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Arquivo de 28 de abril de 2012

28/04/2012

às 20:03 \ Disseram

Cafézinho muito caro, o do esquema Cachoeira

“Bicho, é o seguinte: a gente tem que molhar a mão de alguém lá, entendeu? Os caras não fazem no amor, tem que dar um café pros caras.”

Idalberto Matias, o Dadá, sargento da Aeronáutica, combinando com Carlinhos Cachoeira o suborno a um funcionário de uma operadora de telefonia celular, de modo a garantir grampos ilegais

28/04/2012

às 19:00 \ Política & Cia

Ofensiva fascista contra a imprensa perde força, diz Álvaro Dias

Álvaro Dias: agora, com o vazamento do inquérito da operação da PF, discurso contra a imprensa deve perder força (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Vazamento do inquérito da operação Monte Carlo derruba tese dos que pretendiam usar a CPI do Cachoeira para atacar o jornalismo investigativo

Por Gabriel Castro, do site de VEJA

O vazamento do inquérito da operação Monte Carlo comprova que o suposto conluio entre a imprensa e a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira nunca passou de uma invenção de grupos hostis à liberdade de expressão – o que inclui setores do PT e seus aliados. A íntegra das investigações reforça o óbvio: o jornalismo investigativo cumpriu o seu papel sem se sujeitar à máfia.

Em um dos trechos interceptados pela Polícia Federal, o senador Demóstenes Torres diz a Cachoeira que tentará esvaziar os efeitos de uma reportagem de VEJA sobre a empresa Delta, publicada há cerca de um ano. O senador diz que o assunto vai “esquentar” no Congresso. Afirma que alguns colegas, como Álvaro Dias (PSDB-PR), já tentavam levar os representantes da construtora para falar ao Congresso.

O trecho revela que a quadrilha e seu mais fiel aliado político foram atingidos pela denúncia contra a companhia, que atuava como um braço da máfia, e tentaram minimizar o estrago e esvaziar o discurso da própria oposição. Em uma segunda conversa, dias depois, Demóstenes afirma ter cumprido o objetivo. Eis a transcricão feita pela Polícia Federal: “Ah, num deu em nada, não, cê viu, né? Eu arrumei um… uma maneira de fragilizar o discurso”.

“São os adeptos do mensalão tentando se vingar dos algozes deles”

O senador Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado, afirmou neste sábado ao site de VEJA que as revelações do inquérito devem amenizar o ímpeto dos parlamentares que pretendiam usar a CPI do Cachoeira para agredir a imprensa: “Agora esse discurso perde força. Mas que houve uma tentativa de avançar sobre a imprensa, houve”.

Ele chama de “fascista” a ofensiva sobre os meios de comunicação e diz que a explicação para o rancor está clara: “São os adeptos do mensalão tentando se vingar dos algozes deles”.

Ataques à imprensa são tentativa de tirar o foco do essencial

Líder do PPS na Câmara, o deputado Rubens Bueno (PR) também acredita que o vazamento do inquérito deve colaborar para desmoralizar o discurso anti-imprensa. “Da nossa parte, isso não vai prosperar. É um vezo autoritário, uma tentativa de constranger o jornalismo investigativo”, afirma.

O parlamentar diz que os ataques aos meios de comunicação são uma tentativa de tirar o foco do essencial: as ramificações políticas da quadrilha de Cachoeira.

Jogo duplo

Na conversa com o contraventor, Demóstenes revelou preocupação com a cobrança feita pelos parlamentares oposicionistas depois da reportagem de VEJA: “Estou te ligando por isso, avisar o pessoal que está todo mundo em cima, Álvaro Dias, não sei quê…”

Mencionado na conversa, o senador Álvaro Dias conta que, na época, a estratégia de Demóstenes não ficou clara. Mas ele diz ter notado, mais de uma vez, um comportamento intrigante no colega: “Ele avançava e recuava. Batia onde podia e recuava em outras situações. Agora é que a gente começa a entender”.

28/04/2012

às 18:32 \ Política & Cia

Uma ótima notícia: o abismo social brasileiro ficou menor

O abismo ficou menor

(Reportagem de Tatiana Gianini e Manuela Aragão publicada na edição impressa de VEJA)

Nenhuma outra grande economia reduziu a desigualdade de renda como o Brasil nas últimas duas décadas – mérito do bom e velho capitalismo 

 

DIFERENÇA DE RENDA - Gerente de hotel / Assistente administrativo. Em 2002, o salário do gerente era 3,2 vezes o do assistente. Hoje, é 2,6 vezes

DIFERENÇA DE RENDA -- Gerente de hotel / Assistente administrativo. Em 2002, o salário do gerente era 3,2 vezes o do assistente. Hoje, é 2,6 vezes

A disparidade de renda entre indivíduos existe ou existiu em todas as sociedades, sejam as pré-industriais, caso do Império Romano, sejam as economias de mercado ou socialistas modernas. A diferença é a possibilidade de mover-se, pelo próprio esforço, de um espectro social baixo para outro mais alto.

Nisso, o capitalismo é imbatível.

O termo desigualdade social aparece no discurso de esquerda associado à tese da luta de classes, com os pobres no papel de injustiçados e os ricos no de exploradores. Um certo grau de desigualdade, no entanto, é natural e saudável, pois isso dá ao ser humano a perspectiva de uma vida melhor. A esperança conforta e dá impulso e coragem para inovar e correr riscos, as molas do progresso.

A desigualdade em excesso é danosa. Há algo de muito errado quando uma parcela expressiva da população é privada das condições básicas da vida, enquanto uma pequena elite vive na mais nababesca abundância.

Avanço impressionante

O Brasil está se tornando menos desigual graças ao bom e velho capitalismo. No conjunto dos países desenvolvidos e das principais economias emergentes, nenhuma outra nação reduziu tanto a diferença entre ricos e pobres nas últimas duas décadas quanto o Brasil.

Há duas maneiras consagradas de medir a desigualdade de renda. O índice de Gini, cuja escala varia de zero, menos desigual, a 1, mais desigual, abrange toda a sociedade e é o mais usado para avaliar as disparidades sociais no Brasil. Entre 1995 e 2008, o coeficiente de Gini caiu de 0,605 para 0,549.

Na comparação dos extremos da população nacional, o avanço também foi impressionante. Em 1995, a renda média dos 10% mais ricos era 83 vezes a dos 10% mais pobres. Essa relação passou para menos de cinquenta vezes em 2008.

Trata-se do melhor desempenho em um ranking de 29 países elaborado a pedido de VEJA pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Como isso ocorreu? Basicamente, quem está na base da pirâmide social brasileira enriqueceu, e quem está no topo avançou pouco ou ficou estagnado.

Desde 2000, a taxa de crescimento da renda per capita das classes A e B foi de 10%. Já a metade mais pobre da população teve um ganho real per capita de 68% no mesmo período.

“No Brasil, a renda dos pobres aumentou emníveis chineses”

O Brasil vive hoje um fenômeno conhecido dos estudiosos de desigualdade. Quando uma nação pobre abre sua economia, há uma fase inicial de valorização dos profissionais com nível superior. Conforme o país se desenvolve, investe-se mais em formação educacional e essa demanda é suprida.

Em um segundo momento, começam a faltar trabalhadores com baixa qualificação, e os seus salários sobem. No Brasil, um garçom, por exemplo, ganha hoje um salário quase 20% superior ao de quinze anos atrás, descontada a inflação.

Já o salário de quem possui diploma, ou estuda para ter um, caiu 17% entre 2001 e 2009, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas. Com isso, o padrão de vida de um subordinado fica mais parecido com o do chefe, como ilustram os personagens desta reportagem.

“No Brasil, a renda dos pobres aumentou em níveis chineses, e a dos ricos, no mesmo ritmo de um país europeu estagnado”, diz o economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas. “Mais vinte anos assim e teremos um índice de desigualdade parecido com o dos americanos.”

155 mil brasileiros com mais de 1 milhão de dólares, e 30 bilionários

A diminuição da desigualdade ocorreu concomitantemente à ascensão de uma nova classe de milionários no país. Em 2010, os brasileiros com mais de 1 milhão de dólares disponíveis para gastar somavam 155 000 pessoas, um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

No grupo dos bilionários, a prestigiada revista americana de economia e negócios Forbes registrou em 2003 um total de dezenove brasileiros. Hoje eles já somam trinta. Juntos, possuem uma renda de 130 bilhões de dólares, o equivalente a 6% do PIB do país.

São valores impactantes se comparados com a renda de menos de 751 reais mensais com a qual sobrevivem quase 25 milhões de cidadãos, mas essa concentração de riqueza na mão dos super-ricos, semelhante à da Alemanha, não é nada comparada à de outros países emergentes. Na Índia, os trinta homens mais ricos têm o equivalente a 13% do PIB. Na Rússia, eles possuem 21%.

 

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DIFERENÇA DE RENDA -- Arquiteto / Pedreiro. Em 1995, o salário do arquiteto era 10,5 vezes o do pedreiro. Hoje, é 6,6 vezes

Redução da disparidade tomou forma com o Plano Real

A redução da disparidade social no Brasil tomou forma em 1994, com a chegada do Plano Real.

Na década anterior, a de 80, a inflação impedia as pessoas de renda muito baixa de ter acesso ao banco, enquanto as mais abastadas possuíam contas-correntes com indexadores para evitar a desvalorização do dinheiro aplicado. O abismo entre as classes sociais era quase institucionalizado.

Quando a inflação foi subjugada, pedreiros, operários, empregadas domésticas e costureiras viram o valor de seu salário manter-se estável em relação aos preços dos produtos, as agências bancárias abriram as portas e eles puderam planejar o futuro.

A tranquilidade macroeconômica também permitiu a sucessivos governos concentrar esforços na educação – a mais efetiva e reconhecida ferramenta de ascensão social. Desde 1996, diversos programas estatais, como o Fundef (substituído em 2007 pelo Fundeb) e o Bolsa Escola (transformado em Bolsa Família), melhoraram as condições do ensino ao racionalizar os gastos do governo e incentivar o comparecimento às aulas.

Educação: de 3,7 anos na escola, em média, para 7,2 anos

Em 1990, os brasileiros passavam 3,7 anos na escola. A média agora é de 7,2 anos. “Meu pai só estudou até o 1º ano do ensino médio, e a minha mãe abandonou a escola no 9º ano do fundamental. Eu fui muito mais longe”, orgulha-se o assistente administrativo e estudante paulistano Daniel Nascimento, de 21 anos, o primeiro de sua família a entrar em uma universidade.

O avanço brasileiro deu-se na contramão do ocorrido em países desenvolvidos.

Mais de vinte registraram aumento da desigualdade no período de 1995 a 2008. Entre eles estão França, Inglaterra e até Suécia e Finlândia, nações exaltadas por suas sociedades igualitárias. Apanhados pelas crises recentes, esses países viram os empregos formais escassear.

Além disso, em economias sustentadas em serviços e em exportação de produtos tecnológicos, o salário dos trabalhadores qualificados tende a ser muito alto em proporção ao das funções menos exigentes tecnicamente. Esse fenômeno ocorre nos Estados Unidos, onde muitas vagas para mão de obra barata foram fechadas nas últimas décadas, transferidas para a China ou para o México.

Aliado ao baixo crescimento econômico, isso leva ao aumento dos índices de desigualdade de renda. Não por acaso, a disparidade entre ricos e pobres tem sido um dos principais temas da campanha eleitoral americana. Nos Estados Unidos, a riqueza nas mãos do grupo do 1% mais rico da população subiu de 8% do PIB para 18% desde os anos 80.

 

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Diferença de renda Gerente de restaurante / Garçom. Em 1995, o salário do gerente era 2,75 vezes o do garçom. Hoje, é 2 vezes

Enquanto isso, as diferenças aumentam na China, na Índia e na Rússia

Crescimento econômico robusto não basta para tornar mais igualitária a distribuição de renda. Se bastasse, Rússia, Índia e China estariam experimentando uma espantosa redução na desigualdade social. O oposto está acontecendo. A disparidade de renda aumentou 24% na China, 16% na Índia e 6% na Rússia desde 1995.

Na Rússia e na Índia, os pobres deixam de receber serviços sociais básicos por causa da corrupção e da evasão de impostos. “De cada 100 rupias destinadas pelo governo indiano aos mais pobres, só 10 chegam até eles”, diz o sociólogo Rafael Díaz-Salazar, da Universidade Complutense de Madri, na Espanha. Além disso, um terço dos indianos não sabe ler nem escrever (no Brasil, o analfabetismo é de 10%).

Já a China melhorou a qualidade da educação, mas é prejudicada pela informalidade no mercado de trabalho, com impacto negativo no valor dos salários e na arrecadação de impostos.

Igualdade na pobreza não interessa

Segundo o senso comum, nas sociedades pré-industriais, assim como nos países comunistas, os níveis de desigualdade de renda eram menores.

De fato, o índice de Gini do Império Romano era equivalente ao dos Estados Unidos hoje. A estatística, porém, é perniciosa, pois leva a uma conclusão falsa.

Em Roma praticamente não existia uma classe intermediária. Havia uma grande massa de miseráveis e uma pequena parcela, de menos de 1% da população, de pessoas com um bom padrão de vida. Ou seja, a igualdade se dava na pobreza.

O mesmo ocorre em países comunistas como a Coreia do Norte e Cuba.

No mundo moderno, a igualdade almejada é a da classe média, situada entre ricos e pobres. Pela primeira vez, esse grupo intermediário representa mais da metade da população do Brasil.

Justiça social se consegue com uma boa dose de capitalismo.

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Quantas vezes a renda dos 10% mais ricos é maior do que a dos 10% mais pobres

Por que a desigualdade diminuiu desde 1995

Os brasileiros estão estudando mais

A informalidade no mercado de trabalho caiu

A inflação foi controlada

Aumentou a oferta de crédito pessoal

Foram criados programas assistenciais como o Bolsa Escola (hoje Bolsa Família)

28/04/2012

às 17:03 \ Tema Livre

Beleza pura: fotos de toda parte — e de encher os olhos

Impressionante como esse mundo é cheio de lugares lindos. Temos que concordar que o olhar e equipamento do fotógrafo também são importantes.

Agora, com a comunidade Pixdaus, na qual pessoas do mundo inteiro disponibilizam fotografias todos os dias, é possível “descobrir fotos incríveis de coisas que você nunca imaginou poderia ser real”, como avisa a seção About do site.

Confira uma seleção impressionante de paisagens:

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Intrusa no post, essa foto não é uma paisagem, não é um lugar, mas é bonita!

 

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28/04/2012

às 16:01 \ Livros & Filmes

8 mil páginas de rascunhos de Proust mostram sua obsessão em criar a obra-prima “Em Busca do Tempo Perdido”

Marcel Proust, em 1922 (Foto: Popperfoto / Getty Images)

Marcel Proust, em 1922 (Foto: Popperfoto / Getty Images)

 

EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

Os rascunhos deixados por Marcel Proust que estão sendo transcritos por pesquisadores brasileiros confirmam o processo de criação caótico e obsessivo do mestre francês

(Reportagem de Marcelo Bortoloti publicada na edição impressa de VEJA)

 

Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust (1871-1922), marco da literatura universal, é um romance em sete volumes cuja leitura requer muita dedicação.

A obra genial de Proust foi construída com frases extensas e narrações detalhistas que desafiam o poder de concentração. O encadeamento da narrativa conta pouco e se submete à análise emocional e psicológica implacável de cada personagem.

8 000 página de rascunho distribuídas em 75 cadernos

Proust convida o leitor a um mergulho profundo nas paixões humanas, nas circunstâncias da vida em sociedade e nos efeitos da passagem destrutiva do tempo. Nos bastidores dessa obra monumental, que lhe consumiu catorze anos de vida, Proust deixou um trabalho paralelo.

São 8 000 páginas de rascunho distribuídas em 75 cadernos escolares, testemunhos de que também no processo de escrever ele obedecia a um roteiro singular. Preservado há décadas na Biblioteca Nacional da França, em Paris, o material está sendo transcrito e analisado por especialistas de diversos países.

Oito cadernos foram confiados a um grupo de estudiosos brasileiros. A primeira transcrição entre as 75 a ficar pronta foi a do caderno número 28. Ela será publicada pela editora belga Brepols ainda neste ano. “O trabalho traz à luz a forma aparentemente caótica e obsessiva de Proust escrever”, resume Philippe Willemart, professor da Universidade de São Paulo (USP) à frente da equipe brasileira.

Visão parcial do quarto onde Proust escreveu, na cama e sob as cobertas, parte de sua obra. O quarto está exposto no Museu Carnavalet, em Paris (Foto: udenap.org)

A transcrição do caderno 28, que consumiu quatro anos, mostra a intensidade com que Proust mergulhava na escrita, reescrevendo uma cena inúmeras vezes, testando diferentes imagens até alcançar o efeito desejado em suas metáforas refinadas, de rara beleza plástica.

Para descrever os ramos de erva usados por uma personagem para preparar o chá, Proust começa afirmando que eles guardavam a luminosidade de um “crepúsculo de outono”. Uma segunda versão fala em “florescentes e doces como um dia de verão”. A forma definitiva é sublime: “Eram exatamente aqueles que, antes de florirem o saco da farmácia, haviam embalsamado as noites de primavera”.

Proust só se dava por satisfeito quando a comparação deixava de ser mera curiosidade estética. No caso dos ramos de chá, o trecho avança associando as flores mortas à vida apagada e doentia da personagem. Pelos rascunhos transcritos, Proust revela outras características de seu processo criativo.

O caderno 28 contém vários trechos que apareceram em À Sombra das Moças em Flor, segundo volume da obra, mas em nenhum deles há uma única menção a Albertine, personagem inspirada em Alfred Agostinelli, seu motorista e secretário, por quem Proust nutria uma paixão homossexual.

Albertine é figura central nesse e em três outros volumes do romance. “Proust pensava a obra como um todo o tempo inteiro, sem organizar inicialmente suas ideias em capítulos ou volumes”, diz Guilherme Ignácio, tradutor e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que participa do projeto.

 

RISCA E RABISCA Proust: 75 cadernos de anotações desordenadas para compor Em busca do tempo perdido

RISCA E RABISCA -- Proust: 75 cadernos de anotações desordenadas para compor " a obra-prima da literatura mundial "Em Busca do Tempo Perdido"

É de grande complexidade a tarefa da equipe comandada por Willemart, belga radicado em São Paulo e um dos primeiros a dedicar-se à análise de manuscritos literários no Brasil. Às anotações, com muitas rasuras e emendas que cobriam as páginas, Proust acrescentava frases espremidas nas laterais e em pedaços de papel que colava no fim da folha – um desses, desdobrado, atingiu 2 metros de comprimento.

O trabalho dos pesquisadores consiste não só em transcrever cada frase das anotações originais como também em analisar cada trecho, mostrar onde a ideia ou a narrativa foi interrompida naquele caderno e retomada em outro e, claro, comparar os fragmentos com a versão final escolhida por Proust.

O primeiro volume da obra-prima foi recusado por duas editoras

Ao preencher o caderno 28, escrito entre 1910 e 1911, Proust ainda pretendia reunir sua obra em três livros, e não em sete. O primeiro volume, No Caminho de Swann, viria a ser publicado em 1913 à sua própria custa, depois de ser recusado por duas editoras.

O racionamento de papel provocado pela I Guerra Mundial obrigou o escritor a esperar cinco anos antes de lançar o segundo volume. Nesse intervalo, o romance foi sendo replanejado. “Ele já tinha pensado em um fecho para a obra quando publicou o primeiro volume. O que cresceu e se modificou nesse meio-tempo foi o miolo do livro. Os manuscritos mostram que Proust pretendia expandi-lo ainda mais, tendo morrido antes de realizar seu plano”, diz Ignácio.

O escritor morreu aos 51 anos, afastado de tudo e de todos, movido pela obsessão de aprimorar seus livros. [Proust, segundo depoimento de amigos, chegava a trancar-se por dias em seu quarto, escrevendo compulsivamente debaixo das cobertas.] Deixou seis prontos. O sétimo, O Tempo Redescoberto, foi montado a partir de trechos dispersos que seu irmão Robert levou cinco anos para reunir em uma narrativa coerente.

Proust produziu exatamente o que ambicionou, uma obra imortal.

28/04/2012

às 15:03 \ Disseram

“Não existe racismo bom.”

“A imposição de um modelo de estado racializado, por óbvio, traz consequências perversas para a formação da identidade de uma nação. (…) Qualquer racismo é perverso. Não existe racismo bom. Não existe racismo politicamente correto. Todo racismo precisa ser evitado.”

Roberta Kaufmann, advogada que defendeu, no STF, a tese contrária ao uso de cotas raciais nas universidades

28/04/2012

às 14:09 \ Tema Livre

Vídeo irresistível: vejam como o cão cuida da criança — e como ela adora

Por Rita de Sousa

Lembram dos vídeos das feras com bebezinhos que postamos tempos atrás?

O instinto de cuidar de filhotes é aguçado em todas as espécies, e não raro aparece, firme e forte, mesmo quando os filhotes não são da mesma raça, como é o caso aqui, de um cachorro (ou cachorra), que dispensa a um bebê humano um carinho e cuidado de encher os olhos — e de fazer a garotinha morrer de rir.

Veja:

 

 

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28/04/2012

às 13:08 \ Disseram

É de se lamentar

“Lamento o cancelamento de todas as viagens neste ano, mas estou muito doente devido a um transtorno bipolar.”

Sinéad O’Connor, cantora irlandesa, depois de interromper, pela segunda vez neste ano, a sua turnê

28/04/2012

às 11:07 \ Disseram

Hebe: “Não tenho medo de morrer, tenho peninha.”

“Não tenho medo de morrer, tenho peninha.”

Hebe Camargo, de 83 anos, em entrevista à Folha de S.Paulo. A apresentadora enfrenta novo tratamento contra um câncer no aparelho digestivo

28/04/2012

às 10:04 \ Disseram

Aguinaldo Silva: “uma daquelas músicas dela”

“Alguém pergunta o que espero de Ivete Sangalo em Gabriela. Espero que ela cante uma daquelas músicas dela e depois se retire com dignidade.”

 Aguinaldo Silva, noveleiro, ao comentar, pelo Twitter, a escolha da cantora baiana para interpretar a Maria Machadão, dona do cabaré Bataclan, na nova versão de Gabriela, com previsão de estreia para junho

 

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