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Arquivo de 7 de setembro de 2012

07/09/2012

às 18:30 \ Política & Cia

MENSALÃO: Dora Kramer tem razão — pelo andar da carruagem, o Supremo aponta para um desfecho em que “dificilmente deixarão de se enredar os integrantes do chamado núcleo político” (do governo Lula)

José Dirceu

"Dificilmente deixarão de se enredar os integrantes do chamado núcleo político, beneficiário, mandante e consequentemente dono do domínio dos fatos que resultaram na urdidura de um esquema que a Corte vai reconhecendo como criminoso". E o Ministério Público denunciou como chefe do esquema o ex-ministro José Dirceu (Foto: Andre Dusek / AE)

Artigo publicado hoje no jornal O Estado de S.Paulo 

 DOMÍNIO DOS FATOS

Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm se notabilizado pela nitidez na forma e no conteúdo de seus votos, em atendimento ao sagrado direito do público de entender o que está em jogo no julgamento do processo do mensalão.

Portanto, é sem prejuízo do reconhecimento a esse esforço do colegiado que se constata a clareza solar do ministro Luiz Fux por ocasião de duas manifestações nos primeiros dos sete itens a serem examinados, conforme a metodologia proposta pelo relator e acatada pelo tribunal.

Quando julgava o ponto do qual decorreu a condenação de João Paulo Cunha, Marcos Valério e associados por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, Fux discorreu sobre a questão do ônus da prova argumentando que a presunção de inocência não desobriga o réu de contar uma história bem contada em sua defesa.

Não basta negar a acusação, disse o ministro em termos mais elaborados. É preciso apresentar uma versão verossímil face à realidade “de como as coisas são”, para usar expressão da ministra Rosa Weber na sessão de quarta-feira ao analisar a denúncia de gestão fraudulenta contra dirigentes do Banco Rural.

 

Ministro Luiz Fux: Não basta negar a acusação (Foto: Carlos Humberto / STF)

Ministro Luiz Fux: presunção de inocência não desobriga o réu de contar uma história bem contada em sua defesa (Foto: Carlos Humberto / STF)

Naquela mesma audiência, Luiz Fux desatou outro nó ao explicitar o papel do banco no esquema: “uma lavanderia de dinheiro” que, por intermédio das agências de publicidade de Marcos Valério, deu suporte a “uma agremiação partidária”.

O Supremo Tribunal Federal vai assim há mais de um mês contando uma história que aponta para um desfecho cada vez mais próximo da narrativa da acusação sobre a existência de uma organização criminosa cujo objetivo era arrecadar e distribuir recursos a partidos aliados mediante o uso do aparelho de Estado.

O entendimento da maioria dos ministros guarda léguas de distância da versão da defesa sobre a ocorrência apenas (como se fosse pouco) de crime eleitoral desconectado de uma sistemática de dolo coletivo e até agora segue, em seu arcabouço, a lógica do relator Joaquim Barbosa.

No primeiro capítulo, o STF mostrou o modus operandi de desvio de recursos públicos para as contas de empresas de Marcos Valério – por contratos de publicidade firmados com o Banco do Brasil e com a Câmara dos Deputados – e delas repassados aos políticos, elegendo como exemplo inicial o deputado João Paulo Cunha e os R$ 50 mil retirados em espécie no banco por ordem da agência SMPB.

No segundo capítulo, o Supremo desvendou a montagem de empréstimos fraudulentos no tocante às normas bancárias para ocultar a origem dos recursos. No terceiro, mostrará como o dinheiro foi lavado.

A partir daí, desenrolar-se-á o novelo em que dificilmente deixarão de se enredar os integrantes do chamado núcleo político, beneficiário, mandante e consequentemente dono do domínio dos fatos que resultaram na urdidura de um esquema que a Corte vai reconhecendo como criminoso.

 

Bicudos

Para que não se faça de Fernando Henrique Cardoso uma vítima eterna dos equívocos do PSDB e se respeitem os fatos, cumpre não esquecer que o então presidente na eleição de 2002 não escondeu a satisfação de incluir em seu currículo o fato de ser sucedido por um “operário”.

Se de um lado foi largado pelos tucanos, de outro não impôs reparos ao apoio implícito de muita gente do governo à eleição de Lula nem ao abandono explícito de setores do partido à candidatura de José Serra.

Aí incluídos o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, cabo eleitoral assumido de Ciro Gomes, e o então candidato a governador de Minas, Aécio Neves, arquiteto do voto “Lulécio”.

 

Ponto final

A oposição pode ser “suja”, a elite “preconceituosa”, a imprensa “reacionária” e a Justiça”instrumento de golpistas”, como diz o presidente do PT, Rui Falcão.

Mas quem flerta com a possibilidade de ver correligionários na cadeia é o PT.

07/09/2012

às 18:00 \ Tema Livre

Fotos encantadoras: filhotes de tigre-siberiano, de pantera negra, de leão branco…

Filhote de tigre-siberiano brinca com sua mãe no zoológico de vida selvagem de St-Felicien, no Canadá - Mathieu Belanger/Reuters

Filhote de tigre-siberiano brinca com sua mãe no zoológico de St-Félicien, no Canadá (Foto: Mathieu Belanger / Reuters)

Por Rita de Sousa

Nada como um filhote para alegrar a vida. Eles são fofinhos, divertidos e só de olhar, dá vontade de apertar.

Podemos até concordar que o habitat natural é o melhor lugar para qualquer animal, mas não podemos negar que zoológicos bem equipados, com tratadores e veterinários bem treinados, são santuários de preservação e estudos de diversas espécies, além de oferecer a oportunidade de ver, bem de pertinho, os magníficos animais, que de outra forma a maioria das pessoas não teria.

Sendo assim, mostramos aqui filhotinhos de panteras negras, guepardos, leopardos-da-neve, tigres-siberianos, leopardos e leões brancos que nasceram em zoos de várias partes do mundo nos últimos meses.

Confira as belas imagens:

Filhotes de panteras negras gêmeas, no zoológico alemão Tierpark, em Berlim. Os felinos nasceram no dia 26 de abril (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Um dos dois filhotes de pantera negra do zoológico alemão Tierpark, em Berlim. Os pequenos felinos nasceram no dia 26 de abril (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

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Dois filhotes de pantera negra, chamados Remaong (macho, à esquerda) e Ferra (fêmea) do zoológico Tierpark, em Berlim (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Os dois filhotes de pantera negra, chamados Remaong (macho, à esquerda) e Ferra (fêmea), do zoológico Tierpark, em Berlim (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

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Filhotes gêmeos de pantera negra, que ganharam os nomes de Remaong (o macho) e Ferra (a fêmea), no zoológico alemão Tierpark, em Berlim. Os felinos nasceram no dia 26 de abril (Foto: Tobias Schwarz / Reuters)

Tratadora com um dos filhotes de pantera negra do zoológico Tierpark, em Berlim(Foto: Tobias Schwarz / Reuters)

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Leopardo de três meses, chamado de Argoun, passeia pela primeira vez por sua jaula em zoológico na França (Foto: Sebastien Bozon / AFP)

Observado pela mãe, o leopardo de três meses Argoun passeia pela primeira vez por seu território em zoológico na França (Foto: Sebastien Bozon / AFP)

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Filhotes de leão branco em seu recinto no Zoológico de Kempten, Alemanha (Foto: Tobias Kleinschimidt / AFP)

Filhotes de leão branco em seu recinto no Zoológico de Kempten, Alemanha (Foto: Tobias Kleinschimidt / AFP)

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A leoa Princess com seus filhotes em seu recinto no Zoológico de Kempten, Alemanha (Foto: Tobias Kleinschimidt / AFP)

A leoa Princess com seus filhotes em seu recinto no Zoológico de Kempten, Alemanha (Foto: Tobias Kleinschimidt / AFP)

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Filhotes de leão branco em seu recinto no Zoológico de Loro em Puebla, México (Foto: Imelda Medina / Reuters)

Filhotes de leão branco em seu recinto no Zoológico de Loro, em Puebla, México (Foto: Imelda Medina / Reuters)

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Filhote de tigre-siberiano brinca com sua mãe no zoológico de vida selvagem de St-Felicien, no Canadá (Foto: Mathieu Belanger / Reuters)

Filhote de tigre-siberiano brinca com a mãe no zoológico de St-Félicien, no Canadá (Foto: Mathieu Belanger / Reuters)

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Filhote de tigre-siberiano brinca com sua mãe no zoológico de vida selvagem de St-Felicien, no Canadá (Foto: Mathieu Belanger / Reuters)

Filhote de tigre-siberiano brinca com a mãe no zoológico de St-Félicien, no Canadá (Foto: Mathieu Belanger / Reuters)

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Mohan, filhote de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Zurique, Suíça (Foto: Arnd Wiegmann / Reuters)

Mohan, filhote de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Zurique, Suíça (Foto: Arnd Wiegmann / Reuters)

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Mohan, filhote de leopardo-das-neves, junto com sua mãe Dshamilja em seu recinto no zoológico de Zurique, Suíça (Foto: Arnd Wiegmann / Reuters)

Mohan, filhote de leopardo-das-neves, junto com sua mãe Dshamilja em seu recinto no zoológico de Zurique, Suíça (Foto: Arnd Wiegmann / Reuters)

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Filhotes de leopardo-das-neves com apenas seis semanas de vida fazem exame médico nesta quinta-feira em parque na cidade de Szeged, a 170 km de Budapeste, na Hungria (Foto: Zoltan Gergely Kelemen / AP)

Filhotes de leopardo-das-neves com apenas seis semanas de vida, em parque de Szeged, a 170 km de Budapeste, na Hungria (Foto: Zoltan Gergely Kelemen / AP)

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Filhote de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Leipzig, Alemanha (Foto: Hendrik Schimidt / AFP)

Filhote de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Leipzig, Alemanha (Foto: Hendrik Schimidt / AFP)

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Filhotes de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Leipzig, Alemanha (Foto: Hendrik Schimidt / AFP)

Filhotes de leopardo-das-neves, em seu recinto no zoológico de Leipzig, Alemanha (Foto: Hendrik Schimidt / AFP)

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Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

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Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

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Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

Casal de guepardos no zoológico em Washington. Eles serão batizados com os nomes dos atletas mais velozes nos 100 metros das Olimpíadas de Londres (Foto: T.J. Kirkpatrick / Getty Images)

 

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07/09/2012

às 16:00 \ Livros & Filmes

Boa leitura para o feriadão (2): J. R. Guzzo recomenda altamente este livro sobre os intelectuais e artistas em Paris sob ocupação nazista

ORGULHO PISOTEADO Soldados alemães desfilam próximos ao Arco do Triunfo, em Paris, em junho de 1940: sob a ocupação nazista, argumenta Alan Riding, criou-se uma zona de sombra na qual seria inútil tentar dividir atitudes entre certas e erradas (Foto: Corbis / LatinStock)

ORGULHO PISOTEADO -- Soldados alemães desfilam próximos ao Arco do Triunfo, em Paris, em junho de 1940: sob a ocupação nazista, argumenta Alan Riding, criou-se uma zona de sombra na qual seria inútil tentar dividir atitudes entre certas e erradas (Foto: Corbis / LatinStock)

 

(Resenha de J. R. Guzzo publicada na edição impressa de VEJA)

 

NEM HERÓIS NEM COVARDES

 

“Em Paris: a Festa Continuou” traz um retrato esclarecedor da conduta dos intelectuais e artistas franceses durante a ocupação nazista

Em Paris a festa continuou

Paris: a Festa Continuou

Jornalistas, quando são realmente bons, sempre escrevem livros de história melhores que os que são escritos por historiadores.

Por que será?

Tolstoi achava que pessoas dedicadas a outras atividades conseguem pensar com bom-senso – virtude, segundo ele, desconhecida nos livros de história. Outra hipótese, mais simples, é a brutal chatice de quase todos os livros escritos por historiadores criados dentro da universidade, que costumam entrar em estado de coma logo nas primeiras páginas e dali não saem mais.

Essa escrita se repete, mais uma vez, com Paris: a Festa Continuou (tradução de Celso Nogueira e Rejane Rubino; Companhia das Letras; 464 páginas; 54 reais), que acaba de ser lançado no Brasil e faz uma espetacular reconstrução da vida na cidade mais emocionante do mundo durante os quatro anos em que foi ocupada pelo Exército da Alemanha nazista, entre 1940 e 1944 – quando a bandeira com a suástica, em vez do sagrado pavilhão tricolor da França, tremulou no alto da Torre Eiffel, e a tropa alemã descia diariamente os Champs-Élysées, sempre ao meio-dia e meia, marchando a passo de ganso.

O autor desse painel é o jornalista britânico Alan Riding, que fez uma carreira impecável como correspondente do jornal The New York Times em Paris, Madri, Rio de Janeiro e Cidade do México e coroou sua trajetória trabalhando durante doze anos como correspondente cultural do Times na Europa, com base em Paris – onde continua a viver e escrever.

Em Paris: a Festa Continuou, Riding põe no ar uma questão fascinante e perturbadora: o que você faz quando o seu país é invadido, derrotado e ocupado por um exército estrangeiro?

O autor tenta responder a essa pergunta examinando, com a perícia de um repórter de primeira classe, o comportamento de uma faixa muito singular da sociedade francesa: o círculo intelectual e artístico de Paris, então considerada, até pelos ocupantes nazistas, como a capital cultural do mundo.

Foi uma escolha feliz. Expor como os artistas reagem à opressão tem uma relevância toda especial no caso da França, onde, mais do que em qualquer outro país, os grandes nomes das artes e do pensamento sempre tiveram uma profunda, e talvez exagerada, influência junto à população.

Pelo olhar que faz sobre a parte, Riding leva o leitor a uma visão sobre o todo – e seu triunfo está em mostrar, na parte e no todo, não uma “fotografia fixa, na qual um momento representa todos os outros”, como ele próprio escreve, mas “um drama em evolução”, em que a linha separando o bem do mal se move o tempo todo, ao sabor dos acontecimentos. A divisão clássica sobre a conduta dos franceses durante os anos da ocupação é entre heroísmo e covardia; permanece em vigor até hoje, em centenas de romances e filmes, a começar pelo inevitável Casablanca.

De um lado ficam os cidadãos decentes e patriotas, que optam pela resistência e vão combater o invasor na clandestinidade; do outro ficam os colaboradores ou traidores, que continuam levando sua vida de sempre, convivem em paz com o ocupante e até o ajudam a governar. Riding se recusa a aceitar essa divisão. Seu livro lida com a vida real de gente real na Paris ocupada – e aí entramos numa zona de sombra onde é inútil procurar respostas em preto e branco.

Os pragmáticos - UMA PECHA PARA TODA A VIDA  A estilista Coco Chanel (destaque) desfrutava uma suíte no luxuoso Hotel Ritz com um oficial alemão; Édith Piaf (ao piano) colaborou ativamente com os nazistas; o suíço Le Corbusier, ícone maior da arquitetura modernista, chegou a cortejar as autoridades da ocupação em busca de verbas para seus projetos: ainda que nada seja pior que ser lembrado como "colaborador", diz Riding, não foram poucas as personalidades - e pessoas comuns - que adotaram tal estratégia

Os pragmáticos - UMA PECHA PARA TODA A VIDA -- A estilista Coco Chanel (destaque) desfrutava uma suíte no luxuoso Hotel Ritz com um oficial alemão; Édith Piaf (ao piano) colaborou ativamente com os nazistas; o suíço Le Corbusier, ícone maior da arquitetura modernista, chegou a cortejar as autoridades da ocupação em busca de verbas para seus projetos: ainda que nada seja pior que ser lembrado como "colaborador", diz Riding, não foram poucas as personalidades - e pessoas comuns - que adotaram tal estratégia

Riding faz renascer, em todas as suas cores, a Paris dos anos 40 – que os turistas menos distraídos podem perceber vagamente, até hoje, nos buracos de bala conservados nas paredes dos prédios e nas placas com os nomes dos parisienses mortos no levante contra o invasor, em agosto de 1944, com a guerra já a caminho do fim.

A rigor, pela investigação do autor, não houve nada no mundo do entretenimento, artes e cultura de Paris que tenha sofrido na ocupação; a festa simplesmente continuou. E os comportamentos individuais? Em sua maioria, os personagens do drama, sumidades na época da ocupação, não significam mais nada; são, há muito tempo, apenas um punhado de cinzas, e os próprios franceses de hoje não saberiam dizer quem foram. De todos eles, e dos que sobreviveram ao esquecimento, o que se pode dizer é que tiveram conduta mais ou menos equivalente à que foi adotada pelo resto da população.

Alguns, como os cantores Maurice Chevalier e Édith Piaf, ou o escritor Louis-Ferdinand Céline, foram colaboradores ativos. Coco Chanel vivia em sua suíte no Ritz com um oficial alemão. Le Corbusier, canonizado em vida por arquitetos do mundo inteiro, grudou nas autoridades de ocupação em busca de verbas para seus projetos; afirmou, tentando agradar ao governo, que “a sede dos judeus por dinheiro corrompeu o país”.

Andre Gide

O cauteloso EM SILÊNCIO André Gide: "Prefiro não escrever nada, hoje, que possa me deixar arrependido amanhã", disse o autor que ganharia o Nobel em 1947. Outros artistas, como Pablo Picasso, adotaram atitudes semelhantes (Foto: Hulton Archive / Getty Images)

O editor Bernard Grasset chegou quase a implorar de Joseph Goebbels o direito de publicar na França a “obra magistral” do sumo sacerdote da propaganda nazista.

Muitos, ao contrário, se recusaram a trabalhar na França ocupada, como o ator Jean Gabin e os cineastas René Clair e Jean Renoir, que foram para os Estados Unidos.

Outros ficaram em cima do muro, como o escritor André Gide. “Prefiro não escrever nada, hoje, que possa me deixar arrependido amanhã”, resumiu ele.

Pablo Picasso permaneceu em Paris durante a ocupação, vendendo discretamente seus quadros, e recusou-se a assinar uma petição pela liberdade de um amigo, o poeta Max Jacob, preso pela Gestapo – documento que até colaboracionistas extremados assinaram.

Jacob morreu no infame campo de concentração de Drancy. Uns poucos, bem poucos, foram para a resistência armada – e a grande maioria, como fez quase toda a população francesa, simplesmente continuou com sua vida normal, tentando ganhar o pão de cada dia.

O cômico Jacques Tati, por exemplo, começou a fazer sucesso durante a ocupação, com shows no Lido; deveria ter abandonado sua grande chance de subir na carreira? Riding deixa no ar, ao narrar tantos casos como esse, a pergunta-chave: quais eram, realmente, as alternativas? Largar o emprego, a família ou o sonho de sucesso e ir para a vida clandestina?

O indignado MELHOR PARTIR Jean Renoir, diretor de obras-primas como A Regra do Jogo, preferiu se refugiar nos Estados Unidos a filmar na França ocupada, assim como o colega René Clair: liberdade em troca de dificuldades com a língua e a carreira

O indignado MELHOR PARTIR -- Jean Renoir, diretor de obras-primas como "A Regra do Jogo", preferiu se refugiar nos Estados Unidos a filmar na França ocupada, assim como o colega René Clair: liberdade em troca de dificuldades com a língua e a carreira (Foto: Robert Doisneau / Gamma-Rapho / Getty Images)

Nenhum artista teve nenhuma culpa, como o resto dos franceses, pela invasão nazista.

Mas o autor anota que, num país onde os intelectuais são vistos como entes superiores, e no qual a população é educada para reverenciar teorias, o mundo cultural tem mais responsabilidades, pois tem mais influência. Hoje não é mais assim, e é bom que não seja. Os intelectuais têm menos importância – mas também são menos perigosos.

Melhor para todos.

07/09/2012

às 15:00 \ Vasto Mundo

Polêmica e críticas na paradisíaca Tonga, no Pacífico Sul: o príncipe herdeiro ousou casar-se com a prima

Tonga-casamento

O príncipe de Tonga, Tupouto’a Ulukalala, casa-se com sua prima de segundo grau Sinaitakala Tu'imatamoana 'i Fanakavakilangi Fakafanua, em 12 de julho (Foto: AFP /Getty Images)

Amigas e amigos do blog, que tal uma história amena para fechar o primeiro dia do feriadão?

Então vamos lá.

Entre monarcas, desde tempos imemoriais o casamento de pessoas da mesma família quase sempre foi considerado algo normal. Em muitos casos, inclusive, os nobres até preferem assim, de forma que a sucessão dos tronos possa permanecer entre portadores do mesmo sangue.

Acontece que, no século XXI, a prática, conhecida como endogamia, já não é mais tão popular como em gerações passadas.

Prima de segundo grau

Duas das 172 paradisíacas ilhas de Tonga (Foto: Tonga Tourism)

O exemplo mais recente é a polêmica em torno da boda do príncipe herdeiro de Tonga, pequeno país regido por uma monarquia constitucional e formado por 172 paradisíacas ilhas na Polinésia Ocidental, no Pacífico Sul, e parte integrante da Oceania.

O príncipe Tupouto’a Ulukalala, 27, provocou acirrada polêmica ao casar-se com sua prima de segundo grau, a ex-professora Sinaitakala Tu’imatamoana ‘i Fanakavakilangi Fakafanua, 25, na Igreja Centenária, em Nuku’alofa, capital de Tonga.

Ambos são gorduchos — sinônimo de beleza na Polinésia — e bisnetos de Sālote Tupou III, rainha de Tonga durante longos 47 anos — entre 1918 e sua morte, em 1965. Tupouto é o herdeiro imediato do pai e atual rei, Tupou VI, que assumiu em março deste ano o trono após a morte de seu irmão mais velho, George Tupou VI; já a jovem Sinaitakala integra um clã aristocrata local que – caso ela tenha filhos com o monarca – deve se “reintegrar” à linhagem nobre.

As críticas

Atualmente, Sinaitakala é a 26ª pessoa na “fila” da sucessão do trono. Mesmo assim, parentes como Frederica Tuita, a nona da lista, afirmam que o laço sanguíneo entre os dois “é muito próximo” e “pouco saudável”. Alguns críticos alegaram preocupação com o aumento das possibilidades de, no futuro, contarem com um príncipe cuja mistura de genes lhe traga alguma deficiência física ou mental.

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Em outra cerimônia integrante das festividades, os noivos vestem as tradicionais saias de palha tonganesas (Foto: AFP/Getty Images)

Setores mais socialmente progressistas da sociedade de Tonga também desaprovaram o matrimônio, cuja celebração se estendeu por uma semana, com danças e grandes banquetes à base de frutos do mar e uma das predileções locais, a carne de porco. Como disse um repórter britânico que cobriu os eventos, “não é um bom dia para ser um porco em Tonga hoje”. Os noivos vestiram as tradicionais saias de palha  tonganesas.

Apesar do comparecimento maciço de convidados — nada menos do que 4 mil, num país com 100 mil habitantes — os festejos foram boicotados por parentes de destaque dos pombinhos, entre os quais a rainha-mãe (avó do príncipe).

Tonga-casamento

A noiva é observada pelos convidados (Foto: AFP/Getty Images)

É claro que não contribuiu muito para a imagem da Família Real a gastança de dinheiro, estimada no equivalente a 1,35 milhões milhões de reais (e que eles juram ter tirado dos próprios cofres).

Foi decretado feriado nacional em Tonga pelo casório.

Tonga deve ser um lugar muito feliz para ter como grande preocupação, desde há meses, o casamento do príncipe.

Não é mesmo?

07/09/2012

às 14:00 \ Tema Livre

Vídeo pra se divertir: numa pracinha da Bélgica, a curiosidade leva a apertar um botão e… vejam só

Um dia tranquilo, uma praça tranquila e um desafio: Aperte para adicionar drama (Foto: Reprodução)

Um dia tranquilo, uma praça tranquila e um desafio: aperte o botão e... lá vem adrenalina

Por Rita de Sousa

Imagine um dia qualquer, numa praça tranquila, na Bélgica, e um botão convidando: aperte para trazer adrenalina ao pedaço.

Pois é, isso aconteceu quando a TNT, emissora de TV a cabo, lançou um canal de alta definição no país do bem-viver.

Como na emissora, que tem por especialidade os filmes de ação e aventura, nada é muito tranquilo, essa campanha – ao vivo – assustou não só quem se atreveu a apertar o grande botão, como todos os que passavam por ali.

Assistam ao vídeo – e, quem sabe, pensem duas vezes antes de apertar um botão (essa lição já havia sido dada por Alice, a do País das Maravilhas, e seu bolinho “coma-me”).

 

07/09/2012

às 12:00 \ Vasto Mundo

Boa leitura para o feriadão (1) — O primeiro-ministro de Portugal: “Nosso objetivo é tirar o Estado da economia, acabar com o Estado patrão, dono de empresas. Pretendemos atrair capital novo e deixar atuar a livre iniciativa”

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Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal: "As medidas de austeridade que estamos adotando não são a origem do problema. São parte da solução" (Foto: Mario Proença / Bloomberg / Getty Images)

O ESTADO NO SEU DEVIDO LUGAR

 

(Entrevista a Duda Teixeira, publicada na edição impressa de VEJA)

 

O primeiro-ministro de Portugal vê na crise a oportunidade para fazer reformas. Ele vai cortar os benefícios sociais de quem não precisa, privatizar estatais e abrir a economia

Para muitos economistas, Portugal está a caminho de se tornar, depois da Grécia, a próxima nação da zona do euro a afundar. A taxa de desemprego é de 15%, superior à média europeia, e o PIB deve encolher 3% em 2012.

O desafio de Pedro Passos Coelho, de 47 anos, primeiro-ministro português, no cargo desde junho de 2011, é reduzir a dívida e os gastos públicos e, ao mesmo tempo, tirar o país da recessão.

Antes de Coelho assumir, Portugal só se salvou da quebra por receber um pacote de ajuda externa no valor de 78 bilhões de euros, um terço do que foi obtido pela Grécia. Com voz de barítono, que usava para cantar fados em ocasiões privadas, Passos Coelho falou a VEJA na residência oficial do chefe de governo, o Palácio São Bento, em Lisboa.

 

O governo brasileiro quer encarecer e dificultar a importação de vinhos, incluindo os portugueses, para beneficiar os produtores da Serra Gaúcha. Qual sua opinião sobre isso?

O protecionismo, por mais que pareça dar oportunidades imediatas aos grupos nacionais, é pouco eficiente a médio e longo prazo. Quando se diminui a exposição do país à competição externa, os consumidores são obrigados a pagar um preço mais elevado por um determinado nível de consumo ou de realização de serviços.

Ora, se uma parte desse gasto for liberada para a compra de outro produto ou para investimentos, a economia no seu conjunto ganhará mais. Portanto, mais vale privilegiar a competição internacional do que proteger os nossos campeões internos.

 

O que o senhor diz aos portugueses que culpam a chanceler alemã Angela Merkel e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy pela crise europeia?

Esse é um clichê muito difundido na imprensa. O fato de Alemanha e França procurarem soluções para a crise resultou na ideia errônea de que eles eram de certa forma responsáveis ou até beneficiários dessa situação.

Nada mais exagerado.

Primeiro porque, apesar de serem os líderes de duas das principais economias europeias, as decisões finais sobre os rumos do bloco são tomadas por um comitê mais amplo de chefes de governo e de Estado. Segundo, a situação adversa que Portugal vive hoje não veio em consequência das decisões de Merkel ou de Sarkozy.

Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usamos mal o dinheiro, selecionamos mal os projetos de obras públicas, aumentamos os impostos para gastar em serviços de pouco valor, não flexibilizamos suficientemente o mercado de trabalho, não abrimos a economia…

Os líderes europeus não agravaram nossos problemas. Ao contrário, eles nos ajudaram a encontrar uma saída para eles.

 

Sarkozy e Merkel se reúnem em Bruxelas para conversar sobre a crise na UE (Fabrizio Bensch/Reuters)

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel: "os líderes europeus não causaram nem agravaram os problemas de Portugal. Os responsáveis foram nós mesmo, os portugueses" (Foto: Fabrizio Bensch / Reuters)

 

A Grécia está imersa no caos social e ainda negocia para não pagar uma parte de sua dívida. Toda a ajuda em dinheiro vinda de fora parece não ser suficiente para equilibrar as contas e superar a recessão. Alguns analistas dizem que Portugal será a próxima Grécia. Qual o risco de isso ocorrer?

Nosso país tem adotado medidas que a comunidade internacional e a União Europeia consideram bem-sucedidas. Corrigimos algumas deficiências em tempo recorde. Internamente, fizemos um acerto duro nos gastos públicos.

Apesar de a crise econômica ter reduzido a nossa receita tributária e aumentado as nossas despesas com benefícios sociais para os desempregados, conseguimos cortar o déficit estrutural em 4 pontos porcentuais.

Externamente, reduzimos o déficit na balança de pagamentos. Nesse quesito, alcançamos em dezembro de 2011 uma meta que todos esperavam ser possível atingir apenas em dezembro de 2012. Essa conquista ocorreu não apenas por causa da nossa política de austeridade, mas sobretudo porque os setores exportadores, como o têxtil e o automotivo, tiveram um desempenho superior ao previsto.

O turismo, que representa 10% do PIB, também foi muito bem. Até 2013 vamos atingir o equilíbrio nas contas externas. Isso dá aos mercados uma sensação de estabilidade e de confiança em relação a nós. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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