Blogs e Colunistas

Arquivo de 14 de março de 2012

14/03/2012

às 20:30 \ Política & Cia

Miriam Leitão: Se o governo recuar na questão da Comissão da Verdade, estará capitulando diante da pressão militar

Amigos, a jornalista Miriam Leitão publicou no domingo, 11, um oportuníssimo artigo na área de blogs do jornal O Globo sobre a dificuldade de os governos democráticos lidarem com o passado negro do país representado pela ditadura militar e seus crimes.

Assino embaixo de tudo o que Miriam, jornalista de primeira, escreve abaixo. Não sei, porém, a opinião dela a respeito da Comissão da Verdade, que, pessoalmente, não aprovo na forma como o governo conseguiu aprovar no Congresso. Além de voltar-se para os agentes do Estado que violaram direitos humanos durante a ditadura, como fará, a Comissão, tal como ocorreu na África do Sul, deveria, por uma elementar questão de equidade, ouvir também depoimentos dos militantes das organizações armadas que igualmente, e sem a menor dúvida, violaram esses direitos fundamentais.

Vamos ao texto de Miriam, intitulado no original “Círculo Militar”:

Audálio Dantas, presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP na época, chora durante o velório de Vladimir Herzog

O país tem discutido, nos últimos dias, o passado do regime militar. É tarde, mas não tarde demais. A sociedade decidirá o alcance desse reencontro, mas o passado deve ser revisitado se o país escolheu jamais repetir aquele erro. Novas informações surgem sobre histórias antigas, novos caminhos jurídicos. Os militares repetem o velho enredo de vetar o debate. O governo ainda não nomeou os integrantes da Comissão da Verdade.

Vladimir Herzog foi morto há 36 anos, com apenas 38 anos, horas depois de entrar no DOI-Codi, no II Exército. Tinha endereço certo, dirigia o jornalismo na TV Cultura, não demonstrou qualquer intenção de fugir, apresentou-se para depor, nunca houve culpa formada, não se sabe do que foi acusado, não se sabe até hoje como o mataram.

Uma nova foto, omitida na época, mostra o que sempre soubemos e dá mais clareza à farsa montada para tentar esconder a verdade. Foi publicada nos últimos dias no site organizado pelo deputado Miro Teixeira. Pelo ângulo se vê que se quisesse cometer suicídio ele amarraria a faixa na grade superior. O site mostra também uma carta do general Newton Cruz ao então chefe do SNI, João Figueiredo, revelando a luta intestina dentro do aparelho repressor.

Nestes 27 anos de democracia já deveria ter havido a busca da verdade sobre as circunstâncias das mortes e dos desaparecimentos políticos. Não é revanchismo. É uma obrigação do Estado para com as famílias e a História. Sempre que o assunto retorna, os militares calam a discussão. A fórmula é conhecida: os da reserva fazem notas com protestos e ameaças veladas, os comandantes da ativa fazem pressão por dentro, usando como prova da insatisfação da tropa as notas dos aposentados. Assim se forma o círculo do veto. O poder civil recua.

Herzog é uma das tantas feridas que não cicatrizam porque não é uma questão de tempo, e sim de prestar contas do crime que o Estado cometeu. O governo democrático não buscou os fatos com a diligência que a construção institucional exige. Essa falha permite que os militares mantenham sua versão. O general Luiz Eduardo Rocha Paiva afirmou na entrevista que me concedeu que “ninguém pode dizer que ele (Herzog) foi morto pelos agentes do Estado. Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar”. O Instituto Vladimir Herzog reagiu com nota de repúdio.

Por que um general que estava até 2007 em postos importantes é capaz de levantar tal dúvida? Porque sempre que eles mandaram o país interromper a conversa sobre Herzog e qualquer outro foram obedecidos. Em outubro de 2004, o “Correio Braziliense” publicou fotos que supostamente eram de Herzog. Isso detonou uma crise militar. O serviço de comunicação do Exército publicou uma nota em que justificava torturas e mortes. “As medidas tomadas pelas Forças Legais foram uma legítima resposta à violência dos que se recusaram ao diálogo, optaram pelo radicalismo e pela ilegalidade e tomaram a iniciativa de pegar em armas e desencadear ações criminosas.”

Herzog foi assassinado a 25 de outubro de 1975; no dia 31, dezenas de milhares de pessoas acorreram à Catedral de São Paulo para ato ecumênico em sua homenagem. A multidão, apesar das barreiras no trânsito criadas pelas autoridades de então, não coube na Sé

O então ministro da Defesa, José Viegas, exigiu do comandante do Exército, Francisco Roberto de Albuquerque, uma nota de retratação. O general optou por uma nota na primeira pessoa em que dizia que aquela forma de abordar o assunto não era adequada. O Exército jamais se retratou. O ministro Viegas deixou o posto dizendo que o pronunciamento provava a persistência do “pensamento anacrônico” da “doutrina de segurança nacional” em plena vigência da democracia.

Esse não foi o primeiro nem o último evento em que os militares constrangeram o poder civil. Foi o mais explícito porque Viegas deu transparência aos fatos. Ele disse em sua saída que achava inadmissível que as Forças Armadas não demonstrem “qualquer mudança de posicionamento e de convicções”. Disse que considerava inaceitável que se usasse o nome do Ministério da Defesa para “negar ou justificar mortes como a de Vladimir Herzog”.

Lembrar esse episódio nos ajuda a ver como é persistente o veto militar a duas providências fundamentais: procurar as informações que à época foram negadas pela ditadura; promover uma renovação do pensamento das Forças Armadas sobre seu papel naquele período.

O general Rocha Paiva não é um ponto fora da curva; ele representa o pensamento majoritário dos militares da ativa e da reserva. Isso fica provado também no número de oficiais, que estavam no comando até recentemente, que assinaram a nota de protesto dos clubes militares contra a Comissão da Verdade. Eles pensam hoje o que sempre pensaram. Rocha Paiva disse, por exemplo, que não há provas do crime do Caso Riocentro. (…).

Como o pensamento das Forças Armadas não foi atualizado, novas gerações estão sendo formadas nessa convicção. O desvio tem se perpetuado. Eles ainda defendem como legítimo o que houve nos 25 anos de exceção, ainda cultuam os ditadores como heróis, ainda protegem os torturadores e sonegam informações. Se o governo se deixar intimidar na Comissão da Verdade estará capitulando diante da pressão do círculo militar.

 

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14/03/2012

às 18:30 \ Livros & Filmes

Vídeo imperdível: o curta de animação que venceu o Oscar com fantásticos livros voadores

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Mr. Morris Lessmore e seus livros voadores (Foto: Divulgação)

Eis a versão integral (cerca de 15 minutos) do curta de animação que ganhou o Oscar esse ano, The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore (Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore, nome próprio que contém um trocadilho intraduzível, algo como “Maisé Menosmais”).

Essa declaração de amor ao livro de papel começa com um furacão que arranca as casas de seus alicerces e as palavras das páginas impressas, metáfora óbvia da onda digital. Mudo, o filmete é escrito e codirigido pelo ex-animador da Pixar William Joyce e mistura técnicas (stop-motion, animação computadorizada e desenho) para produzir uma bonita homenagem aos livros físicos.

Embora ameace derrapar aqui e ali (personagens em preto e branco ganham cor ao ter contato com livros, por exemplo), o curta consegue no fim das contas driblar a maior parte dos lugares-comuns associados ao tema. Destaque para o momento em que, na mesa de operação, o velho tomo carcomido em francês tem uma parada cardíaca e só ressuscita quando o Sr. Lessmore começa a… lê-lo!

Um tom profundamente nostálgico perpassa o filme, da música à direção de arte. Isso é condizente com uma cerimônia do Oscar em que o grande premiado foi O artista, mas tem algo de enganador. Além de render um curta de animação, a história de The fantastic flying books… foi lançada ano passado como um livro digital interativo para iPad que chegou ao primeiro lugar entre os mais vendidos na loja da Apple.

(Publicado por Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa, em 27 de fevereiro de 2012)

 

 

 

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14/03/2012

às 17:50 \ Vasto Mundo

Impressionante vídeo: “Kony 2012″, o viral mais rápido da história

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O monstro assassino Kony: procurado desde 2005 (Foto: Wikimédia Commons)

Neste exato momento, há mais pessoas no Facebook do que havia habitantes em todo o planeta há 200 anos.

É assim que começa a história  do documentário que virou febre na internet este mês.

A frase de impacto é para mostrar como a conexão, via internet, satélite, telefones e outros meios possibilitados pela tecnologia virou completamente de pernas para o ar as regras do jogo no mundo, tornando cada pessoa capaz de ações inimagináveis há muito pouco tempo — inclusive causar ou evitar tragédias, como a das brutais violações de direitos humanos que inclui os meninos-soldados e as meninas escravas sexuais de Uganda e países de sua fronteira norte, na África.

O vídeo tem o objetivo de tornar conhecido o homem mais procurado de Uganda, Joseph Kony, líder do assim chamado Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês), grupo de bandidos e homicidas inicialmente escondidos detrás de uma suposta coloração política que terá de responder perante o Tribunal Penal Internacional  pelas graves violações aos direitos humanos de que é acusado, incluindo assassinato em massa, escravidão e sequestro de crianças para transformar os meninos em soldados e as meninas em empregadas e escravas sexuais.

O vídeo-documentário foi criado pela ONG americana Invisible Children (“crianças invisíveis”) e, segundo a agência espanhola de notícias EFE, virou um fenômeno de mobilização na rede com dezenas de milhões de visualizações e o apoio declarado de celebridades como a mais popular apresentadora da TV americana, Oprah Winfrey, e o ator e diretor George Clooney.

Por meio da história de um suposto menino-soldado de Uganda, o vídeo de 29 minutos pede ao mundo para agir com o objetivo de encontrar Kony em 2012 – ele é procurado pelo TPI desde 2005, uma vez que o tribunal de Haia não pode julgar pessoas à revelia.

Segundo a revista Info, é o caso de viral mais rápido da história.  A companhia de métricas Visible Measures Corp divulgou um relatório afirmando que o documentário foi visto mais de 70 milhões de vezes em apenas quatro dias.

Assista ao filme legendado:

14/03/2012

às 16:16 \ Política & Cia

Dilma se deixa abraçar por pastor suspeito de crime — e Lula, mesmo sendo um ex-presidente, já posou ao lado de ator pornô

Lula, de chapéu, brinca com bola de futebol americano: mesmo sendo um ex-presidente da República, ele não viu inconveniente algum em posar ao lado do ator pornô Alexandre Frota, em foto em que aparece ainda um atleta do Corinthians e o ex-lateral corintiano Vladimir (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Amigos, a nota saiu há pouco no Radar On-line, do meu amigo Lauro Jardim. Diz tudo:

“Investigado em inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de estupro, tortura e de manter vínculos com criminosos, como revelou Leslie Leitão na última edição de VEJA, o pastor Marcos Pereira, chefão da da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, foi um dos primeiros a abraçar Dilma Rousseff ontem durante homenagem do Senado às mulheres.

Inacreditável: um sujeito investigado por estupro numa cerimônia em louvor às mulheres – e ainda por cima abraçando a presidente da República. Numa palavra, os cerimoniais do Congresso e da Presidência falharam.”

Lula e as “liturgias do cargo”

Já o padrinho de Dilma, Lula não tomou conhecimento de qualquer protocolo quando foi torcer pelo time de futebol americano do Corinthians, que se sagrou campeão brasileiro da modalidade, em dezembro passado, no Estádio Ícaro de Castro Mello, no complexo esportivo do Ibirapuera, em São Paulo.

Completamente alheio à nobre condição de ex-presidente da República e de certas liturgias que o fato de ter sido eleito pelo povo brasileiro prevêem, posou sem problemas ao lado de Alexandre Frota, agora atleta de futebol americano, mas conhecido protagonista de dezenove filmes pornográficos e “diretor” de um.

14/03/2012

às 15:37 \ Política & Cia

Cabe à oposição fazer com que projeto autoritário de Requião sobre a imprensa seja submetido a todos os senadores

Requião, autor do projeto-mordaça, ao lado de Marta Suplicy (PT-SP) na sessão de hoje da Comissão de Justiça (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Não há novidade alguma em ser de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR) o projeto aprovado hoje na Comissão de Justiça do Senado cerceando a imprensa e atropelando o trâmite natural de processos na Justiça contra jornalistas e veículos de comunicação.

Nem tampouco que os maiores beneficiários da proposta sejam justamente os políticos, alvo frequente de denúncias da imprensa fiscalizadora.

Requião nunca escondeu seu viés autoritário e tem um largo histórico de conflitos com a imprensa.

No infeliz segundo período em que o Estado do Paraná foi governado por ele (2003-2007), entre outras maravilhas que demonstram seu apreço pelo Estado de Direito, Requião utilizava os baderneiros do MST como tropa de choque auxiliar, inclusive em ocupações ilegais de postos de pedágios de rodovias sob concessão da iniciativa privada.

Cabe, agora, aos senadores da oposição ter a dignidade de reunir 10% dos votos do Senado (pelo menos oito parlamentares) para obrigar que o projeto vá a plenário — ou seja, passe pelo crivo de todos os 81 senadores, já que, se ninguém se mexer para isso, ele será “terminativo”, conforme a Constituição: mesmo aprovado apenas na Comissão de Justiça, será considerado aprovado no Senado e irá à Câmara.

14/03/2012

às 14:00 \ Livros & Filmes

Vejam a foto, leiam o texto: este bigodudo foi quem roubou a borracha brasileira — e acabou com a fabulosa prosperidade da Amazônia no século XIX

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VILÃO E HERÓI -- O aventureiro ingles Wickham, o Cavaleiro britânico que levou a Amazônia à falência (Foto: Dedoc)

 

O PIRATA AMAZÔNICO

Um jornalista americano narra as aventuras e desventuras do inglês que traficou para seu país sementes de seringueira e pôs fim ao ciclo da borracha no Brasil.

Capa: O ladrão no fim do mundo

Capa de "O Ladrão no Fim do Mundo"

Era início da estação seca de 1876. O chamado verão amazônico, quando o transatlântico SS Amazonas fundeou em uma enseada de águas turquesa no Rio Tapajós, em frente à Vila de Boim, no Pará.

O vapor da companhia inglesa Inman Line ancorou em uma área remota da selva. Sem porto, para receber uma carga secreta. Foram embarcadas em centenas de cestos de palha 70.000 sementes de Hevea brasiliensis, a seringueira.

A operação em um vilarejo escondido na floresta foi coordenada pelo inglês Henry Wickham (1846-1928) – um aventureiro que, depois de mais de uma década de desditas pela Amazônia, foi contratado pela Coroa para traficar as sementes do Brasil.

Essa história é contada em O Ladrão no Fim do Mundo (tradução de Saulo Adriano; Objetiva; 458 páginas; 49,90 reais), do jornalista americano Joe Jackson. O livro descreve como o sonho de Wickham de imitar os grandes exploradores foi usado para perpetrar a mais bem-sucedida e a mais danosa ação de biopirataria já registrada em solo brasileiro.

O roubo de Wickham viria a encerrar uma fase próspera da economia do Norte brasileiro, o chamado ciclo da borracha. No momento em que ele surripiou as sementes, o Brasil respondia por 95% da produção global de látex, matéria-prima da borracha, e as metrópoles amazônicas do fim do século XIX, Belém e Manaus, viviam sua belle époque.

Desenho de Wickham, de uma folha de seringueira

Uma folha de seringueira, conforme desenho de Wickham (Imagem: Dedoc / Editora Abril)

Da riqueza à decadência

Em 1896, a capital do Amazonas se tornou a segunda cidade brasileira a possuir uma rede pública de iluminação elétrica. No mesmo ano,  começaram a circular pelas ruas os primeiros bondes elétricos.

Em 1878, os belenenses inauguravam o Teatro da Paz. Dezoito anos depois, Manaus ganhava o Teatro Amazonas. As duas casas se transformaram nos símbolos do fausto em que viviam os amazônidas. Companhias europeias de ópera desconhecidas dos cariocas e paulistas se apresentavam nos palcos da floresta.

Mas as sementes roubadas por Wickham e levadas para o Jardim Botânico de Londres germinaram. Transportadas para as paragens tropicais abrangidas pelo império britânico – o Ceilão (atual Sri Lanka) e a Malásia -, as plantas vingaram, e 2.000 mudas deram origem ao primeiro seringal fora dos limites da inóspita Floresta Amazônica.

Silenciosamente, dava-se início ao fim da riqueza do vale amazônico.

Wickham recebeu 700 libras pelo trabalho (em valores atualizados, cerca de 158.000 reais).

Restariam ao Brasil mais trinta anos de domínio do mercado da borracha: foi esse o tempo necessário para que as árvores atingissem a maturidade no Extremo Oriente. Ultrapassado esse período de maturação. O látex produzido de forma intensiva nos seringais ingleses invadiu o mercado.

Mais barata que a borracha “selvagem” produzida à base da seiva extraída de árvores nativas espalhadas pela floresta, a produção intensiva dos ingleses arruinou a economia gomífera brasileira. A debacle da Amazônia foi rápida. Em 1928, a região atendia a apenas 2,3% do consumo mundial. Os investimentos e as empresas seringalistas se mudaram para a Ásia, e o desemprego tomou conta das cidades antes prósperas.

Responsável pela ascensão da indústria da borracha, Wickham chegou à velhice no esquecimento. Tentou encontrar a riqueza na Inglaterra e na Papua-Nova Guiné, mas se afundou em dívidas ao apostar em empreendimentos fracassados.

Viveu amargurado pela falta de reconhecimento por seu feito. Somente em 1911, aos 65 anos, ganhou da Associação Inglesa dos Plantadores de Borracha 1.000 libras como prêmio. Também naquele ano, viajou para o Ceilão, onde viu a plantação de seringueiras resultante de seu roubo.

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Wickham e uma das seringueiras resultante de seu roubo das sementes brasileiras (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Morreu pobre, e, então, a Amazônia já estava mergulhada na miséria

Na fotografia acima, Wickham aparece apoiado em uma das árvores que brotaram de “suas sementes”.

O gigante de quase 30 metros de altura produziu 168 quilos de borracha entre 1909 e 1913. 

O reconhecimento oficial só veio aos 74 anos, quando Wickham recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico.

No ano de sua morte, em 1928, ele era um homem pobre, e a Amazônia já se encontrava mergulhada na miséria.

Hoje. Um século depois de a Inglaterra quebrar o monopólio brasileiro da borracha, a região ainda se debate na tentativa de se reerguer. Wickham não poderia tê-lo calculado, mas seu ato condenaria ao atraso uma das mais exuberantes regiões do planeta.

(Resenha de Leonardo Coutinho publicada na edição impressa de VEJA)

 

14/03/2012

às 12:00 \ Tema Livre

Para alegrar os olhos: a paisagem na “Agulha do Meio-Dia”, magnífica montanha no maciço do Mont-Blanc, entre a França e a Itália

É um deslumbramento a paisagem que se descortina para quem sobe por teleférico até a Aiguille du Midi, a “Agulha do Meio-Dia”, perto da charmosa cidade de Chamonix, na França.

Assim chamada porque porque o sol do meio-dia visto de Chamonix incide diretamente sobre o cume da montanha, a “Agulha” fica a 3.842 metros de altura, no maciço do Mont-Blanc, a montanha mais alta da Europa ocidental, entre a França e a Itália, com 4.810 metros.

Encham os olhos com as fotos:

La Aiguille du Midi

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Um mapinha, em francês: à esquerda, após a "telecabine" panorâmica do Mont-Blanc, já é território italiano. O ponto culminante, de 3.842 metros de altura, fica na França. Um pouco mais abaixo, a 3.778, a estação final do teleférico; a 2.317 metros, a estação intermediária

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La Aiguille du Midi

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La Aiguille du Midi

 

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