VEJA 5 – Por que a escola brasileira é tão ruim

Poucos especialistas observaram tão de perto o dia a dia em escolas brasileiras quanto o americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação. Em 2008, Carnoy veio ao Brasil, país que ele […]

Poucos especialistas observaram tão de perto o dia a dia em escolas brasileiras quanto o americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação. Em 2008, Carnoy veio ao Brasil, país que ele já perdeu as contas de quantas vezes visitou, para coordenar um estudo cujo propósito era entender, sob o ponto de vista do que se passa nas salas de aula, algumas das razões para o mau ensino brasileiro. Ele assistiu a aulas em dez escolas públicas no país, sistematicamente – e chegou até a filmá-las -, além de falar com professores, diretores e governantes. Em entrevista à editora Monica Weinberg, Martin Carnoy traçou um apurado cenário da educação no Brasil.

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QUE CONSTRUTIVISMO É ESSE?
O construtivismo que é hoje aplicado em escolas brasileiras está tão distante do conceito original, aquele de Jean Piaget (psicólogo suíço, 1896-1980), que não dá nem mesmo para dizer que se está diante dessa teoria. Falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula. É bem verdade que esse não é um problema exclusivamente brasileiro. Especialistas no mundo todo têm o hábito de martelar seus ideários sem se preocupar em saber que benefícios eles trarão ao ensino. Há um excesso de ideologia na educação. No Brasil, a situação se agrava porque, acima de tudo, falta o básico: bons professores.
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VIGILÂNCIA SOBRE OS PROFESSORES
Os professores brasileiros precisam, de uma vez por todas, ser inspecionados e prestar contas de seu trabalho, como já ocorre em tantos países. A verdade é que, salvo raras exceções, no Brasil ninguém sabe o que eles estão ensinando em sala de aula. É o que me faz comparar as escolas públicas brasileiras às empresas pré-modernas. Elas não contam com mecanismos eficazes para cobrar e incentivar a produtividade. Contratam profissionais que ninguém mais no mercado quer, treinam-nos mal e, além disso, não exercem nenhum tipo de controle sobre eles. Hoje, os professores brasileiros estão, basicamente, livres para escolher o que vão ensinar do currículo. Não há padrão nenhum – tampouco há excelência acadêmica.
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CHEGA DE UNIVERSIDADE GRATUITA
Se quiser mesmo se firmar como uma potência no cenário mundial, o Brasil precisa investir mais na universidade. É verdade que os custos para manter um estudante brasileiro numa faculdade pública já figuram entre os mais altos do planeta. Por isso, é necessário encarar uma questão espinhosa: a cobrança de mensalidades de quem pode pagar por elas, como funciona em tantos países de bom ensino superior. Sempre me pergunto por que a esquerda brasileira quer subsidiar os mais ricos na universidade. É um contrassenso. Olhe o que aconteceria caso os estudantes de renda mais alta pagassem algo como 1 000 dólares por ano às instituições públicas em que estudam. Logo de saída, o orçamento delas aumentaria na casa dos 15%. Com esse dinheiro, daria para atrair professores do mais alto nível. Quem sabe até um prêmio Nobel. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima. Aqui

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  1. Comentado por:

    Matheus

    Concordo com a questão de que se deve saber o que está sendo estudado em cada série. Eu, por exemplo, estou no segundo ano do ensino médio e já estudei mais de uma matéria várias vezes, enquanto outras eu nunca vi na minha vida! Os professores precisam receber apoio, as faculdades deverão ser particulares, e o investimento deve ser para as escolas públicas do ensino fundamental e médio com uma preocupação com um padrão de ensino de qualidade, e não com a quantidade, pois de que adianta investir tanto nas faculdades para aumentar o número de vagas, se nem mesmo as escolas não tem qualidade? A educação começa desde cedo. Não adianta concertar aquilo que já começou errado. A solução vem de baixo pra cima.

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  2. Comentado por:

    Carlos Pedro da silva

    Uma das principais questões esta na disciplina. atualmente não existe, eu disse, não existe disciplina mínima em uma sala de aula de escola pública. Isso é culpa da esquerda que acha que qualquer chamadinha de tenção com o aluno é coisa de repressor fascista. Alguém conhece algum lugar que funciona, que produz, que resultado sem disciplina.

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  3. Comentado por:

    Ricardo Dayan

    Nada se faz sem dinheiro. Educação necessita de investimento maciço para que tenha qualidade e forme profissionais competentes.E educação de qualidade é escola equipada, professor competente bem remunerado, e, principalmente, apartidária em sua diretoria e corpo docente.Culpa dos pais? Dos professores? Dos alunos? Do governo? Não, culpa do “Sistema”.

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  4. Comentado por:

    Gilvan

    Concordo com ele, nunca entraram em minha sala para verificar o que estou ensinando, a escola se preocupa apenas com o diário e com a parte burocrática, pedem trabalhos que os alunos encaram como facilidade para obter notas, na verdade estimulam a promoção de uma série para a outra de qualquer forma, com o aluno sabendo ou não. Na escola pública não se pode chamar a atenção de ninguém, é uma bagunça generalizada, na escola particular voltada às comunidades menos privilegiadas, geralmente escolas técnicas, não tem a menor preocupação com o aprendizado só com o lucro e colocam 40, 50 ou mais para garantir o lucro e nós somos obrigados a tentar ensinar. Os pais também não cobram, pelo contrário, muitos deles só querem ficar livres do problema e jogam tudo para e escola. Eu já desisti de pensar nisso, pois só sofro e sei que nada vai mudar. Já fui, obrigado pela escola a ir a várias palestras sobre educação e nunca vi nada daquilo que foi dito na palestra ser aplicado na escola. Acho que ainda não chegamos ao fundo do poço, penso que ainda vai piorar mais, pois não vejo absolutamente nada para melhorar, pelo contrário, só vejo piorar todos os dias. Mas também em país onde o mídia valoriza o ridículo, a ignorância e a falta de cultura, o que podemos esperar. A faculdade para professor é a mais barata e o público que frequenta, em sua maioria, vem da escola pública.

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