27/05/2012
às 20:28 \ Política & CiaO pior da pressão obscena de Lula sobre o Supremo para salvar a cupinchada é que sua atitude não surpreende
Os tucanos querem levar o ex-presidente Lula à CPI do Cachoeira para explicar a escandalosa, absurda pressão que exerce sobre o Supremo Tribunal Federal para que empurre com a barriga o julgamento mensalão.
E nada mais lógico do que a CPI para ouvir o sumo sacerdote do lulalato: em seu encontro com o ministro Gilmar Mendes (leia mais abaixo), entre outras barbaridades, Lula — segundo apurou e publicou a edição de VEJA que está nas bancas — disse que tem o “controle” da CPI, como se o país fosse uma república de bananas.
Jobim desmente, e depois não é bem isso
O encontro foi na casa do ex-ministro da Defesa de Lula Nelson Jobim.
Jobim disse ao Estadão que esteve próximo a Lula e Gilmar o tempo todo e que não ouviu a proposta indecorosa feita pelo ex-presidente ao ministro do Supremo que você vai ler abaixo.
O problema é que a credibilidade de Jobim é baixa, tantas foram as declarações que fez e depois desdisse durante sua carreira pública, principalmente ao longo de sua estada no Ministério da Defesa (2007-2011). Jobim foi um ministro da Defesa trapalhão, assim como havia sido um relator trapalhão da revisão constitucional de 1993, um ministro da Justiça (governo FHC) trapalhão e um ministro e presidente do Supremo trapalhão.
Tanto é que, procurado por VEJA, e diferentemente do que disse ao Estadão, afirmou que não ouviu “tudo o que fora conversado” entre Lula e Gilmar. Leia o desmentido do desmentido aqui.
Lula desmente — mas em matéria de mensalão, ele não tem feito outra coisa
A assessoria de Lula também desmentiu — como se o assunto não fosse suficientemente sério para que o ex-presidente em pessoa o fizesse.
Mas por que acreditar em Lula, quando se refere ao mensalão?
Até hoje ele não explicou por que disse — em discurso transmitido a toda a nação no auge do escândalo, em 2005 – que foi “traído” no episódio, nem como, nem quando, nem onde, nem por quem.
Até hoje não explicou por que pediu desculpas aos brasileiros no mesmo discurso.
Ele desrespeitou várias vezes dois procuradores-gerais da República e o Supremo Tribunal ao insistir na tese de que o mensalão não existiu, que se tratou de uma suposta “trama golpista” para alijá-lo do poder.
Quanto ao ministro Gilmar Mendes e seu relato, não há qualquer razão colocar em causa sua sanidade mental.
De forma que temos um problemaço institucional.
Se o PT não tem medo da verdade, então…
A oposição não tem maioria na CPI para aprovar a convocação. O PT, se não teme a verdade, teria que endossar a medida — coisa que, obviamente, não fará.
As pressões de Lula são um escândalo e uma ameaça à democracia. Como se valesse tudo, tudo mesmo, para salvar a cupinchada.
O pior de tudo é que, tendo em vista o que o ex-presidente já disse em relação ao mensalão, a começar por essa espantosa tese de que tudo o que foi apurado pela Polícia Federal, denunciado pelo Ministério Público e acolhido como peça acusatória pelo Supremo constituiu uma “tentativa de golpe” para derrubá-lo, não surpreende que, para salvar a cupinchada, Lula afunde na lama institucional com sua atitude perante a mais alta corte de Justiça do país.
Agora leia o que VEJA apurou e que está no site:
O PSDB estuda formas de interpelar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem, diretamente ou com ajuda de interlocutores, cobrando de ministros do Supremo Tribunal Federal o adiamento do julgamento dos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão – que colocará no banco dos réus figuras de destaque do PT.
Setores do partido discutem se a melhor formar de inquirir o petista é na Justiça ou convocando-o para depoir na CPI do Cachoeira. A estratégia será definida nesta segunda-feira, véspera da sessão da CPI em que pode ser decidida a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
A ofensiva de Lula foi revelada por reportagem de VEJA publicada neste fim de semana.
Gilmar se diz “perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”
Em um dos episódios, Lula abordou diretamente o ministro do STF Gilmar Mendes. Em um encontro em Brasília, ocorrido no escritório do ex-ministro de governo e também do Supremo Nelson Jobim, Lula afirmou a Mendes que detém o controlo político da CPI e, em seguida, propôs um acordo: o adiamento do julgamento do mensalão para 2013 em troca da blindagem do ministro na CPI.
O ex-presidente insinuou que o ministro do Supremo teria viajado para a Alemanha com o senador Demóstenes Torres, cujas ligações com o contraventor Carlos Cachoeira são notórias, às custas do bicheiro.
O ministro confirmou a realização da viagem, mas disse que bancou as despesas com dinheiro próprio e que tem como provar isso. “Vou a Berlim como você vai a São Bernando. Minha filha mora lá”, disse Mendes a Lula. Por fim, o ministro diz à reportagem de VEJA: “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula.”
À luz da reportagem, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) classificou, neste domingo, como graves as denúncias contra Lula. “Até amanhã (segunda-feira) a gente troca ideias sobre qual vai ser o procedimento. O que houve foi uma afronta a duas instituições: o Congresso e o Judiciário.”
Integrante da CPI, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) disse ter conversado com o líder do partido na Câmara, Bruno Araújo (PE), que lhe deu aval para defender a convocação de Lula na CPI. Nesta segunda-feira, a bancada tucana na Casa se reúne para fechar uma estratégia para o caso.
“A denúncia é gravíssima: um ex-presidente dizer que manda na CPI e usar isso para chantagear um ministro do Supremo”, disse Francischini. “Se é mentira, o Lula tem de vir a público se explicar. É quase impossível um encontro fortuito entre duas autoridades desse porte”, acrescentou.
O PT costura com partidos aliados um acordo para a convocação de Perillo e, possivelmente, do governador de Tocantins, Siqueira Campos, outro tucano citado nos grampos da PF. Um depoimento de Agnelo Queiroz (PT-DF) também pode ser aprovado, embora a oposição não tenha votos suficientes.
Tags: Agnelo Queiroz, Álvaro Dias, CPI do Cachoeira, Demóstenes Torres, Fernando Francischini, Lula, lulalato, Marconi Perillo, Ministério Público, Polícia Federal, PSDB, PT, república de bananas, Siqueira Campos, Supremo Tribunal Federal

































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