Uma nova geração de energúmenos

Não é que a editora Nova Geração, que publica o livro que Ali Kamel criticou num artigo, resolveu me atacar também??? Epa!!! Chamado à guerra, eu vou. Até porque a editora tem tamanho (e como!) pra apanhar. Mas vamos com calma. Para quem está chegando agora ao caso: Reproduzi ontem aqui — ainda está em […]

Não é que a editora Nova Geração, que publica o livro que Ali Kamel criticou num artigo, resolveu me atacar também??? Epa!!! Chamado à guerra, eu vou. Até porque a editora tem tamanho (e como!) pra apanhar. Mas vamos com calma. Para quem está chegando agora ao caso:

Reproduzi ontem aqui — ainda está em minha gigantesca homepage — um artigo de Ali Kamel sobre as distorções do material didático oferecido nas escolas brasileiras, parte dele, UMA PARTE IMENSA, comprada com dinheiro público. Kamel selecionou trechos do livro Nova História Crítica, 8ª série, que chegou a ser distribuído gratuitamente pelo MEC a quase 750 mil estudantes. Há acepipes teóricos na obra como este que segue, sobre a Revolução Cultural Chinesa:

“Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. (…) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: ‘Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.’ As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”

Sempre é bom lembrar. Mao matou 70 milhões de pessoas.

À esteira do texto de Kamel, publiquei oito posts demonstrando o que chamei de “esquerdopatia” na educação: provas de vestibulares, do Enem e um inacreditável livro distribuído no Paraná em que a educação física (ela mesma!) ganha uma versão marxista. A tragédia da escola brasileira é muito maior do que se anuncia e do que o ministro Fernando Haddad consegue esconder. Voltarei a este tema, é certo.

Pois bem, a editora Nova Geração se abespinhou e divulgou uma nota toda briosa, em que procura justificar com ironia tosca, bronca, à altura dos livros que publica, os descalabros apontados. Eis um trecho de sua resposta (em vermelho)

1- Quem seleciona os livros didáticos não é o MEC. As coleções didáticas são selecionadas por diversas universidades conceituadas (notórios antros comunistas, é verdade).
2 – Quem escolhe os livros didáticos são os professores. Mais de 50 mil professores por todo Brasil analisaram as dezenas de coleções de História disponíveis e escolheram livremente a coleção Nova História Crítica como a melhor coleção de história.
3 – A coleção Nova História Critica é um sucesso ainda maior no mercado particular, ou seja, nas escolas privadas, que sequer dependem do MEC para escolher seus livros.
Considerando estes três pontos, perguntamos: Terão errado todos estes 50 mil professores? Saberá o senhor Ali Kamel escolher melhor que eles? O que devemos fazer com estes milhares de professores que preferem a obra do Professor Mario Schmidt às demais? Demitimos? Reeducamos ideologicamente? Devem ir para o pau-de-arara, como nos bons tempos da ditadura e do CCC? E os livros que eles já escolheram? Queimamos os livros em praça pública? Enfim, como incita Ali Kamel, algo precisa ser feito. Organizemos já uma marcha com Deus pela Família, Tradição e propriedade! Recoloquemos todos imediatamente os narizes-de-palhaço!
Porém, o senhor Ali Kamel, como todo bom porta-voz do capitalismo real, odeia que o livre-mercado funcione como um livre mercado. O Senhor Ali Kamel acha que o Estado deve intervir fortemente nesta área. O governo deve censurar livros de determinado matiz ideológico e impedir que os professores escolham livremente seu material didático para nossas crianças. (Ah, as nossas crianças! Para Ali Kamel, molecada assistindo cenas de sexo na novela, tudo bem. Mas livro de esquerda escolhido livremente pelo professor não pode.)
O professor Mario Schmidt é notóriamente (sic) um severo crítico do capitalismo. Para Ali Kamel, olavetes, reinaldetes e “nova direita”, isso, atualmente, é um pecado mortal – onde já se viu? Um sistema tão bonitinho, tão limpinho e responsável, como é possível que não se admita que o capitalismo é o sistema econômico perfeito, para não dizer o sistema econômico terminal da humanidade. Quem ousaria levantar críticas ao capitalismo e – horror, horror! – encontrar qualidades no socialismo?

Rá, rá, rá
Deixe-me ver por onde começo? Lembrando que a editora Nova Geração pertence a Domingo Alzugaray, dono da revista IstoÉ? Não! Acho melhor, então, divulgar números do MEC sobre essa maravilha de material didático. Só em 2005, leitores, o ministério comprou da tal coleção (em exemplares):

5ª série – 1.054.940
6ª série – 921.365
7ª série – 824.922
8ª série – 743.131

Ao todo, com o seu dinheiro, leitor camarada, foram comprados 3.544.428 livros para os alunos e 59.945 livros do professor. Para fazer chegar ao estudante as delinqüências intelectuais apontadas por Kamel e outras que demonstrarei abaixo. Por que esses cretinos estão me atacando? Eu nem tinha tocado no nome da editora ou do autor. Censurar livros? Eu? Kamel? Quem os censurou e os queimou foi a Revolução Cultural chinesa, que ele exalta. Quem “reeducava ideologicamente” era aquele porcalhão do Mao Tse-Tung, que ele venera. Aliás, o analfabetismo da nota faz justiça ao dos livros. Saiu da lavra do tal “professor”?

Nova direita? No que me diz respeito, não repilo (como diria o neopetista Renan Calheiros) o que o redator energúmeno pretende seja um xingamento. “Nova direita”, sim, contra a velha estupidez, justificadora de massacres, de assassinatos em massa, de vagabundos que escondem o roubo com a ideologia e a ideologia com o roubo. Não existem “reinaldetes” e “olavetes”. Existissem, posso garantir que estariam ganhando a vida honestamente.

Seguem trechos, agora, de Nova História Crítica do Brasil – 500 anos de História mal Contada, com todos os analfabetismos do original (trechos extraídos do site Projeto Reeducar):

“No museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”.

“Vilas inteiras foram executadas. Doentes eram perfurados a baionetas no leito dos hospitais. Meninas paraguaias de 12 ou 14 anos eram presas e enviadas como prostitutas aos bordéis do Rio de Janeiro. Sua virgindade era comprada a ouro pelos barões do império! O próprio Conde d’Eu tinha ligações com o meretrício do Rio. Gigolô imperial.”

“Diziam que a princesa Isabel era feia como a peste e estúpida como uma leguminosa. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?”

“Ninguém sério acreditava num Terceiro Reinado. A estupidez da princesa Isabel, e a péssima fama de seu esposo, o Conde d’Eu (corrupto, assassino da Guerra do Paraguai, picareta mesmo) contribuíam para isso.”

Para os republicanos “não era D. Pedro II que estava velho, esclerosado e babão. A própria monarquia estava caduca e precisava ser substituída por uma forma de governo que botaria o Brasil nos trilhos da modernidade: a República”.

Delinqüência intelectual, picaretagem teórica, vulgaridade, mistificação, propaganda ideológica de quinta categoria. Tudo pago com o nosso dinheiro. Vejam lá no texto-descarrego. Há um esforço para associar os críticos a organizações religiosas, como a TFP.

Nem sei se a TFP ainda existe. Mas a TFPT existe. E produz esse lixo asqueroso.

Leiam com cuidado os livros de seus filhos, irmãos, sobrinhos. Protejam suas crianças do molestamento ideológico e, acima de qualquer coisa, da oceânica estupidez desses caras. Se querem fazer pregação ideológica, que o façam, mas sem o patrocínio do “estado burguês” a que pretendem pôr um fim.

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