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Veneno da madrugada 3 – Por que pobre tem de financiar ator de teatro e salto com vara?

Esporte e cultura estão em pé de guerra (leiam abaixo) porque uma lei de incentivo aos esportes pode canibalizar as fontes de recurso da cultura, capitaneados pela Lei Rouanet. Artistas e esportistas mobilizaram os seus lobbies e estão em Brasília, na rua, na chuva e na fazenda (menos em casa de sapé, que ninguém é […]

Esporte e cultura estão em pé de guerra (leiam abaixo) porque uma lei de incentivo aos esportes pode canibalizar as fontes de recurso da cultura, capitaneados pela Lei Rouanet. Artistas e esportistas mobilizaram os seus lobbies e estão em Brasília, na rua, na chuva e na fazenda (menos em casa de sapé, que ninguém é de ferro) pedindo que haja um entendimento entre as áreas e, mais do que tudo, aumento no percentual da renúncia fiscal. Todo mundo quer mais grana.

O que eu acho? Sou contra subsídio até de feijão. Vê lá se vou defender dinheiro para pagar a prosopopéia dos artistas ou o suor dos nossos atletas. Como diz o bordão de um programa de rádio, “cada um co seus pobrema”. Estado não gera riqueza. Só confisca e consome uma porcentagem — imensa no Brasil — do que a sociedade produz. Renúncia fiscal significa que o dinheiro continuará a sair do bolso do consumidor (já que as empresas continuarão a pôr no preço final o quanto gastarão com os artistas ou com os saltadores com vara…), mas não será recolhido ao Estado, e sim doado para atores, palhaços, músicos, malabaristas, jogadores de voleibol, corredores…

Em suma: estamos dizendo, com leis como essas, que a dona Maricota miserável lá de Cabrobó da Serra tem a obrigação, vejam só, de financiar os delírios estético-libertários do Zé Celso Martinez Corrêa. Faz sentido. Como Diogo lembrou outro dia, o Brasil de Antonio Conselheiro, de certo modo, continua intacto. É um dever do pobre pagar para que artistas denunciem a uma platéia de ricos as condições miseráveis em que vivem os pobres. Como é que conseguimos fazer uma gente com tão pouca vergonha na cara, hein? Qual é o grande filme ou a peça de teatro seminal — sem trocadilho — da era da lei do incentivo?

Mas o mais curioso é que o “núcleo duro do miolo mole” vai dizer: “Tá vendo? A direita é fogo! A direita não quer dar dinheiro nem para a cultura!” Vejam que beleza esse esquerdismo cultural produz: a empresa deixa de pagar imposto, “investe” em teatro (e, em breve, em salto com vara) e põe a sua marca no espetáculo. Ou seja: faz propaganda com dinheiro público, apropriando-se do que é coletivo para benefício privado. Mas o direitista, como sabem, sou eu…

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