03/08/2012
às 14:27 \ Política & CiaA vida dos mensaleiros
(Publicado em VEJA de 1 de agosto de 2012)
Mensalão
A VIDA DOS MENSALEIROS
Sete anos depois, os protagonistas seguiram caminhos distintos, mas sempre confortáveis: uns mantiveram a influência política, outros conquistaram sucesso empresarial
Delúbio Soares
Bode expiatório e resignado no processo do mensalão, o ex-tesoureiro do PT é apontado pelo Ministério Público como membro do estado-maior do esquema. Sobre seus ombros, José Dirceu, a quem ele era (e de certa forma continua) subordinado, jogou a responsabilidade pelos pagamentos aos políticos.
Delúbio não disse não. Ele é daqueles militantes que consideram que tudo o que o PT fez, incluindo as práticas nada republicanas, é parte de um projeto, o “nosso projeto”, como costuma repetir. O sucesso do “nosso projeto” moldou os hábitos simplórios do tesoureiro, que, poderoso e respeitado no governo Lula, passou a usar roupas de grife, degustar vinhos premiados e fumar charutos cubanos – numa rotina incompatível com o salário de professor que recebia do governo de Goiás.
Antes do escândalo, Delúbio foi pilhado comprando terras em Goiás com notas de reais acomodadas em sacos de pano. Expulso do PT após o mensalão, continuou viajando pelo país, dessa vez com passagens custeadas por uma obscura ONG ligada a petistas. Para aplacar as suspeitas sobre a origem do dinheiro usado para bancar suas despesas, Delúbio fundou uma empresa de propaganda na internet.
Num site mal-ajambrado, oferece imóveis para venda e aluguel. Readmitido nos quadros do PT no ano passado, ele mora em São Paulo com a mulher, num confortável apartamento de três quartos comprado em 2005 por 190 000 reais – pagos em dinheiro com notas de reais, dólares e euros levadas ao cartório por sua sogra. Se absolvido, ele já anunciou seu projeto imediato: disputar uma cadeira no Congresso Nacional em 2014.
Marcos Valério
Há sete anos o publicitário administra o que restou de seu patrimônio: segredos valiosos que ele diz deter sobre o mensalão. Marcos Valério era dono de duas agências de publicidade que tinham contratos milionários com o governo petista – e que quase nunca resultavam na correspondente prestação de serviços, já que o grosso do pagamento ia para o caixa do mensalão.
Foi operando essa engrenagem que ele ganhou prestígio e muito dinheiro. Descoberta a fraude, caiu em desgraça. Hoje, porém, é um “consultor” de sucesso. Costuma dizer que, dada a relação com o PT, é atendido em seus pleitos junto a órgãos do governo, bancos públicos e estatais – e cobra caro, e em dinheiro vivo, pela intermediação.
A vida pessoal segue atribulada. Sua mulher, Renilda Santiago, tem crises emocionais frequentes por medo de que o marido volte para a cadeia. O próprio Valério, vez ou outra, se diz acometido por algum mal. Tempos atrás, disse a um interlocutor de Brasília que estava com câncer no cérebro.
A desconfiança de que era mais um recado aos petistas veio com o que ele disse em seguida: que, como estava com os dias contados, não tinha o que perder e estava pensando em contar o que ainda não havia contado à polícia. O veredicto do STF pode definir os rumos dessa chantagem sem fim.
Duda Mendonça
No seu tempo de marqueteiro mais famoso do Brasil, ele ajudou a eleger de Paulo Maluf a Luiz Inácio Lula da Silva. Com o escândalo, afastou-se dos holofotes, mas nunca ficou longe do poder. Embora não tenha feito campanhas em 2006, Duda Mendonça manteve polpudos contratos com o governo federal, que lhe renderam 102 milhões de reais até 2011.
Na última eleição, mergulhou de novo no ramo que o tornou famoso e ajudou a eleger de petistas, como a agora senadora Marta Suplicy, a tucanos, como Cássio Cunha Lima. Neste ano, voltará a oferecer seus préstimos a candidatos Brasil afora. A bonança financeira ajudou a alimentar o estilo espalhafatoso.
No início deste ano, decidiu adotar um brasão para a família – um cê-cedilha com um círculo em volta, que tatuou no ombro e que adorna a pele de quatro de seus sete filhos e também seu helicóptero e seu avião. Tentará, agora, livrar-se de outra marca: a acusação por ter recebido 10,5 milhões de reais no exterior, crime por ele admitido em cadeia nacional.
Luiz Gushiken
Sem cargo no governo ou no PT desde 2006, o “China”, como era conhecido, abriu uma consultoria em 2007, cinco meses depois de deixar o Palácio do Planalto, onde era assessor especial. Na sua lista de clientes já estiveram, entre outros, a Vale e o Banco PanAmericano – que, logo depois dos serviços do petista, foi salvo pela Caixa Econômica Federal com uma injeção de 740 milhões de reais.
Em tratamento contra um câncer, ele passa a maior parte do tempo em sua chácara de 5 000 metros quadrados em Indaiatuba, no interior paulista, de onde só sai para ir a São Paulo a cada quinze dias, para a quimioterapia.
Gushiken é um dos poucos que nada têm a temer com o julgamento. Seu nome foi incluído porque um ex-diretor do Banco do Brasil o acusou de participar de desvio de recursos para o mensalão. Mas a Procuradoria-Geral da República não viu indícios suficientes e pediu sua absolvição.
João Paulo Cunha
O mensalão encolheu as ambições do deputado federal. Estrela em ascensão, era o nome do PT para o governo de São Paulo em 2006. Hoje, seu grande desafio é eleger-se prefeito de Osasco (SP), cidade onde trabalhou como metalúrgico, estreou no movimento sindical e construiu sua base eleitoral.
O caso de João Paulo Cunha acabou se transformando num dos mais emblemáticos do mensalão pela estrondosa materialidade dos rastros que deixou. Na lista de “clientes” de Marcos Valério, achou-se o nome da mulher do deputado.
Ela esteve três vezes na agência que fazia os pagamentos do mensalão. Questionado, o deputado mentiu: disse que a mulher fora pagar uma conta de TV a cabo. A quebra do sigilo revelou que ela havia sacado 50 000 reais da conta abastecida pelo “valerioduto”.
José Genoino
Figura ruidosa no Congresso e onipresente nos jornais antes do mensalão, José Genoino – que, como presidente do PT, avalizou empréstimos milionários, depois apontados como fictícios – foi um dos que mais sentiram os efeitos da hecatombe. Nos meses seguintes ao estouro do escândalo, trancafiou-se em casa e entrou em depressão. Mesmo amigos só se comunicavam com ele por e-mail.
Ainda conseguiu eleger-se deputado em 2006, mas o protagonismo se esvaiu. Quatro anos depois, não obteve os votos para reeleger-se e amargou uma suplência. Espera voltar à Câmara se for absolvido. Enquanto isso, o ex-guerrilheiro, um dos poucos sobreviventes do Araguaia, trabalha como assessor do Ministério da Defesa – que chegou a lhe dar a Medalha da Vitória, concedida a quem prestou serviços relevantes ao país.
Roberto Jefferson
O mais teatral dos protagonistas do escândalo, o ex-deputado federal que escancarou e batizou o mensalão foi cassado por quebra de decoro, mas continua a fazer política no posto de presidente do PTB. “Mantenho minha influência. Sou ouvido”, disse a VEJA.
Ensaiou uma volta à advocacia e eventualmente presta consultoria jurídica a amigos, mas a dedicação maior é à articulação nos bastidores. Inelegível até 2015, planeja, se absolvido, voltar à ribalta na Câmara na primeira eleição possível, em 2018.
Se for condenado da acusação de receber propina para manter o PTB na base de governo, já avisou sua turma: deixa a presidência do partido e, talvez, a política. No sábado 28, estava marcada uma operação para remover um tumor no pâncreas e ele terá de reverter a cirurgia bariátrica a que se submeteu em 1999. Diz que a chance de cura chega a 70%. Está confiante em que, mais para a frente, haverá duas vitórias para comemorar.
Valdemar costa neto
O mensalão existiu e o Valdemar recebeu”, vociferou numa sessão da CPI, em 2005, a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do deputado e hoje promovida a sua inimiga figadal. Acusado de receber propina em troca de apoio político e de montar uma quadrilha para lavar o dinheiro, Valdemar Costa Neto continua onde sempre esteve e fazendo o que sempre fez – no Congresso, dirigindo o PR e tendo ideias vantajosas para ele e seu partido e ruinosas para o resto do Brasil. Foi do deputado a estratégia de lançar Tiririca como atração eleitoral do PR – o palhaço recebeu mais de 1,3 milhão de votos para a Câmara em 2010 e ainda arrastou junto políticos da categoria do ex-delegado Protógenes Queiroz.
A SITUAÇÃO DOS ENVOLVIDOS
Confira o que faziam na época e do que se ocupam hoje todos os personagens que tiveram a denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal, e qual o seu papel no esquema, de acordo com a Procuradoria-Geral da República
Carlos Alberto Quaglia
O QUE FAZIA – Dono da Natimar
O QUE FAZ HOJE – Escritor
ACUSAÇÃO – A Natimar integrou a quadrilha que lavava a propina do valerioduto em favor da cúpula do PP
Anderson Adauto
O QUE FAZIA – Ministro dos Transportes de Lula até 2004
O QUE FAZ HOJE – Prefeito reeleito de Uberaba (MG)
ACUSAÇÃO – Recebeu 950 000 reais de Valério e intermediou a compra de apoio político
Bispo Rodrigues
O QUE FAZIA – Deputado (PL-RJ) e vice-presidente do partido
O QUE FAZ HOJE – Sócio de emissoras de rádio e televisão
ACUSAÇÃO – Recebeu propina para votar a favor do governo
Anita Leocádia
O QUE FAZIA – Assessora do deputado Paulo Rocha (PT-PA)
O QUE FAZ HOJE – Assessora do diretório nacional do PT
ACUSAÇÃO – Recebeu 620 000 reais do esquema em nome do deputado federal petista
Cristiano Paz
O QUE FAZIA – Empresário
O QUE FAZ HOJE – Empresário
ACUSAÇÃO – Sócio de Marcos Valério, ajudou a montar a estrutura que servia para mascarar o pagamento a deputados
Antonio Lamas
O QUE FAZIA – Assessor da liderança do PL na Câmara
O QUE FAZ HOJE – Trabalha como gerente em uma casa lotérica
ACUSAÇÃO – Intermediou repasses ao PL e integrou o grupo de Valdemar Costa Neto
Emerson Palmieri
O QUE FAZIA – Tesoureiro informal do PTB e diretor da Embratur
O QUE FAZ HOJE – Fazendeiro
ACUSAÇÃO – Ajudou a intermediar o pagamento da propina em favor do PTB
Ayanna Tenório
O QUE FAZIA – Executiva do Banco Rural
O QUE FAZ HOJE – Consultora
ACUSAÇÃO – Liberou empréstimos fraudulentos para as empresas de Marcos Valério, abastecendo o esquema
Enivaldo Quadrado
O QUE FAZIA – Diretor da corretora Bonus-Banval
O QUE FAZ HOJE – Empresário
ACUSAÇÃO – A Bonus-Banval fez a intermediação dos repasses ao PP, lavando o dinheiro e ocultando a sua origem
Breno Fischberg
O QUE FAZIA – Sócio da corretora Bonus-Banval
O QUE FAZ HOJE – Empresário
ACUSAÇÃO – A Bonus-Banval fez a intermediação dos repasses ao PP, lavando o dinheiro e ocultando a sua origem
Geiza Dias
O QUE FAZIA – Gerente financeira da SMP&B
O QUE FAZ HOJE – Analista do setor financeiro em uma agência de publicidade
ACUSAÇÃO – Era uma das operadoras do grupo de Valério
Henrique Pizzolato
O QUE FAZIA – Diretor de marketing do Banco do Brasil
O QUE FAZ HOJE – Aposentado
ACUSAÇÃO – Recebeu propina para favorecer uma agência de Marcos Valério na execução de contratos com o BB
Pedro Corrêa
O QUE FAZIA – Deputado (PP-PE) e presidente do partido
O QUE FAZ HOJE – Integra a direção nacional do PP
ACUSAÇÃO – Recebeu propina em troca de apoio ao governo e lavou o dinheiro
Jacinto Lamas
O QUE FAZIA – Tesoureiro do PL até fevereiro de 2005
O QUE FAZ HOJE – Funcionário da Câmara
ACUSAÇÃO – Ligado a Valdemar Costa Neto, intermediou parte dos repasses ao PL
Pedro Henry
O QUE FAZIA – Deputado federal (PP-MT) e líder do partido na Câmara em 2003 e 2004
O QUE FAZ HOJE – Deputado federal (PP-MT)
ACUSAÇÃO – Recebeu propina em troca de apoio ao governo
João Cláudio Genu
O QUE FAZIA – Assessor do então deputado José Janene
O QUE FAZ HOJE – Abriu empresa de gestão empresarial e consultoria imobiliária
ACUSAÇÃO – Foi intermediário do valerioduto para o PP
Professor Luizinho
O QUE FAZIA – Deputado (PT-SP) e líder do governo de abril de 2004 a março de 2005
O QUE FAZ HOJE – Consultor
ACUSAÇÃO – Recebeu 20 000 reais do valerioduto e ocultou a origem do dinheiro
João Magno
O QUE FAZIA – Deputado (PT-MG)
O QUE FAZ HOJE – Sócio de uma consultoria política
ACUSAÇÃO – Recebeu 360 000 reais do valerioduto e ocultou a transação valendo-se de um assessor e de seu tesoureiro
Ramon Hollerbach
O QUE FAZIA – Empresário
O QUE FAZ HOJE – Consultor
ACUSAÇÃO – Sócio de Valério, ajudou a mascarar o destino dos recursos. Também ordenou a doleiros os pagamentos a Duda Mendonça no exterior
José Borba
O QUE FAZIA – Líder do PMDB na Câmara dos Deputados
O QUE FAZ HOJE – Prefeito de Jandaia do Sul (PR)
ACUSAÇÃO – Recebeu propina para votar a favor de matérias de interesse do governo
Rogério Tolentino
O QUE FAZIA – Advogado
O QUE FAZ HOJE – Advogado
ACUSAÇÃO – Era um dos principais elos entre o núcleo operacional da quadrilha e o Banco Rural. Era o braço direito de Marcos Valério
José Janene
O QUE FAZIA – Deputado (PP-PR)
O QUE FAZ HOJE – Faleceu em setembro de 2010
ACUSAÇÃO – Como líder da bancada, “fechou acordo com o PT, assumindo postura ativa no recebimento de propina”
Romeu Queiroz
O QUE FAZIA – Deputado (PTB-MG)
O QUE FAZ HOJE – Deputado estadual do PSB-MG
ACUSAÇÃO – Pegou propina para o PTB e para si próprio e ocultou a origem do dinheiro
José Luiz Alves
O QUE FAZIA – Chefe de gabinete de Anderson Adauto
O QUE FAZ HOJE – Diretor de empresa de saneamento ligada à prefeitura de Uberaba (MG)
ACUSAÇÃO – Recebeu 600 000 reais em nome de Adauto
Silvio Pereira
O QUE FAZIA – Dirigente do PT
O QUE FAZ HOJE – Empresário
ACUSAÇÃO – Coordenava a distribuição de cargos no governo. Ganhou um Land Rover de fornecedora da Petrobras. Fez acordo e não é mais réu
José Roberto Salgado
O QUE FAZIA – Executivo do Banco Rural
O QUE FAZ HOJE – É do conselho de administração do Rural
ACUSAÇÃO – Autorizou e renovou empréstimos fraudulentos para Valério
Simone Vasconcelos
O QUE FAZIA – Diretora administrativa e financeira da SMP&B
O QUE FAZ HOJE – Trabalha em locadora de veículos da família
ACUSAÇÃO – Era operadora de Valério
Kátia Rabello
O QUE FAZIA – Presidente do Banco Rural
O QUE FAZ HOJE – É uma das administradoras da holding do Rural
ACUSAÇÃO – O banco foi o braço financeiro do mensalão
Vinicius Samarane
O QUE FAZIA – Diretor do Rural
O QUE FAZ HOJE – Vice-presidente do Banco Rural
ACUSAÇÃO – Ajudou a omitir do sistema de informações do BC o nome dos beneficiários dos recursos do mensalão
Paulo Rocha
O QUE FAZIA – Líder do PT na Câmara dos Deputados entre fevereiro e agosto de 2005
O QUE FAZ HOJE – Presidente de honra do PT no Pará
ACUSAÇÃO – Recebeu 820 000 reais do valerioduto
Zilmar Fernandes
O QUE FAZIA – Sócia do publicitário Duda Mendonça
O QUE FAZ HOJE – Trabalha com Duda
ACUSAÇÃO – Recebeu pagamentos pelo esquema de lavagem de dinheiro de Valério
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14 Comentários
fpenin
-08/08/2012 às 9:16
Excelente, didático, esclarecedor, este artigo, Setti. Uma radiografia de frente e de perfil dos mensaleiros*. Agora, Setti, algumas gotas de sabedoria com que fomos brindados pelos defensores dos réus: “O Banco Rural foi vítima de sua própria transparência” -Dr. José Carlos Dias: em respeito à lei delubeana número 1(um), que preconiza que “Transparência demais é burrice”.
“Essa moça foi escorraçada pela família por ter se envolvido com o MENSALÃO”- Dr.Paulo Sérgio Abreu e Silva, admitindo a existência de algo que todos do PT não querem nem ouvir falar. Agora, cá pra nós, se até a própria família condenou a moça, que motivo levaria o distinto público a absolvê-la?
*ao invés de “supostos mensaleiros”, já que a própria defesa dos réus admite o que todos sabem:a existência do malfeito (sis).
MARCO ANTONIO
-07/08/2012 às 11:34
ESTAMOS PERDENDO TEMPO COM COMENTÁRIOS E INDAGAÇÕES. NÃO VAI ACONTECER NADA COM NINGUEM. NÃO VÃO DEVOLVER DINHEIRO, NÃO VÃO SER PRESOS E NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES VÃO ESTAR DE NOVO NO BEM BOM.
ISSO TUDO É UMA PALHAÇADA. ESTAMOS NO BRASIL E AQUI TUDO ACABA EM PIZZZZZZZZZZZZZZZZA!
Antonio Sergio de Oliveira
-06/08/2012 às 22:19
Sera que conheciam a Lei de Gerson ,se nao sabiam podem dar aulas de improbidade,o terrivel que vao ter alunos fora safados.
edilio camargo
-06/08/2012 às 17:10
que quadrilha bonita, as fotos desses ai, serviram no futuro de exemplo da bandidagem instalada no governo lula/pt
Rosângela Medeiros
-06/08/2012 às 15:38
CONDENADOS OU NÃO DEVOLVERÃO O DINHEIRO QUE “PEGARAM EMPRESTADO” DOS COFRES PÚBLICOS?
Outra coisa, que coisa hem ! O advogado GASTANDO O TEMPO lendo revista e elogiando o MINISTRO DO SUPREMO!
Se condenados, aqueles que, comprovadamente, receberam dinheiro público — nem todo o dinheiro do mensalão veio dos cofres públicos — serão, sim, obrigados a devolver.
Odeney Miguel de Arruda
-06/08/2012 às 13:37
Pergunto se condenados vão devolver o dinheiro? Aqui em Cuiaba tem muita gente achando que não?
Mauro Pereira
-06/08/2012 às 0:17
Caro Ricardo Setti, boa noite.
Apesar de padecer por meia década sob a precária condição física do Relator, ser humilhado pela má vontade do Revisor e ter sobrevivido às estocadas de um ex-presidente da República e às artimanhas de um ex-ministro da Justiça a serviço de um ex-presidente da república, o que para a soberba petista parecia ser algo inconcebível aconteceu! Demorou, mas chegou. Depois de mais de cinco anos de expectativa teve início o julgamento dos envolvidos no escândalo que é considerado por boa parte da sociedade como o maior de todos desde a proclamação da República, e que, seja qual for o resultado, ficará imortalizado como o “Mensalão do PT”.
A semana que antecedeu o início do julgamento dos réus do mensalão serviu para trazer à tona a fragilidade da ironia malandra calculada por seus defensores como suficiente para torná-los purificados e, portanto, inacessíveis. Num repente, a auto-confiança se diluiu e a soberba companheira virou fumaça sobrando apenas o desespero que sempre os acompanhou e assombrou os subterrâneos da mentira onde se homiziaram nestes últimos cinco anos. A dura realidade avisava que as até então inexpugnáveis muralhas que davam guarida aos intocáveis petistas e companheiros de falcatruas, haviam desmoronado e por seus escombros perambulavam apenas um ajuntamento de malfeitores transtornados pela paura e apavorados ante a possibilidade razoavelmente plausível de serem condenados.
Acossados pelos dias difíceis que vislumbravam num futuro bastante próximo, não se incomodaram em rasgar a fantasia rota de honoráveis cidadãos e decretaram a lei que orienta a ação dos cafajestes, dando por iniciada a temporada do famoso salve-se quem puder. O tiroteio foi intenso e as balas certeiras encontraram os alvos perdidos. Atemorizados, escancararam as entranhas do submundo da política, recorrendo à pratica nada republicana da troca de acusações, ameaças de delação e à chantagem, a arma preferida dos canalhas.
Nesse particular, os advogados também brilharam na passarela da hipocrisia desfilando com muita desfaçatez os modelitos, criados sob medida nos requintados moldes da hipocrisia, que compunham a coleção imoral assinada pelo mais conceituado causídico do País. Tanto criador, como criaturas, tiveram atuação digna de seus ínclitos clientes e fizeram por merecer seus polpudos honorários.
Realmente, a semana que antecedeu o início do julgamento dos réus do mensalão foi pródiga em reverenciar o insólito. Teve advogado que estava disposto até a jurar que a inocência de seu cliente estava consubstanciada na possibilidade de ele ainda nem ter sido apresentado para ele mesmo. “Ele não comandava partido nenhum, não tinha ciência das atividades de ninguém, nomeação, então, nem pensar e não mantinha vínculo com quer que seja”. Faltou pouco para o inspirado jurista afirmar que seu cliente jamais foi presidente do PT, candidato a governador do Estado de São Paulo, Deputado Federal e ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo do ex-presidente Lula.
Outro destaque foi a alegação do advogado do operador do mensalão afirmando que em nome do sonho de melhorar o Brasil seu cliente, e comparsas, inauguraram a modalidade roubar honestamente. Muito criativos.
Teve aquele, ainda, que acusou os 200 milhões de brasileiros de fazerem parte da quadrilha do mensalão, sem contar aquele outro que afirmou estar disposto a usar a mesma tática adotada por Lula sustentando a tese de que seu cliente autorizou a consumação dos empréstimos fajutos mas não leu nada. O pior, é que o desvario na para por aí. Em homenagem à velha guarda do partido, a juventude do PT lançou a primeira campanha nacional pró-corrupção.
Enquanto isso, aquele que havia anunciado à nação que iria desmontar a farsa do mensalão recolhia-se a insignificância do seu pijama para assistir a novela das oito.
Desconfiados de que ultrapassaram as raias do bom senso, resolveram, então,recorrer à clarividência de nossa presidente, reconhecida por muitos como o oásis do deserto petista, para espargir um pouco de luz àquele ambiente despropositado. Ela não se fez de rogada e sapecou: “É uma característica da humanidade ser capaz de sempre se superar. Quando a gente acha que um recorde foi quebrado e que não terá mais como ser quebrado, se ganha segundos e se ganha de repente de uma forma muito especial”. Como escreveu o Prof. Deonisio da Silva, interne-se o psiquiatra!
Administrador implacável dos eventos, o tempo se incumbiu de mostrar para a arrogância explícita de alguns setores da política, da mídia e da intelectualidade brasileiras que, por mais que custe a manifestar-se, inexoravelmente o que prevalece sempre é somente a sua vontade soberana. Nada,nem ninguém, está acima dos seus desígnios, nem mesmo os que se julgam inimputáveis. Principalmente esses.
Particularmente, eu não me dou o direito de criar qualquer expectativa sobre o desfecho desse julgamento. Criá-la seria flertar com o desencanto e desafiar a frustração e, como decorrência, correr o risco de ver fragilizada a capacidade de indignar-me.
Sem outra alternativa, eu entrego nas mãos dos ministros do STF.
Reinaldo
-05/08/2012 às 21:33
Perdão, ninguém vai pra cadeia!
Reinaldo
-05/08/2012 às 21:26
Triste é saber que nínguem vai pra cadeia, mas tentem roubar um chocolate em um supermercado, com certeza apanharão muito e verão o sol nascer quadrado.
Jeremias-no-deserto
-04/08/2012 às 0:06
Agora sim, Setti, as fotos apareceram legal. Grato pela resposta, o problema era do meu computador, mesmo.
Carla Pola
-03/08/2012 às 17:30
Setti
Estou te parabenizando não só pelas reportagens, mas pela tua visão particular do caso todo. Disparado você foi o único que não fez mea culpa no caso do Gurgel em relação a suspeição do Toffoli¹³, por exemplo.
Falou o óbvio em relação ao Levandovisqui¹³ ontem. Exatamente aquilo ali: Quem não sabia que o Levandovisqui¹³ iria pegar a contenda para atender diversos interesses, ontem, pois o caso da competência já era fato consumado?
Você usou outras palavras, por que é um lorde, mas não fica se enganando.
Esses dias reclamei que você estava muito esquerdinha ( hahahahahhahhahahahhahahhahahahhaa), dessa vez te elogio pela lucidez e objetividade, afinal de contas é sempre bom os kamaradas¹³ verem que nem todo mundo é bobo no teatro que armaram via STF e MPF.
Beijocas
Obrigado de novo por suas boas palavras a meu respeito, Carla.
Volte sempre, você é sempre bem-vinda.
Abração!
Jeremias-no-deserto
-03/08/2012 às 17:03
Salvo a do “Professor Luizinho”, não consegui baixar as fotos do post.Será que o problema é do meu computador?
Caro Jeremias, fiel leitor, infelizmente não tenho condições de lhe responder.
Você colocou o cursor do lado direito e depois clicou em “salvar como”?
Abraço
Marco
-03/08/2012 às 14:34
Dom Setti: Belíssima reportagem, mas o q me chama a atenção, q nesse mundo monstruoso, como é fácil encontrar quem faça o serviço d má fama. Recebem as ordens ou são mandados sem problemas, por quem tem o poder. Gostam de ser mandado e nem se preocupam na execução pesada do serviço. Impressionante essa rara disposição…
Abs.
Carla Pola
-03/08/2012 às 14:32
Setti.
Já disse isso no Twitter e repito aqui: De todos os comentaristas que estão falando sobre o julgamento do mensalão, você está sendo o melhor disparado!
Enxerga o óbvio! Meus parabéns!
Beijocas
Obrigado, Carla. No caso deste post, é a republicação de reportagem de VEJA, e não texto meu.
Um abração!