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trem-bala

12/08/2013

às 18:49

Trem-bala é o delírio megalômano de Dilma; em novembro de 2010, reportagem de VEJA denunciou que governo omitiu estudo provando que obra custaria o dobro

A boa notícia: o leilão do trem-bala foi adiado de novo. A má: a presidente Dilma Rousseff ainda não desistiu dessa ideia ridícula. É estupefaciente que, dada a realidade brasileira — muito especialmente os protestos de rua, organizados particularmente contra o desastre que é a mobilidade urbana no país —, ela insista nesse delírio megalômano.

Está tudo errado nessa história, a começar do desembolso de dinheiro público. O Estado arcaria com 80% do custo — 10% seriam do Tesouro, e 80%, do BNDES, que acabarão sendo também… do Tesouro, como já virou rotina. Atenção! Sabem por que o leilão foi adiado de novo? Porque a iniciativa privada não comparece. Insista-se: ela foge de uma parceria em que entraria com 20% dos investimentos — e, ainda assim, com a garantia de empréstimo de dinheiro público.

Como as empreiteiras sabem ganhar dinheiro — ou não? —, há algo de profundamente errado nesse troço. E o erro principal, ouve-se a uma só voz, está na subestimação do custo total da obra: o governo fala em R$ 33 bilhões. As empreiteiras calculam que será pelo menos o dobro. Num artigo sobre o assunto, o ex-governador José Serra listou os custos que o governo esqueceu de incluir em seu orçamento (em azul):

“(…) não incluíram reservas de contingência, não levaram em conta os subsídios fiscais e subestimaram os custos das obras, como os 100 km de túneis, cujo custo foi equiparado aos urbanos. Esqueceram que os túneis para os TAVs são bem mais complexos, dada a velocidade de 340 km por hora dos trens; além disso, longe das cidades, não contam com a infra-estrutura necessária, como a rede elétrica, por exemplo. Foram ignoradas também as intervenções necessárias para o acesso às estações do trem, caríssimas e não incluídas naqueles R$ 60 bilhões. Imagine-se o preço das obras viárias para o acesso dos passageiros que fossem das zonas Sul, Leste e Oeste de São Paulo até o Campo de Marte!”

Escondendo a verdade
Em novembro de 2010, VEJA publicou uma reportagem sobre o trem-bala. A revista descobriu que o governo dispõe, sim, desde 2009, de um alentado estudo demonstrado que o projeto de Dilma custará, atenção, R$ 63,4 bilhões. Reproduzo trecho. Volto em seguida:

“Em abril de 2009 (cinco meses antes, portanto), a Sinergia e a Halcrow apresentaram ao governo um primeiro relatório econômico em que afirmavam que a obra custaria muito mais: 63,4 bilhões de reais, quase o dobro do que está sendo anunciado. É normal que, depois de entregar uma estimativa de custos, uma consultoria decida fazer um ou outro ajuste em seus números para aumentar o seu grau de precisão, mas são mudanças pontuais. Não há justificativa no universo da engenharia que faca uma obra orçada em 63,4 bilhões de reais sair, de repente, pela metade de preço. Mas, ao menos politicamente, a mudança veio a calhar: quanto mais baixo for o orçamento apresentado, mais fácil será para o governo convencer a opinião pública a aceitar a obra.”

Voltei
O governo engavetou o estudo, não o contestou e seguiu na sua loucura, sustentando um custo que se sabe falso. É de lascar! Quando as empreiteiras consideram que o valor estimado da obra é correto, estas já costumam custar quase o dobro. Imaginem agora, quando as próprias empresas acham que o valor oficial corresponde à metade do real.

As cidades brasileiras precisam e metrô. O governo federal investe pouco e mal na área. Várias regiões do Brasil precisam incrementar as ferrovias tradicionais e os trens de subúrbio. Ainda que o trem-bala custasse apenas (?) R$ 33 bilhões, e não os mais de R$ 60 bilhões, é evidente que esse dinheiro deveria ser destinado a essas urgências, que ajudariam a diminuir o sufoco nas grandes cidades.

Mas não! Dilma quer porque quer o trem-bala, sabe-se lá por quê. Não existe, atenção!, nem mesmo um estudo sobre a demanda de tal veículo, levando-se em consideração o preço da tarifa. Mas já há uma estatal funcionando, com 140 funcionários e já se torram bem uns R$ 50 milhões nessa história. Sabem como é… País rico e sem maiores urgências podem se entregar a esses luxos… A insistência nesse projeto começa a deixar o terreno da teimosia e já começa a assumir características dolosas.

Por Reinaldo Azevedo

12/08/2013

às 18:20

Governo adia mais uma vez leilão do trem-bala

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Comento no próximo post.
Sem conseguir despertar interesse de investidores estrangeiros, o governo confirmou nesta segunda-feira o adiamento, mais uma vez, do leilão do trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro – uma distância de cerca de 500 quilômetros. Não há data para o novo certame, originalmente previsto para 19 de setembro, mas o governo estima que o leilão de concessão do projeto não ocorrerá em prazo inferior a um ano. “Verificamos que esse certame só terá um interessado. Queremos uma licitação com o maior número de participantes”, disse o ministro dos Transportes, César Borges. A partir de agora, haverá duas licitações: uma para fornecimento de equipamentos e operação e outra para construção da linha e estações.

Desde que o primeiro edital foi lançado, em 2010, o governo temia que a licitação pudesse não ter interessados ou acabasse com apenas um consórcio. No caso do trem-bala, as previsões se confirmaram e, mesmo com diversos adiamentos ocorridos nos últimos três anos, apenas um grupo formado por empresas francesas (lideradas pela Alstom) formalizou interesse no empreendimento. Empresas da Espanha e da Alemanha pediram formalmente ao governo o adiamento do leilão e se comprometeram a entrar na disputa quando o negócio for novamente colocado à mesa. “A garantia que nós temos [de que haverá interessados futuros] foi dada pelo vice-presidente de infraestrutura da Siemens e pelas empresas espanholas, que fizeram cartas para o governo solicitando o adiamento”, relatou o ministro César Borges. “Tenho que me valer dessas conversas e dessas palavras”, completou ele.

Desde 2010 o governo tenta leiloar o trem-bala, mas recorrentemente tem de realizar adiamentos no prazo de entrega de propostas para dar mais tempo a potenciais interessados. A principal reclamação do setor privado é que o retorno sobre o investimento não compensa o risco de se executar um projeto como tal. A taxa de retorno prometida pelo governo estava em torno de 7% ao ano, com a garantia de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pudesse financiar a maior parte das obras.

Os investimentos para tirar o projeto do papel são estimados em 33 bilhões de reais pelo governo. As empreiteiras, porém, calculam custos superiores a 50 bilhões de reais, o que tornaria a obra a mais cara já realizada no país.

Justificativas
Mesmo com o novo fracasso do leilão do trem-bala, o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, tentou justificar o adiamento. Figueiredo negou, até o último minuto, que o certame pudesse ser adiado. “Cada adiamento desse é uma oportunidade de aperfeiçoamento. Se teve uma manifestação de investidores interessados, isso é um indicador de que o projeto se tornou atrativo”, disse. Pelos cálculos do governo, a licença ambiental e o projeto-executivo do trem de alta velocidade (TAV) devem estar concluídos no início de 2015 para que as obras sejam contratadas ainda no primeiro semestre daquele ano. A ideia é que, mesmo com o adiamento oficializado hoje, o trem-bala entre em operação em 2020.

Embora as pressões de investidores estrangeiros tenham começado bem antes das denúncias de um suposto cartel envolvendo o metrô de São Paulo, tanto o ministro dos Transportes quanto o presidente do EPL admitiram que houve alguma influência das denúncias no adiamento do processo licitatório. “As denúncias de cartel não foram fundamentais, mas existem as circunstâncias”, disse o ministro César Borges. “As denúncias ajudaram. Isso reforça a importância que tem o processo competitivo”, completou Bernardo Figueiredo.

Para o presidente da EPL, a presidente Dilma Rousseff esperava que não fosse necessário adiar mais uma vez o leilão do trem-bala. “Ela esperava que tivesse um processo competitivo já agora, mas não tem dúvida de que é mais importante que o processo seja competitivo do que seja rápido”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2013

às 20:01

O alucinado trem-bala de Dilma é atropelado pela realidade

Os consórcios da Espanha e da Alemanha querem adiar o leilão do trem-bala, que está marcado para a próxima terça-feira. A presidente Dilma Rousseff, segundo informou a Folha, está propensa a aceitar o adiamento. Ai, ai… Peço que vocês leiam o texto que vai abaixo, em azul, que considero a mais detalhada desconstrução da maluquice da presidente. Tudo o que você quer ou precisa saber sobre o assunto está aí. Volto depois.
*
O projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre São Paulo e Rio de Janeiro, o trem-bala, poderia ser usado em cursos de administração pública como exemplo do que não se deve fazer. Foram cometidos vários erros básicos nos estudos preliminares – parecem deliberados de tão óbvios. Em primeiro lugar, foi superestimada a demanda de passageiros – e, portanto, a receita futura da operação da linha – em pelo menos 30%.

Além disso, o TAV não custaria R$ 33 bilhões, como dizem, e sim mais de R$ 60 bilhões. Isso porque não incluíram reservas de contingência, não levaram em conta os subsídios fiscais e subestimaram os custos das obras, como os 100 km de túneis, cujo custo foi equiparado aos urbanos. Esqueceram que os túneis para os TAVs são bem mais complexos, dada a velocidade de 340 km por hora dos trens; além disso, longe das cidades, não contam com a infra-estrutura necessária, como a rede elétrica, por exemplo.

Foram ignoradas também as intervenções necessárias para o acesso às estações do trem, caríssimas e não incluídas naqueles R$ 60 bilhões. Imagine-se o preço das obras viárias para o acesso dos passageiros que fossem das zonas Sul, Leste e Oeste de São Paulo até o Campo de Marte!

O último leilão do TAV fracassou não porque os empresários privados não gostem de receber subsídios ou que o governo do PT seja refratário a concedê-los. Pelo contrário! Até os Correios e os Fundos de Pensão de estatais podem ser jogados na aventura. Ocorre que o projeto é tão ruim que o ponto de convergência tornou-se móvel: afasta-se a cada vez que parece estar próximo.

Apesar de tudo, o governo vai insistir, anunciando agora duas licitações: uma para quem vai pôr o material rodante, operar a linha e fazer o projeto executivo da segunda licitação, na qual, por sua vez, se escolheria o construtor da infra-estrutura. Este seria remunerado pelo aluguel da obra concluída, cujo inquilino seria a empresa operadora, bem como pelo rendimento da outorga que essa empresa pagou para vencer a primeira licitação. Entenderam? Não se preocupem. Trata-se de uma abstrusa mistificação para, de duas uma: encobrir o pagamento de toda a aventura pelos contribuintes ou fazer espuma para que o governo tire o time sem dizer que desistiu.

A alucinação que cerca o projeto do TAV fica mais evidente quando se pensa a questão da prioridade. Imaginemos que pudessem ser mobilizados recursos da ordem de R$ 60 bilhões para investimentos ferroviários no Brasil.

Que coisas poderiam ser feitas com esse dinheiro? Na área de transportes de passageiros, R$ 25 bilhões de novos investimentos em metrô e trens urbanos, beneficiando mais de três milhões de pessoas por dia útil em todo o país: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Goiânia, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza… Sabem quantas o trem-bala transportaria por dia? Cerca de 125 mil, numa hipótese, digamos, eufórica.

Na área de transportes ferroviários de carga, os novos investimentos atingiriam R$ 35 bilhões, atendendo à demanda interna e ao comércio exterior, conectando os maiores portos do País com os fluxos de produção, aumentando o emprego e diminuindo o custo Brasil. Entre outras linhas novas, que já contam com projetos, poderiam ser construídas a conexão transnordestina (Aguiarnópolis a Eliseu Martins); a ferrovia Oeste-Leste (Figueirópolis a Ilhéus); a Centro-Oeste (Vilhena a Uruaçu); o trecho da Norte-Sul de Açailândia a Barcarena, Porto Murtinho a Estrela do Oeste; o Ferroanel de SP; o corredor bioceânico ligando Maracajú-Cascavel; Chapecó-Itajaí etc. Tudo para transporte de soja, farelo de soja, milho, minério de ferro, gesso, fertilizantes, combustíveis, álcool etc. É bom esclarecer: o trem-bala não transporta carga.

Além de ter sido vendido na campanha eleitoral como algo “avançado”, o TAV foi apresentado como se o dinheiro e os riscos fossem de responsabilidade privada. Alguém acredita nisso hoje?

Inicialmente, segundo o governo, os recursos privados diretos não cobririam mais de 20% da execução do projeto. E isso naquela hipótese ilusória de R$ 33 bilhões de custo. Outros 10% sairiam do Tesouro Nacional, e 70%, do BNDES, que emprestaria ao setor privado, na forma do conhecido subsídio: o Tesouro pega dinheiro a mais de 12% anuais, empresta ao BNDES a 6%, e a diferença é paga pelos contribuintes. Com estouro de prazos e custos, sem demanda suficiente de passageiros, quem vocês acham que ficaria com o mico da dívida e dos subsídios à tarifa? Nosso povo, evidentemente, por meio do Tesouro, que perdoaria o BNDES e bancaria o custeio do trem.

Há outras duas justificativas para a alucinação ferroviária: os ganhos tecnológicos e ambientais! A história da tecnologia é tão absurda que lembra os camponeses do escritor inglês Charles Lamb (num conto sobre as origens do churrasco), que aprenderam a pôr fogo na casa para assar o leitão. Gastar dezenas de bilhões num projeto ruim só para aprender a implantar e a fazer funcionar um trem-bala desatinado? Quanto vale isso? Por que não aprender mais tecnologia de metrô e trens de carga? Quanto ao ganho ambiental, onde é que já se viu? Como lembrou Alberto Goldman, a saturação de CO² se dá nas regiões metropolitanas, que precisam de menos ônibus e caminhões e de mais trens, não no trajeto Rio-SP.

O projeto do trem-bala é o pior da nossa história, dada a relação custo-benefício. Como é possível que tenha sido concebido e seja defendido pela principal autoridade responsável pela condução do país? Eis aí um tema fascinante para a sociologia e a psicologia do conhecimento.

PS – A região do projeto do trem-bala em que há potencial maior de passageiros é a de Campinas (SP) e Vale do Paraíba, que poderia perfeitamente receber uma moderna linha de trem expresso, com custo várias vezes menor e justificativa econômica bem maior, especialmente se ocorrer a necessária expansão do aeroporto de Viracopos.

Voltei
Esse artigo foi publicado no Estadão, atenção!, no dia 14 de julho de 2011. Há dois anos!!! É de autoria de José Serra. Dilma experimentava os píncaros da glória e poderia se dar ao luxo de ignorar não a voz rouca das ruas, mas as vozes lúcidas da racionalidade. A realidade mudou, mas a presidente ainda não recobrou o juízo. A melhor coisa que tem a fazer é desistir dessa estupidez. Mas ela parece ter sido tomada por aquela doença do espírito que leva uma pessoa a se apegar uma ideia com um entusiamo inversamente proporcional à sua viabilidade. Atende pelo nome de teimosia. O chato é que, se esse troço prospera, nós é que vamos pagar a conta. Já estamos pagando. No dia 1º de março deste ano, informava O Globo: ”O trem-bala ainda nem foi licitado e já custou aos cofres públicos pelo menos R$ 63,5 milhões, com estudos de viabilidade econômica e de engenharia, honorários advocatícios e criação da estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), uma estrutura robusta que já conta com 151 empregados.”

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2012

às 6:03

Trem-bala ainda nem saiu da estação do delírio e já dá problema:Itália bloqueia contas do Brasil

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
A Justiça da Itália condenou o governo brasileiro a pagar 15,7 milhões (R$ 36,4 milhões) e bloqueou contas bancárias que servem ao Itamaraty no país, a última na quarta-feira, para cobrir o rombo de um suposto calote aplicado pela Valec – estatal que cuida das ferrovias – em empresa italiana que elaborou projetos para o trem-bala Rio-São Paulo. A condenação, numa ação judicial que discute um débito de 261,7 milhões (R$ 607,8 milhões), partiu do Tribunal de Arezzo, na Toscana, e impede o uso de recursos pela Embaixada do Brasil em Roma e seus consulados, o que impõe restrições ao pagamento de pessoal e despesas de custeio.

Segundo os autos, o Brasil não apresentou defesa à sentença que lhe impôs o débito, em setembro do ano passado, o que poderia ter revertido a decisão. Como não pagou o valor em 60 dias após a notificação, a Justiça expediu mandado de bloqueio e penhora dos recursos, o que vem ocorrendo desde janeiro. Diante do problema de repercussões diplomáticas, o Itamaraty preferiu não pressionar politicamente o governo italiano. O Estado apurou que, devido ao desgaste do caso Cesare Battisti, a opção, por ora, foi por fazer apenas gestões para resolver o assunto no âmbito da Justiça.

Sediada em Terranuova Bracciolini, a Italplan Engineering alega nos autos que recebeu da Valec em 2005, após processo de seleção, a tarefa de elaborar o projeto básico, o estudo de avaliação econômico-financeira e o projeto ambiental para o trem de alta velocidade. Nos autos, obtidos pelo Estado, a empresa apresenta atos do Ministério dos Transportes publicados no Diário Oficial da União e ofícios da Valec supostamente comprobatórios da requisição dos serviços. Seus advogados alegam que um escritório foi montado em Brasília e que as equipes italianas foram postas quase que integralmente a serviço do trem-bala, mas, ao ser apresentada a conta, em 2009, a Valec havia desistido de usar os projetos e se negou a pagar por eles.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

31/10/2011

às 6:41

A loucura particular de Dilma se acentua – “Governo vai assumir mais risco para ter trem-bala”

Por Marta Salomon e Renato Andrade, no Estadão:
Mais um atraso no cronograma e uma parcela maior de risco na conta do governo. Esse é o retrato atual do projeto do trem de alta velocidade que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Na melhor das hipóteses, o trem começará a circular em 2017 e a um custo maior para os cofres públicos. A rodada de conversa com os candidatos a operar o negócio e oferecer a tecnologia do trem levou o governo a estudar assumir uma demanda mínima de passageiros. Se o número de usuários ficar abaixo do estimado, o governo compensará a operadora. Além disso, os candidatos querem um seguro contra eventuais atrasos na obra, adiantou ao Estado o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. O leilão deverá ser realizado em julho. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Para quando ficou o lançamento do edital do trem-bala, que estava previsto para outubro?
Fizemos reuniões exaustivas e profundas com todos os interessados nessa primeira etapa, que escolherá o operador e a tecnologia. Provavelmente em duas semanas haverá um desenho do edital para a consulta pública. Hoje sabemos bem as limitações de cada grupo, quais são os pontos que incluem ou excluem A ou B. Fechamos as conversas com o pessoal da Alemanha, França, Espanha, Japão e os coreanos.

Os chineses apareceram?
Não sei se eles têm condições de entrar nessa primeira etapa, com transferência de tecnologia. O foco deles é mais na obra da construção das linhas.

Quais são os pontos que a ANTT vai levar ao Planalto?
Existe uma preocupação com o atraso nas obras. Estamos estudando quais são as alternativas.

O governo daria uma garantia?
É isso que estamos discutindo. Tecnicamente, se houver um atraso, eles têm que ter uma compensação. Tem que ter um tipo de seguro.

Quem bancará o projeto executivo?
O investimento é da estatal Etav. Ela é quem vai capitalizar os recursos porque a gente entende que o governo tem de ter o controle. O papel do operador nessa fase é especificar a infraestrutura necessária. O operador vai botar o trem e cotar uma estruturação financeira. Isso tem um custo e, se demorar a construção da infraestrutura, vai haver uma perda.

O seguro vai ter alguma relação com o início efetivo da operação? Se as obras atrasarem um ano o governo compensaria esse um ano sem faturamento?
Podemos compensar com um ano a mais de concessão ou pagar uma multa para a operadora. É isso que estamos estudando, quais são os instrumentos que podemos utilizar para minimizar essas questões.

Quanto custará o projeto executivo?
Por volta de R$ 600 milhões. É caro. É um investimento alto.

Como está o cronograma?
A idéia é colocar o edital em audiência pública ainda em novembro. Vamos fazer audiências em todos os municípios por onde passará o trem. Demos publicar a versão final do edital em janeiro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

29/09/2011

às 22:08

Dilma, aproveite decisão da Justiça e desista do delírio megalômano do Trem Bala! Como sabe a “presidenta”, falta dinheiro para um setor essencial: saúde

Leiam o que informa o Estadão Online (íntegra aqui). Volto em seguida:

Justiça Federal de Brasília manda suspender leilão do trem-bala

Por João Domingos, no Estadão:
A Justiça Federal de Brasília suspendeu todos os procedimentos que visem a licitação para a exploração do trem-bala que deverá ligar as cidades do Rio de Janeiro a Campinas, passando por São Paulo. A suspensão deverá vigorar até que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) regularize todas as linhas de transporte público interestadual no País com extensão superior a 75 quilômetros.

A decisão do juiz substituto Alaôr Piacini, da 9ª Vara da Justiça Federal, acolheu pedido do Ministério Público Federal no DF (MPF/DF), segundo o qual, antes de cuidar do trem-bala, a ANTT deve fazer a licitação prévia para o serviço de transporte público, conforme previsto na Constituição de 1988. A ANTT avisou, por intermédio de sua assessoria, que vai cumprir a decisão da Justiça, mas já determinou os estudos jurídicos para apresentar recurso que a libere para tocar a licitação do trem-bala.

De acordo com o MP, apesar das determinações que mandam a União fazer a licitação para o transporte interestadual, até hoje as empresas que operam centenas de linhas mantém o serviço de forma contrária à Constituição. Algumas chegam a manter contratos administrativos com a União, operando o serviço com base em meras autorizações, de forma totalmente precária, alegou o Ministério Público.

De acordo com o MP, por mais de uma vez o Tribunal de Contas da União (TCU) e a própria ANTT estabeleceram cronogramas para regularizar o problema do transporte interestadual. Sucessivamente, porém, as metas foram descumpridas. A decisão da Justiça Federal de Brasília obriga a ANTT a publicar, já no próximo mês, editais de licitação para a concessão de novas outorgas de exploração de todas as linhas do transporte rodoviário interestadual e internacional cuja extensão seja superior a 75 quilômetros.

A mesma decisão proíbe a União de conceder subvenção econômica para a implantação, concessão ou exploração do trem de alta velocidade na estrada de ferro EF-222 (Rio de Janeiro – Campinas), seja por equalização de juros ou qualquer outra forma enquanto não estiverem devidamente outorgadas todas as linhas de serviço público de transporte de passageiros previstas nas Resoluções 2.868 e 2.869, da própria ANTT.

Voltei
A presidente Dilma Rousseff tem aí um excelente pretexto para cair fora dessa maluquice. O trem-bala — dados o custo, a falta de disposição da iniciativa privada de entrar no negócio e a absoluta desnecessidade — é uma das idéias mais alopradas da história brasileira. Sabe-se lá por quê, Dilma cismou com essa alucinação.

Dilma, saiba enxergar uma janela de oportunidades quando diante de uma.

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2011

às 17:45

O trem destrambelhado de Dilma Rousseff

Não é possível! Se não basta a quase unanimidade técnica (é “quase” porque sempre há um consultor que escreve o que lhe pagam para escrever) contra o trem-bala, então resta chamar uma junta médica, psiquiátrica mais propriamente, para saber a que se deve essa estúpida obsessão de Dilma Rousseff, uma loucura que ela herdou do governo Lula e que pretende levar adiante.

O leitor poderá dizer: “Pô, Reinaldo, não seja ingênuo; toda obra desse porte serve você sabe pra quê… Tem maracutaia aí…” É, safadeza nestepaiz não é artigo de luxo, não é mesmo? Mas, neste caso, acreditem, até aqueles tidos como potenciais beneficiários da megalomania não se aventuram. O trem-bala é considerado absurdamente caro e, acima de tudo, desnecessário. Estimado pelo governo em R$ 33 bilhões, especialistas dizem que custará, no mínimo, o dobro. Com esse dinheiro, pode-se fazer uma verdadeira revolução no setor de transportes do país, que está pelas tabelas  — além, como vimos, de capturado pela cleptocracia.

José Serra — sim, o próprio — escreveu um ótimo artigo no Estadão sobre por que não fazer o trem-bala, publicado no dia 14. É especialmente bom porque didático. Reproduzo trechos.
*
O projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre São Paulo e Rio de Janeiro, o trem-bala, poderia ser usado em cursos de administração pública como exemplo do que não se deve fazer. Foram cometidos vários erros básicos nos estudos preliminares – parecem deliberados de tão óbvios. Em primeiro lugar, foi superestimada a demanda de passageiros – e, portanto, a receita futura da operação da linha – em pelo menos 30%.

Além disso, o TAV não custaria R$ 33 bilhões, como dizem, e sim mais de R$ 60 bilhões. Isso porque não incluíram reservas de contingência, não levaram em conta os subsídios fiscais e subestimaram os custos das obras, como os 100 km de túneis, cujo custo foi equiparado aos urbanos. Esqueceram que os túneis para os TAVs são bem mais complexos, dada a velocidade de 340 km por hora dos trens; além disso, longe das cidades, não contam com a infra-estrutura necessária, como a rede elétrica, por exemplo.

Foram ignoradas também as intervenções necessárias para o acesso às estações do trem, caríssimas e não incluídas naqueles R$ 60 bilhões. Imagine-se o preço das obras viárias para o acesso dos passageiros que fossem das zonas Sul, Leste e Oeste de São Paulo até o Campo de Marte!
(…)
A alucinação que cerca o projeto do TAV fica mais evidente quando se pensa a questão da prioridade. Imaginemos que pudessem ser mobilizados recursos da ordem de R$ 60 bilhões para investimentos ferroviários no Brasil.

Que coisas poderiam ser feitas com esse dinheiro? Na área de transportes de passageiros, R$ 25 bilhões de novos investimentos em metrô e trens urbanos, beneficiando mais de três milhões de pessoas por dia útil em todo o país: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Goiânia, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza… Sabem quantas o trem-bala transportaria por dia? Cerca de 125 mil, numa hipótese, digamos, eufórica.

Na área de transportes ferroviários de carga, os novos investimentos atingiriam R$ 35 bilhões, atendendo à  demanda interna e ao comércio exterior, conectando os maiores portos do País com os fluxos de produção, aumentando o emprego e diminuindo o custo Brasil. Entre outras linhas novas, que já contam com projetos, poderiam ser construídas a conexão transnordestina (Aguiarnópolis a Eliseu Martins); a ferrovia Oeste-Leste (Figueirópolis a Ilhéus); a Centro-Oeste (Vilhena a Uruaçu); o trecho da Norte-Sul de Açailândia a Barcarena, Porto Murtinho a Estrela do Oeste; o Ferroanel de SP; o corredor bioceânico ligando Maracajú-Cascavel; Chapecó-Itajaí etc. Tudo para transporte de soja, farelo de soja, milho, minério de ferro, gesso, fertilizantes, combustíveis, álcool etc. É bom esclarecer: o trem-bala não transporta carga.
(…)
Há outras duas justificativas para a alucinação ferroviária: os ganhos tecnológicos e ambientais! A história da tecnologia é tão absurda que lembra os camponeses do escritor inglês Charles Lamb (num conto sobre as origens do churrasco), que aprenderam a pôr fogo na casa para assar o leitão. Gastar dezenas de bilhões num projeto ruim só para aprender a implantar e a fazer funcionar um trem-bala desatinado? Quanto vale isso? Por que não aprender mais tecnologia de metrô e trens de carga? Quanto ao ganho ambiental, onde é que já se viu? Como lembrou Alberto Goldman, a saturação de CO² se dá nas regiões metropolitanas, que precisam de menos ônibus e caminhões e de mais trens, não no trajeto Rio-SP.

O projeto do trem-bala é o pior da nossa história, dada a relação custo-benefício. Como é possível que tenha sido concebido e seja defendido pela principal autoridade responsável pela condução do país? Eis aí um tema fascinante para a sociologia e a psicologia do conhecimento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2011

às 17:31

Dilma ainda não recobrou a razão: leilão da 1ª etapa do trem bala deve ocorrer em fevereiro

Leiam o que informa Eduardo Rodrigues, da Agência Estado. Volto no próximo post.

A primeira etapa do leilão do trem bala, que definirá a tecnologia e a operação do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, deve ocorrer em fevereiro de 2012, afirmou, nesta quarta-feira, 20, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. Segundo ele, o edital de licitação da primeira etapa deve entrar em consulta pública em agosto e ser publicado em outubro. “Estamos agendando reuniões com todos os potenciais investidores na operação e na tecnologia. Eles querem entender melhor o novo modelo e contribuir para aperfeiçoamento da licitação”, afirmou Figueiredo.

Segundo estimativas da ANTT, os consórcios precisarão de quatro meses, a partir da publicação do edital, para concluir os projetos básicos que concorrerão no leilão. Já o projeto executivo – que norteará a segunda fase da licitação para as obras de infraestrutura – deverá ser feito apenas após o leilão, pelo consórcio vencedor.

De acordo com o diretor-geral, o Tribunal de Contas da União (TCU) – que havia solicitado mudanças no edital que fracassou – irá analisar a proposta de edital durante a fase de consulta pública, para já poder emitir um parecer tão logo o documento seja publicado. “Mas as mudanças pedidas sobre a licitação anterior perdem sentido no novo formato”, acrescentou. Figueiredo também praticamente descartou a necessidade de o governo conceder subsídio aos operadores do trem bala, caso a demanda nos primeiros anos de concessão fique bem aquém do esperado. “Só há possibilidade de subsídio se o fluxo nos 40 anos de concessão for negativo, o que eu acho que dificilmente deve acontecer”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2011

às 6:09

A nova forma do delírio megalômano de Dilma – Governo vai fatiar leilão do trem-bala

Por Eduardo Rodrigues, no Estadão:
O leilão do trem-bala, previsto para ser iniciado ontem, fracassou. Às 14 horas, foi encerrado o período para entrega de propostas, como previa o edital, sem que nenhuma empresa se apresentasse na BMF&Bovespa, em São Paulo. A fase final do leilão estava marcada para o dia 29 de julho. Diante do fracasso do leilão do trem-bala, planejado para ligar Campinas a São Paulo e Rio, o governo decidiu fatiar a licitação em duas partes para tentar tornar o projeto mais atrativo para empresas estrangeiras detentoras da tecnologia e para as empreiteiras brasileiras interessadas nas obras civis. A licitação já havia sido adiada duas vezes.

“Percebíamos que havia possibilidade de não haver propostas, mas achávamos que tínhamos os elementos para um processo disputado”, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. Mas sem ter a quem entregar a responsabilidade pela construção da obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), orçada a princípio em R$ 33 bilhões, o governo precisou mudar radicalmente o processo de concessão, quebrando-o em duas etapas para tentar tornar o empreendimento viável.

A primeira fase da nova licitação tratará apenas da tecnologia e da operação dos trens. “Temos confiança de que vamos ter processo disputado nessa etapa”, disse Figueiredo. Entre os principais grupos que se mostraram interessados na operação do trem-bala brasileiro, estão empresas espanholas, francesas, alemãs, coreanas e japonesas. Somente após a escolha da tecnologia e a conclusão pelo consórcio vencedor de um projeto executivo para a linha do trem é que as obras civis serão licitadas.

A segunda etapa será mais complexa. O consórcio que ganhar terá de fazer novas licitações – nos moldes determinados pelo governo – para escolher outras empresas que construirão trechos do trajeto. “O vencedor terá de licitar trechos das obras para empresas médias e grandes, nacionais e internacionais”, afirmou Figueiredo. Na prática, um consórcio cuidará da implantação e operação dos trens, a um custo estimado pela ANTT em R$ 9 bilhões, pagando ao governo um aluguel pelo uso dos trilhos.

Na outra ponta, outro consórcio licitará a construção de trechos por outras empresas, a um custo de R$ 24 bilhões, e será remunerado pelos pagamentos feitos pelo grupo operador das linhas e outras receitas, como a operação de hotéis e publicidade nas linhas. As concessões terão a duração de 40 anos. O governo manteve o valor de sua participação direta na obra, de R$ 4 bilhões, a serem aplicados pela estatal Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav) e o financiamento de R$ 22 bilhões pelo BNDES. “Não haverá aumento da participação do governo no projeto”, concluiu Figueiredo.

Por Reinaldo Azevedo

11/07/2011

às 16:41

Uma loucura inviável de quase R$ 64 bilhões!

Como vocês viram abaixo, ninguém se apresentou para construir o trem-bala. Se há uma idéia que conta com uma quase unanimidade é esta: trata-se de um delírio megalômano, que consumiria uma fábula de recursos — não sairia por menos do que o dobro, do estimado pelo governo. Por que vocês acham que as empreiteiras não se dispõem a entrar nesse “negocião”, que seria a maior obra pública do país? Por medo de ganhar dinheiro? Ora…

O governo se dispõe a financiar praticamente sozinho essa estupidez, ficando uma pequena parte —  perto de 20% — para a iniciativa privada. Mesmo assim, as empresas se recusam a entrar na aventura. Por quê? Porque sabem que, mesmo nessa perspectiva absurda de o governo arcar com 80% do projeto, os quase R$ 6 bilhões que lhes caberiam seriam, no mínimo, R$ 14 bilhões. Não há um só especialista sério que consiga atestar a viabilidade econômica do trem-bala. Num país em que a infraestrutura é capenga, chega a ser uma piada que a presidente da República se dedique com afinco ao trem-bala.

Há mais: eis uma obra que seria para gerações, governos… Se Dilma conseguir fazer a sua idéia sair da estação, estará encalacrando administrações futuras. Mas ela insiste, e o jogo começa a ficar truculento. Guido Mantega agora deu para ligar para os empreiteiros para reclamar, acusando-os, imaginem vocês!, de sabotar os interesses nacionais — ou bobagem do gênero.

Em novembro do ano passado, VEJA publicou uma reportagem demonstrando que o governo omite dados de um estudo que ele próprio encomendou e que deixava claro: o trem-bala custaria quase R$ 64 bilhões!!! Segue trecho:

Faltam estradas asfaltadas e bem sinalizadas, ferrovias para transportar cargas e passageiros, redes de metrô, portos eficientes, aeroportos decentes (e profissionais decentes para operá-los) e por aí vai. O governo do PT, no entanto, encasquetou que o principal investimento em transporte a ser feito pelo país tem de ser uma obra bilionária e de necessidade duvidosa: um trem de alta velocidade que ligará Campinas ao Rio de Janeiro, passando por São Paulo. O custo deixou de ser uma fábula para se tornar uma piada. A estimativa inicial, que era de 19 bilhões, já passou oficialmente para 33,1 bilhões de reais. A licitação para a construção desse portento da engenharia está marcada para o próximo dia 29. Curiosamente, até agora há apenas um grupo interessado no negócio, liderado por estatais da Coréia do Sul. Empresários nacionais e outras companhias estrangeiras não parecem animados a participar. Para evitar o vexame que será produzido se a licitação contar com apenas um participante, o governo tenta convencer alguns empresários, especialmente chineses, a formar ao menos mais um consórcio para entrar na disputa.

O leitor deve estar se perguntando por que não surgem pencas de interessados em participar do leilão, já que o trem do PT deverá ser a obra mais cara realizada no Brasil desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu. A resposta é a seguinte: apesar de os 33,1 bilhões de reais representarem uma soma estratosférica, nenhum empresário acredita que será possível levar a cabo o projeto proposto pelo governo por esse valor. Os trens-bala estão entre as estruturas mais caras que o engenho humano já foi capaz de imaginar. Os custos com engenharia civil, tecnologia e desapropriações são monumentais. O governo afirma que as empresas exageram no medo. Para provar o que diz, acena com um estudo realizado por duas consultorias, a brasileira Sinergia e a inglesa Halcrow. O material, que custou 5.5 milhões de dólares, foi apresentado em setembro de 2009 e está disponível na internet. Ele conclui que é possível, sim, fazer o trem caber no orçamento de 33,1 bilhões de reais.

Na semana passada, porém, VEJA teve acesso a uma informação que põe em xeque a credibilidade do estudo. Em abril de 2009 (cinco meses antes, portanto), a Sinergia e a Halcrow apresentaram ao governo um primeiro relatório econômico em que afirmavam que a obra custaria muito mais: 63,4 bilhões de reais, quase o dobro do que está sendo anunciado. É normal que, depois de entregar uma estimativa de custos, uma consultoria decida fazer um ou outro ajuste em seus números para aumentar o seu grau de precisão, mas são mudanças pontuais. Não há justificativa no universo da engenharia que faca uma obra orçada em 63,4 bilhões de reais sair, de repente, pela metade de preço. Mas, ao menos politicamente, a mudança veio a calhar: quanto mais baixo for o orçamento apresentado, mais fácil será para o governo convencer a opinião pública a aceitar a obra.

Por Reinaldo Azevedo

11/07/2011

às 15:58

Por enquanto, delírio megalômano de Dilma não avança

Leiam o que vai abaixo. Volto no próximo post:

ANTT confirma que não houve proposta para leilão do trem-bala

Por Eduardo Rodrigues, da Agência Estado:
Como já era esperado pelo mercado, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) confirmou há pouco nesta segunda-feira, 11, via Assessoria de Imprensa, que não houve nenhuma proposta para o leilão do trem-bala brasileiro, planejado para ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Apesar da recomendação do Tribunal de Contas da União de alterações no edital e dos pedidos do setor privado para uma postergação do processo licitatório, o governo decidiu manter para esta segunda a entrega das propostas. Mas no período estipulado, de 9 às 14 horas, nenhum investidor apareceu para esse fim na BM&FBovespa.

O leilão estava marcado para o próximo dia 29. O governo deverá dar um novo prazo ou suspender o processo. Às 17 horas, o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, dará entrevista coletiva na sede da agência para prestar maiores esclarecimentos sobre o processo daqui para a frente. Avaliado pelo governo em R$ 30 bilhões, o projeto do trem-bala ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro já foi adiado outras duas vezes.

O terceiro pedido de adiamento, não aprovado, havia sido feito por três consórcios. O consórcio chamado TAV Brasil, conhecido também como grupo dos coreanos, pediu o adiamento do processo por 45 dias. A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), solicitou uma postergação de seis meses. Já a Agência de Desenvolvimento de Trens Rápidos entre Municípios (ADTrem), entidade que agrega os fabricantes de trens, pediu o adiamento sem especificar datas.

Por Reinaldo Azevedo

07/07/2011

às 4:57

O desvario de Dilma – Empreiteira quer mais subsídio a trem-bala

Por Dimmi Amora, na Folha:
As cinco grandes empreiteiras do país só aceitam entrar com R$ 3 bilhões de capital próprio no trem-bala. O valor é próximo de 5% do custo calculado por elas para o projeto. O governo achou a proposta inaceitável e deve cancelar o leilão marcado para segunda-feira. Outro fator que deve tornar inviável o leilão agora é que o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou ontem mudanças no edital segundo as quais receitas extraordinárias sejam usadas para reduzir a tarifa -conforme a Folha havia antecipado.
Além do cancelamento definitivo para rever o modelo, o governo cogita fazer um terceiro adiamento do leilão por prazo curto.

As grandes empreiteiras (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS) estudaram juntas o projeto e chegaram a um preço final, hoje, acima dos R$ 55 bilhões para o projeto. Como as obras de verdade demorariam mais de um ano para começar, o valor pode chegar a R$ 60 bilhões. A gestão Dilma Rousseff calculou que o custo do projeto estaria hoje em R$ 38 bilhões. O governo se compromete a ser sócio com cerca de R$ 4 bilhões, emprestaria outros R$ 22 bilhões via BNDES (com possibilidade de subsídio de R$ 5 bilhões) e colocaria ainda recursos estimados entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, via fundos de pensão e empresas públicas. Considerando o valor do custo encontrado pelas empreiteiras, a União já daria recursos para cerca de metade do custo do projeto. Mas as empresas querem que a gestão Dilma entre com mais recursos ou se comprometa a assumir mais riscos do projeto. Um dos pedidos foi para que a União triplique o valor que vai aplicar na estatal do trem-bala, a Etav (para R$ 12 bilhões), e eleve o valor do financiamento público.

COREANOS
O Planalto não aceitou as condições. Mas ficou sem opções. O consórcio com o qual o governo contava para disputar com as grandes empreiteiras, o TAV Brasil, também não deve entrar na disputa. Esse consórcio, que tinha acordo com a tecnologia coreana, pedirá formalmente adiamento para apresentar uma proposta. O grupo ainda está formado por empreiteiras brasileiras e coreanas que não têm recursos sozinhas para bancar o projeto. Além disso, tenta negociar com outro país detentor de tecnologia, já que a tecnologia coreana não está totalmente desenvolvida. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

25/03/2011

às 19:39

Alô, Poderosa Pudorosa, nem os fabricantes do trem-bala sabem o que fazer com o trem-bala!

De todos os delírios em curso no Brasil, nenhum é tão caro quanto o trem bala, uma promessa de desperdício a serviço da megalomania. Dona Dilma Primeira, a Poderosa Pudorosa, no entanto, é uma entusiasta da idéia. Qual é o busílis? Por mais que o governo federal se comprometa, no limite, a arcar com o espeto bilionário, o dinheiro privado não quer entrar nessa aventura. Dilma deveria ir aproveitando os adiamentos para, aos poucos, desembarcar da idéia.

Por Renato Andrade, no Estadão Online:
Fabricantes de trens de alta velocidade encaminharam nesta sexta-feira para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um pedido formal de adiamento do leilão do trem-bala, que ligará as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A proposta é que a licitação seja adiada em até seis meses. A solicitação será analisada pelos técnicos da agência e enviada no início da próxima semana ao Ministério dos Transportes. O governo federal já admite a possibilidade de adiar, pela segunda vez, a licitação do trem-bala. A ministra do Planejamento, Míriam Belchior, afirmou na quinta-feira que uma “série de pedidos” estavam sendo analisados.

Apesar de ser contrário à idéia, o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, disse à Agência Estado que mais importante do que cumprir os prazos iniciais previstos era garantir a competição na disputa. Apesar de ser responsável pela condução do processo, a resposta final sobre o adiamento do leilão não é da ANTT e sim do Ministério dos Transportes. Pelo cronograma vigente, os interessados na disputa do projeto, orçado em mais de R$ 33 bilhões, devem apresentar suas propostas no próximo dia 11 de abril.

O pedido de adiamento protocolado nesta sexta-feira foi feito pela Associação Para o Desenvolvimento do Trem Rápido entre Municípios (ADTrem), que reúne fabricantes de trens de alta velocidade de diversos países como Japão e Coréia. De acordo com a entidade, as empresas precisam de mais tempo para “aprimorar” as propostas.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2011

às 6:49

O trem da mistificação

O economista Mansueto Almeida, do Ipea, que tem miolos, escreve um artigo na Folha deste sábado explicando por que o Brasil deve renunciar à loucura do trem-bala. É um texto sucinto e didático.
*
Não há dúvida de que é agradável viajar em trens de alta velocidade. Esse tipo de transporte é pouco poluente, rápido e confortável.  No entanto, sabe-se também que é ainda melhor morar em um país que possui escolas públicas de boa qualidade para qualquer criança, independente do local de nascimento ou do poder aquisitivo da família, como ocorre na Finlândia.  É também agradável morar em um país em que os hospitais são tão bons que não se sabe quais deles são públicos ou privados, como acontece na Alemanha.
O ideal seria morar em um país que possuísse boa infraestrutura, inclusive com disponibilidade de trens de alta velocidade, boas escolas, com professores capacitados, e excelente serviço de saúde pública.

Infelizmente, o Brasil ainda está longe de ser esse país; assim, não pode se dar ao luxo de embarcar em aventura de elevado custo, cujo retorno social é altamente incerto.  O projeto do trem-bala não é prioritário para um país que ainda sofre para melhorar a qualidade do seu ensino, melhorar os serviços de saúde e recuperar a infraestrutura que tira a competitividade do setor privado, devido à carência de investimentos em portos, aeroportos, energia e rodovias, como mostraram vários estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (comunicados nº 48, 50, 51, 52 e 54).  Projetos de trens de alta velocidade são caros em qualquer lugar do mundo, e o Brasil não é exceção. O projeto do trem-bala brasileiro está orçado em R$ 33 bilhões, mas nesse valor não está incluída a parcela de reserva de contingência para arcar com eventuais custos não programados do projeto.

Some-se a isso os fatos de o projeto envolver subsídios de até R$ 5 bilhões para as concessionárias e de a maior parcela do financiamento ser de recursos do BNDES, que não os tem e vai precisar de mais um empréstimo do Tesouro Nacional, como autorizado pela medida provisória nº 511, de 5 de novembro de 2010, que empresta R$ 20 bilhões para o BNDES financiar o projeto.

É bom olhar o exemplo dos casos dos trens de alta velocidade da Itália, que começaram como projetos de parceria público-privada e terminaram sendo absorvidos integralmente pelo setor público, devido a sucessivos aumentos no custo de tal projeto. Isso levou a um aumento da dívida pública e do deficit público em mais de um ponto percentual do PIB.

No Brasil, o custo do trem-bala é tão incerto que a medida provisória acima mencionada dá carta branca para que o ministro da Fazenda renegocie esse empréstimo para 20, 30, 40 anos ou mais para compatibilizar o fluxo caixa do banco ao financiamento do projeto. Adicionalmente, o artigo 4º dessa mesma medida estabelece que, no caso de não pagamento, o BNDES será perdoado da dívida, que será arcada, integralmente, pelo Tesouro Nacional (leia-se nós, contribuintes).

Projeto de trens de alta velocidade têm elevado custo fiscal e não se sustentam sem elevados subsídios públicos. Esse não é um investimento prioritário para o Brasil neste e nos próximos anos, principalmente quando se reconhece que ainda precisamos avançar, além dos investimentos em saúde, educação e infraestrutura, na agenda de desoneração tributária da folha salarial e do investimento, que ainda não avançou por conta da impossibilidade de o governo abrir mão de receita fiscal.  Insistir no projeto do trem-bala é mais uma prova de que ainda sofremos um pouco da megalomania do “Brasil do futuro” da década de 70, que nos levou à década perdida.

Por Reinaldo Azevedo

10/02/2011

às 6:25

Dilma agora quer Eletrobras no aloprado projeto do trem-bala

Por Leila Coimbra e Dimi Amora, na Folha:
O governo quer a Eletrobras como sócia do trem-bala que ligará as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, um investimento de R$ 33,1 bilhões. A Folha apurou que a estatal já foi orientada pelo Palácio do Planalto a entrar no negócio. A utilização de energia pelo trem-bala será alta. Será necessária a construção de pelo menos 12 subestações de energia de 80 MVA (megavolts-ampère), o que corresponde cada uma ao consumo de cerca de 200 mil a 230 mil residências médias. Os concorrentes do trem-bala, cujo leilão está previsto para abril, vinham trabalhando com a possibilidade de sociedade com elétricas posterior ao leilão.

Mas, diante da abertura do governo dada com a entrada dos Correios no negócio, já admitem negociar parcerias antes da concorrência. Conforme a Folha adiantou, os Correios confirmaram que querem participar do projeto do trem-bala. Segundo um dos envolvidos nas negociações, há projetos que podem ser tocados juntos entre o sistema elétrico e o trem de alta velocidade que podem gerar ganhos para os dois lados. A Eletrobras já estuda como participar do projeto. Ela poderia entrar em consórcios com uma fatia entre 10% e 15%. Ou por meio de suas subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul, em consórcios separados; ou a própria holding entraria como sócia estratégica do grupo vencedor. As primeiras articulações envolveriam parceria entre a estatal e o consórcio chinês.

Um dos trunfos da Eletrobras é ter em caixa pelo menos R$ 7,9 bilhões. O dinheiro é da RGR (Reserva Geral de Reversão), encargo cobrado nas contas de energia elétrica que deveria ter sido extinto em 31 de dezembro do ano passado, mas que foi prorrogado por mais 25 anos. A RGR banca o programa de universalização elétrica do governo, o Luz para Todos, que termina oficialmente em dezembro de 2011. Além dos recursos em caixa, há ainda uma quantidade significativa da RGR emprestada a empresas do setor. Apenas em 2009, a Eletrobras recolheu R$ 1,5 bilhão de RGR dos consumidores e recebeu outro R$ 1,3 bilhão em pagamento de empréstimos e aplicações financeiras.

Outro benefício seria o de repassar ao vencedor energia do mercado livre -aquela que não é vendida pelas empresas distribuidoras (como Eletropaulo e Light). Como o trem será um grande consumidor, ele pode negociar nessa modalidade diretamente com a Eletrobras, que tem uma reserva alta desse tipo de energia.Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2010

às 22:09

Trem-bala perdida da alegria – A loucura pelo menos foi adiada

Leiam o que segue. Volto em seguida:
Governo adia leilão do trem-bala para 29 de abril de 2011

Por Karla Mendes, da Agência Estado:
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou nesta sexta-feira, 26, o adiamento do leilão do trem de alta velocidade (TAV), que estava marcado para 16 de dezembro e com data limite para entrega das propostas nesta segunda-feira, dia 29. A nova data para entrega das propostas foi marcada para 11 de abril e o leilão será realizado no dia 29 de abril de 2011.

O diretor geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, afirmou que o adiamento do leilão do trem de alta velocidade (TAV) ocorreu em função de “argumentos objetivos” apresentados pelos grupos interessados em participar da licitação. Ele ressaltou que o governo tem “total confiança” de que, com o alongamento do prazo, o processo será mais competitivo. “Pelo menos quatro grupos empresariais diferentes confirmaram que vão participar do processo de licitação”, disse.

Figueiredo explicou que esses quatro grupos não indicam necessariamente a formação de quatro consórcios, pois os executores da obra e os detentores de tecnologia poderão se unir posteriormente e, desta forma, reduzir o número de competidores. O diretor da ANTT admitiu que a decisão do adiamento do leilão foi tomada “apesar de ter consciência de que penaliza um consórcio (coreano) que estava preparado desde o início em apresentar a proposta”.

Voltei
Bem, pelo menos se ganha um tempinho. As empresas fogem do trem-bala como o diabo foge da cruz, mesmo com o governo assumindo quase todo o risco, conforme o estabelecido numa Medida Provisória que é a materialização da loucura que tomou conta de Lula e Dilma nesse particular. Por que a obstinação? Ninguém entende.

A VEJA desta semana trouxe reportagem informando que duas consultorias tinham estimado o custo total do trem-bala em R$ 63,4 bilhões. E o que tem isso? Essas mesmas empresas, num estudo oficial encomendando pelo governo, que custou R$ 5,5 milhões, deram uma pequena barateada na obra: R$ 33,1 bilhões. E é com base nesse valor que o governo queria fazer o leilão! Como 64 vira 33? Nem Deus sabe. Vai ver essa é uma das razões por que não aparecem candidatos a assumir a estrovenga.  Republico trecho da reportagem da VEJA desta semana que termina.

[no Brasil] Faltam estradas asfaltadas e bem sinalizadas, ferrovias para transportar cargas e passageiros, redes de metrô, portos eficientes, aeroportos decentes (e profissionais decentes para operá-los) e por aí vai. O governo do PT, no entanto, encasquetou que o principal investimento em transporte a ser feito pelo país tem de ser uma obra bilionária e de necessidade duvidosa: um trem de alta velocidade que ligará Campinas ao Rio de Janeiro, passando por São Paulo. O custo deixou de ser uma fábula para se tornar uma piada. A estimativa inicial, que era de 19 bilhões, já passou oficialmente para 33,1 bilhões de reais. A licitação para a construção desse portento da engenharia está marcada para o próximo dia 29. Curiosamente, até agora há apenas um grupo interessado no negócio, liderado por estatais da Coréia do Sul. Empresários nacionais e outras companhias estrangeiras não parecem animados a participar. Para evitar o vexame que será produzido se a licitação contar com apenas um participante, o governo tenta convencer alguns empresários, especialmente chineses, a formar ao menos mais um consórcio para entrar na disputa.

O leitor deve estar se perguntando por que não surgem pencas de interessados em participar do leilão, já que o trem do PT deverá ser a obra mais cara realizada no Brasil desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu. A resposta é a seguinte: apesar de os 33,1 bilhões de reais representarem uma soma estratosférica, nenhum empresário acredita que será possível levar a cabo o projeto proposto pelo governo por esse valor. Os trens-bala estão entre as estruturas mais caras que o engenho humano já foi capaz de imaginar. Os custos com engenharia civil, tecnologia e desapropriações são monumentais. O governo afirma que as empresas exageram no medo. Para provar o que diz, acena com um estudo realizado por duas consultorias, a brasileira Sinergia e a inglesa Halcrow. O material, que custou 5.5 milhões de dólares, foi apresentado em setembro de 2009 e está disponível na internet. Ele conclui que é possível, sim, fazer o trem caber no orçamento de 33,1 bilhões de reais.

Na semana passada, porém, VEJA teve acesso a uma informação que põe em xeque a credibilidade do estudo. Em abril de 2009 (cinco meses antes, portanto), a Sinergia e a Halcrow apresentaram ao governo um primeiro relatório econômico em que afirmavam que a obra custaria muito mais: 63,4 bilhões de reais, quase o dobro do que está sendo anunciado. É normal que, depois de entregar uma estimativa de custos, uma consultoria decida fazer um ou outro ajuste em seus números para aumentar o seu grau de precisão, mas são mudanças pontuais. Não há justificativa no universo da engenharia que faca uma obra orçada em 63,4 bilhões de reais sair, de repente, pela metade de preço. Mas, ao menos politicamente, a mudança veio a calhar: quanto mais baixo for o orçamento apresentado, mais fácil será para o governo convencer a opinião pública a aceitar a obra.

Por Reinaldo Azevedo

26/11/2010

às 5:47

Todos fogem do trem-bala de Lula e Dilma; leilão deve ser adiado

Por Dimi Amora e José Ernesto Credendio, na Folha:
Empresas brasileiras que estavam para se associar com o consórcio coreano do trem-bala desistiram do negócio. Como é o único que anuncia interesse no leilão, o governo deu um prazo para o grupo se reorganizar ou vai adiar o leilão, marcado para segunda-feira. Hoje os chineses anunciam oficialmente que não vão entrar se o leilão acontecer na semana que vem. Franceses e espanhóis já fizeram o mesmo. Alemães e japoneses não devem fazer anúncio oficial, mas é dado como certo que estão fora. Com isso, o leilão poderia ser  vazio. Não teria os três consórcios que o governo vem afirmando estarem certos. O custo estimado do projeto é de R$ 33,1 bilhões.

Os coreanos vinham garantindo que entregariam proposta. No entanto, parceiros brasileiros informaram ontem que não entrarão. Eles não teriam recursos garantidos para formar o capital social da empresa privada do trem-bala, que será de pelo menos R$ 7 bilhões. Segundo fontes do mercado, as empresas nacionais tinham acordado que entrariam com R$ 2 bilhões. As coreanas colocariam até R$ 2,5 bilhões. Ainda faltava R$ 1 bilhão para fechar o consórcio, que já estava contando que os fundos de pensão entrariam depois do leilão com mais R$ 1,5 bilhão por meio da Invepar (empresa em que Previ, Petros e Funcef são sócios com a construtora OAS). Via assessoria, o grupo diz que vai apresentar proposta e que teria hoje 19 empresas garantidas, mas não divulgará quais são. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

24/11/2010

às 7:05

Agora são os franceses a fugir do trem-balada alegria de Lula e Dilma

Por Dimmi Amora e Leila Coimbra, na Folha:
As empresas francesas de trens de alta velocidade vão desistir de participar do leilão do trem-bala do Brasil se ele for confirmado para a próxima segunda-feira. Alemães e espanhóis devem seguir o mesmo caminho, conforme apurou a Folha. Os grupos multinacionais estão sendo procurados desde a semana passada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para formarem consórcios com empresas nacionais, mas ainda apostam num adiamento do leilão por parte do governo. Com a desistência francesa, o governo fica ainda mais pressionado a tentar conseguir que pelo menos mais um consórcio entre na disputa.

Até agora, só o grupo sul-coreano, formado pela estatal operadora Korail e pela fabricante Rotem/Hyundai e que teria mais 20 empresas nacionais e estrangeiras, confirma que fará proposta. A França foi o segundo país a deter a tecnologia, em 1981. Sua fabricante de equipamentos, a Alstom, é a que tem mais trens de alta velocidade em operação no mundo. É investigada por suspeita de pagamento de propina por contratos no Brasil. Os japoneses, pioneiros na tecnologia, também não devem entrar no negócio. Uma fonte do país classificou como “muito difícil” a participação no projeto que prevê ligar Campinas-SP-Rio se o leilão for na segunda.

Um grupo de 20 empreiteiras de São Paulo ligadas à Associação de Empreiteiras de Obras Públicas e que se apresentou como interessado desistirá se a data for mantida. Para realizar o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, o governo forjou um consórcio de última hora com a estatal da Eletrobras e subsidiárias garantindo 49% do projeto. No caso do trem-bala, essa possibilidade é mais remota. Isso porque o edital exige que o consórcio tenha um fabricante e um operador desse tipo de trem. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/11/2010

às 6:25

Edital omite custo de energia do trem-bala

Por Dimmi Amora, na Folha:

O estudo para aprovar a viabilidade do trem-bala que ligará São Paulo e Rio de Janeiro não previu a construção de linhas de transmissão de energia elétrica. Com isso, um custo estimado em pelo menos R$ 1 bilhão foi cortado do preço do projeto, que está previsto em R$ 33,1 bilhões. O problema foi apontado por um dos interessados no projeto durante os pedidos de esclarecimento ao edital, que levantou que o estudo de viabilidade não previa a construção pelo vencedor do sistema de abastecimento de energia.

Embora não preveja o custo da linha, o edital diz que o vencedor será responsável por toda a construção do sistema e pela interface com os fornecedores de energia. “Entendemos ser imperativo que essa construção, bem como a interface com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), seja realizada pelo poder concedente, garantindo a disponibilidade de energia necessária à operação do TAV (Trem de Alta Velocidade), de forma a manter a viabilidade do empreendimento”, pede um interessado.

Em sua resposta, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informa que vale o que está escrito no edital. Em outros problemas apontados nos esclarecimentos, o órgão público responsável pelo leilão informa aos participantes que os estudos são só referenciais e o que vai valer é o que o vencedor do leilão apontar como solução.

PROPOSTAS
As últimas dúvidas sobre o edital só foram esclarecidas pela ANTT no final da sexta passada, a menos de nove dias da entrega das propostas, marcada para a próxima segunda. Ainda há pressão de empresas interessadas no adiamento do prazo. Nos pedidos de esclarecimento, os interessados apontam que há dúvidas quanto à verba destinada para indenização de desapropriações, que será paga pelo governo. Instalações temporárias não estavam previstas no estudo.

A ANTT informou que esses custos ficarão também a cargo dos vencedores e não do governo. A falta de linhas não é o único problema em relação aos custos do trem-bala já apontados. Estudo do consultor legislativo do Senado Marcos Mendes mostra que a reserva de contingência do projeto foi excluída. De acordo com ele, em projetos de grande porte, esses custos podem representar até 30% do valor do projeto.

Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União), ao aprovar o estudo de viabilidade, apontou várias inconsistências no projeto, entre elas o fato de o estudo de demanda ter sido tendencioso e de os preços das pontes estavam subestimados porque levaram em conta os preços de projetos de ferrovias comuns, sem considerar as especificidades do trem-bala.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2010

às 7:05

O QUE VEJA DESCOBRIU: O TREM-BALA AINDA NEM SAIU DO PAPEL E JÁ É UM ESCÂNDALO DE ESTRATOSFÉRICOS R$ 63,4 BILHÕES!!!

O trem-bala é uma “dazobissessão” de Lula, o homem do nunca antes na história “destepaiz“. E contaminou também a sua sucessora, Dilma Rousseff, para quem embarcar nessa maluquice é uma questão de coragem e ousadia. Sem dúvida! A questão é saber com que dinheiro eles fazem essa loucura sair da estação do delírio. E o dinheiro é o nosso. O governo faz de tudo. Já colocou o BNDES como o garantidor da estrovenga. As empreiteiras podem entrar de cabeça, anuncia o governo, que está tudo garantido. Mesmo assim elas relutam. Imaginem: há empreiteiros com receio da megalomania do governo!!! Isso dá uma medida do problema. O Planalto pressiona os fundos de pensão, a maioria comandada por petistas, a entrar no investimento. Pois é. Atenção para um trecho da reportagem de Fábio Portela na VEJA desta semana:

(…)
[no Brasil] Faltam estradas asfaltadas e bem sinalizadas, ferrovias para transportar cargas e passageiros, redes de metrô, portos eficientes, aeroportos decentes (e profissionais decentes para operá-los) e por aí vai. O governo do PT, no entanto, encasquetou que o principal investimento em transporte a ser feito pelo país tem de ser uma obra bilionária e de necessidade duvidosa: um trem de alta velocidade que ligará Campinas ao Rio de Janeiro, passando por São Paulo. O custo deixou de ser uma fábula para se tornar uma piada. A estimativa inicial, que era de 19 bilhões, já passou oficialmente para 33,1 bilhões de reais. A licitação para a construção desse portento da engenharia está marcada para o próximo dia 29. Curiosamente, até agora há apenas um grupo interessado no negócio, liderado por estatais da Coréia do Sul. Empresários nacionais e outras companhias estrangeiras não parecem animados a participar. Para evitar o vexame que será produzido se a licitação contar com apenas um participante, o governo tenta convencer alguns empresários, especialmente chineses, a formar ao menos mais um consórcio para entrar na disputa.

O leitor deve estar se perguntando por que não surgem pencas de interessados em participar do leilão, já que o trem do PT deverá ser a obra mais cara realizada no Brasil desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu. A resposta é a seguinte: apesar de os 33,1 bilhões de reais representarem uma soma estratosférica, nenhum empresário acredita que será possível levar a cabo o projeto proposto pelo governo por esse valor. Os trens-bala estão entre as estruturas mais caras que o engenho humano já foi capaz de imaginar. Os custos com engenharia civil, tecnologia e desapropriações são monumentais. O governo afirma que as empresas exageram no medo. Para provar o que diz, acena com um estudo realizado por duas consultorias, a brasileira Sinergia e a inglesa Halcrow. O material, que custou 5.5 milhões de dólares, foi apresentado em setembro de 2009 e está disponível na internet. Ele conclui que é possível, sim, fazer o trem caber no orçamento de 33,1 bilhões de reais.

Na semana passada, porém, VEJA teve acesso a uma informação que põe em xeque a credibilidade do estudo. Em abril de 2009 (cinco meses antes, portanto), a Sinergia e a Halcrow apresentaram ao governo um primeiro relatório econômico em que afirmavam que a obra custaria muito mais: 63,4 bilhões de reais, quase o dobro do que está sendo anunciado. É normal que, depois de entregar uma estimativa de custos, uma consultoria decida fazer um ou outro ajuste em seus números para aumentar o seu grau de precisão, mas são mudanças pontuais. Não há justificativa no universo da engenharia que faca uma obra orçada em 63,4 bilhões de reais sair, de repente, pela metade de preço. Mas, ao menos politicamente, a mudança veio a calhar: quanto mais baixo for o orçamento apresentado, mais fácil será para o governo convencer a opinião pública a aceitar a obra.

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Nas bancas, a íntegra da reportagem.

Por Reinaldo Azevedo
 

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