e abraçando ela.Não venham com ódios…” Ricardo Setti, quantos JUDEUS chegaram ao Brasil sobreviventes de um mostruoso NAZIFASCISMO salvos pelo heroico Emb Brasileiro na França – Souza Dantas e apoiados por outros.
    brasileiros da Embaixada do Brasil.
    Não era uma opinião de leitor de boas vindas e sim de ameaça – ” Se comportem estamos de olhos em voces!”
    Essa ameaça jamais poderia estar num JUDEU – a comunidade dos judeus do Brasil deveriam estar recebendo seus irmão de humanidade na fuga de um novo HOLOCAUSTO.
    Amigo Setti,meu sentimento humanitario continua o mesmo, sem com isso conter minha indigñação.Imagina a que pónto chegamos , um tal de Luiz Pondé articulista da Folha – diz que a Indignação é um sentimento de CANALHAS!
    A população palestina no Brasil é uma população iguais as judias,alemãs,polonesas… ninguem é responsavel pelo ato errado de um dos seus membros.
    Criminosos existem entre judeus,americanos,franceses,brasileiros,cristãos…
    No meu comentario – quis mostrar que o caminho do ódio seja qual for pólitico,parrtidario,racial,religioso terminárá no caminho de massacres.
    Foi o que quis colocar.
    Um grande abra;o
    Pedro Luiz.

  2. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    30/01/2012 às 19:37

    Vamos colocar todos os palestinos especialmente os de origem brasileiros em campos de concentrações e depois de exterminios?
    Não esquecer depois todos os que pensam diferentes,de diferentes sexualidades,de diferentes etnias – UAU que barato!né?

    Meu amigo Pedro Luiz,

    De onde você tirou, no texto que publiquei, que defendo essa ideia pavorosa que você menciona?

    O rapaz foi condenado à prisão por acusações sérias, não é mesmo?

    Abraço

  3. Corinthians

    -

    26/01/2012 às 20:23

    Estando ainda sob um governo petista – e portanto irresponsável – temos o veto a toda e qualquer tentativa de tipificação em lei do terrorismo.
    Afinal se isso for feito, como justificar o Battisti ? Ou o MST ? Ou a Dillma ?
    Enquanto isso inocentes morrem em favor da “causa”…

  4. Eduardo

    -

    26/01/2012 às 19:33

    O Brasil, para muitos países, é aquele primo permissivo que convive com gente de baixa índole; a ovelha negra que, se morrer não fará falta alguma.

  5. roberto

    -

    26/01/2012 às 18:56

    Se for feita uma investigação um pouco mais séria,verificarão que ambos devem ser filiados ao PT.


 

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