Blogs e Colunistas

Arquivo de 11 de junho de 2012

11/06/2012

às 20:12 \ Tema Livre

Fim do conto de fadas: por ciúmes, Elize matou e esquartejou o marido. Conheça passo a passo essa história de horror

DIAS FELIZES Elize e Marcos Matsunaga na cobertura de mais de 500 metros quadrados em que viviam no bairro da Vila Leopoldina, em São Paulo. A foto é de 2009, ano em que se casaram. O executivo deixou mulher e fi lha para viver o novo amor

DIAS FELIZES -- Elize e Marcos Matsunaga na cobertura de mais de 500 metros quadrados em que viviam no bairro da Vila Leopoldina, em São Paulo. A foto é de 2009, ano em que se casaram. O executivo deixou mulher e fi lha para viver o novo amor (Foto: Álbum de Família)

(Reportagem publicada na edição de VEJA que chegou às bancas anteontem. Por Laura Diniz e Leonardo Coutinho, com reportagem de Adriana Dias Lopes)

O romance de um rico executivo que se casa com uma bela garota de programa começa como uma história de cinema e termina em tragédia

Uma moça bonita e pobre, nascida no interior, muda-se para a cidade grande e passa a levar a vida como prostituta de luxo, até que conhece um executivo cavalheiro, educado, herdeiro de uma empresa bilionária — e casado.

Ele se apaixona por ela e, depois de três anos de envolvimento, abandona a mulher e a filha pequena para ficar com o novo amor. Durante algum tempo, o casal vive o que parece ser um romance perfeito. Como é próprio dos enamorados, eles fazem de tudo juntos, de cursos de vinho a aulas de tiro. Viajam e frequentam os melhores restaurantes. Ele a cobre de presentes e faz todas as suas vontades.

E terminam aí as coincidências entre a vida do casal Marcos e Elize Matsunaga e histórias de cinema como Uma Linda Mulher, em que o galã interpretado por Richard Gere se apaixona pela garota de programa (Julia Roberts) e os dois vivem felizes para sempre.

Elize e Marcos: sem final feliz

Elize e Marcos: sem final feliz

A paranaense Elize, de 30 anos, andava atormentada pelo medo de ser trocada por outra mulher e pela possibilidade de perder a guarda da filha de 1 ano. Na noite de 19 de maio, ela assassinou o marido, Marcos, de 42, com um tiro de pistola. Depois, pacientemente esquartejou o corpo, colocou os pedaços em sacos plásticos, que alojou em três malas, e os jogou fora.

Na vida real, o final feliz deu lugar à tragédia. Marcos Matsunaga conheceu Elize Araujo em 2004, em um site na internet, o M.Class, no qual garotas de programa oferecem seus serviços por um preço médio de 300 reais. As fotos bem produzidas da mulher loira, de traços delicados, corpo sinuoso e codinome Kelly chamaram a atenção do jovem executivo de ascendência japonesa.

Marcos sempre foi tímido, mas não a ponto de ser antissocial. Na infância, passada no bairro paulistano do Parque Continental, tinha muitos amigos e gostava de brincar na rua.

PRIMEIRO DA CLASSE Marcos Matsunaga em 1988, com a turma do 3º colegial no Colégio Santa Cruz: fama de aplicado e bom aluno

PRIMEIRO DA CLASSE -- Marcos Matsunaga em 1988, com a turma do 3º colegial no Colégio Santa Cruz: fama de aplicado e bom aluno (Foto: Álbum de Família)

Com pais exigentes, figurou entre os primeiros da classe nos colégios por onde passou, dois dos mais tradicionais de São Paulo, o Rainha da Paz e o Santa Cruz. Formou-se nesse último, em 1988. A trajetória escolar impecável culminou na  faculdade de administração da Fundação Getulio Vargas, uma das melhores e mais concorridas do país.

Logo que se graduou, começou a carreira na empresa da família, a Yoki, empresa do setor de alimentos fundada por seu avô na década de 60. Foi já  como executivo que conheceu Elize, a moça que mudou a sua vida — e provocou a sua morte.

 

Elize, uma moça do interior

A trajetória dela, até então, havia sido muito diferente da dele. Nascida numa cidade no interior do Paraná com
apenas 20 000 habitantes, Chopinzinho (a 392 quilômetros de Curitiba), Elize foi criada pela mãe, Dilta. Ela trabalhava como empregada doméstica e foi abandonada pelo marido quando a garota era ainda pequena — o nome dele nem sequer consta da certidão de nascimento de Elize.

Aos 18 anos, a moça partiu para a capital paranaense, onde fez um curso técnico de enfermagem.

Elize ainda criança (Foto: Álbum de Família)

Elize ainda criança (Foto: Álbum de Família)

Chegou a trabalhar em um centro cirúrgico, mas a vida ali também não lhe pareceu interessante, e logo ela se mudou para São Paulo. São os anos mais nebulosos da sua história. A VEJA, a mãe de Elize disse não saber o que a filha fazia naquele período. O certo é que tudo se transformou quando ela conheceu Marcos. Depois de alguns encontros, Elize tornou-se amante do executivo.

Vida dupla e um homem “à moda antiga”

A vida dupla de Marcos durou três anos, até que ele tomou a decisão de pôr fim ao casamento e unir-se à nova mulher. Já moravam juntos quando decidiram se casar, no civil e no religioso. Para a festa com 300 convidados, contrataram um dos bufês mais tradicionais da cidade, o Torres. Para a cerimônia religiosa, procuraram a Igreja Anglicana, já que a Católica, como se sabe, não permite o segundo matrimônio.

Casaram-se em outubro de 2009. Foram os dias de ouro do casal. Os que conviveram com os dois nesse período descrevem Marcos como um homem “à moda antiga”. Abria a porta do carro para Elize e levantava-se da mesa para puxar-lhe a cadeira até quando ela ia ao banheiro.

Juntos, iam à missa, faziam cursos e frequentavam ótimos restaurantes, como o Aguzzo, em Pinheiros, onde eram habitués e amigos do dono, padrinho de casamento do casal.

Diploma de Direito

Colecionavam vinhos — que guardavam às centenas em uma adega climatizada — e armas — de pistolas a fuzis, em um valor total de mais de 500 000 reais. Em 2006, ainda na condição de amante do futuro marido, Elize começou a cursar direito na Universidade Paulista (Unip).

Formou-se no ano passado, mas, mesmo com o diploma, ela nunca mais trabalhou — o marido também preferia assim. Nunca lhe faltou dinheiro, mas ela também não era de esbanjar. Tinha uma Pajero TR4, presente de Marcos, e gostava de joias e bolsas. Também ajudava a mãe e a família em Chopinzinho, mas nunca com grandes somas.

PASSADO NO INTERIOR A mãe de Elize, Dilta, que se trata de um câncer no intestino, na casa onde vive, em Chopinzinho, no interior do Paraná;

PASSADO NO INTERIOR -- A mãe de Elize, Dilta, que se trata de um câncer no intestino, na casa onde vive, em Chopinzinho, no interior do Paraná (Foto: Luiz Maximiano)

Os ciúmes dela — e o casamento começa a ruir

Dilta ainda trabalha e vive em uma casa modesta no centro da cidade. Elize sempre foi ciumenta, segundo contaram a VEJA ex-empregados do apartamento. O casal que em público era só harmonia brigava bastante dentro de casa, muitas vezes por provocação da mulher. Ela chegou a obrigar o marido a demitir uma secretária, depois de entrar no escritório dele e encontrar os dois sorrindo.

Elize suspeitava de Marcos e constantemente o acusava de flertar com outras mulheres. Mas o casamento começou a ruir para valer em uma viagem que os dois fizeram a Mato Grosso, em 2010.

Fazia algumas semanas que Elize sentia que algo estava errado com o marido. Em um descuido dele, ela flagrou em seu computador uma troca de mensagens com outra mulher. Os dois brigaram e chegaram a falar em separação. De volta a São Paulo, o clima continuou ruim. Foi então que Elize engravidou. O nascimento do bebê amainou a crise conjugal e, ao  menos por um tempo, eles voltaram a viver em bons termos.

Nos últimos meses, porém, Elize começou a reclamar que o marido quase não conversava, chegava em casa, fazia sexo, virava-se para o lado e dormia.

 

Fantasma da traíção

O fantasma da traição voltou. No início do mês passado, ela procurou um advogado de família. Queria saber em que condições poderia conseguir o divórcio e o que lhe caberia em matéria de bens. Quando decidiu visitar a família em Chopinzinho, para apresentar a filha à mãe e à avó, aproveitou a oportunidade para confirmar se estava sendo traída.

Dias antes de viajar, entrou em contato com um detetive que encontrou em um anúncio de revista. Passou-lhe as informações sobre o marido — seu carro, endereços e rotina — e embarcou para a cidade natal. Assim que chegou ao interior do Paraná, o detetive telefonou.

Disse que, na mesma manhã em que Elize partiu, no dia 17, o marido havia se encontrado com uma amante no hotel Mercure da Vila Olímpia. Na noite seguinte, os dois jantaram juntos no restaurante Alucci Alucci, nos Jardins. Em seguida, voltaram ao hotel.

“De volta para o lixo de onde você veio”

Elize acompanhou os relatos do detetive, registrados em vídeo, praticamente em tempo real. Em Chopinzinho, sua família nem desconfiou do que se passava. Ela voltou a São Paulo no fim da tarde do dia 19, com a filha e a babá.

Dispensou a ajudante assim que chegaram à cobertura de mais de 500 metros quadrados na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Em seguida, confrontou o marido. Disse que sabia da traição e contou que um detetive contratado por ela havia filmado todos os seus passos. Em meio à discussão, Marcos ainda desceu para pegar uma pizza que haviam pedido por telefone — as últimas imagens dele com vida.

De volta ao apartamento, a discussão continuou. E subiu de tom. “Como você teve a ousadia de usar o meu dinheiro para colocar um detetive atrás de mim?”, perguntou o marido, sem pedir desculpas. “Vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio.”

No dia 19 de maio, Marcos Matsunaga foi ao aeroporto buscar a mulher, Elize, a fi lha do casal e a babá, que voltavam de uma visita à família dela, no Paraná. Os quatro chegaram ao apartamento do casal, na Vila Leopoldina, bairro nobre de São Paulo, às 18h40. Subiram juntos, pelo elevador social, para a cobertura, de mais de 500 metros quadrados. A babá foi embora pouco tempo depois e o bebê foi colocado para dormir no 2º andar do apartamento.

CENA EM FAMÍLIA -- No dia 19 de maio, Marcos Matsunaga foi ao aeroporto buscar a mulher, Elize, a filha do casal e a babá, que voltavam de uma visita à família dela, no Paraná. Os quatro chegaram ao apartamento do casal, na Vila Leopoldina, bairro nobre de São Paulo, às 18h40. Subiram juntos, pelo elevador social, para a cobertura, de mais de 500 metros quadrados. A babá foi embora pouco tempo depois e o bebê foi colocado para dormir no 2º andar do apartamento.

Nesse instante, Elize pegou de dentro de uma gaveta na sala uma pistola calibre 380 que havia ganhado de presente do próprio Marcos e a apontou para o marido. “Você é fraca, não vai ter coragem de atirar. Vou mandar te internar. Não vou deixar minha filha ser criada por você. Nenhum juiz vai dar a guarda a uma prostituta”, ameaçou Marcos.

Nesse momento, ela atirou. A janela antirruído abafou o disparo.

Assim que chegou ao apartamento, o casal pediu uma pizza. Em seguida, Elize deu início à discussão em que acusava o marido de traição. A conversa foi interrompida quando a pizza chegou. Marcos desceu para buscá-la. As imagens do empresário subindo de volta com a pizza são as últimas em que aparece vivo. A discussão continuou quando ele entrou no apartamento. Antes que eles conseguissem jantar, Elize matou o executivo com um tiro disparado da pistola que sacou de uma gaveta da sala.

DAQUI A POUCO ELE VAI MORRER -- Assim que chegou ao apartamento, o casal pediu uma pizza. Em seguida, Elize deu início à discussão em que acusava o marido de traição. A conversa foi interrompida quando a pizza chegou. Marcos desceu para buscá-la. As imagens do empresário subindo de volta com a pizza são as últimas em que aparece vivo. A discussão continuou quando ele entrou no apartamento. Antes que eles conseguissem jantar, Elize matou o executivo com um tiro disparado da pistola que sacou de uma gaveta da sala.

Nenhum vizinho diz ter ouvido o estampido. A filha pequena dormia no quarto.

Na manhã seguinte, Elize esquartejou o corpo do marido com uma faca comprida e afiada — para isso, também lançou mão de seus conhecimentos de anatomia adquiridos no curso de técnica de enfermagem – e guardou os pedaços em sacos plásticos, que jogou à beira de uma estrada.

Cerca de dezesseis horas depois de assassinar o marido, Elize deixou o apartamento com três malas, que continham os pedaços do corpo dele esquartejado embalados em sacos de lixo. Pegou o carro na garagem e dirigiu até a cidade de Cotia. Lá, jogou os sacos numa estrada de terra. O rastreamento do seu telefone celular mostra que ela seguiu em direção ao Paraná, mas mudou de ideia e resolveu voltar para casa. Na mesma noite, atirou as malas numa caçamba perto do prédio.

AS TRÊS MALAS DO CRIME -- Cerca de dezesseis horas depois de assassinar o marido, Elize deixou o apartamento com três malas, que continham os pedaços do corpo dele esquartejado embalados em sacos de lixo. Pegou o carro na garagem e dirigiu até a cidade de Cotia. Lá, jogou os sacos numa estrada de terra. O rastreamento do seu telefone celular mostra que ela seguiu em direção ao Paraná, mas mudou de ideia e resolveu voltar para casa. Na mesma noite, atirou as malas numa caçamba perto do prédio.

O que explica crime tão brutal? Embora seja impossível dizer com precisão, especialistas citam um distúrbio psiquiátrico, a catatimia, que se manifesta quando alguém fica remoendo obsessivamente um trauma afetivo, como uma traição, e desenvolve um plano que tem a violência como componente essencial.

Alguns comportamentos de Elize podem ser definidos como catatímicos. Mas não todos. A polícia começou a desconfiar de Elize assim que obteve as primeiras imagens feitas pelas câmeras do elevador do prédio em que a família morava. “Elas mostravam que o Marcos entrou em casa, mas não saiu”, afirma o delegado Jorge Carrasco, chefe do Departamento de homicídios e Proteção à Pessoa.

Ela confessou o crime dois dias depois de ser presa. Passará um longo tempo na prisão, sem direito à herança e sem saber o que será do futuro da filha.

Para Elize, o conto de fadas terminou. Para a família de Marcos, restaram as imagens de um filme de terror.

 

“VOU TE MANDAR DE VOLTA PARA O LIXO DE ONDE VOCÊ VEIO”

Foi depois de ouvir essa frase que Elize Matsunaga matou o marido, Marcos Matsunaga, conforme relatou à polícia

Depois de obter de um detetive particular a informação de que estava sendo traída, Elize confronta Matsunaga e eles começam a discutir, por volta das 19 horas de 19 de maio

Depois de obter de um detetive particular a informação de que estava sendo traída, Elize confronta Matsunaga e eles começam a discutir, por volta das 19 horas de 19 de maio

-

Durante a briga, ele dá um tapa em Elize e diz: “Vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio”. Ela pega uma pistola 380 e aponta para ele

Durante a briga, ele dá um tapa em Elize e diz: “Vou te mandar de volta para o lixo de onde você veio”. Ela pega uma pistola 380 e aponta para ele

-

Matsunaga diz que ela é fraca e não teria coragem de atirar. Ameaça tirar dela a guarda da filha. Elize dispara a uma distância de 1,5 metro e acerta a cabeça do empresário, fazendo-o cair no chão

Matsunaga diz que ela é fraca e não teria coragem de atirar. Ameaça tirar dela a guarda da filha. Elize dispara a uma distância de 1,5 metro e acerta a cabeça do empresário, fazendo-o cair no chão

-

Elize arrasta o corpo do marido até o quarto de hóspedes, no 1º andar da cobertura. Fecha a porta, limpa o rastro de sangue e espera amanhecer

Elize arrasta o corpo do marido até o quarto de hóspedes, no 1º andar da cobertura. Fecha a porta, limpa o rastro de sangue e espera amanhecer

-

Na manhã do dia seguinte, depois de constatar o enrijecimento do corpo, ela pega uma faca de cozinha com lâmina de 30 centímetros de comprimento e começa a esquartejá-lo. A operação leva quatro horas

Na manhã do dia seguinte, depois de constatar o enrijecimento do corpo, ela pega uma faca de cozinha com lâmina de 30 centímetros de comprimento e começa a esquartejá-lo. A operação leva quatro horas

-

As partes do corpo são colocadas em sacos de lixo, divididos em três malas de viagem. Elize as leva para o carro, dirige até Cotia e espalha os sacos à beira da estrada. Depois, livra-se das malas e da faca

As partes do corpo são colocadas em sacos de lixo, divididos em três malas de viagem. Elize as leva para o carro, dirige até Cotia e espalha os sacos à beira da estrada. Depois, livra-se das malas e da faca

O TRONCO É A PARTE MAIS DIFÍCIL

esquartejamento

Esquartejar alguém é uma tarefa que requer força, paciência e destreza. Elize Matsunaga demonstrou ter tudo isso — e ainda capacidade de planejamento, no que a ajudaram os conhecimentos de anatomia adquiridos no curso de técnica de enfermagem, feito em Curitiba, antes de se mudar para São Paulo. De acordo com o seu relato à polícia, depois de matar o marido com um tiro na cabeça, ela esperou dez horas para dar início aos cortes.

“O tempo é mais do que suficiente para reduzir a vazão de sangue durante o processo de retalhamento”, diz o médico-legista Marcos de Almeida, professor titular de medicina legal da Universidade Federal de São Paulo. A partir da terceira hora da morte, o sangue coagula. O soro sanguíneo, a parte líquida do sangue responsável pelo transporte das proteínas anticoagulantes, deteriora-se rapidamente, devido à falta de oxigênio.

Sem essas substâncias, o sangue se torna denso, o que reduz seu derramamento. Também depois desse período tem início o processo de rigidez cadavérica. Ele ocorre em razão da falta de glicogênio no organismo, um composto associado aos movimentos musculares. Como as paredes das artérias são forradas por músculos, elas também se retesam, o que contribui para o enrijecimento do corpo.

Ao que tudo indica, Elize sabia onde os cortes deveriam ser feitos de modo a facilitar seu trabalho, realizado com uma faca de lâmina de 30 centímetros. O corpo de Matsunaga foi desmembrado nas articulações. Foram seis grandes cortes — as pernas foram separadas na altura dos joelhos; os braços, na região dos ombros; o tronco, abaixo das costelas; e a cabeça, pelo pescoço (veja o quadro acima).

Para chegar até as articulações, Elize teve de cortar primeiro pele, músculos, tendões e ligamentos. Segundo os médicos-legistas, o mais difícil nesse processo é o rompimento dos ligamentos, estruturas formadas por fibras tão resistentes quanto tiras de couro.

Em seu relato à polícia, Elize contou ter feito mais força no corte do tronco. Os ligamentos da coluna vertebral estão entre os mais robustos do corpo humano. Mesmo que, durante um esquartejamento, o derramamento de sangue seja pequeno, o odor causado pelo líquido e pela carne exposta é sempre intenso. Elize Matsunaga levou quatro horas para esquartejar o marido. Alguém sem os seus conhecimentos anatômicos levaria, no mínimo, seis.

 

A YOKI FOI VENDIDA NO MEIO DO CASO

yoki

Quando Marcos Kitano Matsunaga estava desaparecido, a empresa fundada por seu avô no início dos anos 60, a Yoki, foi vendida por 1,7 bilhão de reais à multinacional americana General Mills, gigante do setor de alimentos e dona de marcas como o sorvete Häagen-Dazs.

A conclusão do negócio em meio ao desaparecimento de um membro da família teria chamado atenção não fosse o fato de que Marcos não tinha influência sobre os destinos da companhia, que passará para o comando da General Mills só no segundo semestre deste ano. O comando da empresa pertence às duas filhas do fundador, Misako, mãe de Marcos, e Yeda. Os respectivos maridos ocupam os principais postos da Yoki, o de presidente e o de vice. Marcos era diretor executivo de exportações.

Uma das 500 maiores empresas do Brasil, a Yoki tem faturamento anual de 1,1 bilhão de reais, nove fábricas e 5 000 funcionários. Sua venda é atribuída, em parte, a uma rixa familiar entre os maridos das donas. Quando o avô de Marcos, morto nos anos 90, começou o negócio, a empresa se chamava Kitano e comercializava apenas cereais e farinhas. No fim dos anos 80, o fundador vendeu uma parte da linha de produtos e, seis meses depois, criou a Yoki — união das primeiras sílabas de seu nome (Yoshizo Kitano).

Um novo ramo também passou a ser explorado: o de produtos prontos como farofa e batata-palha. O sucesso foi tanto que, em 1996, o grupo começou a exportar e, logo depois, recuperou a parte da Kitano que havia vendido. Agora, a família teme que a marca da tragédia fique gravada na trajetória de sucesso da Yoki.

11/06/2012

às 19:53 \ Tema Livre

Vídeo de arrasar: a fabulosa Londres, seu brilho e suas milhões de luzes, vista à noite de helicóptero

londres

Parece uma pintura de vanguarda, mas é Londres, à noite, nas lentes do fotógrafo e cinegrafista Jason Hawkes

Londres nunca sai de moda e há décadas é uma das capitais do planeta.

As bodas de 60 anos da Rainha Elizabeth II trouxeram a duas vezes milenar e colossal metrópole de novo com grande ênfase para as primeiras páginas dos jornais e o primeiro plano das redes de TV e sites noticiosos, tal como ferveria, há pouco mais de um ano, com o casamento do príncipe William, futuro rei da Inglaterra, com Kate Middleton.

Agora, com as Olimpíadas que começarão no dia 27 do mês que vem, bilhões de telespectadores estarão com os olhos postos na cidade, sua arquitetura imponente, seus magníficos parques e jardins, seu lado moderno e arrojado..

Eis o Big Ben, por Jason Hawkes

Na sua jornada noturna, o helicóptero do fotógrafo passa pertinho do Big Ben

Essas imagens e o vídeo — imperdível — são de autoria do fotógrafo e cinegrafista Jason Hawkes, especializado em registrar o mundo do alto. As fotos de seu site são de uma riqueza e qualidade que o blog não consegue reproduzir.

londres2

Londres, uma cidade que não dorme nunca, por Jason Hawkes

Com equipamento bem amarrado, inclinado para fora de um helicóptero, câmeras digitais e estabilizadores especiais, Hawkes produziu este vídeo de maravilhar, em que a cidade que não dorme nunca aparece no esplendor de seu brilho noturno e de suas milhões de luzes:

 

Leia também:

Vídeo para melhorar o seu dia e que é uma obra de arte: Veneza, do amanhecer à noite, em pouco mais de 3 minutos

11/06/2012

às 14:00 \ Vasto Mundo

Como serão as viagens espaciais depois do triunfo da primeira espaçonave de uma empresa privada

MERGULHO NA HISTÓRIA A cápsula Dragon nas águas do Pacífico, prestes a ser recolhida (Foto: Michael Altenhofen / SpaceX / AP)

MERGULHO NA HISTÓRIA -- A cápsula Dragon nas águas do Pacífico, prestes a ser recolhida (Foto: Michael Altenhofen / SpaceX / AP)

 

(Reportagem de Gustavo Simon publicada na edição impressa de VEJA)

 

O TRIUNFO DO DRAGÃO

Como serão as viagens espaciais depois do sucesso da missão da Dragon, a primeira espaçonave construída pela iniciativa privada a atracar na Estação Espacial Internacional

O mundo assistiu dias atrás ao início de uma nova era na exploração espacial. Na quinta-feira, 31, a cápsula espacial Dragon, lançada nove dias antes da base de Cabo Canaveral, caiu suavemente no Oceano Pacífico, suspensa por três paraquedas.

Foi o final bem-sucedido de uma missão histórica.

Entre o lançamento e a volta à Terra, a Dragon se tornou a primeira nave construída pela iniciativa privada a se acoplar à Estação Espacial Internacional (ISS). Desde julho do ano passado, com a aposentadoria dos ônibus espaciais, a Nasa, a agência espacial americana, passou a apostar em parcerias com empresas para levar suprimentos à ISS – e para incursões a regiões próximas da Terra.

A Nasa, agora, quer dedicar-se a explorar o espaço profundo

O plano da agência, a partir de agora, é dedicar-se apenas à exploração do espaço profundo, que produza descobertas relevantes para a cosmologia. Tendo companhias privadas como parceiras para as viagens até a ISS, a Nasa também deixa de depender das naves russas Soyuz, que fazem o serviço a um preço exorbitante.

A missão da Dragon transcorreu exatamente como previsto. Após o lançamento, a cápsula passou três dias em órbita, realizando uma série de testes em seus equipamentos de navegação. Depois, foi recolhida por um braço robótico da ISS e acoplada à estação.

“Ela tem cheiro de carro novo”

Ao entrar na Dragon, o astronauta americano Don Pettit, um dos atuais ocupantes da ISS, brincou: ‘Ela tem cheiro de carro novo”. Ao longo de cinco dias, os astronautas retiraram da cápsula os suprimentos enviados da Terra e a carregaram com roupas e equipamentos usados, e amostras de experimentos concluídos.

Nas próximas semanas, a estrutura e os equipamentos da Dragon serão alvo de uma análise minuciosa feita por engenheiros para avaliar que alterações podem ter ocorrido durante a turbulenta reentrada na atmosfera – a 25 200 quilômetros por hora e à temperatura de 1 850 graus.

 

Capsula Dragon, da SpaceX

Capsula Dragon, da SpaceX (Clique na imagem para vê-la em tamanho maior)

Parcerias com os donos da PayPal e da Amazon, e com a Boeing

Com o êxito da viagem da Dragon, desenvolvida pela SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, o criador do PayPal, está provado que a nova estratégia da Nasa tem tudo para dar certo.

Além da parceria com a SpaceX, a Nasa tem acordos firmados para o desenvolvimento de cápsulas espaciais com a Orbital Sciences, a Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, dono da Amazon, e com a Boeing. Os primeiros testes da Orbital, que tem oito voos contratados, devem ocorrer entre outubro e dezembro.

O próximo voo da SpaceX, de um total de doze previstos, deve ser feito em setembro. “Hoje, definitivamente, nos tornamos clientes da SpaceX”, disse o engenheiro Alan Lindenmoyer, gerente da Nasa para o programa Cots (sigla em inglês para Serviço Comercial de Transporte Orbital). I

sso significa a confirmação do contrato de 1,6 bilhão de dólares que a agência firmou com a empresa de Musk, mas cuja validade dependia do sucesso da primeira missão da Dragon à ISS.

 

Private Space

ACOPLADA À ISS -- Transportar astronautas é o próximo passo (Foto: AP / NASA)

Voos da empresa custarão um terço do que os russos cobram

Depois dos próximos voos da Dragon, que devem transportar cargas maiores, a previsão é que, em 2015, a nave comece a fazer voos tripulados entre a Terra e a ISS.

Isso representará uma enorme economia para o programa espacial americano. Cada astronauta transportado pelas naves Soyuz custa 63 milhões de dólares. A SpaceX cobrará um terço desse valor pelo serviço.

A versão tripulada da Dragon poderá comportar sete passageiros, contra apenas três da Soyuz. Disse a VEJA o engenheiro americano Glenn King, diretor do AeroMedical Training Institute, organização que forma astronautas: “Para que a Dragon faça voos tripulados, será preciso uma série de ajustes destinados a garantir a integridade física dos astronautas. Também será preciso desenvolver um programa de treinamento específico para que eles viajem nesse tipo de cápsula. Não se trata, evidentemente, de um salto tecnológico muito grande a ser dado”.

O êxito da Dragon significa o início de uma nova corrida espacial. Desta vez, em lugar de contrapor Estados Unidos e União Soviética, ela se dá entre empresas visionárias.

 

Leia também: 

Vídeo sensacional: o lançamento do primeiro foguete com a primeira cápsula espacial totalmente feitos por uma empresa

11/06/2012

às 12:00 \ Tema Livre

Deputado Popó: “Lutar é como andar de bicicleta”

Popó: "Não posso fazer feio para o Popózinho" (Foto: Marcelo Camargo / Folhapress)

Popó não queria "fazer feio" para o filho, Popozinho. Não fez: com 36 anos,aposentado há cinco anos, deputado federal pela Bahia, derrotou um adversário-revelação de 22 anos, até então invicto (Foto: Marcelo Camargo / Folhapress)

(Entrevista a Fabrício Lobel publicada na edição impressa de VEJA)

 

ACELINO POPÓ FREITAS: ”LUTAR É COMO ANDAR DE BICICLETA”

 

O ex-pugilista e deputado pelo PRB baiano explica por que só agora, cinco anos depois de sua aposentadoria, teve uma “luta de despedida”

 

Por que o senhor decidiu lutar mais uma vez?

Eu tomei essa decisão por causa de meu filho Acelino Popó, o Popozinho. Ele tem 6 anos e nunca me viu competindo. Decidi fazer isso para ele.

 

O senhor não está meio fora de forma?

Rapaz, eu não disputo uma luta oficial há cinco anos, mas estou bem. Já tenho 36 anos, mas peso só 72 quilos. Hoje, estou menos pesado do que quando competia profissionalmente. E saiba de uma coisa: lutar é como andar de bicicleta, quem sabe nunca esquece.

 

Mas é preciso treino…

Pô, eu estou treinando desde agosto, eu tenho certeza de que vou vencer. Não posso fazer feio para o Popozinho. [No dia 2 de junho passado, em Punta del Leste, Uruguai, Popó derrotou por nocaute no 9º assalto o também brasileiro Michael Oliveira,  campeão latino-americano dos pesos médios segundo o Conselho Mundial de Boxe e considerado uma das principais esperanças do boxe nacional. Michael estava invicto, com 16 lutas e 16 vitórias. O combate foi disputado na categoria supermeio-médio.]

 

Qual foi sua rotina de treinamento?

Usava o horário do almoço da Câmara. Fazia uma corrida no parque e depois voltava para o plenário. Depois do expediente, eu ia direto para a academia. Aí, pegava no pesado.

 

Seu adversário, que só tem 22 anos, disse que não vai iria da nenhum desconto para o senhor.

Ele fala isso porque nunca encontrou um Popó pela frente. Quer aparecer, mas vai acabar é com a cara no chão. [Acabou.]

Confira no vídeo um resumo emocionante da luta:

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados