Blogs e Colunistas

Arquivo de 22 de março de 2012

22/03/2012

às 18:13 \ Vasto Mundo

Operação para localizar o “Demônio de Toulouse” cruzou 7 milhões de dados telefônicos

Mohammed Merah: segundo o jornal espanhol "El País", "acabou com a vida de quatro adultos e três crianças tão franceses como ele, tão mestiços como ele, tão europeus como ele e, seguramente, tão religiosos quanto ele" (Foto: Reuters)

Morto com uma bala na cabeça por forças especiais, o assassino de quatro judeus e de três militares de origem árabe, todos franceses – o “Demônio de Toulouse”, como Mohammed Merah, 24 anos, nascido na França, ficou conhecido por jornais sensacionalistas –, veio à tona a espetacular operação de localização para identificá-lo e localizá-lo, a cargo do promotor-chefe de Paris, François Molins.

Mais de 300 agentes estiveram envolvidos na investigação, que, entre outras tarefas, conseguiu a proeza de cruzar 7 milhões de dados telefônicos, 700 conexões de internet e rastrear os acessos a centenas de anúncios de venda de motocicletas na Web – o paraquedista Imad Ibn Ziaten, um dos mortos, estava interessado em vender sua moto Suzuki e marcou um encontro com Merah. Ao comparecer ao local combinado, foi morto com dois tiros.

O ministro do Interior da França, Claude Guéant, confirmou a morte do terrorista (Foto: Expresso)

Entre os potenciais compradores que responderam ao anúncio do paraquedista assassinado, o intenso trabalho de investigação acabou localizando o IP – a “identidade” de cada computador existente – de Abdelkader Merah, irmão mais velho do assassino, que já estava no radar das forças antiterroristas da França por atividades suspeitas no Iraque.

Foi este o elo que permitiu chegar ao insano militante radical islâmico que matou por querer protestar contra uma salada de coisas díspares, que iam da limitação do uso do véu islâmico nas escolas públicas da França à situação dos palestinos em Gaza. Para isso, aniquilou sete franceses inocentes.

 

 

22/03/2012

às 17:33 \ Tema Livre

Hoje é o Dia Mundial da Água. Vejam alguns dados a respeito desse bem precioso — e se preocupem

A água será um bem cada vez mais escasso, avisa a ONU (Foto: VEJA)

Hoje se comemora o Dia Mundial da Água, e a ONU pretende que, na data e no futuro, se enfatize a racionalização na produção de alimentos como forma de preservar um bem que, no futuro, será cada vez mais escasso.

Cálculos de especialistas da organização mundial estimam que 70% da água consumida no mundo se destinam à produção de alimentos, cabendo 22% à indústria e apenas 8% ao consumo humano. Mesmo com os habitantes do planeta gastando menos de 10% de seus recursos hídricos, 900 milhões dos 7 bilhões de terráqueos não têm atualmente acesso ao mínimo diário para sua subsistência — que varia, conforme a região e o clima, entre 20 e 50 litros.

A coisa vai piorar no futuro: dois terços da população mundial terão acesso limitado à água em 2025 se não houver uma mudança generalizada de hábitos e, sobretudo, não se racionalizar a produção de alimentos. Para se ter uma ideia do que se gasta no setor, são necessários 7 mil litros de água para produzir um quilo de carne e para colocar no prato um alimento de vasto consumo, como arroz, gasta-se entre mil e 3 mil litros por cada quilo.

Até quando?

22/03/2012

às 14:30 \ Vasto Mundo

Haveria 1 milhão de prostitutas em seus 27 países, estima a União Europeia. ONGs acham que o número é maior

Haveria 1 milhão de prostitutas na União Europeia -- e os homens espanhois seriam os que mais as frequentam (Foto: Reuters)

Apesar da profunda crise econômica por que passa o país (ou, quem sabe, um pouco por causa dela), dois de cada cinco homens espanhóis — 40%, portanto — já tiveram alguma experiência com prostitutas, segundo estudos da área social e de saúde da União Europeia. É a cifra mais alta entre os 27 países da UE e supera índices de países com elevado percentual de frequência à prostituição, como a Tailândia — 33% dos homens.

Por comparação, na Suíça o percentual é de 19%.

Especialistas no estudo do tema atribuem o fato à liberalidade com que, na Espanha, atividades de alguma forma ligadas à prostituição anunciam seus serviços. Para ficar apenas num exemplo, só recentemente ônibus do sistema de transportes coletivos de Valência, a terceira maior cidade do país, deixaram de circular com anúncios de um prostíbulo — no caso, uma casa chamada “Hello Baby” –, por iniciativa de uma entidade local, a Associação para a Prevenção, Reinserção e Atenção à Mulher Prostituída (Apram).

A União Europeia estima que haja 1 milhão de prostitutas em atividade em seus países-membros. ONGs preocupadas com o problema acham o número pequeno demais diante da realidade.

22/03/2012

às 13:30 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo sobre a política no Brasil: “Aprenda, estrangeiro”

E.T.-O-Extraterrestre

O que imaginaria de nossa política um estrangeiro, ou um alien, que desembarcasse de repente no Brasil? (Foto: Divulgação filme ET)

Publicado em VEJA que está nas bancas esta semana.

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Aprenda, estrangeiro

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo

O Congresso brasileiro vivia uma convulsão, na semana passada. Partidos que apoiam o governo se insurgiam. Alguns ameaçavam deixar o barco.

O estrangeiro que desembarcasse naquele momento arriscaria: “Alguma séria questão doutrinária certamente divide os partidos. Talvez se digladiem duas visões radicalmente opostas quanto à política externa. Ou à política educacional. Quem sabe esteja para ser votado algum projeto de lei que impõe duros sacrifícios à população, como na Grécia”. O brasileiro sorriria.

“Eh, estrangeiro bobo! Então não ouviu as declarações dos chefes partidários? Não leu os comentaristas da imprensa?” O estrangeiro recorreria a essas fontes e ouviria as seguintes explicações:

1. Os políticos reclamam mais espaços no governo;

2. A presidente precisa conversar; precisa fazer política.

“Ah, entendi”, diz agora o estrangeiro. “Falta ampliar o espaço para as grandes discussões. E também falta viabilizar as soluções de que o Brasil precisa, o que só se consegue fazendo política.”

Ninguém nunca se dá ao trabalho de esmiuçar o que são os tais “espaços” e que diabos significa “fazer política”. O estrangeiro está, portanto, autorizado a tirar as conclusões que tirou. Obrigado, estrangeiro. Sua interpretação muito nos lisonjeia.

Mas calma. Para introduzir-se no espírito da coisa, um bom início pode ser destacar um político típico e um partido típico da nacionalidade. O senhor chegou no momento certo. Tivemos um e outro em evidência, na semana passada.

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Romero Jucá: "Deseja-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. (...) Alguém com suficiente número de escândalos em suas costas? Outra vez, Jucá não decepciona" (Foto: Agência Estado)

O senador Romero Jucá é nossa escolha de político típico. Ele esteve no centro da crise. Sua destituição do cargo de líder do governo convulsionou o Senado. Excelente senador Jucá! Extraordinário senador Jucá!

Modéstia à parte, este colunista já o destacara como exemplar típico do Hommo politicus brasileiro, neste mesmo espaço, cinco anos atrás. Pede licença para citar-se a si mesmo:

“Deseja-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. Alguém que já pulou mais de um partido para outro do que macaco de um para outro galho? Dá Jucá.

Alguém com suficiente número de escândalos em suas costas? Outra vez, Jucá não decepciona. Alguém que, representante de um estado pobre, de escassa oferta de oportunidades, consegue no entanto construir respeitável patrimônio pessoal? Jucá cai como uma luva. Um político que traz parentes para fazer-lhe parceria na carreira? Jucá!

Proprietário de emissora de TV? Jucá! Um político que, derrotado aqui e denunciado ali, no round seguinte está de novo de pé, pronto para novos cargos e funções? Jucá! Jucá!”.

Acrescente-se que o Brasil jamais conheceu uma única ideia de Jucá. Pronto: ele preenche todos os requisitos. Grande Jucá!

Como partido típico, a escolha vai para o valente PR, o Partido da República. Na semana passada, para dar sua contribuição à convulsão em curso, o PR encheu-se de brios e anunciou o rompimento com o governo.

Que partido é esse? Vai-se a seu site na internet e rememora-se que o PR, “o mais jovem dos partidos do primeiro time da política brasileira” (primeiro time!), nasceu da fusão, em 2006, do Partido Liberal, do falecido Alvaro Valle, com o Prona, do falecido “meu nome é Enéas”. E a que veio? Está lá, tudo explicadinho: “Comprometido com o regime democrático, a doutrina proposta pelo PR busca a realização do Bem Comum numa sociedade livre, pluralista e participativa (…). Para o PR, a pessoa deve ser valorizada na individualidade (…). Para o PR, o Estado deve ser o gerador das garantias dos direitos humanos, promotor e guardião do Bem Comum (…).”.

Trocando em miúdos: o PR quer o Ministério dos Transportes. Quer de volta o que lhe tomaram meses atrás sob acusações de corrupção. Como a presidente não lhe deu, rompeu com o governo. O líder do partido no Senado, Blairo Maggi, foi duro: “Este ministério vai ficar com o PR? Não? Então não tem mais o que discutir. Chega!”.

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Blairo Maggi: "não tem mais o que discutir. Chega!” (Foto: Agência Brasil)

Quer dizer, chega em termos.

O senador Maggi explicou que, agora, em vez de votarem automaticamente com o governo, os sete senadores do partido agirão caso a caso. Já que agirão caso a caso, conclui-se que pode se dar o caso de, em muitas ocasiões, votarem com o governo.

Acresce que o partido não devolveu nenhum dos cargos de segundo escalão que ocupa no governo. E que se mantém aberto à reconciliação ampla e irrestrita, generoso que é, desde que lhe voltem a ser abertas as portas do Ministério dos Transportes.

Excelente PR! Extraordinário PR!

Aprendeu, estrangeiro? Aprenda mais: o que passa por grave crise, véspera do armagedon, nos arraiais parlamentares governistas, pertence ao gênero comédia.

22/03/2012

às 12:01 \ Música no Blog

Tabelinha e craques do acordeom: Toninho Ferragutti e Bebê Kramer

Alessandro "Bebê" Kramer e Toninho Ferragutti: foles em brasa

Por Daniel Setti

Única atração brasileira confirmada para a segunda edição do BMW Jazz Festival, que ocorre entre 8 e 10 de junho em São Paulo (Auditório Ibirapuera e Via Funchal) e de 11 a 13 do mesmo mês no Rio de Janeiro (Teatro Oi Casa Grande), o Duo Ferragutti e Kramer é uma das boas novas da música instrumental nacional.

Formada por Toninho Ferragutti, paulista de Socorro radicado em São Paulo e desde meados dos anos 1990 consolidado como uma das principais autoridades em acordeom do país, e Alexandro “Bebê” Kramer, gaúcho de Vacaria radicado no Rio de Janeiro e que despontou como um dos grandes talentos do instrumento na última década, a dupla vem levando aos palcos todo o seu entrosamento desde o ano passado.

A capa do CD

A parceria rendeu o CD Como Manda o Figurino, com composições de ambos os participantes. O repertório varia do choro ao forró, sempre com toques de jazz e de ritmos tradicionais gaúchos, como a milonga e a mazurca, sempre muito presentes na obra de Bebê Kramer.

Abaixo, entre relatos sobre os inícios de suas carreiras, eles tocam trechos de algumas faixas, como a faixa título, de autoria de Kramer, e “Forró Classudo”, de Ferragutti.

(Mais sobre música neste link)

 

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