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12/05/2012

às 15:00 \ Livros & Filmes

Livro: com a leveza de um romance, a história do triângulo amoroso de D. Pedro I com a mulher e a amante

A Carne e o Sangue

TRIÂNGULO HISTÓRICO

(Resenha de Jerônimo Teixeira publicada na edição impressa de VEJA)

A relação de dom Pedro I com Leopoldina, a imperatriz, e com a marquesa de Santos, sua amante, é reconstituída com detalhes pela historiadora Mary Del Priore

 

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"A Carne e o Sangue"

O triângulo amoroso que teve como vértices o primeiro imperador do Brasil, sua consorte e sua amante foi um desses eventos privados que acabaram influindo sobre os destinos coletivos de uma nação.

A ligação de dom Pedro I com Domitila de Castro, a determinada senhora paulista que ele elevaria a marquesa de Santos, causou escândalo na corte brasileira, com repercussões negativas para a imagem internacional do soberano que declarara a independência do Brasil.

E as imposições da política e da moral daquele início de século XIX revelaram-se particularmente devastadoras para a arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina, agrilhoada pelo casamento nobiliárquico a um país com o qual nunca se identificou e humilhada pelas aventuras sexuais do marido folgazão.

É esse enredo ao mesmo tempo político e familiar que a historiadora Mary Del Priore desvenda no envolvente A Carne e o Sangue (Rocco; 272 páginas; 34,50 reais).

“A história do país por meio de uma história de amor”

Autora de Histórias Íntimas, abrangente e saborosa revisão da sexualidade ao longo da história brasileira, Mary pesquisou extensa documentação, em grande parte inédita, sobretudo no arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, para compor uma narrativa rigorosamente amparada nos documentos, mas também dotada da leveza de um bom romance.

Há várias citações da correspondência dos três protagonistas e um vasto elenco de testemunhas privilegiadas – nobres, diplomatas, políticos, cortesãos, viajantes estrangeiros. “Busquei contar a história do país por meio de uma história de amor. E deixei que os atores históricos falassem”, disse a autora a VEJA.

GRAVURA DE LEOPOLDINA ARQUIDUQUESA D'AUSTRIA DE JEAN FRANCOIS BADOUREAU

Gravura de Leopoldina, arquiduquesa D'Áustria, imperatriz do Brasil, por Jean François Badoureau (Imagem: Coleção)

O título faz referência às funções específicas da amante e da esposa no clássico arranjo das cortes reais: a primeira deleita o soberano com os prazeres da carne, enquanto a segunda se dedica ao sexo somente para dar continuidade à linhagem do sangue – ou seja, para fins reprodutivos.

Pertencente à ancestral casa dos Habsburgo e filha do imperador Francisco I da Áustria, um bastião do absolutismo em um continente sacudido por ventos liberais, Leopoldina chegou ao Brasil de dom João VI em 1817. Sua expectativa era conhecer seu jovem e impetuoso príncipe em terras americanas para mais tarde retornar à Europa, onde no devido tempo seria rainha em Portugal.

Os temores da sobrinha-neta de Maria Antonieta

Acabou se vendo envolvida no tumultuado nascimento do Brasil como nação – e no novo país morreria, em 1826, aos 29 anos. Fiel a um ideal religioso de submissão às vontades do marido, ela o apoiou ao longo das delicadas manobras que conduziram à Independência, em 1822.

Mas as cartas que mandava a pessoas queridas na Europa revelam que ela via com reticência o ímpeto liberal que despontava entre alguns partidários da Independência, incluindo-se aí o próprio imperador dom Pedro I. Com algum alarmismo, via em cada conflito entre os nativos brasileiros e os portugueses ainda fiéis à antiga metrópole colonial uma possível reedição dos sangrentos eventos revolucionários da França no século anterior.

Leopoldina, afinal, era sobrinha-neta de Maria Antonieta, a rainha decapitada.

 

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PODER, SEXO E MELANCOLIA -- Dom Pedro I, a imperatriz Leopoldina (acima) e a marquesa de Santos (abaixo), vulgo "Titília": escândalos de alcova e humilhações na corte da jovem nação brasileira (Imagem: Museu Paulista)

Cartas com detalhes sórdidos

Solitária, isolada, devotada apenas a parir um herdeiro para o trono – o futuro dom Pedro II nasceria em 1825 -, Leopoldina tornou-se cada vez mais depressiva. A ligação escandalosa do marido com Domitila (ou “Titília”, como ele a chamava na intimidade) contribuiu para esse quadro.

A sedução da marquesa de Santos parecia ter o efeito de um sortilégio sexual sobre o imperador. As cartas que os dois trocam são cheias de alusões eróticas, desenhos pornográficos e até detalhes sórdidos – dom Pedro relata à amante os sofrimentos que padeceu por causa de uma gonorreia.

Não satisfeito em tê-la como amante em um ninho de amor próximo ao paço real, dom Pedro I quis oficializar a ligação com Titília, impondo sua presença à corte – e à miserável imperatriz. Inspirava-se anacronicamente em monarcas franceses como Luís XIV, que incorporaram suas “favoritas” à corte. “Ele não percebia que as favoritas já estavam fora de moda nas cortes europeias”, diz Mary.

A opinião pública brasileira, nascente mas vigorosa na forma de pasquins e panfletos, não perdoou as indiscrições do monarca. Depois da morte de Leopoldina, a muito custo, dom Pedro I acabou determinando o retorno da marquesa do Rio para São Paulo. Foi a condição para o casamento com a princesa Amélia, que seria a nova imperatriz.

 

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A marquesa de Santos (Imagem: Museu Imperial)

O soberano voluntarioso, sua consorte melancólica e sua amante audaciosa não são exatamente personagens simpáticos. A Carne e o Sangue, porém, reveste-os de irresistível fascínio. É com essa matéria pobre, vulgar mas sempre humana, que a história é feita.

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4 Comentários

  1. Mari Labbate *44 Milhões*

    -

    16/05/2012 às 10:12

    Querido Marmo: peça ao seu Anjo de Guarda para penetrar, em seu Inconsciente, e mostrar-lhe a maravilhosa Pátria-Mãe e o Brasile. Surpreender-se-á, com certeza, porque há outras realidades que podemos acessar. Como a América foi descoberta, em 1492, pelo italiano Cristoforo Colombo, que ofereceu inúmeros irmãos para auxiliar a Nação, em angustiantes momentos, a Itália tornou-se, junto com Portugal, a outra Pátria-Mãe do Brasil. Excetuando-se os índios, o Brasil deve o seu Progresso Espiritual e Material aos Povos-Imigrantes: TODOS! Conclusão: o Brasil necessita aprender a respeitar TODAS as Nações do Mundo!

  2. Marmo

    -

    14/05/2012 às 17:07

    Que Samba do Crioulo Doido é esse texto ai abaixo 44 milhões? Italia le bella, giardino del mondo, pátria amada Brasile
    !!

  3. Mari Labbate *44 Milhões*

    -

    13/05/2012 às 9:33

    No livro de Mari Labbate, “Brasil em Sangue”: Luiz da Silva, o “soberano voluntarioso”, é Pedro I; Marisa Letícia, a “consorte depressiva”, é a Imperatriz Leopoldina e a Dilma da Silva, a “amante audaciosa”, é a Marquesa de Santos. Porque TUDO, no Universo, é Pura-Energia. Na atual saga, não faltaram nem os incômodos internacionais. Afinal, os petistas estão atentando contra a PAZ-MUNDIAL, defendendo terroristas. Em tempo: vamos retornar, voluntariamente, à Pátria-Mãe, fratello Cesare Battisti? Que as “lentes-da-ilusão” desvaneçam-se e tragam a Luz do Cristo aos seus olhos. Respeitemos o Brasil e a Itália! AMEN. Feliz “Dia das Mães”, amado fratello Setti, visto que não haveria esse maravilhoso dia, se não houvesse maravilhosos PAIS! Parabéns!

  4. Teresinha

    -

    12/05/2012 às 23:26

    Certamente é um grande livro, um outro olhar para os personagens da nossa história.

 

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