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20/07/2012

às 19:30 \ Política & Cia

Dilma já fala em sua reeleição e aos poucos vai montando o “seu” PT

AS NOVAS ESTRELAS Paulo Bernardo (no alto), Padilha (à dir.), Gleisi, Pimentel e Mercadante: os ministros de confiança foram escolhidos por Dilma para tratar da sua reeleição e comandar o PT após o julgamento do mensalão (Montagem sobre fotos: Ag. O Globo / FolhaPress / ABr / AE)

AS NOVAS ESTRELAS -- Paulo Bernardo (no alto), Padilha (à dir.), Gleisi, Pimentel e Mercadante: os ministros de confiança foram escolhidos por Dilma para tratar da sua reeleição e comandar o PT após o julgamento do mensalão (Montagem sobre fotos: Ag. O Globo / FolhaPress / Agencia Brasil / Agência Estado)

(Reportagem de Otávio Cabral publicada na edição de VEJA que está nas bancas)

 

O PT de Dilma

Os conflitos entre aliados na eleição municipal levam a presidente a montar grupo de ministros petistas para cuidar da articulação com os partidos e comandar sua campanha à reeleição em 2014, assunto sobre o qual ela já fala abertamente

 

Até agora, Dilma Rousseff era um raro caso de alguém que fez sucesso na política praticamente sem tê-la exercitado. Em sua primeira experiência eleitoral, quando não era uma liderança nem mesmo em seu partido, foi eleita presidente do quinto maior país do mundo.

Para isso, contou com a popularidade de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Em seus primeiros dezoito meses como presidente, seguiu a mesma cartilha do tempo em que era ministra e concentrou-se nas questões administrativas – nem aí para a política. Essa parte foi deixada nas mãos de Lula e do PT.

De novo, foi um sucesso. Seu governo atingiu índices de aprovação popular maiores que os do anterior.

Começam os problemas, e a receita a desandar

No último mês, porém, a receita deu para desandar. Convalescendo do tratamento de câncer, Lula deixou a articulação política e focou suas ações na eleição para prefeito de São Paulo.

O PT passou a defender interesses contrários aos de Dilma, como a defesa dos réus do mensalão. E, aproveitando o período eleitoral, partidos aliados, como o PSB e o PMDB, começaram a desafiar o governo.

A gota-d´água foi o caso Belo Horizonte, cidade onde o PSB rompeu com o PT e se aliou à oposição. Prevendo turbulências no horizonte, Dilma decidiu pilotar o próprio voo. Convocou cinco de seus ministros mais próximos e montou um grupo que será responsável pela costura política do governo e pela sua campanha à reeleição em 2014 – assunto que ela passou a mencionar abertamente. Com isso, deu o primeiro passo para montar seu próprio PT e afastar-se da órbita de Lula.

Nas duas últimas semanas, a presidente reuniu-se três vezes no Palácio da Alvorada com os ministros de sua nova tropa de elite: Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Ber­nardo (Comunicações), Aloi­zio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). São todos petistas históricos, sendo que os dois primeiros já eram ministros no governo Lula.

Dilma percebeu que precisava dedicar mais tempo à política

Hoje, não apenas são os auxiliares mais próximos de Dilma, como também seus principais conselheiros políticos. É a eles que a presidente recorre quando precisa se informar sobre eleições e é a eles que confia missões delicadas como as que envolvem negociações com os partidos aliados e o Congresso.

“A definição dos palanques municipais começou a sair do controle do governo e fez a presidente perceber que precisa dedicar mais tempo à política. Como ela não gosta muito do tema nem tem experiência partidária, montou uma equipe de confiança para isso”, diz um dos cinco ministros do grupo.

A primeira reunião da equipe foi convocada pela presidente assim que ela foi informada da crise na eleição de Belo Horizonte. Na cidade, havia desde 2008 uma inusitada aliança, com os rivais no plano nacional PT e PSDB apoiando o prefeito Marcio Lacerda, do PSB. Agora, o PSB decidiu romper com os petistas e manter o acordo apenas com os tucanos.

A disputa em Belo Horizonte se torna questão nacional

Há três fatores que colaboraram para transformar uma disputa local em uma questão nacional – e de honra – para a presidente. Belo Horizonte é sua cidade natal. O líder do PSDB local é o senador Aécio Neves, seu provável rival em 2014. E o mentor da aliança foi Eduardo Campos, presidente do PSB, governador de Pernambuco e, embora aliado do governo, possível adversário de Dilma em 2014.

Diante disso, a presidente resolveu usar a força do governo para equilibrar o jogo na capital mineira: lançou a candidatura do ex-ministro Patrus Ananias, do PT, e levou para o seu palanque uma dezena de partidos, inclusive o PMDB e o PSD, o que lhe dará o maior tempo na propaganda de televisão. “Dilma se recusava a entrar na campanha municipal. Mas ela viu que o caso de BH terá influência direta em 2014. Foi a primeira vez que a vi falar em reeleição”, afirma outro ministro do grupo.

Bacalhau, sopa de legumes, vinho nacional — e um recado duro

Na semana passada, a presidente se reuniu com Eduardo Campos e com o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), em um jantar no Palácio da Alvorada. Acompanhada de Paulo Bernardo e Gleisi, serviu bacalhau, sopa de legumes e vinho nacional – e foi dura no recado. Em tom cordial, reafirmou o desejo de continuar ao lado dos socialistas em 2014, mas deixou claro que não aceitará que a eleição municipal sirva de instrumento de chantagem contra ela.

Qualquer que seja o resultado, Eduardo Campos não substituirá Michel Temer como vice em sua chapa. E uma eventual tentativa de voo-solo de Eduardo será interpretada pelo governo como um rompimento. No dia seguinte, Dilma se encontrou com Temer para reforçar que o PMDB seguirá como o principal aliado do governo e que ela nada fará para impedir que o partido ocupe a presidência da Câmara e a do Senado em 2013.

Historicamente, as eleições municipais servem como aquecimento para a disputa presidencial. Neste ano, há outros fatores que ajudam a levar a sucessão de Dilma ao tabuleiro. O principal é a convicção – no governo e em parte da oposição – de que Lula não tentará voltar à Presidência.

Além dos problemas de saúde – que hoje dificultam sua fala e locomoção e inviabilizam a participação em uma campanha nacional -, ele perdeu parte da influência que tinha sobre o eleitorado. Hoje, segundo o Datafolha, Dilma é um cabo eleitoral mais eficiente do que Lula em São Paulo.

Há ainda o julgamento do mensalão, em agosto, que, em caso de condenação dos réus, tenderá a enfraquecer o PT de Lula e José Dirceu. Dilma sabe que precisa montar seu próprio PT para buscar um novo mandato. E dá mostras de que, para obtê-lo, está disposta até a fazer política.

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13 Comentários

  1. Gustavo W.T.

    -

    11/08/2012 às 13:46

    Eu tinha 4 anos. Meus pais não tinham dinheiro para pagar as contas básicas de um lar na década de 70 (ditadura do Geisel e do Figueiredo que não gostava do nosso cheiro de pobre), a inflação disparou na década de 80 (PDS do Sarney) e passei fome. Aí chega no poder o PSDB com a reforma econômica. E daí? As reformas sociais não foram feitas pelo sociólogo e professor Fernando Henrique, o Garboso. Mesmo sem inflação, minha família ainda estava no zero. Zero em tudo. Zero na Saúde. Zero na Educação. Zero no salário. Votamos no PT do Lula. Deu certo. Pelo menos temos um salário que põe comida na mesa, estamos estudando muito, temos emprego. Há uma luz no fim do túnel! Continuo PT até morrer! Nesse momento das nossas vidas, concordo com a frase OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS. EU NÃO ESTOU NEM AÍ PARA OS OUTROS PARTIDOS. REELEIÇÃO DA DILMA JÁ. PT DEVE SER REELEITO PARA OS PRÓXIMOS 1000 ANOS.
    Quanto ao mensalão, tem gente de vários partidos que está envolvida! E querem saber? Vai acabar em pizza. Pelo menos posso comer pizza, arroz, feijão, etc.

  2. RONALDE

    -

    23/07/2012 às 21:16

    Discordo do colunista. Lula está aguardando a definição da eleição de outubro para entrar com tudo nas tratativas da sua eleição à presidência. Dessas, é muito provável a ocorrência de intensa tentativa de sabotagem do governo Dilma e mostrar a ela que os 4 anos serviram somente para amaciar a cadeira. Segundo comentário do “Finantial Time”, Lula não deixou a presidência, tanto no âmbito nacional, como no internacional, ao palpitar em políticas de países da América do Sul. É um fato.

  3. Natal Santana

    -

    23/07/2012 às 19:09

    A única coisa boa nessa notícia é que a nova postura de Dilma poderá (deverá) rachar o PT. Porque dentro do partido não há salvação, seja quem for o candidato/governante, não tem como escapar das amarras que está no DNA do PT!

  4. Oliveira

    -

    21/07/2012 às 16:33

    Lula é uma página negra da história que fica para trás, felizmente.
    PS: Dilma, na verdade, é PDT.

  5. Francisco da silva

    -

    21/07/2012 às 11:51

    FOCO, amigos.

    Dilma ainda não é a bola da vez.
    Temos que EXTERMINAR seu Criador de 9 Dedos, e isso ocorrerá em Outubro próximo.

  6. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    21/07/2012 às 11:49

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    Toda a solidariedade ao grupo Tortura Nunca Mais do Rio!

    Esperamos que sejam investigados e exemplarmente punidos os responsáveis por mais este ato de violência. Não podemos admitir que a impunidade e a intolerância continuem a assombrar as nossas vidas.
    Pela vida e pela paz. Tortura Nunca Mais.

    Dayse Souza.

    http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/07/governo-federal-repudia-invasao-do-grupo-tortura-nunca-mais-no-rio-de-janeiro

    Cidadania
    Governo federal repudia invasão da sede do Tortura Nunca Mais do Rio
    “Diante dos fatos ocorridos, consideramos inaceitável o ataque a uma entidade que realiza um trabalho fundamental na defesa dos direitos humanos”, disse a secretaria de Direitos Humanos da Presidência

    Por: Redação da Rede Brasil Atual

    Publicado em 20/07/2012, 18:57

    Última atualização às 18:57

    São Paulo – A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República solicitou à Polícia Federal hoje (20) que acompanhe as investigações das ameaças anônimas recebidas pelo grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, bem como a ocorrência da invasão da sede da entidade.

    O local foi invadido ontem (19): arquivos foram revirados e documentos foram roubados, mas objetos de valor permaneceram intocados. O invasor não arrombou nenhuma porta. Há nove dias, a entidade havia recebido uma ameaça anônima, que dizia para que os ativistas tomassem cuidado. “Querem nos amedrontar, mas continuaremos com nossa luta”, afirmou à Rádio Brasil Atual Victória Grabois, diretora do Tortura Nunca Mais do Rio, que pede a punição aos assassinos e torturadores da ditadura.

    “Diante dos fatos ocorridos, consideramos inaceitável o ataque a uma entidade que realiza um trabalho fundamental na defesa dos direitos humanos”, disse o órgão da Presidência. “Mais grave se torna o fato diante da dedicação do grupo Tortura Nunca Mais à democracia e ao combate à tortura nos dias de hoje.”

    A Secretaria de Direitos Humanos avalia que o país vive um momento recuperação da memória e da verdade histórica que levarão ao amadurecimento da democracia brasileira. “Consideramos fundamental que estes episódios sejam rapidamente investigados e solucionados, para que se esclareçam as reais causas da violência contra a entidade e para que ela tenha plenas condições de continuar a realizar seu importante trabalho.”

    Tags: comissão da verdade, direitos humanos, ditadura, in

  7. etiene

    -

    21/07/2012 às 10:25

    ESSE É O QUINTETO DE OURO, MAS OURO DE TOLO, PARA OS TOLOS ELEITORES BRASILEIROS QUE GOSTAM DE MERDA.

  8. Geraldo de Freitas

    -

    21/07/2012 às 8:39

    A alternância no poder é sempre salutar; o PT teve sua chance e não soube aproveitar a conjuntura mundial para reforçar a economia do Brasil. Não fez os investimentos necessários nem reduziu o custo do governo.

  9. Dina Marcoleti

    -

    21/07/2012 às 8:08

    O analista de Acarajé está delirando, ao que parece.
    Dilma não tem condições de dar um passo sem pedir a benção de Lula e do partido.
    E se ela pensa que pode se aproveitar do mensalão para fritar quem realmente comanda a máquina partidária, não se dá conta de como funciona o lulopetismo construído por Dirceu.
    Aliás, Dilma deveria se ater exclusivamente ao governo, porque os resultados até agora são pífios em todos os setores.
    Aproveitar a banda de música do velho udenismo lacerdista para fazer demagogia contra a corrupção tem limites estreitos e curtos para sustentação da popularidade e nunca foi suficiente para arregimentar votos.
    O tempo da vassourinha fazer milagres passou e deu no que deu.
    Não fora a incapacidade da oposição de se entender entre si, onde avulta a falta de sintonia protagonizada por Aécio e Serra, sem que FHC tenha autoridade suficiente para assegurar a unidade tucana, e Dilma já estaria no córner.
    Indústria, salários, empregos, PIB, infraestrutura, educação, greves… tudo vai mal.
    Governo nenhum termina bem desse jeito.

  10. Corinthians

    -

    21/07/2012 às 2:20

    Sinceramente ?
    Ela realmente parece ser menos nociva que os petistas tradicionais e que o grande líder.
    Mas eu já errei antes (votei na Marta achando que ela seria menos nociva que Maluf… ledo engano…), então não quero arriscar.

  11. Márcio

    -

    20/07/2012 às 23:06

    Nunca vi tanta contradição em tão poucas palavras. hehehe.
    1) Dilma vai montar um “novo” PT , mas com 2 ex-ministros do governo Lula e 2 petistas históricos. Cadê o novo? kkk
    2) Não foi Dilma que escolheu Patru, mas a cúpula do PT.
    3) “Lula perdeu parte da influência sobre o eleitorado”. Mentira, segundo pesquisas, o povo gosta de Dilma, mas prefere Lula.
    4) Mensalão vai enfraquecer o PT. Enfraquecer como se o PT é o partido mais FORTE do Brasil e está na presidência há 10 anos com vistas a mais 6 anos sendo Dilma uma candidata quase imbatível e a oposição estando quase dizimada?

  12. Milo

    -

    20/07/2012 às 21:10

    Tudo isso não passa de conversa fiada. Ela é inepta e esses cinco operadores são mais ainda.
    Quem dita os rumos é o Lula mesmo.

  13. Luiz Pereira

    -

    20/07/2012 às 20:05

    Setti,
    Se a economia se recuperar e não surgir nenhum mega escândalo, ela é forte na reeleição.
    Se a economia andar a passo de cágado, vai ser difícil. Em um país de opinião livre, o sentimento de mudança é natural.
    abs

 

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