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Vladimir Safatle

21/02/2014

às 5:59

Minha coluna na Folha desta sexta: Assim não dá, Vladimir!

Leiam trecho da coluna:
*
Vladimir Safatle, possível candidato do PSOL ao governo de São Paulo, surpreendeu os leitores deste jornal ao acusar, em sua coluna de terça, a polícia de ser responsável pela morte de quatro manifestantes: Cleonice Vieira de Moraes, Douglas Henrique de Oliveira, Luiz Felipe Aniceto de Almeida e Valdinete Rodrigues Pereira. Seriam, asseverou, apenas algumas das vítimas das PMs. A palavra delicada para definir a afirmação é “mentira”. As polícias, felizmente, não mataram ninguém nos tais protestos.

Cleonice, uma gari, morreu em Belém de infarto. Varria rua quando houve um confronto entre manifestantes e a PM. Inalou alguma quantidade de gás lacrimogêneo e teve infarto depois disso, mas não por causa disso. O filósofo deve conhecer a falácia lógica já apontada pelos escolásticos: “post hoc ergo propter hoc” — “depois disso, logo por causa disso”. Nem tudo o que vem antes é causa do que vem depois. É como no filme “Os Pássaros”, de Hitchcock. Tudo se dá depois da chegada da loura, mas a loura é inocente, Vladimir! A notícia sobre a morte está aqui.

Douglas e Luiz Felipe morreram ao cair do viaduto José Alencar, em Belo Horizonte. Não há evidências de que estivessem sendo encurralados pela polícia. Ainda que sim, seria preciso examinar as circunstâncias. Leia sobre as mortes de Douglas e Luiz Felipe.

A mentira sobre Valdinete é mais escandalosa (aqui). Foi atropelada por um motorista que havia furado um bloqueio no Km 30 da BR-251, em Cristalina, em Goiás. No mesmo episódio, morreu outra mulher, Maria Aparecida. Elas decidiram botar fogo em pneus para cobrar melhorias no distrito de Campos Lindos — nada a ver com os protestos dos coxinhas vermelhos. O motorista de um Fiat Uno não parou, atingiu as duas e sumiu. Elas não fugiam da violência policial.
(…)

Para ler a íntegra da coluna, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2012

às 8:57

Safatle, “inteliquitual” que integra o grupo pró-Haddad, defende o aborto e chama feto de “parasita”. Ele não vê a diferença entre uma criança por nascer e uma lombriga. Ou: “Inteliquitual” vermelho do nariz marrom!

Vocês se lembram de Vladimir Safatle? Ele voltou a atacar. Achou que era chegada a hora de chamar fetos humanos de “parasitas” para demonstrar que é um homem corajoso.

Vladimir Safatle? Vamos relembrar.

É aquele professor de filosofia da USP que força uma semelhança física com Lênin (sabem como é, ambos são “Vladimir”…) na certeza de que uma eventual parecença de ideias depõe a favor de sua moral. É bem verdade que o Vladimir russo daria um pé no traseiro do Vladimir uspiano. Afinal, se a memória não me falha — e não me falha nunca! —, aquele era um crítico declarado do terrorismo; considerava que tal prática colaborava com a causa dos “reacionários”. Já o nosso filósofo (ou melhor: deles!) escreveu um texto asqueroso, seguindo a trilha de Slavoj Zizek (um bandido disfarçado de intelectual), emprestando ao terror a condição de força política que tem de ser levada em conta. Safatle não sabe a diferença entre um ato terrorista e um peido (e seria nenhuma, não fossem os mortos), daí que defina assim os terroristas: “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”. O terrível é que “sujeitos não-substanciais” matam crianças substanciais, como se viu na França.

Muito bem! Safatle também é aquele amigo de invasores de áreas públicas. Onde houver um “occupy”, lá está ele emprestando as suas luzes. Curiosamente, só não apoiou o movimento “occupy a fazenda do papai”. Quando as terras de sua família foram invadidas em Goiás, seu pai entrou com um pedido de reintegração de posse e chamou a polícia. Contei a história aqui. Safatle, o apoiador dos invasores radicais da reitoria da USP, “intelequitual” que dá piscadelas para o terror, não disse uma palavra em favor dos sem-terra que estavam literalmente em seu quintal. Abusando da nossa paciência e do latim, ele afirmou que não responderia a meu texto (dizer o quê???) porque eu teria recorrido a argumentos “ad hominen”! Seu latim não é menos capenga do que seu português. O certo é “ad hominem”.

Vamos seguir. Um leitor me envia um link de uma coluna sua sobre o aborto, publicada na semana passada na revista “Carta Capital”. É aquela publicação que só existe em razão do anúncio de estatais e que pretende ensinar a esquerda a se comportar como esquerda. Uma mudança e tanto na carreira de Mino Carta! De puxa-saco de generais da ditadura (depois, de Orestes Quércia), passou a oráculo do regime petista — e com ambições de estar à esquerda do próprio Lula!!! Ninguém sabe protestar a favor do poder como ele! Mas voltemos a Safatle, outro trabalhador incansável da mina de tolices chefiada por Zangado. Em vermelho, segue a sua coluna. Comento em azul.

Claramente a favor do aborto
Como vocês verão, Safatle acha que seus colegas de esquerda são muito moles na defesa do aborto. Isso explica o “claramente” do título.

Há algum tempo, a política brasileira tem sido periodicamente chantageada pela questão do aborto. Tal chantagem demonstra a força de certos grupos religiosos na determinação do ordenamento jurídico brasileiro, o que evidencia como a separação entre Igreja e Estado está longe de ser uma realidade efetiva entre nós. Uma das expressões mais claras dessa força encontra-se no fato de mesmo os defensores do aborto não terem coragem de dizer isso com todas as letras.
Entendo que ele acusa muitos de seus parceiros de esconder o que realmente pensam, o que não deixa de ser verdade, né? Safatle cobra deles que sejam corajosos, como ele próprio, na sua luta contra o feto. É mesmo um bravo!!! Não consta que algum feto tenha reagido até hoje. O “inteliquitual” está insatisfeito com a influência dos cristãos na política, o que o leva a afirmar que não existe separação no Brasil entre Igreja e Estado — uma mentira escandalosa. Curioso! Nunca o vi criticar, por exemplo, a teocracia do Hamas na Faixa da Gaza ou a do Hezbollah no Sul do Líbano. Ou a do Irã. De Israel, por exemplo, ele não gosta. Entendo! Tudo compatível com quem escreve uma resenha dando piscadelas ao terrorismo. Sigamos com ele.

Sempre somos obrigados a ouvir afirmações envergonhadas do tipo: “Eu, pessoalmente, sou contra, afinal, como alguém pode ser a favor do aborto? Mas esta é uma questão de saúde pública, devemos analisá-la de maneira desapaixonada…”
Quem fez afirmação parecida foi Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Safatle integra o grupo de “inteliquituais” que apoiam o petista. Isso, Safatle! Convença Haddad a dizer o que realmente pensa a respeito!

Talvez tenha chegado o momento de dizermos: somos sim absolutamente a favor do aborto. Há aqui uma razão fundamental: não há Estado que tenha o direito de legislar sobre o uso que uma mulher deve fazer de seu próprio corpo. É estranho ver algumas peculiaridades brasileiras. Por exemplo, o Brasil deve ser um dos poucos países onde os autoproclamados liberais e defensores da liberdade do indivíduo acham normal que o Estado se arrogue o direito de intervir em questões vinculadas à maneira como uma mulher dispõe de seu próprio corpo.
Safatle é bobo de dar pena — e me compadeço ainda mais dos seus alunos. Indago, de saída, que “nós” é esse em nome do qual fala. É plural majestático ou já é a voz da legião, como os demônios? Afirmar que não há estado “que tenha o direito de legislar sobre o que uma mulher deve fazer do seu próprio corpo” é só uma generalização grosseira. Estados os mais democráticos “legislam” (se ele quer essa palavra) sobre o corpo. A venda de órgãos, por exemplo, é proibida no mundo inteiro, embora praticada nas sombras. Seria o caso de legalizá-la? O filósofo frauda um mínimo de honestidade intelectual ao dar de barato que o aborto é apenas uma questão de direito da mulher ao corpo. Ora, os que se opõem à legalização combatem justamente esse ponto de vista. Chega a ser engraçado que ele convoque os valores liberais, como se não os abominasse, em favor de sua tese.

Há duas décadas, a artista norte-americana Barbara Kruger concebera um cartaz onde se via um rosto feminino e a frase: “Seu corpo é um campo de batalha”. Não poderia haver frase mais justa a respeito da maneira com que o poder na contemporaneidade se mostra em sua verdadeira natureza quando aparece como modo de administração dos corpos e de regulação da vida. Esta é a função mais elementar do poder: fazer com que sua presença seja percebida sempre que o indivíduo olhar o próprio corpo.
É uma mistura de Foucault, o tarado pelos aiatolás, com safatlismo. E qual seria a “verdadeira natureza” do “poder na contemporaneidade”? Ele não diz porque essa maçaroca de conceitos mal digeridos não quer dizer absolutamente nada.

Nesse sentido, não deixa de ser irônico notar como alguns setores do cristianismo, como o catolicismo e algumas seitas pentecostais, parecem muito mais preocupados com o corpo de seus fiéis que com sua alma.
Que sentido??? Não fosse a má fé, a ignorância de Safatle seria quase comovente. No cristianismo, corpo e alma são elementos distintos, mas que se expressam como uma unidade. Esse cara não sabe o que fala. A inviolabilidade do corpo, já demonstrei aqui em outros textos, é uma conquista do cristianismo, que serviu, nos primeiros tempos, como proteção às mulheres — daí que elas tenham sido as primeiras a aderir à religião. O aborto forçado era, então, a principal causa de morte feminina. Sigamos.

Daí a maneira como transformaram, a despeito de outros segmentos do cristianismo, problemas como o aborto, a sexualidade e o casamento homossexual em verdadeiros objetos de cruzadas. Talvez seria interessante lembrar: mesmo entre os cristão tais ideias são controversas. Os anglicanos não veem o aborto como um pecado e mesmo entre os luteranos, embora se digam contrários, ninguém pensaria em excomungar uma fiel por ela ter decidido fazer um aborto.
Gente que escreve “talvez seria” mereceria, naquele círculo de que Dante esqueceu, ser eternamente chicoteado pelo modo subjuntivo!!! Em tese, a profissão deste rapaz é pensar. Com esse domínio precário da língua? Só faltou Safatle notar que os anglicanos são favoráveis ao divórcio…
Por que os católicos ou pentecostais deveriam se pautar pela, vá lá, maior liberalidade de anglicanos e luteranos e não o contrário é um desses mistérios que essa gramática perturbada guarda para si. Mas atenção que agora Safatle, o corajoso, está chegando perto de seu grande momento.

É claro que se pode sempre contra-argumentar dizendo que problemas como o aborto não podem ser vistos exclusivamente como uma questão ligada à autonomia a que tenho direito quando uso meu corpo. Pois haveria outra vida a ser reconhecida enquanto tal. Esse ponto está entre os mais inacreditáveis obscurantismos.
Huuummm… Então vamos aprender com as luzes.

Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato.
Gosto quando ele é assim, sentencioso, como se estivesse recebendo uma revelação divina. Em primeiro lugar, as religiões não cuidam da questão jurídica. O aborto continua interditado aos católicos, caso obedeçam a sua Igreja, mesmo nos países em que a prática é legalizada. Em segundo lugar, “vida em potencial” é uma boçalidade do safatlismo. Trata-se de vida — e de pessoa potencial! Ou como chamar aquilo? Ele vai fazer uma sugestão. Preparem-se.

Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral não pode ser equiparado a um indivíduo dotado de autonomia das suas funções vitais e atividade cerebral.
Pois é… E pensar que Safatle já foi um parasita!!! Foi? Ainda veremos. Quem é que “equipara” fetos e embriões a indivíduos já nascidos? Ninguém! Safatle é craque em desancar as teses que ele mesmo inventa! Agora ele vai cair de boca na defesa do totalitarismo. Sabem como é Vladimir…

Não estamos diante do mesmo fenômeno. A maneira com que certos grupos políticos e religiosos se utilizam do conceito de “vida” para unificar os dois fenômenos (dizendo que estamos diante da mesma “vida humana”) é apenas uma armadilha ideológica. A vida humana não é um conceito biológico, mas um conceito político no qual encontramos a sedimentação de valores e normas que nossa vida social compreende como fundamentais.
Eis aí! Chegamos ao ponto! Se a vida humana é só “um conceito político” que expressa “valores e normas que nossa vida social compreende como fundamentais”, entende-se que deslocamentos e mudanças de valores da sociedade podem redefinir, então, o que é e o que não é “vida humana”. A Alemanha hitlerista, por exemplo, estabeleceu praticamente um consenso sobre a não-humanidade — ou subumanidade — dos judeus. A URSS stalinista estabeleceu um consenso sobre a não-humanidade dos “inimigos da revolução” (e também dos judeus, claro…). O Khmer Vermelho estabeleceu um consenso sobre a não-humanidade de todos os mamíferos bípedes que não tinham o corpo coberto de pelos. Cada um desses consensos se encarregou de eliminar milhões de não-pessoas porque, afinal, naquele momento, o “conceito político” permitia. Na China contemporânea (e jamais moderna), fetos do sexo feminino são abortados porque… fetos do sexo feminino! Basta isso. É o “conceito político” influente.

Grande inimigo da tirania do divino, Safatle não aceita nada que não seja a tirania do homem contra o homem. O curioso desse pensamento estúpido, desinformado, feliz com a própria ignorância, é que ele remete, com efeito, aos primeiros dias do cristianismo. A palavra de Cristo só frutificou porque se estabeleceu contra os consensos daqueles tempos, contra os “conceitos políticos” vigentes, que matavam homens — e especialmente mulheres — como moscas.

De fato, ali onde Safatle vê um “parasita”, nós vemos não “vida em potencial” — expressão de uma soberba burrice —, mas vida. Vida que é, aí sim, “pessoa em potencial”, que já traz consigo todos os elementos da maravilha e da dor de existir. Ali podem estar um novo Hitler ou um novo Shakespeare. O mais provável é que esteja um dos bilhões de anônimos do mundo. Eu estou entre aqueles que querem proteger o homem das tiranias. Eu estou entre aqueles que rejeitam que o poder de turno, em nome dos consensos forjados por maiorias violentas ou minorias influentes, diga quem tem e quem não tem o direito de existir.

Não por acaso, a defesa da eugenia voltou a ser feita mesmo em meios acadêmicos ditos respeitáveis, como consequência da decadência ética da ciência. Falamos aqui sobre aqueles dois tarados morais que defenderam o infanticídio num jornal inglês de ética médica. Sua argumentação é absolutamente compatível com a de Safatle. Os recém-nascidos, dizem, ainda não têm relações sociais estabelecidas, estão desconectados da vida social, não estabeleceram vínculos morais com ninguém. Matá-los, caso as mães assim o queiram, seria nada mais do que um “aborto pós-nascimento”.

Safatle escreve mal, pensa mal e é de uma ignorância assombrosa. O trecho abaixo demonstra que é também descuidado. Não direi que o argumento é ginasiano porque não quero ofender a meninada. Leiam:

Se dizemos que alguém desprovido de atividade cerebral está clinicamente morto, mesmo se ele conservar grande parte de suas funções vitais ainda em atividade graças a aparelhos médicos, é porque autonomia e autocontrole são valores fundamentais para nossa concepção de vida humana.
Bem, noto que aí vai, de acordo com aquela dupla, a justificativa essencial para o infanticídio. Safatle está com eles. Um recém-nascido não tem nem autonomia nem autocontrole. Logo… A comparação que faz é um absoluto despropósito. O futuro de um corpo cujo cérebro esteja morto é a morte. No embrião ou no feto, o que se tem é vida. Mas por que devemos esperar que  um esquerdista autêntico saiba a diferença entre a vida e a morte?

Assim, quando certos setores querem transformar o debate sobre o aborto em uma luta entre os defensores incondicionais da vida e os adeptos de alguma obscura cultura da morte, vemos a mais primária tentativa de transformar a vida em um conceito ideológico. Isso se admitirmos que será necessariamente ideológico um discurso que quer nos fazer acreditar que “as coisas falam por si mesmas”, que nossa definição de vida é algo assentado nas leis cristalinas da natureza, que ela não é uma construção baseada em valores sociais reificados.
O mais espantoso é que Safatle usa expressões que passam a impressão de que ele demonstrou alguma tese ou argumentou de forma eficaz. Sim, senhor! Trata-se do confronto entre os defensores incondicionais da vida e os adeptos da cultura da morte — obscurantista, mas não obscura. Embora existam conservadores favoráveis ao aborto, a luta política em favor de sua legalização, a sua transformação numa causa, é um propósito das esquerdas — as mesmas cujas utopias se assentam numa pilha de milhões de cadáveres. Por quê? Ora, porque, sabem, a vida é uma “construção baseada em “valores sociais reificados”, pouco importa a droga que essa “pseudice” subacadêmica queira dizer.

Levando isso em conta, temos de saudar o fato de alguns arautos do conservadorismo pretenderem colocar tal questão na pauta do debate político brasileiro e esperar que existam algumas pessoas dispostas a compreender a importância do que está em jogo. Desativar as molas do poder passa pela capacidade de colocá-lo a uma distância segura de nossos corpos.
O que diabos terá querido dizer esse rapaz com essa frase final? Sei lá. Safatle tentou “desativar as molas do poder” violando, por exemplo, a lei e promovendo um comício em favor de Dilma dentro da USP. Há dias, ele foi jantar com Haddad, num encontro de “inteliquituais”, para, claro!, desativar outras “molas do poder”. Ele participa da articulação da extrema esquerda uspiana que tenta depor o reitor mais competente que a universidade teve em décadas… Só encontramos esse “arauto do progressismo” sendo cavalgado pelo poder. Sugiro que não desative as molas. Pode fazer mal para a sua coluna.

Para encerrar: o pior de todos os parasitas, hoje em dia, é o “inteliquitual” de universidade pública, pago com o dinheiro do povo para pensar com independência, que se transforma em esbirro de partido político, em mero apparatchik. Já conhecemos o subjornalismo vermelho de alma marrom — a turma do JEG. A praga da universidade é o intelectual vermelho de nariz marrom.

Levanta e anda, Vladimir Safatle! Coragem!

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2011

às 6:45

Professor pró-invasão da USP fica dodói e diz que assim não quer brincar. Ah… Mas eu quero!

Vladimir Safatle, professor da USP e articulista da Folha, escreve hoje um artigo intitulado “Sem resposta”. É pra mim. De saída, noto algo interessante em seu procedimento. De tal sorte considera que todos os seus eventuais leitores sabem quem sou e o que escrevi a seu respeito que acha dispensável citar meu nome. Mas eu não tenho receio de citar o seu. Vamos lá, com o seu artigo em vermelho e os meus comentários em azul. Garanto que vocês vão se divertir.

“O estilo é o próprio homem.” Essa frase do conde de Buffon, enunciada à ocasião de sua entrada na Academia Francesa, merece ser levada a sério.
Ela nos lembra como determinados homens sabem que nada lhes é mais importante do que conservar um certo tom, uma forma que aparece, sobretudo, na palavra escrita. Eles sabem que, se perderem tal forma, trairão o que lhes é mais importante, a saber, um modo de ser.
Oba! Eu gosto do discurso de Buffon. O primeiro trabalho na faculdade de que realmente me orgulhei foi sobre esse texto. Vamos ver.

Isso talvez explique porque eles nunca responderão a situações nas quais a palavra escrita resvala para o pugilato, nas quais ela flerta com as cenas da mais tosca briga de rua com seus palavrões e suas acusações “ad hominen”. Seria, simplesmente, ignorar a força seletiva do estilo.
Huuummm… Safatle cita Buffon, mas não estou certo de que o tenha lido. Deixo isso para uma nota de rodapé. Compreendo que ele tenha decidido sair correndo para demonstrar seu estilo e sua coragem. Eu apontei já faz algum tempo o seu flerte com o terrorismo numa resenha que escreveu de um livro de Slavoj Zizek — seguindo a trilha da delinqüência intelectual do resenhado. Em seu artigo, Safatle, desrespeitando as lições de Buffon, que recomenda a busca da simplicidade e da clareza, tratou os terroristas como “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”. Huuummm… Como tenho bom humor, fazer o quê?, afirmei que um pum no elevador também é um “sujeito não-substancial que tende a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”. Ou não?

Fui generoso com ele. Com essa embromação, este senhor estava admitindo no universo das pessoas aceitáveis os facínoras que explodem crianças em Israel ou no Iraque, que destroem edifícios em Nova York, matando três mil pessoas, que interrompem vidas nos subterrâneos do metrô em Madri e que lançaram o mundo numa paranóia que deixou a vida mais triste. E tudo porque eles entendem que terror é política. Com a minha metáfora do “pum”, tentei poupar Safatle de algo muito pior: o seu próprio pensamento.

Ele preferiu não responder. Não se sentiu atingido. O que o deixou magoado foi outra coisa. Safatle decidiu ser uma espécie de animador de auditório da invasão da reitoria promovida pelos encapuzados da USP. Mais do que isso: mostrou-se um crítico severo do restabelecimento do estado de direito na universidade, que entrou com um pedido de reintegração de posse. E está bravo comigo porque sugeri que ele fosse defender os sem-terra que invadiram uma fazenda de sua família em Catalão, em Goiás.

Os Safatles fizeram o quê? Ora, entraram com um pedido de… reintegração de posse! É o normal nesses casos, não? E olhem que não há dúvida sobre quem é o dono da USP: é o povo de São Paulo — logo, ela não pode ser privatizada pelos invasores. Mas há dúvidas sobre quem é o dono da tal fazenda, que está enrolada com o Banco do Brasil. Uma das pichações no prédio invadido recomendava: “Invada a reitoria que existe em você”, num misto, assim, de PCO com Gabriel Chalita; um troço meio “socialismo da auto-ajuda”. O que direi a Safatle, um estudioso, consta, de Lacan? “Conteste o reitor que você tem em casa”. Eu também demonstrei que ele cometeu um erro de matemática na análise que fez do ranking das universidades. É uma questão de conta. Dois mais dois serão sempre quatro, pouco importa a ideologia de quem soma.

“Palavrões”? Quais palavrões? Não há nenhum nos textos em que interpelo o “intelectual” Safatle! Neste momento, circula um panfleto xexelento na USP que só não me chama de santo. O resto vale. Foi redigido e impresso por aliados do professor, gente que ele paparica. Eu não xingo ninguém. Em primeiro lugar, não é do meu feitio. Em segundo, a VEJA Online não permitiria. As opiniões que expresso aqui são minhas, não do site, mas há regras.

Argumento “ad hominem” por quê? Não contestei suas idéias porque ele é feio, careca, míope, tem barbicha ou mimetize os terninhos de outro Vladimir, o Lênin. Não o faria nem que eu fosse o jovem Alain Delon. Infelizmente, não sou. Eu o convoquei a vivenciar, na prática, as suas idéias revolucionárias, como fez, por exemplo, o jovem Trotsky, que abandonou o pai latifundiário. Que mal há nisso? Por que uma pessoa que defende invasores da reitoria da USP não defenderia sem-terra invasores da fazenda da família? Que justiça social bastarda é essa que pula o próprio quintal? Nessas coisas, eu sou severo, sabem? Cansei de ver bacanas comprometidos com a justiça social, mas que se negam a registrar em carteira suas respectivas empregadas domésticas, como a minha mãe foi um dia. Como se vê, eu tenho compromisso de classe. Pelo visto, Safatle também!

Ah, sim, na linha “o estilo é homem”, professor Safatle, lembro que o certo, no caso do seu texto, é “por que”, não “porque”. Lembre-se de Buffon: é preciso prezar a língua.

Ele aproxima certas pessoas, mesmo que suas ideias sejam radicalmente antagônicas, assim como afasta definitivamente outras.
O “ele”, aí, é o estilo. Bem, eu não quero me aproximar nem me distanciar de ninguém. Sigo uma regra básica: as pessoas dizem o que pensam, e eu digo o que penso. O problema, em certos círculos, é que você só é considerado gente “do bem” se escrever o que eles pensam. Aí não dá!

Houve uma época, não muito distante, que o pensamento conservador teve mais estilo. Há de se reconhecer que, para alguém de esquerda, seria uma experiência de aprimoramento discutir com conservadores como Daniel Bell, Leo Strauss, Isaiah Berlin ou mesmo com o anarcocapitalista Robert Nozick, entre tantos outros de inegável inteligência. Ganha-se em precisão quando ouvimos oponentes sem precisar reduzi-los a caricatura.
No Brasil, atualmente somos obrigados a ter certa nostalgia da época em que o pensamento conservador nacional conseguia produzir alguém como José Guilherme Merquior, mesmo que este tenha terminado como ghost-writer de Fernando Collor. De toda forma, ao menos ele realmente lia os autores que criticava, o que parece ter se tornado algo supérfluo nos dias que correm.
Vamos lá, com Buffon: “houve uma época em que…”; “reduzi-los à caricatura”. Notem: eu faço essas observações de língua porque quem, de saída, escolheu Buffon foi Safatle, não eu. Não se faz uma citação como essa para sair, em seguida, atropelando a base material do discurso. Agora vamos ao que ele diz, já que o modo como diz se mostra, e não é a primeira vez, sofrível. O estilo é o homem.

Os leitores mais jovens não sabem e os que não acompanhavam certos embates intelectuais também o ignoram. Quando vivo, José Guilherme Merquior era impiedosamente esculhambado. Era chamado de “fascista” pra baixo. Os esquerdistas passaram a prezá-lo depois que morreu, evidenciando, mais uma vez, a sua moral torta: “direitista bom é direitista morto”.

Merquior cometeu a grande ousadia de PROVAR que o livro “Cultura e Democracia”, de Marilena Chaui, mestra de Safatle, era um plágio de um texto de Claude Lefort — era evidente, vexaminoso, escandaloso. Sabem como a esquerda reagiu, naqueles tempos pré-Internet, pré-Facebook? Com um abaixo-assinado contra… Merquior! Adivinhem do que foi chamado… “Fascista”, “direitista”, “reacionário”… O próprio Lefort, que mantinha, à época, relações muito próximas com Marilena, veio a público para dizer que se tratava de uma tentativa da “direita de desautorizar um pensamento de esquerda”, como se a opinião do plagiado mudasse o que estava à vista de todos: o plágio.

Ora, Safatle… A direita já foi melhor? É possível! Jamais me ocorreu emular com Merquior, por exemplo. Ocorre que a esquerda também já foi melhor! Teve Caio Prado Junior, por exemplo, e hoje tem Vladimir Safatle. Ele era, na origem ao menos, até mais latifundiário do que você — sei: você não gosta do meu senso de humor, né? Que pena! Se formos pensar numa escala maior, já teve Trotsky, um facínora realmente talentoso; hoje, tem Zizek.

Os esquerdistas nativos são de tal sorte pretensiosos e autoritários que acham que podem escolher com qual direita é possível discutir: “Ah, com essa, não! Eu quero outra…” Entendo. De todo modo, essa condição de “representante” da direita me é outorgada por ele. Eu apenas digo o que penso. Eis o meu crime.

Na verdade, hoje tem-se a impressão de que os conservadores rumam para transformar Glenn Beck, com sua finesse intelectual de comentarista político da Fox News e seus fieis leitores de Oklahoma (ou qualquer outra província perdida no interior dos EUA), em ideal de vida. Ou seja, seu ideal de discussão é aquele dos radialistas rasos da América profunda. O mínimo que se pode dizer é que sofrem de um problema radical de estilo.
Ah, não! Safatle, antes de qualquer outra coisa, escreve mal e argumenta mal. Se lhe disseram o contrário em algum momento, foi por amizade, afinidade ideológica ou piedade. Ou porque ele está sempre incensando a causa de radicais mais ignorantes do que ele próprio.
Também é possível que as suas tias de Catalão o considerem um gênio. Não caia nessa, viu, Safatle. As minhas também me acham o máximo… Ele falar de “estilo” como se fosse autor de um grande texto… Aí já lhe falta senso de ridículo.

Que coisa, este rapaz! Num ato ILEGAL em defesa da candidatura de Dilma Rousseff na USP, de que ele foi um dos destaques, evocou as suas origens goianas para demonstrar a sua disposição de luta: “A gente dá um boi pra não entrar numa briga e uma boiada pra não sair”. Uma metáfora bastante rural, não é mesmo? A propósito: nesse ato, afirmou, como se fosse algo criminoso, que a oposição havia vencido no “cinturão do agronegócio”. O que fiz no texto que o deixou tão ofendido foi mostrar a sua proximidade com o… agronegócio, que ele estava criminalizando politicamente.

A propósito, Safatle: você é contra o direito de voto também para o povo de Catalão, incluindo os sem-terra que ocuparam as terras que seu pai reivindica (e também o Banco do Brasil), ou você é contra o direito de voto apenas para o povo de Oklahoma que eventualmente ouve Glenn Beck?

Eu não me ofendo de ser chamado de “Glenn Beck”, não! Chego a lamentar que isso seja falso por um monte de razões. Ele é um exemplo da força da democracia americana, ainda que eu não goste do seu estilo. Se esse professor tivesse o mínimo de compromisso com o ofício para o qual é pago — o pensamento, não a militância política —, tentaria estudar os motivos de a gente não ter nada parecido no Brasil. Não sou o Glenn Beck daqui, reitero e lamento. Um apresentador de TV que pusesse no ar a imagem do presidente da República e o atacasse com a virulência característica dos apresentadores da Fox News seria demitido no mesmo dia. Se não fosse, os patrocinadores todos sairiam correndo.

Sabe por que isso, Safatle? Porque, infelizmente, a sociedade civil brasileira é mais fraca do que a sociedade civil americana! Nos EUA, é simplesmente inconcebível que alguém possa ser punido ou sofrer retaliação por divergir do poder, não importa com que intensidade. O Brasil tem todos os puxa-sacos do poder que tem a CNN, mas se tem por inconcebível  que possa haver o outro lado, os “conservadores” da Fox News.

Por sinal, que existam “fieis leitores” a validar tais procedimentos, eis algo que não deve nos estranhar. Quando um pensamento chega perto do fim, ele tende a gritar de maneira desesperada e violenta.
Ele pede a adesão incondicional e tal pedido ressoa, principalmente, na mente daqueles cujo último riso é apenas o sarcasmo da autoglorificação e do ressentimento.
Não sei o que faz aí esse “por sinal” (né, Buffon?), mas deixo pra lá. Como bom esquerdista, Safatle me acusa e aos meus leitores daquilo que ele próprio promove, com o apoio dos seus seguidores. Sou alvo de uma campanha feroz na Internet e no campus da USP — coisa que eu esperava. Por isso, anuncio, denuncio, mas não reclamo. Tanto os encapuzados das universidades como os fascistóides assumidos deixam claro que me detestam. E eu não posso censurá-los por isso. Eles, sim, xingam, fazem acusações, atribuem-me intenções sub-reptícias… Acusam-me até, imaginem que absurdo!, de receber salário!!! Quanto ao “pensamento perto do fim”, dizer o quê? Julguem os senhores se o que morreu foi o “socialismo” de Safatle ou o, vá lá, “capitalismo” de Reinaldo Azevedo — se bem que não devo me esquecer de que falo com alguém que pertence ao “cinturão do agronegócio”.

Tudo o que se pode desejar a esse respeito é que seu riso seja bem pago. Amém. Outros preferem ver esse espetáculo em silêncio.
Safatle tem a ligeira desconfiança de que não vivo de vento. Sim, eu ganho pelo meu trabalho. E sou bem-pago. Comecei a trabalhar com 15 e não reclamo de salário desde os 18.  O “proprietário” Safatle deve achar que esse negócio de “começar a trabalhar com 15″ faz os ressentidos. Pode ser… Você viu, né, Safatle?, o que fez Stálin, o filho do sapateiro… Agora uma coisa é certa, rapaz: desde os 15 vivo com o meu próprio dinheiro, sem a ajuda do Banco do Brasil. Mais: desde os 15, trabalho na iniciativa privada, e jamais pedi que o estado financiasse a minha vagabundagem. Desde os 15, exponho-me ao risco da concorrência, sem esperar que os impostos pagos pelos desdentados sustentem o meu radicalismo. Se e quando eu apoiar invasores da USP, não terei de explicar por que não apóio os invasores da fazenda de papai.

PS – Convoco aqui especialistas em literatura — e ainda os há no Brasil — para atestar que Safatle dá mostras de não ter lido  o discurso de Buffon. Ou, se leu, não entendeu. A íntegra do texto está aqui. Buffon censura o arrevesamento das idéias simples, é verdade, mas adverte: ” (…) ceux qui écrivent comme ils parlent, quoiqu’ils parlent très-bien, écrivent mal”: os que escrevem como falam, ainda que falem muito bem, escrevem mal”. Logo, entende que o texto escrito, com efeito, difere da fala — o que, convenham, é, como se diz em Dois Córregos e se deve dizer lá em Catalão, uma idéia carne-de-vaca. Mas não é só isso: Buffon só assegura que o “estilo é o próprio homem” porque faz uma digressão sobre o que eu chamaria de “caráter do texto”, que é uma metáfora, para ele ao menos, do caráter do próprio autor no que diz respeito ao compromisso com a verdade, com a correção, com o apuro técnico. Leia ou releia o texto de Buffon, Safatle! Ali ele dá algumas dicas de como casar a firmeza do conteúdo com a forma. Não é um texto de fuga.

É besteira tentar me assustar, rapaz! Você quer o aplauso dos seus eventuais leitores apenas gritando: “Olhe como esse Reinaldo Azevedo é bruto”. Os meus até podem me aplaudir  — às vezes, brigam muito comigo —, mas é porque DEMONSTREI a ruindade dos seus argumentos. De fato, à parte o seu flerte intelectual com o terrorismo, o que é inaceitável e perigoso, eu o considero mais bobo do que bruto. Mas digo por quê.

Texto publicado originalmente às 18h51 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 20:36

Dona Reinalda analisa a ignorância matemática de Safatle segundo Zizek

Este post é escrito por Dona Reinalda, a propósito da ignorância matemática de Vladmir Safatle, o Lênin da USP:

“Slavoj Zizek explica por que Vladimir Safatle deixa pra lá a matemática: trata-se, como diz o marxista esloveno, ‘da lógica utilitarista da maximização do prazer e do afastamento do desprazer!’

Vale dizer: como a matemática não endossa as teses de Safatle e lhe provoca desprazer, ele prefere o prazer de dizer besteira.”

Nas moscas! Vou tirar férias, hehe.

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 19:24

Mais uma falácia no texto do professor revolucionário… Além de confundir rankings, ele não sabe matemática, tadinho!!!

Contestei ontem aqui o artigo de Vladimir Safatle, professor da USP, colunista da Folha e notório apoiador de movimentos extremistas na universidade e fora dela. Nas pegadas de Slavoj Zizek, ele já escreveu até um texto dando piscadelas para o terrorismo. Um verdadeiro “gênio”, como querem os seus amigos, certamente desatentos à sua gramática e à sua matemática… Hoje, eu lhe sugiro um bom lugar para defender invasões: a fazenda de seu pai, que foi ocupada por sem-terra, que tiveram de sair porque o pápi pediu reintegração de posse, claro! Os sem-terra afirmam que a fazenda pertence ao Banco do Brasil em razão de dívidas não-pagas.

Pois bem, no artigo de ontem, alertam-me os leitores, Safatle incorreu em outra falácia que não apontei com clareza. Escreveu ele:
“Mas, vejam que engraçado, segundo a QS World University Ranking, os Departamentos de Filosofia e de Sociologia da USP estão entre os cem melhores do mundo, isso enquanto a própria universidade ocupa o 169º lugar. Ou seja, se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela seria muito mais bem avaliada.”

Trata-se de outra inverdade, própria de quem não entendeu o que leu ou de quem distorceu o resultado de maneira deliberada. A USP aparece em 169º lugar num ranking de 700 universidades. Os rankings em que aparecem, respectivamente, filosofia e sociologia são outros e reúnem 200 cursos cada. Mais: os critérios para avaliar as universidades e os cursos em particular são absolutamente distintos. O site expõe tudo em detalhes. Os interessados poderão se divertir a valer.

Nota para entender o que vem: filosofia e sociologia aparecem no ranking dos cursos em 51ª posição, junto com outros 49 — a ordem passa a ser apenas alfabética. Vale dizer: podem estar em 51º lugar ou em 100º.

Digamos que os rankings fossem comparáveis (NÃO SÃO, REITERO), digamos que Safatle não estivesse equiparando mussarela e presunto: o raciocínio mais elementar demonstra que sua afirmação é falaciosa. Por quê? Ora, escolha 24,15% das 700 universidades a partir da melhor: pronto! A USP está lá, certo? Para encontrar filosofia e sociologia em seus respectivos rankings, seria preciso selecionar, no mínimo, 25,5% dos cursos — se eles se encontrarem, claro!, na 51ª posição; se estiverem na 100ª, aí só selecionando 50%…

Safatle comparou alhos com bugalhos. Mas, ainda que não o tivesse feito, resta evidente que  também não sabe fazer conta. Assim, ao contrário do que diz este gênio da raça, ainda que alhos e bugalhos fossem uma coisa só, “se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela poderia ser muito mais MAL avaliada.” Ele vai pedir desculpas aos leitores da Folha por esse erro objetivo? Acho que não… Deve achar a matemática uma linguagem própria da burguesia reacionária…

Tudo bem, pode-se dizer que ele é professor de filosofia… A disciplina já foi íntima da matemática um dia, mas isso era no tempo em que filósofos, ao menos aqueles como ele, não estavam fazendo “revolução” no campus do Butantã…

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 16:02

Eu me interessei pela origem do pensamento de um professor “revolucionário” da USP. E vejam o que descobri

O professor Vladimir Safatle, da USP, colunista da Folha de S. Paulo e comentarista da TV Cultura (que os petistas, mentindo, como de hábito, acusam de tucana…) é um homem de esquerda. Ele se considera, inclusive, à esquerda do PT. Escreveu aquele artigo na Folha com mentiras grosseiras sobre a universidade, tentando fazer uma espécie de arranca-rabo de classes no campus. Na sua imaginação, há uma luta entre os “proletários” da FFLCH e os “burgueses” das demais unidades.  O moço é ousado. Em artigo histórico no Estadão, tentou demonstrar as virtudes revolucionárias do terrorismo.

No vídeo abaixo, Safatle discursa num evento ocorrido na USP no ano passado em defesa da candidatura Dilma. Ele já era colunista do jornal — isento claro! O que não é tão claro é que Safatle e seus amigos estão desrespeitando a Lei Eleitoral. Ouçam depois o que diz o rapaz, já que o melhor deste post vem lá no fim… Para ele, “a luta [a necessidade de Dilma vencer] só começou.” Ele revela seu inconformismo com o fato de existir “um eleitorado forte, articulado e muito presente de direita”. O rapaz acusa a candidatura do PSDB de ser aliada dos “setores mais reacionários da igreja e do cinturão do agronegócio”. E termina sua exposição apelando a suas origens goianas, com um clichê muito aplaudido por todos os outros transgressores da lei que o ouvem: “No Goiás, a gente costumava dizer que o sujeito inteligente é aquele que dá um boi para não entrar numa briga e uma boiada pra não sair. Tá na hora de a gente mostrar que a nossa boiada é grande”.

Boiada, é? Entendi. O vídeo vai abaixo. Depois vocês vêem. Retomem o texto que segue depois dele.

Voltei
Vocês sabem que costumo dizer que a “revolução” na USP, promovida pela minoria de extrema esquerda entre professores e alunos, é coisa dos “remelentos e Mafaldinhas” alimentados com sucrilho e toddynho. Bem, é o caso de Vladimir Safatle. Como a sua coluna deixou claro, ele certamente se opôs à reintegração de posse na USP determinada pela Justiça. Está entre aqueles que acreditam que o que é público não é de ninguém.

De reintegração de posse, Safatle entende. Ele é filho do economista Fernando Safatle, radicado na cidade de Catalão, em Goiás. O homem foi um dos fundadores do PT local, mas transita com desenvoltura no PSDB também, amigo que é do governador Marconi Perillo. Em suma, Safatle, o Vladimir Lênin da USP, pertence às chamadas “classes superiores”, entendem? Até aí, né?, ele poderia dizer que seu homônimo russo também era… A questão seria o compromisso de classe. Sei…

Um grupo de sem-terra teve o mau gosto de invadir a propriedade de Fernando, de que Vladimir é herdeiro, Opa! Aí, não! Onde já se viu invadir terra de gente progressista, de esquerda? Não pode! Leiam o que informa o Portal do Sudeste no dia 28 de junho deste ano.

*

Foi realizada hoje (28) à tarde audiência com famílias invasoras de terra em Catalão e o proprietário, o economista Fernando Safatle.  Segundo informações, 15 famílias estão acampadas no local desde o dia 17 de junho. Parte delas participou da audiência de reintegração de posse.

A audiência durou pouco mais que uma hora. Segundo o juiz, Antenor Eustáquio, foi tranquila. A sentença, de acordo com ele, foi que as famílias deixem a área em oito dias. Até lá, ele não pediu reforço policial. Mas deixou bem claro que, se o prazo não for respeitado, solicitará. “Dei o prazo de oito dias até por questão social. Há crianças. O prazo é suficiente para eles se organizarem e deixarem a área”, resumiu. (…) Ela [reintegração de posse] foi proposta pelo economista, que alegou que foi impedido de exercer a legítima posse. Segundo ele ao juiz, o grupo arrombou a porteira, não permitindo que as pessoas chegassem até a propriedade. Ainda de acordo com Safatle, os invasores estavam armados de foices, facões, enxadas, causando certo temor à população local. O pedido foi acompanhado de documentos.

O grupo foi à audiência acompanhado por dois advogados. Um deles, João Francisco Marques, de Goiânia, informou que vai entrar com recurso para revogar a decisão do juiz. “Se conseguir, as famílias ficam na área. Se não, saem”. O presidente da Central dos Trabalhadores Rurais de Goiás, Victor Rodrigues de Oliveira, também participou da audiência e disse que o movimento de Volta do Trabalhador ao Campo é ligado à Central e tem uma parceira, como ele chamou, com o Incra de Goiás. “Fazemos as mobilizações e as pré-seleções de famílias que podem ser assentadas e entregamos ao INCRA”. De acordo com ele, além dessa ligação com o Incra, ele disse que o grupo está em conversação com o Banco do Brasil. A intenção com isso, segundo ele, é fazer um levantamento de terras com algum problema junto à instituição e que podem servir para  a reforma agrária.

Victor disse que o movimento não é ligado aos Sem Terra e contou ainda que não considera uma invasão à fazenda. “Nós entramos nessa área, que dizem ser do Fernando Safatle, mas é do banco (Banco do Brasil). Nós temos documentos que provam que essa área é do banco. Ele está simplesmente reivindicando uma área que não pertence mais a ele”, disse.

O presidente contou ainda que as famílias que vieram para Catalão estavam acampadas na porta do Incra em Goiânia há quase um ano.  “Quando tivemos uma liminar expedida pela Prefeitura (de Goiânia) para remoção das famílias, nós fizemos um acordo com o Comando da Polícia Militar juntamente com o Incra que essas famílias viriam para uma área do Banco do Brasil em Catalão. E elas vieram e estão em uma área do Banco do Brasil”. De acordo com ele, a intenção é que as famílias permaneçam no local até que o Incra legalize o processo.

(…)

Encerro
Entendi. O pai do revolucionário da USP reivindicou, e obteve, a reintegração de posse de uma fazenda ocupada por sem-terra. A tal fazenda está enrolada com a Justiça. Ela foi, com efeito, arrematada pelo Banco do Brasil, que é público, mas Safatle recorreu. Essas coisas costumam ocorrer  quando o banco empresta um dinheiro e não recebe, depois, o pagamento.

Vladimir, o Safatle, poderia ir lá na porteira da fazenda ocupada por seu pai e discursar como Vladimir, o Lênin. Mas ele prefere fazer isso a muitos quilômetros de distância, na USP, que, na sua concepção, deve ser terra de ninguém. Tudo saindo no melhor dos mundos pra ele,  ainda acaba herdeiro daquelas terras, não é?

Por Reinaldo Azevedo

16/11/2011

às 6:09

A coluna abjeta e mentirosa de um professor da USP, colunista da Folha e partidário de Haddad

Vladimir Safatle é professor de filosofia da USP. Isso não quer dizer grande coisa. Há gente ainda mais ignorante do que ele, o que não é fácil, que também é. E escrevo isso em respeito a grandes mestres que lá estão, alguns meus queridos amigos. Esse rapaz tem algumas notáveis contribuições ao pensamento. É aquele cara que, quando articulista do Estadão, escreveu um texto justificando o terrorismo, nas pegadas de um delinqüente internacional chamado Slavoj Zizek. Num texto arrevesado, Safatle sustentou que “Zizek quer mostrar como os fatos decisivos da história política mundial desde a Revolução Francesa foram animados pelo advento de uma noção de subjetividade que não podia mais ser definida através da substancialização de atributos do ‘humano’ e cujos interesses não permitiam ser compreendidos através da lógica utilitarista da maximização do prazer e do afastamento do desprazer.” É quase incompreensível, mas eu traduzo. Safatle está endossando a tese de Zizek segundo a qual o repúdio que temos ao terrorismo decorre de nossa pobre lógica utilitarista de maximização do prazer e do afastamento do desprazer. Os terroristas pensam de modo diferente, entenderam? É asqueroso!

Com essas credenciais, ele se tornou articulista da Folha durante o processo eleitoral do ano passado. Até outro dia, era comentarista político, imaginem, da TV Cultura de São Paulo. Se ainda é, não sei. Pois bem! Há muito tempo ele apóia movimentos de invasão disso e daquilo. Sua preocupação com a legalidade é zero. Estava ao lado de Marilena Chaui num ato em defesa da candidatura de Dilma Rousseff e contra José Serra no dia 26 de outubro de 2010 — e ele já era colunista da Folha, é bom destacar. Isentíssimo! Foi mais um ato ilegal. Um prédio público não pode ser usado para manifestações político-partidárias, como determina a Lei Eleitoral. E ele lá dá bola para a lei?

Muito bem! Safatle escreve hoje na Folha sobre a USP. Suas tolices, simplificações e mistificações seguem em vermelho. Eu o desmoralizo de novo em azul.

As reações ao que ocorreu na USP demonstram como, muitas vezes, é difícil ter uma discussão honesta e sem ressentimentos a respeito do destino de nossa maior universidade. Se quisermos pensar o que está acontecendo, teremos que abandonar certas explicações simplesmente falsas.
Entendi. Quem discorda de Safatle é desonesto e ressentido. Quem concorda é bacana. Quem está com ele está com a verdade, quem não, com a falsidade. Então vamos ver agora quem mente. Eu me constranjo um pouco de chutar o traseiro intelectual deste senhor porque ele é muito ruim, mas fazer o quê?

Primeiro, que o epicentro da revolta dos estudantes seja a FFLCH, isto não se explica pelo fato de a referida faculdade estar pretensamente “em decadência”. Os que escreveram isso são os mesmos que gostam de avaliar universidades por rankings internacionais.
É uma falsa clivagem. Quem é “que gosta de avaliar universidades” por rankings? Como Safatle vai defender que a USP é um território autônomo e vai mimar maconheiro com o objetivo de atacar, mais uma vez, a polícia, o governo do Estado e a ordem,  então ele precisa ficar criando divisões na universidade.

Mas, vejam que engraçado, segundo a QS World University Ranking, os Departamentos de Filosofia e de Sociologia da USP estão entre os cem melhores do mundo, isso enquanto a própria universidade ocupa o 169º lugar. Ou seja, se a USP fosse como dois dos principais departamentos da FFLCH, ela seria muito mais bem avaliada.
Safatle, diga aí: é gostoso ser um vigarista intelectual? Deve ser, né? Essa sua clivagem só seria verossímil, ainda que continuasse falsa, se houvesse qualquer relação de causa e efeito entre a suposta repulsa da FFLCH à polícia e sua qualidade e entre o apoio à polícia das outras unidades e sua suposta falta de qualidade. Mais: forçoso seria que repulsa e apoio nesses dois grupos fossem unânimes. Sejam lá quais forem as qualidades do Departamento de Filosofia, elas não decorrem desse tipo de pilantragem argumentativa.

Segundo, não foram alunos “ricos, mimados e sem limites” que provocaram os atos. Entre as faculdades da USP, a FFLCH tem o maior percentual de alunos vindos de escola pública e de classes desfavorecidas. Isso explica muita coisa.
Isso não explica coisa nenhuma! Como a maioria da USP é favorável à presença da PM e como a ação da polícia contou com o apoio de mais de 70% dos paulistas, Safatle está tentando agora brincar de luta de classes dentro do campus. Mas isso é o de menos. Ele está querendo esconder o óbvio. Clique aqui mais tarde e leia reportagem do Globo evidenciando quem são alguns  dos invasores. Um é filho de empresário, outro de engenheiro, três outros de professores que ocupam cargos de direção em outras universidades…

Para alunos que vieram de Higienópolis, a PM pode até significar segurança, mas aqueles que vieram da base da pirâmide social têm uma visão menos edulcorada.
Eles conhecem bem a violência policial de uma instituição corroída por milícias e moralmente deteriorada por ser a única polícia na América Latina que tortura mais do que na época da ditadura militar.
Não há nada estranho no fato de eles rirem daqueles que gritam que a PM é o esteio do Estado de Direito. Não é isso o que eles percebem nos bairros periféricos de onde vieram.
“Polícia corroída por milícias”? Ele está se referindo à PM do Rio? O TEXTO DE SAFATLE me dá nojo. Literalmente! Felipe de Ramos Paiva, o estudante assassinado na USP, era aluno da FEA (que Safatle deve considerar faculdade dos ricos) e morava em Pirituba, na periferia. Era filho de gente pobre. Mais: tivesse um mínimo de amor pela ciência, forçoso seria o professor ter em mãos  uma pesquisa que cruzasse renda e origem social com opinião sobre a PM na USP. Mas ele não tem. Recorre a um truque de uma picaretagem  intelectual e conceitual que assusta: alunos da FFLCH seriam pobres, da periferia e da escola pública — e, por isso, contra a presença da PM. Já os das demais unidades seriam ricos, das áreas nobres e da escola particular — e, portanto, favoráveis à polícia.  ELE NÃO TEM ESSES DADOS. Conclui-se desse raciocínio que os pobres são contra a presença da polícia em seus bairros.

Terceiro, a revolta dos estudantes nada tem a ver com o desejo de fumar maconha livremente no campus. A descriminalização da maconha nunca foi uma pauta do movimento estudantil.
Que “movimento estudantil”? Foi o “movimento estudantil” que invadiu dois prédios e impediu a PM de cumprir o papel que lhe garante a Constituição? Cadê o PCO, a LER-QI e o  Negação da Negação no texto de Safatle?

Infelizmente, o incidente envolvendo três estudantes com um cigarro de maconha foi a faísca que expôs um profundo sentimento de não serem ouvidos pela reitoria em questões fundamentais.
É mentira! A USP tem 89 mil estudantes. A invasão da reitoria foi decidida por 300, e efetivada por menos de 100. Isso revela a seriedade do argumento.

Era o que estava realmente em jogo. Até porque, sejamos claros, mesmo se a maconha fosse descriminalizada, ela não deveria ser tolerada em ambientes universitários, assim como não se tolera a venda de bebidas alcoólicas em vários campi.
Ah, a quem este rapaz pensa que engana? Aqui ele decide demonstrar seu repúdio à maconha para sugerir que pretende discutir coisas mais importantes.

Quando ocorreu a morte de um aluno da FEA, vários grupos de estudantes insistiram que a vinda da PM seria uma máscara para encobrir problemas sérios na segurança do campus, como a iluminação deficiente, a parca quantidade de ônibus noturnos, a concentração das moradias estudantis em só uma área e a falta de investimentos na guarda universitária. Isso talvez explique porque 57% dos alunos dizem que a presença da PM não modificou em nada a sensação de segurança.
Espero que o “porque” de Safatle, no lugar de “por que”, seja só um erro da revisão. Mas isso é o de menos. O problema desse rapaz é o erro de pensamento. As condições gerais da USP podem melhorar com ou sem polícia; uma coisa não depende da outra. “Sensação de segurança” não salva ninguém, mas a segurança efetiva sim! Depois da presença da PM no campus, os furtos de veículos caíram 90%. Já roubos em geral tiveram redução 66,7%. Roubos de veículos caíram 92,3%. Esses são os fatos.

Safatle integra o grupo da USP que pretende, a partir de um incidente protagonizado por uma minoria de extremistas, criar um casus belli. O objetivo, já denunciei, é fazer no ano que vem “a maior greve em 10 anos”. O confronto entre maconheiros e PM, Safatle tem razão em certa medida, é só a falsa questão. A razão de fundo é eleitoral. Safatle também integra a turma dos “inteliquituais” engajados na candidatura de Fernando Gugu-Dadá Haddad à Prefeitura.

Gugu-Dadá Haddad é aquele que, num rasgo de sinceridade, afirmou, censurando a ação da PM contra os invasores, que “não se pode tratar a USP como se fosse a Cracolândia e a Cracolândia como se fosse a USP”. Ou seja: ele estava dizendo que polícia é coisa pra pobre. Safatle deve concordar, não é?, ao contrário do que diz em sua coluna abjeta.

Texto publicado originalmente às 21h34 desta terça
Por Reinaldo Azevedo

12/06/2009

às 18:21

Professor que deu alcance teórico ao terrorismo divulga duas mentiras sobre a USP

Dona Reinalda, que me empurrou para o bom conservadorismo — quando eu a conheci, há 25 anos, ainda tinha algumas tentações esquerdopatas, mas ela me curou — chamou a minha atenção para um artigo publicado hoje na Folha, de autoria de Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da USP. Título: “A universidade não é caso de polícia”. A minha orientadora ideológica jogou o jornal sobre a mesa e ordenou: “Diga a esse sujeito que universidade também não é caso de bandido”. Graaande Dona Reinalda! É ela mandar, e eu escrevo. Safatle é conhecido deste blog. Volto ao passado daqui a pouco. Quero agora me centrar no seu artigo.

A ação dos delinqüentes na USP é inaceitável. A Polícia está lá obedecendo a uma ordem judicial e, como resta evidente, é a agredida, não a agressora. Logo, este senhor não tem como defender a desordem. Assim, o que lhe resta? Recorrer à mentira. É chocante que um professor de filosofia de 38 anos tenha de mentir para defender o indefensável. Ele, é verdade, já fez coisa bem pior. Primeiro ao artigo:

MENTIRA UM
Leiam o que ele escreve:
“Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la?”

É mentira! A polícia não portava metralhadora coisa nenhuma. Em nenhum momento essa arma foi usada como instrumento de dissuasão ou contenção do tumulto. Bem, mas ele botou a mentira em letra impressa. Os sites e blogs da rede esquerdopata já o espalharam. A falsa metralhadora será incorporada à argumentação. Safatle se diz estudioso de Lacan. Deveria escrever um ensaio sobre o papel da mentira na “lacanagem”.

MENTIRA DOIS
Melhor seria começar explicando qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país, responsável por parte significativa da pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.

Às vezes, sim; às vezes, não. Seria preciso um levantamento minucioso. Quando se trata de professor-doutor titular ou professor-adjunto, com doutorado, ambos em regime de dedicação exclusiva, as federais levam alguma vantagem:
Titular:
Na USP – R$ 9.642,00
Nas federais – R$ 10.446,81
Adjunto
Na USP – R$ 6.707,00
Nas federais – R$ 6.722,85

Mas atenção. Fala-se aí de salários sem a incorporação de benefícios decorrentes do tempo de serviço. As estaduais de São Paulo pagam, por exemplo, um salário-base superior às federais. A depender do caso, entram penduricalhos que ora põem as federais em vantagem, ora as estaduais. Como digo lá, “às vezes, sim; às vezes, não”. Sustentar que a USP paga menos do que as federais é ater-se a uma realidade de planilha, que nada tem a ver com os fatos.

Mais adiante, escreve ele:
Por fim, contrariamente a certa ideia que um anti-intelectualismo militante gosta de veicular nestes momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente dedicados em seus cursos, participam sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam “papers” em congressos e podem ser constantemente encontrados em nossas bibliotecas.

Antiintelectualista é depredar a universidade. Vamos lá: apresentem-se, então, os líderes da baderna com sua dedicada ficha escolar. Quero ver. Dito assim, fica fácil. No artigo, Safatle recorre a um estratagema comum a alguns petralhas que pretendem ter seus comentários publicados aqui: “ó, não sou petralha, mas…” Diz ele que não faz parte do movimento sindical nem participa de assembléias. E daí? Isso não torna as suas mentiras mais legítimas do que a dos sindicalistas. Ademais, ser sindicalizado e participar de protestos não é crime nenhum. A questão é como fazê-lo.

Velho conhecido
Mas este é Vladimir Safatle. Já falei sobre ele aqui, talvez vocês se lembrem. Reproduzo abaixo o artigo. Para quem tentou dar alcance teórico ao terrorismo, como ele fez, recorrer a duas mentiras para justificar uma opinião é pinto. Segue um post meu de 13 de janeiro. Naquela vez, ele escreveu no Estadão. Agora, na Folha. Sei que o post fica longuíssimo, mas é importante.
*

CRUZANDO A LINHA: O “ESTADÃO” PUBLICA TEXTO QUE FAZ A DEFESA DO TERRORISMO COMO PRINCÍPIO POLÍTICO. NADA SERÁ COMO ANTES

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 | 15:45

Aconteceu no dia 11 de janeiro do Ano da Graça de 2009. O Estado de S. Paulo — jornal de tradição e glórias mil, cujo apreço pelas liberdades públicas custou a seus comandantes o exílio e a mais odienta perseguição política — publicou, enfim, um artigo que faz a defesa teórico-filosófica do terrorismo. É UM MARCO NA IMPRENSA BRASILEIRA. Assim, o editor do jornal-símbolo da luta contra AS DITADURAS que permitiu tal publicação cruzou a linha do que, até então, entendíamos eu e muitos outros, era impossível. ALGO SE QUEBROU PARA SEMPRE. Agora, é bem possível que, no Estadão, TUDO SEJA PERMITIDO. E, se é no Estadão, devemos temer que outros veículos sigam o seu mau exemplo. JÁ É PERMITIDO, NOS ESPAÇOS QUE AS ESQUERDAS DO COMPLEXO PUCUSP CHAMAM “IMPRENSA BURGUESA”, DEFENDER AS VIRTUDES DA VIOLÊNCIA E DA MORTE COMO EXERCÍCIO CRIATIVO.

Ah, mas do que estou falando, hein, leitor?

No domingo, no Caderno Dois do Estadão, Valdimir Safatle, professor de filosofia da USP, assina uma resenha de duas coletâneas de textos organizadas por Slavoj Zizek: um volume reúne textos do grande humanista Mao Tse-Tung, aquele que matou 70 milhões de pessoas enquanto no poder (Sobre a Prática e a Contradição). Outro traz textos de Robespierre (Virtude e Terror). Safatle não quis ficar atrás dos resenhados, seja o autor da coletânea, sejam os autores dos textos originais, e fez a sua própria apologia do terrorismo. Não é de hoje que ele tem uma particular (na USP, nem tanto) compreensão do terrorismo, como demonstrarei daqui a pouco. Para quem não conhece, Zizek é um sociólogo e filósofo esloveno, autor de vários livros traduzidos no Brasil, e uma das referências dos radicais de esquerda. Quer-se um renovador do pensamento marxista, operando no que seria a interface (argh!) entre o marxismo e psicanálise. Mas vamos à resenha de Safatle, que segue em vermelho, com comentários meus, em azul.

Invenção do terror que emancipa
Eis o título. Que já não esconde o que pretende. “Terror que emancipa” é, por si mesmo, uma formulação imoral.

Há algum tempo, vemos as livrarias serem palcos de um assalto conservador à cultura. Um desavisado poderia imaginar estar em plena época da Guerra Fria, haja vista a quantidade de livros de propaganda anticomunista, de revisionismo histórico e de divulgação de ideologia conservadora que assolam as prateleiras de filosofia e ciências humanas.
Ainda que houvesse essa grande produção conservadora — é uma mentira! —, reparem que ela seria um “assalto” a “assolar” as prateleiras. Os conservadores, nessa perspectiva, precisam, claro, ser contidos. São uns vândalos. A civilização está, como veremos, com os terroristas e seus defensores.

Estudos sobre o “sanguinário” Lenin convivem harmoniosamente com elogios ao grande passado imperial da nação brasileira, análises sobre a luta milenar entre os “terroristas” e os defensores da modernidade esclarecida e críticas conservadoras à solidão ontológica do homem contemporâneo com direito a citações de Ratzinger. O conjunto pode parecer heteróclito, mas, infelizmente, não é. Eles são peças de um jogo de xadrez cujo objetivo consiste em impor uma extensa agenda conservadora no campo da reflexão e tirar de cena discussões fundamentais para a crítica cultural e sociopolítica produzidas no calor das lutas e revoluções que fizeram a história do século 20.
Viram só? Safatle é do tipo que põe aspas nas palavras para que elas passem a significar o contrário do que significam ou para lhes denunciar a falsidade imanente. Assim, quando ele, ironicamente, se refere ao “sanguinário” Lênin, quer nos dizer que o facínora não era, então, sanguinário. Quando põe aspas em “terroristas”, está dizendo que terroristas não são. Risco mesmo ele vê nos pensadores que citam Ratzinger. Até aqui, vá lá, é a delinqüência intelectual de sempre das esquerdas. E NOTEM QUE ELE AINDA NÃO DISSE NADA DOS LIVROS QUE SE PROPÔS A RESENHAR. Que se danem os livros! Ele tem uma tese, e os volumes servem apenas de pretexto.

Nesse sentido, a tradução, pela Jorge Zahar, de duas coletâneas organizadas por Slavoj Zizek com textos de Mao Tsé-tung (Sobre a Prática e a Contradição) e de Robespierre (Virtude e Terror, tradução de José Maurício Gradel, 236 págs., R$ 39,90) é extremamente bem-vinda. Figura maior da renovação do pensamento de esquerda, com Alain Badiou, Giorgio Agamben, Ernesto Laclau e Judith Butler, Zizek conseguiu renovar as articulações entre psicanálise e marxismo através de recursos sistemáticos à Jacques Lacan e às figuras maiores do idealismo alemão (Hegel, Schelling, além de uma versão peculiar do sujeito transcendental kantiano). Esse projeto, traçado desde seu O Mais Sublime dos Histéricos: Hegel com Lacan (Zahar), publicado entre nós no início dos anos 90, foi sendo paulatinamente aprofundado até chegar à maturidade com seus dois livros principais: The Ticklish Subject e Visão em Paralaxe (Boitempo).
Nesse ponto, Safatle enche lingüiça (a minha, ainda com trema…), engrolando um fácil falar difícil, prática que se estende ao parágrafo seguinte, e omite um dado essencial: Zizek é um “filósofo” empenhado na reabilitação do comunismo — excluindo-se, claro, todos os seus defeitos…

Nesse trajeto, Zizek procurou tirar as consequências de seu projeto filosófico-psicanalítico no campo político. Operação feita por meio da reflexão sobre os problemas legados pela noção de “política revolucionária” em textos de Lenin, Trotsky, Lukács e, agora, Mao e Robespierre lidos à luz da noção de “ato analítico”, de Lacan. Assim, longe de ser uma simples retomada de tais textos e de conceitos como: crítica da democracia formal, ditadura do proletariado, luta de classes, antagonismo social, violência legítima, Zizek procura estabelecer uma articulação original entre política e teoria do sujeito.
A vigarice intelectual não tem limites. Recorre-se a categorias lacanianas, como ficará claro mais adiante, para se justificar a ação terrorista.

Podemos dizer isso porque se trata de interrogar o sentido da ação revolucionária no interior do projeto moderno de reconhecimento das exigências de uma subjetividade que não pode ser compreendida nos quadros normativos do humanismo.
Tirado o glacê da linguagem supostamente filosófica — é só texto ruim mesmo —, Safatle se prepara para elevar o terrorismo à categoria das ações respeitáveis. E quem o contestar estará, fatalmente, limitado pelo “quadros normativos do humanismo”. Assim, leitor amigo, ao pensar o 11 de Setembro (e já conto o que Safatle escreveu a respeito) ou as ações do Hamas, esqueça o velho humanismo, seja menos conservador. Pense grande!!!

Ou seja, Zizek quer mostrar como os fatos decisivos da história política mundial desde a Revolução Francesa foram animados pelo advento de uma noção de subjetividade que não podia mais ser definida através da substancialização de atributos do “humano” e cujos interesses não permitiam ser compreendidos através da lógica utilitarista da maximização do prazer e do afastamento do desprazer.
Ah, bom! Vamos parar com essa bobagem de “substancializar” o humano. Devemos é pensar no avanço moral da substancialização da Besta! E chega também dessa história da lógica utilitarista da “maximização do prazer”. Coisa mais ocidental e sem graça! Começo a entender agora a lógica interna do “martírio” dos atentados terroristas. Ali, sim, há pessoas que foram muito além da “substancialização do humano”, né?, apontado as virtudes libertadoras do sofrimento.

Ao contrário, a partir da Revolução Francesa, sobe à cena do político uma subjetividade “inumana” por recusar toda e qualquer figura normativa e pedagógica do homem, por recusar de maneira “terrorista” os hábitos e costumes, por não se reconhecer mais em natureza e em determinação substancial alguma.
Como vocês sabem, este escrevinhador já deixou cravado neste blog que a Revolução Francesa transformou a morte em teoria política e atribuiu virtudes filosóficas à eliminação do adversário. Jamais imaginei que leria na “imprensa burguesa” a apologia desse procedimento.

Assim, se Zizek pode olhar para Robespierre e dizer que “o passado terrorista deve ser aceito como nosso”,
O escambau! O passado terrorista de Robespierre é o passado do marxismo — porque lá está sua semente e de quantos defendam o terrorismo.

não se trata de fazer apologia voluntarista da violência política, mas de insistir que o verdadeiro problema político legado desde o advento da modernidade é: como construir estruturas institucionais universalizantes capazes de dar conta de exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa? Diga-se de passagem, um problema apontado de maneira clara pela primeira vez por Hegel já em suas leituras sobre (e a coincidência não é aqui casual) o terror jacobino.
O recurso a Hegel é vigarice intelectual. A única maneira de “construir estruturas institucionais universalizantes” (como Safatle consegue emprestar aparência de profundidade à defesa do terror, não!?) que abarquem o terrorismo é aceitá-lo como coisa legítima e, quem sabe?, exaltá-lo como prática criativa da política.

A sagacidade de Zizek, apoiando-se aqui em reflexões de Alain Badiou, consistiu em mostrar como essa experiência disruptiva inscrita na essência da conduta do sujeito foi o motor da nossa história recente.
Entenderam? O motor de nossa história recente foi o terrorismo.

História revolucionária na qual se imbricam violência, criação, destruição, procura e que, principalmente, não pode ser lida apenas como uma sequência de lutas pela redistribuição de riquezas e de generalização de direitos.
Vejam que haveria uma certa gratuidade quase poética no terrorismo. Ele nem mesmo quer redistribuir rendas ou direitos. Quer apenas se exercer.

Recalcar esta história, como se fosse questão de uma sucessão de catástrofes (o comunismo, o terror, as ilusões de ruptura do modernismo, etc.), como se o tempo devesse ser avaliado a partir da contagem de mortos ou, para falar com Habermas, como se este impulso não passasse de uma estetização da violência e do excesso com consequências políticas nefastas é, no fundo, dirá Zizek, maneira de entificar uma política limitada pelo respeito a princípios formais gerais que, simplesmente, não conseguem mais dar efetividade alguma ao que um dia esteve contido na ideia de democracia.
É o trecho que, uma vez compreendido, pede que tomemos Dramin. Mortos? Que importância tem isso? Ver apenas os efeitos negativos do terrorismo? Que visão mais limitada e estreita da realidade! Ora, não vamos “entificar” (suponho que a estrovenga signifique “transformar num ente”) essa bobagem de respeitar princípios formais gerais. Eles já não dão mais conta da realidade. Notem o truque: se a gente considerar que o terrorismo não cabe no que se entende por democracia, o caminho é, então, mudar o que se entende por democracia, preservando a prática terrorista. Nesse caso, a “idéia de democracia” só passará a ter virtudes se incorporar a prática terrorista.

Princípios que não têm força para impedir, por exemplo, processos como a generalização do estado de exceção como prática “normal” de governo. Maneira de, no limite, reduzir a política a uma “assustadora reunião de homens assustados” unidos não mais pela possibilidade de “reinventar a ordem da vida cotidiana”, mas apenas pelo medo. Medo em relação ao crime, ao terrorismo, aos imigrantes, ao Estado excessivo com seus impostos, às catástrofes ecológicas.
Notem que Safatle é um crítico do “estado de exceção” — realmente um horror, né? Ele viria do quê? Ora, do “medo”, inclusive medo do terror. Besteira! Não devemos temer os terroristas. Devemos chamá-los para “reinventar a ordem da vida cotidiana”.

É claro que há uma série de questões em aberto no interior do projeto de Zizek. Por exemplo, há momentos dos textos onde ocorre certa sobreposição problemática entre violência popular contra o Estado com seu aparato legal e violência estatal, mesmo que esse Estado seja fruto de processos revolucionários. No entanto, há articulações extremamente bem-sucedidas, como a crítica à peculiar ruptura permanente da Revolução Cultural de Mao por ela ter, no fundo, preparado o caminho para a transformação da China em plataforma principal do capitalismo contemporâneo, desterritorializado e autotransgressor. Nesses e em vários outros momentos, Zizek demonstra até onde vai sua capacidade de apreender a complexidade da aposta política na “reinvenção de um terror que emancipa”.
Nunca antes neste mundo alguém havia enxergado virtudes na revolução cultural chinesa. Parece que Zizek, para encanto de Safatle, conseguiu. E, oh surpresa!, ela teria aberto as portas para o capitalismo chinês! Haja vigarice dialética! Haja sem-vergonhice histórica.

Não é de hoje
Safatle e o terrorismo foram um binômio realmente explosivo no que concerne ao pensamento.

No dia 16 de setembro de 2001, ele publicou no Correio Braziliense um artigo sobre os atentados terroristas contra os Estados Unidos. Foi capaz de escrever coisas como:
“Verdade seja dita: a terça-feira negra mostrou como a ação política mais adequada para a nossa época é o terrorismo. Ele é o que resta quando reduzimos a dimensão do conflito social à lógica do espetáculo. Ele é a política reduzida ao formato de tela plana. A opinião pública norte-americana nunca tinha se dado conta da gravidade da situação no Oriente Médio até o momento no qual as imagens espetaculares da catástrofe começaram a chegar às suas casas. Neste sentido, o ataque teve eficiência absoluta. A pergunta que fica no ar é: se a opinião pública norte-americana não tinha consciência do problema geopolítico mais grave da atualidade, então em que mundo ela estava? Certamente, em um mundo só sensível ao império das imagens.”

Observem que, segundo seu raciocínio delinqüente, os atentados nascem da “situação do Oriente Médio” (provavelmente a existência de Israel…). Mais: segundo ele, os atos podem ter tido efeito didático para aqueles americanos alienados…
E quem eram os verdadeiros culpados pelos atentados terroristas? Safatle também não tinha a menor dúvida:
“Desde há muito vemos um esforço absurdo em despolitizar o conflito no Oriente Médio a fim de transformá-lo em uma luta religiosa que tem suas raízes na pedrada que David acertou na cabeça de Golias. Um conflito eminentemente político e historicamente determinado, resultante de um processo desastroso de descolonização que transformou o povo palestino em uma massa de refugiados, virou a luta da Civilização contra a barbárie fundamentalista. Durante décadas os EUA e a Europa fingiram ignorar a Lei internacional, promulgada pela ONU. Lei capaz de resolver politicamente o problema da constituição de um Estado palestino e dar assim o mínimo de estabilidade à região.”

Eis Safatle! Até então, eu imaginava que sua simpatia pela prática terrorista era específica e aplicada, ou seja: gostava do terrorismo islâmico. Não! A sua resenha prova que ele vê virtudes filosóficas no terrorismo
tout court.

Que se note: ninguém deu bola para seu texto. Posto na página eletrônica do jornal, ninguém se interessou em comentá-lo. Isso não quer dizer nada: cruzou-se a linha. Quem avaliou o que ele escreveu e considerou que aquilo ficava bem no Estadão estabeleceu um novo marco no jornal.

E não é assim mesmo que Safatle quer que o terrorismo seja visto? Fora dos limites formais do humanismo? Tudo indica que também o Estadão deva ignorar, doravante, limites formais. E a produção intelectual do terrorismo terá, finalmente, lugar num grande jornal brasileiro. Em nome da pluralidade, né?

Por Reinaldo Azevedo

 

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