01/01/2012
às 19:15 \ Bytes de MemóriaHistórias secretas de “Playboy” (5): O dia em que Adriane Galisteu se depilou, na foto mais polêmica da história da revista
Publicado originalmente em 20 de maio de 2011
(Os leitores não têm a menor obrigação de saber, mas a uma certa altura de minha longa carreira no chamado jornalismo hard – cuidando especialmente de temas políticos e relações internacionais – e no desempenho de cargos editoriais executivos, coube-me ser diretor de Redação da revista Playboy, entre 1994 e 1999. Um período muito rico, que, felizmente, deu resultados muito positivos para a Editora Abril e rendeu muitas histórias que nunca contei. E que agora, no blog, estou contando aos poucos.)
O fotógrafo J. R. Duran ficou preocupado quando ele e a equipe de Playboy chegaram à ilha de Santorini, na Grécia. Apesar de ser um consumado globetrotter, sem contar que estava prestes a realizar o 107º ensaio fotográfico para a revista, era sua primeira vez na ilha, e ele não gostava do que via.
A estrada que saía do acanhado aeroporto mostrava uma paisagem pedregosa, desértica, absolutamente destituída de atrativos. E ele carregava a responsabilidade de fotografar para a edição de 20º aniversário da revista – e no mais glamouroso cenário possível – a mulher mais comentada do país: Adriane Galisteu, a última namorada do supercampeão de Fórmula-1 Ayrton Senna, morto no ano anterior, 1994.
Havíamos, em Playboy, investido meses de trabalho e uma grande soma em dinheiro para conseguir contratar Adriane. No processo de negociação, seria vital o papel de meu amigo querido, compadre e esplêndido jornalista Nirlando Beirão, com quem tive a honra de contar na redação de Playboy como editor especial. Beirão escrevera, para Adriane, o livro-depoimento No Caminho das Borboletas — Meus 405 Dias ao Lado de Ayrton Senna (Editora Caras, 1944, 300 páginas), grande best-seller daquele ano, e era merecedor da confiança da estrela. Minha primeira reunião com Adriane se deu no apartamento de Beirão em São Paulo, e com sua presença. Lembro-me de que, depois, como forma de aproximação, dei uma carona a ela até a casa do piloto Rubens Barrichello, de quem se tornara amiga próxima.
Ao cachê de valor provavelmente inédito até então — é difícil fazer contas exatas com as sucessivas trocas de moeda ocorridas no Brasil desde a fundação de Playboy, em 1975, até então –, pesavam-me os custos e a responsabilidade pelo deslocamento de uma grande equipe para realizar o ensaio o exterior – além de Duran, a editora Ariani Carneiro, a assistente de fotografia de Duran, Sandra Jeha, a produtora Florise Oliveira, o cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi e o maquiador Kaká Moraes e também a à época agente de Adriane, Cristina Moreira.
Uma edição planejada para ser histórica
Por todas as razões, sobretudo pelo pique de celebridade em que estava Adriane, alvo de enorme atenção da mídia, aquela edição estava planejada para ser histórica. Queríamos uma edição de campeões. A entrevista principal, repleta de revelações inéditas, era do campeoníssimo Emerson Fittipaldi. Nada podia dar errado.
Ariani Carneiro, editora de Fotografia da revista e meu braço direito em matéria de contratação, pré-produção e feitura de ensaios, também estava apreensiva. Apesar de que, embora jovem, já tivesse boa experiência em viagens ao exterior — havia trabalhado inclusive no distante e idílico Taiti. (Nos anos seguintes durante nossa gestão na revista, ela faria dezenas de outras viagens para fotografar estrelas, fosse em Aspen, no Colorado, ou em Veneza, Los Angeles ou Istambul, Londres, Roma ou Las Vegas.) “Eu me preocupava com a eventualidade de termos escolhido o lugar errado”, me confessou recentemente.

Num intervalo da feitura do ensaio, a editora Ariani oferece um creme hidradante para Adriane, no terraço do hotel Heliotopos (Foto Sandra Jeha)
Ariani, como Duran, sabia que meu próprio pescoço estava exposto. O contrato com Adriane, muito acima do que vínhamos pagando a estrelas, havia sido negociado por mim, pessoalmente — fugindo à regra geral segundo a qual as negociações eram iniciadas e no mais das vezes concluídas por Ariani, sempre em contato permanente comigo.
Nove dias de trabalho
As apreensões de ambos, porém, logo se dissiparam quando atravessaram uma espécie de grande portal do paredão rochoso que parece proteger Santorini, sobra ancestral de um vulcão extinto, que dá acesso à esplêndida baía de águas azul-marinho, emoldurada por escarpas coalhadas de casas brancas brilhando ao sol — nada mais grego, e mais magnífico.
As atividades começaram no dia seguinte, e se estenderam por 9 dias. Em seus 15 anos de Playboy, Ariani Carneiro não se recorda de tarefa que demandasse tanto tempo. Tenaz em seu objetivo de obter o máximo de originalidade no ensaio, Duran havia previamente anotado uma série de ideias num caderninho — não, não era um iPad… — que costuma levar consigo.

Reprodução parcial da página de um exemplar da edição de agosto de 1995 da revista mostrando Adriane, ao ar livre, como se se banhasse numa bacia
Peculiares, surpreendentes, elas foram se materializando em fotos: Adriane nua, de sandálias brancas de salto alto, passando roupa ao ar livre. Ou, a céu aberto, banhando-se numa bacia (veja reprodução tirada da revista de agosto de 1995 abaixo). Estendida, de olhos fechados, sobre a cúpula curva do chalé do hotel em que a equipe se hospedou, o Heliotopos. Passeando sua nudez num pequeno iate alugado por Ariani. Um close de uma mini-calcinha branca dependurada no varal. Adriane bebendo sensualmente leite de um pires. “Os pressupostos dos ensaios de nu são quase sempre os mesmos”, ressalta o fotógrafo. “O diferencial é a sensação de intimidade que as fotos possam produzir”, ensina.
Aí, e por isso, Duran viria com a proposta de algo “extremamente íntimo” – inspirado em cena rápida e improvisada de sua vida privada, durante uma viagem –, que se tornaria um marco na história da revista: que tal se ela se deixasse fotografar depilando, com um barbeador de lâminas, o púbis?
– Nem pensar! – reagiu Adriane.

Reprodução parcial da página de um exemplar da edição de agosto de 1995 de "Playboy" com aquela que é, provavelmente, a foto mais polêmica da história da revista
Experiente, o fotógrafo jogou a isca:
– OK, sem problemas. Então eu deixo essa foto para fazer em outro trabalho, com outra estrela.
Ele sabia que ela ficaria ruminando aquilo, e não teve erro. No último dia, Adriane, que já se acostumara ao profissionalismo de Duran e se sentia visivelmente mais segura, voltou ao assunto:
– Olha, Duran, pensei bem e aquela ideia pode ser legal.
A foto foi feita em uma locação providenciada por Ariani — o espetacular hotel Tisouras, também debruçado sobre o mar. Hotel elegante e badalado, que tinha entre seus freqüentadores um dos papas mundiais da moda, o italiano Gianni Versace. (Veja acima reprodução parcial da página em que aparece a foto)
De propósito, Duran criou um quadro inverossímel. Adriane não se pôs a depilar-se no banheiro, mas num cenário inusual – uma saleta ornada com quadros, assentada sobre um sofá de couro branco. Tampouco estava nua, e sim de salto alto, blusa de seda azul, faixa branca nos cabelos louros, um anel de ouro e pedra preciosa no dedo mínimo esquerdo, naturalmente sem roupa íntima, com espuma de barbear sobre o púbis e um barbeador comum na mão direita.

Reprodução parcial de página dupla de um exemplar da edição de 20º aniversário: depois da foto à esquerda, Adriana iria almoçar com a equipe vestida como estava
A foto da “deusa loura nua na Grécia”, como dizia a chamada de capa da revista, virou notícia no dia em que a edição veio à luz, atingindo uma venda superior a 1 milhão de exemplares (bancas e assinaturas) e batendo todos os recordes da revista em seus à epoca 20 anos de existência no Brasil.
O colunista Zózimo Barrozo Amaral, que ditava moda e modismos no (infelizmente) extinto Jornal do Brasil, logo a denominou de “raspadinha” – alusão maliciosa aos bilhetes da loteria instantânea, ainda muito em voga naquele 1995.

Ariani clicou esta cena logo após a feitura da foto mostrada mais acima: a estrela seguindo para o almoço com a equipe num restaurante próximo
O tema atiçou uma torrente de manifestações, que incluíram de psicanalistas a programas de fofoca e até mesas-redondas na televisão, do escritor Luis Fernando Verissimo a revistas semanais. Adriane e Playboy não saíam do noticiário. Na festa dos 20 anos da revista, com um show do cantor Bobby Short para 1.200 convidados no Teatro Municipal, em São Paulo, uma multidão se aglomerou na porta para ver, aplaudir e saudar aos gritos a estrela, vestida num longo branco.
Na Folha de S. Paulo, que tratou do caso várias vezes, o exigente colunista Marcelo Coelho sentenciou: “Uma foto antológica”.

A equipe, menos o assistente, que fez a foto, numa das cúpulas redondas do hotel em que se hospedou: da esquerda para a direita, em pé, Duran (de boné), Adriane (com as pernas em torno de Ariani), Marco Antonio e Kaká; embaixo, Cristina, Ariani Carneiro e Florise (Foto Sandra Jeha)
Leia também:
Exclusivo: o fotógrafo J. R. Duran conta como foi feita a nova foto de Adriane Galisteu se depilando
O dia em que Maitê Proença foi regra 3 de Vera Fischer
Uma militante do MST ia posar nua, e o mundo veio abaixo
O dia em que contratei a filha de Fidel Castro para posar nua (1ª parte)
O dia em que Pelé foi, pessoalmente, recolher todas as fotos de Xuxa nua
Revista do fotógrafo J. R. Duran é para “ver, ler e guardar” — e é ótima
Tags: Adriane Galisteu, Ariani Carneiro, Ayrton Senna, Grécia, J. R. Duran, Playboy, Santorini


































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55 Comentários
mariano afonso
-01/02/2012 às 5:46
fas bem a alma comove os bons momentos da pessoa em causa,visto que ele ou ela,faça-o lhe agrada, e nos saibamos entrepreta-las covencionalmente no pusitivo.
antonio marco
-20/01/2012 às 7:14
adriana eu sou seu fam manda uma foto sua para meu facebook
ALAERCIO FLOR
-07/01/2012 às 12:01
Entendo que meu comentario não foi de bom gosto e que não mereceu ser publicado,mas o criterio BOM GOSTO é muito subjetivo….nobre colega jornalista.Obrigado pela atenção.Não há unamidade é burra….no mṕinimo meu comentario foi inteligente ou provocativo,mas não foi de mau gosto.
Carlos Amorim
-06/01/2012 às 5:23
Realmente Galisteu nao tem o rosto tao bonito, basta olhar o nariz dela e os dentes, mas no conjunto geral, ela se tirna agradavel, e convenamos que se nao fossem os olhos verdes, e sua personalidade, passaria desapercebida… O corpo eh sexy por ser magro e malhado, mas nao diria ser “maravilhoso” como citaram abaixo, pôs falta “bumbum” e seios, que alias, depois que ela amamentou, ficaram “tristes”, expressão que a própria Galisteu usou para justificar um possível silicone, o que só a deixaria mais bela. Acho bobagem ela querer sempre ser vista como uma mulher natural, quando a própria natureza, nao a favorece tanto. Mas o mais importante que a dita beleza, eu a admiro como pessoa e personalidade artística. Uma mulher singular.
@carneiro_rio
-06/01/2012 às 2:38
Acho preconceito considerar uma ‘raspadinha’ infantilização do sexo,estética pedófila etc. Prefiro as totalmente depiladas e também me depilo. E minha namorada e minhas amigas tambm preferem homens depilados. É questão até de higiene… Afinal se pentelho fosse bom, não seria apelido de gente chata.
Sonia
-05/01/2012 às 23:33
Com tantos noticiários chatos que estamos tendo nesses últimos dias, o seu texto caiu como uma luva, adorei
Agradecemos em nome do Ricardo Setti.
Abraços,
Equipe do blog
Teresinha
-02/01/2012 às 16:21
Adriane Galisteu foi muito incompreendida por namorar o Ayrton Senna, ela abriu mão de sua carreira para acompanhá-lo, que era uma carência dele.
Na entrevistas em que ela pode relatar esse período, seguido da perda de Ayrton, sempre relatou que a edição dessa Playboy foi que ajudou a retomada da sua vida e de sua carreira de modelo.
wordnick
-02/01/2012 às 14:23
seu período foi o mais fecundo da playboy brasileira.
lástima vivermos em uma taba medíocre como o brasil. por um punhado de dólares anuais, acesso online todas as edições norte-americanas da revista – a qq hora, de qq lugar.
neste fim de mundo, onde não se consegue editar um reles best-seller em formato eletrônico, isto é impensável.
no país mais caro do mundo, o consumidor é só um paspalho.
Muito obrigado pelas palavras, meu caro.
Um abração
Marbene Araújo Bueno
-16/09/2011 às 22:47
Aff!!!!!!!!!!!!
rossini thales couto junior
-15/09/2011 às 22:38
Caro Setti:
Leitor assíduo da Playboy, redundante eu seria se afirmasse que a sua gestão à frente daquela revista foi sem dívida, talvez a mais brilhante de todas. A revista, independentemente das belas mulheres, sempre trazia matérias interessantes e muito atuais. Bons tempos aqueles, meu caro Setti. Contudo, ficaram na minha mente as imagens e as excelentes reportagens publicadas pela nossa querida Playboy.
Um abração do amigo
Rossini
Desculpe a tardia resposta a um comentário tão simpático e generoso como o seu, prezado Rossini. Minha equipe e eu realmente nos esforçamos ao máximo naqueles anos para que a revista tivesse sucesso, e felizmente fomos recompensados pelos leitores e pelos anunciantes.
Um abração
Alaércio Flor
-02/09/2011 às 15:07
Não considero seu comentário de bom gosto, caro Alaércio, e assim não vou publicá-lo.
Sei que vc entenderá.
Rapinante
-02/09/2011 às 15:01
Seu comentário ofende uma pessoa que nada tem a ver com o blog — foi apenas objeto de um relato –, e não acho correto publicá-lo.
Fica para uma próxima vez.
Espero que você entenda.
Gleiciane
-09/08/2011 às 11:45
No meio de tantas opiniões masculinas vai a minha. Sou leiga neste assunto Nudez e particularmente não dou a mínima para o nu artístico, talvez por que já sou da época do erótico banalizado como citou Reinaldo-BH, e da internet onde tudo, ou quase tudo é permitido. Outra coisa é o Photo Shop… depois dele todas as mulheres fotografadas para revistas diversas se assemelham a criações virtuais. As curvas e a pele parecem ter saído de uma fábrica de brinquedos.
Mas a opinião não é esta, a opinião é que depois de ler este bastidores percebi que o nu artístico existiu um dia, toda esta equipe, planejamento, profissionalismo… Fantástico!
Gostei e respeito este trabalho. Pena que não acredito que ainda exista desta forma.
Abraços
etiene
-08/08/2011 às 10:01
Etiene, o blog publica críticas, mesmo as mais duras. Mas xingamentos, grosserias e ofensas, não. Assim sendo, seu comentário foi suprimido tendo em vista as regras do blog.
Se ainda não as conhece, por favor, vá ao link
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/amigos-depois-de-mais-de-8-meses-de-blog-e-40-mil-comentarios-nao-havera-mais-asteriscos-comentarios-com-linguagem-inconveniente-serao-deletados-vejam-minhas-razoes-e-as-regras-para-comentarios/
Klecia Reis
-04/08/2011 às 21:36
Ela não tem o rosto bonito; mas o corpo é maravilhoso!
Kleber
-25/07/2011 às 16:34
Parabéns pelo texto, excelente matéria, e a Playboy de Agosto de 1995 é literalmente histórica, impossivel de se esquecer. Parabéns.
Edvaldo Moraes de Sousa
-18/07/2011 às 21:48
SIMPLISMENTE MARAVILHOSA
Enio
-11/07/2011 às 16:31
Com diria o finado Carlos Imperial: Faltou a sacanagem !!! Parabéns Setti.
Petista arrependido
-07/07/2011 às 19:09
Ricardo,
Nós temos a mesma idade e ficar vendo essa menina pode fazer mal para o nosso coração.
Vá mais devagar,meu velho!
José Armando BUENO
-02/07/2011 às 17:41
Setti, simplesmente DEZ. Texto brilhante, fotos cintilantes, uma viagem no tempo que não para… não paraaaaaa… como diria o poeta Cazuza.
Henrique
-30/06/2011 às 14:37
Em 1995 eu tinha apenas 8 anos de idade, e ainda não tinha o prazer de ver Playboy, embora eu sempre olhava as revistas do meu tio. Portanto, não tive essa época áurea da revista. Mas me lembro bem de quando comprei essa edição, 5 anos depois de publicada. Tenho um carinho especial por esse ensaio. Belíssimo trabalho. E tenho saudades do tempo que eu não tive sobre a Playboy.Obrigado pelos seus textos, e sempre aguardo mais essas histórias secretas de Playboy. Grande abraço. Henrique.
Muito obrigado, caro Henrique. Mais textos virão.
Abraços
luiz coelho
-27/06/2011 às 17:53
show…belo relato.
Obrigado, caro Luiz.
Um abração e volte sempre.
Airton
-14/06/2011 às 22:26
Eu não posso negar que são divertidos estes comentários.
Principalmente os “malcriados”
Não é esse o caso em absoluto, mas já há notícias e blogs em que a parte dos comentários é de longe a parte mais interessante da página.
Reynaldo-BH
-14/06/2011 às 12:24
Grande Setti. Duas breves observações. Impressionante como a Internet (que nos permite estar aqui e interagir) banalizou o erotismo! Uma Playboy como esta era uma produção quase artística: locação, equipe, a fotografada, viagens, cuidado estético, etc. Vivemos a época do imediatismo via WEB. Certamente o orçamento deste ensaio deve hoje financiar uns dez filmes (??) com as estrelas saídas de realitys shows ou banheiras do Gugu. O erotismo banalizou-se. Seria pela necessidade do imediatismo da WEB, que em outra vertente, transforma os sites de notícias em meros apresentadores de fatos relegando a segundo plano a análise e a crítica? Como tudo na vida, nunca creio em só “mal ou bem”. Este maniqueísmo sempre é falho. Se por um lado esta tendência ao “manchetismo” na imprensa é redutora, por outro abriu espaço a blogs de opinião (como o seu, do AN, Reinaldo, Josias, Noblat, etc). Não seria o caso de haver uma revista no Brasil que resgatasse o erotismo frente à vulgaridade? Ou estou ficando mais velho do que imagino?
A segunda observação é a infantilização do sexo – não diria incentivada – admitida pela moda de depilação. Questões estéticas à parte, nunca havia atentado para este fato. Parece-me incrivelmente óbvio! Uma mulher depilada remete sim a um corpo infantil! Talvez isto explique um incômodo que sempre senti nesta moda íntima. E que não sabia porque… De todo modo, o trabalho com a bela Adriane foi igualmente belo. Vale sim como item de curriculum.
Abraços.
Caro Reynaldo, concordo em linhas gerais com seus comentários sobre a banalização do erótico. Quanto à depilação completa do púbis, há tempos considero que tem, sim, algo a ver com infantilização. Faz o corpo de uma mulher adulta guardar semelhança com o corpo de uma criança do sexo feminino.
No caso específico do meu período como diretor de Playboy, essa “moda” não estava tão disseminada. E Adriane simulou uma depilação na região da virilha.
Um abração
Márcia Maria
-05/06/2011 às 12:06
Sr. Marco a melhor música do Sidney Magal é: http://www.youtube.com. br -Tenho
Marco
-03/06/2011 às 15:42
Amigo Setti: vou tentar um link, para a Drica, q achei muito bom, espero conseguir.
http://www.youtube.com.br“sidneymagal-omeusangueferveporvoce”
Abs.
HELIO
-03/06/2011 às 15:21
esta revista vi, revi, tornei a ver, acho se tiver uma oportunidae verei de novo, esta valeu apena
marcos
-03/06/2011 às 13:25
Me recordo desta foto até hoje, que coisa mais linda a Adriane no auge da sua forma, explendida, linda, tesuda, uma delícia.
Caio Frascino Cassaro
-02/06/2011 às 21:44
Prezado Ricardo:
Vou arrumar o texto, sim, conforme respondi na caixa de comentários do outro post. Com relação aos malcriados de plantão, acho incrível a postura de alguns indivíduos que, mesmo tendo oportunidade de ter uma interlocução inteligente como a que ocorre neste espaço, preferem a grosseria e a boçalidade como forma de expressão. Como digo sempre, é uma questão de paradigma. Só isso.
Um abraço
Pois é, Caio. Fazer o quê?
Abração
Caio Frascino Cassaro
-02/06/2011 às 18:48
Prezado Setti:
Será que foi inspirado nela que Tarso Genro escreveu suas tertúlias “seminais”?
Em tempo: a molecada aqui do escritório coleciona a revista e considera essa edição, junto com uma especial da Sheila Carvalho, uma da “Tiazinha” e uma da “Feiticeira” as “TOP FOUR” da história da revista.
Um abraço
Hahahaha, vai ver que foi.
Obrigado pelas top four. Se são o que imagino, foram todas em meu período.
E seu Post do Leitor, sobre o qual eu o consultei hoje, como é que fica? Você mandou um comentário que já meio caminho andado, é só mexer um pouco no texto.
Abração
Marco
-02/06/2011 às 15:56
Amigo Setti: Não resta dúvida Setti, q esse trabaho foi um dos mais grandes pendores artísticos da Revista. E ela volta agora com 38 anos e mãe para edição de níver de agosto.
Abs.
PauloMarx
-02/06/2011 às 13:08
Querido Ricardo, parabéns por sua generosidade, afinal se estas historias virassem um livro imagino o quanto venderia. Parabens tambem pelo recorde de vendagem, em uma época em que se lia revistas ( tenho uma
Claudia Moda com mais 500 paginas!!!!), recorde este que jamais será batido!!!
Caro Paulo, quem agradece sou eu.
Abração
Jose Roberto
-02/06/2011 às 10:40
Caro Ricardo, muito divertidas as lembranças de Playboy curto bastante, mas hoje lendo comentários lembrei-me de meu finado pai : Educação cabe em qualquer lugar (inclusive na Internet) Abraços
Você tem toda razão, e seu finado pai também.
Um abração e volte sempre
lucia s
-01/06/2011 às 0:56
Só de brincadeira: eu ia adorar ver o Antonio Banderas ou algum similar, se depilando…
Porque os bonitões masculinos não fazem isto?????
Preconceito? A revista deveria ter os dois sexos oficiais.
Zezé
-29/05/2011 às 12:31
quanto ao cachê, realmente, é difícil dizer.
Afinal de contas foi em dólar.
Papinho furado esse de sucessivas trocas de moeda, bla bla bla.
Cria vergonha na cara, rapaz.
Não acha feio fazer o leitor de tonto?
Fala logo quantas verdes custou.
ou é errado?
qualquer coisa tá prescrito, mesmo.
Mais educação, caro Zezé. Um pouquinho mais de educação lhe faria bem.
O cachê não foi em dólares, não. Foi em reais. Já estávamos na époc do real.
Não teve “papinho furado de nada”.
Vergonha na cara deveria ter você, pela má educação.
Não estou fazendo o leitor de “tonto”. Tenho o maior respeito pelos meus leitores.
E tenho respeito também pelos compromissos que assumo e assumi. No caso, assumi com a Abril o compromisso de confidencialidade sobre cachês, e pretendo mantê-lo.
O que é que estaria “prescrito”?
Júlio Almeida
-28/05/2011 às 1:14
Ricardo, belíssimo texto e ótimas narrativas, sempre espero o próximo, SEMPRE! Você prá mim foi genial, também naquela época, como agora. Quero saber se não tem convites para escrever novamente para a revista, quem sabe para este ensaio. O que você mudaria na atual conjuntura da revista no país?
Abração.
Muito obrigado, caro Júlio, por sua gentileza e generosidade. Já escrevi para a revista há algum tempo, um artigo, e tenho boas relações com o atual diretor, Edson Aran. Sobre o que mudaria na revista? Seria antiético e deselegante comentar, a meu ver.
Obrigado por seu interesse, volte sempre e um grande abraço.
MARLUCIO
-27/05/2011 às 20:50
EU SABIA QUE IA DAR NISSO,MAQUEARAM O BRASIL PARA QUE LULA ELEGESSE SEU SUCESSOR,AGORA ESTA TUDO VINDO A FLORA INCLUSIVE A INFLAÇÃO.
Luiz Almeida
-25/05/2011 às 15:15
Ainda tenho este exemplar. Aliás, guardo centenas de exemplares, inclusive aquele que narra uma aventura do Hélio Setti, que me fez correr em busca do livro dele que hoje guardo com muito carinho. Saudações!
Muito obrigado, caro Luiz. Lembrar de meu querido primo e irmão Helio Setti Jr., que tão precocemente se foi, me emociona muito.
Um abração e volte sempre.
Flavio Siqueira
-24/05/2011 às 7:19
Olha, acho muito bacana a mulher se depilar, principalmente as partes intimas. **** ***** ***** ***** ***** ***** ***** ***** ***** ***** *****
No ensaio da revista, havia apenas uma simulação de depilação apenas na virilha. As demais fotos mostram isso.
Alvaro
-21/05/2011 às 20:03
Caro Ricardo Setti
Na verdade, com esse texto, estou pleiteando uma publicação no “Post do Leitor”, mas não sabia como enviar. Então entrei por aqui. Achei que são assuntos correlatos. Se voce achar que posso publicar o texto onde pretendo, agradeço. Se não, agradeço do mesmo jeito.
Um abraço, vai aí o texto de minha autoria.
Amigo Álvaro, muito obrigado por sua iniciativa de escrever. O texto é divertido e criativo, mas não o acho apropriado para publicação no blog, como Post do Leitor ou como comentário.
Você deveria, sem trocadilho, aprofundá-lo porque é interessante. Eu retiraria certas palavras e passagens mais chulas, para torná-lo mais elegante.
Um abração
Moacyr Macedo
-21/05/2011 às 19:37
Obrigado Setti!!
Aqueles foram áureos tempos de ouro, vamos dizer olimpianos. Que saudade!! Eu vivi e acompanhei tudo!! Fiquei até tarde da noite para assistir o Amaury Jr., na Band, entrevistando as estrelas e uma multidão acompanhando a tudo atrás de um cordão de isolamento. Quando a Adriane Chegou, parecia o Red Carpet do Oscar!! Incrível o que ela causou!!
Acompanhei nos jornais, revistas, rádio, televisão, foi assunto para muito, muito tempo!!
A revista estava repleta de reportagens incríveis!!
Você tem toda a razão de se orgulhar da sua gestão e equipe. Tinhamos um telefone para entrar em contato, o grande ROMÁRIO OLIVEIRA, a Ariane antenada a nossos desejos, o Nirlando e suas matérias originais e todos os demais.
Vale ressaltar que naquela época tivemos muitas mulheres bonitas!! Vocês realizaram um grande sonho meu, a Isabel Fillardis!!
Obrigado!!!
Obrigado mesmo!!
Este momento é histórico na minha vida!!
Abração,
Moacyr Macedo
Muito obrigado por seu email tão caloroso e gentil, caro Moacyr. Foram realmente bons tempos, e conseguimos, durante os 5 anos em que dirigi a revista, excelentes resultados do ponto de vista de vendagem e de publicidade e, mais importante para mim, do ponto de vista do jornalismo de qualidade que fazíamos e que obtinha excelente repercussão.
Já que você falou da Isabel Fillardis, tive a honra de ser o diretor que colocou a primeira estrela negra na capa da revista.
E faço questão de ressaltar, também, que Isabel foi, disparado, entre as estrelas com as quais lidei durante todo esse tempo, não apenas uma das mais bonitas, mas uma das mais profissionais, educadas, simpáticas e corretas em todos os sentidos.
Um abração
Angelo Losguardi
-21/05/2011 às 15:09
O único problema que vejo nessa edição é ter consolidado uma moda de depilação que persiste desde então, e eu considero de muito mau gosto, além de em minha opinião remeter a uma estética pedófila.
Caro Ângelo, você é a primeira pessoa que vejo concordar com tese pessoal que venho expondo a amigos: a depilação completa do púbis das mulheres, que aparentemente está em moda pelo menos no Ocidente, tem um lado inegável de infantilização do sexo e, sem dúvida, como diz você, remete ou pode remeter, mesmo que remotamente, a uma estética pedófila.
Mas queria esclarecer que não ocorreu nada parecido naquela edição, nem essa depilação a que nos referimos estava, então, em moda (era o ano de 1995). A foto polêmica de Adriane a mostrava como que depilando a virilha, como tantas mulheres fazem ou faziam. E as demais fotos do ensaio em que aparecia o púbis mostravam que não se tratava do tipo de estética a que você se refere.
Um abraço
Bruce Leal
-21/05/2011 às 13:59
Qual será a próxima história, Setti?
Ainda não sei, amigo Bruce. São muitas, e nem todas glamourosas. Houve problemas, também, que quero contar.
Abraços
Tonho
-20/05/2011 às 20:47
Meu ídolo,meu herói,foi como perder um irmão!Era o que todo mundo dizia.Mas bastou o cara morrer pra todo mundo ir pra cima da viuva **** ***** ***** ***** ***** ***** *****.E a raspadinha foi uma idéia genial.Foi a viuva tirando o luto e oferecendo-se à cobiça do idevorador do totem.
O brasileiro é solidário:na sacagem com a viuva do amigo morto.
cristiane rebola
-20/05/2011 às 16:38
Cristiane, seu comentário é de muito mau gosto e por isso não o publico.
Saudações
Markito-Pi
-20/05/2011 às 12:59
Foi belíssimo, Setti. Nenhuma vulgaridade.Graças ao genio do grande Jose Ruax, o Duran.E da equipe. Soube em detalhes, o trabalhão que deu, pois a modelo nasceu, viveu, vive e jamais deixará de ser
a vulgaridade em pessoa.
Jotavê
-20/05/2011 às 11:20
lucia s
Discordo. Não vejo vulgaridade nenhuma.
Vejo apenas a explicitação sutil e artisticamente trabalhada de uma parte fundamental da imaginação masculina.
Que mal há nisso? E de onde você tirou a ideia de que fotos sensuais “rebaixam” ou “enfraquecem” a mulher? Desde quando as fotos da G Magazine “rebaixaram” os homens, reduzindo-os a meros artigos de consumo?
O que você “consome” numa foto não é uma pessoa.
Fotos não falam, não vão a restaurantes, não sentem saudades, não contam piadas, não reclamam da vida.
O que consumimos num ensaio fotográfico sensual, na verdade, é nossa própria imaginação. E não há nada de errado nisso.
Por que continuar lançando um olhar tão antigo (e tão medroso) sobre a nossa sexualidade?
Lapeno R
-20/05/2011 às 9:43
Lembro como se fosse hoje o frisson que essa Edicao da revista causou. Provavelmente o melhor ensaio da revista, a Galisteu realmente saiu belissima (a foto do pires e a minha preferida), em uma era em que o uso de photoshop ainda nao tinha disseminado forte. O Talento da fotografia e da producao, cenario e o contexto que eram a verdadeira arte e essenciais para a beleza deste tipo de trabalho.
Um grande abraco Ricardo e obrigado mais uma vez por compartilhar conosco essas historias muito interessantes.
Julio
Quem agradece sou eu, caro Lapeno. E sou suspeito para elogiar o ensaio e toda aquela edição dos 20 anos…
Abração
Bruce Leal
-20/05/2011 às 9:32
Setti, e quanto ao ensaio que a Adriane fez antes desse para a revista? É mito ou verdade? O Senna levou todos os negativos mesmo? Nunca publicaram ou tentaram publicar nenhuma foto desse ensaio?
Acho que é uma boa história secreta a se contar, também.
Forte abraço.
Caro Bruce, é verdade e eu vi as fotos. Mas não foi na minha época, foi durante a gestão do excelente jornalista e grande amigo Juca Kfouri, que me precedeu.
Adriana havia sido fotografada antes de conhecer Ayrton e as fotos foram adquiridas pela revista. Quando começou a namorá-la, Ayrton Senna telefonou a Juca e solicitou se era possível não publicar o material, uma vez que, estando com ele, ela havia mudado de situação, não era mais uma modelo pouco conhecida etc. Em homenagem ao campeão, Juca concordou.
Não me lembro mais se o Juca devolveu as fotos originais para Ayrton, mas havia em minha época cópia de todas elas no arquivo da revista. Eu, naturalmente, cumpri à risca o acordo feito e as fotos permaneceram guardadas com segurança.
Abraços
lucia s
-20/05/2011 às 0:43
Tem dó! cabeça masculina adora vulgaridade. Seria bom se o espirito de Senna voltasse e falasse sobre a “namorada”.
Mais de trinta anos de feminismo e continuamos pedaços de carne num açougue patético.
Galisteu e similares, socorro!
ed morte
-19/05/2011 às 23:48
Como fizeram para esconder os seios “caidos” dela???
Bruce Leal
-19/05/2011 às 21:54
Os melhores tempos da Playboy…
O ensaio da Adriane é um dos melhores da revista. Não só a foto dela se depilando é excelente e criativa, o ensaio como um todo o é.
Adoro ler essas curiosidades sobre a Playboy.
Em tempo, parece que Adriane está quase com contrato fechado para uma volta às páginas da revista.
Caro Bruce, muito obrigado por referir-se a essa época como “os melhores tempos de Playboy”. Sou suspeito para dizer se foram ou não, mas o fato, que muito me orgulha, é que durante os 5 anos em que comandei a revista conseguimos 9 das 10 edições mais vendidas em bancas da história. Não tenho os dados atuais, mas creio que, entre as 10 mais vendidas, ainda 7 são daquele período. E jornalisticamente fizemos também uma grande quantidade de trabalhos de que tenho orgulho, com uma equipe inesquecível e muito competente que tive a felicidade de dirigir.
Abração
JMello
-19/05/2011 às 21:52
Grandes lembrancas dessa edicao! Me lembro das conversas com minhas amigas naquela epoca e sempre seguia a perguntinha: voce faz do mesmo jeito?
Camilla Carvalho
-19/05/2011 às 20:40
Sem duvidas a melhor edicao de Playboy.
Continue contando tudo pra gente.
Acompanho a revista a anos.