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Universidades federais

18/04/2013

às 4:44

Na Escolinha do Professor Mercadante – Ladeira abaixo: Lei tira exigência de pós-graduação para novos professores de federais

O PT já realizou alguns prodígios no ensino universitário, embora os áulicos tentem esconder. Na gestão de Fernando Haddad, o Supercoxinha que fica nervoso quando ouve o nome deste jornalista, o número de analfabetos no terceiro grau dobrou: de 2% para 4%. O de universitários precariamente alfabetizados saltou de 24% para 38%. Conquistas legítimas do petismo.

O partido resolveu inovar mais uma vez. Uma lei de iniciativa do governo federal simplesmente proíbe as universidades federais de exigir dos candidatos a professor títulos de mestrado e doutorado. Basta terminar a graduação e pimba! O sujeito está apto a ensinar e já pode concorrer a uma vaga de professor em concurso.

Faz sentido… O agora ministro Aloizio Mercadante chegou a anunciar na TV, em 2006, um doutorado que não tinha. Foi obrigado a se desdizer depois que o peguei no pulo. Em dezembro de 2010, apresentou uma conversa mole sobre a economia no governo Lula como e obteve o título de doutor da Unicamp. Entendo. Se é para ter doutorado como o de Mercadante, melhor não ter nenhum. Leiam o que informa Fabio Takahashi, na Folha.
*
Uma lei de iniciativa do governo federal que entrou em vigor no mês passado determinou que as universidades federais não podem mais exigir nos concursos para professor os títulos de mestre ou doutor dos candidatos. Na prática, quem só tiver diploma de graduação pode agora disputar todas as vagas abertas nas universidades. Até então, esses candidatos eram aceitos como exceção.

Após ser procurado pela Folha, o governo afirmou ontem que pretende alterar novamente a regra, para que as instituições possam voltar a exigir diploma de pós-graduação, como condição primordial para a inscrição. O governo ainda não sabe, porém, se mandará um projeto de lei ao Congresso ou se editará medida provisória. Dirigentes de universidades disseram à Folha que o Executivo não tinha a intenção de proibir a exigência de mestrado ou doutorado. Houve um erro no projeto, segundo eles, só percebido quando as universidades consultaram suas áreas jurídicas para abrir os concursos.

A mudança, porém, já trouxe resultados práticos. A Federal de Santa Catarina, por exemplo, está selecionando 200 professores com diploma de graduação (inicialmente, exigia doutorado). Na Federal de Pernambuco, os departamentos de física e de química decidiram suspender os processos por discordar da nova regra.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

25/10/2012

às 15:17

Pela terceira vez, Unifesp tenta construir edifício que deveria ter sido entregue em 2010

Por Lecticia Maggi, na VEJA.com:
Pela terceira vez, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tenta realizar uma licitação para construir o prédio principal do campus Guarulhos – mais problemático da unidade, criada pelo Reuni em 2007 e que, desde então, enfrenta uma crise estrutural. Um novo aviso de licitação foi publicado na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União: os envelopes contendo orçamento de construtoras para a obra serão abertos no dia 26 de novembro.

Leia também:
- Crise nas universidades federais
- Reitor confirma saída de diretor da Unifesp Guarulhos
- Unifesp Guarulhos não deve ter calouros em 2013
- Fracassa licitação para construção de prédio da Unifesp Guarulhos
- Reuni: atraso em obras ameaça excelência da Unifesp

Desde 2007, quando o campus foi inaugurado, alunos e professores esperam pela construção do edifício principal do campus. A obra – planejada com 20.000 metros quadrados, 44 salas de aula, 22 gabinetes de pesquisa, refeitório e biblioteca – deveria ter sido entregue no segundo semestre de 2010. Dessa forma, acabaria com os problemas de infraestrutura do campus.

Atualmente, 2.800 estudantes de graduação, 200 de pós-graduação e 200 professores contam com apenas 24 salas de aula. O número é insuficiente. Por isso, a universidade ocupa 15 salas do CEU, unidade destinada à educação infantil, cedidas pela Prefeitura de Guarulhos.

A Unifesp alega que uma série de “problemas burocráticos” impediu que a obra saísse do chão. O último fracasso em licitações aconteceu em agosto, com a desistência das construtoras. Lançado no início do ano, o edital chegou a atrair 23 empreiteiras, mas apenas 11 realizaram vistoria no local e continuaram aptas a participar da concorrência. Nenhuma empresa, contudo, apresentou orçamento para a construção no dia programado.

Diante da situação, o reitor da Unifesp, Walter Albertoni, realizou em setembro uma audiência pública com as construtoras, com o objetivo de determinar os motivos da desistência. Após ouvir queixas técnicas e sobre os valores da construção, prometeu alterações no novo edital para deixá-lo mais atraente às empresas.

Na ocasião, Albertoni prometeu iniciar a obra ainda em sua gestão, que acaba em 6 de fevereiro de 2013. Nesta última terça-feira, a Unifesp elaborou uma lista tríplice para a escolha do novo reitor. Encabeçada pela professora Soraya Smaili, a lista será enviada à presidente Dilma Rousseff, responsável pela escolha. 

Se a obra do edifício principal finalmente sair, a construção será entregue com mais de cinco anos de atraso: a nova previsão para a entrega é 2015. Estima-se que ela consumirá mais de 50 milhões de reais, um acréscimo de cerca de 5,4 milhões de reais em relação ao projeto original.

Por Reinaldo Azevedo

17/08/2012

às 16:59

Em meio a impasse, greve nas federais completa 3 meses

Na VEJA.com:
A greve dos professores de universidades e institutos federais de ensino superior completa três meses nesta sexta-feira, com 95% das instituições paralisadas e um impasse entre grevistas e o governo federal que parece longe do fim. Os professores de 57 das 59 universidades federais do país estão com os braços cruzados. Nem mesmo as universidades ligadas à Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que assinou um acordo com o governo em três de agosto, retomaram as atividades plenamente.

Até o momento, das 57 universidades com professores parados, apenas a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) decidiram pela retomada das atividades. Na UFRGS a expectativa é de que o 2º semestre comece no dia 20 de agosto. A instituição interrompeu os trabalhos apenas em 18 de julho, um mês após a deflagração do movimento nacional, e conseguiu finalizar o 1º semestre.  

A greve teve início no dia 17 de maio, com professores de 33 instituições federais de ensino superior. À época, o ministro da educação, Aloizio Mercante, minimizou a paralisação e chegou a comparar os problemas de infraestrutura das federais às “dores do parto”. Em vista do endurecimento do movimento, o governo federal decidiu negociar, e apresentou duas propostas à categoria. A primeira reunião de negociação aconteceu no dia 13 de junho. Na ocasião, o Ministério do Planejamento propôs a reestruturação da carreira docente tomando como referência de remuneração a carreira de servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta, contudo, foi rejeitada pela categoria. 

Já a segunda foi aceita pelos docentes ligados ao Proifes. O governo propôs reajuste entre 25% e 45% ao longo dos próximos três anos, com antecipação dos aumentos de julho para março de 2013, além da diminuição de 17 para 13 nos níveis de carreira. O reajuste contemplaria 140.000 professores, com custo de 4,32 bilhões de reais aos cofres públicos.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o de maior representatividade, e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) rejeitaram a oferta. O alcance do Proifes é questionado. Enquanto os demais sindicatos alegam que ele responde por uma pequena parcela da categoria, com presença em não mais do que 10 instituições, Gil Vicente Reis de Figueiredo, diretor do sindicato, afirma que o número é o dobro. “São 20 instituições que somam 77 campi”, diz.

Os docentes reivindicam reestruturação da carreira, com valorização da atividade acadêmica, baseando-se no tripé ensino, pesquisa e extensão. Em vez dos atuais 17 níveis de remuneração, pedem 13, com variação salarial de 5% entre eles e piso de 2.329,35 reais para 20 horas semanais de trabalho. Hoje, é de 1.597,92 reais. Além disso, querem dedicação exclusiva como regime preferencial de trabalho e pleiteiam carreira única para os professores federais – sem distinção entre magistério superior e magistério do ensino básico, técnico e tecnológico. 

Outro ponto está relacionado a melhores condições de trabalho e infraestrutura. Eles criticam a processo de “precarização” vivido pelas universidades como consequência, principalmente, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado pelo governo federal em 2007.

Muitas universidades expandiram o número de alunos sem que houvesse infraestrutura adequada. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, aumentou em 520% o número de vagas, mas faltam laboratórios, refeitórios e até salas de aula nos novos campi criados. No Rio de Janeiro, a expansão acontece em universidades de lata. No interior do estado, contêineres servem de sala de aula e de depósito para material que deveria servir para cursos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre 2007 e 2011, o Ministério da Educação (MEC) repassou 4,4 bilhões de reais às federais para obras do Reuni. Contudo, um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponta atraso em uma de cada quatro construções avaliadas. 

Os mais prejudicados pela situação são – é claro – os alunos. Eles não sofrem apenas com a greve, mas com o sucateamento das instalações de algumas instituições federais. É o caso de Mara Luana Severo, de 22 anos. A estudante iniciou o curso de odontologia no campus de Patos, localizado no sertão paraibano, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em 2009. As aulas, porém, começaram sem salas de aula ou até mesmo professores da área. A aluna assistia às aulas no auditório da instituição e viajava semanalmente cerca de duas horas e meia para cursar a disciplina de anatomia no campus central. Mara chegou ao 3º ano da graduação sem aulas práticas por falta de laboratórios e clínicas médicas. Quando finalmente a clínica odontológica do campus ficou pronta teve início a greve dos professores. “Mesmo com todas as dificuldades, achava que iria me formar este ano. Agora, ninguém sabe como vai ficar. É uma bola de neve sem fim”, lamenta.

Além de 57 das 59 universidades federais, a greve paralisa os trabalhos em 34 de 38 institutos. Mesmo diante das recusas e sob protestos dos demais sindicatos, o governo encerrou as negociações e diz que enviará o novo orçamento ao Congresso Nacional até o fim de agosto. 

Por Reinaldo Azevedo

11/08/2012

às 5:57

Dilma quer o ITA fora do sistema de cotas que ela deve aprovar. A picaretagem intelectual está comprovada! Qual é a tese, presidente? Seria só covardia?

Publiquei na noite de quinta um primeiro texto sobre o absurda lei que institui cotas sociais e raciais de 50% nas instituições federais de ensino. Para quem não leu, o link está aqui. Mantenho no alto da home os dois outros posts que escrevi a respeito na noite de ontem. O absurdo, afinal, é ainda maior do que parecia inicialmente. 
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Ai, ai…

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o famoso ITA, é uma das escolas mais seletivas do país. Não por acaso. O Brasil avançou bastante nessa área, e muito se deve, sim, ao ITA, que valoriza de modo obsessivo o mérito. Trata-se de uma instituição federal. Como tal, deveria, então, reservar 50% de suas vagas a alunos das escolas públicas — segundo a lei que Dilma quer sancionar —, metade das quais para alunos que pertençam a famílias cuja renda per capita é de até 1,5 salário mínimo. Tanto esses 25% de vagas quanto os outros têm de ser preenchidos segundo a cor da pele do estado em que a escola se encontra. O ITA fica em São José dos Campos, São Paulo. Segundo o Censo de 2010, o estado tem 41.262.199 habitantes. Do total, 63,9% se autodeclaram brancos, 29% se dizem pardos e 5,5 se dizem negros.

Durante a tramitação da lei, o Ministério da Defesa, ao qual o ITA (que é da Aeronáutica) é administrativamente ligado, deu um jeitinho de negociar o texto (íntegra aqui). Estarão sujeitas às cotas apenas as instituições de ensino “vinculadas ao Ministério da Educação”. Ocorre que o ITA, lamento, é vinculado, sim, ao MEC — ou não é esse ministério que dá fé aos diplomas lá expedidos?

É agora? O ITA conta, sim, com alunos oriundos do ensino público: 30% estudaram em escolas estaduais, e 7,3%, em federais. Mas passaram no concorridíssimo vestibular da instituição — QUE TAMBÉM NÃO USA O ENEM PARA ADMITIR ALUNOS, A EXEMPLO DO QUE FAZEM AS UNIVERSIDADES FEDERAIS.

Se faltasse alguma coisa para evidenciar a má-fé, a pilantragem intelectual e a demagogia da lei, já não falta mais nada. O próprio governo Dilma Rousseff, que quer instituir esse aloprado regime de cotas sociais e raciais nas universidades federais, na proporção estratosférica de 50% das vagas — ignorando até mesmo a nota do Enem (serão usadas as médias obtidas no segundo grau) —, está a dizer: “Ah, gente, no curso que consideramos realmente sério e importante, o do ITA, não vamos mexer; continuará com o seu vestibular de sempre. Afinal, engenharia aeronáutica é coisa muito complicada!”.

É inacreditável! Essa estupidez passou pela Câmara. Essa estupidez passou pelo Senado! Parlamentares hoje se borram de medo dos ditos “movimentos sociais” e mesmo de setores engajados da imprensa. Elio Gaspari deveria, agora, oferecer uma resposta no caso do ITA. E aí?

Porque recebe alguns dos alunos mais preparados do país — e, infelizmente, há mais candidatos do que vagas —, o ITA pode ministrar um curso de alta performance. A coisa por lá é tensa no que respeita ao desempenho intelectual. E assim é nos centros tecnológicos mais avançados do mundo. Ao ITA, recebendo, por óbvio, alunos muitos menos preparados, restaria, caso aderisse ao modelo, uma de duas alternativas:
a) rebaixar o seu padrão de exigência, o que significaria, por óbvio, queda da qualidade num tempo muito curto e migração das melhores cabeças, então, para cursos privados de alta performance — existem;
b) manter o seu padrão de exigência e excluir, na prática, logo no primeiro ano, os menos preparados. A escola manteria a excelência, mas formaria menos engenheiros aeronáuticos.

Escolha, Gaspari: formar o atual número de bons engenheiros, formar o mesmo número de engenheiros mais ou menos; formar menos engenheiros preparados. Qual a melhor alternativa, visto o mundo à luz daquela sua teoria da luta de classes, relida à luz dos Elevadores Atlas (andar de cima, andar de baixo…)? 

E tudo para atender a esse aloprado critério de “justiça social e racial”, que delegou às universidades públicas o papel de acabar com as desigualdades. Ainda que Dilma venha a sancionar aquela porcaria, o ITA deve ficar de fora, o que denuncia a desfaçatez da proposta.

Por que há de valer para os demais cursos do país o que não vai valer para o ITA? Só porque, administrativamente, ele está subordinado à Defesa? É medo da farda? Dona Dilma Rousseff tem certeza de que 25% das vagas do curso de Medicina da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), um dos mais concorridos do país, devem ser ocupadas por estudantes oriundos do ensino público e de famílias com renda per capita de até 1,5 mínimo? Mas atenção: nesse grupo, 29% têm de ser pardos, e 5,5% negros. Na hipótese de haver mais gente do que vagas, aí se recorre à nota (não ao Enem, reitero!) que eles tiveram no ensino médio. Quem pegou a escola mais chulé, que exigia menos, sai na frente.  É o milagre da seleção dos menos aptos. Pergunta óbvia: um aluno com esse perfil, fazendo um curso em tempo integral, vai se sustentar como? Tem de morar, comer, se vestir, tomar um Chicabon de vez em quando…

“Ah, Reinaldo quer perpetuar a desigualdade!”, diz o idiota. O idiota, por alguma razão, se considera mais humanista do que eu! Não! Reinaldo acha — e eu sei que demora! — que é preciso qualificar a escola pública para dar aos mais pobres condições de competir. E acha, adicionalmente, que mesmo as universidades públicas precisam cobrar mensalidade de quem pode pagar, ora essa! Não! Eu não quero me conformar com o quadro atual e pronto! E qual é ele? Na média, os ricos estão em cursos gratuitos de alta performance, e os pobres estão pagando (ou o ProUni paga por eles) para estudar em faculdades de terceira ou quarta linha — lá onde só se usam cuspe e giz — e olhem lá.

É claro que é preciso pensar políticas públicas que mudem essa situação. Para tanto, não é necessário destruir o ensino público federal com a vigarice política, a má-fé intelectual e a demagogia arreganhada!

Ou o ITA participa dessa patuscada — e aí quero ver o resultado —, ou a pilantragem está consumada, senhora Dilma Rousseff, senhor ministro Aloizio Mercadante!

Vocês estão onde estão também para contrariar a militância organizada quando suas reivindicações atentam contra os interesses do povo brasileiro. E é o caso. Deixem de ser covardes!

Texto originalmente publicado às 20h36 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

10/08/2012

às 6:11

Cotas sociais e raciais nas universidades chegam à fase da estupidez absoluta. Dilma vai endossar um crime contra a educação e contra os pobres. Algumas polianas do cotismo agora se assustam. É mesmo, é? STF responde em parte por absurdo!

Decidi manter este texto no alto na homepage. Há muita coisa abaixo, escrita durante a madrugada.

Pois é… Ah, a alegria “democratista” dos inocentes, dos bem-pensantes, dos tolos. Algumas almas que se queriam e se querem generosas acreditavam que, se flertassem “só um pouquinho” com o cotismo, estariam contribuindo para a justiça social. Jamais se deram conta de que o papel das universidades, por exemplo, não é acabar com a desigualdade — tampouco perpetuá-la. Ou elas se orientam exclusivamente segundo os critérios de competência ou desempenho — vale dizer: mérito —, ou estarão assumindo um papel que não é o seu. Nem cumprirão a sua função primordial nem se desincumbirão com eficiência da nova tarefa que lhes é atribuída. Quando declararam constitucional a aplicação de cota racial — contra, entendo eu, a Carta Magna —, os ministros do Supremo não imaginavam o que estava por vir. Modestamente, eu imaginava isso e antevejo coisas piores. Pois bem, a presidente Dilma Rousseff está prestes a fazer uma grande besteira. E vai fazer. Porque é da natureza da corrente de pensamento a que ela pertence. A que me refiro?

A deputada Nice Lobão (PSD-MA), mulher do ministro Edson Lobão (Minas e Energia), tem dois grandes feitos na carreira: é a campeã de faltas às sessões da Câmara em 2011 e é autora de um projeto, já aprovado também no Senado — só falta agora a sanção de Dilma — que determina que as universidades e os institutos técnicos federais reservem 50% das vagas para alunos oriundos das escolas públicas. Mas não só isso! Nice Lobão resolveu transformar o ingresso na universidade num misto de charada grega com luta de classes e racialismo (sabem como são esses marxistas radicais da família Lobão, né?). A estrovenga aprovada no Senado está aqui.

Como funciona?
1 – Os alunos das escolas públicas serão selecionados segundo o seu “Coeficiente de Rendimento” no ensino médio. Para eles, o Enem, por exemplo, não terá a menor importância.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – Já aqui se abre a primeira e escandalosa porta para injustiças. Dentro da ruindade geral das escolas públicas, há diferenças brutais de qualidade. O aluno que tiver um bom desempenho numa escola relapsa e pouco exigente levará vantagem ao competir com o que tiver um desempenho médio numa escola séria. Mais: sabemos que inexistem critérios objetivos para avaliar se o currículo oficial foi mesmo ministrado. Aliás, não existe um currículo nacional!!! Não encontrei na lei nenhuma referência sobre estado de origem do estudante e vaga pretendida. Como se trata de ensino federal, entendo que o candidato de um estado pode concorrer a uma vaga na federal de outro. O ensino médio é uma lástima no país inteiro, é fato. Mas sabemos que, mesmo dada a ruindade geral, há disparidades regionais brutais. Não só isso: os negros e pardos de Santa Catarina somam pouco mais de 11%; na Bahia, chegam a 78%. Um negro ou pardo de Santa Catarina que disputasse uma vaga na Universidade Federal da Bahia certamente seria selecionado segundo a cota baiana, mas carregando o “Coeficiente de Rendimento” da escola catarinense.

2 – Atenção para a loucura: metade daqueles 50% de vagas reservadas a escolas públicas terá de ser preenchida por alunos oriundos de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – A lei é omissa sobre a forma como se vai fazer essa verificação. Será com base apenas na declaração do candidato? Cada universidade federal terá de investigar a renda familiar do aluno para saber se ele fala a verdade? Ora… Não há estrutura para isso. Fingir pobreza passará a ser um bom negócio. Será um critério de seleção superior ao conhecimento de matemática e língua portuguesa. Tão logo isso esteja em vigência, é evidente que haverá uma inflação de candidatos com renda per capita inferior ao limite estabelecido, certo? E a lei que convida à fraude.

3 – Deputados e senadores avançaram ainda mais na sandice. Essa metade da metade que tem de pertencer a famílias com renda per capita inferior a 1,5 mínimo tem der ser preenchida por autodeclarados negros, pardos e indígenas, segundo o percentagem apontada pelo IBGE na unidade da federação em que está a universidade.
A ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – Um pobre branco da escola pública leva desvantagem ao competir com um preto pobre ou mestiço pobre da escola pública, ainda que os dois tenham, então, o mesmo perfil social. A propósito: no caso do candidato indígena, o seu Coeficiente de Rendimento no que concerne ao domínio da língua terá como referência o português ou o idioma da sua tribo? Nesse caso, quem avalia?

4 – E aqueles outros 25% — a metade da metade oriunda da escola pública, mas que pode pertencer a famílias com renda per capita superior a 1,5 mínimo? Também para eles vale o critério da cor da pele.
ESTUPIDEZ ESPECÍFICA – É a mesma do item 3.

A estupidez geral
A senhora Dilma Rousseff, que apoia o projeto, está botando os últimos pregos no caixão das universidades e institutos federais de ensino. Por quê? Só porque está abrindo as portas aos alunos da escola pública? NÃO!!! PORQUE METADE DAS VAGAS DESSAS INSTITUIÇÕES NÃO TERÁ MAIS NENHUM COMPROMISSO COM O DESEMPENHO DOS ALUNOS.

Notem que nem mesmo se exigirá deles uma nota aceitável no Enem — um exame que já é comprovadamente fraco. O único critério associado a desempenho é o tal Coeficiente de Rendimento, auferido em escolas distintas, provas distintas, segundo critérios distintos. Cria-se, obviamente, uma pressão sobre o professor da escola pública — que já padece, como diria o poeta, de diabólicos azares — em favor da facilitação. Ele e seus alunos terão clareza de que uma prova mais severa pode concorrer para criar dificuldades futuras ao aluno.

A escola pública vai melhorar?
A proposta, longe de democratizar o ensino universitário, concorre para democratizar a ignorância e para rebaixar o ensino universitário. Como se está assegurando ao aluno o ingresso na universidade segundo critérios que nada têm a ver com desempenho e competição, o que se tem, na prática, é uma pressão contrária: quanto mais relapso e “bonzinho” for o professor, tanto melhor.

Conheço e convivo com professores universitários, alguns meus contemporâneos da universidade. Atestam que a quantidade de semianalfabetos que chegam ao ensino superior é assustadora. Em vez de concorrer para melhorar a escola pública — sim, eu sei que é um processo demorado, mas não há outra saída —, essa lei vai usar a baixa qualidade como facilitador para o acesso ao ensino superior — vale dizer: quanto pior a escola de ensino médio, melhor!

Eis aí. Reitores das universidades federais incensavam as políticas de cotas. Também eles, mesmo sendo quem são, houveram por bem mandar os critérios acadêmicos para a ponta do pavio e aderir à demagogia. E os cotistas avançaram. A deputada Eunice, da grande família Lobão, pegou carona no debate e resolveu levar a coisa a sério, a seu modo. Pimba! Elio Gaspari, o maior propagandista das cotas no Brasil — para ele, quem se opõe à ideia é a turma do “andar de cima” —, deve estar satisfeito.

Agora os cotistas pretendem que o mesmo modelo seja aplicado ao mercado de trabalho público e privado. Chegará a hora em que alguém proporá que o Congresso, as Assembleias, as Câmaras de Vereadores e os tribunais obedeçam a critérios dessa natureza — por que não? Teremos uma democracia que não será feita dos mais votados e dos mais competentes, tudo em nome da… Justiça!

Ao votar a favor da proposta, o senador Pedro Taques (PDT-MT), que costuma ser sério, evocou a experiência americana como exemplo de política bem-sucedida de cotas. Acho que ele deveria estudar melhor o assunto — e não vou me alongar agora sobre esse particular. Noto, no entanto, que cota social e racial, com essa precisão na divisão da cor da pele e com esse número de vagas garantidas ao cotismo, não foi aplicada em lugar nenhum do mundo, nem na África do Sul pós-apartheid.

Agora, os reitores das universidades federais e os professores estão assustados. Sabem o que os espera. Anos de incúria e de desastre no ensino público vão cair inteiros no seu colo. Em muitas universidades, já se discute a criação de cursos especiais para os alunos, algo que os capacite minimamente em matemática e língua portuguesa. Eu estou falando sério.

O desastre já está em curso
Não é que se vá produzir o desastre. Ele já está em curso. Será agravado. Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. Vejam quadro.

Em 2001-2002, 2% dos alunos universitários tinham apenas rudimentos de escrita e leitura. Em 2010, essa porcentagem havia saltado para 4%. Vale dizer: 254.800 estudantes de terceiro grau no país são quase analfabetos. Espantoso? Em 2001-2002, 24% não eram plenamente alfabetizados. Um número já escandaloso. Em 2010, pularam para 38%. Isso quer dizer que 2.420.600 estudantes do terceiro grau não conseguem ler direito um texto e se expressar com clareza. É o que se espera de um aluno ao concluir o… ensino fundamental!

O quadro já era ruim, como se nota, e foi agravado pela dupla Lula-Haddad. Agora, a lei da dona Lobão, aprovada na Câmara, acolhida por ampla maioria no Senado e a ser sancionada por Dilma, vai se encarregar de liquidar o que resta.

Minhas homenagens ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que lutou brava e quase solitariamente contra essa estupidez no Senado. Foi inútil. Em nome da proteção aos pobres e aos vulneráveis, a maioria dos senadores mandou os pobres e os vulneráveis para a ponta do pavio. O que esses valentes fizeram foi condenar os ensinos fundamental e médio públicos à eterna ruindade. E essa ruindade, que já havia se alastrado para o ensino universitário, lá se instalará de vez!

Espero um texto de Elio Gaspari demonstrando por que isso é bom para os brasileiros e por que os críticos da proposta da dona Lobão são “demofóbicos”. Eu sempre presto muita atenção aos argumentos dos “demofílicos”.

PS – Ah, sim: Câmara, Senado e Dilma vão pisotear a autonomia universitária. Bem feito, senhores reitores! É nisso que dá ter o nariz marrom, viver de joelhos para o Executivo, subordinar a inteligência a um ente de razão. Vocês pediram chicote e vão ter chicote! Serão os coveiros das universidades federais.

Texto originalmente publicado às 18h40 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

09/08/2012

às 21:05

Federação diz que vai à Justiça contra lei de cotas. Ou: Dilma vai sancionar uma lei populista e mixuruca, contra os pobres

Pois é… Elio Gaspari, convertido, tardiamente, no novo Marat do jornalismo brasileiro, um verdadeiro “amigo do povo”, dirá, na sua metáfora de hábito, que mistura luta de classes com engenharia civil, que o “andar de cima” começa a ficar inquieto com as conquistas do povo, vindas, desta vez, de modo improvável, pelas mãos da deputada Nice Lobão (PSD-B-MA). Por que essa introdução? Leiam o que informa a VEJA Online, com Agência Estado. Volto em seguida.

*
A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) afirmou, nesta quinta-feira, que pretende entrar com uma ação na Justiça para questionar a nova Lei das Cotas para faculdades federais. (ver posts a respeito).
(…)
A presidente da Fenep, Amábile Pacios, disse que a lei desrespeita a igualdade de acesso que deve existir para toda a população. De acordo com Amábile, caso a sanção ocorra, o governo federal vai reconhecer que oferece um ensino público de má qualidade, incapaz de preparar seus alunos para o vestibular. “As escolas particulares deveriam ser uma escolha da família e, no Brasil, é a única opção para os alunos que desejam ser aprovados em vestibulares mais rigorosos, como o das universidades federais. A lei não só desrespeita a igualdade de acesso como facilita a entrada de apenas uma parcela dos estudantes brasileiros”, argumentou Amábile.

A presidente Dilma Rousseff tem 15 dias para sancionar o texto, que também foi rebatido pelos reitores das universidades federais. Eles alegam que a medida fere a autonomia universitária.

Voltei
Pronto! Como? Associação de escolas particulares? Os fiéis de Aiatoelio sentem aí o cheiro da, como é mesmo?, “demofobia”. Que se danem aqueles que decidiram se lascar para pagar ensino privado porque estavam insatisfeitos com a baixa qualidade do ensino público. Muitos estudantes, atenção!, trabalham durante o dia para poder cursar escolas privadas. Não estão de olho exclusivamente no exame vestibular, não! É que pretendem, de fato, aprender mais do que o estado lhes oferece. A lei é asquerosa, presidente Dilma!

É asquerosa porque não procura qualificar a escola pública para que seus estudantes tenham condições de competir com os outros; não qualifica as escolas públicas para, inclusive, atrair de volta os alunos das escolas particulares. Ao contrário: o estudante terá direito especial simplesmente por pertencer à escola pública que há, com todos os seus defeitos — que passarão, com medidas como essa, à condição de insanáveis.

A universidade não vai fazer milagres. Como demonstram os números, em 10 anos, cresceu de maneira explosiva o número de universitários semianalfabetos — santo Deus! — de 2% para 4%. Nada menos de 34% não são plenamente alfabetizados!!! Há 10 anos, eram 21% (já um escândalo).

O nome disso, senhora Dilma Rousseff, é populismo — vagabundo e mixuruca, como todos os populismos. E, a exemplo de todos, prejudica os pobres. Se a senhora sancionar essa porcaria, estará condenando a escola pública ao lixo eterno, além, obviamente, de produzir brutais injustiças e esmagar a autonomia universitária.

Por Reinaldo Azevedo

06/08/2012

às 21:22

Docentes da Universidade Federal de São Paulo mantêm greve

No Globo Online:
Os professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram hoje (6), em assembleia, manter a greve. Eles irão apresentar uma contraproposta ao Ministério da Educação e cobrar a reabertura das negociações. As demais associações de professores de universidades federais deverão apresentar até a próxima quarta-feira, dia 8, o resultado das assembleias.

De acordo com a Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), a adesão nos seis campi da universidade é alta, com exceção dos cursos da Faculdade de Medicina, onde as aulas, principalmente dos alunos nos últimos anos do curso, e da pós-graduação, estão ocorrendo normalmente. “Decidimos não prejudicar ainda mais os alunos da medicina que estão nos últimos anos do curso”, destacou a presidenta da Adunifesp, Virginia Junqueira.

A Agência Brasil esteve em dois dos seis campi da Unifesp na tarde de hoje. No campus de Osasco (SP), onde a reportagem não foi autorizada a entrar, havia pouca movimentação de professores e funcionários. De acordo com os seguranças da unidade, alguns alunos estiveram no período da manhã no local. A reitoria da Unifesp não soube precisar a adesão à greve na unidade.

Na faculdade de medicina, na Vila Mariana, em São Paulo, parte das aulas ocorrem normalmente. As disciplinas ministradas para alunos que estão próximos a formatura, ou já fazendo estágio, estão normais. O Hospital São Paulo, da Unifesp, estava funcionando normalmente. A área de pós-graduação da faculdade também está com funcionamento parcial.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

24/07/2012

às 19:59

Governo cede de novo e faz nova proposta a professores das federais

O governo fez uma nova proposta aos professores, informa o Estadão Online, cedendo pela segunda vez. Leiam o que informa Eugênia Lopes:

O governo federal apresentou na tarde desta terça-feira, 24, a sindicalistas uma contraproposta para reestruturar o plano de carreira dos professores das universidades federais e de instituições de pesquisa, concedendo um reajuste de 25% a 45% ao longo dos próximos três anos. Na proposta apresentada no último dia 13, esse reajuste variava de 16% a 45%. Com esse recuo, o governo espera que os professores suspendam a greve nas universidades e instituições de pesquisa.

O governo também atendeu a uma outra reivindicação da categoria e concordou em antecipar o aumento que começaria a valer no mês de julho de 2013, de 2014 e de 2015 para o mês de março desses anos. Integrantes de sindicatos informaram que o impacto no Orçamento com os novos porcentuais será de R$ 4,2 bilhões. Antes de ceder às reivindicações, o impacto estimado seria de R$ 3,9 bilhões. Os professores deverão dar uma reposta se aceitam ou não a contraproposta do governo até a próxima segunda-feira, 30. A reunião entre governo e professores continua no Ministério do Planejamento.

Por Reinaldo Azevedo

24/07/2012

às 6:11

Governo e grevistas das federais: Dilma não cede a reivindicação que ela aplaudiu em SP quando o alvo era Serra. Ou: O Encontro de dois atrasos

Espalhem este texto por uma questão de didatismo. É preciso deixar claro como age o PT quando está no governo e quando está na oposição!

E lá se foi mais uma reunião entre o governo e os representantes dos professores das universidades federais, que estão em greve há mais de dois meses. Nesta terça, haverá uma nova reunião, mas Sérgio Mendonça, secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, afirmou que o acordo ainda está distante. O governo sustenta que o reajuste prometido já significa um gasto extra de R$ 3,9 bilhões nos próximos três anos.

“O governo tem que responder. A categoria está insatisfeita com a proposta apresentada. Se os professores continuam em greve, a responsabilidade é dele. Nossa greve não é ilegal, quem não avança é o governo”, afirmou ao jornal O Globo Marinalva Oliveira, presidente do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior).

É, minhas caras, meus caros, a negociação entre as lideranças do movimento grevista e o governo é, assim, uma espécie de confronto de dois atrasos… Por que escrevo isso? Bem, o governo é o principal responsável pelo impasse porque não se apressou em propor o prometido plano de carreiras, investiu de maneira irresponsável no inchaço das universidades federais e não pôde arcar com os custos de infraestrutura. Obra do genial Fernando Haddad, o queridinho de boa parte da imprensa paulistana.

Mas é evidente que a pauta de reivindicações dos sindicalistas traz o indisfarçável cheiro da naftalina das esquerdas d’antanho. Leiam esta outra declaração de Marinalva ao Globo:
“O governo achava que a proposta apresentada é um avanço, mas ela desestrutura a carreira. Queremos a correção das distorções salariais. Se um professor tem a mesma função, tem que ter o mesmo reajuste. A proposta atual é pior do que [a progressão de carreira] a que existe hoje; exige critérios de produtividade para progredir na carreira”.

Entenderam o busílis? A liderança do movimento grevista é contra uma coisinha básica, presente em todas as instituições e sociedades contemporâneas: a promoção por mérito. E o ministro Aloizio Mercadante, de modo acertado (nesse particular), afirma que esse é um fundamento irrevogável da proposta. Xiii, ele tem problemas com essa palavra, né?

Lembram-se da Apeoesp?
O interessante, morbidamente engraçado, nessa história é que, em São Paulo, a Apeoesp, sob o comando do PT, comandou, em 2010, uma verdadeira guerra contra o programa de qualificação dos professores, que prevê a promoção por mérito. Está na raiz das tentativas de greve que o sindicato tentou, sem sucesso, comandar no estado.

Dilma, agora, não quer ceder a uma reivindicação dos professores das universidades federais que ela aplaudiu em São Paulo, quando candidata à Presidência. Mais do que aplaudiu: recebeu a notória Bebel, presidente da Apeoesp, um dia depois de essa grande líder ter comandado uma manifestação de rua cobrando de Serra justamente o que os professores das federais cobram agora da governanta: o fim da promoção por mérito. Uma observação se faz necessária em nome da precisão: a pauta de Bebel era só pretexto. Ela fazia mesmo era campanha eleitoral — foi multada pelo TSE por isso.

Os professores das federais, ao menos, reconheça-se, têm uma pauta equivocada, mas não estão participando de uma conspirata eleitoreira.

Texto publicado originalmente às 22h27 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

19/07/2012

às 18:52

Imprensa agora atua como dedo-duro do petismo

No post anterior, trato da conversa mole de Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, sobre as universidades federais. Ele comentou outro tema. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida:

Haddad também criticou membros da juventude do PSDB que organizaram um protesto durante sua caminhada na quarta-feira pela região do Brás, no centro da capital, sem se identificarem como tal. No ato, Victor Ferreira, de 22 anos, e Marcos Saraiva, de 20, interromperam o candidato do PT com cartazes criticando a greve nas universidades federais. “Como vou pensar novo sem educação?”, perguntava um deles. Questionado se apoiava algum candidato, Ferreira preferiu não responder e o grupo rapidamente se dispersou. Mais tarde, Ferreira foi identificado como secretário da juventude do PSDB e Saraiva, como conselheiro político da juventude estadual do partido.
“Não considero adequado nossos adversários se organizarem para criar embaraços artificiais. De nossa parte, vamos manter um alto nível de campanha, sem esse tipo de expediente, que não serve à democracia e pode gerar incidentes desnecessários”, afirmou Haddad.

Voltei
Vamos ver. Quantas vezes vocês já viram adversários do PT ser cercados — em alguns casos, literalmente — por “manifestantes”? A Internet está aí. Pesquisem. O jornalismo jamais se interessou em saber a filiação partidária dos que protestavam. Nunca! Petistas das universidades são “estudantes”; petistas da Apeoesp são “professores”; petistas da CUT são “trabalhadores”. E olhem que eles organizam verdadeiras blitzen contra adversários. São tratados sempre como cidadãos mobilizados em defesa de causas.

Pois bem… Bastou que três tucanos resolvessem fazer algumas indagações a Haddad — nada agressivas —, e lá estava o jornalismo diligente a acusar: “São tucanos! São tucanos disfarçados! Nem mesmo se identificam!” Um peso e duas medidas. Qual é o meu ponto? Por mim, todos são devidamente identificados. Quando os petistas organizarem “protestos” contra seus adversários, que se deixe claro, afinal de contas, quem é quem.

Já informei aqui, por exemplo, que as manifestações mais agressivas de servidores em greve são coordenadas por PSTU e PSOL. Os leitores têm o direito de saber. Se vão achar isso bom ou ruim, aí é com eles.

Para arrematar: a que “situação artificial” Haddad se refere? Cinquenta e sete universidades federais em greve são ou não um problema real? Artificial foi o silêncio que se fez no ano passado, diante de uma greve que durou mais de quatro meses.

Por Reinaldo Azevedo

19/07/2012

às 18:35

Haddad, o homem do “empoderado”. Ou: Tatibitate verboso e falta do que dizer

Eita!

Quando não restar mais nenhuma desculpa, evoque a democracia. Parece ser essa a divisa de Fernando Haddad, candidato do PT à Prefeitura de São Paulo e ex-ministro da Educação. Em sua gestão se armou a bomba-relógio das universidades federais, que agora explodiu. Indagado sobre a greve, informa Bruno Lupion, no Estadão Online, ele afirmou que o movimento “faz parte da vida democrática” e que pode haver  “um descompasso entre as iniciativas do governo e as iniciativas dos sindicatos para chegar a um acordo”. Huuummm… O Conselheiro Acácio aplaudiria de pé.

Haddad foi além: “O Ministério da Educação está hoje empoderado pela presidenta para chegar a um acordo, e o recurso que foi colocado sobre a mesa é um recurso importante para a universidade. Com bom senso, vamos chegar a um entendimento”.

“Empoderado”??? A palavra existe, sim. Designa algo ou alguém que foi dotado por um ente ou por um superior de especial poder para fazer determinada coisa. É… Quanto mais alguém se aproxima de uma dicção de exceção, menos tem a dizer, não é mesmo? E menos acaba dizendo.

Dilma não precisa “empoderar” o Ministério da Educação, que “empoderado” está, por sua própria natureza, para resolver questões atinentes à educação. Ou não? Ou estará agora a soberana recorrendo a medidas excepcionais para resolver a crise na educação? O tatibitate verboso de Haddad busca desviar o interlocutor do óbvio: a situação lastimável de boa parte das universidades federais no Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2012

às 21:17

Mercadante diz que “não há margem” para ir além na proposta a professor

Por Vitor Matos, do Portal G1:
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça (17) que “não há margem fiscal para ir além” da proposta de aumento que o governo ofereceu aos professores federais em greve. Na semana passada, o governo apresentou novo plano de carreira e reajuste de até 45%, mas parte da categoria é contra. “O valor da proposta [tem impacto] de R$ 4 bilhões. Não há margem fiscal para ir além”, afirmou o ministro, após participar, em Brasília, de reunião com 42 reitores de universidades em greve.

Os professores têm de entender o momento pelo qual o país passa e que outros servidores não tiveram aumento” Aloizio Mercadante, ministro da Educação Mercadante enfatizou a dificuldade que o governo tem de conceder aumento em um momento como o atual, de crise financeira no mundo.

“O governo tem priorizado enfrentar a crise e preservar o emprego de quem não tem estabilidade. [...] Os professores têm de entender o momento pelo qual o país passa e que outros servidores não tiveram aumento”, disse Mercadante. Na reunião, de acordo com o ministro, ele ouviu dos reitores o pedido de antecipação, por parte do governo, do reajuste dos professores, previsto para vigorar a partir de 2013. “Não tenho, da área econômica, resposta sobre antecipação dos salários”, respondeu o ministro.

Mercadante afirmou que um grupo de trabalho, formado pelos reitores das federais, vai ser criado para apresentar propostas sobre pontos da carreira para os quais o governo está “aberto a consultas”, segundo o ministro. Um deles diz respeito às 12 horas-aula que o docente deve cumprir por semana. Alguns dos reitores presentes à reunião argumentaram que professores envolvidos em projetos de pesquisa deveriam cumprir carga horária menor em sala. O grupo tem até 90 dias para apresentar suas propostas. Outro tema que ainda está em debate, de acordo com Mercadante, é a formulação de um método para avaliar individualmente o professor.

O ministro ressaltou, no entanto, que o governo não vai abrir mão da titulação como mecanismo de ascenção na carreira. Titulação é a exigência de títulos, como mestrado e doutorado, para ascensão na carreira. Alguns sindicatos de professores têm reclamado do critério. ” Não vamos recuar em tirar a titulação para fazer acordo sindical”, afirmou o ministro. Para Mercadante, a titulação é garantia de “universidade de excelência”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2012

às 16:57

Milagres da dupla Apedeuta-Haddad: 2,4 milhões de universitários quase alfabetizados e 255 mil quase analfabetos! Tudo com o seu dinheiro!

A herança maldita da dupla Luiz Inácio Apedeuta da Silva-Fernando Haddad no ensino superior não será vencida no curto prazo. Marcará o setor por muitos anos porque certas armadilhas não serão facilmente desmontadas, especialmente aquelas que juntam o populismo à incompetência. É evidente que já havia problemas no ensino superior antes de o PT chegar ao poder. Mas eles se tornaram mais agudos, e a solução ficou mais distante porque, como sempre, Lula empenhou também o futuro em suas não-soluções.

A crise que toma conta das universidades federais, em greve há 60 dias, decorre não do crescimento da área ou das “dores do parto”, no clichê dramático do ministro Aloizio Mercadante. Decorre do inchaço irresponsável. Era preciso pôr mais alunos da universidade pública federal? Digamos que sim. Mas forçoso seria fazê-lo com qualidade, ou haveria o que antevi há alguns anos: a “supletivização” do ensino universitário, uma espécie, assim, de “Madureza” (lembram-se dela?) do terceiro grau. Ela está aí.

Dada a realidade salarial do Brasil, os professores (ver post anterior) estão longe de viver uma situação miserável. Cumpre, também, não absolutizar, se me permitem a palavra, a pauta de reivindicações, mas é evidente que os problemas que aí estão decorrem na falta de planejamento, da pressa e do atabalhoamento. Lula e Haddad trabalharam para fazer volume, não para qualificar o ensino universitário. Se salários e plano de carreira são as questões mais candentes porque determinam, afinal, se os professores voltam ou não ao trabalho, não se pode dizer que sejam as mais sérias. Grave mesmo é a falta de infraestrutura de boa parte das universidades federais. Os hospitais universitários, com uma exceção ou outra, são verdadeiros pardieiros. Não satisfazem as necessidades nem dos pacientes nem dos alunos. Numa universidade, há esgoto a céu aberto; na outra, faltam luz e água; uma terceira fica num descampado — o asfalto não chega até os muros da instituição. Em boa parte delas, faltam prédios para abrigar os cursos. O país passará os próximos anos tentando suprir essas lacunas. Lula “criou” as suas universidades para que outros não pudessem criar mais nenhuma.

O voluntarismo populista é parceiro da irresponsabilidade. Em passeio ontem pela Zona Leste de São Paulo, Fernando Haddad, este incrível falastrão, ao responder a uma moradora que reclamou das supostas dificuldades de ingressar no ensino superior por intermédio do ProUni, afirmou que só não há uma universidade federal na região porque a Prefeitura teria criado dificuldades. Atenção! É MENTIRA, MAS PODERIA SER VERDADE, ENTENDERAM? Este senhor jamais conseguiria explicar, e isso não lhe é perguntado, por que, em vez de melhorar as condições lastimáveis do campus da Unifesp de Guarulhos, ele criaria um novo na Zona Leste. Ou por outra: Haddad acha que não espalhou subuniversidades federais o suficiente. Esse sujeito é uma piada!

No dia 4 de maio, pouco antes de ter início a greve nas federais — e lembro que, no ano passado, elas ficaram paradas mais de quatro meses —, o Apedeuta recebeu títulos de Doutor Honoris Causa às baciadas. Foram conferidos em conjunto pelas instituições públicas localizadas no estado do Rio: Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense) e UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

No discurso, como apontei aqui, esmerou-se na mentira. Afirmou ter chegado ao poder com 6 milhões de universitários no país. Já seriam, disse, 12 milhões. Os números reais, segundo o Censo Universitário feito pelo MEC, sob o comando de Fernando Haddad, que estava presente, são estes: havia, em 2001, 3 milhões de estudantes matriculados nas universidades do país; no fim de 2010, eram 6,37 milhões — quase a metade do que Lula alardeou. Atenção! 14,7% desse total (quase um milhão de alunos) estão matriculados na modalidade “ensino à distância”. Com raras exceções, esse troço virou um caça-níqueis ainda mais vantajoso do que instituições de ensino meia-bomba que vendem suas vagas para o ProUni. Não passa de picaretagem! Mas sigamos. A meta do Plano Nacional de Educação, estabelecida em 2000, era chegar a 2010 com 33% dos jovens de 18 a 24 anos na universidade. Segundo o Censo, o governo do Apedeuta ficou bem longe disso: apenas 17,4%. Como? Petistas não acreditam em mim? Faz sentido. Então acreditem nos números postos no portal do MEC, com foto de Fernando Haddad e tudo (aqui).

Ou por outra: o governo não cumpriu a meta, e a expansão ocorreu à matroca. O crescimento se deu em boa parte do ensino público privado de baixa qualidade. O espírito que animou a ação, na hipótese de ter havido um, foi este: “Vamos lá, vamos crescer, vamos fazer volume; da quantidade se fará a qualidade!” Fez-se? Não! O mal que assola os ensinos fundamento e médio chegou de forma avassaladora ao ensino universitário. Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. Vejam quadro.

analfabetismo-universitario2

Em 2001/2002, 2% dos alunos universitários tinham apenas rudimentos de escrita e leitura. Em 2010, essa porcentagem havia saltado para 4%. Vale dizer: 254.800 estudantes de terceiro grau no país são quase analfabetos. Espantoso? Em 2001/2002, 24% não eram plenamente alfabetizados. Um número já escandaloso. Em 2010, pularam para 38%. Isso quer dizer que 2.420.600 estudantes do terceiro grau não conseguem ler direito um texto e se expressar com clareza. É o que se espera de um aluno ao concluir o… ensino fundamental!

E agora?
Cabe a este governo (não está fazendo isso também!) e aos próximos corrigir a herança maldita de Lula. Não dá para saber o volume de recursos necessários para dotar as federais da infraestrutura adequada. A relação do poder público com instituições privadas tem de mudar, mas se trata de uma operação delicada porque o Estado brasileiro, por intermédio do ProUni, se transformou num comprador e repassador de vagas se cursos de baixa performance, levados adiante apenas na base da saliva. A demanda é grande e passou a se confundir com um dos “direitos básicos” da população. E agora?

Entendam: os outros terão de corrigir as irresponsabilidades da dupla Lula-Haddad. O Apedeuta correu para o abraço, alardeando seus números milagrosos. Os outros que se encarreguem agora de tornar realidade as suas fantasias: custa caro e rende mais desgaste do que votos. Lula sempre preferiu os votos ao desgaste…

Durante oito anos, bem poucos se atreveram — modestamente, estive entre os poucos — a perguntar em que condições se dava a expansão do ensino universitário. Ao contrário até: alguns colunistas se esmeravam, e se esmeram ainda, em anunciar a grande revolução feita pela dupla Lula-Haddad. Eis o milagre da multiplicação de analfabetos de terceiro grau. Lula e a universidade, em suma, é a metáfora do cruzamento malsucedido de uma vaca com um jumento. O híbrido nem puxa carroça nem dá leite.

Por Reinaldo Azevedo

17/07/2012

às 15:15

Greve nas federais faz 2 meses com impasse longe do fim

Na VEJA Online:
A greve dos professores de universidades e institutos federais de ensino superior completa dois meses nesta terça-feira, com 95% das instituições paralisadas e um impasse entre grevistas e o governo federal que parece longe do fim. Os professores de 57 das 59 universidades federais do país estão com os braços cruzados. As mais recentes instituições a aderir à greve foram a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Apenas a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) não interromperam as atividades, segundo balanço do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). A greve atinge ainda 34 dos 38 institutos federais, dois centros de educação tecnológica e 14 unidades do Colégio Pedro II, localizadas no Rio de Janeiro. O sindicato classifica a greve como a maior da história em número de adesões.

Na última sexta-feira, o governo propôs reajuste salarial e mudanças no plano de carreira dos professores, a vigorar a partir de 2013. O Andes, contudo, criticou veementemente as propostas dizendo que o governo “faz um jogo de números maquiados”, consolidando uma “soma de distorções”. Por meio de documento enviado às seções sindicais filiadas, o sindicato pede que os professores rejeitem a proposta e mantenham a paralisação. “A tarefa é manter e radicalizar a greve, o que significa intensificar o movimento e desmascarar a proposta do governo”, diz o comunicado. Do outro lado, o governo pede o fim da paralisação e reitera a greve como “precipitada”.  

A história ainda terá novos capítulos. Para quarta-feira, os professores prometem uma manifestação em Brasília. Ao longo de toda a semana, as seções sindicais de cada estado devem realizar assembleias locais para avaliar e votar as propostas. Na próxima segunda-feira, os docentes devem apresentar uma contraproposta em nova reunião com o governo.   

Impasse - A greve teve início no dia 17 de maio com professores de 33 instituições federais de ensino superior. À época,o ministro da educação, Aloizio Mercante, minimizou a paralisação e chegou a comparar os problemas de infraestrutura das federais às “dores do parto”.

A primeira reunião de negociação aconteceu no dia 13 de junho. Na ocasião, o Ministério do Planejamento propôs a reestruturação da carreira docente tomando como referência de remuneração a carreira de servidores do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta, contudo, foi rejeitada pela categoria. Uma segunda reunião, prevista para o dia 19 de junho, foi cancelada pelo governo, sem justificativas. Na última quarta-feira, o Andes protocolou uma carta no Palácio do Planalto dirigida à presidente Dilma Rousseff pedindo a retomada do diálogo. Na sexta-feira, Mercadante e a ministra Miriam Belchior, do Ministério do Planejamento, se reuniram com os professsores. 

Pela proposta apresentada, o salário inicial do professor com doutorado e regime de dedicação exclusiva será de 8.400 reais ao final de três anos – os aumentos serão graduais no período. Os vencimentos dos docentes que já estão na universidade, com título de doutor e dedicação exclusiva, passarão de 7.300 reais para 10.000 reais. Por fim, também ao final de três anos, os salários de professores titulares com dedicação exclusiva passarão 17.100 reais, antes os 11.800 reais pagos hoje. Isso representa um aumento de 45% em termos nominais, mas não considera a inflação futura (confira aqui a proposta completa). O governo também aceita reduzir de 17 para 13 os níveis de carreira, como é exigido pelos docentes.

Para os institutos de educação, ciência e tecnologia, o governo afirma que, além da possibilidade de progressão pela titulação, haverá um novo “processo de certificação do conhecimento tecnológico e experiência acumulados” (confira aqui a proposta completa). O governo afirmou que os valores anunciados já incluem o reajuste de 4% à categoria garantido por uma medida provisória editada pelo governo federal em maio deste ano. Segundo Miriam Belchior, o reajuste vai custar 3,9 bilhões de reais ao orçamento federal.

Críticas – Já o Andes alega que a proposta toma como base os salários de julho de 2010 e projeta um resultado para 2015, omitindo a inflação do período – superior a 35%. Outra crítica é de que a proposta apresenta apenas ganho real para a classe de professor titular, topo da carreira, que hoje representa menos de 10% da categoria. “A proposta não é atrativa para todos os níveis de professores. Eles não têm garantia de uma remuneração adequada e constante”, diz Marinalva Oliveira, presidente do sindicato. 

Os docentes reivindicam reestruturação da carreira, com valorização da atividade acadêmica, baseando-se no tripé ensino, pesquisa e extensão. Em vez dos atuais 17 níveis de remuneração, pedem 13, com variação salarial de 5% entre eles e piso de 2.329,35 reais para 20 horas semanais de trabalho. Hoje, é de 1.597,92 reais. Além disso, querem dedicação exclusiva como regime preferencial de trabalho e pleiteiam carreira única para os professores federais – sem distinção entre magistério superior e magistério do ensino básico, técnico e tecnológico.

Outro ponto está relacionado a melhores condições de trabalho e infraestrutura. Eles criticam a processo de “precarização” vivido pelas universidades como consequência, principalmente, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado pelo governo federal em 2007.

Muitas universidades expandiram o número de alunos sem que houvesse infraestrutura adequada. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, aumentou em 520% o número de vagas, mas faltam laboratórios, refeitórios e até salas de aula nos novos campi criados. No Rio de Janeiro, a expansão acontece em universidades de lata. No interior do estado, contêineres servem de sala de aula e de depósito para material que deveria servir para cursos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre 2007 e 2011, o Ministério da Educação (MEC) repassou 4,4 bilhões de reais às federais para obras do Reuni. Contudo, um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponta atraso em uma de cada quatro construções avaliadas.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

29/06/2012

às 6:25

Quem paga o pato — Greve das universidades federais afeta atendimento em pelo menos 16 hospitais públicos

Por Fernanda Basstte e Ocimara Balmant, no Estadão:
A greve de professores e técnicos das universidades federais, que já dura 42 dias, deixou de ser um problema exclusivo da educação e passou a afetar também a saúde. Isso porque ao menos 16 hospitais públicos vinculados a essas universidades suspenderam parte do atendimento.

Embora o atendimento de urgência e emergência continue sendo realizado pelos hospitais, vários deles cancelaram consultas e cirurgias eletivas e decidiram não fazer novos agendamentos por tempo indeterminado.

O Estado ligou para as 42 universidades federais que possuem cursos de medicina e que, teoricamente, têm um hospital universitário vinculado. Todas estão em greve, mas nem todas possuem hospital próprio.

O Hospital de Clínicas vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, informou que a greve atingiu principalmente a área de exames de diagnóstico. Desde segunda-feira, a unidade suspendeu todas as consultas ambulatoriais agendadas — assim, 1,3 mil pacientes deixaram de ser atendidos diariamente. A medida foi necessária, segundo o hospital, porque a não realização dos exames de diagnóstico impossibilitam o acompanhamento correto do paciente ambulatorial.

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) também está com o atendimento reduzido: só funcionam as UTIs os serviços de urgência e emergência. Helena Vaghetti, diretora-geral do hospital, diz que o atendimento ambulatorial está sendo feito parcialmente — 40% das consultas foram canceladas e são priorizados os casos graves. Cirurgias eletivas também estão suspensas.

Sem atender. A situação no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (UFS) também é preocupante. Segundo Ângela Maria da Silva, diretora-geral, o hospital está funcionando com apenas 30% da capacidade. “A greve nos afetou substancialmente”, afirmou.

A unidade realiza cerca de 10 mil consultas por mês. As consultas estão suspensas e só pacientes que recebem medicamento de uso contínuo estão sendo atendidos (casos de epilepsia, aids ou doenças psiquiátricas). Das quatro salas cirúrgicas, apenas uma está funcionando e dos 20 leitos, apenas 7 estão ocupados. “Essa greve terá um impacto imenso no atendimento. Até o final do ano estamos com a agenda comprometida. Se a greve entrar no mês de julho, com certeza teremos impacto no ano que vem”, afirmou Helena.

O acúmulo de consultas e cirurgias agendadas e não realizadas por causa da greve é a principal preocupação em pelo menos dois Estados. No hospital vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e no Hospital de Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a previsão é de que a espera para esses dois procedimentos (consultas e cirurgias não emergenciais) avance para o primeiro semestre de 2013. Na Ufba, por enquanto, os funcionários do hospital estão se revezando para garantir o atendimento do que já estava previamente agendado.

Em Campina Grande, na Paraíba, o hospital ligado à universidade cancelou as consultas que seriam realizadas por professores da instituição. “Das oito mil consultas que realizamos ao mês, apenas mil são efetuadas pelos professores em greve, então o impacto não é tão grande”, diz a diretora-geral do Hospital Universitário Alcides Carneiro, Berenice Ferreira Ramos.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 20:10

Herança maldita de Haddad – Governo cancela reunião com professores de federais

Professores em greve e alunos da Universidade Federal de Sao Paulo (Unifesp) fazem passeata na Av. Paulista no dia 28 de maio contra o "jeitinho brasileiro" de fazer universidade (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Professores em greve e alunos da Unifesp fazem passeata na Av. Paulista no dia 28 de maio contra o "jeitinho brasileiro" de fazer universidade (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Na VEJA Online:
O governo federal cancelou, nesta segunda-feira, a reunião agendada para terça-feira entre representantes do Ministério do Planejamento, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e outros representantes dos professores de universidades federais. O encontro havia sido marcado na semana passada e poderia pôr fim à greve dos docentes de instituições federais de ensino superior, que já completou um mês.

Uma nova data deve ser divulgada pelo governo. De acordo com o Andes, os representantes do governo federal alegaram que ainda não tiveram tempo para elaborar uma nova proposta que atenda às demandas dos professores. A previsão é que a reunião seja realizada na próxima semana.

Na última terça-feira, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Sérgio Mendonça, pediu uma trégua de vinte dias aos docentes para que fosse apresentado um plano efetivo de reestruturação da carreira. A proposta foi recusada pelos sindicalistas. Mendonça propôs, então, a reunião agora cancelada.

A greve dos professores foi deflagrada no dia 17 de maio, com adesão de 29 instituições. De acordo com o último balanço do sindicato, o número já chega a 55. Eles reivindicam um plano de reestruturação da carreira docente, que teria sido prometido pelo governo federal para março deste ano. Isso inclui o estabelecimento de 13 níveis de remuneração (atualmente são 17), variação salarial de 5% entre eles e piso para a carreira de 2.329,35 reais referente a 20 horas semanais de trabalho (atualmente, o valor é de 1.597,92 reais).

Os professores alegam ainda que as universidades federais têm vivido um processo de “precarização”, consequência da política de “expansão desordenada” iniciada pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) – criado pelo governo federal em 2007. Nesta segunda-feira, 32 das 38 institutos federais de educação superior anunciaram uma paralisação por tempo indeterminado.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2012

às 7:05

Caos se instala em campus de faculdade federal, e esquerdistas começam a bater cabeça. Direção pede socorro à PM, mas tenta negar pedido. Bem, então vamos ouvir as gravações, certo? Nada como matar a cobra e mostrar… a cobra!

A greve de professores no campus de Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e as ações de um grupo radicalizado de estudantes trouxeram à luz (e aos ouvidos) um espetáculo de hipocrisias. Na quinta-feira, pela segunda vez em nove dias, a Polícia Militar teve de entrar na universidade. Na primeira, para cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse, em companhia da Polícia Federal; depois, para conter a violência. Nota: há greve de professores em 55 instituições federais. O campus de Guarulhos, de fato, não oferece condições adequadas à vida acadêmica. E não é de hoje.

Mas que fique claro: não mudei de ideia, não! Repudio manifestações violentas, ocupações e depredação de patrimônio público. Não sou Marilena Chaui. Não sei voar de vassoura. Reivindicar melhores condições de ensino é até uma obrigação; fazer da instituição uma praça de guerra é coisa de vândalos. Se estudante se comporta como bandido, pouco importa se é ou não. O banditismo não é uma imanência. É bandido quem age como tal. Estudantes podem e devem lutar para corrigir a herança maldita deixada por Fernando Haddad nas universidades federais, mas têm de fazê-lo respeitando os direitos fundamentais de outros estudantes, dos professores e dos funcionários. Dito isso, adiante.

Na quinta-feira, a PM interveio na universidade, houve confronto, e alguns estudantes acabaram detidos na Polícia Federal. Muito bem! Na sexta, a diretoria da Unifesp informou ao programa “Bom Dia Brasil”, da Globo, que os policiais agiram por conta própria. Reproduzo o texto:
“A UNIFESP informou que a direção da universidade não chamou a polícia. De acordo com a UNIFESP, um carro passava pela região e foi até lá.”
Ora, quem ouviu ou leu isso ficou com a óbvia impressão de que a PM exorbitou. É mesmo, é? Este blog conseguiu as gravações do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Ouçam esta primeira. Volto em seguida.

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Voltei
Muito bem! Quem primeiro faz a solicitação é Lílian, funcionária da Direção Acadêmica do campus. Em seguida, o próprio diretor da área, professor Marcos Cezar Fortes, reforça o pedido. Notem que Lílian informa que a Superintendência da Polícia Federal — subordinada ao Ministério da Justiça, fez um “acordo” com o comandante da PM em Guarulhos para intervir caso os manifestantes optassem pela violência. Como é que essa mesma direção tem, depois, a cara de pau de afirmar que a PM agiu por conta própria?

Entenderam o busílis? Quando necessário, essa gente faz o certo — que é mesmo chamar a polícia em casos assim. Com receio, no entanto, da patrulha esquerdista e doida para jogar o problema no colo de terceiros, nega o pedido. Ouçam agora uma segunda ligação, com a mesma funcionária (mais ou menos a partir de metade do arquivo). Retomo depois.

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Como vocês ouviram, muito nervosa, ela acusa a violência dos manifestantes — o que é verdade, dados os atos de vandalismo — e o que chama de “cárcere privado”. Diz ainda que não basta uma viatura, mas várias. No terceiro áudio, o Copom reitera aos policiais, com base nas informações que recebeu, a gravidade da situação.

Retomando
Vocês entenderam a lógica? A direção da Unifesp chama a Polícia Militar — e fez muito bem! —, mas pretende esconder a autoria do ato porque, afinal, esse negócio de polícia é coisa da direita — daí ter tentado tirar o corpo fora num jornal de TV de âmbito nacional. Mas a hipocrisia não acaba aí, não!

Há mais. Enviam-me uma carta que circula por aí de uma professora de história da Unifesp chamada Ana Nemi, a que se seguem 11 assinaturas, todas de docentes. Ela explica por que a polícia foi chamada. Atenção! Os métodos empregados pelos violentos da Unifesp não são distintos daqueles postos em prática na USP. Os blogs oficialistas estão reproduzindo a carta da professora, que apoia, sim, a ação da polícia. São os mesmos blogs que censuraram severamente a ação da PM na USP. Entenderam o lixo moral do JEG? Violência contra uma universidade dirigida por petistas é coisa feia e tem de ser reprimida. Violência contra “tucanos” é coisa boa e deve ser incentivada. Leiam a carta da professora. Voltarei para arrematar.
*
Gostaria de me manifestar sobre os episódios recentes no campus Guarulhos, onde funciona a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da UNIFESP.
Ao contrário do que vem sendo veiculado, o que os alunos faziam ali não era ato político pacífico, eles estavam cassando o direito de ir e vir dos professores e funcionários que eles acuaram na Diretoria Acadêmica gritando “invasão”, “invasão”.
O que a polícia fez foi retirar os alunos de lá para que os professores e funcionários ali acuados pudessem retornar do trabalho para suas casas. Quando a polícia chegou eles já haviam vandalizado o prédio quebrando vidros e pichando as paredes que estavam sendo recuperadas dos atos de vandalismos cometidos por eles durante os dias em que ocuparam o campus na semana anterior.
Sendo assim, gostaria de afirmar que também fiz movimento estudantil, também defendi a democracia no exato início dos anos 80 quando, em meio ao apagar das luzes da ditadura e o retorno dos exilados, lembrávamos que Edson Luís morreu para que pudéssemos falar e não para que estudantes das décadas seguintes impedissem colegas, professores e funcionários de uma instituição pública de se manifestarem e de darem aulas.
A polícia não foi chamada para impedir movimento político pacífico, ela foi chamada porque alguns alunos acuaram pessoas da comunidade acadêmica e optaram por tratar questões universitárias, por mais complexas e controversas que sejam, por meio da violência. Exatamente ao contrário do que vem sendo divulgado. A polícia foi chamada, repito, porque esses alunos não respeitam a democracia, a diversidade intelectual, cultural, social e política.
E que não se afirme que o que ocorreu na EFLCH/UNIFESP é precedente para que a polícia ocupe espaços universitários ou que estaríamos importando tecnologia da USP, conforme poucos colegas apressados e desinformados disseram. Estamos lidando com a exceção e, em nome dos princípios democráticos que a exceção pretende suspender, não permitiremos que se torne regra. Assim, não estou advogando a presença da polícia no campus e nem considero aceitável ver alunos feridos ou enfrentando policiais armados.
Mas é bom lembrar que foram os alunos que precisaram chamar a polícia há algumas semanas para que um colega deles que defendia outras ideias saísse escoltado do campus em função das agressões que sofria, exatamente do mesmo grupo de grevistas que acuou parte da comunidade acadêmica na quinta-feira, 14 de junho. O recurso à exceção, portanto, tem partido dos alunos devido às atitudes autoritárias do grupo de alunos minoritário que vem sequestrando o espaço público de debates que vínhamos construindo na EFLCH, infelizmente…
Quero, no entanto, e para finalizar, resistir ao uso político e partidário que vem sendo feito dos problemas decorrentes da construção de um campus de universidade pública. Evidentemente não somos favoráveis ao uso da força como argumento político, por isso repudiamos o grupo de alunos que vem nos acuando violentamente e tentando sequestrar o espaço do campus em favor das pautas eleitorais dos seus pequenos partidos, assim como repudiamos a imprensa que os acolhe sem ouvir aos professores que eles perseguem e caluniam.

Voltei
Endosso, obviamente, boa parte do texto da professora Nemi. Lembro que setores da comunidade uspiana foram submetidos a esse mesmo tratamento pela extrema esquerda que invadiu a Reitoria (no caso da Unifesp, não sei quem comanda as ações). Tudo igual, sem tirar nem pôr. A diferença é que os petistas, em seus fóruns de debate, vibravam com aqueles absurdos. Os blogs sujos babavam de satisfação e atacavam — atacam ainda — o reitor João Grandino Rodas!

Solidarizo-me com a professora, mas estranho parte do seu texto. Sua síntese do que se deu na USP é insuficiente. Diria mesmo que é errada. Existirá, por acaso, alguém favorável a policiais em campi universitários para reprimir alunos? Acho que não! Na USP, não acontece. O patrulhamento da PM nas áreas externas das faculdades visa só à segurança dos estudantes e conta com o apoio da maioria da comunidade universitária. A polícia é boa quando a gente precisa de… polícia, seja para combater traficantes e ladrões que invadem o campus, seja para coibir “sequestradores do espaço público”. É uma gente que não costuma se deixar convencer por Schopenhauer, sabem? Ademais, fiquei curioso: quem estaria fazendo “uso político e partidário” da greve? Até agora, não vi deputados tucanos no campus cantando “Blowin’ in the Wind”… Aliás, eu sinto é falta dos petistas se solidarizando com os alunos, como costumam fazer nas, como é mesmo Marilena Chaui?, “universidades neoliberais” paulistas. Também aguardo ansioso um texto daquele tal Vladimir Safatle, o Lênin de Catalão. O que está esperando para liderar um “occupy Unifesp”?

Eu não tenho um peso e duas medidas. Sou contra esses métodos em qualquer lugar. Mas e “eles”? Haddad censurou a PM quando, obedecendo a uma determinação judicial, ela retirou os invasores da USP. Esse mesmo Haddad nomeou a direção da Unifesp que, está provado, chamou a PM!!! Mais: pertence ao partido do governo que fez um acordo com o Comando da Polícia Militar de Guarulhos para, se necessário, intervir no campus da Unifesp.

Em suma, meu principal problema com os petistas não é achar que seus princípios são errados, mas repudiar a sua absoluta ausência de princípios. É uma espécie de banditismo moral a que polícia nenhuma pode dar jeito.

Por Reinaldo Azevedo

08/06/2012

às 18:55

A herança maldita de Haddad — Alunos e professores acusam reitor de universidade federal criada em 2009 de praticar superfaturamento

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
Um grupo de professores e alunos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) levou ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério da Educação um dossiê acusando o reitor da entidade, José Seixas Lourenço, de superfaturar gastos. O material mostra graves indícios de sobrepreço na compra de equipamentos e na aquisição de lotes pela instituição de ensino. O documento lista 13 itens utilizados em pesquisas que teriam sido comprados por valores inflados.

No total, o acréscimo seria de 1,8 milhão de reais. Em um dos casos, a diferença de preço entre o valor pago e o praticado pelo mercado ultrapassa os 2.000%: um ultrassom avaliado em 15 800 reais foi comprado por mais de 343.000. Há ainda questionamentos quanto à aquisição de três terrenos. Em um dos casos, a universidade pagou 1,2 milhão por um lote que a prefeitura de Santarém avaliara, meses antes, em 238.000.

A Ufopa comprou ainda um terreno de 5 hectares por 4 milhões de reais depois de rejeitar, pelo mesmo preço, a aquisição de um lote de 100 hectares às margens do Rio Tapajós. “As aquisições foram feitas unilateralmente pelo reitor, sem consulta a nenhuma instância colegiada da universidade”, diz o dossiê. Além da comunidade acadêmica, que pede a saída do reitor do cargo, o deputado federal Zé Geraldo (PT-PA) encampou a mobilização contra o comando da Ufopa.

A Universidade Federal do Oeste do Pará foi criada em novembro de 2009 e ainda não apresentou uma prestação de contas sequer. O reitor, José Seixas Lourenço, ocupa o mandato interinamente, enquanto o estatuto da instituição não fica pronto. A demora na convocação de eleições também suscita críticas da comunidade acadêmica.

Tabela aponta superfaturamento em compras da UFOPA: diferença ultrapassa 2000%

Tabela aponta superfaturamento em compras da UFOPA: diferença ultrapassa 2000%

Resposta
A reitoria se diz vítima de “ataques” e nega as acusações de corrupção. A entidade reconhece, entretanto, indícios de sobrepreço em parte das compras e alega ter exigido explicações da empresa responsável pelos equipamentos. Mas, para se defender, alega que a variação nos valores se deve a fatores como o preço do frete e tarifas alfandegárias. A reitoria também rebate a afirmação de que houve irregularidades na aquisição dos terrenos. Diz que a avaliação dos imóveis é feita com base em critérios objetivos. A entidade alega ainda que o terreno de 100 hectares nem mesmo chegou a ser formalmente oferecido à Ufopa.

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2012

às 21:16

PSDB responsabiliza Haddad por greve nas federais

Por Guilherme Waltenberg, da Agência Estado:
Lideranças do PSDB unificaram o discurso nesta terça-feira para atacar a greve de mais de 15 dias que atinge cerca de 80% das universidades federais do País, deixando mais de dois milhões de estudantes sem aulas. Para os líderes tucanos, o responsável por essa crise é o ex-ministro da Educação e atual pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. A atuação do ex-ministro, que chegou a ser classificada de “revolucionária” pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista ao Programa do Ratinho, na semana passada, é considerada precária pelos tucanos e, por isso mesmo, deverá ser utilizada como alvo de críticas pela campanha do tucano José Serra.

A estratégia de utilizar a greve nas universidades federais para criticar a atuação de Haddad no Ministério da Educação mobilizou desde o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, e o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, até lideranças locais em São Paulo, como o vereador Floriano Pesaro. “Ele (Haddad) terá muito a explicar, até porque deixou o governo para disputar uma eleição”, criticou Dias. Para o líder do PSDB no Senado Federal, durante o tempo em que Haddad foi ministro, não houve planejamento no setor e sobraram planos eleitoreiros: “Muito marketing para pouco resultado.”

Em entrevista à Agência Estado, Sérgio Guerra classificou de “fraudulento” o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), desenvolvido por Haddad quando era ministro. “(O programa) foi anunciado de uma forma que não se confirmou, é fraudulento. A universidade do ABC, com problemas de gestão e logística, teve evasão de 42% (dos alunos) no ano passado. A gestão dele não o credencia a ser prefeito nem sequer a continuar como ministro. O que ele desenvolveu, nem o ENEM nem o Reuni, não convence ninguém”, disse o presidente nacional da sigla.

Para o vereador Floriano Pesaro, Haddad criou “universidades de papel”, sem recursos e em locais que faltam até água. Ao listar os problemas enfrentados pelos estudantes em universidades de todo o País, o tucano destacou que a gestão de Haddad chegou a inaugurar, em Guarulhos, universidades sem salas de aula e sem infraestrutura. E questionou o projeto de vereadores do PT de condecorar Haddad com a medalha Anchieta, a mais alta honraria do município: “Tenho argumentado que isso é uma afronta aos professores das universidades federais, que estão 80% parados. Isso faz parte do marketing eleitoral do PT, sempre criando factoides, são cidades cenográficas.”

Sérgio Guerra chegou a fazer um comparativo das gestões de José Serra, como ministro da Saúde, e de Haddad, como titular da Educação. “Se (Haddad) tivesse sido um ministro da Educação como o Serra foi da Saúde, teria sido perfeito.” E garantiu que o tucano convenceu não apenas os aliados, mas também os adversários quando esteve no comando deste ministério. E continuou nas críticas ao petista: “A greve (das universidades federais) é uma marca registrada de Haddad.” Em seguida, questionou a legitimidade da candidatura do afilhado político do ex-presidente Lula: “Haddad não tem legitimidade. Não foi escolhido em prévias. (Foi escolhido pela) falta de democracia do Lula.”

Por Reinaldo Azevedo

05/06/2012

às 19:45

Estudantes protestam em apoio a professores de universidades federais em greve, quebram vidraças do MEC e conhecem o gás de pimenta pedagógico de Agnelo Queiroz

Pois é… A Polícia Militar do Distrito Federal deu umas bordoadas, temperadas com gás de pimenta, num grupo de estudantes que organizava um protesto em frente ao prédio do MEC, em Brasília, em apoio à greve de professores de 46 universidades federais e dois institutos técnicos. Os manifestantes jogaram pedras contra as janelas e quebraram quatro vidraças, segundo informa o Correio Braziliense. Daniel Iliescu, presidente da UNE, atribuiu a ação a uma minoria. Lucas Brito, no entanto, aluno de serviço social da Universidade de Brasília e membro da Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (Anel), tem outra versão. Disse ao jornal que a decisão de invadir o MEC foi da maioria, inconformada por não ter sido recebida pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ele acusou truculência da PM: “A ação da polícia foi totalmente intransigente; jogaram spray de pimenta e bateram com cassetete. Teve gente que foi parar no hospital”.

Não! Tio Rei não apoia essas coisas, de jeito nenhum! Nem greve de professores nem depredação do patrimônio público. Nunca! É contra, seja o governo petista, tucano ou, sei lá, anarco-sindicalista, compreenderam? O que me fascina é outra coisa. Onde estão os parlamentares petistas para dar apoio aos estudantes? Quando um grupo de delinquentes políticos ocupou a Reitoria da USP e tentava manter, na base da violência, uma greve contra a vontade da maioria, lá estavam os bravos petistas, prontos para acusar a suposta truculência do governo Alckmin. E olhem que, no caso da Universidade de São Paulo, não se reivindicavam melhores condições de trabalho nem se acusava deficiência da infraestrutura. Os valentes protestavam contra a… presença da PM no campus, entenderam? Era a extrema esquerda se juntado à quadrilha da fumaça contra o estado de direito. Quando a PM decidiu retirar os invasores da Reitoria — meia-dúzia de aloprados —, ninguém sofreu, felizmente, um único arranhão.

Mercadante criticou de novo nesta terça a greve dos professores. Ele se encontrou com representantes da Andes (Sindicato Nacional dos Servidores das Instituições de Ensino Superior) e disse que o Ministério do Planejamento retoma as negociações no começo da semana que vem. O ministro também comentou a ação dos estudantes, segundo informa a Folha: “É próprio de estudantes participar de manifestação, [mas] quebrar vidro não faz parte de manifestação e não é necessário. Ninguém pediu audiência aqui. (…) Eu imagino que tenha sido ou falta de experiência ou problema de excesso, que às vezes faz parte da juventude”.

Que se saiba, não deu declaração nenhuma sobre a aplicação pedagógica do gás de pimenta, a que recorreu a PM do Distrito Federal, governado pelo petista Agnelo Queiroz. É que essa substância, quando usada pelas forças do PT, está a serviço, naturalmente, do poder popular e da redenção das massas. Só é a mais pura expressão do reacionarismo quando a polícia está sob o comando de algum adversário do partido.

Por Reinaldo Azevedo
 

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