08/11/2010
às 10:12 \ Bytes de MemóriaHistórias secretas de “Playboy” (3): o dia em que contratei a filha de Fidel Castro para posar nua (1ª parte)
(Os leitores não têm a menor obrigação de saber, mas a uma certa altura de minha longa carreira no chamado jornalismo hard – cuidando especialmente de temas políticos e relações internacionais – e no desempenho de cargos editorias executivos, coube-me ser diretor de Redação da revista Playboy, entre 1994 e 1999. Um período muito rico, que, felizmente, deu resultados muito positivos para a Editora Abril e rendeu muitas histórias que nunca contei, até começar com o blog. Duas histórias já foram publicadas. Esta é a terceira. Uma versão condensada, com pouco mais de metade da extensão desta, foi publicada pelo número 2 — setembr passado — da revista Alfa).
Quando o Boeing 767-200 prefixo PP-VNP da Varig desceu o trem de pouso à chegada no aeroporto de Barajas, em Madri, na manhãzinha daquele 9 de março de 1998, uma segunda-feira, confesso estava apreensivo. Não por medo de aterrissagens. É que, em questão de horas, eu tentaria fechar uma negociação que, para quem na época era diretor de Redação de Playboy, poderia ser histórica, fazendo a revista estourar nas bancas e repercutir na grande mídia brasileira e internacional: tratava-se de levar para a capa e seu principal ensaio fotográfico, nua, ninguém menos do que a única filha – ele tem outros sete filhos – do ditador cubano Fidel Castro, Alina Fernández Revuelta.
Não é que faltasse sucesso para Playboy, felizmente. A revista ostentava havia 20 anos a condição de maior publicação masculina do país. Além disso, com apoio forte da Editora Abril, times excelentes nas áreas de marketing, circulação e publicidade e uma equipe espetacular na redação, a gestão que iniciei em Playboy no final de 1994 vinha numa curva ascendente de vendas e de faturamento.
Àquela altura, tínhamos alcançado quatro das dez edições mais vendidas na história da revista desde a sua fundação, ainda com o título de Homem, em agosto de 1975 – chegaríamos a nove das dez campeãs, quando deixei Playboy, no final de 1999. A edição do 20º aniversário, ostentando na capa Adriane Galisteu e contendo um forte pacote jornalístico, em agosto de 1995, batera todos os recordes brasileiros em bancas – mesmo alguns memoráveis, mas não inteiramente comprovados, como os da falecida O Cruzeiro –, beliscando o milhão de exemplares.
LEGIÃO ESTRANGEIRA, CONGO EM GUERRA E VIAGENS COM FHC — Orgulhávamo-nos das realizações jornalísticas da revista, cujos editores e repórteres se desdobravam em todas as áreas, no Brasil e no exterior. Num perfil a cargo do escritor Fernando Morais, por exemplo, o ex-presidente Fernando Collor, na solidão da Casa da Dinda, acusou seu vice e substituto, Itamar Franco, de “traição”. Outros poderosos da vez estavam presentes em nossas reportagens e entrevistas: Antonio Carlos Magalhães, César Maia, Tasso Jereissati ou o presidente da Argentina, Carlos Menen.
Fomos ao Congo (então Zaire) em guerra civil, a Hong Kong depois de passar do domínio britânico para a soberania chinesa, ao Iraque para ver como vivia, amava e se divertia a juventude sob a ditadura sanguinária de Saddam Hussein. Viajamos na comitiva do presidente Fernando Henrique Cardoso para revelar os bastidores de suas missões internacionais, contamos o drama de um brasileiro no corredor da morte em uma penitenciária da Flórida, nos Estados Unidos, reportamos o difícil trabalho dos 1.200 soldados brasileiros em missão de paz na conflagrada Angola e nos aventuramos nos confins do Djibuti, no Chifre da África, para narrar a história e as ações da mitológica Legião Estrangeira francesa. E por aí vai.
Outras áreas de interesse também nos davam satisfação pelos resultados. O ministro da Educação, Paulo Renato, considerava o hoje extinto Ranking Playboy das Melhores Faculdades do Brasil “o melhor instrumento de avaliação do ensino superior brasileiro” antes da instituição do Provão pelo MEC, em 1996. Nossos concursos de contos incluíam no júri escritores do porte de Nélida Piñon, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Lígia Fagundes Telles e Ivan Angelo. No capítulo charme, indispensável para a revista na época, havíamos, entre muitas atrações, contado as maravilhas do Principado de Mônaco, descrito os segredos e histórias do célebre Harry’s Bar, de Veneza, visto e reportado por dentro os desfiles da alta moda em Paris, com suas supermodelos maravilhosas, bem como o vidão dos multimilionários em St. Barthélemy, no Caribe.
FUGA ROCAMBOLESCA DE CUBA — Nada disso, porém, me removia a apreensão quando as turbinas do Boeing silenciaram e começou o desembarque em Madri, sob uma temperatura ainda fria do final de inverno. O sucesso alcançado, de acordo com os melhores manuais, não é suficiente para uma publicação: havia que continuar surpreendendo, informando e entretendo o leitor para sobreviver com saúde, sobretudo numa fase em que a internet já produzia estragos em jornais e revistas impressos.
Alina, a “filha rebelde” de Fidel, fruto de um affaire de uma mulher casada e rica, Natalia “Naty” Revuelta, com o líder barbudo nos primórdios da luta contra a ditadura de Fulgencio Batista em Cuba, reunia sem dúvida condições para ser uma surpresa espetacular na capa de Playboy. Ela conseguira capturar manchetes do mundo todo ao fugir de forma rocambolesca da ilha em dezembro de 1993, rumo a Madri, com passaporte espanhol falso e um disfarce que incluía a imitação de um sotaque, roupas espalhafatosas e uma peruca encimada por um boné.
No ano seguinte, de novo ganharia destaque na mídia ao protestar publicamente contra a presença de Fidel na Assembléia Geral da ONU, em Nova York. Posteriormente se conheceriam mais detalhes sobre a complicada, difícil e kafkiana história de Alina, para quem até os 10 anos de idade parecia tão certo como o nascer diário do sol o fato de seu pai ser o dr. Orlando Fernández Ferrer, o médico gentil e carinhoso com o qual a mãe se casara e tivera, antes dela, outra filha, Natalie.
Um dia, de uma só vez, a menina ficou sabendo que o dr. Orlando, proibido pela revolução triunfante de manter clínica particular, fora embora para Miami com a irmã Natalie, e que seu pai de verdade era o barbudo grandão que mandava em Cuba, visitava a mãe com frequência em horas estranhas e agia como uma espécie de tio ou padrinho.
PAI FRIO, DISTANTE E AVARO — Ao longo da relação conturbada que viveriam anteriormente à ruptura de Alina com Fidel, aos 23 anos, ele se revelaria um pai frio e distante, com quem ela não conseguia falar ao telefone, que não respondia a suas cartas e chegou a passar quase dois anos sem encontrar tempo para vê-la nem para recebê-la no Palácio da Revolução.
No plano material, mostrava-se mesquinho e avaro numa escala inimaginável: dava-lhe, de quando em quando, uma mesada próxima da esmola, presentes de camelô e, em seu primeiro casamento, ofereceu a título de “festa” alguns doces, uma salada de macarrão e dez garrafas de rum. Não bastasse isso, agia de forma despótica, até o extremo de um dia ordenar a prisão da própria filha como prostituta por ter-se enamorado de um estrangeiro, um italiano, que seria prontamente expulso da ilha e da vida da jovem. Aí deu-se a ruptura final de Alina com Fidel.

Alina ao lado de Fidel, no dia do casamento: os presente do pai foram alguns doces, uma salada de macarrão e dez garrafas de rum
Não é de estranhar, pois, que Alina recusasse o sobrenome Castro, oferecido depois de anos por Fidel como uma grande concessão, e a certa altura ela acabasse sofrendo de um grave distúrbio de fundo psicológico, a anorexia, dificuldade que pode chegar à impossibilidade de comer, que lhe deixaria sequelas.
Mesmo assim Alina tocou a vida: morou em Paris durante um período em que a mãe exerceu funções na embaixada de Cuba, estudou balé, chegou a vencer competições de natação, cursou alguns anos de Medicina, trabalhou em diferentes funções, inclusive na de modelo da estatal cubana de moda La Maison, e teve uma filha, Alina-María Salgado Fernández, a “Mumín”, do terceiro de seus cinco casamentos.
FORAM TRÊS ANOS DE CONTATOS — Era com essa mulher de incrível biografia que eu iria negociar em Madri. A negociação, esperava eu, culminaria um longo e difícil processo de mais de três anos de contatos, pessoais, por telefone e por fax – estávamos no período histórico imediatamente anterior ao e-mail – entre Playboy e Alina, durante os quais conseguimos manter um quase milagroso sigilo (qualquer vazamento prejudicaria o efeito-surpresa que pretendíamos).
Quando cheguei à revista, em novembro de 1994, mantinha a lembrança de, meses atrás, a filha rebelde de Fidel denunciando os abusos cometidos pelo regime cubano. Sempre procurei, nas funções que exerci, buscar boas histórias no vácuo de acontecimentos relevantes ou interessantes que a mídia trata e depois esquece.
E uma das primeiras tarefas que encomendei ao redator-chefe Humberto Werneck, excelente jornalista, grande amigo e companheiro em outras redações, seria justamente investigar o paradeiro de Alina.
Werneck conhecia Cuba muito bem e lá conservara proveitosa rede de contatos, fruto de várias viagens profissionais em diferentes ocasiões e para diferentes veículos. Buscaríamos, expliquei-lhe, um duplo objetivo: produzir um rico perfil da filha de Fidel para publicação e, adicionalmente, abordá-la com um convite para posar despida – mas só após estar de posse de todos os dados necessários ao texto.
Não queria correr o risco de perdermos a reportagem caso a proposta fosse mal recebida. O convite não se fundava exclusivamente no nome de Alina: a julgar pelas fotos publicadas em jornais e revistas, a ex-modelo reunia condições estéticas para figurar na revista.
Werneck lançou-se à tarefa e logo descobriu que Alina vivia no Estado da Geórgia, baluarte do conservadorismo do Sul dos Estados Unidos, na improvável, monótona cidade de Columbus, cuja única importância na ordem das coisas consiste em ser a terra do inventor do xarope que deu origem à Coca-Cola.
A HORA DO CONVITE E UM “POR QUE NÃO?” — Demandou tempo e paciência convencê-la a atender ao telefone e, mais ainda, a recebê-lo, segundo o próprio Werneck contaria em texto que contém uma parte desta história, publicado na Mitsubishi Revista de junho de 2004, reproduzido, no mesmo mês, no Caderno 2 de O Estado de S. Paulo e que acaba de voltar à tona no recém-lançado livro de crônicas O Espalhador de Passarinhos (Edições Dubolsinho, 2010).
Nossa persistência, contudo, venceu, e em fevereiro de 1995 ele embarcaria para os EUA, passaria quatro dias em Columbus, onde chegou via Atlanta, e produziria o rico perfil de Alina publicado na edição de abril da revista, sob o título “A filha do homem”. Alina conseguira permissão de Fidel para trazer a filha aos EUA e estava às voltas com um livro de memórias encomendado pela gigante editorial alemã Bertelsmann que não conseguia fazer avançar.
Em sua nova vida, apanhava de instrumentos elementares do capitalismo, como talões de cheques e cartões de crédito, e contou ao repórter episódios dramáticos de sua vida e do relacionamento com o pai que nunca chamou de pai, embora só alguns dos narrados anteriormente neste texto.
Estes só se tornariam públicos, junto a uma enxurrada de fatos sobre as infernais condições de vida em Cuba e o grau de violência e corrupção que ela testemunhara no regime, quando o livro finalmente veio à luz em Barcelona, em 1997, alguns meses antes de minha viagem: Alina – Memórias de la Hija Rebelde de Fidel Castro.
De todo modo, em Columbus, Werneck cumprira com o costumeiro brilho a primeira parte da encomenda, ao recolher minuciosamente informações, declarações e impressões para o perfil de Alina. A segunda parte – o convite para posar – ocorreria no segundo dia de entrevistas, numa noite em que acompanhou a filha de Fidel à casa de uma amiga, Elena Días-Versón Amos.
Esta senhora cubana radicada nos EUA, então com 68 anos, viúva de um magnata americano e personalidade ativa na ajuda a compatriotas exilados, acabou facilitando a tarefa de Werneck. Ao saber que o jornalista trabalhava para a edição brasileira de Playboy, doña Elena, financiadora da fuga de Alina, perguntou, com uma pontinha de malícia:
– Mas o senhor não veio convidá-la para posar para a revista, não é?
– Por que não? – rebateu Werneck, entrando pela primeira vez no assunto e agradecendo aos céus que a iniciativa partisse de doña Elena. Para sua surpresa, Alina repetiu a pergunta:
– Por que não?
A filha Mumín, porém, a essa altura com 17 anos de idade, escandalizou-se e expressou contrariedade:
– Mamá, no digas eso!
HISTÓRIA DE JOÃOZINHO E MARIA — Apesar da mãe agnóstica, Mumín se convertera ao catolicismo, e já devidamente adaptada ao Bible Belt, o “Cinturão da Bíblia” dos EUA, onde se situa a Geórgia, era frequentadora de um grupo de estudos religiosos. Alina, entretanto, à saída do apartamento de doña Elena, cochichou a Werneck que a procurasse no dia seguinte, à tarde, enquanto Mumín estivesse na escola, para falarem mais à vontade da hipótese.
Werneck notou a animação da entrevistada logo ao chegar a sua casa de fachada de tijolos: ela juntara, para mostrar-lhe, uma série de fotos caseiras e algumas do seu período de modelo. Ponderou, porém, que, aos 38 anos de idade e levando vida sedentária – deixara de frequentar academias e abandonara o jogging desde a chegada aos EUA, havia ano e pouco –, se achava acima do peso.
– Tengo que ponerme en forma – disse, aparentemente decidida a, na ocasião certa, encarar o convite. Os dois combinaram uma brincadeira, um história de Joãozinho e Maria às avessas. Na fábula, o menino prisioneiro da bruxa má deveria exibir o dedinho através das grades que o mantinham preso para revelar seu processo de engorda e o ponto de ser devorado. Pelo acordo com Alina, ela manteria Werneck informado dos resultados dos esforços com a alimentação e os exercícios. Alina, no entanto, não respondeu nem sim nem não à proposta financeira que encaminhei por meio do redator-chefe. Tratava-se de uma bela cifra, suficiente, na época, para comprar um carro importado de luxo no Brasil, dos grandes.
A partir da volta do jornalista a São Paulo, o telefone tilintava de quando em quando na redação ou em sua casa. Alina, ser noctívago, que atravessava a noite assistindo TV, escrevendo, fumando ou bebericando Campari, mantinha relações inamistosas com os fusos horários e, não raro, acordava o redator-chefe às três ou quatro horas da madrugada com o refrão:
– Aqui habla tu amiga Alina Fernández, desde Columbus.
Os telefonemas passariam a vir de Madri após um certo tempo, até que finalmente, no começo de 1998, depois de três anos de entendimentos, idas e vindas, Werneck entrou na minha sala com a boa nova:
– Rapaz, a Alina ligou de Madri dizendo que está pronta para o ensaio!
Quase pulei da cadeira, e lhe disse:
– Arrume as malas porque você vai pra lá fechar contrato com ela.

Alina e seu companheiro na época, o espanhol Jaime Manso Zubeldía, presidente de uma ONG de ajuda humanitária a cubanos
COMBINANDO UM ENCONTRO EM MADRI — Werneck, porém, que julgara com certa severidade a figura física de Alina em nossas conversas desde um primeiro telefonema de Columbus, embora a achasse apta a figurar na revista, não estava familiarizado nem se sentia confortável com essa área de trabalho em Playboy, que por sinal não figurava entre suas atribuições, conforme nossa combinação. A ele incumbia o zelo pela qualidade do jornalismo e do texto, antes de o material chegar a minhas mãos, a feitura de determinadas reportagens especiais e a coordenação geral do andamento dos trabalhos.
Toda a redação contribuía com idéias para ensaios e com sugestões de garotas a quem procurar. Mas tratar de contratos com aspirantes a modelos, modelos ou superestrelas cabia à editora de Fotografia, Ariani Carneiro, que, somada à prática de longos anos, frequentara vários cursos de aperfeiçoamento, entre os quais um de Negociação Eficaz. Em certos casos – entre outros, os de Adriane Galisteu ou Marisa Orth –, eu próprio cuidava do assunto, sempre em sintonia com Ariani. De modo que, sem grande surpresa para mim, a resposta de Werneck foi:
– Acho que não, Setti, isso é coisa de diretor.
Telefonei a Alina para me apresentar e combinar um encontro em Madri. Poucos dias depois, eu aterrissava em Barajas. Nem desfiz as malas e telefonei para a filha de Fidel. Alina, muito cordial e simpática, me imaginava cansado pela viagem e combinou um encontro somente para a noite do dia seguinte, num restaurante a curta distância do hotel em que me hospedara. Mal sabia que, por mim, teria ido direto do aeroporto conversar com ela.
Aproveitei as horas livres para rever Madri e comprar presentes para a família. Lembro-me de que, numa esticada à Plaza Mayor, passei por uma loja de efectos militares e resolvi enriquecer a coleção de pequenas estátuas de vultos históricos, do bem e do mal, de meu amigo Fernando Morais, e comprei para este comunista convicto um Francisco Franco de bom tamanho, feito de chumbo, com o ditador espanhol no uniforme de generalíssimo e fazendo a saudação fascista.
Na noite da terça-feira, 10 de março, pontualmente às nove horas, lá estava eu no restaurante basco Alkalde, com mesas de madeira grossa e repleto de recantos aconchegantes, apropriados para conversas reservadas. Alina chegou junto com seu companheiro de então, Jaime Manso Zubeldía, advogado e ex-oficial da Marinha Mercante espanhola e presidente de uma ONG de ajuda humanitária a cubanos, Puente Familiar con Cuba. Mais tarde juntou-se à mesa um advogado espanhol amigo do casal.
CUIDADOS DE BELEZA — A despeito de toda uma vida profissional dedicada ao hard news, ao jornalismo “puro e duro” em redações tais quais as de VEJA, IstoÉ, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, eu estava em Playboy há tempo suficiente para dispor de olho clínico escrutinador quanto às nossas necessidades visuais.
Alina, percebi aliviado, não apenas não era feia, como, a despeito do ar tristonho, me pareceu uma mulher com atrativos. Desde que, bem entendido, passasse por uma série de cuidados de beleza que visivelmente não integravam seu quotidiano. Notei cabelos clamando por atenção e menos abundantes do que o ideal, cutículas e unhas das mãos maltratadas, semi-roídas, pele do rosto saudável, mas necessitando de um bom upgrade cosmético. Em compensação, tinha um nariz pronunciado, marcante, olhos vivos e um sorriso bonito. Em suma, devidamente cuidada por Ariani e equipe, faria boa figura.
Ao contrário do que imaginei, não houve tensão no jantar. Alina mostrou-se simpática, boa conversadora e franca, deixando claro que o único objetivo pelo qual se dispunha a posar seria utilizar a maior parte do dinheiro do contrato em benefício de cubanos necessitados, na ilha ou no exílio. Explicou-me sua peculiar posição em relação a Cuba. Não queria receber o rótulo de “militante anticastrista”, e simultaneamente também execrava o regime em que o pai reinava.
ELA PEDIU 70% MAIS DO QUE OFERECEMOS — Assim, preferia manter um perfil discreto, comparativamente aos barulhentos e em geral ultra-reacionários líderes da comunidade exilada na Flórida, mas engajada em causas ligadas à ajuda humanitária a exilados ou dissidentes em dificuldades. Sabia que a exposição em Playboy e a inevitável repercussão que se seguiria iriam lhe custar um preço.
– Sendo filha de quem sou, e tendo passado o que passei — comentou, resignada — estou acostumada a críticas, estou acostumada a tudo.
Jaime, seu companheiro, a apoiava integralmente:
– Alina sabe o que faz.
O advogado, cujo nome infelizmente não retive, interveio na hora de ver os termos do contrato que levei. Em linhas gerais, lhe parecia bem. Jaime opinou o mesmo. O problema foram as cifras. Fiz-lhe uma oferta 20% maior do que a inicial, apresentada por Werneck. Alina nem pediu para pensar. Com o apoio de Jaime e do advogado, disse que era pouco, diante dos contratempos que o ensaio lhe causaria.
Argumentei que sua eventual participação na venda das fotos para edições de Playboy em outros países engordariam a cifra, mas ela manteve a mesma postura. E colocou as cartas na mesa: não haveria jogo sem um aumento de 70% na proposta. Eu não podia bater o martelo sem um OK da Abril. Reagi avaliando a cifra como excessiva e ressaltei que precisava estudar o caso e consultar diretores na empresa para verificar o que se podia fazer.
Alina terminou a sobremesa, sorbet de limón, e o jantar, não obstante a inconclusão do acerto, encerrou-se no clima cordial do início. Prometi que voltaríamos a falar dentro de uns dias. O advogado me ofereceu carona num enorme sedã Jaguar verde, que agradeci, preferindo caminhar. No dia seguinte, enviei a Alina flores e um cartão para seu endereço de então, na calle Barbara de Braganza, e ela e Jaime fizeram a delicadeza de remeter a meu hotel uma caixa de caramelos da tradicionalíssima bomboneria La Pajarita, uma instituição em Madri que funciona desde 1851.
Na volta a São Paulo, mergulhei na questão das cifras, negociando desta vez com meus superiores na Abril. Na condição de jornalista, prestava contas somente ao vice-presidente executivo e diretor editorial da Abril, Thomaz Souto Corrêa. Na de executivo, reportava-me, nos aspectos de negócio, financeiros e administrativos, ao diretor de Revistas Masculinas, Nicolino Spina. Thomaz, a quem me ligavam 14 anos de amizade, que ele como ninguém sabia separar do aspecto profissional, supervisionava, com rigor, a qualidade editorial das revistas.
Desde o começo apoiou a hipótese de ter a filha de Fidel em Playboy. Suas funções não incluíam o lado negocial, mas ele me recomendou que fizesse o possível para a obtenção de um OK de Alina. A questão do dinheiro debati com Nicolino. Muito mais jovem do que eu, agitado e dinâmico, com um ano e pouco na Abril, Nicolino se revelara desde o começo um parceiro nas empreitadas da redação. Bolamos uma fórmula de chegar à dinheirama pedida por Alina: incluir Playboy USA nas tratativas.
Para tanto, mantive longas conversas telefônicas com um constante interlocutor em Chicago, sede de Playboy – David Walker, diretor editorial internacional da revista fundada e ainda controlada de perto pelo mitológico Hugh Hefner. Também conversei com Gary Cole, editor de fotografia da edição-mãe da publicação e responsável pela contratação de incontáveis estrelas, de quem me tornara amigo durante uma convenção de todas as edições internacionais em Acapulco, no México, em 1995.
David, um jornalista de primeiro time, e além disso gentil e diplomático, e Gary, um pacato pai de seis filhos que escrutinara a nudez de algumas das mulheres mais desejadas do mundo, se interessaram pela idéia. Depois de alguns dias, contudo, desistiram, antes sequer de Alina se manifestar. Constatei que, por atraente e chamativa que fosse, a idéia de ter a filha de um arquiinimigo dos EUA na capa da gigante que vendia à época 4 milhões de exemplares não se encaixava na fórmula de Hefner.
Nicolino acabou concordando em bancarmos, sozinhos, os cifrões exigidos pela filha de Fidel, quando argumentei não apenas com os resultados que a revista obteria com as vendas em bancas e a publicidade – algo que seu faro comercial sabia de sobra –, mas igualmente com os possíveis ingressos que a publicação das fotos poderia alcançar em edições de países sem os problemas dos americanos, como as de Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Japão ou México.
Por telefone, Alina deu um OK em princípio. Ato contínuo, decidi despachar para Madri portando um rascunho de contrato uma das figuras-chave da nossa equipe, Ana Maria Moreno, supervisora administrativa da Redação. Ana, de minha absoluta confiança para qualquer assunto e a quem eu chamava de “nossa ministra da Fazenda”, cuidava da administração do orçamento da revista, dos contatos rotineiros com Chicago e as edições internacionais e de uma série de outras tarefas que exigiam competência, atenção e rigor.
Costumava ouvi-la não só sobre sua área, em razão de seu bom senso, franqueza e larga experiência de década e meia em Playboy. Para fechar um acerto em Madri, ela reunia dois quesitos adicionais passíveis de amaciar a filha de Fidel: é espanhola de nascimento e fluentíssima no idioma de Alina. Também considerei importante que Ariani, a editora de Fotografia, a acompanhasse, pois assim conheceria Alina, estabeleceria com ela uma relação importante para êxito do nosso projeto e verificaria o que seria necessário providenciar em matéria de tratamentos de beleza e de elementos para a produção – roupas, lingerie, jóias, sapatos e e demais itens que incluíamos nos ensaios.
A vida em Playboy era dura – aí já estávamos em julho de 1998, três anos e meio depois que Werneck estivera nos EUA com a filha de Fidel. Tudo por um único ensaio. O leitor provavelmente não imaginava o trabalho que dava fazer a revista nos moldes em que atuávamos. Por isso, quando meus amigos me perguntavam o quanto eu me divertia sendo diretor de Playboy, nem me animava a discorrer sobre a realidade do dia-a-dia. É claro que dava gosto produzir a revista. Só que custava um esforço brutal.
O fato é que Ariani e Ana voaram para Madri a 7 de julho, e no dia seguinte, à noite, Alina os receberia.
(Confira a parte final deste texto no post abaixo, com a surpreendente conclusão da história da filha de Fidel Castro com Playboy).
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Tags: Adriane Galisteu, Alina Fernández, Ariani Carneiro, Cuba, Editora Abril, EUA, Fernando Morais, Fidel Castro, Humberto Werneck, Madri, Playboy







































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28 Comentários
Reinaldo Paschinelli
-06/12/2010 às 21:12
O reporter deixou de comentar que na decada de 70, a revista Playboy era apenas uma coadjuvante em se tratando de revista masculina no Brasil, havia na época a revista Status que, estampava em suas capas e páginas, as mais famosas mulheres brasileiras.
Playboy sempre teve circulação maior que qualquer das concorrentes.
Grace Olsson
-25/11/2010 às 7:18
Ricado!
Essa éa primeira< vez que leio sua coluna. Sai satisfeita.
Como fotógrafa, admiro fotos e fotos. Acho o nu – já vi vários ensaios com clientes e as pessoas deveriam ver o nu com olhos mais românticos, mas, a PLAYOBOY já nao ´e a mesma. O que se salva lá? As materias jornalisticas por que as capas já nao sao históricas, assim. Muitas das meninas que posam para a Playoboy nao têm história. Sao, em grande maioria, movidas a muito photoshop. A Playoboy tem esquecido de sua ampla história dedicada ao sensual.
Vc faz falta….
Obrigado pela sua generosidade, cara Grace.
Um abraço
Claudia
-08/11/2010 às 19:30
Prezado Setti, confesso que fiquei muito triste por você. Na ocasião precisava de alguém gritando em seu ouvido NÃO. NÃO RASQUE ESSAS FOTOS! Por que todos foram a favor? Ah, texto bom de ler!!
Hahahahaha, você é muito bem-humorada, cara Cláudia. Tive que destruir as fotos por imperativo ético. Era um compromisso. E, além do mais, se houvesse vazamento, se uma das fotos caísse em mãos de terceiros e fosse divulgada, isso prejudicaria enormemente a credibilidade da revista e da Editora Abril — sem contar a multa salgadíssima que o distrato previa.
Obrigado pelo “texto bom de ler”. Isso é música no ouvido de um jornalista.
Abração
Orlando Silva Machado
-08/11/2010 às 1:44
Grande história, que coisa inédita e interessante…
Esron Vieira
-07/11/2010 às 20:05
Legal. Vou acompanhar tudo.
Markito-Pi
-07/11/2010 às 11:44
Que delícia. Como antevi. Teus textos, caro Setti, nos enchem de alegria, independente do tema, e, olhe, este é um dos bons.
Agora confesso algumas coisinhas que,espero ,V. não ache chatas. Estou imprimindo estas tuas, como chamar?~-crônicas?- para meu único deleite.É mais do que provavel que tudo isto venha a virar um livraço. Antecipo-me e leio, de graça, para desespero de teus futuros editores. Não mostro para ninguúem. ( A quem mostraria? Aqui?, no meu paraiso particular de Cajueiro da Praia? Nenhum risco.)E ainda faltam tantas edições…
Obrigado pela delícia com que V. nos brinda todo dia.
Abração.
Markito
Muito obrigado, caro Markito. E vou passar seu email para o nosso amigo comum. Também vou buscar no google o que você mencionou na parte do comentário que pediu para não publicar.
Abração
Frederico Hochreiter/BH
-07/11/2010 às 10:25
Fascinante seu relato, Ricardo. Não cheguei a ver esse número da Playboy e desconhecia a história de Alina. Para o leigo nesses assuntos impressiona saber que uma negociação dessas possa levar 3 anos sem que um dos lados desista de vez. Seria indiscreto perguntar quanto seria, em dinheiro de hoje, o cachê da moça? E espero que, como nessa primeira parte você mostrou a foto do “antes”, a segunda parte mostre o “depois”. No mais parabéns pelo relato e pelo “olho clínico escrutinador quanto às nossas necessidades visuais”.O trabalho pode ter sido duro mas certamente teve suas compensações. Outra coisa: notou que aos poucos seus comentaristas começam a falar de livros? Quem sabe estaria aí o embrião de um tema mais interessante que os lulas e dilmas da vida?
Caro Frederico, com certeza livros são um tema maravilhoso. Logo começarei a tratar disso, sem dúvida.
Quanto ao caso da filha de Fidel, bem, as respostas a suas dúvidas está na parte 2 (e final) da história, que já está postada.
Abraços
Joaquim
-07/11/2010 às 9:35
Adoro as histórias sobre a Playboy, Setti. Por mim a cada hora você poderia publicar uma história com uma capa diferente. Scheila Carvalho, Carla Perez, Sheila Melo, Mylla Christie, Leila Lopes, Isabel Filardis… são tantas.
Você oi fantástico na Playboy.
Muito obrigado, caro Joaquim. Pretendo fazer o possível para recuperar histórias desse tempo. Lembro-me de que no ensaio da Isabel Fillardis, uma das estrelas mais educadas e simpáticas entre todas as que conheci, por exemplo — cuja mãe também é uma pessoa de primeiríssima –, que resolvemos fazer no Marrocos, a polícia de lá apreendeu todo o equipamento do fotógrafo, que incluía câmeras de vídeo para um filme que seria feito. Deu um trabalho danado para liberar — o tempo passando e o trabalho não começava.
Mas não pretendo ficar só em Playboy, que, afinal, só ocupou pequena parte de minha carreira. Semana que vem virá mais um episódio da série Gaveta de Presidentes.
Abração
RitaZ
-06/11/2010 às 22:33
Oi Setti,
muito bom, como sempre, porém deixando a segunda parte para amanhã é meio frustrante mas posso compreender e esperar, que remédio…rsrs
Não consegui ver duas fotos (não abriram), as duas últimas, isso me deixou chateada, as fotos nessa história são primordiais, quem sabe amanhã todas abrem…
Abs,
Rita
As fotos não abriram? Uau, vou pedir para o pessoal de sistemas da VEJA ver isso.
E achei necessário dividir em dois a história porque é muito extensa. Talvez não tenha sido uma boa idéia. Mas a maior parte dos amigos do blog não reclamou. Seja como for, seu comentário me faz repensar essa solução para o futuro.
Abraços
Nilson Silva
-06/11/2010 às 22:18
Setti, a cada linha que transcorri, provocou mais a minha curiosidade no desfecho desta intensa “aventura”. Parabéns pelos textos. Um abraço.
Obrigado, caro Nilson. Tenho muito carinho por essa seção “Bytes de Memória”. Na próxima semana, contarei um caso da série “Gaveta de Presidentes”.
Um abração
Carla Pola
-06/11/2010 às 20:43
Ricardo
Deus-nos-acuda eu quis dizer que quando a galera da minha época viu que era a filha do Fidel, só rolava o comentário que ele ia caçá-la, nem que fosse no raio que os parta!! hahahah
Imagina a filha do Fidel aparecendo numa revista masculina capitalistaestadunidenseexploradoresdamaisvalia¹³???
Por isso eu lembro dos comentários, pelo menos entre os amigos aqui…rsrsrsrrsrs
Beijocas
Carla
Acho que as barbas dele pegariam fogo, Carla, hahahaha.
Obrigado pelo comentário e um abração.
Guca Domenico
-06/11/2010 às 18:42
Caro Ricardo,
Acompanhei sua narrativa como uma aula de jornalismo, mas também como se estivesse ouvindo um “causo” lá na minha terra natal.
Estupendo texto.
Que venha a parte final!
Abraço,
Guca Domenico
Muito obrigado, Guca, e um abração.
PauloMarx
-06/11/2010 às 18:17
Estou meio chateado! Começo a ter certeza que vamos perder você para alguma destas séries americanas de suspense!!!
Hahahahahaha, caro Paulo, quisera eu ter talento para a ficção.
Obrigado e um abração
Lílian
-06/11/2010 às 17:07
Setti,
Aguardando a continuação, eu estou super curiosa sobre Alina Fernández Revuelta.
Abraços!
Obrigado, cara Lílian, pela paciência… Abraços
alvaro
-06/11/2010 às 17:00
Não vou entrar no mérito das agruras do seu trabalho de editor chefe da Playboy, mas conviver com mulheres maravilhosas como Vera Fischer e Maite Proença não deve ter sido uma experiência muito desagradável.
Eddie Moraes
-06/11/2010 às 16:59
História deliciosa Ricardo.
Faço o mesmo com minha filhota: conto estórias toda noite pra ela, há oito anos. Como o repertório acabou há muito tempo, invento, diariamente, novas estórias. Algumas viram “novelas”, que duram até um mês. Quando está para acontecer algo surpreendente, eu digo: “continua amanhã”! Ela sempre fala: “ah papai! agora que ia ficar bom”!
Me senti assim lendo o texto hoje, rss.
Aguardo o restante para amanhã.
Abraços e bom fim de semana.
Eddie
Muito obrigado, Eddie. Um bom fim de semana pra você também.
Fernando
-06/11/2010 às 16:56
Oi Setti, parabénes pela história relatada. Você deve conhecer todas mulheres de Playboy.
Tó afim de pousar pelado, caso saiba de alguma revista interessada me mande um e-mail. Sou liberal, curto tudo, e modestia parte tenho um bonito corpo.
Abraço de seu amigo Fernando.
Hahahahaha, nada como o bom humor, caro Fernando. Um abração
Atila Sabbado
-06/11/2010 às 16:56
Brilhante Setti,
Sempre um prazer encontrar em suas “memórias” passagens de bastidores, que realmente fizeram a grandeza da Abril. Muito engrandecedor é seu reconhecimento a diversos colegas que, por óbvio, tanto lhe apoiaram.
Ávido pelo final, peço-lhe que continue a brindar-nos com passagens de bastidores.
Até amanhã…
Obrigado, Átila, por seu comentário tão gentil. Continuarei contando histórias que podem ser interessantes no “Bytes de Memória”, naturalmente não apenas de Playboy, mas de outras publicações por onde passei.
Aguarde.
Um abraço
luiz fernando
-06/11/2010 às 15:04
Muito bom!
Seria muito perguntar qual foi a reação de um comunista convicto ao receber a estátua do Generalíssimo Franco fazendo a saudação fascita?
O Fernando é meu amigo acima das ideologias, e ele coleciona estatuetas de personagens históricos. Ele gostou, e riu muito. A estatueta está na coleção dele, junto a várias outras.
Um abraço
marcia setti
-06/11/2010 às 14:36
Ricardo querido,
embora conhecendo esta história muito bem, fiquei deliciada novamente.
Que texto bom! Nota 10!
Beijos de amor
Marcia
QUe bom! Outros pra você, meu amor.
Carla Pola
-06/11/2010 às 14:28
Poxa Ricardo!
Sacanagem!!! Eu doida para saber o final, pois lembro bem do deus-nos-acuda dessa edição da Playboy…Foi uma loucura!!! hahahahahhah
E você só vai terminar a história amanhã???
Sacanegem!!! rsrrsr
Não te ajudo mais a rebater petralinhas¹³ assanhados…hahahahhaha
Mas tudo bem! espero para amanhã, mas que é sacanagem é, viu? haahahah
Beijocas
Carla
Desculpe fazê-la esperar, Carla. Quanto ao deus-nos-acuda, acho que você está confundindo com alguma outra edição, porque a história da filha de Fidel é praticamente inédita, exceto pela parte dela que havia sido contada pelo jornalista Humberto Werneck. A versão da história que eu próprio publiquei na revista Alfa que está saindo das bancas é bem mais resumida da que você, para minha satisfação, está lendo.
Abração!
Cristina Machado
-06/11/2010 às 13:24
Sensacional!!!
Obrigado, Cristina. Um abração e… continua amanhã!
J.R.Duran
-06/11/2010 às 12:58
I was there !
Para grande orgulho meu, Duran, meu amigo. E tomei a liberdade de pedir emprestada aquela foto da suíte do hotel que você publicou em seu site. Ela estará publicada amanhã. Eu ia lhe enviar um email e acabei não fazendo isso devido ao acúmulo de trabalho.
Você é personagem importantíssimo, central, do capítulo final da história, amanhã.
Abração saudoso
José Américo C Medeiros
-06/11/2010 às 11:49
Muito interessante, lembra um enredo como “Buena Vista Social Club”.
Marco
-06/11/2010 às 11:15
Caro R. Setti:Vou esperar o desfecho amanhã, mas o q me chamou atenção nessa 1 parte, foi q conseguiste mostrar a nudez psicológica da moça, a sua luta rude na infância de ter um pai de idéias rústicas, inclinado á mera aparência e á mentira. Se alguém passa por isso, não deve ter mais medo na vida, pq já enfrentou o mais perigoso inimigo!
Abs.
Valeu, caro Marco. Abração!
Wilson Alves
-06/11/2010 às 11:08
Não é a toa que o próprio pai denúnciou a filha como prostituta…
ALICE MELL
-06/11/2010 às 10:32
Adorei a primeira parte da história, Setti, e aguardo ansiosa a segunda… Sou uma mulher que lê as revistas masculinas porque, como comentei com o Leo Jaime outro dia no twitter, e ele gostou e retuitou, se quiser conhece ros homens esqueça as revistas femininas e leia as masculinas,porque as femininas te levam pro lado errado, oferecem uma fantasia totalmente fora do mundo masculino, efaz vc bater de frente com eles o tempo todo.
Adorei conhecer a história da Filha de Fidel castro, assim como a da Débora Rodrigues, do MST. E as fotos na Adriane Galisteu que vc relembou aqui foram históricas, em especial a tal da depilação, que rendeu na mídia…rs.rs… Sou apaixonada pelo nu artístico, ahco bonito, vpalido, nem pelo cach~e, mas como um hobby, e se um dia tivesse que fazer, seria por puro prazer, não seria por dinheiro, de tanto que admiro. Nãoi é nad apornográfico nem erótico, apénas um corpo nu e muita arte por parte da produção, do fotógrafo, e olho clínico de profisisonais como vc para selecionar, nesse perído em que dirigiu a publicação. Grandes realizações, recordes batidos em relação a todas a spublicações do gênro, sencaciional!!! Conta mais, depois da segunda parte da filha de Fidel… Aguardo ansiosa suas recordações. Foi um tempo bacana pra vc e pros leitores. Abração, Setti. Sou sua fã de carteirinha mesmo!
Puxa, Alice, que comentário legal! Muito obrigado. Espero que continue nos visitando aqui, e que eu não a decepcione.
Um abraço
celsoJ
-06/11/2010 às 10:22
Rezo para que o Alzheimer nunca o alcance…
A quem, Celso?
Abraço