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Arquivo de 26 de abril de 2012

26/04/2012

às 20:03 \ Política & Cia

Ministério Público denuncia coronel Ustra por tortura e sequestro

O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (Doi-Codi) (Ana Carolina Fernandes/Folhapress)

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do Doi-Codi de SP durante a ditadura: "crime continuado" (Foto: Ana Carolina Fernandes / Folhapress)

Do jornal O Estado de S. Paulo

É a segunda tentativa do órgão de contornar a Lei da Anistia em crimes de desaparecimento ocorridos na ditadura

O Ministério Público Federal denunciou nessa terça-feira, 24, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e o delegado Dirceu Gravina, da Polícia Civil, pelo sequestro do bancário e sindicalista Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, em 1971, durante a ditadura militar. Esta é a segunda tentativa dos procuradores de contornar a Lei da Anistia, ao argumentar que o desaparecimento de presos políticos durante o período configura sequestro qualificado, e portanto seria um crime permanente (ainda em execução).

Na primeira tentativa, em março, o MP acusou o coronel reformado do Exército Sebastião Curió de ser o responsável por cinco supostos sequestros ocorridos no Araguaia. O argumento dos procuradores, contudo, foi rejeitado pela Justiça Federal do Pará.

Ao classificar o desaparecimento de Palhano como sequestro, o MP alega que o crime não prescreveu, pois “é de natureza permanente”. Se forem condenados, Ustra e Gravina podem pegar de dois a oito anos de prisão.

Na denúncia, os procuradores afirmam que, por duas vezes, o Supremo Tribunal Federal (STF) tratou o desaparecimento de presos políticos durante as ditaduras militares na América Latina como sequestro.

O MP baseia-se no depoimento de duas testemunhas e em registros policiais para acusar Ustra e Gravina de tortura e sequestro de Palhano. De acordo com a denúncia, o sindicalista foi preso em 5 de maio daquele ano e levado ao DOI-Codi de São Paulo. Em 13 de maio, ele teria sido movido para a Casa de Petrópolis, suposto centro clandestino de tortura na cidade serrana do Rio. Depois de dois dias, Palhano teria sido reconduzido à capital paulista e desaparecido.

À época, o DOI-Codi era comandado por Ustra. Gravina é acusado pelo MP de torturar o sindicalista. “No caso específico, a vítima Aluízio Palhano Pedreira Ferreira sofreu intensos e cruéis maus-tratos provocados pelo denunciado Dirceu Gravina, sob o comando e aquiescência do denunciado Carlos Alberto Brilhante Ustra. Em razão disso, padeceu de gravíssimo sofrimento físico e moral”, afirmam os oito procuradores que assinam a denúncia.

O advogado de Ustra e Gravina, Paulo Esteves, disse não ter conhecimento da denúncia, mas alegou que os supostos crimes prescreveram. A assessoria da Polícia Civil afirmou que a corregedoria do órgão não recebeu nenhuma denúncia do MP contra Gravina.

(…)

Leia também:
O coronel Ustra, que durante a ditadura torturou o economista Pérsio Arida, agora tortura a História

26/04/2012

às 18:30 \ Vasto Mundo

Fotos e vídeo de chorar: o massacre de centenas de milhares de focas e filhotes no adiantadíssimo Canadá

Muitos animais são arrastados com ganchos estando ainda ainda vivos. No caminhão, centenas de focas já sem a pele (Foto: telegraph.co.uk)

O Canadá é um país gigantesco — quase 10 milhões de quilômetros quadrados –, com uma população de 35 milhões de habitantes e um altíssimo padrão de vida, de cultura e de civilização. Está sempre disputando com países como a Noruega ou a Dinamarca as primeiras posições na tabela mundial do Índice de Desenvolvimento Humano.

No entanto, ali, na costa da província de New Foundland e Labrador, no oeste do país, pratica-se anualmente de 15 de novembro a 15 de maio um ritual macabro e cruel: o extermínio de centenas de milhares de filhotes de foca para o aproveitamento da carne e sobretudo da pele.

Protestos de todo tipo de personalidades e instituições, que vêm abrangendo ao longo do tempo do beatle Paul McCartney, o Rei Pelé ao então senador Barack Obama, passando por centenas de ONGs de diferentes países do mundo, bem como o boicote aos produtos provenientes da matança decretados pela União Europeia, pelos Estados Unidos e até pela Rússia — cujo governo é em geral pouco sensível a esses problemas –, nada disso muda uma vírgula na autorização do massacre.

A Rússia importava até há pouco 95% da produção de peles do Canadá, e cedeu às pressões para cessar de alimentar a indústria.

As focas e filhotes são mortos a pauladas ou com bastões que parecem machetes (Foto: wildlifetrustofindia.org)

Tampouco mudaram o cenário dados de crueldade como o fato de a matança se dar em geral com porretadas ou ou a constatação, feita com amostragens de animais mortos, mostrando que 40% dos filhotes têm a pela arrancada enquanto ainda vivos. Muitos animais são arrastados com ganchos, como se fossem pedaços de carne inanimada, estando vivos e gemendo.

Este ano o governo, impávido, está autorizando a matança de 400 mil focas e filhotes, de uma população total estimada em 7 milhões.

E, como uma espécie de desafio à opinião pública internacional, há carne de foca no menu do restaurante da Câmara dos Comuns (a Câmara dos Deputados canadense), na capital, Ottawa.

Falam mais alto os interesses econômicos dos caçadores da região e, claro, os votos dos habitantes que dependem do comércio de carne e pele de foca para sobreviver.

Sobre a matança, e sobretudo os métodos, confira o vídeo:

 

 

 

26/04/2012

às 16:29 \ Política & Cia

Justamente por ser indecente, pode dar certo a proposta de Demóstenes Torres de filiar-se ao PMDB

Demóstenes: manobra para tentar evitar a cassação do mandato

Demóstenes: manobra para tentar evitar a cassação do mandato

O site de VEJA está informando que o senador Demóstenes Torres (GO), ex-DEM e envolvido até o pescoço nas maracutaias do malfeitor Carlinhos Cachoeira, está negociando sua filiação ao PMDB, partido dono da maior bancada no Senado, como forma de tentar evitar a cassação de seu mandato.

Nada mais coerente. Para passar de seus atuais 19 para uma bancada de 20 senadores, é bem capaz de o PMDB topar.

Quando se fala em PMDB, não se fala de um partido político. O PMDB não é um partido. É uma coligação de caciques regionais que, em grande maioria, só pensam no desfrute e nas benesses do poder. É uma jiboia gulosa e insaciável, como já o defini em um post, que devora o que vê pela frente – e sempre quer mais.

É claro que há as exceções que justificam a regra, políticos como os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) ou Pedro Simon (RS), por exemplo, para ficar em dois entre outros nomes.

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Sarney, Renan e Jucá: boa companhia para Demóstenes

Mas o fato é que o PMDB não tem ideologia alguma, apóia qualquer governo desde que receba seu quinhão em troca, seu programa é uma piada porque ninguém conhece, e os que conhecem não aplicam nem respeitam, e por aí vai. Para um amontoado de políticos desse naipe e com esse perfil, um senador a mais em uma bancada que já é numerosa significa aumentar sua capacidade de fogo. Isto pode fazer brilhar os olhos dos José Sarneys, dos Renans Calheiros, dos Romeros Jucás que tanto mordiscam o governo Dilma.

Por falar nisso, essa versão “nova” do outrora combativo oposicionista Demóstenes Torres, que se supunha íntegro, estará, se se instalar no PMDB, em muito boa companhia.

26/04/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Clementina de Jesus e Clara Nunes, há 35 anos

Clara-Nunes-Clementina-de-Jesus

Foto histórica (infelizmente sem crédito ou data disponíveis): Clara e Clementina entre a dupla Nana Caymmi e Elizeth Cardoso e ele, Chacrinha

Por Daniel Setti

Elas tinham vozes diametralmente opostas. Clementina de Jesus (1901-1987), com seu potente e grave gogó de trovão, parecia uma prima perdida de Nina Simone que nascera por acaso em Valença, no estado do Rio de Janeiro; não menos inconfundível, o timbre da mineira de Caetanópolis Clara Nunes (1942-1983) emanava uma doçura mais, digamos, comercial.

Mesmo assim, as duas divas combinavam quase à perfeição. Tanto é que colaboraram em mais de uma ocasião. A primeira de destaque foi em gravação da deliciosa “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”, composição-tributo de autoria do lendário sambista Antônio Candeia (1935-1978) interpretada por ambas no disco Forças da Natureza, lançado por Clara em 1977.

Embora seja coroada pelo despretensioso e irresistível refrão “não vadeia (sic) Clementina”, a letra da música se envereda curiosamente pela ecologia, em versos como “cadê o cantar dos passarinhos?/ar puro não encontro mais não”.

Dois anos depois, seria a vez de Clementina convidar a amiga para participar de seu álbum de duetos intitulado simplesmente Clementina na faixa “Embala Eu”, de Albaleria. Entre os outros ilustres que dividiram o microfone com ela na ocasião estiveram João Bosco e Martinho da Vila.

Abaixo, clipe (tipicamente vagabundo, como a maioria do período) produzido pela Globo em 1977 para “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”. Não percam o detalhe nonsense aos 35 segundos, quando aparece um suposto figurante consertando o motor de um Fusca.

(Mais sobre música neste link)

 

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