18/05/2012
às 20:00 \ Política & CiaCésar Borges, cria de ACM durante toda sua vida política, mal esperou o chefe morrer para aderir ao governo que combatia. Agora, veio o presente: é vice do Banco do Brasil. Isso diz muito sobre a política por aqui

César Borges com a presidente Dilma: de obediente crítico do lulalato enquanto esteve sob as asas de ACM a aliado do governo com a morte do chefe. Agora, veio o presentão de recompensa (Foto: estadao.com.br)
Demorou, mas o prêmio chegou – e que belo prêmio: uma vice-presidência do Banco do Brasil, gordo salário, mordomias várias.
Sem exagerar, é possível dizer que é um prêmio a uma vocação para a sabujice do premiado – o ex-governador da Bahia e ex-senador César Borges. Mais que isso: a história é uma parábola perfeita de como funcionam as benesses do poder no Brasil, atropelando e anulando ideologias e posições políticas, além da moral.
Borges existe na política única e exclusivamente graças ao todo-poderoso e falecido senador Antonio Carlos Magalhães – que foi deputado, prefeito de Salvador, presidente da Eletrobrás, ministro das Comunicações, governador da Bahia, presidente do Senado, mandou e desmandou em todos os governos desde 1964, tanto na ditadura como na democracia, à exceção do governo do presidente Itamar Franco (1992-1995).
Deputado, secretário, vice-governador, governador — tudo pela mão de ACM
Borges foi duas vezes deputado federal pelo PFL (hoje DEM), nas asas de ACM, senhor absoluto da Bahia por um longo período. No terceiro governo de ACM, o chefe convocou-o para ser seu secretário de Recursos Hídricos.
O passo seguinte foi colocá-lo, em 1994, como candidato a vice-governador pelo PFL na chapa encabeçada pelo então secretário do Planejamento de ACM, Paulo Souto, que saneou as finanças da Bahia e permitiu ao cacique realizar um governo operoso.
Souto fez um governo bem avaliado (1995-1998). Entre outras corajosas inovações, foi o primeiro governador de Estado no país a criar um fundo de pensão complementar para os funcionários públicos admitidos a partir de então, o que a médio e longo prazo irá provocar enorme alívio ao Tesouro da Bahia, que não mais arcará com as aposentadorias integrais dos servidores.

Com ACM no Senado: sempre obediente, sempre sentado ao lado do chefe, nunca caminhando à sua frente nos corredores do Congresso (Foto: Dedoc/ Editora Abril)
Talvez Souto tenha ido bem demais, porque ACM, que não queria ninguém sequer remotamente lhe fazendo sombra, cortou-lhe as asas e não permitiu que fosse candidato à reeleição. Ordenou que concorresse ao Senado, e assim se fez. Quem foi ungido com a candidatura a governador?
César Borges. E lá foi ele, sempre pelo PFL, conduzido pela mão do chefe por todo o Estado – e facilmente eleito.
Terminando o mandato, em 2002, ACM resolveu que Souto, agora, sim, poderia voltar ao governo baiano, e que a César Borges caberia disputar o Senado, junto com ele próprio, ACM. Os dois, naturalmente, foram eleitos.
Sempre se comportou direitinho diante do chefe
César Borges, como senador, sempre se comportou direitinho diante do chefe. Votava em tudo o que ACM determinava. Tal qual o cacique, votava contra o governo Lula e criticava o governo Lula, ao qual ACM se opunha ferozmente. Nos corredores do Congresso, nunca caminhava adiante do chefe – sempre, respeitosamente, um pouco atrás. No plenário do Senado, sentava-se sempre junto a ACM.
Pois bem, foi só ACM morrer, em julho de 2007, e tudo mudou. Nem bem o cadáver do chefe havia esfriado e, já em outubro, Borges bandeou-se para o insípido, incolor e inodoro PR, partido pau-para-toda-obra, e, claro, absolutamente aderido ao governo.

César Borges com o governador Jaques Wagner, a quem ACM combatia ferozmente: risos e participação do PR no governo (Foto: AE)
No PR, também se aproximou do governador petista Jaques Wagner, de quem ACM era acérrimo crítico e adversário. (Certa vez, quando convidado a responder a uma crítica de Wagner, ACM, sempre desbocado, respondeu: “Em vez de se preocupar comigo, o governador Jaques Wagner deveria tomar banho, fazer a barba e começar a trabalhar pela Bahia”).
Agora, fala-se até na participação do PR no governo Wagner.
A mudança de Borges para o PR, infelizmente para ele, não lhe permitiu reeleger-se para o Senado em 2010. Ficou em terceiro lugar, atrás de dois candidatos ligados mais diretamente ao lulalato — Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB).
Dilma atende ao PR — e descumpre uma promessa
Esperou sentado a recompensa, e ela veio agora.
Com a indicação, a presidente Dilma Rousseff atende uma reivindicação do PR, que estava sem função no governo desde a demissão de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, alvo de denúncias de irregularidades. A presidente também descumpre a promessa que fez de que só nomearia técnicos para cargos em empresas do governo ou por ele controladas que necessitam de comandos altamente profissionais.
Depois da saída de Nascimento, o PR chegou a anunciar estrepitosamente que deixaria a base de Dilma no Congresso, mas cedeu ao “apelo” do governo para retomar funções no Executivo.
E lá está ex-comandado de ACM, feliz da vida.
Tags: ACM, Bahia, Banco do Brasil, César Borges, DEM, Jaques Wagner, lulalato, Paulo Souto, PFL, PT, sabujice, Senado
































Polícia prende suspeito de estupro na Marginal Tietê
Terremoto de 5,7 graus atinge norte da Califórnia
Ponte desaba nos Estados Unidos e afunda carros em rio
Na Bombonera, Boca Jrs. e Newell's empatam em 0 a 0
Atlético-MG conquista empate com Tijuana no último minuto















