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Arquivo de 15 de junho de 2012

15/06/2012

às 20:33 \ Vasto Mundo

Os egípcios, nas eleições presidenciais deste domingo: entre um ex-figurão da ditadura e um candidato que, se puder, faz o país voltar à Idade Média

Eleição no Egito será decidido entre Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafik (ex-primeiro Ministro)

Eleição no Egito: os rebelados da Praça Tahrir só poderão votar entre Shafik, resquício da ditadura militar, e Morsi, cuja Irmandade Muçulmana, se puder, faz o país regredir à Idade Média (Fotos: Khalil Hamra / AP; Ahmed Jaddalah / Reuters)

Por Alá, como deve ser difícil ser um cidadão egípcio consciente nas vésperas do segundo e decisivo turno da eleição presidencial, neste domingo…

A Corte Suprema cancela as eleições legislativas, que agora ninguém sabe ao certo quando e como serão realizadas.

A mesma Corte Suprema confirma a candidatura do ex-primeiro-ministro Ahmed Shafik, barrada por uma lei — considerada inconstitucional — que vedava a presença de ex-integrantes da ditadura de Hosni Mubarak nas eleições.

Ele concorrerá com o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi.

Quem entende de Oriente Médio por aqui é meu amigo Caio Blinder, mas que frustração deve ter a moçada que se mobilizou, aos centenas de milhares, por semanas a fio a partir de janeiro de 2011, na Praça Tahrir, no Cairo, e pelo Egito afora!

Lançando mão de instrumento crucial da modernidade — as redes sociais –, que convocaram as sucessivas manifestações de massa finalmente responsáveis pelo fim de 60 anos de ditadura militar no Egito.

Essa turma, que dirige seus olhos para os países avançados do Ocidente, tem para escolher, agora, de um lado, um ex-general ligado à ditadura; do outro, um candidato que disfarça, disfarça, mas que integra um movimento cujo objetivo é transformar em lei os princípios islâmicos – fazendo o Egito, já atrasado, regredir à Idade Média.

15/06/2012

às 19:58 \ Política & Cia

Você colocaria bandidos brasileiros numa cadeia dessas?

Sempre antenadíssimo para as coisas daqui e d’além-mar, o grande Ancelmo Gois informa hoje, em sua coluna em O Globo, que a Holanda vai fechar 8 penitenciárias — por falta de criminosos.

(Não está na nota, mas há cerca de 12 mil sentenciados no país, de quase 17 milhões de habitantes, para 14 mil vagas nas prisões — e a criminalidade baixa ano a ano.)

O Ancelmo sugere, com delicadeza e “com todo o respeito”: “que tal o país do Cachoeira exportar uns meliantes para lá?”

Pois — coisa raríssima — vou divergir de meu querido Ancelmo, amigo e ex-colega de redação em VEJA, no falecido Jornal do Brasil e no extinto site NO.

As prisões da Holanda são boas demais para os bandidos brasileiros!

A penitenciária de Maashegge, no sul do país, por exemplo — uma das que será fechada –, que tem belos gramados, jardins com flores, ginásio de esportes e edifícios projetados por arquitetos famosos, além de celas individuais com o conforto de um hotel.

VEJA NAS FOTOS ABAIXO. Pergunto: você colocaria bandidos — inclusive os de colarinho branco — em cadeias assim?

Vista parcial do interior de uma das celas da prisão holandesa: conforto de um hotel

A fachada de um dos pavilhões da penitenciária: gramados, árvores, prédios desenhados por grandes arquitetos...

 

 

15/06/2012

às 18:26 \ Tema Livre

Fotos com alta dose de adrenalina: as ousadas acrobacias aéreas dos Leap Frogs, os paraquedistas da Marinha americana

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Um dos Leap Frogs realiza sensacionais manobras com fumaça no céu do estado de Virginia, EUA (Foto: Daniel McLain - US Navy)

Não basta todo o virtuosismo militar; é preciso também dar espetáculo.

Ao redor deste mote foi criado em 1969 na ensolarada San Diego, Califórnia, o Leap Frogs, um grupo composto atualmente por 15 paraquedistas das unidades de elite da Marinha americana conhecidas como SEAL (Sigla para a versão inglesa do nome Mar, Ar e Terra dos Estados Unidos) e SWCC (Tripulantes Combatentes de Operações Especiais).

Os Leap Frogs, nome cuja tradução literal é “rãs saltadoras” (embora a palavra leapfrog também seja utilizada como verbo, significando avançar em turnos, como soldados no campo de batalha, ou o ato de pular carniça, como fazem as crianças, ou simplesmente “saltar”), vivem dos shows realizados em grandes eventos ao ar livre, como jogos esportivos, paradas ou comemorações patrióticas. Segundo o site oficial da equipe, seu objetivo é “demonstrar a excelência da Marinha aos Estados Unidos”.

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Um Leap Frog em vias de pousar no estádio dos Dodgers, time de beisebol de Los Angeles (Foto: James Woods - US Navy)

Missão cumprida, pelo menos no que se refere a acrobacias aéreas. Uma exibição convencional das “rãs” – que só podem ser chamadas assim após treinamento de três anos – consiste em quatorze delas saltando de aviões a até 3657 metros de altitude. Em queda livre, os saltadores atingem rapidamente a velocidade de 193 quilômetros por hora, que aumenta para 289 quando eles recolhem os braços junto aos corpos e esticam as pernas.

A 1524 metros do chão, abrem os paraquedas e iniciam uma série de manobras. Algumas delas envolvem coreografias entre dois ou mais membros do grupo, enquanto outras se destacam pelos movimentos surpreendentes que fazem individualmente no ar, utilizando fumaças coloridas em determinadas manobras. Estas outras fotos abaixo detalham mais toda a perícia dos Leap Frogs:

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Queda livre: velocidade pode se aproximar dos 300 km/h (Foto: Michelle Turner - US Navy)

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Trabalho em equipe (Foto: James Woods - US Navy)

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"Pilha" de Leap Frogs coreografa no ar (Foto: Leap Frogs)

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Uma vez abertos os paraquedas, começam as manobras (Foto: Michelle Turner - US Navy)

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A bandeira americana é um item onipresente; afinal, trata-se de um grupo pertencente à Marinha dos Estados Unidos (Foto: James Woods - US Navy)

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Trio de Leap Frogs em pleno trabalho (Foto: James Stanley Jr. - US Navy)

 

15/06/2012

às 17:19 \ Política & Cia

Miro Teixeira denuncia encontro secreto da “tropa do cheque” com Cavendish

Vaccarezza discute com o deputado Miro Teixeira: quem é da "tropa do cheque"? (Foto: André Coelho / O Globo)

Demetrio Weber e Chico de Gois, O Globo

Dois dos integrantes da CPI do Cachoeira estiveram em um restaurante em Paris, na Semana Santa, com Fernando Cavendish, então presidente da Delta. O encontro reuniu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL). Estava com os dois o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que não faz parte da comissão de inquérito. Nesta quinta-feira, por 16 votos a 13, a CPI barrou a convocação de Cavendish numa sessão tumultuada. Ciro Nogueira fez discurso e votou contra a convocação. Maurício Quintella Lessa não estava presente.

O encontro do empreiteiro com parlamentares foi denunciado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e publicado em 1ª mão pelo site do GLOBO. Indignado com o adiamento da convocação do ex-presidente da Delta, Miro, sem citar nomes, pediu que a CPI investigasse se algum parlamentar tinha se encontrado com Cavendish na França. E alertou que poderia haver uma “tropa do cheque” em ação.

O encontro em Paris ocorreu na volta dos três parlamentares da 126ª Assembleia Geral da União Interparlamentar, realizada entre 30 de março e 5 de abril, em Kampala, Uganda. Hugo Napoleão (PSD-PI), Átila Lins (PSD-AM) e Alexandre Santos (PMDB-RJ) também integravam a comitiva para a África. A viagem foi uma missão oficial e cada um dos parlamentares recebeu US$ 350 de diária, para cinco dias, num total de US$ 1.750 cada. O dinheiro serve para refeições e pagamento de hotel. A despesa aérea, em classe executiva, foi paga à parte pelo Congresso.

Depois da Assembleia, Ciro Nogueira, Maurício Lessa e Eduardo da Fonte voaram para Paris para passar a Semana Santa. As mulheres já os aguardavam lá. À época, a CPI não havia sido criada, mas o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a Delta já tinha vindo à tona.

Ao GLOBO, Nogueira confirmou o encontro, mas disse que foi casual:

— Conheço Cavendish, tenho relação com ele há uns cinco anos. Mas nada que envolva doação de campanha. (Em Paris) Nós só o cumprimentamos. Foi um encontro totalmente casual.

Encontro foi em restaurante famoso 

Ele afirmou não recordar o nome do restaurante, mas lembra que ficava na Avenue Montaigne. Essa avenida, junto com a Champs Elysées e a George V, é um dos endereços mais chiques — e caros — de Paris, conhecidos como Triangle D’Or (Triângulo de Ouro). Embora a Champs Elysées seja mais conhecida dos turistas, é na Montaigne que estão as lojas e restaurantes mais exclusivos.

Segundo Nogueira, os três parlamentares e as mulheres apenas cumprimentaram Cavendish, que, recorda o senador, estava com uma namorada nova, “muito bonita”. Ciro Nogueira confirmou a amizade com o ex-presidente da Delta. Em 12 de dezembro de 2009, ele postou no Twitter: “hoje vou ao casamento do meu amigo Fernando Cavendish”.

A Delta Construções negou nesta quinta-feira qualquer pagamento a parlamentares no Congresso, bem como eventual encontro de parlamentares com Cavendish “em qualquer lugar que seja”. Outra viagem de Cavendish a Paris já causou polêmica: a que ele apareceu em fotos num jantar ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e secretários do governo do Estado.

O Globo procurou falar com Maurício Lessa, mas não o localizou. De acordo com o atendente do gabinete, o parlamentar estava em audiência. O Globo telefonou para o gabinete do deputado Eduardo da Fonte, mas sua assessoria informou que ele estava voando para Pernambuco e que não seria possível localizá-lo.

Na sessão da CPI, Ciro Nogueira afirmou que não adiantava trazer Cavendish porque ele nada acrescentaria ao trabalho de investigação.

— Será que o doutor Fernando Cavendish vai chegar aqui e vai falar, vai entregar qualquer tipo? Não vai. Ou nos preparamos para a arguição dessas pessoas, ou nós vamos ser desmoralizados, como nós fomos ontem e anteontem — argumentou.

Miro disse que era necessário levar Cavendish à CPI porque a CGU declarou a Delta inidônea:

— Essa comissão se recusa a convocar o presidente da companhia que o governo declarou inidônea. Isso é incompreensível. Isso revela uma tropa do cheque — afirmou Miro.

Ciro Nogueira mostrou-se contrariado com Miro:

— Achei uma maldade extrema. Fiquei surpreso com Miro, porque ele podia ter identificado publicamente as pessoas.

Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara, reagiu:

— Quero me dirigir ao deputado Miro Teixeira. Vou ficar em pé como ele costuma fazer. Não assaque acusações genéricas. Se Vossa Excelência acha que tem um deputado que é da bancada do cheque, vire para o deputado e diga: “É fulano”. Eu não sou da bancada do cheque.

Ao site do Globo, Miro disse que a “luta contra a blindagem do senhor Cavendish, nós vamos ganhar”:

— É injustificável não convocar uma pessoa que diz que compra político. E que varia de 6 milhões a 30 milhões de reais. Isto é injustificável.

15/06/2012

às 16:20 \ Política & Cia

Sem comentários, porque não precisa: Maluf ganha do governo Dilma secretaria em ministério e fecha apoio a Haddad em SP

Maluf, grande e fiel aliado do lulalato e do governo Dilma, apoiará o candidato de Lula em São Paulo (Thiago Queiroz / AE)

Publicado na editoria de Política do Estadão

O PP de São Paulo decidiu apoiar o pré-candidato do PT à Prefeitura da capital, Fernando Haddad.

A decisão foi confirmada depois que o presidente estadual pepista, Paulo Maluf, conseguiu emplacar um aliado na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. A pasta é controlada pelo PP, por meio do ministro Aguinaldo Ribeiro, que conduziu as articulações com os petistas.

Maluf, que dará uma entrevista na segunda-feira, 18, para formalizar sua decisão, indicou para a secretaria o engenheiro Osvaldo Garcia – que é ligado, mas não filiado, ao PP paulista. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 15. Garcia assume a vaga de Leodegar da Cunha Ticoski, que passará a ocupar a Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos da pasta.

O partido de Maluf pleiteava a Secretaria das Cidades, mas, por enquanto, ficou com Saneamento Ambiental.

Alckmin resistiu a abrir espaço para Maluf, e ele desistiu de apoiar Serra

O PP estava prestes a apoiar o pré-candidato do PSDB em São Paulo, José Serra, mas se afastou dos tucanos depois que o governador Geraldo Alckmin resistiu a abrir espaço para o partido de Maluf na Secretaria de Habitação do Estado. Alckmin aceitava negociar a vaga depois das eleições, mas Maluf queria ocupar a pasta imediatamente.

Os pepistas alegam que se afastaram do PSDB porque seriam prejudicados em uma eventual coligação com os partidos aliados de Serra na eleição para vereador. Os dirigentes da sigla afirmam que ainda não fecharam o apoio a Haddad e alegam que a nomeação de um secretário não influencia essa decisão. “O cargo está em um ministério que já é do partido. Não altera nada”, afirmou o secretário-geral do PP, Jesse Ribeiro.

O apoio do PP pode garantir a Haddad a maior fatia de tempo na propaganda eleitoral obrigatória. Caso confirme uma aliança com o PC do B, os petistas terão 7min39s em cada programa, contra 6min38s de José Serra.

15/06/2012

às 15:27 \ Política & Cia

A censura, pela Justiça, da biografia do campeão Anderson Silva é um absurdo

O livro proibido: no Brasil democrático, quem censura é a Justiça

Decisões da Justiça em uma democracia não se discutem, cumprem-se.

Isso para as partes envolvidas.

Jornalista, especialmente de opinião, discute, sim, decisões da Justiça.

Como essa espantosa adotada pelo Tribunal de Justiça do Paraná que, em atenção a medida liminar impetrada por Rudimar Ferdigo, proprietário de uma academia de lutas marciais em Curitiba, mandou proibir a circulação do livro Anderson Spider Silva — O Relato de um Campeão nos Ringues da Vida (Editora Primeira Pessoa), biografia autorizada do grande campeão dos pesos médios do UFC escrita pelo jornalista Eduardo Ohata.

O motivo: ao longo do texto do livro, entre outras declarações, Anderson chama seu ex-treinador de pessoa “do mal”, diz que ele prejudicou pessoas e sugere que comprou sua faixa preta.

Pois então que  Ferdigo processe Anderson criminalmente, peça indenizações, faça e aconteça. Proibir um livro, num Estado de Direito democrático, é um absurdo! Anderson expressou, no livro, suas opiniões. É responsável por elas.

Que seja ele processado, se for o caso. Não é admissível que, uma vez mais em uma biografia, pessoas que se sentem prejudicadas acabem prejudicando o público leitor e a liberdade de opinião, assegurada na Constituição.

É aquela velha história: com a ditadura, foi-se a censura. O que resta de censura, hoje, reside no Judiciário, em casos como esse — como ocorreu, durante anos, com Estrela Solitária (Companhia das Letras, 1995), a excelente (e respeitosa) biografia que o jornalista Ruy Castro traçou do grande craque Garrincha, já falecido, contestada na Justiça por suas filhas.

15/06/2012

às 14:00 \ Política & Cia

Mensalão: em agosto, enfim, o encontro marcado com a Justiça

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"QUADRILHA" -- O publicitário Duda Mendonça, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-ministro José Dirceu, o empresário Marcos Valério e o ex- deputado José Genoíno são os personagens principais do escândalo, cujos envolvidos foram considerados uma "quadrilha" pelo Ministério Público Federal (Fotos: Ag. Brasil :: BG Pree :: Rodrigo Clemente / Folhapress :: Cristiano Mariz :: Celso Júnior / AE)

 

(Texto publicado na edição de VEJA que está em bancas, por Rodrigo Rangel, com reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro)

 

Mensalão

ENCONTRO MARCADO COM A JUSTIÇA

 

Os ministros do Supremo Tribunal Federal confirmam para agosto o início do julgamento do maior caso de corrupção da história republicana brasileira

 

Às 14 horas do próximo dia 1º de agosto, o Supremo Tribunal Federal começa a escrever o capítulo final do escândalo do mensalão, um dos mais emblemáticos acontecimentos políticos da história recente do Brasil. Os ministros da corte vão decidir se os 36 réus acusados de participar do maior caso de corrupção do período republicano são ou não culpados das acusações feitas pelo Ministério Público. Será um julgamento marcado por vários simbolismos.

Dependendo do veredicto, ficará em xeque a reputação de um partido, de seus principais dirigentes, de todo um grupo que planejou se perpetuar no poder comprando alianças políticas através de milionários subornos. Dependendo do veredicto, os brasileiros terão a chance de testemunhar o desejado e incomum encontro de gente poderosa e influente com a Justiça, cena rara no país.

 

"O consenso que se expressou com a definição da data do julgamento representa uma clara resposta do Supremo Tribunal Federal a qualquer ilegítima tentativa de pressão sobre a corte, venha de onde vier", ministro Celso de Mello, decano do STF (Foto: André Dusek / AE)

"O consenso que se expressou com a definição da data do julgamento representa uma clara resposta do Supremo Tribunal Federal a qualquer ilegítima tentativa de pressão sobre a corte, venha de onde vier."(Ministro Celso de Mello, decano do STF) (Foto: André Dusek / Agência Estado)

Prova extraordinária da maturidade da democracia

Mais importante, porém, é que, seja qual for o veredicto, a perspectiva de que o escândalo seja julgado de maneira isenta por juízes independentes na mais alta corte do Brasil é uma prova extraordinária da maturidade da democracia brasileira e da força de suas instituições.

A fixação da data do julgamento constitui um passo decisivo nesse sentido – e uma derrota daqueles que acreditaram que pressões indevidas do partido do governo e de seu carismático e popular líder, o ex-presidente Lula, fossem capazes de fazer retroceder as conquistas civilizatórias duramente obtidas pela sociedade.

Lula mandou às favas os bons costumes e o respeito às instituições 

O calendário e o formato do julgamento já vinham sendo discutidos em privado pelos ministros do STF defensores de uma rápida solução para o caso, que tramita na corte há cinco anos. Avançaram na mesma velocidade do lobby de Lula para tentar impedir que ele acontecesse agora.

Desde que deixou o governo, o ex-presidente se lançou numa das mais ambiciosas campanhas de sua vida, destinada a limpar a própria biografia e a imagem do PT: apagar da história o capítulo do mensalão.

Essa ação messiânica começou com gestos aparentemente republicanos, mas, com o passar do tempo, Lula recorreu a movimentos temerários, como a instalação da CPI do Cachoeira, a fim de atingir setores que investigaram o esquema de corrupção.

Como essas manobras não surtiram o efeito desejado, o ex-presidente mandou às favas os bons costumes e o respeito às instituições para pressionar diretamente os ministros do STF a adiar o julgamento do caso para o próximo ano. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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