Blogs e Colunistas

27/11/2011

às 19:02 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: A corda das puxa-sacas, Sarney, o vazamento da Chevron…

Serys Slhessarenko (PT-MT).

Serys Slhessarenko (PT-MT): não é mais senadora, mas continua causando (Foto: Agência Senado)

Como de costume no blog, aos domingos reproduzo notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica em 5 jornais. Hoje, as quatro primeiras notas. Seu título original é o que está abaixo, em negrito.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

A corda das puxa-sacas

Dois ministros com dificuldades para explicar-se, vazamento de óleo no mar, obras da Copa atrasadíssimas, inflação bem acima da meta, crise internacional que, por melhor que estejamos, vai-nos criar grandes problemas.

E com que se preocupam nossos nobres parlamentares? Em aprovar, discretamente, um projeto de lei da ex-senadora petista Serys Slhessarenko que obriga as instituições de ensino a colocar no feminino os títulos obtidos por mulheres. O projeto está agora na Presidência da República. Se a “presidenta” o sancionar, a bobagem vira lei.

“Presidenta”, vá lá: a palavra está dicionarizada. Talvez não seja obrigatória, já que o cargo não exige diploma. Mas imaginemos outras profissões. Mulheres militares, por exemplo, devem ser chamadas de “coronela”, ou “tenenta”, ou tenenta-coronela? São postos que exigem curso na Escola de Comando e Estado-Maior. E as graduadas, mas não “oficialas”? Cabos mulheres, no Exército e na PM, serão “cabas”? Se uma mulher ganhar o Nobel, será uma “Prêmia Nobela”?

Talvez possamos chamar as moças que receberam treinamento para capataz de “capatazas”. Ou, digamos, vamos pensar numa escrevente. O substantivo é comum aos dois gêneros – como presidente. Se insistem em “presidenta”, por que não “escreventa”? Amanuense também é comum aos dois gêneros; mas, seguindo as normas, seria preciso criar “amanuensa”. Ou “guarda-livras”.

E se a moda se expande? Em Portugal, “puto” é o nome que se dá a um menino. Mas não se pode, impunemente, usar o feminino para denominar as meninas.

Me engana…

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Sarney: "Eu não tenho futuro, tenho passado" -- e que passado!


Frase do senador José Sarney, PMDB do Amapá, presidente do Congresso:

-”Eu não tenho mais tempo, eu não tenho futuro, tenho passado”

E que passado!

…que o governo gosta

Que tal a ação dura do governo contra a Chevron, com multas e proibições? Seria ótima se fosse verdade.

Mas não é: governo e Chevron se entendem bem.

1 – No dia 24, a Agência Nacional de Petróleo, ANP, decidiu proibir as operações da Chevron no poço onde houve o vazamento de petróleo. No dia 23, informa o sempre bem-informado colunista Cláudio Humberto, a Chevron americana divulgou nota anunciando “a suspensão voluntária das operações”.

Brasileiro é tão bonzinho que só no dia seguinte determinou à multinacional que fizesse exatamente aquilo que ela já tinha, publicamente, decidido fazer.

2 – O presidente da Chevron para a América Latina, Ali Moshiri, prometeu cumprir a decisão da ANP – que, aliás, coincidia com a que a Chevron já tinha resolvido.

E desde quando o gringo decide se vai cumprir uma decisão oficial?

3 – O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (mas se o chamarem de José Sarney ele fica muito feliz), explicou que a Chevron não foi proibida de trabalhar no campo de Frade, onde fica o poço que vazou.

Imagine! Ela fica com seus onze poços que já estão rendendo, e não trabalha no que deu problemas.

Sem olhos em Frade

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Será que o presidente da Chevron no Brasil não vê as fotos do vazamento?


Aliás, notou que o presidente da Chevron no Brasil, aquele que parecia um boneco repetindo frases gravadas, sumiu do cenário?

Foi trocado por seu chefe, o presidente para a América Latina. E este é quem diz que hoje a mancha de petróleo já desapareceu, e que só falta recolher 10% de um barril – algo como 16 litros.

Puxa, o homem é presidente da empresa e nem mostram as fotos para ele!

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14 Comentários

  • eu

    -

    30/11/2011 às 22:02

    Tuco,querendo bancar o inteligente,o que o senhor fez,foi dizer nada. Talvez por ser o que o senhor tenha em sua cabeça: Nada. Ou quem sabe,algumas aspas…

  • Tuco

    -

    29/11/2011 às 14:52

    .

    Eu – 29/11/2011 às 1:43

    O ilustrado Eu (eu não, o senhor!)
    se superou! Formidável!
    Gostando de mulher inteligente, vai
    minha humilde sugestão: veja se
    consegue assimilar algo.


    .

  • Eu

    -

    29/11/2011 às 1:43

    Tem uma aí que disse: A questão é o seguinte,a Dilma não é feminina. Se ela entende por feminina ser coquete,a Dilma não é mesmo. Mas,ela é bonita sim,não sou só eu que acho,deixem de serem mesquinhos. Puxa,será que o brasileiro não sabe analisar as coisas e pessoas pelo conteúdo,ao invéz da forma. Se não gostam da Dilma polticamente,muito justo,mas,querer que ela seja uma cocotinha só pra provar que é mulher!!! Façamos o inverso,que as cocotinhas sejam inteligentes o bastante para chegarem onde ela chegou. garanto que vai ser mais fácil pra Dilma bancar a cocotinha que elas deram demonstração de inteligência. Depois tem mais,gosto,como disse,são gostos,o Datena,por exemplo,disse que acha a Dilma bonita e que ela faz o tipo dele. Não acho que ele devesse dizer isso,mas,enfim,fica a prova de que nem todo homem acha a Dilma feia,sem atrativos como muher,sem feminilidade etc,etc,etc… Eu sou do tipo de homem que gosto de muher inteligente,se for bonita,netão nem se fala. E eu acho a Dilma as duas coisas.

  • Marcelo Dornelas

    -

    28/11/2011 às 12:17

    Leiam com bastante atenção isso:política partidária não é nada se você não fizer política de base,se você não tiver militância você não tem nada,portanto a direita conservadora precisa criar raízes profundas e ganhar universidade por universidade,ONG por ONG,sindicato por sindicato,movimento social por movimento social,mídia por mídia.

  • CLARA FOX

    -

    28/11/2011 às 10:59

    Se a questão de gênero se resume à terminação em vogal “a” ou “o”, como é que ficam os homens dentistas, urbanistas, paisagistas, artistas, cartunistas, comentaristas, analistas, cardiologistas, oftalmologistas, ativistas, terroristas, machistas, humoristas, e tantos outros? Os homens não vão reagir?
    E se os substantivos comuns aos dois gêneros não servem para mulheres, servem para os homens? A terminação em “e” não será ambígua, assim meio gay? Os homens não vão exigir ser chamados presidentos, tenentos, gerentos, etc.?
    Logo os ambientalistas de plantão vão exigir que se diga “nóis pega os peixo e as peixa, os araros avuaro, os onço fugiro, os antílopo tão no zô…

  • terceira via

    -

    28/11/2011 às 10:31

    e se ela dor CABA, será CABAÇA. tenho dito.

  • Jefff

    -

    28/11/2011 às 9:40

    Ombudsman
    A grande imprensa foi passiva e demorou a
    perceber a gravidade do vazamento da Chevron
    Suzana Singer
    O óleo subiu… e a gente não viu
    Na cobertura do acidente ecológico na bacia de Campos (RJ), a mídia tradicional tomou um olé da blogosfera. A chamada “grande imprensa” demorou a entender a gravidade do que estava acontecendo, reproduziu passivamente a versão oficial e não fez apuração própria.

    O vazamento ocorreu na segunda-feira, dia 7 de novembro, quando a pressão do óleo provocou uma ruptura do revestimento do poço. O líquido começou a subir pela coluna de perfuração e vazou também pelas fissuras do solo marinho.

    A mancha de óleo foi vista no dia seguinte por petroleiros. Acionada, a norte-americana Chevron informou as autoridades, na quarta-feira, de que o vazamento acontecia em uma de suas plataformas.

    No dia seguinte, agências de notícias divulgavam o incidente, com a porta-voz da Chevron falando em “fenômeno natural” e calculando um escape pequeno de óleo.

    Só “O Globo” deu destaque ao assunto, mas em um texto tão editorializado que perdia o foco do acidente. O que acontecia no campo do Frade era só mais uma prova da “necessidade de Estados produtores de petróleo terem uma fatia maior dos royalties”. A Folha limitou-se a dar uma pequena nota.

    Veio o fim de semana, quando a inércia toma conta das Redações. “Mercado” publicou no sábado, dia 12, uma capa sobre a queda do lucro da Petrobras e, no domingo, um imenso infográfico mostrando como funcionam as sondas de perfuração, sem fazer ligação com a Chevron. Sobre o acidente, só uma nota registrava que o vazamento aumentara.

    Enquanto isso, uma luz amarela tinha acendido na blogosfera. O assunto circulava nas redes sociais. No dia 10, o geólogo norte-americano John Amos, 48, da SkyTruth, uma ONG ambientalista que trabalha com fotos aéreas, divulgou em seu site, no Twitter e no Facebook, as primeiras imagens da mancha.

    O jornalista Fernando Brito, do blog “Tijolaço.com”, já dizia que a “história estava mal contadíssima”, porque “não é provável que falhas geológicas capazes de provocar um derramamento no mar deixem de ser percebidas nos estudos sísmicos que precedem a perfuração”.

    No dia 15, a SkyTruth volta à ação e publica mais duas fotos mostrando que a mancha tinha crescido. “É dez vezes maior do que a estimativa da Chevron”, aposta Amos.

    Instigados pelos blogs, leitores começam a cobrar: “A senhora acredita que a cobertura está correta?”, “E se fosse a Petrobras?”.

    Só com a entrada da Polícia Federal no caso, a Folha e seus concorrentes começaram a se mexer de fato. O conselho jornalístico “follow the money” virou no Brasil, por preguiça, “follow the police”.

    No dia 17, com o inquérito policial aberto, o assunto finalmente foi capa de “Mercado” e ganhou um tom cético -pela primeira vez se aponta possível negligência da empresa. De lá para cá, toda a imprensa subiu o tom e, numa tentativa de compensar o cochilo inicial, vem cobrando duramente a Chevron, que admitiu “erros de cálculo”.

    Não é mesmo fácil saber o que acontece em alto-mar, mas, um ano e meio depois da grande tragédia ambiental do golfo do México, é indesculpável engolir releases divulgados por petrolíferas.

    Além de recorrer a ONGs e especialistas, os repórteres poderiam ter procurado os petroleiros. O sindicato tinha divulgado uma nota no dia 10. “Os jornais brasileiros foram decepcionantes”, diz C.W., funcionário da Petrobras que sentiu o cheiro do vapor de óleo cru, mesmo estando a cerca de 15 km do local.

    Para evitar que seu nome aparecesse, ele pediu à namorada que avisasse a mídia. Ela escreveu para a Folha e para o “Estado” no dia 11:

    “Boa noite, Ainda está vazando óleo na bacia de Campos, o vazamento já percorreu quilômetros. É necessário averiguar, pois noticiaram o ocorrido, mas não deram a devida atenção.”

    O caso Chevron mostra que faltam jornalistas especializados em cobrir petróleo, o que é grave num país que tem uma estatal do tamanho da Petrobras e que pretende ser uma potência da área com a exploração do pré-sal.

    John Amos, da SkyTruth em West Virginia, deixa um alerta: “Se todos esquecerem rapidamente o acidente, porque o vazamento não foi tão grande quanto o do México, aí sim será uma tragédia. Essa é uma oportunidade de questionar a gestão da exploração em águas profundas, em territórios arriscados. Porque haverá um novo acidente. E vocês devem estar preparados para isso”.

  • Mari Labbate *44 Milhões*

    -

    28/11/2011 às 9:02

    SETTI, a insistência em alterar a Gramática, através de decreto, deve-se ao desespero, que apossou-se do governo, de obrigar o Povo brasileiro e os políticos a aceitarem a president”A”. O Golpe Eleitoral do senhor Lula não poderia ter gerado outros efeitos! A questão é que, energeticamente, a Dona Dilulla não é feminina (é uma mulher, analisando outra mulher). Nessa situação, somente por decreto essa delicada senhora afina-se com as outras brasileiras e com os políticos masculinos, pois a sedução faz parte de qualquer Jogo de Poder. Nesse quesito, a “meiguinha dos coraçõezinhos no ar”, encontra-se em uma terrível nulidade, visto que, em vez de seduzir, racionalmente, GRITA e dispara Energias de Fogo indissipáveis e acumulativas, perigosamente. O poder feminino advém de sua capacidade de construção, porque possui essa Missão, no Universo: garantir a sobrevivência do homem, na Terra. Como os petistas escolheram a mulher errada, para ser a primeira presidente do País, agora amargam esse desafio de impor essa não representante das mulheres brasileiras. Alardearam tanto o Pré-Sal, nas enganosas campanhas, e o País nem possui uma política específica para a exploração do Petróleo, que pertence aos Estados produtores. Deus é tão maravilhoso, que mostra aos homens quem paga a conta, no final do processo. A irresponsabilidade caracteriza esse duplo-governo-ditador! Creio que somente uma Revolução Francesa livrará a Nação desses aloprados dissimulados!

  • JMello

    -

    28/11/2011 às 0:30

    Bem, “oficiala” vem no dicionário…

  • jonas /RS

    -

    27/11/2011 às 23:40

    Escuta aqui Ô! A Dilma nunca disse que alguém seria “obigado” a chamá-la de presidenta. Apenas disse que “gostaria” de ser chamada assim. Mas,como a imprensa é sempre de muito boa vontade com ela,primeiro disse que era um erro gramatical. Depois que viu que não era,agora,diante dessa lei trouxa aí vem se fazer de vítimma: Vou continuar chamando a
    Dilma de presidente. E aí,vou ser preso? Preso da malícia de gente que analisa o Brasil da Espanha tu já és. Preso da raiva de perder eleição atrás de eleição tem uns gatos pingados e cansados que já são.

  • Luiz Pereira

    -

    27/11/2011 às 22:10

    Setti,

    sarney (se escreve em minúscula, acompanhando sua estatura real) tem um passado abominável. E seu presente o diminui mais ainda.
    abs

  • Douglas Correa

    -

    27/11/2011 às 21:03

    Interessante a informação de que nos anos 2009/2010 a Petrobras teve vazamentos superiores ao da Chevron e não me lembro de tanto alarde. A Chevron não e parceira da Petrobras nesse poço ? PUNIÇÃO PARA TODO MUNDO … ANP , IBAMA , ETC que nunca tomaram providencias para erradicar esses problemas

  • rosa do luxemburgo( o jardim)

    -

    27/11/2011 às 20:33

    Vamos sim, vamos chamar as meninas virginais portuguesas de putas e fazer logo um imbroglio internacional.
    E Sarney já era e vamos ver o que o Maranhão vai fazer com a familia. Eu acredito num 1789 tupiniquim.
    E a Chevron vai ficar calada de quanto pagou por fora?
    É isso aí.
    Estamos nas mãos de marginais e temos que pensar sempre como os marginais.

  • Tuco

    -

    27/11/2011 às 19:33

    .

    Tudo o que é ruim, no Brasil,
    sempre pode piorar.
    E vamos alterar a Nomenclatura
    Gramatical Brasileira – pela
    enésima vez -, agora por decreto
    babão? Formidável!
    Não seria o caso da INÚTIL ABL
    manifestar-se? Ahhhh… O velho
    crápula também usa fraldão, ops!,
    fardão. Vai ser difícil!


    .

 

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