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09/04/2012

às 19:31 \ Política & Cia

Conversas de Dilma com Obama deixaram de lado compra de aviões e a reivindicação de o Brasil ter assento no Conselho de Segurança da ONU

Dilma e Obama no Salão Oval: compra de aviões e Conselho de Segurança fora da agenda (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República)

Observadores consultados pelo blog a respeito da visita oficial da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, depois de examinarem o conteúdo da declaração conjunta emitida por ela e pelo presidente Barack Obama e as declarações feitas por ambos aos jornalistas, chamam a atenção para o clima de bom entendimento em que transcorreram as conversações e ressaltam os elogios feitos ao Brasil pelo inquilino da Casa Branca — incluindo algo que pode cutucar vizinhos como a Argentina, quando mencionou ”o extraordinário progresso que o Brasil fez” para tornar-se ” não apenas uma voz de liderança na região [América do Sul], mas uma voz de liderança no mundo”.

Notam, porém, três pontos-chave:

1. Embora Obama tenha se estendido em elogios a aspectos das políticas públicas do Brasil, como a política energética, e ao crescimento econômico do país como um todo, as conversações — oficialmente — não incluíram o ponto sensível que é a compra de jatos supersônicos para a Força Aérea Brasileira, a que a americana Boeing concorre e na qual os americanos têm grande interesse, nem o cancelamento, pela Força Aérea dos Estados Unidos, da compra de um grande lote de aviões de treinamento e Tucano, fabricados pela brasileira Embraer.

2. Dilma reclamou da política de expansão monetária dos Estados Unidos, e isto foi registrado. Mas ficaram no ar reclamações brasileiras sobre o fato de o comércio entre os dois países — que chegou a nutridos 74 bilhões de dólares no ano passado — estar atualmente deficitário para o Brasil, e de que as compras americanas no país cada vez mais se concentram em comodities, em desfavor de produtos manufaturados, que têm maior valor agregado.

3. Os Estados Unidos, que apoiam formalmente as pretensões da Índia a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, e que, informalmente, já deram sinal verde para a Alemanha e para o Japão, não tocaram no assunto durante a visita de Dilma. Ou seja, a diplomacia brasileira, neste ponto crucial, não avançou um milímetro — mesmo que a ênfase conferida pelo governo Dilma às relações com países-pária como o Irã, a Venezuela e Cuba sejam muito inferiores à do governo Lula.

Leia mais sobre o encontro no site de VEJA.

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14 Comentários

  1. J.B.CRUZ

    -

    11/04/2012 às 11:31

    Peraldo Tavares, sem mais delongas,comentário pertinente…”"O QUE É BOM PARA OS E.U.A,TAMBÉM É BOM PARA O BRASIL”"….

  2. Reynaldo-BH

    -

    10/04/2012 às 12:32

    Sr. Paulo Fernando,
    releia.
    Ou terei que postar comentários como os jornais ingleses (que explicam a piada no rodapé da mesma) ou abrir mão de ser irônico.
    A pressa (em ler) é inimiga da compreensão.

  3. Mari Labbate *44 Milhões*

    -

    10/04/2012 às 9:57

    Querido Setti: as monarquias brasileira, britânica e espanhola estão sôfregas: submergiram, totalmente! Foram com tanta sede ao Pote-Sagrado, que sufocaram-se. É a presença do desmedido-apetite: em vez de saciação-feliz, pelo excesso de volúpia, perderam o Prato-Sagrado. Os comunistas-petistas-golpistas fizeram inúmeras falsas-promessas, na Campanha Eleitoral de 2010, e somente AGORA perceberam que o Brasil não é autosuficiente e necessita, vitalmente, dos outros Países-Sagrados do Planeta Terra. É O EFEITO- MAROLINHA! Graças a Deus! Quem vem pela esquerda, na Vida, paga altíssimos preços. Pesquise sobre um estudo relacionando sexo à política, na França, e surpreender-se-á com os resultados obtidos. Os “donos-da-verdade” SEMPRE desrespeitaram, intensamente, os Estados Unidos e AGORA tiveram que, através da Justiça Divina, pedir-lhes SOCORRO! Percebe-se que o Presidente Barack Obama foi bem mais gentil com a Dama, do que a Madame Merkel. Junto com o amigo Tico-Tico, observo que a Dona Diluíza II, nessa fotografia, negou-se a encontrar-se nos olhos de Obama e matou o sorriso-aberto: o mais sincero de todos. É sinal de traição = estou aqui, porque sou obrigada pelas circunstâncias = esse gesto representa não-aceitação à Força-Maior-Planetária: Jesus Cristo. Lembremo-nos sempre do maravilhoso movimento do VAI-VEM, pragmaticamente, difundido. Lula-Dilula = rebeldia máxima! Já estão sendo corrigidos pelo Universo. O Brasil não está preparado para ocupar cargo tão importante na ONU, pois incendiaria o Planeta, na primeira reunião. CRUZES!

  4. Ismael

    -

    10/04/2012 às 9:16

    Esse discurso da Dilma de repreeender os países mais ricos pela emissão excessiva de moeda já tá virando piada. Falta alguém menos polido pra lhe dizer que os países sabem que isso é um erro, mas adotado propositalmente e conjunturalmente (como a Angela Merkel tentou mas não conseguiu)e que talvez fosse melhor o Brasil adotar tres remédios caseiros: controle de gastos públicos, redução de juros e combate à corrupção. De resto a visita foi totalmente inócua e resultou num tal de tratado da cachaça e do bourbon.

  5. Paulo Fernando

    -

    10/04/2012 às 8:11

    Sr. Reynaldo de BH, por acaso é parente próxima da ministra Maria do Rosário, sim aquela que diz que em Cuba há democracia?
    Que comentário mais retrogrado esse, comparar os EUA com Cuba e Venezuela, lastimável e deprimente.

  6. Paulo Roberto de Almeida

    -

    10/04/2012 às 6:10

    Este argumento NÃO tem nenhum significado:
    “ficaram no ar reclamações brasileiras sobre o fato de o comércio entre os dois países — que chegou a nutridos 74 bilhões de dólares no ano passado — estar atualmente deficitário para o Brasil, e de que as compras americanas no país cada vez mais se concentram em comodities, em desfavor de produtos manufaturados, que têm maior valor agregado.”
    Em países capitalistas “normais”, como são os EUA, o governo não tem nenhuma responsabilidade, papel, importância em relação ao que importam agentes privados. Não são os EUA que importam e sim importadores privados. Se não compram mais manufaturados do Brasil — e compram centenas de bilhões de dólares do resto do mundo — deve ser porque encontram melhores e mais baratos em outros lugares.
    Estou errado?
    Paulo Roberto de Almeida

    Claro que você está certo, Paulo Roberto. Mas os governos tratam desses assuntos, rotineiramente, defendendo os interesses das empresas nacionais — uma vez que governos sempre podem influenciar, como de fato fazem, nas transações internacionais. Tudo o que se conversa entre governos sobre comércio bilateral refere-se a transações privadas (e em alguns casos, de estatais, infelizmente ainda no caso do Brasil), mas o tema é sempre presente nesses encontros

    Abraço

  7. Peraldo Tavares

    -

    10/04/2012 às 4:47

    Os velhos bordões foram abandonados. Até que enfim.
    Adeus à esquerda panfletária do PT (sabemos que não é o verdadeiro ninho de D. Dilma). Parabéns presidente pela objetividade da agenda focada na obtenção recursos que mudarão a vida do povo brasileiro. Foi por isso que votaram na senhora. O povo não sabe e não quer saber das rusgas internacionais dos EEUU. São uns brigões, mas são evoluídos. A nós interessa apenas aprender com quem tem o que oferecer. Ignorar isso seria um absurdo. Se Brizola estivesse vivo estaria orgulhoso da senhora.

  8. Reynaldo-BH

    -

    10/04/2012 às 0:37

    Senti falta da cobrança de Dilma sobre Guantánamo.
    Senti falta da defesa de Dilma ao fim do embrago a Cuba.
    Senti falta de Dilma expor a Obama o que fez com Merkel: não depreciem sua própria moeda pois está afetando o Real.
    Senti falta de Dilma não defender a soberania do Irã e do programa nuclear com “fins pacíficos”.
    Senti falta da defesa do Hamas.
    Dilma mudou?
    Obama, pelo jeito, não.
    Continua considerando o Brasil não preparado para o tal assento no Conselho de Segurança.
    Dilma – no dizer do embaixador Jório – é errática.
    Diz o que se espera para quem está ouvindo.
    E mais uma vez, ninguém consegue entender o que pretende o Brasil em matéria de Relações Externas.
    O que só é surpresa para quem não convive – como nós – com Dilma, Patriota e Amorais.
    A mais profundamente estranho é que Dilma precisa estar em New York para se reunir com empresários brasileiros e solicitar a estes que exponham aquilo que os angustia. Como se não soubesse…
    (só ela descobriu AGORA que a pauta de exportações do Brasil está em declínio há 4 anos! Haja milho, minério e soja! Os ditos manufaturados pagam impostos, fretes, custos de transportes, juros absurdos para capital de giro, etc. Qual a solução lulopetista? Os países ricos devem “quEbrar” o galho e DEIXAREM DE SER COMPETITIVOS! PARA QUE POSSAMOS VOLTAR A SER! Assim, Obama que pare de injetar dinheiro na economia americana! Está prejudicando o Brasil… Nossa Senhora!)
    Ou fora do Brasil o discurso não será lido pelos que cá ficamos?
    Ainda bem que Dilma visita com muito menos constância Europa e USA do que à Cuba e Venezuela.
    O estrago é menor…

  9. Tico tico

    -

    10/04/2012 às 0:26

    Assim como o Lula não encarava Fernando Henrique Cardoso de frente, o mesmo está fazendo a guerrilheira com o Obama. Basta vermos a foto. Em tempo: Ela que participou do sequestro do embaixador americano, não estava proibida de entrar nos Estados Unidos?

  10. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    09/04/2012 às 23:36

    Amigo Setti:
    A Presidenta Dilma representou o Brasil com dignidade e respeito.
    Meu abraço
    Pedro Luiz

  11. Fernando

    -

    09/04/2012 às 23:09

    …que bom!…já descobrimos o que falta para nosso país ficar na bôa…Agora é só dizer para os candidatos da oposição, e pronto: estará tudo resolvido!!!

  12. G. Carvalho

    -

    09/04/2012 às 22:13

    Até quando repetiremos essa ladainha do assento permanente no CS da ONU? Lembro-me de que até FHC, que é bastante inteligente, deixou-se enlevar por essa cantilena. Isso é lá prioridade para um país cuja população exibe 10% de analfabetos plenos, além dos 40% de analfabetos funcionais, muitos com assentos mais que permanentes em várias de nossas entidades governamentais? Com armas nucleares, estaríamos talvez mais perto dessa coisa, mas quase certamente teríamos, como resultado, um número maior ainda de analfabetos de todos os matizes. Afinal, queremos ou não melhorar a situação do nosso povo, que paga tributos de porte europeu, mas continua recebendo do governo serviços, inclusive educação, de qualidade moçambicana? Prioridade, gente. Prioridade. Deixemos as litanias para depois. Vamos alfabetizar essa multidão, a começar pelos analfabetos funcionais, que causam ao País um dano maior.

  13. RONALDE

    -

    09/04/2012 às 21:41

    Menos mal que esses assuntos não estiveram em pauta.Salvo pela megalomania do deus do Brasil(Lula), tais assuntos são completamente irrelevantes no momento e quiçá no futuro.

  14. Marcondes Witt

    -

    09/04/2012 às 19:55

    Curioso que o tema recorrente nos órgãos de imprensa em geral (Direitos Humanos / Guantánamo) quando da visita à Cuba, não foi objeto de questionamento nesta visita aos EUA (assim como não foi quando da visita à China em 2011).

 

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