Blogs e Colunistas

Arquivo de 4 de maio de 2012

04/05/2012

às 18:45 \ Tema Livre

Vídeo impressionante: submarino lança, debaixo d’água, míssil que pode levar até 8 bombas atômicas

O tamanho do gigantesco submarino "USS Georgia" pode ser estimado pelos marujos que estão sobre o casco -- e pelo fato de ele estar semi-submerso (Foto: murdoconline.net)

Os submarinos nucleares norte-americanos da classe Ohio, como este da foto — e o que você verá no vídeo abaixo — são armas de guerra quase inverossímeis, de tão infernalmente poderosas.

Gigantescos vasos de guerra, eles têm 170 metros de comprimento e deslocam, na superfície, 16.700 toneladas. (Por comparação, um submarino convencional, a propulsão diesel-elétrica, como o moderno S-Tikuna, da Marinha do Brasil, tem 62 metros de comprimento e desloca apenas 1.250 toneladas na superfície).

Míssil de 11 mil km de alcance disparado debaixo d'água pelo submarino "USS West Virginia" (Foto: US Navy)

O que os torna letais são os 24 mísseis balísticos intercontinentais Trident II que carregam, que podem ser disparados debaixo d’água e são capazes de levar, cada um, até 8 ogivas nucleares diferentes. Esses mísseis têm o espantoso alcance de 11 mil quilômetros.

Veja esse monstro dos mares em ação:

04/05/2012

às 18:02 \ Tema Livre

10 fatos que os amantes do futebol talvez não saibam sobre o Real Madrid que foi campeão da Espanha

Os jogadores do Real Madrid comemoram o título em San Mamés, o estádio do Athletic Bilbao, lançando ao ar o técnico José Mourinho (Foto: thesun.co.uk)

Os principais números ligados ao recém-conquistado título de campeão espanhol do Real Madrid foram divulgados pela mídia esportiva do mundo inteiro.

Que, por exemplo, além de 32 títulos da Liga Espanhola, o Real já levantou 9 Copas da Europa e 18 Copas do Rei, que Cristiano Ronaldo havia marcado 44 gols até o jogo em que seu clube matematicamente se sagrou campeão, nesta quarta, 2 de maio, ao derrotar o Athletic Bilbao por 3 a 0, em Bilbao, no País Basco – e por aí vai.

Para os amantes do futebol, porém, relaciono 10 fatos que não foram tão divulgados e que podem ser interessantes. Vamos lá:

Cristiano Ronaldo e Casillas, os dois únicos a disputar as 36 partidas até agora. Mas o goleiro tem mais minutos jogados (Foto: estadao.com.br)

1. O único jogador a disputar todas as 36 partidas do certame, completas, até agora (ainda faltam duas para o campeonato acabar) foi o goleiro Casillas, capitão do time: um total de 3.367 minutos de futebol.

2. O artilheiro Cristiano Ronaldo participou de 36 partidas, mas em uma delas começou no banco de reservas: tem 3.293 minutos.

3. O único jogador que não recebeu nenhum cartão – amarelo ou vermelho – em todo o campeonato até agora foi, justamente, um dos mais caçados pelas defesas adversárias: o atacante francês Karim Benzema, que disputou 31 partidas.

4. Na partida em que o Real Madrid praticamente matou o campeonato por antecipação, no dia 21 de abril, ao enfim vencer o Barcelona por 2 a 1 no terreno adversário , o Camp Nou, os bastidores dos vestiários antes da entrada dos times em campo – aqueles momentos tensos em que os jogadores ou mal se olham, ou se encaram com ar de lutadores de vale-tudo ao ouvir instruções do árbitro – revelaram uma cena de cavalheirismo explícito: Casillas, também capitão da seleção espanhola, saiu da fila de seu time, aproximou-se dos arquirrivais, abraçou o meio-campo Busquets, do Barça, seu colega de título mundial na Copa de 2010, e deu-lhe um beijo no rosto.

A multidão de torcedores que esperava a chegada do ônibus dos campeões à Praça de Cibeles, no coração de Madri (Foto: abola.pt)

5. Desde que o Athletic Bilbao foi fundado, em 1898 – há 114 anos, portanto –, nunca um clube visitante havia sido campeão em seu território.

6. O time do Real chutou 689 bolas a gol até agora.

7. O jogador que mais passes deu foi o meio-campo Xavi Alonso – 2.891, dos quais 2.471 certos.

8. Pouco ou nada se comenta na imprensa, mas o excelente zagueiro português Ricardo Carvalho, titular absoluto até o começo do campeonato, desapareceu de cena não apenas em virtude de uma contusão: ele apresenta também problemas psicológicos.

9. O primeiro jogador do arquirrival Barcelona a felicitar pelo Twitter o time do Real Madrid pela conquista foi o zagueiro Piqué.

10. O valor de estimado mercado do plantel do clube madrilenho é de 530 milhões de euros (1,32 bilhão de reais).

 

04/05/2012

às 17:03 \ Política & Cia

Vejam essa: Demóstenes abrigou em seu gabinete no Senado funcionária que Peluso nomeou no Supremo, mas precisou demitir

demostenes-peluso

Demóstenes Torres e Cezar Peluso (Fotos: Geraldo Magela / Agência Senado; Gervásio Baptista/Supremo Tribunal Federal )

Amigos, leiam esta reportagem publicada hoje pelo site do Estadão:

Envolvido com o contraventor Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) não negligenciou suas relações com a cúpula do Poder Judiciário, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal (STF), onde possui foro e será julgado criminalmente. Depois de ver o então presidente do STF, Cezar Peluso, constrangido a demitir a assessora Márcia Maria Rosado de um cargo de confiança no tribunal, o senador a contratou para outro cargo comissionado no Senado.

Peluso havia nomeado Márcia Maria Rosado e o marido dela – José Fernando Nunes Martinez – para postos de confiança logo depois de assumir a presidência do Supremo [o que ocorreu no dia 10 de abril de 2010]. A contratação de ambos, que não tinham vínculo com o STF, desrespeitaria a súmula aprovada pelo próprio STF, que vedou a prática do nepotismo. Por isso, Peluso foi obrigado a exonerá-la em julho de 2010.

Meses depois, Maria Rosado foi nomeada assistente parlamentar com lotação no gabinete de Demóstenes. Quando eleito líder do DEM na Casa, o senador levou Maria Rosado para [o gabinete da] liderança da legenda, onde ela permanece mesmo após a renúncia do senador à liderança.

Peluso diz que não pediu

Peluso afirmou que ele não pediu a Demóstenes que contratasse Maria Rosado. “Como também não sabia que ela tinha ido pra lá”, afirmou o ministro.

Por meio da assessoria do DEM, Maria Rosado afirmou que no passado levou seu currículo para ser avaliado e Demóstenes teria decidido contratá-la por causa de sua experiência profissional. Ela negou qualquer relação entre sua saída do STF e a nomeação no Senado.

Rede de contatos

Com esse tipo de ação e por ter sido presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Demóstenes montou uma rede de contatos no Judiciário. Nas gravações feitas pela Polícia Federal, o senador ressalta que é importante para ele e Cachoeira manter relações próximas com integrantes dos tribunais superiores.

Demóstenes tentaria usar esses contatos a favor dos interesses do esquema. Na época das gravações, comentou um ministro do tribunal, não era possível imaginar que Demóstenes usaria a porta aberta com integrantes da Corte para auxiliar a atuação de Cachoeira.

A defesa do senador informou, em nota ao Estado, que recebeu o currículo de Maria Rosado, “dentre tantos outros diariamente recebidos em seu gabinete, tendo este se destacado pela qualidade”. Afirma ainda que o parlamentar “jamais empregou alguém a pedido de qualquer ministro” e que ela “correspondeu plenamente às expectativas”.

(Para continuar lendo esta matéria, clique aqui)

 

04/05/2012

às 16:00 \ Tema Livre

Paulo André, o zagueiro-escritor do Corinthians: “A inteligência é afrodisíaca”

Fotos: Fernando Cavalcanti

Paulo André: de Sartre a Morris West (Foto: Fernando Cavalcanti)

PAULO ANDRÉ:: “A INTELIGÊNCIA É AFRODISÍACA”

O zagueiro do Corinthians, autor do livro O Jogo da Minha Vida, fala de seus prazeres fora de campo: literatura, aquarela e filosofia

 

De que trata o seu livro?

Já tenho um blog e resolvi evoluir para um livro. Nele, uso o futebol como pano de fundo para tratar de histórias de jovens que saem de casa muito cedo em busca de uma carreira. A primeira edição já foi toda vendida.

 

Seus companheiros de equipe leram?

Nem todos têm o hábito da leitura. Mas alguns já deram uma olhada e gostaram.

 

Quando começou seu interesse por artes?

Foi quando jogava na França. Depois de algumas lesões, achei que não poderia mais jogar. Então, comprei uma tela, tintas e comecei a pintar. Também passei a ler sobre psicologia, economia, filosofia e literatura. Começou com uma namorada que fazia psicologia. Descobri que a inteligência é afrodisíaca.

 

E o que você lê?

Recentemente, Gabriel García Márquez e Morris West. Também li o livro de crônicas do Tostão e as biografias do Nadal, Federer, Agassi e Michael Jordan. Como um pouco de filosofia não faz mal a ninguém, li ainda O Homem Medíocre, de José Ingenieros, e O Banquete, de Platão.

 

Platão é seu filósofo preferido?

Prefiro Sartre. “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”

 

O que os outros jogadores acham de seu estilo?

Tem uma certa gozação, mas não sou um cara chato. Vou ao pagode e ao samba como todo mundo.

 

(Publicado na seção “Panorama”, por Fabrício Lobel, na edição impressa de VEJA)

04/05/2012

às 15:00 \ Política & Cia

Os advogados, que conhecem como ninguém as mazelas do Judiciário, homenageiam a ministra Eliana Calmon

eliana-calmon

Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça do CNJ: homenagem de quem conhece as mazelas do Poder Judiciário como ninguém (Foto: Cristiano Mariz)

Os organismos representativos dos advogados costumam ser corporativos e, não raro, se opõem a reformas nas instituições que poderiam facilitar a vida do grande público mas vão contra os interesses de seus representados.

Por outro lado, como seu fazer diário é lidar com o Judiciário, ninguém, como os advogados, conhece as mazelas deste Poder da República — mesmo havendo casos em que profissionais saem da linha e agridem a lei que devem defender.

Mas é muito significativo o jantar em homenagem à ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, que será realizado na próxima quinta-feira, dia 10, no Jockey Club de São Paulo, a partir de 19 horas, com patrocínio da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil – a maior do país, com mais de 200 mil advogados filiados –, do Instituto dos Advogados de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP).

Motivo: os “relevantes serviços prestados à Justiçpa e à sociedade como corregedora-geral do Conselho Nacional de Justiça”, cargo que a ministra exerce desde setembro de 2010.

A ministra, mesmo enfrentando por vezes a oposição feroz de colegas magistrados, vem realizando uma verdadeira cruzada pela moralização e pelo melhor funcionamento do Poder Judiciário no país.

04/05/2012

às 14:00 \ Política & Cia

Collor — sim, ele mesmo, Collor, quem diria — agora é investigador em CPI

COLLOR, AGORA INVESTIGADOR

 O REVERSO — Como linha auxiliar do lulismo, o senador Fernando Collor resfolega como tarefeiro e tenta convocar o procurador da República para depor na CPI (Foto: Dida Sampaio / AE)

 

(Reportagem de Otávio Cabral e Daniel Pereira publicada na edição de VEJA que está nas bancas)

Vinte anos depois de ter o mandato de presidente da República cassado ao cabo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o senador Fernando Collor voltou a ser protagonista de uma CPI. Alvo da investigação em 1992, ele assumiu agora o papel de investigador, escalado por seu atual partido, o PTB, para ser titular na CPI do Cachoeira.

Acossado pelos petistas em 1992, Collor volta como aliado dos seus antigos algozes. De rival e desafeto do ex-presidente Lula, a quem derrotou na campanha presidencial de 1989, Collor foi reduzido à condição de tarefeiro das legiões lulopetistas no objetivo de usar a CPI para desviar a atenção do julgamento do mensalão, que deverá ser feito em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Do gasto “não se deve deixar a raposa vigiar o galinheiro”, passando por “o mundo dá voltas”, até o sábio “a política une os mais estranhos parceiros”, são muitos os ditados consagrados para descrever a presente situação. O mais exato talvez seja o atribuído a Karl Marx (1818-1883), segundo o qual “a história se repete; primeiro como tragédia, depois como farsa”.

Collor agora recebe missões dos petistas

Collor estreou propondo a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Alegou que Gurgel deve explicações por ter demorado a pedir a abertura de inquérito contra o senador Demóstenes Torres, acusado de defender os interesses da máfia da jogatina.

O requerimento de Collor não foi votado. O comando da CPI acha mais adequado apenas convidar Gurgel. [O próprio Gurgel disse que juridicamente está impedido de depor, pois participa das investigações, devido a sua função.]

É dos mensaleiros o interesse maior em desqualificar Gurgel, peça-chave no julgamento do mensalão. Ele ratificou a denúncia contra os mensaleiros feita pelo seu antecessor, Antonio Fernando de Souza. Caberá a Gurgel ler no plenário do STF o pedido de condenação dos réus por crimes que vão de formação de quadrilha, passando pela lavagem de dinheiro, até chegar à corrupção ativa.

Constranger publicamente Gurgel na CPI ajudaria a empanar o brilho litúrgico da abertura dos trabalhos no STF. Collor recebeu dos petistas outras missões na CPI. Da tarefa de envolver a imprensa, ele mostrou que se esforçará para se desincumbir até com prazer. Collor atribui à imprensa o desencadeamento do processo de impeachment que lhe custou a Presidência da República.

04/05/2012

às 12:45 \ Tema Livre

Vídeo muito divertido: os bebês patinadores que fazem diabruras para anunciar uma água mineral nos EUA

evian

Fotos da campanha "Viva Jovem", da água mineral francesa

 

Vejam que espetacular o anúncio da água mineral francesa Evian para os nos Estados Unidos, Live Young (Viva Jovem), Let`s baby dance (deixe a criança dançar, em tradução livre), no qual um bando de bebês dão um show de patins.

A ênfase da campanha, como de outras, é de que vida saudável, que inclui a qualidade da água ingerida, retarda o envelhecimento.

 

04/05/2012

às 12:05 \ Vasto Mundo

Egotrip pura: dono de empresa aérea manda fazer pedras de gelo reproduzindo seu rosto

Aeromoça da Virgin Atlantic mostra a nova pedra de gelo: com a cara do patrão (Foto: Virgin Atlantic Airlines)

Ah, a que ponto chegam os egos.

A última do bilionário, esportista, aventureiro e mecenas britânico Sir Richard Branson – dono do conglomerado Virgin, que inclui, entre centenas de empresas, a companhia aérea Virgin Atlantic Airlines – é servir aos passageiros, em seus drinques, pedras de gelo que reproduzem seu rosto.

A pedra de gelo, vista de perto

Inacreditável é a explicação oficial oferecida pela empresa: “A inovação significa que todos os passageiros terão a oportunidade de desfrutar de algum tempo refrescante com Mr. Branson nos nossos novos bares, maiores do que os de qualquer outra empresa aérea e desenhados para proporcionar espaço adicional e conforto para aqueles que desejem confraternizar com outros passageiros durante os voos”.

“Todos os passageiros” são apenas os da primeira classe, bem entendido.

O rosto de Branson: você acha a pedra de gelo parecida? (Foto: fredhatman.co.za)

A Virgin jura que a criação das novas pedras de gelo foram o trabalho “exaustivo” de quatro designers, que trabalharam durante seis semanas para torná-las semelhantes ao rosto do padrão, para o que lançaram mão de “tecnologia de scanner com laser”.

Mais uma dica do amigo do blog José Carlos Bolognese. Falou em aviação, ele sabe de tudo — não lhe escapa nem essas pequenas futilidades divertidas.

04/05/2012

às 12:00 \ Política & Cia

Todos sabem como as CPIs começam, mas ninguém pode prever como terminam, como a de Carlinhos Cachoeira

AUTORIDADE O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da comissão: investigação "doa a quem doer" (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

AUTORIDADE -- O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da comissão: investigação "doa a quem doer" (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

 

(Reportagem de Otávio Cabral e Daniel Pereira publicada na edição de VEJA que está nas bancas)

 

A presidente Dilma Rous­seff bateu novo recorde de aprovação popular, angariando apoio em todas as faixas de renda e de escolaridade da população. Não foi a única boa notícia para ela. Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, Dilma venceria com folga ainda maior um adversário da oposição se a eleição presidencial fosse hoje.

Além disso, já é vista como a candidata natural do PT, em 2014, por um em cada três entrevistados. Em um ano e quatro meses de mandato, Dilma saiu da sombra de Lula, conquistou uma fatia do eleitorado que negara voto ao antecessor e – como aponta o levantamento – concorre com ele para ser o principal polo de poder do país.

Uma rivalidade que ultrapassa a gélida seara das estatísticas e já incendeia os bastidores da CPI do Cachoeira, instalada na semana passada.

Concepções diferentes sobre métodos e objetivos da CPI

Dilma e Lula têm concepções diferentes dos métodos e dos objetivos da comissão que investigará as relações da quadrilha da jogatina com parlamentares, governadores e empreiteiras. Pelo menos na primeira rodada, a presidente levou vantagem, garantindo um plano de trabalho inicial submetido aos valores republicanos e menos suscetível a sofrer pressões políticas subalternas da falconaria petista.

A escolha do relator da CPI foi o primeiro exemplo do duelo em curso. Principal incentivador da comissão, o ex-presidente Lula queria que essa função fosse exercida pelo deputado Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo, amigo do peito do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu.

Lula diz estar em perfeita sintonia com Dilma

Vaccarezza era a aposta da ala majoritária do partido para desqualificar algozes do mensalão e radicalizar contra setores da oposição e da imprensa, o que inclui desafetos notórios de Lula. Dilma percebeu esse movimento. Foi escolhido relator o deputado petista Odair Cunha, de Minas Gerais.

Vice-líder do governo, ele é moderado, admirado pela presidente e com bom trânsito no Palácio do Planalto. A escolha do nome do relator – a quem cabe definir os rumos da CPI e elaborar seu relatório final – ocorreu na terça-feira, um dia antes de Lula desembarcar em Brasília para um encontro com Dilma e companheiros do PT.

Nas aparências, como é próprio nesses casos, a presidente e o ex estão em perfeita sincronia. Disse Lula: “Nosso relógio é suíço. Jamais ela vai ter de adiantar ou atrasar. Nós nunca temos de acertar ponteiros”.

 

EM 3D Lula defende que a CPI seja usada como cortina de fumaça para tirar o foco do mensalão (Foto: Alan Marques/ Folhapress)

EM 3D -- Lula defende que a CPI seja usada como cortina de fumaça para tirar o foco do mensalão (Foto: Alan Marques/ Folhapress)

Enquanto a CPI não terminar e sair igual ou melhor do que a encomenda de Lula, a ordem do comitê central é não atribuir ao “chefe” as manobras para sua criação e funcionamento. Se acabar como o planejado pelos petistas e for um sucesso, então, nesse caso a propaganda partidária cuidará de espalhar que Lula foi o grande arquiteto da operação, que terá conseguido provar que o mensalão foi uma farsa produzida por inimigos do PT com a ajuda de políticos da oposição, da imprensa e do contraventor.

A CPI do Cachoeira, na lógica da bolha petista radical, deveria ser a tábua de salvação da companheirada às voltas com o processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas a realidade morde e os fatos são teimosos. A presidente Dilma não aceitou apenas assistir à CPI e retomou as rédeas do processo. Foi firme na escolha do relator e na indicação para a presidência da CPI do senador Vital do Rêgo, peemedebista que faz parte do mesmo grupo político de Eduardo Braga, líder do governo no Senado.

 

EM PRETO E BRANCO Mas a CPI abre abre caminho para explicitar as relações financeiras entre petistas e o contraventor Cachoeira, documentadas em vídeo

EM PRETO E BRANCO -- Mas a CPI abre abre caminho para explicitar as relações financeiras entre petistas e o contraventor Cachoeira, documentadas em vídeo

Dilma não quer que a CPI seja usada como vingança nem como meio de influenciar o julgamento do mensalão no STF. Defende que os indícios coletados pela Polícia Federal sejam apurados com rigor. Um trabalho técnico, sem diversionismos políticos. “Quem cometeu erros vai ter de pagar. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém”, disse a presidente a um ministro.

Faxina ética

A faxina ética é um dos dínamos da popularidade de Dilma. Outro é a economia. A presidente quer acelerar o ritmo de crescimento e aposta numa agenda positiva que já está em curso, como os investimentos em transporte público e as reduções de juros do crédito imobiliário. Que se faça a investigação, prega Dilma, mas que ela não se torne um “vale-tudo” que paralise o governo, impeça votações importantes no Congresso e se torne o principal tema dos debates no país.

Não será tão simples assim. Aliado de Lula, o senador Fernando Collor tentou, logo na primeira sessão, aprovar a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a quem petistas ligados ao ex-presidente Lula querem fragilizar de olho no julgamento do processo do mensalão, que deve ocorrer em breve.

Por enquanto, coisa só do PT

A maior parte dos requerimentos apresentados por deputados e senadores na primeira semana de existência da comissão diz respeito aos limites investigativos delineados pela presidente, como deseja o Planalto. Dilma ainda contou com uma ajudinha extra.

O PMDB não escalou como titulares da CPI do Cachoeira seu plantel mais estrelado, que inclui lulistas como Renan Calheiros e Romero Jucá. Foram a campo novatos, num recado de que a CPI – pelo menos por enquanto – é coisa só do PT.

Dos 63 deputados e senadores que participam da comissão, 41 são de partidos da base aliada, catorze de oposição e oito independentes, o que, em teoria, permite que o governo mantenha a investigação sob controle de sua base parlamentar. “Temos clareza de que estamos investigando Carlinhos Cachoeira e suas relações. Não se trata de uma investigação que, necessariamente, vá para cima do Planalto ou de qualquer membro do governo. Mas, se, no curso das investigações, surgirem alguns governistas, vamos seguir em frente, doa a quem doer”, afirmou Odair Cunha.

 

FENÔMENO Os negócios da construtora Desta estão na mira da CPI. Na raiz do meteórico sucesso da empresa, que até a semana passada era comandada por Fernando Cavendish, estão políticos influentes e denúncias de pagamento de propina (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)

FENÔMENO -- Os negócios da construtora Desta estão na mira da CPI. Na raiz do meteórico sucesso da empresa, que até a semana passada era comandada por Fernando Cavendish, estão políticos influentes e denúncias de pagamento de propina (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)

O maior receio dos governistas nesse início dos trabalhos da CPI atende pelo nome de Delta. Na semana passada, o ex-diretor da construtora no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, foi preso em Goiânia. Ele era o elo entre a empreiteira, a máfia de caça-níqueis comandada por Cachoeira e negócios diversos envolvendo interesses comuns.

Dirceu, consultor da Delta

Abreu também era o responsável pelo acompanhamento dos contratos da empresa com o governo federal, inclusive da parte financeira. Isso apavora muita gente. A Delta é considerada um fenômeno do setor. Durante o governo Lula, ela deixou o patamar de empresa média para se transformar na maior fornecedora de serviços ao governo.

O salto contou com a ajuda de políticos influentes e do trabalho do ex-ministro José Dirceu, contratado como consultor da empreiteira.

SEMPRE ELE O consultor José Dirceu ajudou a abrir as portas de estatais para que a Delta conseguisse contratos milionários, apesar da falta de experiência (Foto: André Dusek / AE)

SEMPRE ELE -- O consultor José Dirceu ajudou a abrir as portas de estatais para que a Delta conseguisse contratos milionários, apesar da falta de experiência (Foto: André Dusek / AE)

Propina a funcionários da Petrobras

Bem relacionado na gestão passada da Petrobras, o ex-ministro também conseguiu abrir as portas da estatal à construtora. Em sua última edição, VEJA revelou que ex-sócios de Fernando Cavendish, o dono da Delta que se afastou do comando da empresa após as denúncias, contaram, em entrevista gravada e sob a condição de anonimato, que a construtora pagou propina a funcionários da Petrobras para obter os contratos.

Diretores da petroleira foram trocados na semana passada – todos eles ligados ao governo anterior. A Petrobras informou que a substituição já estava prevista. É essa mistura inflamável que costuma mover as CPIs para o imprevisível.

 

A POLÍCIA prendeu um ex-diretor da Delta e fez buscas em escritórios da empresa: a CPI vai investigar tudo (Foto: Pedro Ladeira / Frame / Ag. O Globo)

A POLÍCIA prendeu um ex-diretor da Delta e fez buscas em escritórios da empresa: a CPI vai investigar tudo (Foto: Pedro Ladeira / Frame / Ag. O Globo)

Outro fator de instabilidade, obviamente, é o contraventor Carlinhos Cachoeira, o único a saber realmente a extensão da rede de interesses da jogatina dentro do Congresso e dos governos. Há uma mobilização em curso para domá-lo. Na proa estão Lula e o politburo petista.

Querem que Cachoeira ataque alvos selecionados, como a imprensa

Eles desejam que Cachoeira ataque alvos selecionados – desafetos do partido, integrantes da oposição e setores da imprensa que, segundo o ex-presidente, montaram a “farsa do mensalão”. Nessa ofensiva, contam com o apoio do criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula e autor da tese segundo a qual o mensalão não passou de caixa dois, um crime menor cometido por todos os partidos.

A oferta a Cachoeira é clara: se atender aos petistas, ele pode receber em troca uma mãozinha nos processos judiciais a que responderá. De quebra, há a promessa de a CPI defender, em seu relatório final, a legalização dos jogos no país.

A relação de Cachoeira com o PT é histórica. O primeiro escândalo do governo Lula, ainda em 2004, foi protagonizado pelo contraventor, que filmou Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu, lhe pedindo propina. No ano seguinte, na CPI dos Bingos, Rogério Buratti, um petista que auxiliou a campanha de Lula em 2002, afirmou que Cachoeira doou clandestinamente 1 milhão de reais ao PT.

Essas relações financeiras entre o PT e o jogo ilegal nunca foram esclarecidas. Cachoeira pode ajudar a explicar.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados