Blogs e Colunistas

13/06/2013

às 15:04 \ Política & Cia

Baderna em São paulo: chegou a hora do basta

A baderna foi condenada tanto pelo governador Geraldo Alckmin, como pelo prefeito Fernando Haddad, que estão em viagem oficial ao exterior (Foto: Giba Bergamim Jr. / Folhapress)

Um policial militar ferido por baderneiros durante "manifestação" em São Paulo (Foto: Giba Bergamim Jr. / Folhapress)

Editorial do jornal O Estado de S.Paulo

BADERNA EM SÃO PAULO: CHEGOU A HORA DO BASTA

No terceiro dia de protesto contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos, os baderneiros que o promovem ultrapassaram, ontem, todos os limites e, daqui para a frente, ou as autoridades determinam que a polícia aja com maior rigor do que vem fazendo ou a capital paulista ficará entregue à desordem, o que é inaceitável.

Durante seis horas, numa movimentação que começou na Avenida Paulista, passou pelo centro – em especial pela Praça da Sé e o Parque Dom Pedro – e a ela voltou, os manifestantes interromperam a circulação, paralisaram vasta área da cidade e aterrorizaram a população.

O vandalismo, que tem sido a marca do protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), uma mistura de grupos radicais os mais diversos, só tem feito aumentar. Por onde passaram, os cerca de 10 mil manifestantes deixaram um rastro de destruição – pontos de ônibus, lojas, nove agências bancárias e ônibus depredados ou pichados.

Uma bomba foi jogada na Estação Brigadeiro do Metrô e a Estação Trianon teve os vidros quebrados. Em algumas das ruas e avenidas por onde circularam, principalmente a Paulista, puseram fogo em sacos de lixo espalhados para impedir o trânsito e dificultar a ação da Polícia Militar (PM).

Atacada com paus e pedras sempre que tentava conter a faria dos baderneiros, a PM reagiu com gás lacrimogêneo e balas de borracha. O saldo foi de 20 pessoas detidas e de dezenas com ferimentos leves, entre elas policiais.

A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo. Num episódio em que isso ficou bem claro, um PM que se afastou dos companheiros, nas proximidades da Praça da Sé, quase foi linchado por manifestantes que tentava conter. Chegou a sacar a arma para se defender, mas felizmente não atirou.

Em suma, foi mais um dia de cão, pior do que os outros, no qual a violência dos manifestantes assustou e prejudicou diretamente centenas de milhares de paulistanos que trabalham na Paulista e no centro e deixou apreensivos milhões de outros que assistiram pela televisão às cenas de depredação.

O reconhecimento por parte de dirigentes do MPL de que perderam o controle das manifestações, assim como a diversidade dos grupos que o compõem – anarquistas, PSOL, PSTU e juventude do PT, que têm em comum o radicalismo não atenuam a sua responsabilidade pelo fogo que atearam.

Embora fragmentado, o movimento mantém sua força, porque cada grupo tem seus líderes, e eles já demonstraram sua capacidade de organização e mobilização. Sabem todos muito bem o que estão fazendo.

A reação do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad – este apesar de algumas reticências – à fúria e ao comportamento irresponsável dos manifestantes indica que, finalmente, eles se dispõem a endurecer o jogo. A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população.

Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades.

De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.

Haddad, que se encontra em Paris pelo mesmo motivo, também foi afirmativo ao dizer que “os métodos (dos manifestantes) não são aprovados pela sociedade. Essa liberdade está sendo usada em prejuízo da população”. Mas insinuou que por trás das manifestações há pessoas que não votaram nele. A gravidade da situação exige que o prefeito esclareça se com isso quis dizer que a oposição é responsável pela baderna.

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

15 Comentários

  1. Tiago

    -

    21/06/2013 às 10:46

    “Baderneiros que o promovem” como assim? ta do lado de quem? ta irritado porque interferiram em seu cotidiano, não vai poder chegar em casa no horário que quer?
    Diante da porcentagem dos “baderneiros” com os pacíficos, fica evidente que é uma minoria é que vandaliza. Já vi famílias, pais com seus filhos exercendo o direito de reivindicar uma mudança nesse país engessado.
    O prejuízo de alguns somados não vão chegar nem perto do beneficio gerado por essas manifestações, inclusive pelos próprios que sofreram.
    Sou contra vandalismo, mas por uma mudança no país como a que está sendo requerida da para suportar sim.

    Desde o começo das manifestações, minha opinião não mudou: totalmente a favor de manifestações públicas de protesto, e totalmente contrário à baderna, ao vandalismo e à violência, que infelizmente têm acontecido em várias cidades, como você deve saber.

  2. Rosildo Vial

    -

    18/06/2013 às 22:23

    Comentários ofensivos e deletados, rsrs, isso aqui é o que? Uma democracia onde todos tem o direito de expressar ou uma ditadura onde vocês não podem ser ofendidos? Sei que meu comentário não vai aparecer e me orgulho por isso, esse país vai mudar…..

    Caro Rosildo, seu comentário não foi deletado porque você foi civilizado. Os comentários que chamo de ofensivos são ofensivos mesmo, são impublicáveis e, em vez de discutir o conteúdo do que escrevo, me chamam de filho da p. para cima. Cheios de palavrões, de mentiras, de grosserias tenebrosas. Você, em meu lugar, não publicaria. Coisa que a gente não deixa a mãe ler, entende?
    Crítica é uma coisa. Ofensa e xingamentos, outra.
    Um abraço

  3. Ricardo

    -

    17/06/2013 às 14:03

    Seu comentário mentiroso e ofensivo foi deletado.

  4. Michelly

    -

    17/06/2013 às 12:04

    Concordo que não deve-se usar a violência, a depredação ou a anarquia para qualquer luta que seja. Porém, há pessoas que realmente se importam com o que está a muito tempo acontecendo em nosso país. Como alguns de nós acreditamos, não é só por 20, 30, 1 centavo que seja, é por uma sociedade melhor e mais consciente. é por meios de transportes mais eficazes, saúde de qualidade, educação de excelência. Não devemos aceitar o vandalismo, mas também não devemos fechar nossos olhos para a causa pela qual estamos lutando, um país melhor.

  5. angela

    -

    15/06/2013 às 14:34

    REALMENTE caro Setti!
    o cidadão “incompetente” que não consegue comprar seu carro próprio e usa o transporte público merece que ele seja de baixa qualidade….e caro!
    vamos incentivar a repressão daqueles que lutam por uma mudança da absurda situação do transporte público!!
    Por falar nisso…como o senhor vai voltar para casa hoje? De ônibus né?

    Portanto, vamos quebrar os próprios ônibus, depredar estações do metrô, vandalizar o pequeno comércio, impedir a livre circulação de pessoas, botar foto em contenedores de lixo, etc, etc, não é mesmo?
    Essa é sua “democracia”?

  6. Fernando X

    -

    15/06/2013 às 13:17

    Caro Ricardo.
    Ponha alguns vídeos da turma da baderna barbarizando a cidade.

  7. Americanófilo

    -

    14/06/2013 às 22:25

    Seu comentário ofensivo, covarde e mentiroso foi alegremente deletado. Suma daqui.

  8. Fernando

    -

    14/06/2013 às 16:30

    “A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população”.
    “Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades”.
    Esse sombrio editorial do Estadão ficará para a história como documento irrefutável de uma época em que a própria imprensa atiçou a polícia contra manifestantes desarmados. Caso um corpo tombasse na guerra campal de ontem, saibam que, além do governador Alckmin e o prefeito Haddad,uma boa parcela da imprensa teria as mãos sujas de sangue.

  9. joga pedra na Geni

    -

    13/06/2013 às 19:12

    Não há motivos para críticas na insinuação de Haddad. Afinal, até déspotas, anarquistas, vândalos e vadios das mais variadas ideologias, podem, a qualquer momento, ter um lapso de civilidade e bom senso.

  10. Gustavo Antonio Freitas Jr.

    -

    13/06/2013 às 18:54

    Estou com o governador Geraldo e não abro. Essa escumalha só quer bagunçar o coreto para criar problema para o governo tucano de S. Paulo. O objetivo nós sabemos qual é.

  11. Aldo Matias Pereira

    -

    13/06/2013 às 18:52

    Setti,

    à justa indignação que precisa tomar conta dos paulistas e paulistanos é preciso mostrar a indigência do “jornalista” janio de freitas que, em sua coluna da folha, condena veementemente a atuação da polícia.

    Chicaneiro bom disfarça a verdadeira intenção do que faz ou escreve e outra não é o que faz o jornalista em sua coluna, como se estivesse falando de todas as polícias do mundo e não a de São Paulo!

    Um embuste!

    Aliado a isso, aparece um promotor do MPE e vem com a conversa mole de que “negociou” com os facínoras, o adiamento do reajuste por 45 dias.

    Como assim?

    Quem esses terroristas representam?

    Quem lhes deu procuração para negociar em nome de quem?

    Será possível que a sociedade paulistana vai ter de se curvar a esse estado de coisas e aceitar a imposição de vontades que, sabe-se perfeitamente, tem todos os objetivos escusos possíveis, menos lutar pelo menor preço das passagens?

  12. Osvaldo Faustino da Nóbrega

    -

    13/06/2013 às 17:56

    A fragilidade da nossa democracia caminha na mesma passada da pusilaminidade dos poderes constituídos.
    Quem pode limitar abusos, não o faz, quem conduz os
    cordeiros, faz que não os vê pular a cerca. De baderna em baderna, podemos cair na anarquia. E este filme já vimos.

  13. Ismael

    -

    13/06/2013 às 16:59

    Estaria nascendo hoje um novo Zé Dirceu? Talvez enter um estudante de filosofia que não saiba nem uma palvra de alemão, ou entre um estudante de antropologia que ignore por onde andou Levy-Straus?
    Alguma futura sumidade, futuro consultor de grnades empresários internacionais?
    Acordei pessimista demais hoje.

  14. Isaias

    -

    13/06/2013 às 15:32

    Só falta ele dizer, tal qual Maria do Rosário, que não quer “politizar” a questão sua opinião!

  15. moacir 1

    -

    13/06/2013 às 15:19

    Prezado Setti,
    Almoçando um sand às 3 da tarde,eu aqui estou fora do mundo.Muito trabalho.Mas essas imagens são inaceitáveis – o governador precisa reagir com o devido vigor.Agora,eu gostaria de saber como pode esse Haddad,claramente prejudicado dos neurônios,saber que os vândalos baderneiros não votaram nele? Se está insinuando que o PSDB está por trás dessa bárbarie,Alckmin precisa responder!
    abc

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados